Reunir consenso acerca do significado de “ensinar” nem sempre é simples, uma vez que envolve diversos valores (por exemplo: educacionais, morais, cívicos e políticos). Porém, a literatura sugere algumas teorias que têm merecido algum consenso. Desta forma, os trabalhos de Nathaniel Gage, John Goodlad, Elliot Eisner e de Linda Darling-Hammond contribuem para discernir quatro concepções sobre o ensino:- Ensino como Trabalho – visão racionalista e burocrática do processo de ensino, que parte do princípio que as boas práticas podem ser definidas e especificadas de forma concreta, sendo apenas necessária a sua replicação pelos professores para que se alcancem os resultados que se desejam
- Ensino como Ofício – há um conjunto de regras, procedimentos e técnicas, mais ou menos sofisticadas, que podem ser aprendidas e desenvolvidas pelos professores (ensinar implicará, segundo esta concepção, a utilização e aplicação adequada de regras e técnicas prescritas pelas autoridades)
- Ensino como Profissão – pressupõe-se que os professores possuem um sólido conjunto de conhecimentos teóricos que, aliado ao domínio de um alargado espectro de saberes-fazer, lhes permite uma atitude crítica e fundamentada sobre o currículo, o ensino e a aprendizagem e sobre as suas próprias acções pedagógicas
- Ensino como Arte – esta concepção reside muito na natureza imprevisível, não convencional e inovadora das acções de ensino e de aprendizagem. As práticas estão claramente orientadas para cada pessoa e não são estandardizadas e, por isso, o ensino é dificilmente orientado por regras ou por orientações precisas e algorítmicas
«Ensinar segundo as duas primeiras concepções tenderá a remeter os professores para o papel de meros executantes passivos, burocráticos, tecnicistas e funcionalistas do currículo. Ou seja, os professores dizem o currículo em vez de permanentemente o reinventarem e reconstruírem com os seus pares e com os seus alunos.
Se, por outro lado, o processo de ensinar for encarado como uma profissão ou como uma arte, estaremos perante profissionais que se assumem como intelectuais, como investigadores das suas próprias práticas, capazes de reflectir sobre o que fazem e de participar activamente no desenvolvimento do currículo.
Assim, ensinar é questionar, partilhar e criar. É imaginar. É pensar o currículo como oportunidade única para que os alunos mergulhem a fundo nessa inesgotável fonte de inspiração que é a vida nas suas múltiplas dimensões. Ensinar implica seleccionar tarefas que desafiem as capacidades e a inteligência dos alunos. Para que possam compreender a vida. Para que lhe possam atribuir significado. Para que usufruam da liberdade que o conhecimento proporciona.»
Se, como se costuma dizer, “na vida todos somos professores e alunos porque ensinamos o nosso exemplo e aprendemos com o exemplo dos outros”, também no Processo de RVCC podemos deparar-nos com essa realidade. Também nesse contexto se conhecem muitos “professores” que trabalham, que assumem todos os dias um compromisso com um determinado ofício, que exercem uma profissão e que são artistas. Adultos que aprendem e ensinam conhecimentos práticos no seu exercício profissional. Que cumprem um determinado conjunto de regras, procedimentos e técnicas definidos por hierarquias; e que os transmitem a outros colegas, como se da passagem de um testemunho se tratasse – por isso, são professores. Que possuem conhecimentos que servem de suporte basilar às suas acções – o tal espectro que constitui o saber-fazer (ou seja, as competências e a “arte” de mobilizar e transferir conhecimentos, aplicando-os na prática em contextos diferentes daquele em que foram adquiridos). Que mobilizam saberes e capacidades e são artistas porque se adaptam a imprevistos, a mudanças pessoais, sociais e profissionais; porque se (re)ajustam.
Portanto, «ensinar é um processo complexo e exigente de mobilização sistemática e propositada de uma diversidade de saberes dos professores. É importante. Para que se possa conhecer e compreender e ser mais livre e mais feliz.»
Fonte: aqui




O objectivo principal da CONFINTEA VI consiste em dar visibilidade à forte influência que as aprendizagens e a educação de adultos exercem sobre o desenvolvimento sustentável, para o qual contribuem nos mais variados aspectos (social, económico, ecológico e cultural).














