Este espaço destina-se a um lugar de troca de informação, recursos e debate para os profissionais da Educação e Formação de Adultos.
sábado, 17 de abril de 2010
Novos rumos
sábado, 19 de setembro de 2009
Enaltecer as vidas...
Ficam algumas imagens de uma tarde especial, cujos principais actores foram os adultos, os principais rostos desta Iniciativa.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Um testemunho de um Adulto.
Recebi recentemente um testemunho que partilho aqui, pela sua ilustração do que é o processo de RVC e o trabalho feito por muitos Centros Novas Oportunidades. Fica o testemunho de Paulo Pereira. Obrigado pela partilha.«Em Abril de 2007, tive conhecimento do programa Novas Oportunidades na comunicação social, através da campanha televisiva. Assim, tive a curiosidade de saber se estaria abrangido. Seguidamente, pesquisei na internet alguma informação através da página das Novas Oportunidades. Foi assim que tomei conhecimento do Centro de Novas Oportunidades de Cacilhas, situado na Escola secundária Cacilhas-Tejo.
No dia 11 de Abril de 2007, dia do meu aniversário, desloquei-me a casa da minha tia que vive na Quinta da Alegria, em Almada, precisamente, junto da referida escola, onde obtive informações sobre o processo.
No CNO-Cacilhas fui informado que o programa era destinado a quem não tinha completado o ensino obrigatório e o ensino secundário. Foi então que expus a minha situação – ter o 10º ano de escolaridade e pretender concluir o 12º ano. Após compilar todos os documentos necessários ao processo (certificados de habilitações, diplomas de cursos frequentados,...), procedi à respectiva inscrição no Centro. Tomei ainda conhecimento que o processo de nível secundário onde me estava a inscrever não ia começar de imediato, uma vez que o Centro aguardava instruções da Direcção Geral de Formação Vocacional (actual Agência Nacional para a Qualificação). Entretanto, logo me informaram que iria haver formação, em Outubro de 2007, para a equipa do CNO responsável pelo processo de reconhecimento de competências de nível secundário. Seguiram-se dias de ansiedade, pois, nesse momento, estava motivado para começar....
O tempo foi passando e fui obtendo informações sobre o início de um processo que eu tanto desejava encetar.
No entanto, o CNO, no sentido de me orientar para a elaboração da minha autobiografia, foi-me dando algumas indicações para eu dar início à mesma, tais como: reflectir sobre o meu percurso pessoal, profissional, escolar e de formação, entre outros.
Confesso que, sempre considerei que a minha formação profissional e a frequência universitária eram suficientes para obter o 12º ano. Mas, ao expor a minha situação na Secretaria do Ministério da Educação, foi-me dito que, apesar de ter frequência universitária, teria de me submeter ao processo RVCC para obter o 12º ano.
Foi então que compreendi que tinha um longo caminho a percorrer, desde o início até ao fim do processo.
No início de 2008 contactei novamente o Centro e fui informado que estava para breve o início do processo de nível secundário (Fevereiro/Março). Fui alertando para o facto de a nova equipa ter iniciado funções em Setembro de 2007 e estar a organizar/(re)adequar procedimentos.
Finalmente, tal como o prometido, em Março de 2008, iniciei o processo de RVCC. Numa reunião foi apresentado aos candidatos o Referencial de Competências Chave (das três áreas de competências) e dadas orientações precisas para a elaboração da autobiografia, documento central do processo. Foram também dadas indicações relativas ao preenchimento das Fichas de Identificação de Situações de Vida de Cultura, Língua e Comunicação (CLC), Sociedade, Tecnologia e Ciência (STC) e Cidadania e Profissionalidade (CP), de forma a indiciarem competências a integrar no portefólio.
Inicialmente fiquei um pouco confuso dada a complexidade do referencial de competências chave – pelo vocabulário utilizado (núcleo gerador, evidências, domínios, etc). Mas, com o desenrolar dos dias, as minhas dúvidas foram sendo esclarecidas pelos profissionais do Centro e, após algum tempo, entreguei as referidas fichas já preenchidas, necessitando, contudo, de alguns esclarecimentos que prontamente me deram.
De referir que ao mesmo tempo que estava a pensar no preenchimento das fichas ia reflectindo sobre o que colocar na minha autobiografia – relembrava todas as minhas experiências de vida, o que fui realizando ao longo da vida... E foi muito enriquecedor!
Contudo, o meu trabalho foi sendo reajustado. A referida autobiografia, aos poucos, foi sendo alterada, reformulada, de acordo com as indicações pertinentes dos profissionais do CNO.
Fui adicionando experiências de vida que há muito estavam adormecidas no tempo. Este processo fez-me recuar ao meu passado. Fui lembrar-me do tempo de escola, dos amigos, da minha família, dos colegas de trabalho, da minha auto-formação, como pessoa responsável que sou, entre outras coisas. Considero este processo como uma viagem ao passado, para qualquer adulto que pretende ver a sua experiência de vida reconhecida em competências formais e informais.
Ainda no que diz respeito à autobiografia e, por sugestão da equipa do CNO, evidenciei as competências de Cidadania e Profissionalidade (CP) na mesma. A minha experiência de vida ajudou-me a chegar até este processo do qual me orgulho muito porque a minha vida estava incompleta sem a obtenção do ensino secundário. Mesmo tendo frequência universitária, sabia que era injusto não ter uma equivalência ao 12º ano porque tinha o 1º ano do curso de Direito completo e cadeiras do 2º e 3º anos feitas. A lei não confere qualquer equivalência a quem não tem o ensino secundário, mesmo tendo feito o Exame Extraordinário de Avaliação de Capacidade (exame ad-hoc) e feito umas cadeiras do curso de Direito.
Para além da autobiografia e das competências de CP, também as outras competências de Sociedade, Tecnologia e Ciência e de Comunicação, Língua e Cultura, vieram ao de cima, de uma forma gradual. Com a ajuda da equipa do CNO fui construindo a minha história de vida, com recurso à memória e com bastante reflexão sobre os meus actos. Houve muitas horas de trabalho em frente do computador: pesquisa, selecção de acontecimentos, reflexão e paciência durante o processo. Para mim, foi uma experiência que jamais pensaria um dia vir a ter. Reconheço que o processo é a derradeira oportunidade para qualquer adulto que, por diversos motivos, teve de interromper a sua vida escolar, sem a completar. Agarrei este processo com o máximo de empenho possível para ver o meu sonho realizado: ter o 12º ano de escolaridade. Tudo o que ficou escrito neste processo é praticamente “o livro” da minha história de vida que nunca pensei escrever um dia!
E não queria terminar a minha reflexão sem agradecer reconhecidamente à equipa fantástica do CNO que me apoiou no decurso do processo: aos Formadores e aos Profissionais de RVCC. Apreciei bastante a forma como me motivaram durante os meses que estiveram a orientar o meu processo para que fosse possível realizar o meu sonho.»
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Testemunhos — Trajectos de Qualificação

Fonte: Aqui.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Um testemunho: RVCC Secundário.
«Estive desde Outubro de 2007 até Junho de 2008, num processo de RVCC no CNO da Escola Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa.
Começámos as sessões de reconhecimento em 26 de Outubro de 2007, éramos cerca de 20 pessoas. O grupo de 5.ª feira acabou com 9 elementos, muitos foram os que desistiram do processo na sua maioria jovens entre os 20 e os 25 anos. Dos 9 resistentes cinco já concluíram o processo e os outros provavelmente fá-lo-ão
Este processo nunca foi facilitado (…). Inicialmente foram muito contestados, porque o centro do processo de RVCC é o adulto e o que nos pediam era que trabalhássemos os indícios desocultados na nossa “história de vida” e os transformássemos em evidências em C em L e em C (Cultura, Língua e Comunicação), em C e em P (Cidadania e Profissionalidade), em S, em T e em C (Sociedade, Tecnologia e Ciência), depois que atingíssemos vários níveis de complexidade em DR1, DR2, DR3 e em DR4... tudo era tão exigente que um dos colegas dizia com frequência “o que querem é uma tese”. Hoje posso afirmar que a minha autobiografia é uma tese sobre a minha vida, a minha experiência, as minhas competências, as minhas formações e ainda sobre o mais recente processo pelo qual passei durante o RVCC o processo de auto formação e este foi indispensável para a conclusão do processo de RVCC não atingi os 88 fiquei pelos 70 créditos apenas porque já não tinha tempo e nem disposição para fazer mais, estava demasiado cansada deste longo processo. Irei faze-lo ao longo da minha vida com certeza porque este processo não tem fim...mas certo é que a exigência e os graus de dificuldade que encontrei e ultrapassei fazem-me sentir orgulhosa do meu PRA, do meu percurso no CNO da Escola Secundária Marquês de Pombal e do meu Diploma de Secundário que obtive com todo o mérito porque trabalhei muito para o conseguir, abdiquei de muitas horas em família para me dedicar ao PRA.
A todos os que estão no processo e aos que estão por ingressar nesta aventura, não esperem facilitismo, não digam quando concluírem o processo que foi fácil, não acreditem no que vos dizem sobre as facilidades dos outros CNOs... cada CNO trabalha de acordo com os instrumentos que possui e com as equipas que dispõem. O RVCC Secundário está longe de ser uma processo fácil mas é isso que se quer que não seja simples pelo contrário que seja complicado, com vários obstáculos para que cada adulto consiga através da sua experiência de vida e com auto formação ultrapassar cada um deles com afinco, trabalho e dedicação só assim este processo é credível só deste modo o nosso diploma é válido e respeitado.
Boa sorte a todos e bom trabalho!...»
(Sandra Alves)
