segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Balanço de Competências: Desafios.

«Como quer que seja, a referência à avaliação, incontornável, faz com que investigadores como Guy Le Boterf (1999a), atribuam aos balanços características como as seguintes: (a) registar os saberes-recurso ou as competências adquiridas pelas pessoas (significando o termo “registo” que o balanço não constitui ele mesmo uma prova de avaliação, mas que consigna os resultados da apreciação efectuada anteriormente), (b) mostrar as provas produzidas para que haja reconhecimento e validação das competências (significando a fórmula “para que haja” que o balanço não constitui enquanto tal um dispositivo de reconhecimento e validação e referindo-se as “provas”, produzidas na ocasião da observação, seja em situações reais de trabalho seja em situações simuladas, a critérios de utilidade, de eficácia, de conformidade ou de juízo acerca do cumprimento das regras de uma profissão), (c) apoiar-se sobre a apreciação e instâncias legitimadas e pertinentes de reconhecimento e de avaliação (que não são as do dispositivo de balanço de competências), (d) ter em conta não somente a aquisição de saberes recurso e de competências, mas a evolução da profissionalidade no seu conjunto (trata-se de uma apreciação global não sobre as competências, mas sobre a competência do profissional), (e) fazer o ponto sobre os modos de aprender dos sujeitos, (f) realizar-se segundo as periodicidades apropriadas ao conteúdo dos balanços, (g) estruturar a imagem de si do sujeito, nomeadamente enquanto trabalhador e (h) combinar uma abordagem retrospectiva e uma abordagem prospectiva do desenvolvimento pessoal e profissional. Os balanços de competências, em suma, devem permitir traçar as histórias dos sujeitos e não somente fornecer uma informação pontual: o desenvolvimento das competências e da profissionalidade é um processo cumulativo; podem dar lugar à elaboração de uma carteira (de competências), propriedade dos sujeitos, e constituir a memória da sua evolução profissional e das suas competências.»
In: Balanços de Competências: Discursos e Práticas.


1 comentário:

Mafalda disse...

Olá João!
Ainda bem que coloca para reflexão (e partilha de ideias?... :)) este excerto. Penso que era fundamental que que todos os profissionais que trabalham no processo RVCC tivessem formação de base em Balanço de Competências, uma das lacunas que penso que continua a existir. Se não conhecermos as bases teóricas subjacentes a estes processos, como poderemos fazer um trabalho de qualidade? Se não compreendermos os objectivos e as potencialidades desta metodologia, ela não servirá de nada, porque nem sequer estará a ser utilizada...
Numa altura em que falamos tanto de qualificação, deixo mais uma ideia do mesmo autor, que pode ajudar a despertar a vontade de conhecer ainda mais sobre esta metodologia: "Um balanço de competências, enfim, é uma intervenção que visa a valorização do próprio sujeito a fim de ele próprio melhor se responsabilizar pelo seu futuro profissional."
Não é fácil implementá-lo, mas se conseguirmos vencer este "desafio", certamente teremos adultos mais qualificados, porque também mais conscientes das suas competências, da importância da aprendizagem ao longo da vida e da evolução da sua profissionalidade.
Mafalda Branco