domingo, 20 de setembro de 2009

Cidade Educadora: a valorização do "local"

Não vivemos isolados. Estabelecemos relações com o “que” e “quem” nos rodeia. Estamos em constante interacção. Somos seres em devir.
« (...) constituindo realidades incontornáveis do nosso universo social, as cidades são também e sobretudo centros privilegiados de oportunidades (...). Cidades educadoras são, assim, todas as que assumem coerente e consequentemente – através de um programa sistemático e intencionalmente dirigido de acção formadora – o imenso potencial que o seu património culturalmente construído lhes proporciona, transformando-o, deste modo, em capital educativo», como neste texto é referido.

“Cidade” e “educação” relacionam-se, dando lugar à “cidade educadora”. Esta relação, por sua vez, pode traduzir-se em diferentes concepções (Jaume Trilla):

  • cidade como meio educativo envolvente (aprender na cidade) – a cidade integra uma série de locais e actividades que, de forma intencional ou casual, a provêem de formação (o meio incorpora educação formal, não formal e informal). Assim, o desenho de políticas de intervenção educativa na cidade pressupõe que cada instituição ou programa não seja um sistema fechado e isolado (podem constituir-se oportunidades educativas na cidade espaços tão diversos como bibliotecas, museus, teatros, exposições, monumentos, etc.).
  • cidade como agente educativo (aprender da cidade) – a cidade, enquanto educadora informal, pode ter uma acção positiva (através da sua cultura e civismo) ou negativa (quando é geradora de agressividade, marginalização e sentimentos de indiferença).
  • cidade como conteúdo educativo (aprender a cidade) – da cidade aprendem-se, informalmente, muitas coisas que são úteis para a vida quotidiana (por exemplo: utilização de transportes públicos, localização de estabelecimentos, etc.).
Regista-se, assim, uma enorme possibilidade de aprender para além da educação formal. Na realidade, uma possibilidade de utilizar os recursos da cidade com fins educativos.

“O problema não é estarmos envolvidos; é não nos envolvermos”. Será que estamos realmente envolvidos e usufruímos da riqueza, dos bens e dos serviços que a nossa “cidade” coloca ao nosso dispor?

2 comentários:

Anabela Luís disse...

observação muito pertinente numa altura em que as eleições se aproximam e em que dedicamos um olhar mais atento às nossas cidades e, num conceito mais amplo à "cidade" (polis) Portugal.

Ana Paula disse...

Sem dúvida uma questão bem colocada.
Quando reclamamos direitos ou atenção sobre nós, teremos de pensar também se estaremos a fazer alguma coisa para que algo aconteça.
Fazer acontecer é uma responsabilidade de todos e esperar que aconteça é bem diferente!