terça-feira, 27 de setembro de 2011

Um olhar sobre a Educação de Adultos

Alan Tuckett, recentemente eleito para Presidente do Conselho Internacional de Educação de Adultos (ICAE) numa entrevista para a EAEA News falou da sua experiência na Educação de Adultos no Instituto de Educação de Adultos no Reino Unido (NIACE) de que foi diretor e onde afirma que é importante mostrar quais são os reais benefícios dos investimentos públicos na educação de adultos.

Durante a Conferência “Um mundo onde valha a pena viver”, ouvimos mensagens segundo as quais a educação de adultos não pode salvar o mundo mas pode mudá-lo. No entanto, assistimos hoje a uma total ausência de reais mudanças. O que pensa, então, que deveremos fazer, nós, os educadores de adultos? É só uma questão de tempo? Devemos continuar a tentar, como fizemos até agora? Ou precisamos de transformar a nossa abordagem?
Penso que o desafio está no facto de a educação de adultos continuar a ser um sector marginal dentro do sistema educativo. Mas é um catalisador, um agente de mudança que assegura o sucesso de outras finalidades de política social: na saúde, na justiça, na economia, na manutenção de uma cidadania activa até ao fim da vida, e muitas outras. O desafio para nós é tornar suficientemente visível esse papel de agente de mudança aos olhos dos decisores públicos. E não poderemos fazer isso enquanto continuarmos a conversar apenas entre nós, dentro da nossa “zona de conforto”. Temos que adoptar a linguagem dos economistas, dos sociólogos e dos especialistas em saúde preventiva e precisamos de acumular provas e narrativas de casos concretos.

Quer dizer que precisamos de aprender a influenciar os que fazem as políticas, a saber como os contactar? E a nossa abordagem educativa estará correcta?
A nossa perspectiva está certa. Mas não somos tão bons como pensamos ser no que se refere a atingir todo o leque de pessoas que vivem nas nossas comunidades ou a servir os seus interesses. Gostamos de os ajudar, mas por vias que se conformem com as nossas estruturas. Penso que devemos ser cépticos quanto às nossas abordagens, mas penso também que há um problema, para a maioria dos governos, na compreensão de benefícios que ocorrem simultaneamente em vários sectores. Por exemplo, se gastarmos algum dinheiro na educação de adultos e isso provocar efeitos positivos quanto à saúde mental, temos uma poupança no ministério da saúde. Então, o ministério da educação diz: “Excelente, mas então o ministério da saúde que pague”. E este diz: “O quê? Trata-se de educação, são vocês a pagar!” Quem assume as responsabilidades quanto ao reconhecimento dos efeitos benéficos da educação de adultos? A nossa tarefa, em minha opinião, é gerar de alguma forma uma opinião pública favorável, como vemos nos países escandinavos, onde a educação de adultos é mais que normal e toca realmente todas as áreas da vida.

Foi dito na conferência da manhã que os educadores de adultos não podem cair na armadilha de que sabem alguma coisa e a transmitem aos que não sabem. Como evitar esta armadilha?
Devemos manter o sentido do ridículo e a percepção da nossa própria vulnerabilidade. Claro que não é assim tão simples. Há coisas que podemos ensinar às pessoas, mas também é uma questão importante a perguntar: “O que eu posso aprender com a sua experiência?” Não se trata de considerar certa ou errada a minha experiência ou a de outra pessoa. Se dissermos aos adultos “esta é a resposta”, como é que poderemos descobrir o que teria sido a pergunta?

Qual a sua mensagem para os colegas mais jovens?
A mensagem positiva é que este trabalho faz realmente sentido. Porém, ensinar-aprender é sempre um factor desestabilizador. Devemos sempre fazer o trabalho que pudermos fazer, de melhor forma que soubermos, mantendo os olhos abertos sobre o que nos falta fazer e concebendo maneiras diversas de o fazer. O pior de tudo é deixar de imaginar alternativas.

Mais informação: aqui

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Desregulamentação prometedora


Desregulamentação de profissões 
A publicação do Decreto-Lei n.º 92/2011, de 27 de Julho, veio criar o Sistema de Regulação de Acesso a Profissões (SRAP) que visa simplificar o acesso ao exercício de profissões, partindo de um princípio de liberdade de escolha e acesso à profissão, o qual apenas deve ser restringido na medida do necessário para salvaguardar o interesse público.
Esta medida veio, assim, tornar livre o acesso a diversas profissões e actividades profissionais cujo exercício estava, até à presente publicação, condicionado à posse de um título profissional. Foi, assim, revogado um conjunto de legislação que regulamentava o acesso a várias profissões, deixando de ser obrigatória a posse de um título profissional (carteira profissional, certificado de aptidão profissional – CAP) para exercer as profissões e actividades profissionais previstas naquele diploma legal. (...)
Foi também criada a Comissão de Regulação do Acesso a Profissões (CRAP) para desenvolver o SRAP e deliberar sobre as regras de acesso às profissões, salvaguardando o interesse público e, em simultâneo, não limitando a liberdade de escolha e de acesso às profissões. (...) 
 A certificação profissional poder ser obtida através:- da conclusão com aproveitamento de um curso inserido numa das modalidades de formação do SNQ; ou- de um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências profissionais (RVCC profissional). 
Desenvolvimento da formaçãoConstituem modalidades de formação de dupla certificação do SNQ, as seguintes:Cursos profissionais – cursos de nível secundário de educação, vocacionados para a formação inicial de jovens, privilegiando a sua inserção na vida activa e permitindo o prosseguimento de estudos; Cursos de aprendizagem – cursos de formação profissional inicial de jovens, em alternância, privilegiando a sua inserção na vida activa e permitindo o prosseguimento de estudos; Cursos do ensino artístico especializado no domínio das artes visuais e audiovisuais – cursos destinados a jovens que pretendam obter uma formação artística de nível secundário, privilegiando a sua inserção na vida activa e permitindo o prosseguimento de estudos; Cursos de educação e formação (CEF) – cursos de formação profissional inicial para jovens que abandonaram ou estão em risco de abandonar o sistema regular de ensino, privilegiando a sua inserção na vida activa e permitindo o prosseguimento de estudos; Cursos de educação e formação de adultos (EFA) – cursos que se destinam a indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos, não qualificados ou sem qualificação adequada, para efeitos de inserção, reinserção e progressão no mercado de trabalho e que não tenham concluído o ensino básico ou o secundário; Cursos de especialização tecnológica (CET) – cursos de nível pós-secundário não superior que visam conferir uma qualificação com base em formação técnica especializada; Formações modulares certificadas – percursos de formação flexíveis de duração variada, no quadro da formação contínua, capitalizáveis para a obtenção de uma ou mais qualificações do CNQ. 
Fonte: ANQ 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A caminho de 2020…

O cenário a curto prazo por definir não invalida que se comecem a colocar na mesa as “cartas” do próximo “jogo”. A Europa 2020 é a estratégia de crescimento da UE para a próxima década.
Num mundo em mutação, pretende-se que a UE se torne uma economia inteligente, sustentável e inclusiva. Estas três prioridades, que se reforçam mutuamente, deverão ajudar a UE e os Estados-Membros a atingir níveis elevados de emprego, de produtividade e de coesão social.
A UE definiu cinco objetivos ambiciosos em matéria de emprego, inovação, educação, inclusão social e clima/energia que deverão ser alcançados até 2020 e cada Estado-Membro adotou os seus próprios objetivos nacionais em cada uma dessas áreas.
Uma vez criado um tecido social e político – com suporte financeiro estruturado – que aposta na certificação e incentiva a qualificação da população, parece estar também aberto um caminho que não deve ser vedado, mas sim reforçado e consolidado.
O capítulo 4 (Crescimento Inteligente) atribui a primazia à Educação como ferramenta que permite elevar a resiliência da população – capacidade para, mais facilmente, responder aos desafios e às adversidades de uma sociedade exigente. Por isso, o “Objetivo Mais e Melhor Educação” decompõe-se em duas grandes esferas:


Meta de redução da saída precoce do sistema de ensino e formação
- Programa Educação 2015;
- Iniciativa Novas Oportunidades;
- Reorganização e racionalização da rede escolar.


Meta ensino superior: um Contrato de Confiança para o Futuro de Portugal
Qualificar a população alargando a base de recrutamento do ensino superior;
Reestruturar a oferta formativa e reforçar a eficiência das Instituições;
Estimular a empregabilidade mobilizando empregadores, instituições e os jovens para projetar o futuro.



Portugal 2020 – Programa Nacional de Reformas, aprovado em Conselho de Ministros de 20 de março de 2011 (p. 36), refere que “ao longo das últimas décadas, Portugal desenvolveu um esforço muito significativo na recuperação dos défices de educação e de formação da população portuguesa”. Parar agora? Não!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

EFA sustenido menor



   Por mais incrível que pareça, continuamos todos à espera que a "suspensão" da abertura das turmas de Educação e Formação de Adultos seja devidamente explicada e resolvida. 
Enquanto nada acontece e "sustemos" a respiração, suspendendo-a, apetece-me reler as recomendações da Comissão Europeia em matéria de Aprendizagem ao Longo da Vida para o período 2007-2013.
" O conceito de aprendizagem ao longo da vida é indispensável para a competitividade da economia do conhecimento. Aplica-se a todos os níveis de aprendizagem e diz respeito a todas as fases da vida, bem como às diferentes formas de aprendizagem. O programa «Aprendizagem ao longo da vida» visa dotar os cidadãos das ferramentas necessárias para a promoção do desenvolvimento pessoal, para a integração social e para a participação na sociedade do conhecimento. OS programas Comenius (para as escolas), Erasmus (para o ensino superior), Leonardo da Vinci (para a formação e ensino profissionais) e Grundtvig (para a edução dos adultos), agora reunidos sob a tutela única do programa «Aprendizagem ao longo da vida», contribuem para a realização destes objectivos."
Podem aprender mais aqui.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

É uma vez um livro...

Na Educação na Aldeia percorrem-se trilhos e trechos de “lições”; de vida, devidas. Num tecido social impregnado de pressupostos que o tingem com a essência do que se deseja uma efetiva Aprendizagem ao Longo da Vida, nesta “Aldeia Globalizada” que é a Sociedade há paralelismos interessantes. Mensagens que, embora sediadas num contexto, podem ser extrapoladas para outros. É o caso que se segue e que pode ser lido na íntegra neste caminho da aldeia…

Era uma vez um livro. Um livro fechado. Tristemente fechado. Irremediavelmente fechado. Nunca ninguém o abrira, nem sequer para ler as primeiras linhas da primeira página das muitas que o livro tinha para oferecer. Um dia, mais não podendo, queixou-se:
— Ninguém me leu. Ninguém me liga.
Ao lado, um colega disse:
— Desconfio que, nesta estante, haverá muitos outros como tu.
— É o teu caso?
— Por sinal, não — esclareceu o colega, um respeitável calhamaço. — Estou todo sublinhado. Fui lido e relido. Sou um livro de estudo.
— Quem me dera essa sorte — disse outro livro ao lado, a entrar na conversa. — Por mim só me passaram os olhos, página sim, página não… Mas, enfim, já prestei para alguma coisa

— Eu também — falou, perto deles, um livrinho estreito. — Durante muito tempo servi de calço a uma mesa que tinha um pé mais curto.
— Isso não é trabalho para livro — estranhou o calhamaço.
— À falta de outro… — conformou-se o livro estreitinho.
Escutando os seus companheiros de estante, o livro que nunca fora aberto sentiu uma secreta inveja. Ao menos, tinham para contar, ao passo que ele… Suspirou. Não chegou ao fim do suspiro, porque duas mãos o foram buscar ao aperto da prateleira. As mãos pegaram nele e poisaram-no sobre os joelhos.
Começou a folheá-lo e, enquanto lhe alisava as primeiras páginas, foi dizendo:
— Este livro tem uma história. Comprei-o no dia em que tu nasceste. Guardei-o para ti, até hoje. É um livro muito especial.
Lê — exigiu a voz da menina.
E o pai da menina leu. E o livro aberto deixou que o lessem, de ponta a ponta.
Às vezes, vale a pena esperar.
(António Torrado)
Antes de servir de calço, reina e impera a esperança e a expetativa (em muitos) de ver surgir (um)a resposta para os trajetos e procedimentos concursais diluídos neste período de impasse. E de espera ativa e desperta…
Fica a crença que o empenho dos agentes diretamente implicados na fase da consolidação da identidade da Educação Permanente e Formação de Adultos em Portugal, aliado à travessia que estamos a constatar (fruto de conjunturas políticas, sociais e económicas) será um marco na solidificação de uma verdadeira Sociedade de Aprendizagem ao Longo da Vida. E a esperança de, no final, se poder ouvir e dizer, argumentando e fundamentando: “valeu a pena esperar”.
Nesse momento, esses agentes educativos e atores sociais serão as páginas da História da Educação de Adultos em Portugal de um “calhamaço” e consultar-se-ão como forma de auto e hetero aprendizagem, rumo a uma plataforma e a uma estrutura cada vez mais alicerçada e consistente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Fumarolas

Et voilà!
As férias acabaram - ou estão a acabar - e o mês de setembro promete ser cheio de acontecimentos relacionados com a política de contenção em que nos encontramos todos mergulhados... No mundo da Educação e Formação de Adultos e do Reconhecimento de Competências, as águas estão bem quentes, lembrando as furnas com as suas fumarolas a denunciar atividade vulcânica.
Qualquer indício que venha serenar é bem vindo, por insignificante que possa parecer, quando referido genericamente ou inserido em contextos menos específicos.
Assim é com a referência à reestruturação da Iniciativa Novas Oportunidades no DOCUMENTO DE ESTRATÉGIA ORÇAMENTAL 2011-2015, do qual se transcreve excerto relacionado:

"Quanto ao Ensino Pré-Escolar, Básico e Secundário, em matérias relacionadas com questões curriculares e de qualificação será apresentado um conjunto de medidas com impacto significativo na redução da despesa pública  – em particular, ao nível da necessidade de contratação de recursos humanos –, de entre as quais merecem referência especial as seguintes: 
 - supressão de ofertas não essenciais no Ensino Básico;
 - revisão criteriosa de planos e projectos associados à promoção do sucesso escolar;
 - reavaliação e reestruturação da iniciativa Novas Oportunidades;
 - outras medidas de racionalização de recursos, nomeadamente quanto ao número de alunos por turma, no ensino regular e nos cursos EFA (“Educação e Formação de Adultos”).
Reitera-se que o esforço de contenção financeira será firmemente prosseguido, mas sem que tal prejudique os objetivos que devem nortear as atividades na área educativa. A este propósito, refere-se que serão adotadas medidas como as conducentes ao alargamento da escolaridade mínima obrigatória e o aumento da carga horária nas disciplinas Língua Portuguesa e Matemática dos 2.º e 3.º ciclos, que, em alguns casos correspondem a despesas adicionais, mas que não comprometem um balanço global positivo ao nível da redução de custos" 
Mais aqui .


terça-feira, 26 de julho de 2011

Férias

A todos os que passam por aqui, seja por que razão for, desejamos umas boas férias e anunciamos que esperamos ter, igualmente, um tempo para descansar. Até Setembro....

segunda-feira, 18 de julho de 2011

(Des)Abafos...

A conjuntura não ajuda. Por vezes, o tempo também não. Não apenas o tempo lá fora, fora destas paredes claustrofóbicas e, simultaneamente, protectoras. Também o tempo psicológico que se gosta de dedicar às actividades que ainda vão transportando corpo e mente para uma dimensão mais serena e amena. Escasseia essa variável. Creio não ser a única pessoa que gostaria de vestir, em tantas ocasiões, um tamanho XXL de tempo (um tempo grande!)… mas precisamente porque parece que o tempo encolhe, resta (quantas vezes) um tamanho S que tem de ser moldado, cuidadosamente esticado e ajustado às circunstâncias e às condicionantes.

Quero acreditar que não serei o único ser que gosta do que faz e se orgulha do estado da arte da Educação Permanente e Formação de Adultos em Portugal, pela História que tem construído e pelo campo que tem conquistado junto dos actores sociais que lhe dão visibilidade e do público que, de alguma forma não fica indiferente e também se envolve. Afinal, todos os seres estão no barco da Aprendizagem ao Longo da Vida. Há que seguir… rumo a uma “nova oportunidade”… mas para onde?

Nesta tangente de mudanças e reestruturações das quais nos aproximamos (à deriva em alto mar e com uma bússola de leis que tantas vezes parece tão difusa), quero continuar a acreditar que a Educação de Adultos é um oásis de esperanças e de fermento intelectual e, ao mesmo tempo, a chave que abre as portas do saber para um espaço onde as pessoas são mais informadas e, por isso, com mais facilidade derrubam as barreiras do obscurantismo e do preconceito.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Mas posso ou não ser opositor ao concurso?"

     No meu Centro Novas Oportunidades, sedeado em Escola Pública, vai brevemente abrir concurso para contratação de Profissionais de Reconhecimento e Validação de Competências, assim como para a função de Técnico de Diagnóstico e Encaminhamento. 
Trata-se de um momento de transição, com uma ressonância muito significativa, a vários níveis. 
Não há lugar a renovação de contratos, há um novo concurso, ao abrigo do previsto nas alíneas g) e i) do artº 93 do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (Lei n.º 59/2008 de 11 de Setembro). 
A abertura destes procedimentos concursais também se faz de acordo com a tramitação prevista na alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º da Portaria n.º 83-A/2009, em sintonia com o n.º 2 do artigo 39.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro. Devem ainda ser consideradas as alterações  efectuadas pela Portaria n.º 145-A/2011, de 6 de Abril, sem esquecer o disposto no n.º 2 do artigo 9.º da Lei n.º 12-A/2010, de 30 de Junho, e nos n.os 6 e 7 do artigo 6.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro.
Neste emaranhado legal, subsistem zonas menos transparentes de intersecção, que levam a inúmeras interrogações por parte dos técnicos atualmente em funções. 
"Mas posso ou não ser opositor ao concurso?" 
Seria de toda a conveniência que a ANQ, I.P e que o Ministério da Educação e da Ciência clarificassem esta situação, de modo a garantir igualdade de procedimentos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Novo Programa para a Educação

No cenário de uma plataforma tão fluida como aquela em que se move a sociedade actual – esse desafio permanente à capacidade de (re)ajustamento e teste de perícia e resiliência – as mudanças operam-se, também, no quadro de actuação e intervenção da Comissão Europeia. Sob o lema “investir hoje para o crescimento de amanhã”, são propostas “reformas” em nome de uma Europa cuja presença no mundo seja mais reforçada.
Assim, no dia 29 de Junho, apresentou a sua proposta para o próximo Quadro Plurianual (2014-2020). No contexto deste Quadro, propõe um novo programa para a educação, formação e juventude: "Educação Europa".
Este novo programa deverá agregar os actuais subprogramas do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV), os aspectos internacionais do ensino superior e Juventude em Acção.
Deverá concentrar-se em oferecer oportunidades de aprendizagem transnacional, fazer corresponder as competências com a procura do mercado de trabalho, voluntariado e educação não-formal, assim como a modernização dos sistemas de educação e formação na Europa. Para a área de educação, formação e juventude, a Comissão propõe investir 15,2 mil milhões de euros, que serão complementados com apoios dos Fundos Estruturais e do Fundo Social Europeu. Sugere, deste modo, três eixos principais de acção:
  1. Mobilidade para aprendizagem transnacional;
  2. Actividades em cooperação entre instituições educativas e o mundo do trabalho;
  3. Apoio estratégico à implementação de políticas concretas.
Espera-se que a implementação do novo programa seja bastante simplificada com a eliminação dos actuais subprogramas (onde se inclui o GRUNDTVIG, para a educação de adultos), a redução do número total de actividades e uma utilização crescente das subvenções fixas.
Cabe agora ao Conselho de Ministros e ao Parlamento Europeu pronunciarem-se sobre esta proposta da Comissão…

Fonte: aqui

domingo, 26 de junho de 2011

Avaliação e intervenção em necessidades educativas especiais

Porque o sol quando nasce deve ser para todos e a população adulta inclui, também, aquelas pessoas que, de alguma forma são “especiais”, os Centros Novas Oportunidades das Escolas Secundárias Alves Martins e Emídio Navarro, de Viseu, organizam, nos dias 29 de Junho e 1 e 2 de Julho, uma acção de formação de reflexão em torno da temática dos adultos com necessidades educativas especiais.
Esta acção, com a duração de 25 horas, tem como destinatários privilegiados os formadores das equipas técnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades das duas escolas organizadoras.
Fazem parte do leque de oradores um representante da Agência Nacional para a Qualificação, assim como avaliadores externos que trabalham em articulação com os referidos Centros.

Uma ideia que outros Centros poderão acolher criando, dessa forma, um importante momento de reflexão e partilha.

Fonte: Novas Oportunidades

sábado, 18 de junho de 2011

Com um brilhozinho nos olhos

    Da ANQ, I.P, surgem indicações para proceder à abertura de procedimentos concursais para a contratação de técnicos. Por outro lado, a Portaria n.º 236/2011, publicada a 15 de Junho, vem regular o processo de acreditação dos avaliadores externos e da actividade por estes desenvolvida, no âmbito dos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências desenvolvidos por Centros Novas Oportunidades. Estes dois movimentos revestem-se de um significado especial, pois parecem garantir a continuidade de funcionamento dos Centros Novas Oportunidades, tão criticado, antes, durante e depois da campanha eleitoral.
       Apetece perguntar: "Porque é tão incómodo para alguns o reconhecimento de competências? Quem está, de facto, em causa, quando se fala mal das Novas Oportunidades? Quando foi que oportunidade passou a ser confundido com oportunismo e facilitismo? A quem agrada o discurso mordaz? Que efeitos produzem estas críticas ocas?" Estas perguntas amargamente persistentes permanecem teimosamente vazias de respostas por parte de quem parece querer a toda a força negar a existência da floresta para além da vedação que eles próprios construíram.
Absurdo.
O Reconhecimento de Competências, primeiro estranha-se e depois entranha-se, como qualquer outra inovação, muito à frente dos paradigmas vigentes.
É preciso dar algum tempo para que os Velhos do Restelo fiquem a falar sozinhos...
Mais uma vez, o melhor remédio é sorrir:

sábado, 11 de junho de 2011

I Festival de Formação, Arte e Cultura

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado dinamizará, no dia 18 de Junho, no Parque da Ribeira de Joane, em Vila Nova de Famalicão, o I Festival de Formação, Arte e Cultura.
Este evento visa estimular a partilha de experiências e valorizar a cultura e a arte popular, mediante a realização de um conjunto de actividades:
  • mostra pedagógica
  • música
  • artesanato
  • gastronomia.
O I Festival de Formação, Arte e Cultura assume ainda como objectivo proporcionar informação aos visitantes sobre as diferentes modalidades de educação e formação de adultos, das quais se destacam os cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA) e os processos de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC). Para o efeito, este festival integrará a audição de testemunhos de formandos certificados pelos processos de RVCC o que tenham concluído cursos EFA, assim como o contacto com entidades e associações de carácter cultural.
Fonte: Novas Oportunidades

Para saber mais sobre este evento, poderá consultar o blog do CNO da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Portal do Quadro Europeu de Qualificações

A Comissão Europeia criou recentemente um portal electrónico dedicado ao Quadro Europeu de Qualificações (EQF), que oferece um referencial comum de grande utilidade para comparar sistemas, quadros e níveis de qualificação de escala nacional. Serve, ainda, de instrumento de tradução, ao tornar as qualificações dos diferentes sistemas e países da Europa mais inteligíveis e compreensíveis, promovendo a aprendizagem ao longo e através da vida, bem como a mobilidade dos cidadãos europeus para estudar ou para trabalhar além fronteiras.
A fim de operacionalizar o EQF, os países europeus que participam no “Educação e Formação 2020” são convidados a articular os seus níveis de qualificação nacionais com os níveis adequados do EQF e a indicar, em todos os novos certificados de qualificação, diplomas e documentos Europass, o nível de EQF relevante.
Este portal também disponibiliza informações sobre a implementação do “EQF” e sobre “Termos Chave” já acordados entre todos os países que participam no “EQF” e que devem ser adoptados em todos os processos de cooperação entre actores nacionais e internacionais aquando da implementação do “EQF”. Procura ainda recolher “Documentação” pertinente: textos legais da Recomendação sobre a criação do “EQF”, outros documentos políticos chave e notas “EQF”, assim como “Links” úteis que conduzem a outras fontes de informação que podem ser utilizadas para comparar qualificações.
Através deste portal, é também possível ler e assinar as várias edições da “EQF Newsletter”.
Fonte: aqui

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Despedida de um Avaliador Externo

Fiquei sensibilizada com esta despedida "forçada", pelo que, após a devida autorização do autor, entendi partilhar convosco um texto que pode representar o olhar, ainda assim, sereno e cheio de humanidade, de quem se reconhece a reconhecer o outro.
"Venho por este meio, que as novas tecnologias me disponibilizam, agradecer publicamente a todos os que me permitiram, pela densidade relacional, humana e social, sempre muito presente e intensamente vivida, crescer como pessoa e profissional ao longo deste caminho explorado enquanto avaliador externo, funções que exerci apaixonadamente desde 2002, no âmbito dos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC) e que o silêncio indesculpável da Agência Nacional (ANQ) para a Qualificação me diz ter chegado ao fim.
Entre eles, para além dos adultos a quem proximamente dedicarei um texto próprio, quero destacar os diretores, os coordenadores, os profissionais e os formadores dos respectivos Centros de Novas Oportunidades (CNO) com quem tive a alegria estimulante de partilhar perspectivas, reflexões, incertezas e paradoxos na busca perseverante de respostas necessárias e entusiasmantes na promoção sempre espinhosa e exigente desse propósito mais nobre da Educação de Adultos que é o da transformação social e do desenvolvimento inteiro das pessoas, tendo em conta a historicidade das suas realidades concretas e contextualizadas.
Aprendi com todos eles que esse propósito ético e ambicioso não constitui, bem pelo contrário, uma tarefa clara e simples e, sobretudo, se manifesta mais custosa quando as incompreensões de “estranhos”, deliberadas ou inconscientes, de maior ou menor poder, nela se imiscuem embaraçando a exigência desse desafio que se vai disputando no condicionado e persistente ajuste capaz e diário de necessidades, capacidades e expectativas dos que, em devido tempo, não tiveram a sorte histórica das circunstâncias e o reconhecimento público e político, merecido e coerentemente atuante.
Aprendi com todos eles que reconhecer hoje, mais do que remediar o não reconhecimento do passado, não é propriamente “qualificar”; é validar, equiparar, permitindo e favorecendo a formação e a qualificação futura e desejável ao valorizar, com critério, os saberes e as competências que não se esgotam e não cabem no livro escolar, a bem não só das pessoas menos escolarizadas mas também, e esse não pode ser de modo nenhum um objectivo atraiçoado, em benefício das múltiplas comunidades em que aqueles se inscrevem, a favor de um bem comum com ganhos inevitáveis para todos. Agradeço, assim, a todos os que me deram a perceber que o RVCC não oferece nada a ninguém e, coisa oposta, me fizeram compreender que o RVCC pode e deve, sobretudo, saber criar FUTURO empenhando a inteligência sofrida mas confiante dos adultos.
Agradeço igualmente o testemunho de todos aqueles que, trabalhando no campo deste reconhecimento assimilaram de desfrutada e vivida experiência e me transmitiram com inteligência e responsabilidade, a importância de provocar nos adultos menos escolarizados, com percursos profissionais de menor qualificação, a curiosidade pelo saber que alarga horizontes, o prazer pelas aprendizagens necessárias a novos sentidos aclarados, a vontade de querer saber mais para melhor significar a (re)descoberta de si, dos outros e do seu mundo e, sobretudo, me chamaram a atenção para a relevância da motivação que se renova por uma confiança reconquistada que permite e favorece os anseios legítimos e as reinvenções necessárias, próprias e colectivas.
Aprendi com todos eles que, nesta escala de ação, é isto que o FUTURO exata e primordialmente convoca; curiosidade e o gosto pelo saber, o prazer de aprender, a vontade de saber mais e mais utilmente e a motivação que alimenta a energia da confiança necessária para se ser mais ainda e de se estar mais plenamente nas esferas da cidadania que o tempo atual requer de todos nós.Reconhecer, mais do que Validar e Certificar, é criar uma condição especial e bem humana de reconciliação com o SABER, com o APRENDER e com a VIDA que nos pode ajudar a ser mais e melhores pessoas e cidadãos.
Este tempo que hoje se vive exige, como se sabe, pessoas mais informadas, mais confiantes, mais exigentes. O RVCC, indesmentivelmente, acrescenta a projetos anteriores de referência no campo da Educação de Adultos, a ideia de alargamento e expansão. Mas são aqueles a quem eu hoje aqui presto, juntamente com muitos outros, esta breve mas singela homenagem, que contribuíram com a sua disponibilidade, competência e sensibilidade para este novo ciclo nos domínios da Educação e da Formação. Saibamos, portanto, acrescentar à riqueza da herança recebida algo de verdadeiro e socialmente transformador. Um obrigado sincero a todos vós. Até sempre."
Almiro Lopes

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os Museus como Espaços para o Diálogo Intercultural



Porque um Museu, além de um arquivo vivo e dinâmico, pode também ser um excelente espaço educativo e formativo...

...reconhecendo as potencialidades dos museus como espaços para o diálogo intercultural, entidades de 6 países (Itália, Espanha, Hungria, Irlanda, Holanda e Reino Unido) estão a trabalhar em conjunto, desde 2007 e com o apoio do Programa Grundtvig, para detectar boas práticas em curso, lançar iniciativas piloto e promover activamente as conclusões que vão retirando dentro do sector dos museus e do património cultural.
Centrando-se em torno de 30 actividades educativas experimentais, que envolvem geralmente vários museus e organizações e se dirigem a uma gama de públicos diferenciados, o Projecto procura identificar as melhores e mais promissoras práticas, à escala europeia, que possam ser adoptadas futuramente na promoção do diálogo cultural e na educação intercultural dentro de contextos museológicos.

Fonte: Direito de Aprender

Para saber mais informações, basta aceder à página do Projecto

quinta-feira, 12 de maio de 2011

1.º Congresso de Auto-avaliação das Organizações de Educação e Formação

Foram muitos os que participaram no congresso dos dias 9 e 10 de Maio, dispostos a aprender e a partilhar aprendizagens sobre a Auto-avaliação das Organizações de Educação e Formação, no âmbito da CAF, ISO ou EFQM, em que a troca de ideias e experiências terá sido certamente útil.
"Estes dois dias tornaram claro o muito que há para fazer ao nível do desenvolvimento de mecanismos de apoio às organizações de educação e formação (quer apoio na auto-avaliação, quer ajuda com feedback) e a mais valia que isso poderá ser no caminho da melhoria constante."Rodrigo Queiroz e Melo
Está de parabéns a Universidade Católica Portuguesa e a equipa do Dr. Rodrigo Queiroz e Melo pela dinâmica conseguida e pelos apontamentos de humor como, por exemplo, o que aqui se publica:


 Para já e para quem não teve a possibilidade de se deslocar a Lisboa, ficam aqui disponíveis as apresentações dos oradores presentes no congresso: 

Dia 9 - Auto-avaliação de centros novas oportunidades
Dia 10 - Auto-avaliação de escolas do ensino básico e secundário 




quinta-feira, 5 de maio de 2011

1.º Congresso "Auto-Avaliação das organizações de educação e formação"



Tendo como objectivo debater o "estado da arte", em Portugal, na utilização de dois modelos estruturados de auto-avaliação (Modelo de Excelência da European Foundation for Quality Management - EFQM e Common Assessment Framework - CAF), a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa organiza, nos dias 9 e 10 de Maio, no Auditório Cardeal Medeiros daquela universidade, o 1.º Congresso "Auto-Avaliação das organizações de educação e formação".


Destinado a professores, formadores e directores de organizações de educação e formação, este congresso abordará a temática do desenvolvimento organizacional dos Centros Novas Oportunidades e as boas práticas associadas à utilização do CAF que tem sido objecto da avaliação externa do "eixo adultos" da Iniciativa Novas Oportunidades.


De entre os oradores, destacam-se Jaap Scheerens, da Universidade de Twente, Maria do Carmo Gomes, Vice-Presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Patrick Staes, do European Institute of Public Administration (EIPA), e Joaquim Azevedo, da Universidade Católica Portuguesa.

Fonte: aqui

Mais informações...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Programa Educação 2015

Em tempos de reflexão compulsiva, ocasionada por vivências conceptualizadas, importa manter os pés no chão para seguir firme na rota da qualificação. Afinem o GPS, mantenham o objectivo à vista: para além do mapa, existe um território real, onde o caminho acontece, à medida que se avança, em direcção ao sucesso. 

Lançado no ano lectivo 2010/2011, o Programa Educação 2015 apresentou o objectivo " elevar as competências básicas dos alunos e aprofundar o envolvimento das escolas na concretização dos compromissos em matéria de política educativa."
Este objectivo pressupõe:
- Concretizar a universalização da frequência da educação pré-escolar e do ensino básico e secundário para todos;
- Alargar as oportunidades de qualificação certificada para jovens e adultos;
- Promover a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos e valorizar a escola pública;
- Reforçar as condições de funcionamento, os recursos e a autonomia das escolas;
- Valorizar o trabalho e a profissão docente

Mais do que um objectivo político, trata-se de uma reivindicação, de um direito consagrado.

Se quiser saber mais: AQUI

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa Feliz

Por vezes são as palavras mais simples que estão impregnadas de maior significado... por isso, deixamos aqui os sinceros votos de uma Páscoa Feliz a todos os que acompanham e/ou lêem este espaço!


Voltaremos em breve...