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terça-feira, 19 de março de 2013

QUEREMOS TRABALHAR

(Este texto faz parte do Relatório de Atividades 2012 do CNO D. Inês de Castro, no capítulo Reflexão Final.)

O Centro Novas Oportunidades D. Inês de Castro de Alcobaça fechou as portas no dia 31 de janeiro de 2013. Este será, portanto, o último relatório de atividades apresentado. Fica uma estranha sensação de esvaziamento que resulta do que aconteceu, de facto, ao longo do ano de 2012. 

Primeiro, iríamos organizar-nos para 8 meses de trabalho. Depois, soubemos que poderíamos continuar até dezembro, se houvesse verba disponível no financiamento aprovado de janeiro a agosto, mas sem formadores. E, ainda assim, estas “informações” chegaram ao jeito de trends, que procurámos confirmar junto de parceiros de função, pois havia, sobretudo, um grande vazio de informação. 
Mantivemos o barco a navegar até chegar à costa, atordoados com o silêncio ensurdecedor que nos rodeava. 

E aqui estamos agora, ancorados ao futuro, com amarras do passado. 

Ora falemos desse passado: 
Foi um tempo essencialmente de ganhos, obtidos sobretudo na relação com o outro. Aqui, entenda-se “outro” como adulto ou colega, formador ou técnico, diretor de CNO e/ou de Escola, ou dirigente da ANQ / ANQEP. Essa relação trouxe-nos mais-valias de todo o tipo: crescimento interior, descobertas científico-pedagógicas, evolução das organizações, benchmarking e partilha; formámos gente e recebemos, em retorno, a convicção de o estarmos a fazer bem. Certificámos com a garantia de qualidade conferida por avaliações externas e autoavaliações internas permanentes. 
Foi um tempo de excelência, já reconhecido internacionalmente, embora, por razões assumidamente ocultas, ainda esteja no estado “em reconhecimento”, em Portugal. Cultivámos a paixão pela Educação e Formação de Adultos, nas suas diversas modalidades, aprimorando, em cada experiência havida, o desenvolvimento da atividade seguinte. O trabalho desenvolvido no nosso Centro Novas Oportunidades, e na maior parte dos CNO deste país, ficará na memória de quem o conheceu de perto, como uma mais-valia inquestionável. Tão valiosa é essa memória do passado que com dificuldade se projeta no futuro. 

Ora falemos desse futuro: 
Um novo paradigma parece estar a projetar-se daqui para a frente. Ainda envoltos em névoa densa, mas cheios de promessas primaveris, ouvem-se arautos da mudança a anunciar outros caminhos. “Promessas, leva-os o vento” e Eolo, disfarçado de decisor político e financeiro, anda a espreitar em cada esquina da nossa organização social e económica. Sentimos que devemos estar atentos, para não perdermos “novas viagens”, mas até mesmo a esperança que haja “novas partidas” desvanece, com as cruéis voltas do tempo, em dias, semanas e meses, feitos de poeira seca neste deserto de conjunturas, desgastando os mais valorosos. 

Mas a paixão está viva e precisa de expressar-se. Dêem-nos telas, que as pintaremos com as cores do crescimento. Dêem-nos a pedra e dela libertaremos o Prometeu que se esconde em cada um. Dêem-nos violinos e seremos os maestros das sinfonias identitárias e coletivas. Dêem-nos as penas para escrever, que invocaremos as musas do Olimpo e de outros Céus, ainda por descobrir, e com elas cantaremos, formando em toda a parte, se a tanto nos ajudar o engenho e a arte… 
Venham as artes e os ofícios, os palcos, feiras e museus, venham escolas e alunos, empresas, centros e comunidades, venha tudo o que está por fazer e venham todos os que querem meter mãos à obra! 

Queremos trabalhar! 
 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A caminho do crescimento...


No seu relatório "Going for Growth 2012", a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) reforça a necessidade de expandir a educação e a formação vocacional e sublinha positivamente o que já foi feito no sentido de melhorar as condições de vida da população portuguesa. Entre outros aspetos, refere a Iniciativa Novas Oportunidades : "As autoridades expandiram a educação e a formação vocacional de jovens e de adultos com menos qualificações (Novas Oportunidades)".
Pode consultar estes e outros dados aqui e aqui.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os cavaleiros da Ordem do Referencial

Graças às Novas Oportunidades, conheci as nossas gentes de muito perto, ouvindo  as suas esperanças e os seus receios, associados a um percurso escolar interrompido por razões várias, muitas vezes de índole económico-social. Pessoas que não puderam continuar a estudar e que tiveram que entrar precocemente no mercado de trabalho. Vi os seus olhos a brilhar de orgulho, depois de passarem pelo processo RVCC. Segui o percurso de alguns que continuaram os estudos no Ensino Superior, com sucesso. Outros conseguiram emprego. Outros, empreendedores, investiram a coragem na sua própria empresa. Outros ainda, descobriram que iriam aprender ao Longo da Vida, para sempre.
Há na natureza deste processo, um fator essencial cujo segredo óbvio revelo sem pudor, pois toda a gente o conhece. Trata-se do R. R de reconhecimento, aquele que toda a gente procura desde a mais tenra infância. Lembram-se? A criança vira-se para o pai ou para a mãe, ou para ambos: "Ó Pai, Ó mãe, olha, olha, olha, já consigo andar de bicicleta, já consigo nadar, já consigo escrever, já consigo ler, já consigo...." Neste processo, é a autoridade constituída simbolicamente pelos elementos da  sessão de júri, técnicos e formadores especializados, avaliadores externos, que vai reconhecer as aprendizagens formais e informais, os adquiridos, a experiência . 

E com o reconhecimento social das suas competências, o candidato fica reconhecido, ou seja: agradecido! Não é por acaso que “reconhecido” tem este duplo significado. A palavra esconde em si um sorriso autêntico e partilhado. De um lado, o sorriso de quem participou ativamente no reconhecimento do outro, conferindo-lhe créditos como elemento de pleno direito do grupo social e da comunidade. Do outro, o sorriso de quem deu um salto na sua evolução, na sua aprendizagem e no seu percurso de vida.
O processo RVCC permite estabelecer novas conexões entre candidatos e técnicos, à imagem do que se passa entre sinapses, reforçando a estrutura social local, criando condições para que o sentimento de pertença e de identidade favoreça o desenvolvimento de grupos sociais mais fortes e mais empreendedores.
Ignorar esta realidade pode representar uma oportunidade perdida de permitir que Portugal cresça, de facto, ao ritmo europeu.

Mas a vida nas Novas Oportunidades mudou... com ruídos de trovoada sideral, numa singularidade de evento paradoxal, no espaço-tempo, semelhante ao que conseguimos imaginar que possa acontecer à luz, na proximidade de um buraco negro. . Dizem por aí que vão acabar, que andam por aí os donos dos anéis do poder, que se acercaram dos Centros, que os querem transformar, eliminando alguns e reformando outros. Dizem por aí, num sussurro tumultuoso anunciando sismo, que o futuro acaba já amanhã. Dizem que nada poderá deter as transformações que se avizinham e que o Reconhecimento já não pode ser feito, porque, paradoxalmente,  não foi reconhecido..... Dizem tanta coisa por aí....

Eu gostava de dizer mais uma. Como qualquer um de vós, sou apenas uma semente. Sou pequenina e, embora de aparência frágil, sou resistente. Contenho em mim os segredos da vida, aprendi a ser resiliente, a adaptar-me às mudanças e às vicissitudes do percurso, sem nunca deixar de ser eu, mesmo no coração da tempestade. As sementes contêm tudo dentro de si. Vejam no que se transforma uma semente de oliveira, numa árvore magnífica, com um pouco de terra, água da chuva e a luz do sol. Já não é uma semente, agora é uma árvore e promete sombra, proteção e alimento. Cada oliveira conta uma história de vida, retorcendo o tronco para se adaptar aos ventos contextuais e circunstanciais. Todos temos essas faculdades dentro de nós. Todos podemos crescer e aprender a dar. Sem medo e com o orgulho de termos crescido em nome de uma causa maior.
Por isso, também no mundo da Educação e Formação de Adultos, quais cavaleiros da Ordem do Referencial, defensores dos princípios de respeito, confiança, criatividade, colaboração e inovação, importa mantermos a capacidade de nos adaptarmos a um mundo em mudança constante e cuja  única condição permanente é precisamente a da transformação. Sejamos, então, capazes de nos adaptarmos à realidade emergente, aprendendo com Einstein que nos encontramos sempre em novos patamares da realidade, ascendendo em aprendizagem, etapa a etapa, com a responsabilidade acrescida de não o podermos nunca mais ignorar: “ A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Iniciativa Novas Oportunidades: resultados da Avaliação Externa (2009-2010)

No âmbito do Estudo de Avaliação Externa do Eixo Adultos da Iniciativa Novas Oportunidades, realizado por uma equipa de investigação da Universidade Católica Portuguesa coordenada pelo Eng. Roberto Carneiro, e na sequência da apresentação pública de resultados efectuada no 4º Encontro de Centros Novas Oportunidades, realizado em Guimarães a 30 de Novembro de 20010, encontra-se disponível na página electrónica www.anq.gov.pt o documento

"Iniciativa Novas Oportunidades: resultados da avaliação externa (2009-2010)".

Este relatório integra os principais resultados, conclusões e recomendações referentes ao segundo ano de investigação e avaliação desenvolvidas pela equipa de investigação da Universidade Católica. Pretende, por isso, constituir-se como uma oportunidade de reflexão e de debate por parte dos principais operadores do Sistema Nacional de Qualificações, nomeadamente por parte das equipas tecnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades, já que estes contribuem de forma determinante para os resultados da Iniciativa Novas Oportunidades.

No plano estratégico, e num horizonte de médio prazo, a Iniciativa Novas Oportunidades encerra um potencial precioso e de inigualável riqueza conceptual para inspirar a estruturação de um sistema de Aprendizagem ao Longo da Vida susceptível de colocar Portugal na dianteira dos demais países Europeus e da OCDE, que normalmente lhe servem de benchmark.


Esta é uma das principais conclusões do relatório com os principais resultados, conclusões e recomendações referentes à Avaliação Externa do Eixo Adultos da Iniciativa Novas Oportunidades elaborado pela equipa da Universidade Católica Portuguesa, sob a coordenação de Roberto Carneiro, que agora se publica. Fonte : www.anq.gov.pt

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Da educação popular à educação de segunda oportunidade

Neste espaço virtual, encontra-se alojado um texto que pode ajudar interessados e curiosos a reflectir sobre a evolução da educação de adultos nas últimas décadas.
O 25 de Abril de 1974 foi acompanhado pela explosão do movimento social popular que se seguiu ao golpe de Estado e que atingiu diversas áreas da vida social – entre estas, a educação de adultos. Para este campo de práticas, a Direcção-Geral de Educação Permanente, criada ainda em 1972, sob o regime autoritário, dinamizou uma política pública inovadora para o contexto português que procurou dar resposta às solicitações de iniciativa popular.
Em 1976, a Constituição da República Portuguesa estabeleceu no Art.º 73.º que todos têm acesso à educação, reforçando deste modo o trabalho levado até então.
Após 1976, no âmbito do processo de normalização política pós-revolucionária, a política anteriormente promovida pela Direcção-Geral de Educação Permanente foi abandonada pelo Governo então em funções.
É contudo a corrente de educação popular, então menos entusiasta que alguns anos antes, que reassume um papel decisivo na elaboração do Plano Nacional de Alfabetização e Educação de Base dos Adultos, em 1979.
Em 1986 é aprovada a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86). Esta Lei definiu a educação de adultos como subsector que integrou duas ofertas: o ensino recorrente e a educação extra-escolar.
Contando com uma importante contribuição financeira dos fundos estruturais comunitários, o Programa Operacional de Desenvolvimento da Educação de Adultos em Portugal foi lançado em 1989. Este integrou um sub-programa destinado à educação de adultos, tido por tal como um sector de intervenção prioritária. A gravidade da situação educativa do país justificava a finalidade definida neste Programa: a promoção da qualificação da mão-de-obra no quadro de um esforço de modernização económica.
Entre 1995 e 2002, os governos socialistas eleitos avançaram com um conjunto de propostas que visaram “relançar a política de educação de adultos”. O trabalho então levado a cabo permitiu o surgimento do “S@ber +. Programa para o Desenvolvimento e Expansão da Educação e Formação de Adultos”, da responsabilidade da Agência Nacional para a Educação e Formação de Adultos (ANEFA).
Segundo os decisores políticos, a modernização da economia, o necessário aumento da competitividade e a omnipresença de novas tecnologias exigiam trabalhadores mais qualificados, com maior capacidade de adaptação, detentores de outros e mais complexos conhecimentos e competências.
Suportadas pela abordagem das competências, e já não em conteúdos de natureza escolar e disciplinar, o reconhecimento, validação de competências adquiridas informalmente ou em contexto de trabalho, bem como o desenvolvimento de novos modelos, metodologias e materiais de intervenção pedagógica e socioeducativa emergiram como estratégias educativas e formativas centrais.
Deste modo, em meados da década de 1990, a educação de adultos parecia ter assumido um lugar de destaque nos debates políticos sobre educação. É neste quadro que surgem um conjunto de ofertas educativas e formativas que alargam a participação dos adultos e reforçam dimensões sociais, económicas e políticas da sua participação em sociedade.
Desde 2005, a Iniciativa Novas Oportunidades, retomou as principais ofertas do Programa S@ber+, sendo hoje estas ofertas da responsabilidade da Agência Nacional para a Qualificação que possui uma dupla tutela do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e Segurança Social. Em resultado de uma mais evidente articulação com as políticas de emprego e de modernização tecnológica da economia portuguesa, esta Iniciativa tem como finalidade dar um forte impulso à qualificação dos portugueses, integrando dois pilares: as ofertas dirigidas aos jovens e aquelas dirigidas aos adultos.
Em suma, no quadro do relançamento da educação de adultos em finais da década de 1990, novas ofertas são apresentadas aos adultos, ofertas estas que a Iniciativa Novas Oportunidades retoma, em 2005, atribuindo um relevante alento à política pública de educação e formação de adultos.

É num quadro profundamente contraditório que a promoção do direito à educação de adultos através das políticas públicas coexiste com outras prioridades, desafios e problemas, alguns de natureza económica e social, deixando-nos dúvidas relativamente ao cumprimento das ideias contidas na Constituição de 1976, mas reservando espaços para outras possibilidades, algumas destas promotoras da emancipação e de uma democracia de melhor qualidade.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desempregados encaminhados para os CNO

Tendo em vista o prosseguimento dos trabalhados que têm vindo a ser realizados no sentido de fazer do 12.º ano de escolaridade o patamar mínimo de qualificação dos portugueses, foi determinado, através do Despacho n.º 17658/2010, de 25 de Novembro que os cidadãos desempregados inscritos nos Centros de Emprego que:
  • não sejam detentores do 12.º ano de escolaridade
  • não estejam a frequentar uma modalidade de qualificação no âmbito do Sistema Nacional de Qualificações
  • e cujo perfil de empregabilidade se afigure pouco adequado às ofertas de emprego existentes

...devem ser encaminhados para um Centro Novas Oportunidades a fim de frequentarem um percurso formativo que lhes permita obter aquele nível de escolaridade. Assim, ao Instituto do Emprego e Formação Profissional caberá:

  • definir as prioridades de intervenção e a convocatória de todos os desempregados com o intuito de lhes prestar os esclarecimentos necessários acerca das diversas modalidades de qualificação existentes no Sistema Nacional de Qualificações;
  • reformular o Plano Pessoal de Emprego de cada desempregado;
  • proceder ao encaminhamento destes para um Centro Novas Oportunidades.

A Agência Nacional para a Qualificação ficará encarregue de proceder à inscrição e encaminhamento dos desempregados para as vias formativas mais adequadas às características daqueles e de fornecer aos Centros de Emprego todos os dados indispensáveis ao cumprimento dos Planos Pessoais de Emprego.

Fonte: Novas Oportunidades

terça-feira, 4 de maio de 2010

Como podemos melhorar?...

«Os adultos reconhecem a importância da sua participação nos programas de educação de adultos e valorizam a Iniciativa Novas Oportunidades mas confessam que os impactes reduzidos no emprego e na própria empregabilidade constituem uma decepção. É nessa base que preconizam ligações mais estruturadas da Iniciativa ao mundo do trabalho. Esta avaliação diz respeito quer à frequência de acções estruturadas, como os Cursos EFA – Educação e Formação de Adultos, quer à participação em processos de reconhecimento e validação de competências (RVC) que, de uma forma geral, são acompanhados por acções formativas de curta duração. Estamos a considerar, para efeitos desta avaliação, o campo da participação formal, naquela que é estruturada pela lógica do diploma e da certificação, sabendo-se que neste domínio existem abordagens e modalidades flexíveis que incorporam alguma informalidade. Mas a participação em espaços mais informais de educação e formação de adultos não é aqui tida em conta.

Duas conclusões:

“É nos ganhos do Eu que quase tudo se joga no que concerne a consequências da passagem pela Iniciativa Novas Oportunidades”;

“Dois terços dos sujeitos que frequentaram a Iniciativa Novas Oportunidades dizem não ter recebido reconhecimento no local de trabalho”.

Estas duas afirmações, presentes no Relatório de Avaliação Externa realizada em 2009 por uma equipa multidisciplinar coordenada por Roberto Carneiro (ex-Ministro da Educação), ilustram bem as questões fundamentais que estão em jogo quando falamos da avaliação dos sistemas pelos próprios adultos.
Sabendo-se que existem elementos extremamente positivos e que a medição de impacte revela alterações substanciais nas próprias vidas dos participantes, quer no plano afectivo quer ainda no reconhecimento social, importa aprofundar as pistas que indiciam potencialidades de melhoria e ouvir os adultos sobre os campos de progressão do sistema.»

Carlos Ribeiro, InfoNet

sábado, 17 de abril de 2010

Novos rumos


«Dedicação e empenho são qualidades que não faltam também a Vera Santos, 31 anos e Nadine Gulama, 19 anos. A primeira está a tirar o curso de Educação e Formação de Adultos de Cabeleireiro e a segunda, o de Massagista e Estética, com a duração de dois anos e aulas diárias.

Ambas foram mães recentemente - Nadine tem um bebé com 16 meses e o de Vera tem oito - mas a Escola Intercultural da Amadora arranjou instalações apropriadas para acolher as crianças enquanto as progenitoras estão em formação. “Conseguir conciliar tudo, com o meu bebé, é óptimo. E além disso, o curso garante-me ainda um estágio no final da formação”, diz Nadine, que só tinha estudado até ao 6º ano e recupera agora a possibilidade desta dupla certificação.

Também Vera Santos lembra que nunca deixaria passar esta oportunidade. “Com a formação vou conseguir obter a carteira profissional de cabeleireira. Este tipo de cursos são bastante caros fora daqui e por isso nem pensei duas vezes. Até porque ao inscrever-me irei ficar com a equivalência ao 9º ano e poder deixar o Rodrigo aqui na creche, enquanto estudo, é ‘ouro sobre azul'”, salienta Vera.»

Para ler artigo completo publicado no Jornal Expresso.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Apresentação do Projecto "Novas Oportunidades a Ler +"

Porque a leitura é húmus – fertiliza e alimenta a mente... Porque ler é uma forma de enriquecimento... Uma fonte de saber... Fermento intelectual de aprendizagem e cultura... Um expoente que permite elevar as aquisições a um patamar superior na pirâmide do conhecimento... Uma estratégia que visa combater a erosão do saber...

...o Projecto “Novas Oportunidades a Ler +” vai ser apresentado, no dia 3 de Março, às 10h00, no Auditório da Escola Secundária Eça de Queirós, nos Olivais, em Lisboa. Este projecto é promovido pelo Plano Nacional de Leitura (PNL), em parceria com a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), de forma articulada com a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). São objectivos desta iniciativa:
  • incentivar hábitos de leitura junto do público adulto dos Centros Novas Oportunidades e dos seus círculos de familiares e amigos;
  • apoiar o processo de desenvolvimento e consolidação de competências nesta matéria.

A cerimónia contará com as intervenções de Luís Capucha (Presidente da ANQ) e de Fernando Pinto do Amaral (Comissário do PNL). Caberá a Maria do Carmo Gomes (Vice-presidente da ANQ) o desenvolvimento do tema “O Projecto Novas Oportunidades a Ler + no âmbito dos Centros Novas Oportunidades” e a Filomena Cravo (do PNL) a apresentação do tema “Novas Oportunidades a Ler +: Ler + compensa”. A sessão terminará com a partilha de actividades desenvolvidas nos Centros Novas Oportunidades da Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico D. Inês de Castro, de Alcobaça, e Terras Dentro - Associação para o Desenvolvimento Integrado.

Fonte: aqui

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As Novas Oportunidades contribuem para melhorar a literacia dos portugueses



"O relatório «A Dimensão Económica da Literacia em Portugal: uma análise», apresentado pelo seu coordenador, Scott Murray, na conferência realizada em Lisboa, conclui que é necessário dar continuidade às reformas educativas em curso em Portugal, para que o País possa manter a competitividade nos mercados internacionais.

Este estudo, realizado pela Data Angel, apresenta uma perspectiva não técnica do modo como os economistas encaram a literacia, encarado como um importante motor do crescimento económico e do desenvolvimento social equilibrado dos países. (...)

Um pilar considerado decisivo, pelos autores do estudo, para aumentar as competências de literacia em Portugal é o desenvolvimento da iniciativa Novas Oportunidades, destinada aos jovens em risco de abandonar o sistema educativo e aos adultos que necessitam de complementar a sua formação.

Assim, se a conclusão do ensino secundário é vista como um indicador determinante que maximiza a probabilidade de os estudantes atingirem um patamar mais elevado ao nível da literacia, o investimento na literacia dos adultos é baseado num argumento de ordem económica, na medida em que se reflecte na melhoria das condições no que respeita ao emprego, ao nível de vida e de saúde dos cidadãos.

Sem a aposta na melhoria da literacia dos adultos, a eficácia do PNL corre o risco de diminuir, já que as crianças que vivem em agregados familiares caracterizados por baixos níveis de escolaridade dos pais e pouca prática de leitura são menos receptivas aos incentivos criados pelo PNL.

De acordo com o relatório, o maior enfoque em programas de literacia dirigidos às famílias tem o potencial de melhorar, ao mesmo tempo, os níveis de competências de literacia de ambas as gerações..."

Fonte: www.portugal.gov.pt

O Documento


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nova campanha. Nova perspectiva?

"Os Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, através da Agência Nacional para a Qualificação, I.P., deram início, no dia 13 de Outubro, a uma nova campanha publicitária e de comunicação no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades.

Recorrendo aos testemunhos de três reconhecidos empresários portugueses (Rui Nabeiro, Fundador da Delta Cafés; Alberto da Ponte, CEO da Central de Cervejas, e Paulo de Azevedo, CEO da Sonae), esta campanha tem como destinatários prioritários as entidades empregadoras nacionais e, através destas, todos os seus colaboradores que ainda não sejam detentores do 12º ano de escolaridade.

Sob o slogan “Investir em quem quer aprender… compensa”, esta campanha aposta na capacidade que as entidades empregadoras têm para replicar os resultados que a Iniciativa Novas Oportunidades visa alcançar. Ao envolverem-se as entidades empregadoras na divulgação dos percursos educativos e formativos integrados na Iniciativa Novas Oportunidades e das estratégias de mobilização da população portuguesa, potencia-se o número de candidatos inscritos para conclusão do nível secundário de educação. Do mesmo modo, promove-se o envolvimento das entidades empregadoras, públicas e privadas, em parcerias que permitam a sua cooperação em termos de acolhimento de estágios, disponibilização de formadores e actualização dos currículos formativos de dupla certificação."

Fonte: ANQ



Parece-me fundamental o envolvimento de empresas e entidades empregadoras com a Iniciativa Novas Oportunidades. É importante que os empregadores compreendam e modifiquem a imagem que têm destes processos. Independentemente das necessárias adaptações e ajustamentos a um processo que é relativamente recente (pelo menos com esta dimensão), o movimento que se criou na procura de formação é, indiscutivelmente, essencial para o desenvolvimento socio-económico do país. A verdade é que as pessoas já estão a investir na sua qualificação, de várias formas. É necessário agora que haja alterações efectivas na sua vida, na sua actividade profissional, na carreira e na remuneração. Esperamos que esta campanha e estas parcerias ajudem a concretizar estas mudanças.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Avaliação da Iniciativa Novas Oportunidades…

Durante vários anos acompanhei a implementação do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. No último ano (ou anos) esta iniciativa ganhou uma dimensão muito mais massificada, assim como, um linha mais politizada e mediática. Foram, neste contexto, apresentados os primeiros resultados da Avaliação Externa da equipa da Universidade Católica, estudo coordenado pelo Prof. Roberto Carneiro.
Gostei de assistir às reacções de vários observadores atentos. Gosto sempre dos comentários feitos a quente e sobre notícias de notícias de um jornal ou de comentários que já são comentários de comentários… Gosto sempre da leitura transversal e sobre as “letras gordas” das imagens que querem fazer passar, quer aqueles que apoiam, quer os que não o fazem.
Como em qualquer outra questão gosto da prudência que o tempo de deixar assentar a poeira permite.
Faço agora uma leitura.
Durante os últimos anos tenho feito uma luta, por dentro do sistema, para a sua credibilização. Olho para os resultados do estudo feito com alguma tristeza do ponto de vista da sistematização da observação e dos resultados e com algum optimismo com aquilo que não está lá escrito em letras triunfais mas que é claro. Tiro duas conclusões positivas e duas conclusões negativas.

Destaco como negativo:
- A ausência de uma análise concreta que nos permita aferia o grau de evolução ao nível da literacia. Quer ao nível da leitura e escrita, quer ao nível da literacia digital. Os resultados revelados ao nível do uso da Internet são vazios de conteúdos e como tal, a consolidação dessa mesma prática fica por aferir.
- A ausência de uma demonstração rigorosa da consolidação de uma visão integrada, nos adultos em processo e após processo da importância da Aprendizagem ao Longo da Vida, nos seus contextos pessoais, profissionais e sociais. Fica por saber se a transformação de paradigma está a ocorrer ou não…

Destaco como positivo:
- O facto da Iniciativa Novas Oportunidades ser apresentada, e isso é claro em todos os cadernos da Avaliação Externa, como um projecto que recentrou a Educação e Formação de Adultos, tão esquecida nos últimos anos, na escola e numa escola inclusiva. Faltando consolidar o modelo, a ideia essência foi, de facto, recolocada em debate e em prática.
- Ter sido colocado em cima da mesa a questão do tempo e da exigência dos “números” como factor de disfunção no processo e na qualificação como objectivos. Se a visão prática do tempo de espera dos adultos para o processo foi colocada em cima da mesa, mais será de analisar os resultados da Avaliação Externa face ao desafio do binómio qualidade-tempo que é bem descrita nos documentos apresentados.

Não penso que a leitura simplista que o trabalho de Avaliação Externa feita é vazio ou conduz a uma “propaganda” seja o caminho de honestidade intelectual necessária. Penso que é um desrespeito profundo às equipas, que no quadro de várias alterações feitas no modelo, mas orientações e na prática conseguiram, muitas vezes “contra ventos e marés” lutar por dar qualquer coisa de novo e solidamente sustentado aos milhares de adultos que frequentaram esta Iniciativa Novas Oportunidades, vertente adultos. Assim como não é justo para muitos adultos que, com honestidade, esforço e brio fizeram o melhor para completar o seu processo com vista à certificação, tantas vezes, verdadeiramente merecida.

Se o desafio é melhorar a qualidade do trabalho que foi feito até aqui, a verdade é que tínhamos que passar por esta realidade. No entanto, nunca é de fora, de onde o olhar e a crítica é sempre mais simples de fazer que se deve comentar ou criticar. É por dentro, mudando o que consideramos menos positivo, ajustando práticas, sugerindo mudanças, provocando melhorias e integrando inovação.

Deixo só uma sugestão quer à entidade tutelar da Iniciativa Novas Oportunidades, quer à equipa de Avaliação Externa. A sugestão é simples. Promovam pequenos encontros e façam um roteiro nacional para análise de boas-práticas, assim como, de remodelação do modelo de base e usem o conhecimento do terreno produzido pelas equipas para apresentar uma (nova) solução para a efectiva Qualificação de Adultos. Fica uma ideia.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Balanço da Iniciativa Novas Oportunidades: Reflexões

Fica o documento que serve de base para a análise do que hoje é a Iniciativa Novas Oportunidades, em números, evolução e práticas. Vale a pena a consulta atenta e reflexiva.
Balanço Novas Oportunidades

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Melhorar a Qualidade: As linhas de Rumo da ANQ

«No domínio da qualidade das intervenções
1. Ajustamento das metas contratualizadas com os Centros Novas Oportunidades de modo a garantir o equilíbrio do binómio quantidade-qualidade (com reflexos, entre vários outros aspectos, na diminuição dos tempos de espera dos inscritos).
2. Reforço da capacitação das equipas técnicas dos Centros Novas Oportunidades, através da promoção de acções de formação diversas, da concretização do plano de acompanhamento aos Centros, da participação da ANQ em encontros promovidos por Centros, da concepção de instrumentos metodológicos relativos às diversas etapas de intervenção das equipas.
3. Criação de um sistema de monitorização da actividade dos Centros Novas Oportunidades a partir do Sistema Integrado de Informação e Gestão da oferta Educativa e Formativa (SIGO), com base no qual é sustentada a actividade de avaliação por parte da ANQ e a actividade de auto-avaliação por parte dos Centros (a partir da adopção do modelo CAF adaptado à realidade dos Centros).
4. Promoção de novas práticas no âmbito dos Centros Novas Oportunidades, em particular, dos processos de RVCC neles desenvolvidos (p.e., resultantes da articulação com o Plano Nacional de Leitura ou do estudo de “Centros Novas Oportunidades – uma oportunidade dupla: da promoção da literacia familiar ao sucesso escolar das crianças”.»
Fonte: ANQ

domingo, 26 de abril de 2009

Corrida Novas Oportunidades


«Os Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, através da Agência Nacional para a Qualificação, I.P., promovem, no dia 17 de Maio de 2009, a "1ª Corrida Novas Oportunidades - Aprender Compensa".
Esta prova desportiva decorrerá em Lisboa, com partida dos Jardins de Belém, perto do Mosteiro dos Jerónimos e meta no mesmo local. As inscrições são gratuitas e estão abertas a todos os interessados, devendo ser efectuadas através do endereço electrónico www.corridanovasoportunidades.gov.pt. 
A "1ª Corrida Novas Oportunidades - Aprender Compensa" contará com duas distâncias, uma mais curta, de três quilómetros e outra mais longa de dez quilómetros.
A entrega dos dorsais será efectuada no dia anterior à prova, das 9h00 às 20h00, no local da partida da mesma, juntamente com uma t-shirt e um boné com o logótipo da Iniciativa Novas Oportunidades.
Com esta Iniciativa, os Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação pretendem assegurar um momento de confraternização que, em simultâneo, contribua para que um cada vez maior número de portugueses (jovens e adultos) adira aos percursos de qualificação de nível secundário (12º ano). 
A título simbólico, neste dia, jovens e adultos correrão juntos por um País mais qualificado. 
Este evento alia-se, assim, ao espírito da mais recente campanha publicitária dirigida ao público-alvo adulto da Iniciativa Novas Oportunidades, através da qual se convidou todos os que ainda não possuíam o nível secundário de educação a traçar, em 2009, uma meta para a sua qualificação. 
Uma vez que a Iniciativa Novas Oportunidades integra também uma vertente destinada aos mais jovens, a prova alarga-se ainda ao público juvenil.
Esta prova terá uma duração máxima de duas horas, terminando às 12h30, período após o qual será restabelecida a circulação automóvel.
Os três primeiros classificados femininos e masculinos da prova de dez quilómetros serão distinguidos com um troféu. A todos os participantes será entregue como prémio de participação uma mochila com documentação referente à Iniciativa Novas Oportunidades.»
Fonte: ANQ

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nova Campanha: Novas Oportunidades

A ANQ lançou uma nova campanha de publicidade sobre a Iniciativa Novas Oportunidades, vertente adultos. O relato da Vanessa Fernandes está bem conseguido e a imagem da meta e objectivo pessoal da qualificação é uma ideia inteligente e bem estruturada. Se o papel da adesão está conseguido, o papel do esclarecimento e aposta no reconhecimento social do processo de RVC e das ofertas de formação para Adultos está ainda a começar e tem que ser uma aposta a curto prazo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mudança na Realidade: Reflexão.

«Numa sociedade baseada no conhecimento, os indivíduos devem continuar a actualizar e a melhora as suas competências e qualificações e recorrer a um leque de contextos de aprendizagem tão vasto quanto possível. (…)
As lacunas (ainda) a colmatar resultam frequentemente de uma visão por demais limitada às exigências da empregabilidade ou de uma tónica exclusivamente colocada na recuperação daqueles que escaparam por entre as malhas do ensino inicial. Estes elementos justificam-se, mas não constituem em si mesmos uma estratégia de aprendizagem ao longo da vida que seja verdadeiramente integrada, coerente e acessível a todos.»
Fonte: Relatório intercalar conjunto do Conselho e da Comissão Europeia (2004)

Com a Iniciativa Novas Oportunidades num momento e ano de desenvolvimento acelerado, penso que este aviso, como outros realizados no âmbito das análises que têm sido feita pelos países da União Europeia são de ponderar. Não estaremos a centrar a resposta dada pelos Centros Novas Oportunidades exclusivamente “na recuperação daqueles que escaparam por entre as malhas do ensino inicial”? Sei que alguns irão comentar que a criação do Catálogo Nacional de Qualificação responde a essa questão. Mas eu refiro-me à questão do reconhecimento social do processo e não à articulação escola-trabalho. As parcerias entre escolas e empresas, a articulação com elementos, organizações e entidades externas, a capacidade de prospectivar e consciencializar para caminhos de qualificação são estratégias fundamentais para o valor estrutural do processo. São precisas políticas nacionais para responder ao movimento da Iniciativa Novas Oportunidades como um todo. Como uma efectiva alteração do modelo social e pessoal. Tenho a destacar que li, recentemente, um comentário que me deixou preocupado. Dizia uma adulta que tinha acabado o processo de RVC de nível Secundário que se sentia profundamente desiludida pois, apesar de ter feito um trabalho de qualidade no processo e após o mesmo, a sua situação face ao emprego (neste caso, desemprego) permanecia. Sabemos que o momento que o mercado de emprego não favorece a resolução desta situação. No entanto, o que dizer a tantos adultos que querem obter formação ou desenvolver competências depois de terminarem um determinado grau de certificação escolar e que não encontram na lei (e principalmente nas atitudes e apoios) uma possibilidade de resposta para essa mesma vontade? Penso que está na altura de pensar a nível transversal e global. É preciso que esta Iniciativa possa mudar, de facto, a forma como todos olhamos para a aprendizagem ao longo da vida. Que não seja só essa recuperação de percursos escolares ou de qualificação profissional mas, antes de tudo o resto, uma oportunidade para mudarmos a forma como o conhecimento, os saberes, a informação e formação tomam parte integrante, estruturante e efectiva na melhoria do desempenho de cada um dos adultos não só no momento actual como ao longo de um futuro incerto e imprevisível. Urge pois, pensar uma política integrada de resposta à qualificação e valorização pessoal e profissional e não nos limitarmos às conquistas (de valorizar) que foram atingidas. É altura de pensar a longo prazo. Consolidar um projecto é tão importante como o implementar e regular. Se no terreno os Centros Novas Oportunidades começam a pensar em redes de colaboração, precisamos agora, de alertar para a necessidade de políticas articuladas para a integração desta nova realidade que resulte numa efectiva valorização da aprendizagem ao longo da vida. Fica mais uma reflexão.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Aviso: Que não se esqueça o processo de RVC

Penso que é o momento de fazer esta reflexão e publicar uma posição que tenho tido publicamente e que penso ser útil esclarecer. Tenho assistido, nos últimos anos mas principalmente no final do ano passado e início do presente, a um fenómeno que achei curioso inicialmente e começo a achar preocupante neste momento. Durante muitos anos ouvia falar, aos adultos e às equipas, no processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). Hoje, este conceito foi substituído por outro… As Novas Oportunidades. O que se ouve é algo como: “Eu vim para as Novas Oportunidades.” ou “ Estou a completar o 9.º ano pelas Novas Oportunidades.”. Não nego a importância de uma “imagem de marca”. Não nego também que foi, devido a um estratégico uso da publicidade e marketing que a Iniciativa Novas Oportunidades teve/tem o sucesso que actualmente se verifica. Mas não posso deixar de alertar que, em alguns casos, o conceito essencial em que esta iniciativa assenta se está a perder. Isto é, a essência do processo de RVC, assente numa metodologia de Balanço de Competências está na base dos percursos de qualificação que os Centros Novas Oportunidades oferecem aos adultos e não qualquer outra coisa que, entre orientações técnicas, metas, desvios metodológicos introduzidos pela organização demasiado formal do processo e outras influências que tais tendem a deformar de tal forma a lógica essencial do processo que os próprios adultos deixam de falar de Reconhecimento de Competências e passam a falar em Certificação e Novas Oportunidades. Temos que, enquanto profissionais de rigor e da Educação, pensar prospectivamente e começar a procurar usar conceitos para o futuro como a ideia da Aprendizagem ao Longo da Vida e das Competências como “Saberes em Acção”. É por isso que, quando digo que é preciso pensar sempre “fora” do conceito “Novas Oportunidades”, falo nesta capacidade que podemos ter, equipas, tutela e avaliadores de efectivamente não fixar a qualificação/certificação adquirida num projecto/iniciativa que é determinado por um momento social e/ou político e desenharmos um projecto que teve este ponto de partida mas que terá o seu futuro numa estratégia sustentada de resposta no âmbito da Aprendizagem ao Longo da Vida como mecanismo continuo e continuado de valorização das aprendizagens e da educação/formação de adultos em Portugal. Fica uma reflexão em jeito de aviso…

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A questão da Qualidade.

Existe no discurso em torno da questão da Iniciativa Novas Oportunidades uma palavra de flutua em quase todos os momentos: Qualidade.

«Um personagem de Moby Dick, a magnífica obra-prima de Herman Melville, diz com orgulho: "Não me agradam os trabalhos que não sejam bem-acabados, limpos, precisos, como devem ser; algo que comece regularmente do princípio, que ao meio esteja na metade e, no fim, esteja concluído". Essa é a definição mais lúcida do conceito de qualidade.

Para manter uma alta qualidade, é necessária a acção conjunta de muitos factores. É requerida a criatividade, que, por sua vez, é uma síntese mágica da imaginação para produzir ideias e da força de realizá-las. É preciso ter uma dimensão global para ser reconhecido no mundo todo, sem abrir mão de conservar a dimensão local. É necessário unir a ética com a estética para dar alegria e segurança. Exige uma boa relação com o tempo para evocar o passado e antecipar o futuro. Enfim, para conseguir que os produtos de nosso trabalho e a experiência de nossa vida sejam "de qualidade" é necessário ter a coragem de nos renovar continuamente. Como disse Gilberto Freyre: "Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro, nem nas ideias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental". Fonte: Aqui.

Ao acompanhar vários Centros Novas Oportunidades tenho tido a sorte de encontrar equipas que não falam de qualidade. Não falam porque a praticam. Penso, que na maioria dos casos, este discurso não era necessário. O dicurso necessário passa agora pela exigência, rigor e principalmente pelo reconhecimento. Abordarei estes 3 conceitos num texto próprio, em breve. Como desafio fica a imagem que acompanha este texto e que ilustra o que desejo explicar.