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segunda-feira, 26 de abril de 2010

CONTEMFESTA 2010

"CONTEMFESTA é um evento que celebra a arte dos Contadores tradicionais, numa festa que engloba as mais diversas actividades, desde a música, teatro e conto tradicional, passando pelo vídeo e literatura do cordel, até às formações várias, sempre no contexto deste regresso (e redescoberta) às origens da Palavra, oral e escrita.
A dinamização de uma verdadeira “festa em família” (já que a vários públicos se destina), visa recuperar esse conjunto de rituais, conhecimentos e práticas ancestrais que marcam o horizonte cultural de uma determinada colectividade. Velhos contadores entrecruzam-se com novos contadores numa efectiva celebração simbólica da Palavra, nesse gesto recuado e fraterno às tradições passadas, ao olhar jovem apontado para a contemporaneidade, sempre em relação directa com os textos que o precedem."

Retirado daqui.

O CONTEMFESTA é já nos próximos dias 14 e 15 de Maio, no Teatro do Bolhão. A não perder!

domingo, 3 de maio de 2009

A Memória, Eu e Saramago

Sigo, com a necessária atenção e admiração o blog de José Saramago. Hoje, por ser Domingo e haver tempo para pensar, partilho uma das suas reflexões.

«Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos. Esta frase, brotada da minha cabeça há muitos anos, no fervor de uma das múltiplas conferências e entrevistas a que o meu trabalho de escritor me obrigou, além de me parecer, imediatamente, uma verdade primeira, daquelas que não admitem discussão, reveste-se de um equilíbrio formal, de uma harmonia entre os seus elementos que, pensava eu, contribuiria em muito para uma fácil memorização por parte de ouvintes e leitores. Até onde o meu orgulho vai, e apraz-me declarar que não chega muito longe, envaidecia-me ser o autor da frase, embora, por outro lado, a modéstia, que também não me falta de todo, me sussurrasse de vez em quando ao ouvido que tão certa era ela como afirmar com toda a seriedade que o sol nasce a oriente. Isto é, uma obviedade. Ora, até as coisas aparentemente mais óbvias, como parecia ser esta, podem ser questionadas em qualquer momento. É esse o caso da nossa memória, que, a julgar por informações recentíssimas, está pura e simplesmente em risco de desaparecer, integrando-se, por assim dizer, no grupo das espécies em vias de extinção. Segundo essas informações, publicadas em revistas científicas tão respeitáveis como a Nature e a Learn Mem, foi descoberta uma molécula, denominada ZIP (pelo nome não perca), capaz de apagar todas as memórias, boas ou más, felizes ou nefastas, deixando o cérebro livre da carga recordatória que vai acumulando ao longo da vida. A criança que acaba de nascer não tem memória e assim iríamos ficar nós também. Como dizia o outro, a ciência avança que é uma barbaridade, mas eu, a esta ciência não a quero. Habituei-me a ser o que a memória fez de mim e não estou de todo descontente com o resultado, ainda que os meus actos nem sempre tenham sido os mais merecedores. Sou um bicho da terra como qualquer ser humano, com qualidades e defeitos, com erros e acertos, deixem-me ficar assim. Com a minha memória, essa que eu sou. Não quero esquecer nada.»