As críticas recentemente proferidas à Iniciativa Novas Oportunidades não são novidade. Já várias individualidades do nosso país se dirigiram a este programa no mesmo tom que o fez Medina Carreira, mas não deixa de ser triste que o façam, sobretudo desrespeitando o trabalho de milhares de técnicos que encaram o seu papel num Centro Novas Oportunidades como uma verdadeira missão, abdicando muitas vezes da sua vida pessoal, para desempenhar a sua actividade com a maior qualidade possível, não esquecendo, por outro lado, os objectivos a cumprir, para que o nosso país possa efectivamente sair da cauda da Europa no que diz respeito à qualificação da população activa.É verdade que todos os sistemas necessitam de uma avaliação rigorosa tendo em vista a melhoria contínua das suas práticas. Não há modelos perfeitos. Todos somos seres humanos, todos cometemos erros, em todas as nossas actividades profissionais. É verdade que precisamos ainda todos de fazer um longo caminho no que diz respeito à qualidade deste sistema, mas é também verdade que todos o estamos a fazer. Tenho tido a oportunidade de estar presente como formadora em diversos encontros/acções de formação de equipas pedagógicas de Centros Novas Oportunidades, e em todos encontrei profissionais com vontade de fazer mais e melhor pela educação de adultos em Portugal, tendo consciência das suas limitações e constrangimentos, criticando, é certo, mas sempre apontando soluções, sugestões de melhoria, boas práticas. Penso que só desta forma, construtiva, com o contributo de todos (incluindo dos que passam estas mensagens para a opinião pública...) se pode efectivamente melhorar a educação em Portugal.

Como profissional da Educação de Adultos, mas sobretudo como cidadã, interrogo-me muitas vezes sobre a (des)igualdade no acesso à formação/educação. Como sabemos, os adultos que pretenderem frequentar um Curso de Alfabetização, não têm qualquer apoio para o fazerem. Falo, por exemplo, de subsídio de alimentação e de transporte, como acontece actualmente, para os restantes adultos, na formação financiada. Sabemos também que estes adultos têm imensas dificuldades de transporte, por razões várias e, por experiência própria, nem sempre se consegue apoio por parte de outras entidades (como os Municípios) na resolução deste problema. Um dos principais motivos é "serem poucas pessoas, num período de contenção de despesas". E eu pergunto: essas pessoas, mesmo sendo poucas (5, 10, 15, 20...), não têm direito a saber assinar o seu nome quando querem passar um cheque ou até fazer uma inscrição num Centro Novas Oportunidades?... Urge pensar, encontrar e implementar estratégias efectivas no combate ao analfabetismo no nosso país. Não basta criar os Cursos de Alfabetização, é preciso criar condições para que sejam frequentados. É preciso haver, verdadeira e urgentemente, uma igualdade de oportunidades no acesso à educação.