sábado, 26 de fevereiro de 2011

“A Educação de Adultos: uma dupla oportunidade na família”


Este é o nome de uma publicação coordenada por Lucília Salgado, investigadora e docente na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), que reúne as comunicações apresentadas no I Encontro Internacional de Literacia Familiar, realizado em Novembro de 2009, nas instalações da ESEC.
Sob o tema “As novas potencialidades da educação de adultos na construção do sucesso escolar dos filhos”, Lucília Salgado apresenta as problemáticas que considera estarem na génese do insucesso escolar das crianças à entrada para o ensino básico, destacando, neste âmbito, a construção da hipótese de que através da educação de adultos (nomeadamente através do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) será possível criar condições de base para o sucesso das crianças a partir da altura em que estas, ainda jovens, iniciam o seu percurso escolar.

A obra encontra-se dividida em três partes:

  1. A Génese do (In) sucesso Escolar: na escola e na família
  2. A Construção do Sucesso Escolar
  3. O Projecto de Escolarização para os Filhos e a Literacia Familiar: contexto e práticas

É precisamente nesta última parte que são apresentados textos que incidem sobre a importância da educação de adultos, nomeadamente sobre a forma como o processo de RVCC desenvolvido nos Centros Novas Oportunidades, facilita e potencia a introdução de hábitos e práticas de leitura e de escrita na família, duas vertentes fundamentais na aprendizagem da linguagem escrita no início da escolaridade. A isto se junta a tentativa de compreender se o adulto que realizou um processo de RVCC modifica a sua interacção com os filhos e em que medida as novas competências e conhecimentos adquiridos permitem que os pais incutam nos filhos valores que passem pela vontade e interesse pela escolarização.

Fonte: ANQ

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Silêncio


Um cartoon de Mester vale mais que mil palavras...

Embora a Infoletter sobre Information on Adult Education and Lifelong Learning in Europe, refira não haver razões para temer cortes nesta área, são cada vez mais preocupantes os silêncios, a ausência de informação, as indefinições, as omissões e as incertezas por parte da Tutela. Mais de 450 Centros Novas Oportunidades estão à espera. Mais de 8000 pessoas aguardam notícias sobre a manutenção - ou não - do seu posto de trabalho. Recursos humanos especializados que não podem ser desperdiçados. O tempo vai escorregando nas paredes da ampulheta, indiferente ao brilho da lâmina que paira sobre o destino incerto de cada uma destas pessoas.
No século mágico em que vivemos, em redes de relações de projecção ainda sem limites, há mais de um milhão de adultos à espera de mais transparência e mais coerência na sequência do desenvolvimento do seu processo de qualificação.

Um silêncio pesado.



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Não é demais (re)lembrar...

Embora a “História” dos Direitos Humanos inicie muito antes, foi sobretudo a II Guerra Mundial que ditou a criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos como forma de estabelecer a paz entre as nações e o consenso entre os povos.




Mais do que um direito de cada cidadão – cada peça do puzzle da sociedade – afigura-se como um dever investir na Educação, pois se “toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego”, está também nas mãos de cada um pautar o seu percurso de vida com o dever de investir na sua formação e qualificação.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

II Encontro Internacional do Ensino do Português

A Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), do Instituto Politécnico de Coimbra, promove nos dias 10, 11 e 12 de Fevereiro, o II Encontro Internacional do Ensino da Língua Portuguesa. Este evento, que vai decorrer no auditório do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, deverá possibilitar uma reflexão sobre as questões e os estudos respeitantes ao ensino do português como língua materna e do português como língua segunda (L2) nos ensinos básico e pré-escolar, destinando-se a educadores, professores e investigadores.
Em discussão estarão temas como o ensino do português como língua materna; o ensino do português L2; a promoção da leitura; a literacia dos adultos; a promoção e desenvolvimento da escrita; o ensino precoce da literatura; a oralidade em contexto lectivo; o ensino da gramática; as Tecnologias de Informação e Comunicação; e, ainda, a língua gestual portuguesa - ensino bilingue.
Mais informações? Aqui

domingo, 6 de fevereiro de 2011

À laia de reflexão

Não poderia deixar “passar em branco” o que testemunhei nos passados dias 03 e 04 de Fevereiro de 2011, na Unidade Pedagógica Central da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Numa tentativa de reunir elementos da comunidade de investigadores que trabalha no domínio da Educação e Formação de Adultos em Portugal, o Grupo de Estudos de Educação e Formação do Centro de Investigação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra reuniu esforços para realizar as III Jornadas de Educação e Formação de Adultos.


Mobilizadas por diversos objectivos...

  • Promover o debate e a troca de experiências entre os diversos agentes do domínio da Educação e Formação de Adultos
  • Analisar criticamente as políticas nacionais e internacionais
  • Identificar e debater a evolução do campo de práticas
  • Conhecer e problematizar os resultados de investigações recentes
  • Contribuir para um aperfeiçoamento contínuo das políticas e práticas
  • Incentivar a reflexão, a investigação e a produção científica
  • Contribuir para a formação contínua dos Agentes

...estas jornadas percorreram diversos assuntos, desde a validação e certificação de competências até aos caminhos da investigação em Educação e Formação de Adultos.
Para além dos temas gerais das manhãs (“A Educação Permanente e a Educação e Formação de Adultos 40 anos depois – passado, presente e futuro de uma ideia virtuosa”, “A Educação e Formação de Adultos, alguns contributos portugueses”, “Avaliação do Programa Novas Oportunidades: opções metodológicas e principais conclusões” e “Os grandes desafios da Educação e Formação de Adultos em Portugal”), as Mesas versaram sobre outros mais particulares, favorecendo uma abordagem ecléctica desta área do saber. A todos os participantes foi possível, assim, optar pela/s Mesa/s que se encaixavam nos seus centros de interesse e motivação, participando activamente no período concedido para debate e partilha de ideias, no final das mesmas.

Foi na sala da qual fiz activamente parte, no dia 03 de Fevereiro, que escutei palavras (sempre doces, reais e realistas!) da Pessoa com quem partilho a construção deste espaço (se não exactamente desta forma, pelo menos com este sentido e sentimento):

- É gratificante ver o entusiasmo com que todas estas pessoas falam destes projectos e isso é um bálsamo atendendo às circunstâncias actuais!

Os períodos de intervalo, naquele espaço exterior onde o ar revitalizava o ânimo, serviam como ponto de encontro. Era durante esses momentos informais – que mediavam os trabalhos – que se juntavam os elementos das mesmas equipas, mas que também se (re)encontravam pessoas geograficamente mais distantes, unidas por um propósito essencial que comungam: dignificar a área da Educação e Formação de Adultos. Aí, entre sorrisos e diálogos informalmente tecidos e edificados, todos trocavam ideias e perspectivas sobre o que havia sido abordado nas diferentes salas, em torno das diversas Mesas.

No final do segundo dia de trabalhos, o balanço feito foi bastante positivo e as Jornadas vistas como uma excelente oportunidade de crescimento e enriquecimento. Efectivamente, a área da Educação de Adultos tem construído a sua identidade ao longo dos últimos anos, sendo-lhe, hoje em dia, reconhecido inquestionável valor no cerne de uma sociedade em constante mutação e que se coaduna com os fundamentos e exigências da Aprendizagem ao Longo da Vida.

Certamente, serão muitas as pessoas que já aguardam um impacto igualmente positivo e frutífero das IV Jornadas de Educação e Formação de Adultos, desde já perspectivadas como mais um desafio e mais um momento (re)encontro e crescimento pessoal e profissional!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Novas competências de empregabilidade

Não são apenas as competências designadas “essenciais” as que permitem que cada cidadão viva o seu dia-a-dia numa contínua aprendizagem e adaptação. As competências transversas impulsionam, também, com a sua força motriz, toda a engrenagem do que é, efectivamente, Ser Humano.
Com o aumento exponencial do desemprego verificado actualmente no nosso país, temos de ter uma preocupação ainda maior de formar os nossos jovens de modo a que consigam lidar com este panorama e fazer face aos desafios que os esperam no mundo do trabalho.
A velha ideia de que poderá existir um único emprego ou profissão para toda a vida já não faz mais sentido nos tempos que correm. O sentido de carreira linear e progressiva numa determinada profissão anteriormente existente na maioria dos casos, tem de ser abandonada pelos nossos jovens e compreendida pelos seus pais/família, com o risco de se aumentarem as consequências e impacto negativos.
Então, que fazer para lidar com todos estes problemas do nosso contexto social?
Que competências são exigidas pelos nossos empregadores do mercado de trabalho actual?

Por um lado, devemos ter consciência destas situações e procurar construir não só um projecto de vida, mas prepararmo-nos para a sua redefinição constante; por outro, devemos procurar alargar, sempre que possível, o nosso leque de competências pessoais, sociais e profissionais.
Assim, devemos investir numa formação que se adeque às exigências dos possíveis empregadores, com uma estreita colaboração na definição de perfis profissionais actuais e futuros.
Nos tempos que correm e em termos globais, a maioria das empresas valoriza um conjunto de competências que vão para além das competências técnicas, mas essencialmente ao nível pessoal e social. Portanto, há que evoluir ao nível pessoal, valorizando:
  • o desenvolvimento de um pensamento flexível;
  • o contacto com todas as oportunidades de actividades profissionais ou lúdicas/tempos livres;
  • a alteração de funções como uma oportunidade, ao invés de uma ameaça;
  • o desenvolvimento das diferentes áreas da inteligência;
  • as oportunidades de formação que correspondem aos interesses e projectos vocacionais;
  • a preparação para a transição de actividade profissional;
  • o desenvolvimento da autonomia, capacidade de iniciativa, facilidade relacional e comunicativa, capacidade de resolução de problemas, capacidade de trabalho em equipa e criatividade.
Cada vez mais se caminha para a polivalência dos trabalhadores e é necessária humildade na aprendizagem de novas competências que permitem, aos indivíduos que as possuem, vingar mais facilmente no mercado de trabalho.
Artigo completo: aqui

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Iniciativa Novas Oportunidades: resultados da Avaliação Externa (2009-2010)

No âmbito do Estudo de Avaliação Externa do Eixo Adultos da Iniciativa Novas Oportunidades, realizado por uma equipa de investigação da Universidade Católica Portuguesa coordenada pelo Eng. Roberto Carneiro, e na sequência da apresentação pública de resultados efectuada no 4º Encontro de Centros Novas Oportunidades, realizado em Guimarães a 30 de Novembro de 20010, encontra-se disponível na página electrónica www.anq.gov.pt o documento

"Iniciativa Novas Oportunidades: resultados da avaliação externa (2009-2010)".

Este relatório integra os principais resultados, conclusões e recomendações referentes ao segundo ano de investigação e avaliação desenvolvidas pela equipa de investigação da Universidade Católica. Pretende, por isso, constituir-se como uma oportunidade de reflexão e de debate por parte dos principais operadores do Sistema Nacional de Qualificações, nomeadamente por parte das equipas tecnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades, já que estes contribuem de forma determinante para os resultados da Iniciativa Novas Oportunidades.

No plano estratégico, e num horizonte de médio prazo, a Iniciativa Novas Oportunidades encerra um potencial precioso e de inigualável riqueza conceptual para inspirar a estruturação de um sistema de Aprendizagem ao Longo da Vida susceptível de colocar Portugal na dianteira dos demais países Europeus e da OCDE, que normalmente lhe servem de benchmark.


Esta é uma das principais conclusões do relatório com os principais resultados, conclusões e recomendações referentes à Avaliação Externa do Eixo Adultos da Iniciativa Novas Oportunidades elaborado pela equipa da Universidade Católica Portuguesa, sob a coordenação de Roberto Carneiro, que agora se publica. Fonte : www.anq.gov.pt

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Seminário "Educação de Adultos e Transformação"


As transformações na Educação de Adultos vão estar em destaque no próximo dia 28 de Janeiro, na Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve, em Faro, em virtude do I Seminário do Mestrado em Educação Social, intitulado "Educação de Adultos e Transformação", que visa abordar as principais mudanças que ocorreram na educação de adultos.

A educação para uma cidadania económica será uma das temáticas tratadas neste seminário, sendo apresentada por Alberto Melo, docente da Universidade do Algarve. Outro dos assuntos a abordar focará a educação de adultos na óptica da educação popular. Para isso, o Grupo Popular das Portelas irá debruçar-se sobre a preservação e a dinamização da educação de adultos através do associativismo e a Associação Bagagem de Vida abordará este modelo de educação assente numa lógica de um processo participativo que se vai construindo a pouco e pouco.

A participação neste seminário pressupõe uma inscrição prévia, que poderá ser realizada através do endereço de correio electrónico seminariomestrado@gmail.com.
Fonte: aqui

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O aumento das competências educativas das famílias: um efeito dos Centros de Novas Oportunidades

No passado dia 14 de Janeiro, foram apresentados os resultados do projecto realizado na Escola Superior de Educação de Coimbra: "CNO - Uma Oportunidade Dupla: da promoção da Literacia familiar ao sucesso escolar das crianças".
As conclusões deste projecto permitem evidenciar as mudanças ocorridas nas famílias em que um progenitor (pai ou mãe) fez um RVCC de 9º ano num Centro Novas Oportunidades tendo pelo menos um filho a frequentar o 1º ciclo do Ensino Básico. As mudanças verificadas serão mais facilitadoras do sucesso escolar dos filhos. A percepção destas mudanças é comprovada por professores do 1º ciclo do Ensino Básico em todo o país. in esec.pt
Trata-se de um estudo que vem sublinhar alguns efeitos inesperados da Iniciativa Novas Oportunidades, Eixo Adultos, decorrentes da alteração de perspectiva agora por parte dos candidatos que já passaram pelo processo.
O estudo apresentado pela equipa coordenada pela Dra Lucília Salgado incidiu sobre sujeitos certificados com o nível básico. Facilmente se almeja que os efeitos benéficos do processo venham a ser ainda mais significativos quando pudermos ter acesso aos resultados decorrentes da observação de candidatos com o nível secundário de certificação. O aumento da auto-confiança e da percepção de auto-eficácia é notório e evidente, também para os elementos das equipas técnico-pedagógicas que acompanham estes adultos, desde a sua entrada no Centro Novas Oportunidades até à certificação de nível secundário. Há, aliás, um processo de transformação inesperado, quase imediato, após a realização da sessão de júri, que é perceptível para estes profissionais. A mudança comportamental é, por vezes, de tal ordem que o adulto parece ter vestido "o fato do certificado".
Devemos, no entanto, manter a capacidade de observar alterações nestes efeitos eufóricos do processo RVCC junto dos candidatos. Pensamos como Einstein que "uma mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original", mas parece-nos ainda cedo para garantir que houve, de facto, apropriação de uma nova perspectiva por parte das famílias em causa.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Da educação popular à educação de segunda oportunidade

Neste espaço virtual, encontra-se alojado um texto que pode ajudar interessados e curiosos a reflectir sobre a evolução da educação de adultos nas últimas décadas.
O 25 de Abril de 1974 foi acompanhado pela explosão do movimento social popular que se seguiu ao golpe de Estado e que atingiu diversas áreas da vida social – entre estas, a educação de adultos. Para este campo de práticas, a Direcção-Geral de Educação Permanente, criada ainda em 1972, sob o regime autoritário, dinamizou uma política pública inovadora para o contexto português que procurou dar resposta às solicitações de iniciativa popular.
Em 1976, a Constituição da República Portuguesa estabeleceu no Art.º 73.º que todos têm acesso à educação, reforçando deste modo o trabalho levado até então.
Após 1976, no âmbito do processo de normalização política pós-revolucionária, a política anteriormente promovida pela Direcção-Geral de Educação Permanente foi abandonada pelo Governo então em funções.
É contudo a corrente de educação popular, então menos entusiasta que alguns anos antes, que reassume um papel decisivo na elaboração do Plano Nacional de Alfabetização e Educação de Base dos Adultos, em 1979.
Em 1986 é aprovada a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86). Esta Lei definiu a educação de adultos como subsector que integrou duas ofertas: o ensino recorrente e a educação extra-escolar.
Contando com uma importante contribuição financeira dos fundos estruturais comunitários, o Programa Operacional de Desenvolvimento da Educação de Adultos em Portugal foi lançado em 1989. Este integrou um sub-programa destinado à educação de adultos, tido por tal como um sector de intervenção prioritária. A gravidade da situação educativa do país justificava a finalidade definida neste Programa: a promoção da qualificação da mão-de-obra no quadro de um esforço de modernização económica.
Entre 1995 e 2002, os governos socialistas eleitos avançaram com um conjunto de propostas que visaram “relançar a política de educação de adultos”. O trabalho então levado a cabo permitiu o surgimento do “S@ber +. Programa para o Desenvolvimento e Expansão da Educação e Formação de Adultos”, da responsabilidade da Agência Nacional para a Educação e Formação de Adultos (ANEFA).
Segundo os decisores políticos, a modernização da economia, o necessário aumento da competitividade e a omnipresença de novas tecnologias exigiam trabalhadores mais qualificados, com maior capacidade de adaptação, detentores de outros e mais complexos conhecimentos e competências.
Suportadas pela abordagem das competências, e já não em conteúdos de natureza escolar e disciplinar, o reconhecimento, validação de competências adquiridas informalmente ou em contexto de trabalho, bem como o desenvolvimento de novos modelos, metodologias e materiais de intervenção pedagógica e socioeducativa emergiram como estratégias educativas e formativas centrais.
Deste modo, em meados da década de 1990, a educação de adultos parecia ter assumido um lugar de destaque nos debates políticos sobre educação. É neste quadro que surgem um conjunto de ofertas educativas e formativas que alargam a participação dos adultos e reforçam dimensões sociais, económicas e políticas da sua participação em sociedade.
Desde 2005, a Iniciativa Novas Oportunidades, retomou as principais ofertas do Programa S@ber+, sendo hoje estas ofertas da responsabilidade da Agência Nacional para a Qualificação que possui uma dupla tutela do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e Segurança Social. Em resultado de uma mais evidente articulação com as políticas de emprego e de modernização tecnológica da economia portuguesa, esta Iniciativa tem como finalidade dar um forte impulso à qualificação dos portugueses, integrando dois pilares: as ofertas dirigidas aos jovens e aquelas dirigidas aos adultos.
Em suma, no quadro do relançamento da educação de adultos em finais da década de 1990, novas ofertas são apresentadas aos adultos, ofertas estas que a Iniciativa Novas Oportunidades retoma, em 2005, atribuindo um relevante alento à política pública de educação e formação de adultos.

É num quadro profundamente contraditório que a promoção do direito à educação de adultos através das políticas públicas coexiste com outras prioridades, desafios e problemas, alguns de natureza económica e social, deixando-nos dúvidas relativamente ao cumprimento das ideias contidas na Constituição de 1976, mas reservando espaços para outras possibilidades, algumas destas promotoras da emancipação e de uma democracia de melhor qualidade.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Valor Acrescentado na Educação e Formação de Adultos


"Calcular o valor acrescentado de uma escola significa tentar perceber que valor a escola acrescenta, através do seu trabalho, ao nível inicial de conhecimentos dos alunos que recebeu. Ou seja, importa perceber se uma escola apresenta alunos com bons resultados finais, devido ao facto de os seus alunos serem no geral bons alunos e, como tal, terem bons resultados independentemente dos esforços da escola ou, pelo contrário, devido ao facto de a escola ter desenvolvido práticas de ensino/aprendizagem, eventualmente em alunos com resultados à entrada mais débeis, que lhes permitiram obter bons resultados." Mais aqui

No Processo de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências, somos algumas vezes confrontados com a crítica de vozes dissonantes que teimam em enfatizar que os adultos não vão aprender nada com a passagem pelo processo. Seria certamente interessante podermos, daqui por alguns anos, estar em condições de averiguar se, de facto, não há VALOR ACRESCENTADO no percurso do Adulto quando se dirige a um Centro Novas Oportunidades ou se, pelo contrário, a intervenção da Equipa Técnico-Pedagógica fez toda a diferença. Munido de um Plano de Desenvolvimento Pessoal, o adulto é lançado na aventura da Aprendizagem ao Longo da Vida. Deveríamos ter a capacidade de acompanhar o seu progresso ao longo do tempo.

No que respeita às escolas, a atenção dos investigadores está cada vez mais centrada nos professores, designadamente no papel que cada professor tem na melhoria dos resultados escolares de cada aluno, pelo que importa esclarecer "em que medida é o bom professor que faz o bom aluno ou é o bom aluno que faz o bom professor".

Mas como é que se pode avaliar as escolas e os professores tendo em conta o progresso dos alunos ao longo do tempo? Como é que se pode avaliar o valor académico que cada escola e cada professor acrescenta ao desempenho de cada aluno? Em que medida é que a avaliação do valor acrescentado no desempenho académico de cada aluno pode contribuir para a melhoria generalizada das actividades das escolas, ensino dos professores, e aprendizagem dos alunos?

No passado dia 6 de Janeiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, aconteceu o Encontro FLE (Fórum para a Liberdade de Educação), subordinado ao tema: AVALIAÇÃO E EQUIDADE, Como Medir o Valor Acrescentado de Escolas e Professores?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Reflexos e Resultados do Estudo sobre Literacia Familiar


A Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) foi o local escolhido para a apresentação, no dia 14 de Janeiro, dos resultados do estudo sobre literacia familiar, coordenado por Lucília Salgado, docente e investigadora naquela instituição.

Este estudo pretende contribuir para a análise do impacto que os Centros Novas Oportunidades, através dos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, têm no desenvolvimento educativo dos adultos e na maneira como a aprendizagem por parte destes se reflecte na interacção com os filhos, favorecendo, assim, os processos de aprendizagem das crianças no seio familiar, em especial aquelas que se encontram a frequentar o 1.º ciclo do ensino básico, promovendo-se, dessa forma, a literacia familiar.

A apresentação deste estudo insere-se num seminário que, por sua vez, é integrado num ciclo de dez conferências, que têm vindo a decorrer na ESEC, sobre Educação, Lazer e Desenvolvimento Local, no âmbito do Mestrado em Educação de Adultos e Desenvolvimento Local, ministrado naquela instituição.

Fonte: Novas Oportunidades

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Knocking on a 2011's door

Entra um Ano Novo e parece que tudo muda...

Vejo empresas a fazer inventários e a actualizar preços.
Vejo organizações a estimular os colaboradores para que os resultados sejam melhores que no ano transacto.
Vejo pessoas a tomar resoluções que só se tomam nesta época.
Vejo muitas oportunidades por detrás das nuvens típicas do inverno informativo em que parecemos estar mergulhados.
Vejo jovens a olhar para o futuro com uma esperança que temos o dever de ESTIMULAR.
Vejo soluções a despontar para problemas aparentemente insolúveis, sob a égide da CRIATIVIDADE
Vejo o planeta a girar e a percorrer o Universo, como sempre fez, desde tempos de que não há história e que eu não podia ainda ver... Vejo o planeta a continuar a girar, mesmo depois de eu ter perdido a capacidade de ver...

Mãos à obra! Foi o que fizeram na Madeira quando ficaram sem casas, depois da enxurrada. AGORA. Porque já não há tempo para hesitar e porque é assim que conheço o meu país em tempos de grandes dificuldades.
Cada um de nós tem um papel fundamental para desempenhar. TODOS, sem excepção, são necessários para fazer de Portugal uma plataforma para o sucesso.

Utopia? melhor ainda: somos gente de grandes desafios, gostamos do que nos ultrapassa, somos excelentes quando a tarefa é maior.
Louis Armstrong sabia-o quando nos deixou esta provocação:


FELIZ ANO NOVO!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Boas Festas


Chegou o tempo de meditar sobre o caminho já percorrido e as opções que iremos escolher seguir no próximo ano. Em Janeiro de 2011, inicia-se um novo ciclo para a Iniciativa Novas Oportunidades, com novos compromissos e definição de Metas e indicadores virados para a convergência com o Quadro Estratégico de Cooperação Europeia em matéria de Educação e Formação (EF 2020) e o Projecto Metas educativas 2021, no âmbito da Organização dos Estados Ibero-Americanos. Teremos que estabelecer metas anuais, metas até 2015, metas até 2020 e 2021. Muito trabalho e dedicação nos espera em anos vindouros. Até 2020, por exemplo, uma média de pelo menos 15 % de adultos deverá participar na aprendizagem ao longo da vida.
Até lá, ficam os nossos votos de um excelente final de 2010 com prendas no sapatinho! :))
Até 2011!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desempregados encaminhados para os CNO

Tendo em vista o prosseguimento dos trabalhados que têm vindo a ser realizados no sentido de fazer do 12.º ano de escolaridade o patamar mínimo de qualificação dos portugueses, foi determinado, através do Despacho n.º 17658/2010, de 25 de Novembro que os cidadãos desempregados inscritos nos Centros de Emprego que:
  • não sejam detentores do 12.º ano de escolaridade
  • não estejam a frequentar uma modalidade de qualificação no âmbito do Sistema Nacional de Qualificações
  • e cujo perfil de empregabilidade se afigure pouco adequado às ofertas de emprego existentes

...devem ser encaminhados para um Centro Novas Oportunidades a fim de frequentarem um percurso formativo que lhes permita obter aquele nível de escolaridade. Assim, ao Instituto do Emprego e Formação Profissional caberá:

  • definir as prioridades de intervenção e a convocatória de todos os desempregados com o intuito de lhes prestar os esclarecimentos necessários acerca das diversas modalidades de qualificação existentes no Sistema Nacional de Qualificações;
  • reformular o Plano Pessoal de Emprego de cada desempregado;
  • proceder ao encaminhamento destes para um Centro Novas Oportunidades.

A Agência Nacional para a Qualificação ficará encarregue de proceder à inscrição e encaminhamento dos desempregados para as vias formativas mais adequadas às características daqueles e de fornecer aos Centros de Emprego todos os dados indispensáveis ao cumprimento dos Planos Pessoais de Emprego.

Fonte: Novas Oportunidades

domingo, 5 de dezembro de 2010

Paixão e Desafio - Lisboa 2010

Em 2010, Lisboa, com orgulho, dá as boas vindas à 2ª edição do Euroskillls e às centenas de concorrentes, peritos e jurados, em representação de 31 países e de 50 saídas profissionais.

Oportunidade para demonstrar, testar, comprovar e melhorar metodologias de trabalho e de formação; para aprofundar parcerias e reforçar padrões comuns no espaço europeu.

Oportunidade para o encontro entre os principais actores da formação profissional: responsáveis e decisores políticos, parceiros sociais, peritos, formadores e professores, empresas e escolas.

Oportunidade para uma demonstração ao vivo das profissões, promovendo a excelência e o reconhecimento dos melhores formandos e formadores.



De 09 a 12 de Dezembro na FIL.


Consulte o Programa e as competições AQUI


SKILLA e SKILLO são as duas mascotes. Elas configuram as competições do EuroSkills Lisboa 2010. Porque a sua versatilidade lhes dá a capacidade de poderem representar todas as profissões.







quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Balanço...

Foi na cidade berço que ontem, dia 30 de Novembro de 2010, se juntaram elementos de diversas equipas técnico-pedagógicas de Centros disseminados pelo país.
Cada viagem é uma experiência”. E foi com estas palavras de Roberto Carneiro que, após a sessão de abertura, se procedeu à “ordem de trabalhos”.
Num contínuo esforço e investimento, sob um céu cinzento e choroso, foram muitos os quilómetros percorridos por muitos para, também sob o espectro de luz espelhado em Arco-íris, (re)encontrar colegas (unidos pelo propósito de consolidar a Educação Permanente e Formação de Adultos, cristalizando-a em pressupostos sólidos) e...


...fazer um ponto de situação relativamente aos resultados e evidências da Iniciativa Novas Oportunidades e dos Estudos de Avaliação Externa

...partilhar boas práticas de Centros Novas Oportunidades, fundamento da importância do trabalho em rede

...reflectir sobre o novo ciclo da Iniciativa Novas Oportunidades, rumo a 2015


Liderança, inovação, conhecimento, invenção, astúcia, visão e confiança foram as palavras sinalizadas como essenciais para fazer emergir qualquer projecto ou dar continuidade, de forma sólida e confiante, a outros que já existam. Assim acontece com os Centros.
Nesta Sociedade da Informação e do Conhecimento que nos alberga enquanto cidadãos e aprendentes, vemo-nos perante um novo desafio: “das Novas Oportunidades às Novas Necessidades”, como foi referido. Assim, a INO (Iniciativa Novas Oportunidades) será prefixo e motor de:

  • INOvação social
  • INOvação cultural

  • INOvação económica

Rumo...? Life Long Learning!
E, neste contexto, Luís Capucha, Presidente da ANQ, apresentou o esboço do que será o Novo Ciclo desta Iniciativa, referindo as metas e os objectivos estratégicos a alcançar no período compreendido entre 2011 e 2015. Desta forma, foi enfatizada a importância/necessidade de (entre outros aspectos) consolidar e alargar a oferta destinada a jovens e desenvolver novas e mais oportunidades de acesso a Aprendizagem ao Longo da Vida. Com esta estratégia renovada pretender-se-á, então:

  • Sustentar o que já existe

  • Mobilizar novos públicos para a importância capital do aumento de qualificações

Mas, em termos práticos e operacionais, creio que (ainda) pode ser colocada a questão: o que acontecerá, efectivamente, aos Centros e aos recursos humanos afectos aos mesmos? De forma a dar visibilidade e estrutura a esta nova dinâmica organizacional e funcional, será necessário extrair um pouco de cada cor do espectro do Arco-íris de modo a colorir cada passo... rumo a (2011 e...) 2015.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

4º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades

"O 4.º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades terá lugar, no dia 30 de Novembro, no Pavilhão Multiusos, em Guimarães.
Este encontro, levado a cabo pela Agência Nacional para a Qualificação, através dos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, irá focar-se no que tem sido a Iniciativa Novas Oportunidades e no trajecto que a mesma seguirá. Desta forma, o encontro integrará um primeiro momento de apresentação pública dos resultados e evidências dos estudos de avaliação externa do eixo adultos desta Iniciativa.
A segunda parte do encontro visa revelar e divulgar boas práticas desenvolvidas em Centros Novas Oportunidades."

Fonte: aqui


Os interessados em participar neste encontro poderão fazê-lo através do preenchimento do formulário disponível em http://www.4encontro.com/formulario.html .

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

“Os desafios da formação profissional multidisciplinar”


Consciente da importância do desenvolvimento profissional no contexto da actual sociedade (caracterizada pela constante mudança, complexidade e dinamismo), a European Association for Practitioner Research on Improving Learning in Education and Professional Practice (EAPRIL), promove, entre 24 e 26 de Novembro, em Lisboa, uma conferência dedicada ao tema "Os desafios da formação profissional multidisciplinar".

Esta conferência...
...tem como destinatários:
  • investigadores
  • formadores
  • consultores na área da educação/formação
  • profissionais de gestão e desenvolvimento de organizações
  • formadores de formadores
  • professores
  • especialistas de recursos humanos e académicos que actuam no campo da formação profissional

...tem como objectivo promover o debate em torno do desenvolvimento de práticas de educação e formação em contextos empresariais, educativos e de formação, incluindo a aprendizagem em contexto de trabalho.

...assumir-se-á também como um espaço de discussão e partilha de ideias, colocando em cima da mesa temas como:

  • "Competências profissionais dos professores: perspectivas e problemas em tempo de redefinição da aprendizagem e escolaridade"
  • "Como se instala a curiosidade?"
  • "Aulas sem paredes/fronteiras"
  • "O que é a formação profissional? Contribuição de um ponto de vista educativo".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Encontros de Reflexão EFA

A Agência Nacional para a Qualificação, a DRELVT e o IEFP estão a promover Encontros de Reflexão sobre a realidade territorial da implementação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos.
Hoje, aconteceu na Escola Secundária D. Inês de Castro e reuniu "à mesma mesa" realidades diferentes de entidades formadoras diversas, da NUT III Oeste. Nestes Encontros, quando a reflexão acontece, como foi o caso, há sempre lugar a descobertas. Falámos de públicos tão diversos quanto o são adultos em situação de desemprego, jovens adultos à procura de uma alternativa para concluir o ensino secundário ou candidatos de motivação heterogénea, inseridos em turmas onde a formação é, por vezes, homogeneizada demais...
Fica aqui uma das apresentações (infelizmente desconfigurada no carregamento para o Universo Virtual) em jeito de ponto de partida para outras reflexões possíveis.
Fica também o desafio para espreitar o trabalho desenvolvido por alguns dos formandos EFA, plasmado aqui.