segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

(Re)organização do Sistema Educativo Português

Tendo sido inicialmente desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) na década de 1970, com o objetivo de ser um instrumento capaz de permitir a recolha, a compilação e o tratamento de estatísticas da educação a nível nacional e internacional, a International Standard Classification of Education (ISCED) é uma classificação dos níveis educativos destinada a permitir a comparação de estatísticas e de políticas educativas entre diferentes sistemas educativos.


Volvidos cerca de sete anos desde o primeiro contacto com essa ferramenta internacional. Apesar de a distância da escala de tempo que me separa do percurso académico ainda ser breve, essa mesma escala tem sido uma importante escola. As ferramentas teóricas são essenciais. Mas a aplicabilidade das mesmas não é inferior.
Em Educação Comparada e, posteriormente, noutras unidades curriculares, o Sistema Educativo Português foi objeto de estudo e análise. Modo de regulação dos países (responsabilidade e financiamento), idade de entrada no sistema escolar, duração da escolaridade obrigatória e esperança de vida escolar… foram várias as unidades de análise e de comparação.
Se, por um lado, os sistemas educativos parecem seguir um padrão idêntico, orientando-se por pressupostos semelhantes que vão ao encontro dos princípios da educação como bem que permite às pessoas lutar por melhores condições de vida em termos de qualidade e direitos, por outro também existem diferenças marcantes e inovadoras.
Foi então que exercitei o pensamento sobre o Sistema Educativo Português de uma forma nova até então.
  • 1.º degrau – Educação Pré-escolar
  • 2.º degrau – Ensino Básico
  • 3.º degrau – Ensino Secundário
  • 4.º degrau – Ensino Pós-secundário não superior
  • 5.º degrau – Educação e Formação de Jovens e Adultos
  • 6.º degrau – Ensino Superior
Eis os patamares da escada educativa em Portugal. Mas, porque nas linhas de textos afigura-se de uma forma e na prática a visão dos degraus é percecionada de um modo mais concreto, foi apenas aquando da inserção no mercado de trabalho – como profissional na área da educação e formação de adultos – que desenvolvi um novo sentido de observação. A mesma lente; porém, um olhar diferente.

No site do Ministério da Educação – Gabinete de Estatística e Planeamento daEducação são apresentados e definidos os principais degraus de acesso a um patamar de habilitações sucessivamente mais elevado.
A educação e formação de jovens e adultos oferece uma segunda oportunidade a indivíduos que abandonaram a escola precocemente ou que estão em risco de a abandonar, bem como àqueles que não tiveram oportunidade de a frequentar quando jovens e, ainda, aos que procuram a escola por questões de natureza profissional ou valorização pessoal, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida.
No sentido de proporcionar novas vias para aprender e progredir surgiu a Iniciativa "Novas Oportunidades" que define como um dos objetivos principais alargar o referencial mínimo de formação ao 12.º ano de escolaridade e cuja estratégia assenta em dois pilares fundamentais: elevar a formação de base da população ativa e tornar o ensino profissionalizante uma opção efetiva para os jovens.
As diferentes modalidades de educação e formação de jovens e adultos permitem adquirir uma certificação escolar e/ou uma qualificação profissional, bem como o prosseguimento de estudos de nível pós-secundário não superior ou o ensino superior.
A educação e formação de jovens e adultos compreende as seguintes modalidades:
  • Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC);
  • Cursos de Educação e Formação (CEF);
  • Cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA) e Formações Modulares;
  • Sistema Nacional de Aprendizagem.
E agora? Que mudanças estarão planeadas para imprimir neste patamar do Sistema Educativo Português? Como será operacionalizado o 5.º degrau? Se a Educação e Formação de Adultos deixar de existir como até ao momento, os adultos passam a transitar do 4.º para o 6.º se pretenderem enveredar por vias educativas e formativas? Não será um passo demasiado largo?
Este degrau encontra-se bem desenvolvimento e cristalizado nas práticas educativas de vários países europeus (e não só, como comprovam estudos realizados, de que é exemplo o que foi conduzido pela equipa de investigação coordenada por Roberto Carneiro)… Portugal terá levado décadas para incrementar no seu sistema estratégias que contemplassem a população adulta – de forma similar à que espelham esses países – para, com uma corrente de ar, ver fechada esta porta?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A aposta de ser homem


Na Educação na Aldeia há quem diga que «há no nosso linguajar diário coisas realmente curiosas. E uma delas é essa expressão tão comum com que comentamos qualquer falha de alguém: “Isso é muito humano”.
Há trapaças num exame ou num concurso e dizemos: “É muito humano”. Alguém defrauda o fisco e rematamos: “É humano”. Um homem ciumento faz a vida impossível à sua mulher e sussurramos: “É muito humano”. Após um fracasso, vem o desânimo e a amargura e justificamos tal atitude com um “é humano”.
Curiosamente, chamamos humanos apenas aos nossos vícios e defeitos. Inclusive, esse “humano” converte-se, às vezes, em sinónimo de “animal”. Dá impressão de que o rasteiro, o caduco, o que nos afasta das alturas é que é próprio do homem. Mas … justamente é o humano que nos diferencia do animal! Sim, humana é a nossa razão, a vontade, a consciência, o esforço, a santidade. Isso é que é verdadeiramente humano.
  • Humana é a inteligência, que faz do homem um permanente investigador da verdade, um ser ansioso de clareza, uma alma faminta de profundidade.
  • Humana é a vontade, a coragem, o afã de lutar, o saber enfrentar o infortúnio, a capacidade de esperar contra toda a esperança.
  • Humana é a consciência, que nos impede de enganar-nos a nós mesmos, a voz interior que nos desperta para continuar escalando, a exigência que não nos deixa adormecer.
  • Humana é a preocupação de sermos melhores, saber que ainda estamos a meio caminho, propormo-nos como meta a perfeição, embora saibamos que nunca chegaremos à meta total.

Ser homem é, por certo, uma aventura muito ambivalente. E quais são as chaves da aposta? Literalmente: apostar naquilo que o homem tem de animal ou naquilo que ele tem de racional. Apostar no egoísmo ou na generosidade. Optar por uma vida vivida ou por uma vida arrastada. Escolher entre um viver vigilante ou simplesmente vegetativo. Empenhar-se em viver os nossos melhores sonhos ou ruminar os nossos piores desejos. Passar os anos envelhecendo sem amadurecer, ou esforçarmo-nos por amadurecer sem envelhecer. Saber que – como dizia A. Dumas – “o homem nasce sem dentes, sem cabelo e sem sonhos, e a maioria morre sem dentes, sem cabelo e sem sonhos”, ou levantar galhardamente a bandeira das ilusões e saber que podemos perder tudo menos o entusiasmo.
Que gemidos não dará a natureza sempre que é obrigada a prostituir-se na estupidez e no vazio?! É tanto o que podemos alcançar! É tanto o que podemos perder! Assusta-me ser homem. Entusiasma-me e assusta-me. Mas não estou disposto a enganar-me, a pensar que isto é uma brincadeira sem importância, que os anos são umas fichas de cartolina que nos deram para nos irmos entretendo enquanto a noite não vem!»
(José Luis Martin Descalzo)

Se a vida funcionar como os quadrantes matemáticos, aqueles em que o sinal é positivo é preenchido por todas as pessoas que investem numa vida vivida e em viver os seus melhores sonhos, amadurecendo sem envelhecer.
Eis o traço físico e psicológico desejável para todos aqueles que acreditam e defendem a Educação e Formação de Adultos em Portugal. Pelo enquadramento que esta foi traçando nas últimas décadas na História da Educação e por aquele que ainda terá a oportunidade de alicerçar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Leituras em torno da Educação de Adultos


Este livro é provido de um forte, e nunca oculto, posicionamento político da autora relativamente à prática educacional, em geral, e à prática educacional de adultos, em particular, entendida em todas as suas dimensões. Rosanna Barros recusa a possibilidade de existência de um olhar despolitizado sobre os conceitos críticos e pedagógicos do campo da educação de adultos, alertando, de forma muito sustentada, para o processo de “ressemantização política” (p. 20) que, nas últimas décadas, tem atingido o quadro crítico e conceptual da educação de adultos e assumindo-se como defensora de uma educação de adultos em contracorrente, em que as prioridades sejam a apologia da democracia solidária e a transformação social em benefício de cada ser humano e da sociedade, em geral.

A obra organiza-se em duas partes:
  1. Na I Parte, a autora aborda analiticamente questões de heurística na Educação de Adultos, estabelecendo um mapa (inter)nacional dos conceitos e fundamentos educacionais gerais.
  2. Na II Parte, a autora aporta a genealogia dos conceitos em Educação de Adultos, percorrendo e problematizando (inter)nacionalmente perspectivas político-filosóficas estruturantes do setor. Assim, a autora problematiza aqueles que considera serem os binómios conceptuais fundamentais na educação de adultos, nomeadamente, educação permanente, sociedade da aprendizagem, organização qualificante e aprendizagem ao longo da vida, lançando a dúvida de que a educação cumpra atualmente a sua dupla missão de, por um lado, potenciar o enraizamento de cada indivíduo à ordem social que o precede e, por outro, impulsionar a transformação do indivíduo e da sociedade.

Porque não é importante apenas preparar as pessoas para o mercado de trabalho, mas também para a vida, ou seja, ensiná-las a ler, a escrever, a dominar as tecnologias e a competir e, por outro lado, também a serem solidárias, colaborativas, éticas e sensíveis à pessoa do outro, vale a pena folhear estas páginas e absorver a mensagem que transmitem.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

INO: o lado positivo


Numa altura em que se (re)define o campo da Iniciativa Novas Oportunidades, imprimindo-lhe uma nova pontuação… regida por dúvidas, pautada por reticências (o que virá?...) e vestida com alguns pontos e muitas vírgulas, urge olhar para os contributos significativos com que o Programa revestiu o tecido social do País.
É precisamente o que sublinha o Conselho Nacional de Educação (CNE) ao considerar que o Programa deu um «forte contributo» no aumento da qualificação dos portugueses, mas precisa de avaliação externa e estabilidade nas equipas.
Na apresentação do estudo “Estado da Educação 2011”, a presidente do CNE, Ana Maria Bettencourt, frisou que aquele organismo «não avaliou» o programa, mas do acompanhamento que fez dele concluiu que «certamente os portugueses têm mais qualificações» do que há dez anos.
No entanto «os níveis de escolarização e qualificação dos portugueses são ainda muito baixos» se comparados com as médias dos outros países da União Europeia, reconhece o Conselho.
«Considero que há uma dívida da democracia e do país para com as pessoas que abandonaram a escola», afirmou Ana Maria Bettencourt, salientando que a existência de programas como as Novas Oportunidades motivaram uma «reconciliação com a escola» de adultos que não tinham concluído os estudos por insucesso ou pobreza.
Mas são precisos «mais dados sobre a qualidade dos processos» de formação, defende o Conselho, salientando que «na última década mudaram muito e precisam de ser avaliados e estabilizados».
As equipas pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades também precisam de ter estabilidade, recomenda o CNE, apontando ainda a necessidade destes centros colaborarem com outras entidades da área da formação e educação.
Ana Maria Bettencourt indicou também que as empresas devem começar a reconhecer mais «o valor acrescentado» da formação, ajudando também os seus trabalhadores a aumentar as suas qualificações.
«É preciso avançar na certificação profissional, aí estamos muito atrasados», indicou. Nas suas recomendações deste ano, o CNE reitera a necessidade de as políticas de educação terem «continuidade» e não estarem sempre a mudar, de haver um «plano para o desenvolvimento educativo» que defina onde se quer estar e o que se quer fazer.
Fonte: aqui

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natal e... Próspero 2012!


Ao virar mais uma página do calendário com a aproximação, a passos largos, de mais um ano, desejamos a todos um Feliz Natal e que 2012 traga no seu regaço um brilho e energia refrescantes!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Psicologia da Formação Profissional e da Educação de Adultos: Passos Passados, Presentes e Futuros


Luís Imaginário e José Manuel Castro, para além de docentes e analistas das questões tratadas neste livro, têm sido, ao longo dos anos, atores de outras formas de intervenção no terreno de ação sobre o qual se debruçam na obra, o que constitui uma garantia de interação entre teoria e prática nas posições que aqui assumem. Assim, os autores desta coletânea de textos recentemente publicada justificam esta publicação por duas razões principais:
  1. a atualidade das suas problemáticas (que decorre, por um lado, do histórico estado de carência da educação e formação de adultos em Portugal e, por outro lado, da persistente retórica sobre a “precária qualificação dos recursos humanos”);
  2. a dispersão de tais textos.
A perspetiva de aprendizagem ao longo da vida e nos vários contextos de existência que serve de horizonte global de análise das questões relativas à formação profissional e à educação de adultos confere uma grande atualidade a este livro. Por isso, a sua leitura e estudo podem constituir uma inspiração relevante para todos os profissionais da área da formação profissional e da educação de adultos, bem como para os decisores políticos com responsabilidades mais diretas neste mesmo domínio.

Fonte: Revista Direito de Aprender


domingo, 11 de dezembro de 2011

O primeiro prazo termina amanhã.


Amanhã é o último dia para apresentar as candidaturas financeiras da tipologia 2.1 do POPH para os meses de Janeiro a Agosto de 2012 para os Centros Novas Oportunidades.
A ANQ, I.P., em articulação com o POPH, informa que decorre entre os dias 23 de novembro e 12 de dezembro de 2011 o período para apresentação de candidaturas técnico-pedagógicas  e financeiras, no âmbito das Tipologias 2.1, 8.2.1 e 9.2.1, destinadas a apoiar a atividade dos Centros Novas Oportunidades legalmente criados.
A formalização das candidaturas técnico-pedagógicas, obrigatórias para todos os Centros Novas Oportunidades, deve ser efetuada no Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa (SIGO).
A formalização das candidaturas financeiras deve ser efetuada através do Sistema de Informação do Fundo Social Europeu (SIIFSE).
O presente concurso a financiamento é aberto nos termos previstos no n.º 1 do art.º 26º do Decreto-Regulamentar n.º 84-A/2007, de 10 de dezembro e de acordo com o regulamento específico das Tipologias 2.1, 8.2.1 e 9.2.1 (Despacho nº 8189/2011, de 9 de junho), que se encontra disponível no sítio do programa www.poph.qren.pt.
Poderão ser apoiadas no âmbito deste concurso apenas as atividades desenvolvidas no período de 1 de janeiro a 31 de agosto de 2012.
Para mais informações, consulte www.poph.qren.pt ou contacte a Agência Nacional para a Qualificação, I.P., através do endereço cno@anq.gov.pt ou do n.º de telefone 21 394 37 00, no período de atendimento definido.


Uma diferença nunca vem só... Ao prazo de oito meses de concurso, extraordinário em procedimentos da responsabilidade comparticipada do FSE, acrescenta-se o fim dos apoios aos formandos e ainda as "quotas" económicas para os Centros Novas Oportunidades a concurso.

Parece que o lema "Qualificar é crescer" não se aplica em todos os sentidos com o mesmo grau de intensidade.
Os critérios escolhidos para a seleção dos CNO a financiar cingem-se à análise das candidaturas, quando deveriam incidir sobre resultados de eficácia e de eficiência, padrões que regeram o trabalho das equipas envolvidas.

Na ordem do dia estão as mudanças que se avizinham.

Vamos então esperar para ver.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Encontro Nacional “Qualificar os Portugueses, uma missão, um dever profissional”

Porque a Educação e Formação de Adultos é uma missão de todos os que nela acreditam como motor de (trans)formação e veículo para a Aprendizagem ao Longo da Vida e, por isso, representa também um dever por parte de todos os que nela têm um papel ativo, um grupo de profissionais da área da Educação e Formação de Adultos, face à atual indefinição das políticas de educação e formação dirigidas à população adulta, irá promover, no dia 07 de dezembro, o Encontro Nacional “Qualificar os Portugueses, uma missão, um dever profissional”, no auditório do ISCA, em Coimbra.
Este evento tem como objetivos a apresentação do manifesto Pró-Associação Nacional de Profissionais de Educação e Formação de Adultos e a eleição de uma Comissão Instaladora. 

A Associação será de âmbito nacional e pretende abranger todos os profissionais envolvidos na área. Assim, a ANPEFA terá o intuito de contribuir para a:
·       Continuidade das políticas públicas de educação e formação de adultos;
·       Valorização e credibilização da Aprendizagem ao Longo da Vida.

Os profissionais de Educação e Formação de Adultos estão conscientes de terem contribuído de forma assinalável para a modernização de Portugal e, por isso, tudo farão para que os resultados do seu trabalho empenhado e sério sejam devidamente valorizados.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Enquanto o Futuro não chega...



Foi publicado, pela Comissão Europeia (JRC-IPTS), um novo relatório sobre o futuro da educação. Uma visão futurista em que se identificam desafios importantes.



A Europa e os seus cidadãos enfrentam e continuarão a enfrentar muitos desafios socio-econômicos, demográficos, ambientais e tecnológicos. A educação e a formação terão de desempenhar um papel crucial na resposta a estes desafios, preparando a sociedade adequadamente para a vida do futuro. No entanto, para isso, é necessário prever quais as competências que serão relevantes e como serão adquiridas no período de 2020 a 2030.
Individualizada, colaborativa e informal: é assim que a visão nos retrata a aprendizagem no futuro. Nada de novo, dirão alguns, mas algo deverá mudar ao nível das decisões políticas e económicas para que o sistema educativo se consiga adequar à ubiquidade evidente da informação e do recurso às tecnologias da comunicação.
Uma mudança de paradigma na conceptualização da Aprendizagem acrescenta a dimensão da metacognição à da aprendizagem ao longo da vida, valorizando todo o saber, em todos os domínios, ao longo de toda a vida.


Para ter acesso ao relatório: (Inglês)

E enquanto o futuro não chega, deixo-vos com esta proposta para reflexão: 



sábado, 26 de novembro de 2011

Sugestão de leitura


Foi recentemente publicada uma colectânea de textos de vários autores portugueses, sob o título “Ensaios pela Democracia, Justiça, Dignidade e Bem-Viver”.
Em tempos pós-neoliberais, quando as lógicas mercantis capitalistas são ainda dominantes, é um conforto encontrar uma obra que elabora e retrata alternativas teóricas e práticas ao carácter hegemónico dessa economia e das suas influências no bem-viver de todos e de cada um de nós.
Este livro com organização de Teresa Cunha, docente na Escola Superior de Educação de Coimbra, mostra-nos outros mundos de saberes que vêm à luz pela ousadia e lucidez de pesquisadoras/es que apreendem e descrevem práticas vivas, quer através de sua interpretação teórica, quer pelo universo imagético que constroem, quer pelas falas que reproduzem nos seus textos. Com elas e eles:
  • tem-se acesso a ensaios de uma democracia que se deseja;
  • objetiva-se e procura-se dar corpo a uma democracia construída dentro de uma ciência económica pós capitalista e crítica;
  • descobrem-se e fazem-se emergir formas de convivência humana suavizadas pela democracia participativa e de alta intensidade;
  • coloca-se em prática a “prática de pensar a prática”;
  • questiona-se a democracia que se tem e a que se deseja alcançar.
No conjunto dos textos, percebe-se também o sentido da compaixão: fazer o que podemos fazer, da forma que sabemos fazer, para aliviar o estado de sofrimento produzido pela desigualdade social. E, ao mesmo tempo, contribuir para (trans)formar rebeldes emancipadas/os e esclarecidas/os.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

VESTIR A CAMISOLA



Ontem, assisti a um jogo magnífico de futebol, entre a Bósnia e a Seleção Nacional, da qual, confesso, sou aficionada acérrima. Sei que chego a ser tendenciosa, defendendo até ao extremo os nossos jogadores e sendo implacável no juízo da destreza do adversário. Sou daquelas que festeja cada um dos golos como se tivesse sido o único e que se recusa a valorizar o que considera ser abusos e contingências de um desporto que se espraia muito para além das quatro linhas. 
Mas se o faço, é porque tenho gosto em vestir a camisola de um país no qual acredito, porque é o meu. 
Se o faço, é porque estou a sentir-me parte integrante de um momento da história desportiva de uma nação. Se o faço, é porque entendo que o meu papel, embora inócuo, consiste em apoiar, mesmo do lado de cá do ecrã, os esforços estratégico-musculares daqueles que falam a minha língua e que, num espaço confinado de terreno se encontram a esgrimir as cores da minha bandeira, também em meu nome. 
Ilusão? Qual ilusão? 
Não faz a ilusão parte do nosso devir? A sociedade em que vivemos está repleta de ilusão. 
Não haverá ilusão quando usamos um cartão de crédito, julgando servir-nos de dinheiro, usamos apenas a sua promessa, pela qual iremos pagar ? E a ilusão de que estamos a ser devidamente informados, quando na realidade escolhem, para nós, os pensamentos e a reflexão que deveria ser nossa? Não será a própria vida um sonho de si-mesma? Um pálido reflexo de uma outra realidade que ainda não vislumbramos? 
Pois, enquanto as respostas não surgem, confesso que continuarei a defender as cores do meu país e da bandeira que me viu nascer. 
Vestir a camisola também se aplica a outros setores e valores, àqueles nos quais acreditamos e defendemos, convictos de estarmos certos. Por vezes, compreendemos que valores de outrora, outrora também nossos, com o tempo se transformaram e deram lugar a novos, nascidos dos primeiros, em evolução segura. Mas isso não nos impediu, em tempos, de os defendermos com convicção, com a mesma congruência que apresentamos hoje, conscientes de termos passado por processos evolutivos necessários e dinâmicos. 
Vestir a camisola também pode trazer dissabores, confronto, controvérsia e discussão. Ainda bem. Enquanto puder haver discussão, haverá uma fonte para a luz das ideias e da inovação.
De há uns anos a esta parte, em maio de 2008, vesti outra camisola: a das Novas Oportunidades. As suas cores, verde e vermelho, lembram-me as cores do meu país. 

Hoje , quero aqui celebrar as cores dessa mesma camisola. Deixo-vos com uma imagem criada por Jorge Silva, formador de TIC no Centro Novas Oportunidades de Águas Santas, e aproveito para lhe dar as boas vindas a este espaço de partilha, na qualidade de administrador do Blog RVCC NO. Obrigada...

domingo, 13 de novembro de 2011

A educação permanente como fonte para repolitizar o debate sobre a educação e formação de adultos


No Relatório Faure (UNESCO, 1972), o conceito de Educação Permanente refere-se a todo o processo educativo, compreendendo todas as suas formas, expressões e momentos, de maneira a garantir a educação global das crianças e jovens e a preparar os adultos para exercerem melhor a sua autonomia e liberdade.

No contexto da história dos sistemas nacionais de educação do ocidente, a Educação Permanente representou a possibilidade de fazer uma profunda reestruturação nos valores subjacentes a estes sistemas. O papel da escola, no âmbito desta perspetiva, muda completamente, na medida em que a educação básica que nela deve ser alcançada é percepcionada como um prelúdio, que se destina quer a dotar os futuros adultos com os melhores meios para se exprimirem uns com os outros, quer a promover a capacidade de obter informação de forma autónoma, quer, ainda, a criar uma sociedade onde os indivíduos saibam comunicar, trabalhar e viver cooperativamente uns com os outros.

A Educação Permanente representa, pois, uma alavanca para alterar o entendimento do conceito moderno de educação. Ao nível da dimensão política da educação, há também um contributo significativo, por propor um caminho teórico e de ação. A visão de construir uma sociedade nova – uma sociedade da aprendizagem – na qual se alude também a um novo tipo de cidade, referida como cidade educativa, merece um destaque especial. Esta visão é na realidade a essência do Relatório Faure e do entendimento dado à Educação Permanente e assenta em objetivos de transformação social, que ao longo do relatório vão sendo progressivamente explanados, em vinte e um princípios e recomendações que ilustram qual o caminho a seguir para tornar a realidade “de hoje e de amanhã” mais próxima da utopia idealizada.

Na perspectiva da Educação Permanente, a ideia da cidade educativa, que consubstancia a visão da sociedade da aprendizagem, parte do pressuposto de que ao admitirmos que a educação será cada vez mais uma necessidade primordial de cada indivíduo, ter-se-á que investir os esforços para o seu alargamento e expansão, sobretudo em duas direções incontornáveis:
  • no desenvolvimento de outro tipo de escolas, politécnicos e universidades, enriquecidas com outro tipo de modos de trabalho pedagógico, bem como com outro tipo de relação pedagógica, construídos a partir dos modelos existentes;
  • na criação de outro tipo de instituições na cidade, públicas e privadas que, promovendo uma extensão educativa, permita incluir nas várias dimensões institucionais da vida na cidade uma função educativa, que saiba aproveitar o potencial educativo existente nas comunidades locais.
A visão da cidade educativa e da sociedade da aprendizagem é, no Relatório Faure, posta ao serviço de uma missão de transformação social cuja finalidade fundamental é democratizar a educação. Uma educação democrática constitui, nesta perspetiva político-filosófica, a condição base e o epicentro para garantir o “direito humano de ser”. Mas a missão de democratizar a educação implica mudar as bases tradicionais da relação entre sociedade e educação e todas as esferas sociais (especialmente a política, a económica e a familiar) são convocadas a dar o seu efetivo contributo.

O futuro assim pensado significa que a “educação de amanhã”, que defendemos e exigimos para hoje, toma forma numa totalidade cooperativa que integra estruturalmente todos os setores da sociedade, para benefício do bem-estar de todos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Muda de vida"


Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida se há vida em ti a latejar


Porque é uma mensagem, diria, intemporal. Porque é hoje, agora, que se deve agir, fazer, acreditar e ir. Porque "amanhã pode ser tarde demais". Porque aprender vale a pena. E porque a Aprendizagem ao Longo da Vida não é um retalho no tecido da vida: é a trama de todo o tecido!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Seminário "Qualificação nos Centros Novas Oportunidades - caminhos trilhados percursos futuros"


As Direções/Coordenações dos Centros Novas Oportunidades da Fundação AFID – Diferença e das Escolas Secundárias Dr. Azevedo Neves - Amadora; Cacilhas, Tejo – Almada; Camilo Castelo Branco – Carnaxide; Luís de Freitas Branco – Paço de Arcos; Seomara Costa Primo – Amadora irão promover nos próximos dias 11 e 12 de novembro, o Seminário “Qualificação nos Centros Novas Oportunidades - caminhos trilhados percursos futuros” (sob a modalidade de ação de formação acreditada pelo Conselho Científico de Formação Contínua), destinado às equipas técnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades, formadores, técnicos especializados e professores dos ensinos básico e secundário de todos os grupos de recrutamento.
Acedendo como visitante aqui, encontrará informação útil, nomeadamente a ficha de inscrição e o programa.

Para obter mais informações: CNO da Escola Secundária de Camilo Castelo Branco (Carnaxide)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Apontamento a não esquecer: Portugal foi o país da UE que mais progrediu

"Portugal foi o país da União Europeia que mais progrediu na última década em termos de população que termina pelo menos o 12º ano, atingindo médias europeias no ensino superior, frequentado por um em cada três jovens de 20 anos.

As conclusões foram hoje avançadas pela presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Ana Maria Bettencourt, e fazem parte do mais recente relatório que este órgão consultivo do Ministério da Educação aprovou, em plenário, em setembro.
O estudo sobre a qualificação dos portugueses serviu hoje de base à intervenção da presidente do CNE na abertura de uma conferência da Rede Europeia de Conselhos de Educação, em Lisboa, que contou com a presença da secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário, Isabel Leite.
Segundo Ana Maria Bettencourt, os avanços de Portugal poderão constituir um exemplo para outros países que têm vindo a baixar nos indicadores em causa, mas os bons resultados conseguidos estão ainda “aquém do exigido”.A diversificação da oferta de formação profissional, bem como da educação de adultos “contribuíram, sem dúvida, para os progressos que pudemos verificar”, reconheceu Ana Bettencourt. " in Diário Digital de 24 de outubro

Responsáveis de conselhos de educação de vários países da Europa estão reunidos até terça-feira na conferência dedicada a debater “Novas Competências para Novos Empregos”.

Novas Competências para Novos Empregos

Um trabalhador da construção civil

Objectivo

A iniciativa «Novas Competências para Novos Empregos» propõe-se:
  • promover uma melhor antecipação das futuras necessidades em matéria de competências
  • contribuir para uma melhor adequação entre competências e necessidades do mercado de trabalho
  • colmatar o fosso entre o mundo da educação e o mundo do trabalho
Quer saber mais: aqui

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Além das palavras…


Passeando uma vez mais nos trilhos e caminhos da Educação na Aldeia – onde o espaço é de todos e todos formam a trama do saber –, neste texto da autoria de Paulo Geraldo é possível sinalizar alguns pontos comuns com o tecido da Educação e Formação de Adultos.

As coisas mais importantes não se aprendem verdadeiramente nos livros, nem nas aulas, nem em conferências, nem em sermões. Passam de pessoa para pessoa através de gestos, de comportamentos concretos. Através de exemplos de vida.
A única forma de um pai ensinar um filho a ser honesto consiste em ele mesmo ser honesto, custe o que custar, em todas as circunstâncias, desprezando todas essas maneiras fáceis – e falsas – de subir na vida ou de resolver problemas delicados. Se assim não for, bem pode esforçar-se em dar ao filho enormes sermões sobre essa virtude. Mas se o pai for honesto, não precisará sequer de usar as palavras. Estamos todos fartos de palavras. As palavras são um revestimento estéril, se não corresponderem a um fundo verdadeiro. E têm sido usadas frequentemente por muitas pessoas para enganar, para fingir, para alcançar ilicitamente resultados. Entre essas coisas importantíssimas que não se aprendem por meio de palavras, encontram-se as virtudes e os valores.
E entre eles está esse tão raro da hospitalidade. Eu aprendi a hospitalidade em Chãos, ali pertinho de Alcobertas, numa noite de Inverno de há muitos anos. Tinha saído de Lisboa com um grupo de talvez vinte alunos meus de 12/13 anos. Devíamos atravessar a Serra dos Candeeiros e chegar a Alcanede (parece-me que era Alcanede), onde tínhamos uma casa à nossa espera. Mas apanhámos um anoitecer daqueles em que um homem não devia sair de casa. Chuva, vento, nevoeiro. A verdade é que nos perdemos e vagueámos desastradamente pela serra. Já era muito tarde quando avistámos umas luzes lá em baixo e, depois de descermos aos tropeções, chegámos a um lugar que não fazia parte do percurso previsto: era Chãos. Algumas casas perdidas na imensidão da serra.
Uma olhadela rápida para o mapa fez-nos compreender que estávamos ainda muito longe do nosso destino. Era impossível, no estado em que nos encontrávamos, chegar a Alcanede antes de ser muito de madrugada. E isto no caso de que conseguíssemos chegar. Houve então uma pessoa que nos ajudou, metendo-nos numa camioneta e levando até à desejada casa – até ao calor de uma lareira e ao conforto de poder estender o corpo – aquele grupo dorido e encharcado. Era uma pessoa igual a todas as outras, com um nome vulgar, semelhante a muitos outros, habitante de um daqueles lugares que não vem nos grandes mapas. Mas vivia a hospitalidade e, por isso, ensinava-a.
Eu aprendi a hospitalidade em Chãos. E os jovens que iam comigo também a aprenderam. Ficaram felizes. Fizeram a viagem a cantar, sentados na caixa aberta da camioneta, esquecidos da chuva, do frio e das bolhas nos pés. O mundo tinha-se tornado mais belo. Já não havia nuvens nenhumas…
O meu amigo Manuel Pedro há-de corar se por acaso chegar a ler este texto, e essa é uma boa razão para que não continue a escrever. Ele e o Ramiro e outros bons mestres que há por aí. Ensinam com naturalidade porque vivem aquilo que ensinam: não pensam que estão a fazer algo de extraordinário. Não acreditariam – haviam de rir-se – se lhes dissessem que estão a tornar o mundo melhor e mais belo, mas é isso que acontece.

Também os adultos que prosseguem o seu percurso educativo e formativo à luz da ideologia da Educação Permanente e Formação de Adultos terão N palavras a ensinar, fruto de lições que a vida lhes incutiu. Lições que tomara a muitos deter e transmitir. Porque, efetivamente, as coisas mais importantes aprendem-se... na Escola da Vida! Uma aprendizagem devida. Com sentido, consentida.

sábado, 15 de outubro de 2011

PALADIN International Conference


þ  Proporcionar um espaço de formação e debate sobre as novas exigências e desafios levantados pelo envelhecimento da população em Portugal e na Europa.
þ  Contribuir para a reflexão em torno da promoção do envelhecimento ativo, nas suas diversas vertentes, por parte dos diferentes profissionais das ciências sociais e humanas, tanto numa perspetiva de prevenção como de intervenção.
þ  Promover a formação de técnicos, investigadores e estudantes sobre a potenciação da capacidade de aprendizagem das pessoas seniores, numa perspetiva de empowerment e de desenvolvimento da sua autonomia.
þ  Divulgar e refletir em torno de resultados de investigações realizadas em diferentes áreas do saber que possam informar as práticas de promoção da qualidade de vida das pessoas seniores em diferentes domínios.
þ  Disseminar os resultados do Projeto Palladin, dando a conhecer os recursos disponíveis para a formação, quer dos profissionais de diferentes áreas que trabalham com pessoas seniores, quer dos próprios seniores numa perspetiva de autoformação favorecedora da sua qualidade de vida.

São estes os objetivos da “PALADIN International Conference – Promoting conscious and active learning and ageing: How to face current and future challenges”, que decorrerá de 20 a 21 de outubro na Universidade de Coimbra.

Pretende-se que este seja um contributo significativo para elevar a participação dos seniores nas atividades de educação e formação, numa perspetiva de empowerment, bem como para promover o seu envelhecimento ativo em áreas tão importantes da vida quotidiana como sejam a saúde, a atividade, a educação, a cidadania e as finanças.
As sociedades atuais encontram-se numa trajetória nunca antes alcançada, em termos civilizacionais, devido ao aumento sem paralelo da esperança média de vida e ao consequente incremento bastante significativo de pessoas seniores, tendo para isso em muito contribuído o desenvolvimento da ciência, da tecnologia, dos cuidados de saúde, a democratização do acesso à educação, entre outros factores.

O envelhecimento populacional levanta, assim, numerosos desafios à reorganização das diversas estruturas sociais, mas realça também, num foco positivo, que as potencialidades de desenvolvimento e de aprendizagem dos seniores constituem uma fonte inesgotável de riqueza para as sociedades.
É necessário, porém, que as diversas estruturas e serviços, bem como os técnicos que nelas desenvolvem as suas atividades profissionais, sejam capazes de fomentar efetivamente a estimulação dessas potencialidades, contribuindo para contrariar a reduzida participação na educação da população sénior e para promover a sua autonomia.

Para mais informações, Direito de Aprender e… abrindo a porta (digital ou real) da Faculdadede Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

III Encontro de Centros Novas Oportunidades da ADRIMAG


Numa altura em que, de norte a sul, os Centros entram num novo ciclo de existência e direção (2011-2013) e retomam, na generalidade,  o seu funcionamento e a(s) sua(s) dinâmica(s), o Centro Novas Oportunidades da Associação deDesenvolvimento Rural das Serras de Montemuro, Arada e Gralheira (ADRIMAG) organizará o III Encontro de Centros Novas Oportunidades, no dia 21 de outubro. Este evento, subordinado ao tema “Novas Oportunidades: mais futuro, melhores profissionais”, terá lugar no Auditório do Centro de Informação Turística (Antigas Instalações do Cinema Globo D’Ouro), na Alameda D. Domingos Pinho Brandão, em Arouca.

Os principais objetivos desta iniciativa são os seguintes:
  • Avaliar o impacto dos Centros Novas Oportunidades na sociedade, nomeadamente na promoção de igualdade de género e na qualificação de profissionais;
  • Criar um espaço de reflexão e discussão em torno do papel do candidato enquanto cidadão e promotor da sua formação ao longo da vida, com vista à elevação do seu nível de qualificação.
De acordo com o programa deste evento, estão previstas intervenções de Maria do Carmo Gomes, Vice-Presidente da Agência Nacional para a Qualificação, de Teresa Correia, Diretora do Centro de Emprego de São João da Madeira, de Francisco Jacinto, representante da Equipa da Avaliação Externa do eixo adultos da Iniciativa Novas Oportunidades, e Manuel Albano, Vice-Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Pedro Mota Soares, Ministro da Solidariedade e da Segurança Social, deverá presidir à sessão de encerramento.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SER | 2011


Encontro | Sexualidade e Educação em Reflexão |
7 e 8 de Outubro de 2011 | Lisboa
A Sexualidade está intimamente ligada ao que somos, às nossas experiências de vida, às vivências desde que nascemos. Falar de Sexualidade é falar de nós próprios. Daí resultam, muitas vezes, as dificuldades, os receios, as incertezas ao abordar este tema, sobretudo na escola. Foi desta reflexão que nasceu o Encontro SER | 2011 - Sexualidade e Educação em Reflexão. Um Encontro também entre quatro Centros de Formação de Professores, que aceitaram com toda a entrega e profissionalismo este desafio.
Concentrado em dois dias e com sessões (workshops) com a duração máxima de duas horas cada, bem como com conferências com especialistas reputados na área, organizado por temas distintos, diversos e inovadores, o Encontro SER | 2011 procura ser uma forma de pensar diferente a formação para os docentes.
Tendo como ponto de partida uma visão holística da Sexualidade, bem como a Educação pela Arte, este Encontro tem como objectivo proporcionar a troca de ideias, projectos, reflexões conjuntas e a dinamização de momentos informais para partilha de práticas.
Quer saber mais? Espreite o blogue http://ser-2011.blogspot.com/ 




terça-feira, 27 de setembro de 2011

Um olhar sobre a Educação de Adultos

Alan Tuckett, recentemente eleito para Presidente do Conselho Internacional de Educação de Adultos (ICAE) numa entrevista para a EAEA News falou da sua experiência na Educação de Adultos no Instituto de Educação de Adultos no Reino Unido (NIACE) de que foi diretor e onde afirma que é importante mostrar quais são os reais benefícios dos investimentos públicos na educação de adultos.

Durante a Conferência “Um mundo onde valha a pena viver”, ouvimos mensagens segundo as quais a educação de adultos não pode salvar o mundo mas pode mudá-lo. No entanto, assistimos hoje a uma total ausência de reais mudanças. O que pensa, então, que deveremos fazer, nós, os educadores de adultos? É só uma questão de tempo? Devemos continuar a tentar, como fizemos até agora? Ou precisamos de transformar a nossa abordagem?
Penso que o desafio está no facto de a educação de adultos continuar a ser um sector marginal dentro do sistema educativo. Mas é um catalisador, um agente de mudança que assegura o sucesso de outras finalidades de política social: na saúde, na justiça, na economia, na manutenção de uma cidadania activa até ao fim da vida, e muitas outras. O desafio para nós é tornar suficientemente visível esse papel de agente de mudança aos olhos dos decisores públicos. E não poderemos fazer isso enquanto continuarmos a conversar apenas entre nós, dentro da nossa “zona de conforto”. Temos que adoptar a linguagem dos economistas, dos sociólogos e dos especialistas em saúde preventiva e precisamos de acumular provas e narrativas de casos concretos.

Quer dizer que precisamos de aprender a influenciar os que fazem as políticas, a saber como os contactar? E a nossa abordagem educativa estará correcta?
A nossa perspectiva está certa. Mas não somos tão bons como pensamos ser no que se refere a atingir todo o leque de pessoas que vivem nas nossas comunidades ou a servir os seus interesses. Gostamos de os ajudar, mas por vias que se conformem com as nossas estruturas. Penso que devemos ser cépticos quanto às nossas abordagens, mas penso também que há um problema, para a maioria dos governos, na compreensão de benefícios que ocorrem simultaneamente em vários sectores. Por exemplo, se gastarmos algum dinheiro na educação de adultos e isso provocar efeitos positivos quanto à saúde mental, temos uma poupança no ministério da saúde. Então, o ministério da educação diz: “Excelente, mas então o ministério da saúde que pague”. E este diz: “O quê? Trata-se de educação, são vocês a pagar!” Quem assume as responsabilidades quanto ao reconhecimento dos efeitos benéficos da educação de adultos? A nossa tarefa, em minha opinião, é gerar de alguma forma uma opinião pública favorável, como vemos nos países escandinavos, onde a educação de adultos é mais que normal e toca realmente todas as áreas da vida.

Foi dito na conferência da manhã que os educadores de adultos não podem cair na armadilha de que sabem alguma coisa e a transmitem aos que não sabem. Como evitar esta armadilha?
Devemos manter o sentido do ridículo e a percepção da nossa própria vulnerabilidade. Claro que não é assim tão simples. Há coisas que podemos ensinar às pessoas, mas também é uma questão importante a perguntar: “O que eu posso aprender com a sua experiência?” Não se trata de considerar certa ou errada a minha experiência ou a de outra pessoa. Se dissermos aos adultos “esta é a resposta”, como é que poderemos descobrir o que teria sido a pergunta?

Qual a sua mensagem para os colegas mais jovens?
A mensagem positiva é que este trabalho faz realmente sentido. Porém, ensinar-aprender é sempre um factor desestabilizador. Devemos sempre fazer o trabalho que pudermos fazer, de melhor forma que soubermos, mantendo os olhos abertos sobre o que nos falta fazer e concebendo maneiras diversas de o fazer. O pior de tudo é deixar de imaginar alternativas.

Mais informação: aqui