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quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Mas posso ou não ser opositor ao concurso?"

     No meu Centro Novas Oportunidades, sedeado em Escola Pública, vai brevemente abrir concurso para contratação de Profissionais de Reconhecimento e Validação de Competências, assim como para a função de Técnico de Diagnóstico e Encaminhamento. 
Trata-se de um momento de transição, com uma ressonância muito significativa, a vários níveis. 
Não há lugar a renovação de contratos, há um novo concurso, ao abrigo do previsto nas alíneas g) e i) do artº 93 do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (Lei n.º 59/2008 de 11 de Setembro). 
A abertura destes procedimentos concursais também se faz de acordo com a tramitação prevista na alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º da Portaria n.º 83-A/2009, em sintonia com o n.º 2 do artigo 39.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro. Devem ainda ser consideradas as alterações  efectuadas pela Portaria n.º 145-A/2011, de 6 de Abril, sem esquecer o disposto no n.º 2 do artigo 9.º da Lei n.º 12-A/2010, de 30 de Junho, e nos n.os 6 e 7 do artigo 6.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro.
Neste emaranhado legal, subsistem zonas menos transparentes de intersecção, que levam a inúmeras interrogações por parte dos técnicos atualmente em funções. 
"Mas posso ou não ser opositor ao concurso?" 
Seria de toda a conveniência que a ANQ, I.P e que o Ministério da Educação e da Ciência clarificassem esta situação, de modo a garantir igualdade de procedimentos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A des/re/construção do PRA (II)

(CONTINUAÇÃO)

A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos (Marcel Proust)

Os teus amores não me interessam, António... E vou esquecer-me dos meus porque também não são relevantes para ti. Fala-me do que aprendeste, de como queres que a sociedade te veja. Fala-me do que fizeste e do que ficou por fazer. Diz-me por onde andaste e o que aprendeste com as tuas escolhas.
Olha para ti neste espelho - chama-se referencial, sabias? não te parece que as tuas vivências podem levar a uma reflexão profunda? Claro que sim. Com esta metodologia podes identificar, reconhecer e valorizar saberes, competências, atitudes e comportamentos que foste adquirindo em contextos de vida e de trabalho e que não se materializaram ainda num certificado oficial.
Vais ver que tens tanto para partilhar, António, que nem imaginavas que assim poderia ser. És muito maior do que tu. E muito maior do que eu alguma vez conseguirei ver.
Olha António, eu não te vou dizer o que escrever, porque te respeito, embora vontade não me falte, às vezes, de te sussurrar modelos, ideias, sugestões, daquelas que se encaixam tão bem no teu perfil, aquele que já me chegou, bem definido e delineado, porque foste acolhido e encaminhado com o carinho requerido. Não, não te estou a falar dos teus atributos físicos, não é desse perfil que se trata, embora esse teu ar sereno faça ressoar em mim uma ou outra corda sensível aos teus olhos castanhos de encantos tamanhos. Não. Quando falo de perfil refiro-me à imagem aproximada de quem és ou podes ser, de como actuas ou podes vir a actuar. Sabes, aquela impressão com que ficamos quando conhecemos alguém e com a qual, mesmo sem querer, estabelecemos logo uma distribuição interna pelos vários sectores das nossas configurações classificativas.
Inquietação e desconforto: é o que vais sentir aqui e ali, nessa des/re/construção do teu Portefólio reflexivo de aprendizagens, quando te aperceberes que o conhecimento está num permanente estado de porvir. Mas essa mesma abordagem de descoberta tem procedimentos heurísticos que conferem um novo valor às tuas experiências de vida, atribuindo-lhes dimensões e valores individuais e sociais. Não desesperes, António: este espelho parece ainda tão baço quando olhas para ele, mas com a minha ajuda, o reflexo tornar-se-à cada vez mais nítido e preciso, prometo.
(CONTINUA)

sábado, 16 de janeiro de 2010

A des/re/construção do PRA (I)

Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro. Não acredito que eu exista por detrás de mim. Alberto Caeiro

António escreveu para mim e eu li. Houve, naquela partilha, uma imediata descoberta de António e uma consequente descoberta de mim. Eu vi-me retratada no olhar que lhe lançava e ele viu-se, ali, também, porque me via olhar para ele. Entre nós os dois, um duplo espelho. Um dos espelhos tinha principalmente uma imagem reflectida, a do seu rosto. No outro espelho, o reflexo era mais complexo: estávamos os dois em equilíbrio instável e, entre nós, distinguia-se claramente um livro imponente. Nesta triangulação relacional, impunha-se, majestoso, o processo de reconhecimento, objecto de construção e desconstrução da imagem reflectida na minha mente, perscrutando competências em evidência na narrativa discursiva do António. Olhei para o primeiro espelho e vi a imagem do seu rosto, sorridente e triste, de quem tinha uma vida para contar mas se detinha na narrativa auto-biográfica que lhe fora pedida. Estava sorridente, porque António gostava da vida, dos afectos e da descoberta. Tinha tido um percurso invulgar, recheado de viagens ilusórias e de miragens reais; ainda andava à procura do amor, que nunca lhe tinha chegado. Quase insaciável, António bebia amores como quem vivia no deserto. (CONTINUA)