domingo, 31 de maio de 2009

Guia Metodológico para o Acesso das Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências

«O Guia Metodológico para o Acesso das Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências - Nível Básico constitui-se como um instrumento que identifica os princípios operativos e metodológicos inerentes à operacionalização dos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências de nível básico para pessoas com deficiências e incapacidades.»
Fonte: ANQ
Guia Apoio RVCC Guia Apoio RVCC jo_eca@hotmail.com

sábado, 30 de maio de 2009

A Arte de Ensinar

Fora, um pouco do espírito/temática deste blog (ou não) deixo uma reflexão.

"Nos últimos tempos a comunicação social divulgou um registo de uma conversa de uma professora com os seus alunos. Numa sala, uma voz em jeito de grito e uma ou duas frases ditas em tom autoritário e desajeitado (na forma, conteúdo e razão) deixavam uma ideia controversa sobre o que se havia passado. Falou-se de falar em Educação Sexual, de desrespeito, da ausência de moderação na linguagem e de muito mais coisas que qualquer pessoa diz sobre um discurso proferido daquela forma. Pior ainda a atitude programada de quem gravou a aula sem autorização recriando o pior, do que já nos esquecemos, de tempo de um estado mais "novo" do que este...
Não me compete, neste espaço, julgar o que se passou. Muito menos tecer qualquer comentário sobre o conteúdo, forma ou razão da dita conversa com os alunos. Mas quero deixar uma reflexão.
Falamos, nós professores, no respeito pela função que exercemos. Falamos muitas vezes na autoridade que falta. Reitero um pensamento que me acompanha quando entre e saio dos portões de uma escola ou de qualquer local onde o saber deve ocupar lugar. Eu sou professor em todos os momentos, mesmo quando não estou a dar uma aula, mesmo que aqueles não sejam os meus alunos, nem aquela a minha escola ou o meu local de trabalho. Quantos de nós, olhámos para os nossos professores, mestres, aqueles que nos ensinaram, como exemplos a seguir? E ao olhar, não olhávamos só para o momento em que nos estavam a ensinar entre quatro paredes. Olhávamos para cada instante e cada situação. Cada justiça ou injustiça. Julgávamos cada palavra ou atitude.
Ser professor é um exercício de cidadania activa. De ensino pelo exemplo nas atitudes, nos gestos e nos modos.
Não é por via de uma legislação, de um estatuto ou de uma regulamentação que se dá exemplos. É por via dos actos, diários, do contacto diário com os alunos, na forma como com eles comunicamos, na forma como transferimos o que somos e o que eles podem ser que conseguimos esse respeito que tanto desejamos. 
Para além deste ensino pelo exemplo, há que valorizar outro respeito tanto ou mais importante. Falo do respeito dos alunos e dos professores pela aprendizagem. Anos e anos a fio a balança andou por um lado ou pelo outro. Pendendo para o lado da autoridade sem fundamento do professor. Pendendo, como está agora, para o lado do aluno sem razão lógica. Resta recentrar a balança naquilo que foi esquecido: a aprendizagem. E com a procura de ganhar esse respeito pela aprendizagem, pelo conhecimento e pelo saber podemos ganhar, de novo, a escola como lugar de excelência para o futuro."
Do autor do blog, a publicar.

Júris, descobertas e motivações...

Uma sessão de júri é um momento único para todos os elementos que a compõem. A verdade é que o trabalho desenvolvido durante o processo é apresentado numa sessão que se converte, muitas vezes, num processo de orientação aos adultos para além da certificação obtida. Este é um dos desafios mais importantes para a equipa, o Avaliador Externo e para cada um dos adultos: fazer da escola e da aprendizagem uma presença contínua ao longo da vida.

Estive presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Tenho a destacar a motivação com que os adultos apresentam, em sessão de júri, algumas das competências que demonstram e relatam nos seus portefólios. Tendo sido uma sessão de júri para certificação de nível Básico, a conversa em torno dos caminhos a seguir para dar continuidade à qualificação de cada um dos adultos é fundamental. Esse trabalho, feito em conjunto e em prolongamento do trabalho realizado pela equipa é uma mais-valia para o ganho de consciência da importância daquele momento que represente, primeiramente, um regresso à escola e a futuras aprendizagens. Parabéns à equipa pela preparação dos adultos para a sessão de júri, com ideias simples mas originais que demonstram e ilustram as competências dos adultos.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Uma sessão de júri para certificação de adultos que terminavam o seu processo de RVCC para o nível básico resultou numa experiência muito interessante de reflexão conjunta sobre o que é hoje a escola e como as aprendizagens ao longo da vida são complementares aos conhecimentos adquiridos de forma mais formal. Encontrei, por mérito de uma equipa dedicada e profissional, um brilho especial no olhar de cada um dos adultos com o desejo de continuarem o seu processo de qualificação, o que, no fundo é a essência deste processo e a razão de ser do mesmo. Parabéns à equipa pelo humanismo e dedicação colocados na preparação da sessão de júri e na valorização dada a este momento.

Por último, estive presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda. Tenho a destacar uma adulta e um problema. A verdade é que, uma adulta referiu o seu imenso desejo de fazer o 12.º ano com um percurso de aprendizagem, similar ao que os alunos do regime escolar contínuo, diurno e regular, seguem. Falámos, como é claro, nos módulos. Acontece que a escolas já não os ministra. O objectivo bem definido de fazer o 12.º ano, tirar o curso de Direito e ser Juíza foi uma das abordagens mais interessantes que registei. A verdade é que é tão importante a vontade de regressar à escola como aquela apresentada de ter objectivos concretos a médio prazo. Ficam também os meus parabéns à equipa pelo trabalho realizado de dedicação individual a cada situação e no apoio dados aos adultos no seu processo.

E por fim, os meus sinceros parabéns aos adultos que terminam o seu processo de RVCC. Que este seja um passo, mais um, na consolidação de uma consciência efectiva da importância da qualificação e da aprendizagem ao longo da vida e que novos caminhos sejam, em breve, caminhados.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A "brincar" com as Histórias de Vida.

«Brincavam à apanhada e ao que a fantasia quisesse. Brincavam com pedras, com caricas, com frutos, com bichos e, como diria Miguel Torga, “instintivamente como um bicho”. 
À beira de mais um Dia Mundial da Criança, a TSF pede boleia às memórias de mais velhos. Alguns lembram “uma infância pobretana”, outros recordam carros miniatura e louça faz-de-conta. Nestes dias em que muito do divertimento das crianças passa por consolas e computadores, longe da rua, as brincadeiras antigas contam histórias de tempos rijos, tempos felizes, com todo o tempo do mundo que era a rua.
"Quando a Rua Era Para Brincar" é uma grande reportagem de Fernando Alves com sonoplastia de Mésicles Helin.»
Fonte: TSF

Vale a pena ouvir aqui.

Sobre os Avaliadores Externos…

Um ponto inicial: A valorização do trabalho dos Avaliadores Externos passa pelo seu conhecimento do processo de RVCC, assim como, das orientações, instrumentos e práticas do trabalho que os centros desenvolvem. Mais do que representar uma função de avaliação final de um processo estes elementos devem ser representantes de boas-práticas, de reconhecimento do trabalho realizado e de efectiva promoção do reconhecimento social.

A questão: Se por um lado o número de Avaliadores Externos, por região e por disponibilidade individual é reduzido (questão que será colmatada com a desejada publicação da nova lista de avaliadores) a verdade é que mais do que o alargamento do número destes profissionais, urge requalificar o trabalho, por estes, realizado. O trabalho de reconhecimento do processo e destes percursos de qualificação resulta da seriedade do trabalho realizado por cada um e de todos no seu conjunto. 

A proposta: É urgente promover formação para os Avaliadores Externos. No entanto não será este factor que determinará a melhoria do desempenho da função. O conhecimento do trabalho realizado pelos centros, em reuniões de trabalho conjunto, o questionamento sobre os métodos de trabalho, as práticas, as dificuldades, as melhorias e boas práticas, num trabalho com os centros (e não para os centros), assim como, uma promoção de uma relação (sendo o avaliador muitas vezes uma ponte entre equipas) potencia uma efectiva prática de trabalho que resulta numa valorização e consolidação do reconhecimento das equipas no trabalho deste elemento externo, assim como, dos adultos na valorização do momento que representa para cada um deles a sessão de júri.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre a Aprendizagem e as Competências…

Um ponto inicial: O contexto nacional e o contexto educacional dos últimos 40/50 anos em Portugal resultam numa análise que (feita pela realidade de ouvir milhares de adultos falarem das suas histórias de vida e nestas no afastamento da escola e de outras formas de aprendizagem mais ou menos consolidada) representa uma necessidade de efectiva aprendizagem. Do domínio da Língua Materna às Tecnologias da Informação e Comunicação a necessidade (e mais, o desejo) dos adultos (re)adquirirem alguns conhecimentos fundamentais é evidente.

A questão: Do diagnóstico à intervenção dos profissionais RVCC, passando pelos formadores e Avaliadores Externos, o discurso inicial de que “O processo de RVCC não é para aprender é para reconhecer competências”, resulta num discurso que se transforma na visão dos adultos em algo como: “só tive pena de não ter tido mais aulas de TIC ou de Português…” ou em algo como “o que gostei mais foi das aulas/formação porque aprendi coisas novas”. É evidente que esta vontade de aprendizagens, associado ao desenvolvimento de novas competências é muitas vezes, esquecido. A mensagem, tantas vezes divulgado do "reconhecimento" em vez de "ensino" não encontrou na realidade social, em muitos contextos, a coerência lógica onde nasceu e a necessidade integrada onde se enquadra.

A proposta: Se repensadas as metas, as práticas e os percursos, tendo em conta o perfil, necessidades efectivas e disponibilidade do adulto, a valorização dos Cursos EFA surge como uma mais-valia para muitos adultos. Se não por esta via, a frequência de UFCD/Formação Modular ou outras formas de formação são urgentes e necessárias associar ao processo de RVCC para um tipo de público a quem, de facto, ao processo de reconhecimento de competências temos que associar um percurso de aprendizagem efectiva. O reconhecimento desta necessidade e a implentação de uma resposta coerente (muitas vezes em parceria entre entidades para ofertas formativas) pode resultar um efectivo ganho de conhecimentos e desenvolvimento de saberes para os adultos que, de facto, podem redesenhar a questão da qualificação numa determinada localidade/contexto.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre a Auto-Avaliação dos CNO…

Um ponto inicial: Tenho como princípio que não existe boa auto-avaliação de uma organização se esta não se definir como uma organização capaz de mobilizar práticas de aprendizagem e desenvolvimento próprios, assim como, de criar uma identidade individual fruto das competências individuais dos seus recursos humanos, assim como, do conhecimento colectivo. Não sou, nem nunca fui, da ideia que qualquer pessoa é insubstituível pois cada um dos recursos humanos numa organização tem capacidades, aptidões e competências única que foram, com todos os outros, uma unidade viva e aprendente, única na sua essência e significado. 

Uma questão: Se por um lado a introdução dos conceitos de clusters, redes, auto-avaliação e monitorização são muito positivas, existe uma questão por resolver e que se torna a base e sucesso dessa mesma implementação/consolidação destes conceitos que se desejam práticas. Um Centro Novas Oportunidades, como qualquer outra entidade pode ser identificado com uma organização em constante mutação. No entanto, para se implementar um modelo sério e rigoroso de auto-avaliação há um trabalho imediatamente anterior que é necessário realizar. Falo da implementação/criação de uma identidade própria (identidade essa resultante do Saber/Conhecimento conjunto); da consolidação de modelos e métodos de trabalho e da identificação com objectivos de melhoria contínua e de aprendizagem do próprio centro enquanto organismo detentor de alguma autonomia que provem do contexto de actuação local e social. Sem esta base de trabalho o modelo de auto-avaliação resultará numa recolha de dados predefinidos em função, não de um modelo de monitorização para a melhoria/observação mas para a identificação quantitativa de práticas que não representam a entidade nem os seus recursos humanos.

A proposta: Se a criação de redes/clusters “artificais” pode resultar a médio prazo na transferência de algumas práticas, a verdade é que, a promoção de uma estratégia aberta, mobilizadora por entendimentos e integrações por motivação, localização geográfica, afinidades tipificadas promovidas por via de encontros de essência local e mais informais resultaria numa mais-valia muito mais relevante para o contexto situacional das redes a formar. Por outro lado, a necessidade de uma consultoria em contexto, para implementação concreta de práticas de gestão do conhecimento, mobilização de um modelo de organização aprendente e de consolidação de um modelo e identidade funcionariam muito melhor do que a implementação de uma auto-avaliação que, embora tendo a capacidade de se adequar aos centros não tem a capacidade, sem orientação, de mobilizar a implementação das restantes práticas e processos tão ou mais necessários.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre o Processo de RVCC…

Um ponto inicial: Tenho que destacar a extraordinária capacidade de transformação dos paradigmas e dos métodos de trabalho que as equipas de formadores, profissionais e coordenadores fizeram. A maioria das equipas é constituída por professores e outros agentes ligados à educação que foram “formados” para um modelo completamente diferente de “ensino-aprendizagem”. Esta capacidade de transformação foi evidente e é hoje uma realidade no uso da terminologia a associada ao processo de RVCC que é dominado por muitos e reforçado por outros.

A questão: Hoje o conceito de “processo” passou a “curso”. E hoje, o conceito de “RVCC” passou a “Novas Oportunidades”. Hoje, os adultos terminam “O curso das Novas Oportunidades”. Tenho referido publicamente e em vários contexto que esta ideia não é positiva. Nem positiva nem adequada. A verdade é que as “Novas Oportunidades” têm que ser encaradas como uma estratégia e não como uma marca. Hoje, nas escolas, os jovens completam um percurso de um CEF, um Curso Profissional ou qualquer outra via integrada nas “Novas Oportunidades” mas identificam claramente o percurso de qualificação que frequentaram. O mesmo não se passa nos adultos. A diferenciação Processo RVCC/Cursos EFA não se consegue fazer. Se associarmos a esta ideia que estão a ser, lentamente, apagados do processo de RVCC conceitos e metodologias como o auto-reconhecimento de competências, o balanço de competências, a aprendizagem partilhada e outros, ganhamos a noção do afastamento de uma metodologia para entrarmos na urgente definição de uma nova metodologia de trabalho. A verdade é que, muitas vezes, principalmente no processo de RVCC de nível Secundário os adultos “trabalham e deformam” a sua história de vida para atingir créditos em função do referencial de competências-chave… esta é uma prática nascente do “afastamento” de um modelo metodológico inicial.

A proposta: Existem aqui dois caminhos possíveis. Ou as equipas defendem a essência de um processo de reconhecimento de competências assente num balanço de competências e na operacionalização de uma metodologia de base ou redesenham este processo (tomando algumas práticas como base) e reforçam a componente de certificação em função de um perfil que o referencial de competências-chave representa. Em qualquer um dos casos, sendo que no segundo caminho a necessidade de criar documentação/regulamentação/métodos de trabalho são fundamentais, a verdade é que urge retomar o rigor da linguagem e dar a conhecer aos adultos e por inerência à comunidade social, escolar e profissional as diferentes vias e percursos dentro das “Novas Oportunidades”, vertente adultos. 

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sobre as Equipas...

Um ponto inicial: Tenho um profundo respeito pelo trabalho, dedicação e profissionalismo que encontro nas equipas dos Centros Novas Oportunidades com que colaboro. Tenho ainda que reconhecer que foi pela capacidade de dedicação e de aprendizagem/reflexão que as equipas hoje conseguem levar a cabo uma trabalho de qualidade com os adultos.

A questão: Trabalhei nos últimos anos com diferentes centros em diferentes entidades. De escolas públicas a entidades privadas. Tenho que referir que um dos pontos em que divergem estas duas realidades passa pela estabilidade das equipas. Estabilidade e número de recursos humanos em função do número de candidatos. É destes dois factores que nasce a minha primeira reflexão. Com o aproximar do final do ano lectivo nas escolas públicas, a potencial alteração nas equipas vai deitar a perder um ano (ou mais) de trabalho de construção de uma equipa, de conhecimento partilhado, de construção de um espírito de intervenção e de uma relação com os adultos. Assisti recentemente numa sessão de júri a uma referência que, no espaço de um ano e pouco, um adulto tinha sido acompanhado por três formadores diferentes na mesma área. A diferença entre uma equipa em constante mutação e uma equipa estável está, principalmente, na consolidação das práticas e da capacidade de interacção e colaboração entre os seus elementos. Por outro lado, fala-se no alargamento da rede de Centros Novas Oportunidades e não tanto no reforço das equipas, principalmente ao nível dos profissionais de RVCC. Este número, em alguns centros, se reforçado, daria uma muito mais célere resposta aos candidatos.

As propostas: Se a mudança nas equipas das escolas públicas é inevitável pelo modelo de contratação associado ao concurso de professores, podem as equipas preparar o trabalho que as espera em Setembro/Outubro. Para isso devem planear acções de acolhimento e formação internas, promover a implementação de um modelo de gestão do conhecimento e auto-regulação e, sempre que possível, articular a capacidade prospectiva das alterações com o desenrolar do trabalho com os adultos. Considero que mais do que falar (como se está a tentar neste momento) na implementação de um processo de auto-avaliação dos centros, se devia ter pensado e implementado uma estratégia de construção do modelo do CNO como organização aprendente, muito mais útil neste contexto do que a auto-avaliação que podia resultar deste processo de olhar para os centro e das suas necessidades que a avaliação como modelo de regulação. No que concerne ao reforço das equipas, o período de co-financiamento em curso, assim como as orientações para a formação das equipas pode ainda ser pensada, autonomizando realidades e tendo em conta os diferentes factores e contextos.

5 dias, 5 reflexões…

Durante os próximos 5 dias, a cada dia, irei publicar um pequeno texto problematizando uma questão que julgo fundamental para o reconhecimento social do processo de RVCC, assim como, deixarei uma proposta de actuação. Seria muito interessante que os leitores, seguidores e amigos deste blog fossem deixando comentários para enriquecer as ideias deixadas que são, no fundo, pontos de início para uma discussão, que se espera, mais alargada.

domingo, 24 de maio de 2009

Curso de Formação: Construção e Avaliação - PRA

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul, promove, no dia 12 de Junho, uma acção de formação sobre a construção e avaliação de um Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. Para mais informações e inscrições clique aqui.

Um Guia Importante: Sessão de Lançamento

No próximo dia 26, em Coimbra, será lançado o Guia Metodológico para o Acesso das Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao Processo RVCC - Nível Básico. Este é, sem dúvida, um passo importante para a promoção da igualdade e integração social. Deixamos o programa do lançamento.

Programa (2) Programa (2) jo_eca@hotmail.com

sábado, 23 de maio de 2009

Júris e Histórias de Vida...

Há, nas Histórias de Vida dos candidatos em processo de RVCC uma representação social de uma época, de um país, de vivências e acima de tudo, de uma forma de ver a escola e a aprendizagem. Hoje, por ter ouvido um conjunto de experiências e relatos de vida significativos vou centrar a minha reflexão nas imagens e representações que me enriqueceram.

Uma das minhas reflexões em torno do acto de certificação associado ao processo de RVCC centrava-se (e centra-se) no “modelo” de candidato que o referencial de competências-chave, para o nível secundário, tem na sua essência. De facto, este documento, na sua génese teve e na sua aplicação tem, um modelo social e significativo do que socialmente pode ser representativo de um cidadão actual numa sociedade como a vemos na contemporaneidade. E sempre pensei que seria impossível um candidato atingir a certificação com as 88 competências. No entanto, e como sempre, a realidade tem forma de nos mostrar que o que julgamos impossível é, de facto, possível. Tive a honra de estar presente numa sessão de júri, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa. A proposta de créditos que me foi enviada, junto com o Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA), relatório final e Plano de Desenvolvimento Pessoal transformaram-se numa evidência para mim que o trabalho desenvolvido pela equipa (da profissional às formadoras) era sério, consistente e rigoroso. O trabalho de análise do PRA, pedido de fundamentação de alguns crédito da minha parte para os formadores, assim como, uma troca de ideias com a profissional que acompanhou o adulto resultaram numa verificação efectiva do excelente trabalho feito. Mas, o trabalho do Avaliador Externo é sempre “a seco”, isto é, sem conhecer o adulto pessoalmente. Foi com essa expectativa que ia para esta sessão. Conhecer os adultos (4 adultos terminaram o processo nesse dia) e em particular o Sr. José Carlos Reis. Tenho, pela equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora uma consideração e imagem muito positiva. Como sempre, a sessão decorreu com o elevado profissionalismo e reconhecimento que é devido nestes momentos. Foi ao conhecer e assistir à apresentação do Sr. José Carlos Reis que vi que um adulto, pela sua experiência e aprendizagem de vida, pode, de facto, ser certificado nas 88 competências existentes no referencial de competências-chave. Mas quero destacar que, esse trabalho (do PRA à apresentação final) são fruto também, da qualidade e dedicação de uma equipa. Sem estes factores combinados tal não seria possível. Parabéns aos adultos certificados neste dia, em particular ao adulto referido e também à equipa que os acompanhou pela excelência do trabalho realizado.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Nacional de Bombeiros. Cinco candidatos apresentaram as reflexões finais sobre o processo de RVCC, nível secundário e apoiados por uma equipa com experiência e capacidade de mobilização dos saberes com os adultos, terminaram o seu processo. Tenho a destacar que uma das apresentações finais foi feita no local de trabalho do adulto. Curiosamente tenho já visitado  vários locais em vários contextos que pensei, nunca na minha vida, vir a conhecer. Esta foi uma experiencia muito interessante. A sessão de júri teve lugar numa locomotiva da CP, na ligação entre Coimbra e Serpins, mais propriamente na estação ferroviária de Serpins. A explicação da história de vida do adulto, assim como, a demonstração de algumas competências do contexto profissional resultaram num momento de aprendizagens para todos, assim como, numa reflexão e reconhecimento social do processo pela disseminação que este exemplo tem para outros futuros candidatos.

Estive ainda presente numa sessão de júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Um grupo de candidatos da empresa Socertima terminaram o seu processo de RVCC de nível básico. A necessidade de obterem a equivalência ao 3.º Ciclo do Ensino Básico (9.º ano) para futura e obrigatória certificação profissional tem trazido muitos adultos ao processo de RVCC. É de destacar quando uma empresa tem essa consciência social e apoia os seus trabalhadores nesse processo. Mas quero destacar o relato e histórias de vida que foram partilhadas nessa sessão. Deste a participação em dezenas de concertos de música por um adulto, às histórias orgulhosas de um bombeiro voluntário, ao relato de uma época e da forma de viver superando obstáculos de um contexto de vida, a verdade é que a partilha dessas vivências, saberes e experiências resultaram numa sessão muito rica e muito interessante. Obrigado e parabéns a todos os adultos que terminaram neste dia uma etapa das suas vidas que, como os próprios o referiram, nunca pensaram poder vir a conseguir.

E por fim, estive presente para sessões de júri, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Quero destacar aqui a história de duas candidatas. Duas irmãs. Na casa dos 30 anos. Duas mulheres de força, garra e determinação. Duas mulheres de olhar curioso e de vontade de viver inesquecível. Por via de uma vida com condições muito difíceis a escola foi posta de lado. Não por vontade, mas por necessidade. Naquele dia cumpriram uma etapa. Ouvir os relatos de uma história de vida dura e sofrida, com um sorriso no rosto e uma determinação de aprender mais, falando em formação e no desejo de continuar “os estudos” foi sem dúvida uma das mais importantes lições que foram deixadas neste dia. Tenho que destacar a capacidade que a equipa técnico-pedagógica tem de humanizar o trabalho realizado e apoiar os adultos no seu percurso. Parabéns a todos os adultos e à equipa pelo trabalho realizado.

Termino com uma reflexão que não é minha. Ouvi-a numa destas sessões. Dizia um adulto, o Sr. Horácio, que o deixar a escola foi motivado pela necessidade de ir trabalhar para ajudar os pais e que hoje via os “miúdos” deixarem a escola para ganharem para os gastos próprios. E deixo esta reflexão em com os sinceros parabéns a todos os adultos que terminaram nestas sessões o seu processo. Tenham orgulho em ter concluído esta etapa e que ela seja também o cumprir de um sonho.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Uma publicação de interesse.

A Literacia dos Adultos: Competências-Chave na Sociedade do Conhecimento, de Patrícia Ávila

«No plano das representações, avançam-se alguns dados preocupantes. A maior parte dos inquiridos não equaciona as suas competências como um limite às possibilidades de progressão na carreira, e, para além disso, cerca de 70% dos portugueses localizados no nível mais baixo de literacia, afirmam estar satisfeitos com as suas capacidades de leitura e escrita. Assim, reporta-se uma fraca consciencialização da população portuguesa face aos seus baixos níveis de literacia (realidade por si só desanimadora), que se associa a fracas disposições para a aquisição de novas competências. 
Uma medida que visa colmatar este défice de competências passa pela formação e educação da população adulta. No contexto nacional essa modalidade de ensino tem uma expressão muito reduzida, e a que existe tende a reproduzir as disparidades aqui encontradas. Entre os adultos que frequentam este tipo de iniciativas, não são os menos escolarizados, ou posicionados nos níveis de literacias mais baixos, que predominam. 
Na tentativa de explicar o perfil nacional encontrado, na maioria desprovido competências de literacia satisfatórias, avançam-se algumas pistas que extravasam aquelas que a sociologia tradicionalmente mobiliza:

“Meios familiares de origem extremamente carenciados de habilitações literárias, insuficiente expansão do sistema de ensino, modos de vida quotidiana pobres em práticas de literacia e tecido económico e profissional muito pouco qualificado e mesmo desqualificante quanto a competências de leitura, escrita e cálculo, são alguns dos factores que convergem na produção dos fracos níveis de literacia encontrados entre a população adulta portuguesa” (p. 232).»
Fonte: Aqui.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma Universidade Global

University of the People , é este o nome do projecto, que ja conta com a participação de 200 alunos de 52 países. Um projecto da Organização das Nações Unidas

Clique aqui para visitar a página.



Fases da aprendizagem

Gagné, R. M. “The Conditions of Learning”. 3rd editon. Holt, Rinehart e Winston, 1974.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

A Aprendizagem Autodirigida.

«Para Long (1992b) a aprendizagem autodirigida é um processo cognitivo "que está dependente de comportamentos meta-cognitivos como atenção, comparação, interrogação, contraste, etc. que são controlados e dirigidos pessoalmente pelo aprendente com pouca ou nenhuma supervisão externa" (p.12). Para o autor é no aprendente que se desenrola todo o processo de aprendizagem. Tremblay e Theil (1991), consideram que os aprendentes aprendem por eles próprios, "no sentido em que aprendizagem = processo interno".

Brookfield (1984) entende que a aprendizagem "tem lugar ‘dentro do aprendente’ não na escola, e é o resultado da capacidade do aprendente que não está necessariamente dependente de uma série de interacções fixas cara a cara.". Para este autor, o resultado da aprendizagem é a mudança interna da consciência do aprendente, ou seja, a aquisição de novos conhecimentos, capacidades, comportamentos ou competências. Mas para a alteração da consciência psicológica (envolvendo essencialmente a alteração dos pressupostos do indivíduo acerca do mundo e acerca de si próprio) é necessária a interacção com os outros que são fonte de visões e perspectivas alternativas. Assim, se o resultado da aprendizagem é a mudança interna da consciência psicológica do aprendente, o que é facto é que esta mudança só se verifica após o aprendente ter partilhado e interagido com os outros: desta forma, é na inter-relação que os verdadeiros significados são alcançados.

Para Mezirow (1991) a dimensão crucial na aprendizagem dos adultos envolve o processo de justificação e validação de ideias comunicadas, e de pressupostos das aprendizagens anteriores. Estes pressupostos, assimilados na maioria das vezes de forma não crítica, podem distorcer os nossos modos de conhecer. A reflexão envolve a análise crítica destes pressupostos. A aprendizagem reflectiva torna-se transformativa quando os pressupostos, ou premissas, são vistos como distorcidos, incorrectos, e inválidos. A aprendizagem transformativa resulta num esquema de sentido novo, ou transformado. Contudo, como já foi referido, a reflexão crítica (processo interno) requer a comunicação com os outros, pois é nessa comunicação que o indivíduo se dá conta de outras perspectivas, e da desadequação dos seus esquemas de sentido, favorecendo assim a reflexão crítica.

O sentido da aprendizagem não se encontra apenas numa das vertentes (processo interno versus interacção), mas sim em ambas. A "aprendizagem pode ser usada também para referir quer o processo quer o resultado. Quando aprendizagem é usada como verbo, refere-se ao processo ou série de actividades em que o aprendente entra. Quando usada como substantivo, refere-se ao produto, reflectindo mudança ou aquisição de novos conhecimentos, o qual ocorre no aprendente." (Gerstner). Mezirow (1985) sintetiza da melhor maneira as diversas dimensões da aprendizagem, ao descrever as três funções interrelacionadas, mas distintas, da aprendizagem do adulto: Aprendizagem instrumental de tarefas orientadas para a resolução de problemas o que é relevante para controlar o ambiente ou outras pessoas; aprendizagem dialógica, pela qual tentamos perceber o que os outros desejam ao comunicar connosco; e aprendizagem autoreflectida, pela qual nos entendemos a nós próprios.»
Fonte: aqui.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Valem mais as vidas que os livros...

«Defende Cleantes a opinião de que em nada nos interessam as ideias dos homens e que acima de tudo devemos pôr o seu carácter, a honestidade e a firmeza, a independência e a lisura do seu procedimento. Se de política tratamos, Cleantes, que, por definição, é honesto, sentir-se-á muito bem representado ou muito bem governado não por aquele que, incluindo nos seus programas de eleição ou nas suas declarações ideias que perfeitamente se harmonizam com as dele, depois aparece apenas como um membro de toda a raça infinita dos que sobem por fora, mas por aquele que, tendo-o porventua irritado com a sua maneira de pensar, em seguida vem habitar a ilha minúscula dos que sobem por dentro. Se de dois candidatos que se apresentam, um está no partido contrário ao nosso mas é um honesto, seguro cidadão, e o outro se proclama correligionário, mas nos deixa dúvidas sobre a integridade moral, diz Cleantes que ninguém deve hesitar: o nosso voto deve ir para o que dá garantias de uma fiscalização séria dos negócios e não deixará que se maltrate a Justiça. Sobretudo se formos moralistas, isto é, se acreditarmos que o mundo se salvará pela moral; e, como cumpre a moralistas, se quisermos que o mundo se salve pela moral.
O mesmo acontecerá, por exemplo, nos domínios da filosofia: rio-me do estoico que usa um manto despedaçado e uma grande barba mal cuidada e vai à nona hora espreitar as damas amáveis do Foro; rio-me do pregador que não tolera a riqueza e vive num palácio, que desdenha a política e mergulha nas intrigas de Nero, que louva a paz dos campos e prefere o tumulto de Roma. E, ao contrário, darei lugar, entre os bustos domésticos, àquele Epicuro que defendeu o prazer (se defendeu o prazer), que amou a vida e desprezou os deuses, mas tão santamente procedeu e tão nobremente morreu nos seus jardins de Atenas; poria a seu lado Lucrécio, o homem de que nada sei, que adivinho, porém, austero e puro. Porque uns contribuíram com palavras e os outros contribuiram com actos; certamente, quando vier a hora de se reconhecer na palavra nada mais do que uma ferramenta, uma das muitas que serviram a erguer o edifício humano (temo que a palavra humano seja estreita), hão-de valer mais as vidas do que os livros e ninguém nunca mais se lembrará dos que apenas tiverem deixado atrás de si as páginas que escreveram.»
Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'

domingo, 17 de maio de 2009

Hoje: Corrida Novas Oportunidades

Sobre os Júris Parciais: Uma reflexão urgente.

Tenho assistido e estado presente em várias Sessões de Júri para processos de validação/certificação parcial. Tenho que destacar alguns cuidados que devem ser fundamentais para assegura que a posição do adulto está, nestes casos, sempre devidamente assegurada e devidamente respeitada na sua correcta intervenção para a construção de um percurso de qualificação pós processo.

Deixo três ideias fundamentais:

a) Os adultos ao terminarem o processo de RVCC entraram num percurso de qualificação. A certificação emitida é de um certificado de qualificações. A escolaridade inicial transforma-se num percurso novo, pelo que, as equipas devem ter em consideração este factor quando propõe o adulto, por exemplo, com um nível secundário (ex. 11.º ano) para certificação com um número de créditos reduzido. Para melhor entender é preciso reler uma das perguntas/respostas frequentes emitadas pelas ANQ: «Quando um adulto termina um processo RVCC não tendo validado todas as competências da componente de base, é-lhe passado um PPQ (Plano Pessoal de Qualificação) onde estão inscritas as UC/UFCD que ele terá que frequentar num percurso EFA para obter a qualificação total. Por exemplo: um adulto que, num processo RVCC, consegue validar 16 das 22 UC da componente de base (32 competências = 2*16), necessita de ser encaminhado para um percurso EFA para poder validar as restantes 6 UC. Nesse caso, o adulto terá de percorrer as outras 6 UC/UFCD (24 competências) em formação (300 horas), mas só necessita de validar 12 das 24 competências. Isso dar-lhe-ia 32+12 = 44 competências, ou seja o mínimo para a certificação.»

b) Os adultos precisam de um conjunto válido e útil de informação, por exemplo, sobre o funcionamento dos Cursos EFA. Muitas vezes a orientação pós-processo passa pela integração num percurso flexível de um Curso EFA e para ajudar/informar o adulto a equipa deve tornar o mais claro possível o que espera e como será feita essa integração por forma a permitir uma visão global e clara das alterações e da estruturação do novo percurso de qualificação.

c) A elaboração de um documento, o chamado Plano Pessoal de Qualificação, que para além do certificado ou dos dados do SIGO permita uma leitura complementar, para a equipa dos Cursos EFA, sobre o perfil, competências, saberes (capacidades e aptidões) do adulto, assim como, uma leitura transversal das competências validadas em processo de RVCC.

Estas reflexões, para além de serem alertas, são pontos de reflexão para as equipas e para os Avaliadores sobre como estruturar o melhor percurso e tomar a melhor decisão caso a caso.

sábado, 16 de maio de 2009

Júris, Exemplos e uma Sessão Solene...

Há, no processo de aprendizagem um factor transversal que é fundamental. Falo do tempo. Tempo para ensinar. Tempo para aprender. Tempo para pensar. Tempo para falar e para ouvir. Tempo para ler. Sem esse factor assegurado estamos longe de conseguir a consolidação de competências a médio/longo prazo.

Estive presente na primeira Sessão de Júri de Nível Secundário do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul. Para além de gostar particularmente da beleza do local, encontrei neste dia um portefólio e uma apresentação feita por um adulto que considerei excelente. Um portefólio em formato digital e uma apresentação centrada nos “saberes em acção”, na manifestação e apresentação de evidentes competências revelaram-se um momento muito positivo e muito rico de aprendizagens, reflexão e valorização da aprendizagem ao longo da vida. Foi, sem dúvida, um excelente momento que guardarei na memória.

Estive também presente numa Sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho falado já várias vezes do trabalho realizado pela equipa deste centro pelo que, irei, destacar outro evento que teve lugar nesse dia. Tratou-se da entrega solene de Diplomas aos adultos que terminaram o seu percurso de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, quer de nível Básico, quer de nível Secundário. Um espaço cheio, com cerca de 150 pessoas, marcou um fim de dia que mostrou a importância que tem a possibilidade dada a tantas pessoas de procurarem uma certificação. Tenho por hábito e princípio não ir a estas cerimónias, sendo esta a segunda vez que o fiz. Considero que, entidades oficiais e representantes do sistema de ensino, ou, como eu, Avaliadores Externos não podem nunca entender o esforço que as equipas técnico-pedagógicas fazem, nem a relação estabelecida entre estes e os adultos, sendo que estes momentos, solenes, devem ficar para quem os conseguiu, de facto, levar a cabo. Fiquei contente, por sua vez que, o Centro Novas Oportunidades da Gafanha da Nazaré tivesse convidado elementos de empresas locais. Esta é uma mais-valia num momento de aumento de desemprego como o que atravessamos. Deixo os meus parabéns à equipa, aos adultos e à escola pelo trabalho realizado e votos sinceros de sucesso para todos os novos desafios que se seguem para cada um deles.

Deixo só uma curiosidade. No início da sessão solene de entrega de Diplomas o coro da escola cantou várias músicas. Uma dessas músicas foi esta que penso, pode ser, para todos, uma lição de vida e um ponto de reflexão.


Por último, como sempre, os meus sinceros parabéns aos adultos que terminaram o processo de RVCC nestas sessões de júri desejando que para eles, esta certificação, seja uma porta aberta para novas aprendizagens!

Um museu a Visitar: Museu do Trabalho Giacometti

«O Museu é um espaço vivo, que deverá estar em sintonia com os ritmos, desenvolvimentos e impulsos da sociedade onde está inserido. Nunca é demais dizer que o espaço museológico é um local de fruição, um local de resposta às solicitações do meio.»


«A recolha de material etnográfico registou-se no Verão de 1975, após uma instrução sumária dos métodos de pesquisa, ministrada às 31 equipas de 124 jovens, actuantes principalmente a norte do Tejo. No final do Verão os resultados obtidos, pela sua importância social e cultural, ultrapassaram as previsões mais optimista. Fez-se uma recolha de mais de 1200 alfaias, ferramentas e instrumentos utilizados nas fainas agrícolas, além de registos sonoros de espécimes de literatura popular, de fórmulas medicinais populares e cautelas supersticiosas.»

Visita virtual, aqui.

Hoje é Dia Internacional de Histórias de Vida

Veja as iniciativas a decorrer no dia de hoje, aqui.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Duas actividades: Boas-Práticas

Tenho acompanhado algumas actividades organizadas por vários Centros Novas Oportunidades e escolas no âmbito do Processo de RVCC e Cursos EFA. Deixo dois desses momentos/actividades que podem tornar-se ideias a implementar noutros momentos e noutras entidades...
Clique aqui para saber mais.

«Os Formandos do curso EFA, turma C, têm a honra de convidar V/ Exa. a participar no convívio multicultural que se realizará no dia 28 de Maio de 2009, pelas 19h30m, na Escola Secundária com 3º Ciclo de Pombal

E, o Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Maceira organiza, com especialistas, uma explicação/informação/formação para as diferentes áreas do Referencial de Competências-Chave para o RVCC de Nível Secundário. Aqui fica o programa.
Apresentao Referencial Apresentao Referencial jo_eca@hotmail.com

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"A Educação e Formação de Adultos em Contexto Prisional"


«A equipa técnico-pedagógica do Agrupamento Vertical de Escolas Augusto Moreno em conjunto com o Estabelecimento Prisional Regional de Bragança vão realizar, no próximo dia 22 de Maio, o II Ciclo de Conferências subordinado ao tema: "A Educação e Formação de Adultos em Contexto Prisional - Educar para a Saúde", nas instalações daquele estabelecimento prisional. Esta iniciativa surge no âmbito do trabalho desenvolvido pela equipa técnico-pedagógica daquele agrupamento que lecciona no Estabelecimento Prisional Regional de Bragança o Curso do 3º Ciclo de Educação e Formação de Adultos (EFA-B3).
Os promotores deste evento têm como objectivo concretizar uma, ainda melhor, articulação entre as duas instituições que interagem em matéria de formação de adultos. Paralelamente, pretendem promover boas práticas de saúde numa abordagem cada vez mais eficaz a um melhor combate a patologias que, normalmente, assolam esta camada populacional, nomeadamente, entre outras, doenças infecto-contagiosas, adições e psicopatologias.
Tal como no I Ciclo de Conferências, realizado em Abril de 2008, estas jornadas, para além da comunidade reclusa, contarão com o contributo de um variado leque de conferencistas, entre os quais, formadores, docentes universitários, especialistas nas áreas da Educação, Saúde, Justiça e Serviços Prisionais, bem como convidados da sociedade civil.»
Mais informações aqui.

O que é o Saber de uma Vida?

As Histórias de Vida são instrumentos de aprendizagem para uma memória colectiva. Memória essa que, se não for registada, só a História a poderá, parcialmente, recuperar... Aqui fica uma dessas vidas partilhadas, um desses saberes a revisitar...


quarta-feira, 13 de maio de 2009

A História de Vida e o Balanço de Competências

«O relato por parte do formando da sua História de Vida e respectiva reflexão sobre o seu percurso de vida, vai levá-lo, juntamente com os professores à metodologia do Balanço de Competências, que se trata de um dispositivo epistemológico com funções de diagnóstico e de avaliação de competências mobilizadas ou desenvolvidas com os adquiridos na vida de cada um, evidenciando as interacções das competências em várias esferas da vida do ser humano: a) conceptual, b) de relacionamento e comportamento humano, c) práticas concretas.

Neste contexto, o Balanço de Competências constitui uma démarche de auto e hetero-avaliação que faz emergir uma representação de si revelada nas dimensões de vida pessoal, social e profissional de cada aluno adulto. Entrar num processo de Balanço de Competências supõe um forte envolvimento dos implicados na construção e monitorização do seu desenvolvimento e um olhar sobre as experiências vividas, (re) dizê-las para se apropriar delas.

Desde sempre, a pretensão do Balanço de Competências visa o reconhecimento dos saberes práticos, dos conhecimentos tácitos adquiridos por experiência. Enquanto acto voluntário requer a exploração, a análise de saberes, expondo competências na perspectiva da construção de projectos de vida pessoais e profissionais no percurso singular dos candidatos. Parafraseando Castro , o Balanço de Competências visa implicar o sujeito na constituição de uma carteira pessoal dos saberes em acção, coligindo evidências desse itinerário, procurando formas (reconhecidas) de validar essas competências, valorizando explicitamente percursos trilhados e potenciando a motivação necessária para desenvolver voluntariamente novas aprendizagens.

Se as Histórias de Vida conduzem ao Balanço de Competências, o Balanço de Competências, por sua vez, é materializado no Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA). Com efeito, o PRA dos alunos é um documento que se articula e decorre das Histórias de Vida e do Balanço de Competências.

É uma combinatória de documentos vários (de natureza textual ou não) que revela o desenvolvimento e progresso na aprendizagem, explicitando os esforços relevantes realizados para alcançar os objectivos acordados. É representativo do processo e do produto de aprendizagem. Documenta experiências significativas e é fruto de uma selecção pessoal.

Na realidade, o paradigma que está subjacente à utilização de um portefólio é de uma filosofia de aprendizagem, baseada num processo de investigação; acção ; formação. Supõe o desenvolvimento de um perfil de competências meta-cognitivas e meta-reflexivas, sobre o próprio conhecimento, que nele se procura evidenciar, demonstrar.»
Fonte: aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O processo RVCC: Individual

Queria partilhar neste espaço uma ideia que me tem acompanhado e que resultou recentemente de um alerta que me foi lançado. A comparação do trabalho entre centros, modelos de intervenção e metodologias, percursos e recursos é uma realidade que emerge, muitas vezes, da implementação de um processo que, pela sua (ainda) necessidade de reconhecimento leva, muitas vezes, a uma reflexão que se centra nas vivências pessoais, mais do que, na lógica institucional ou transversal. Assim, muitas vezes, fora de um contexto que nos é desconhecido, tendemos a tecer considerações ou observações sobre um percurso, um recurso ou um trabalho sem podermos analisar a fundamentação da sua realização naquela forma. Isto passa-se muitas vezes entre os adultos que, por considerarem que, ao consultarem um Portefólio de outra pessoa que se encontra em processo, quer no próprio centro quer em centros diferentes, tende a fazer uma comparação imediata entre processos (no que diz respeito à duas organização, exigência e/ou qualidade). No entanto há dois alertas que urge fazer:

1. Uma das características do processo de RVCC passa pela sua individualidade/personalização o que torna incomparáveis cada um dos percursos, estratégias, solicitações e resultados finais de cada um dos adultos. Se juntarmos a esta característica o factor de adequação/flexibilidade que os referenciais permitem temos essa realidade que é necessário transferir para os adultos, no que diz respeito, aquilo que se pode resumir na velha máxima de “cada caso é um caso”.
2. Que um processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências que assenta numa metodologia de História de Vida resulta sempre numa diversidade entre casos em processo e não numa uniformidade.

Sinto que, no que diz respeito aos Centros Novas Oportunidades e à comparação do trabalho entre si esta questão está a ser superada pela estratégia de criação de redes de cooperação. Uma das mais-valias que tenho encontrado nos Centros é a sua abertura à partilha de experiências quando promovidas numa ambiente de rede de trabalho. Acompanho actualmente duas redes criadas, a Rede MAPA e a Rede TEIA e o que começou tenuemente com uma simples reunião entre centros é hoje um local de visita e troca de ideias, recursos e soluções. Para as equipas dos Centros Novas Oportunidades é cada vez mais claro que diferentes contextos levam a diferentes soluções e como tal a comparação desaparece dando lugar à cooperação para resolução de situações em contexto próximos e identificados. 
Quando estas realidades não existem, por um motivo ou outro, cabe aos Avaliadores Externos, Directores e outros diversos actores promover uma estratégia de harmonização entre actuações de forma a conseguir essa mesma cooperação. Deixamos dois pontos de partida que, pela experiência vivida por mim, podem ser pontos fundamentais para o reconhecimento do trabalho entre Centros Novas Oportunidades:

1. O convite para a participação/assistência de sessões de júri entre centros na mesma área geográfica ou em outras com o objectivo de partilha de práticas e abertura de uma ponte de diálogo. Muitas vezes o primeiro passo pode/deve ser dado pelo Avaliador Externo.

2. O convite para reuniões conjuntas moderadas por uma entidade comunitária ou por uma personalidade de interesse. Estas sessões, com um reduzido número de participantes (geralmente os elementos das equipas de dois ou três centros) funcionam como mobilizadores de uma primeira abertura no conhecimento entre equipas e no reconhecimento dos modelos de trabalho.

Pensamos que, como já referimos anteriormente, a construção do reconhecimento social do processo de RVCC passa muitas vezes pela identificação de pontos fracos ou a desenvolver e não pela ocultação dos mesmos. Para responder à melhoria desejada e sempre contínua consideramos ter deixado, neste texto, algumas ideias e uma ou outra reflexão que podem ser pontes de ligação entre os problemas e as soluções, todos eles resolvidos por via de um processo de colaboração e cooperação entre pessoas.

A Metodologia: História de Vida, o que é?

«A história de vida é uma das modalidades de estudo em abordagem qualitativa. O termo História de Vida, traduzido de historie (em francês) e de story e history (em inglês), tem significados distintos. O sociólogo americano Denzin propôs, em 1970, a distinção das terminologias: life story (a estória ou o relato de vida) é aquela que designa a história de vida contada pela pessoa que a vivenciou. Nesse caso, o pesquisador não confirma a autenticidade dos factos, pois o importante é o ponto de vista de quem está narrando. Quanto à life history (ou estudo de caso clínico), compreende o estudo aprofundado da vida de um indivíduo ou grupos de indivíduos. Inclui, além da própria narrativa de vida, todos os documentos que possam ser consultados, como dossiês médico e jurídico, testes psicológicos, testemunhos de parentes, entrevistas com pessoas que conhecem o sujeito, ou situações em estudo. Assim, a história de vida trabalha com a estória ou o relato de vida, ou seja, a história contada por quem a vivenciou. No relato de vida o que interessa ao pesquisador é o ponto de vista do sujeito. O objectivo desse tipo de estudo é justamente apreender e compreender a vida conforme ela é relatada e interpretada pelo próprio actor. Assim, o método de história ou relato de vida “tem como consequência tirar o pesquisador de seu pedestal de “dono do saber” e ouvir o que o sujeito tem a dizer sobre ele mesmo: “o que ele acredita que seja importante sobre sua vida”
Por meio do relato de Histórias de Vida individuais, podemos caracterizar a prática social de um grupo. Assim, “toda entrevista individual traz à luz directa ou indirectamente uma quantidade de valores, definições e atitudes do grupo ao qual o indivíduo pertence”
O método de história de vida, portanto, procura apreender os elementos gerais contidos nas entrevistas das pessoas, não esquecendo, contudo, analisar suas particularidades históricas ou psicodinâmicas. Nesse sentido, histórias de vida, por mais particulares que sejam, são sempre relatos de práticas sociais: das formas com que o indivíduo se insere e actua no mundo e no grupo do qual ele faz parte.
Uma narrativa tem uma função descritiva e avaliadora pois, quando relatamos um facto, na verdade, estamos a ter a oportunidade de reflectir sobre aquele momento. Uma vez que “o sujeito não relata simplesmente sua vida, ele reflecte sobre ela enquanto conta”. Nessa abordagem, o pesquisador respeita a opinião do sujeito e acredita no que diz. Dessa forma, quem faz a avaliação não é o pesquisador, e sim o sujeito (...) o pesquisador e o sujeito completam-se e modificam mutuamente em uma relação dinâmica e dialéctica.
O método de História de Vida ressalta o momento histórico vivido pelo sujeito. Assim esse método é necessariamente histórico (a temporalidade contida no relato individual remete ao tempo histórico), dinâmico (apreende as estruturas de relações sociais e os processos de mudança) e dialéctico (teoria e prática são constantemente colocados em confronto durante a investigação).»
Fonte: aqui.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Histórias de Vida: a Pessoa.

«A pessoa produz uma História de Vida que, por sua vez, produz a pessoa:

Esta afirmação aponta para uma perspectiva dinâmica da própria abordagem das Histórias de Vida. De algum modo, ao fazer, ao narrar, a construir a sua história de vida, o sujeito constrói e reconstrói o seu passado e, nessa construção, potencializa e abre o futuro a projectos possíveis múltiplos.
Uma das questões que coloco é a seguinte: como construir e reconstruir esse passado? Proporcionando contextos para a expressão espontânea da narrativa, deixando toda a iniciativa ao sujeito? Ou procurando trabalhar/activar a memória, trabalhando ao nível da rememorização, introduzindo pistas várias? E qual a natureza dessas pistas? Ou deverá antes fazer-se as duas coisas?
Esta questão da memória parece-me importante se queremos afastar-nos dum registo marcado pelo fortuito e/ou ocasional. A memória permite tornar presente aquilo que, mantido no esquecimento, se torna, afinal, inexistente. Ora, quanto mais "rico" for o todo da história de vida, mais ficaremos elucidados sobre nós próprios, reconhecendo incidências, identificando motivações, levantando problemas, decifrando influências, desvelando o modo próprio de olhar, ouvir, estar, sentir, reagir, que sustentam o nosso modo de agir e de ser. E os eixos norteadores e que emergem da história de vida permitem não só a compreensão de si próprio como a melhor compreensão do modo como "lemos" e nos "apropriamos" daquilo que nos é dado, com que vamos sendo confrontados e com que projectamos o futuro.»
Fonte: Maria do Loreto Paiva Couceiro

domingo, 10 de maio de 2009

Saber e Aprender...

Um dos maiores desafios da escola actual passa pela valorização da capacidade individual de cada aluno desenvolver em si uma consciência que os saberes que adquiriu no seu percurso escolar são saber em transformação e que requerem novas aprendizagem para a sua consolidação, renovação, reestruturação e actualização e que esta exigência se vai repetir várias vezes ao longo da vida.
No ensino Básico, Secundário e agora no Ensino Superior (com a entrada em vigor do famoso Processo de Bolonha) a formação de base é pensada como a construção de um conjunto de saberes iniciais a desenvolver em percursos de vida e percursos profissionais que enriqueçam e consolidem essas aprendizagens primárias.
Surge assim, cada vez mais interligado com essa formação escolar ou académica uma visão de complementaridade com uma caminhada contínua de aprendizagem ao longo da vida.
É aqui que existe uma necessidade fundamental de mudança de paradigma em Portugal. Temos assistido nos últimos anos à ideia que a posse de um curso de nível superior é visto como o fim de uma caminhada que leva, consequentemente em desejo, ao reconhecimento social e profissional de quem o detém. Mas os tempos mudaram e em consequência o número de desempregados em Portugal atinge grandemente quem possui mais habilitações. Por outro lado, e para compensar este facto, muitos licenciados procuram reforçar ainda mais a sua formação académica de base frequentando mestrados e doutoramentos. Á saída dos mesmos a situação inicial mantém-se. 
É assim preciso mudar em função dos vários percursos que o mercado, a sociedade, a inovação e os tempos procuram como válidos para o reconhecimento das competências pessoais de cada um de nós.
Há que pensar a dimensão da aprendizagem em três campos distintos nos dias que correm. Por um lado a referida formação de base. A formação teórica representa como o saber teórico, um dos pilares mais importantes no desenvolvimento de competências ao longo da vida. O Conhecimento, visto como fonte sustentada de reflexão, produção de saberes estruturantes e prospectivos funciona como o motor de toda uma formação inicial. Esta é a componente onde a Escola tem o seu papel fulcral.
Mas uma das componentes da formação individual que muitas pessoas esquecem é a componente de formação profissional. A verdade é que, a formação profissional em Portugal tem tido, nos últimos anos, um desenvolvimento muito pouco sólido e muito pouco desenvolvido para e em função das competências e do mercado de trabalho. A introdução de um Catálogo Nacional de Qualificações, como o actual em vigor, vem mudar o sistema em vigor para as orientações, falta aferir se também as práticas, de facto, mudarão. Mas a formação em áreas profissionais e com objectivos de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades práticas são tão fundamentais como o conhecimento teórico que as sustenta. Hoje, muitos ainda consideram que desta formação não resulta uma mais-valia fundamental pois a encaram como uma secundária forma de aquisição de saberes. Tal não é verdade, assim como, quanto mais ricas e diversificadas forem as experiências de formação profissional mais competências e visões práticas sobre as diferentes realidades pode cada de nós ter.
Por fim, existe ainda um campo que é sempre negligenciado ou desvalorizado. O da auto-formação ou o campo das aprendizagens informais. Tão importante como as anteriores a aprendizagem individual, pela leitura, conversa/partilha, pela reflexão, pela consulta ou assistência de eventos, encontros, espaços de aprendizagem, assim como, auto-reflexão são fundamentais para a produção de um conhecimento individual, próprio, que associado à criatividade, à inteligência e à vontade de produção de novas ideias e novos conceitos resulta num ganho e mais-valia fundamentais para a construção de um percurso pessoal de aprendizagem sólido, rico e relevante.
Fica pois o desafio. Pensar e repensar estes três percursos numa relação entre Saberes e Aprendizagens, desenhando o seu caminho para uma efectiva Qualificação e para um futuro sólido a nível pessoal e profissional. Pensar estes caminhos é pensar hoje um futuro que é já uma realidade presente.
Artigo publicado pelo autor.