segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O aumento das competências educativas das famílias: um efeito dos Centros de Novas Oportunidades

No passado dia 14 de Janeiro, foram apresentados os resultados do projecto realizado na Escola Superior de Educação de Coimbra: "CNO - Uma Oportunidade Dupla: da promoção da Literacia familiar ao sucesso escolar das crianças".
As conclusões deste projecto permitem evidenciar as mudanças ocorridas nas famílias em que um progenitor (pai ou mãe) fez um RVCC de 9º ano num Centro Novas Oportunidades tendo pelo menos um filho a frequentar o 1º ciclo do Ensino Básico. As mudanças verificadas serão mais facilitadoras do sucesso escolar dos filhos. A percepção destas mudanças é comprovada por professores do 1º ciclo do Ensino Básico em todo o país. in esec.pt
Trata-se de um estudo que vem sublinhar alguns efeitos inesperados da Iniciativa Novas Oportunidades, Eixo Adultos, decorrentes da alteração de perspectiva agora por parte dos candidatos que já passaram pelo processo.
O estudo apresentado pela equipa coordenada pela Dra Lucília Salgado incidiu sobre sujeitos certificados com o nível básico. Facilmente se almeja que os efeitos benéficos do processo venham a ser ainda mais significativos quando pudermos ter acesso aos resultados decorrentes da observação de candidatos com o nível secundário de certificação. O aumento da auto-confiança e da percepção de auto-eficácia é notório e evidente, também para os elementos das equipas técnico-pedagógicas que acompanham estes adultos, desde a sua entrada no Centro Novas Oportunidades até à certificação de nível secundário. Há, aliás, um processo de transformação inesperado, quase imediato, após a realização da sessão de júri, que é perceptível para estes profissionais. A mudança comportamental é, por vezes, de tal ordem que o adulto parece ter vestido "o fato do certificado".
Devemos, no entanto, manter a capacidade de observar alterações nestes efeitos eufóricos do processo RVCC junto dos candidatos. Pensamos como Einstein que "uma mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original", mas parece-nos ainda cedo para garantir que houve, de facto, apropriação de uma nova perspectiva por parte das famílias em causa.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Da educação popular à educação de segunda oportunidade

Neste espaço virtual, encontra-se alojado um texto que pode ajudar interessados e curiosos a reflectir sobre a evolução da educação de adultos nas últimas décadas.
O 25 de Abril de 1974 foi acompanhado pela explosão do movimento social popular que se seguiu ao golpe de Estado e que atingiu diversas áreas da vida social – entre estas, a educação de adultos. Para este campo de práticas, a Direcção-Geral de Educação Permanente, criada ainda em 1972, sob o regime autoritário, dinamizou uma política pública inovadora para o contexto português que procurou dar resposta às solicitações de iniciativa popular.
Em 1976, a Constituição da República Portuguesa estabeleceu no Art.º 73.º que todos têm acesso à educação, reforçando deste modo o trabalho levado até então.
Após 1976, no âmbito do processo de normalização política pós-revolucionária, a política anteriormente promovida pela Direcção-Geral de Educação Permanente foi abandonada pelo Governo então em funções.
É contudo a corrente de educação popular, então menos entusiasta que alguns anos antes, que reassume um papel decisivo na elaboração do Plano Nacional de Alfabetização e Educação de Base dos Adultos, em 1979.
Em 1986 é aprovada a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86). Esta Lei definiu a educação de adultos como subsector que integrou duas ofertas: o ensino recorrente e a educação extra-escolar.
Contando com uma importante contribuição financeira dos fundos estruturais comunitários, o Programa Operacional de Desenvolvimento da Educação de Adultos em Portugal foi lançado em 1989. Este integrou um sub-programa destinado à educação de adultos, tido por tal como um sector de intervenção prioritária. A gravidade da situação educativa do país justificava a finalidade definida neste Programa: a promoção da qualificação da mão-de-obra no quadro de um esforço de modernização económica.
Entre 1995 e 2002, os governos socialistas eleitos avançaram com um conjunto de propostas que visaram “relançar a política de educação de adultos”. O trabalho então levado a cabo permitiu o surgimento do “S@ber +. Programa para o Desenvolvimento e Expansão da Educação e Formação de Adultos”, da responsabilidade da Agência Nacional para a Educação e Formação de Adultos (ANEFA).
Segundo os decisores políticos, a modernização da economia, o necessário aumento da competitividade e a omnipresença de novas tecnologias exigiam trabalhadores mais qualificados, com maior capacidade de adaptação, detentores de outros e mais complexos conhecimentos e competências.
Suportadas pela abordagem das competências, e já não em conteúdos de natureza escolar e disciplinar, o reconhecimento, validação de competências adquiridas informalmente ou em contexto de trabalho, bem como o desenvolvimento de novos modelos, metodologias e materiais de intervenção pedagógica e socioeducativa emergiram como estratégias educativas e formativas centrais.
Deste modo, em meados da década de 1990, a educação de adultos parecia ter assumido um lugar de destaque nos debates políticos sobre educação. É neste quadro que surgem um conjunto de ofertas educativas e formativas que alargam a participação dos adultos e reforçam dimensões sociais, económicas e políticas da sua participação em sociedade.
Desde 2005, a Iniciativa Novas Oportunidades, retomou as principais ofertas do Programa S@ber+, sendo hoje estas ofertas da responsabilidade da Agência Nacional para a Qualificação que possui uma dupla tutela do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e Segurança Social. Em resultado de uma mais evidente articulação com as políticas de emprego e de modernização tecnológica da economia portuguesa, esta Iniciativa tem como finalidade dar um forte impulso à qualificação dos portugueses, integrando dois pilares: as ofertas dirigidas aos jovens e aquelas dirigidas aos adultos.
Em suma, no quadro do relançamento da educação de adultos em finais da década de 1990, novas ofertas são apresentadas aos adultos, ofertas estas que a Iniciativa Novas Oportunidades retoma, em 2005, atribuindo um relevante alento à política pública de educação e formação de adultos.

É num quadro profundamente contraditório que a promoção do direito à educação de adultos através das políticas públicas coexiste com outras prioridades, desafios e problemas, alguns de natureza económica e social, deixando-nos dúvidas relativamente ao cumprimento das ideias contidas na Constituição de 1976, mas reservando espaços para outras possibilidades, algumas destas promotoras da emancipação e de uma democracia de melhor qualidade.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Valor Acrescentado na Educação e Formação de Adultos


"Calcular o valor acrescentado de uma escola significa tentar perceber que valor a escola acrescenta, através do seu trabalho, ao nível inicial de conhecimentos dos alunos que recebeu. Ou seja, importa perceber se uma escola apresenta alunos com bons resultados finais, devido ao facto de os seus alunos serem no geral bons alunos e, como tal, terem bons resultados independentemente dos esforços da escola ou, pelo contrário, devido ao facto de a escola ter desenvolvido práticas de ensino/aprendizagem, eventualmente em alunos com resultados à entrada mais débeis, que lhes permitiram obter bons resultados." Mais aqui

No Processo de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências, somos algumas vezes confrontados com a crítica de vozes dissonantes que teimam em enfatizar que os adultos não vão aprender nada com a passagem pelo processo. Seria certamente interessante podermos, daqui por alguns anos, estar em condições de averiguar se, de facto, não há VALOR ACRESCENTADO no percurso do Adulto quando se dirige a um Centro Novas Oportunidades ou se, pelo contrário, a intervenção da Equipa Técnico-Pedagógica fez toda a diferença. Munido de um Plano de Desenvolvimento Pessoal, o adulto é lançado na aventura da Aprendizagem ao Longo da Vida. Deveríamos ter a capacidade de acompanhar o seu progresso ao longo do tempo.

No que respeita às escolas, a atenção dos investigadores está cada vez mais centrada nos professores, designadamente no papel que cada professor tem na melhoria dos resultados escolares de cada aluno, pelo que importa esclarecer "em que medida é o bom professor que faz o bom aluno ou é o bom aluno que faz o bom professor".

Mas como é que se pode avaliar as escolas e os professores tendo em conta o progresso dos alunos ao longo do tempo? Como é que se pode avaliar o valor académico que cada escola e cada professor acrescenta ao desempenho de cada aluno? Em que medida é que a avaliação do valor acrescentado no desempenho académico de cada aluno pode contribuir para a melhoria generalizada das actividades das escolas, ensino dos professores, e aprendizagem dos alunos?

No passado dia 6 de Janeiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, aconteceu o Encontro FLE (Fórum para a Liberdade de Educação), subordinado ao tema: AVALIAÇÃO E EQUIDADE, Como Medir o Valor Acrescentado de Escolas e Professores?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Reflexos e Resultados do Estudo sobre Literacia Familiar


A Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) foi o local escolhido para a apresentação, no dia 14 de Janeiro, dos resultados do estudo sobre literacia familiar, coordenado por Lucília Salgado, docente e investigadora naquela instituição.

Este estudo pretende contribuir para a análise do impacto que os Centros Novas Oportunidades, através dos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, têm no desenvolvimento educativo dos adultos e na maneira como a aprendizagem por parte destes se reflecte na interacção com os filhos, favorecendo, assim, os processos de aprendizagem das crianças no seio familiar, em especial aquelas que se encontram a frequentar o 1.º ciclo do ensino básico, promovendo-se, dessa forma, a literacia familiar.

A apresentação deste estudo insere-se num seminário que, por sua vez, é integrado num ciclo de dez conferências, que têm vindo a decorrer na ESEC, sobre Educação, Lazer e Desenvolvimento Local, no âmbito do Mestrado em Educação de Adultos e Desenvolvimento Local, ministrado naquela instituição.

Fonte: Novas Oportunidades

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Knocking on a 2011's door

Entra um Ano Novo e parece que tudo muda...

Vejo empresas a fazer inventários e a actualizar preços.
Vejo organizações a estimular os colaboradores para que os resultados sejam melhores que no ano transacto.
Vejo pessoas a tomar resoluções que só se tomam nesta época.
Vejo muitas oportunidades por detrás das nuvens típicas do inverno informativo em que parecemos estar mergulhados.
Vejo jovens a olhar para o futuro com uma esperança que temos o dever de ESTIMULAR.
Vejo soluções a despontar para problemas aparentemente insolúveis, sob a égide da CRIATIVIDADE
Vejo o planeta a girar e a percorrer o Universo, como sempre fez, desde tempos de que não há história e que eu não podia ainda ver... Vejo o planeta a continuar a girar, mesmo depois de eu ter perdido a capacidade de ver...

Mãos à obra! Foi o que fizeram na Madeira quando ficaram sem casas, depois da enxurrada. AGORA. Porque já não há tempo para hesitar e porque é assim que conheço o meu país em tempos de grandes dificuldades.
Cada um de nós tem um papel fundamental para desempenhar. TODOS, sem excepção, são necessários para fazer de Portugal uma plataforma para o sucesso.

Utopia? melhor ainda: somos gente de grandes desafios, gostamos do que nos ultrapassa, somos excelentes quando a tarefa é maior.
Louis Armstrong sabia-o quando nos deixou esta provocação:


FELIZ ANO NOVO!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Boas Festas


Chegou o tempo de meditar sobre o caminho já percorrido e as opções que iremos escolher seguir no próximo ano. Em Janeiro de 2011, inicia-se um novo ciclo para a Iniciativa Novas Oportunidades, com novos compromissos e definição de Metas e indicadores virados para a convergência com o Quadro Estratégico de Cooperação Europeia em matéria de Educação e Formação (EF 2020) e o Projecto Metas educativas 2021, no âmbito da Organização dos Estados Ibero-Americanos. Teremos que estabelecer metas anuais, metas até 2015, metas até 2020 e 2021. Muito trabalho e dedicação nos espera em anos vindouros. Até 2020, por exemplo, uma média de pelo menos 15 % de adultos deverá participar na aprendizagem ao longo da vida.
Até lá, ficam os nossos votos de um excelente final de 2010 com prendas no sapatinho! :))
Até 2011!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desempregados encaminhados para os CNO

Tendo em vista o prosseguimento dos trabalhados que têm vindo a ser realizados no sentido de fazer do 12.º ano de escolaridade o patamar mínimo de qualificação dos portugueses, foi determinado, através do Despacho n.º 17658/2010, de 25 de Novembro que os cidadãos desempregados inscritos nos Centros de Emprego que:
  • não sejam detentores do 12.º ano de escolaridade
  • não estejam a frequentar uma modalidade de qualificação no âmbito do Sistema Nacional de Qualificações
  • e cujo perfil de empregabilidade se afigure pouco adequado às ofertas de emprego existentes

...devem ser encaminhados para um Centro Novas Oportunidades a fim de frequentarem um percurso formativo que lhes permita obter aquele nível de escolaridade. Assim, ao Instituto do Emprego e Formação Profissional caberá:

  • definir as prioridades de intervenção e a convocatória de todos os desempregados com o intuito de lhes prestar os esclarecimentos necessários acerca das diversas modalidades de qualificação existentes no Sistema Nacional de Qualificações;
  • reformular o Plano Pessoal de Emprego de cada desempregado;
  • proceder ao encaminhamento destes para um Centro Novas Oportunidades.

A Agência Nacional para a Qualificação ficará encarregue de proceder à inscrição e encaminhamento dos desempregados para as vias formativas mais adequadas às características daqueles e de fornecer aos Centros de Emprego todos os dados indispensáveis ao cumprimento dos Planos Pessoais de Emprego.

Fonte: Novas Oportunidades

domingo, 5 de dezembro de 2010

Paixão e Desafio - Lisboa 2010

Em 2010, Lisboa, com orgulho, dá as boas vindas à 2ª edição do Euroskillls e às centenas de concorrentes, peritos e jurados, em representação de 31 países e de 50 saídas profissionais.

Oportunidade para demonstrar, testar, comprovar e melhorar metodologias de trabalho e de formação; para aprofundar parcerias e reforçar padrões comuns no espaço europeu.

Oportunidade para o encontro entre os principais actores da formação profissional: responsáveis e decisores políticos, parceiros sociais, peritos, formadores e professores, empresas e escolas.

Oportunidade para uma demonstração ao vivo das profissões, promovendo a excelência e o reconhecimento dos melhores formandos e formadores.



De 09 a 12 de Dezembro na FIL.


Consulte o Programa e as competições AQUI


SKILLA e SKILLO são as duas mascotes. Elas configuram as competições do EuroSkills Lisboa 2010. Porque a sua versatilidade lhes dá a capacidade de poderem representar todas as profissões.







quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Balanço...

Foi na cidade berço que ontem, dia 30 de Novembro de 2010, se juntaram elementos de diversas equipas técnico-pedagógicas de Centros disseminados pelo país.
Cada viagem é uma experiência”. E foi com estas palavras de Roberto Carneiro que, após a sessão de abertura, se procedeu à “ordem de trabalhos”.
Num contínuo esforço e investimento, sob um céu cinzento e choroso, foram muitos os quilómetros percorridos por muitos para, também sob o espectro de luz espelhado em Arco-íris, (re)encontrar colegas (unidos pelo propósito de consolidar a Educação Permanente e Formação de Adultos, cristalizando-a em pressupostos sólidos) e...


...fazer um ponto de situação relativamente aos resultados e evidências da Iniciativa Novas Oportunidades e dos Estudos de Avaliação Externa

...partilhar boas práticas de Centros Novas Oportunidades, fundamento da importância do trabalho em rede

...reflectir sobre o novo ciclo da Iniciativa Novas Oportunidades, rumo a 2015


Liderança, inovação, conhecimento, invenção, astúcia, visão e confiança foram as palavras sinalizadas como essenciais para fazer emergir qualquer projecto ou dar continuidade, de forma sólida e confiante, a outros que já existam. Assim acontece com os Centros.
Nesta Sociedade da Informação e do Conhecimento que nos alberga enquanto cidadãos e aprendentes, vemo-nos perante um novo desafio: “das Novas Oportunidades às Novas Necessidades”, como foi referido. Assim, a INO (Iniciativa Novas Oportunidades) será prefixo e motor de:

  • INOvação social
  • INOvação cultural

  • INOvação económica

Rumo...? Life Long Learning!
E, neste contexto, Luís Capucha, Presidente da ANQ, apresentou o esboço do que será o Novo Ciclo desta Iniciativa, referindo as metas e os objectivos estratégicos a alcançar no período compreendido entre 2011 e 2015. Desta forma, foi enfatizada a importância/necessidade de (entre outros aspectos) consolidar e alargar a oferta destinada a jovens e desenvolver novas e mais oportunidades de acesso a Aprendizagem ao Longo da Vida. Com esta estratégia renovada pretender-se-á, então:

  • Sustentar o que já existe

  • Mobilizar novos públicos para a importância capital do aumento de qualificações

Mas, em termos práticos e operacionais, creio que (ainda) pode ser colocada a questão: o que acontecerá, efectivamente, aos Centros e aos recursos humanos afectos aos mesmos? De forma a dar visibilidade e estrutura a esta nova dinâmica organizacional e funcional, será necessário extrair um pouco de cada cor do espectro do Arco-íris de modo a colorir cada passo... rumo a (2011 e...) 2015.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

4º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades

"O 4.º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades terá lugar, no dia 30 de Novembro, no Pavilhão Multiusos, em Guimarães.
Este encontro, levado a cabo pela Agência Nacional para a Qualificação, através dos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, irá focar-se no que tem sido a Iniciativa Novas Oportunidades e no trajecto que a mesma seguirá. Desta forma, o encontro integrará um primeiro momento de apresentação pública dos resultados e evidências dos estudos de avaliação externa do eixo adultos desta Iniciativa.
A segunda parte do encontro visa revelar e divulgar boas práticas desenvolvidas em Centros Novas Oportunidades."

Fonte: aqui


Os interessados em participar neste encontro poderão fazê-lo através do preenchimento do formulário disponível em http://www.4encontro.com/formulario.html .

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

“Os desafios da formação profissional multidisciplinar”


Consciente da importância do desenvolvimento profissional no contexto da actual sociedade (caracterizada pela constante mudança, complexidade e dinamismo), a European Association for Practitioner Research on Improving Learning in Education and Professional Practice (EAPRIL), promove, entre 24 e 26 de Novembro, em Lisboa, uma conferência dedicada ao tema "Os desafios da formação profissional multidisciplinar".

Esta conferência...
...tem como destinatários:
  • investigadores
  • formadores
  • consultores na área da educação/formação
  • profissionais de gestão e desenvolvimento de organizações
  • formadores de formadores
  • professores
  • especialistas de recursos humanos e académicos que actuam no campo da formação profissional

...tem como objectivo promover o debate em torno do desenvolvimento de práticas de educação e formação em contextos empresariais, educativos e de formação, incluindo a aprendizagem em contexto de trabalho.

...assumir-se-á também como um espaço de discussão e partilha de ideias, colocando em cima da mesa temas como:

  • "Competências profissionais dos professores: perspectivas e problemas em tempo de redefinição da aprendizagem e escolaridade"
  • "Como se instala a curiosidade?"
  • "Aulas sem paredes/fronteiras"
  • "O que é a formação profissional? Contribuição de um ponto de vista educativo".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Encontros de Reflexão EFA

A Agência Nacional para a Qualificação, a DRELVT e o IEFP estão a promover Encontros de Reflexão sobre a realidade territorial da implementação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos.
Hoje, aconteceu na Escola Secundária D. Inês de Castro e reuniu "à mesma mesa" realidades diferentes de entidades formadoras diversas, da NUT III Oeste. Nestes Encontros, quando a reflexão acontece, como foi o caso, há sempre lugar a descobertas. Falámos de públicos tão diversos quanto o são adultos em situação de desemprego, jovens adultos à procura de uma alternativa para concluir o ensino secundário ou candidatos de motivação heterogénea, inseridos em turmas onde a formação é, por vezes, homogeneizada demais...
Fica aqui uma das apresentações (infelizmente desconfigurada no carregamento para o Universo Virtual) em jeito de ponto de partida para outras reflexões possíveis.
Fica também o desafio para espreitar o trabalho desenvolvido por alguns dos formandos EFA, plasmado aqui.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Programa “Aprendizagem ao longo da Vida": candidaturas para 2011


Foi recentemente lançado o anúncio geral a candidaturas para 2011 referente ao Programa “Aprendizagem ao longo da Vida”, como aqui é referido.

Desta forma, tanto os cidadãos como as organizações nos domínios da educação escolar ou superior, da formação profissional e da educação de adultos podem submeter candidaturas às diversas e numerosas medidas apoiadas por este programa. Aqui, incluem-se, entre outros, os seguintes programas:

  • Comenius;
  • Erasmus;
  • Leaonardo da Vinci;
  • Grundtvig.

Toda a informação necessária para concretizar uma candidatura ao Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, e em especial as prioridades deste anúncio para 2001 e o Guia do Programa, estão disponíveis aqui, onde poderá seleccionar a Língua Portuguesa.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Tão longe e tão perto, já viu, amiga?"

Há alguns dias atrás, soubemos que um dos Avaliadores Externos, com quem costumávamos trabalhar, tinha ido para o Afeganistão, numa missão oficial do Exercito, chefiando uma equipa de formadores. Embora se trate de uma missão de Paz e, portanto, de nobre causa, sentimos, de imediato, o perigo que a viagem podia conter em si, por se tratar de uma zona em constante convulsão.
Quem passa pela experiência do Processo de Reconhecimento de Competências sabe que se estabelece uma relação muito especial entre os elementos da Equipa, os Adultos e todos os outros participantes, especificamente os Avaliadores Externos. De facto, poder participar no reconhecimento social de alguém, com o carácter ritualístico que a Sessão de Júri lhe confere, envolve os seus participantes numa cumplicidade homeostática, com efeitos que perduram, quer no domínio individual quer na vertente social e cultural, pilares da dimensão humana.
É óbvio que nos sentimos implicados ao saber que um dos nossos Amigos ia partir, mas com os meios de comunicação que estão à nossa disposição no século XXI, o longe torna-se perto, num instante.
E assim aconteceu, ontem... Uma mensagem directa no "chat" do Gmail aparecia: "Tão longe e tão perto, já viu, amiga?"
Tão longe no espaço, do Afeganistão até Portugal; tão perto no tempo, graças à comunicação instantânea que a Internet proporciona; tão longe nas vivências, tão perto na relação humana.
E a reflexão sugere que o longe se torna perto e que a distância não conta quando a amizade transcende o espaço e o tempo.
Também com os candidatos certificados, enviados para missões fora do Centro Novas Oportunidades, acontece esta ligação que convida a alimentar as relações que se estabelecem, numa perspectiva de mundo global em construção, onde a Amizade aparece como sentimento regulador e fortalecedor de redes sociais cada vez mais poderosas... Estaremos a assistir à emergência de um novo poder? Outra visão da realidade? Será que estamos prestes a deixar transbordar os sentimentos do virtual para a realidade? Haverá aqui algo prestes a acordar?

domingo, 31 de outubro de 2010

7 Saberes (necessários à Educação do Futuro)

Num fim-de-semana que, além de mais extenso do que o habitual, nos “ofereceu” a hora que nos “roubou” há uns meses atrás, vale a pena aproveitar alguns minutos dessa hora para reflectir sobre os 7 Saberes que Edgar Morin definiu como essenciais à Educação do Futuro:

  1. erro e ilusão (não afastar o erro do processo de aprendizagem, mas sim integrá-lo nesse processo, para que o conhecimento avance);
  2. o conhecimento pertinente (juntar as mais variadas áreas de conhecimento, contra a fragmentação);
  3. ensinar a condição humana (não somos um algo só – somos indivíduos culturais, psíquicos, físicos, míticos, biológicos, etc.);
  4. identidade terrena (a Terra é um pequeno planeta que precisa ser sustentado);
  5. enfrentar as incertezas (a ciência deve trabalhar com a ideia de que existem coisas incertas);
  6. ensinar a compreensão (a comunicação humana deve basear-se na compreensão, pelo que esta deve existir entre departamentos de uma escola, entre alunos e professores, etc.);
  7. ética do género humano (não desejar para os outros aquilo que não queremos para nós).




Assim, numa sociedade (da informação e do conhecimento) cada vez mais fluida e exigente (exige competências, flexibilidade e elasticidade de pensamento e uma sábia gestão do tempo, entre muitos outros requisitos que fazem do Ser Humano um verdadeiro Ser em Devir), estes 7 Saberes vestem-se de significado não apenas a pensar num “amanhã” a médio ou longo prazo, mas também num “amanhã” a curto prazo porque tudo deve estar integrado...

...para permitir mudança de pensamento!


...para que se transforme a concepção fragmentada e dividida do mundo, que impede a visão total da realidade!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Avaliação externa do Eixo «Adultos» da Iniciativa Novas Oportunidades


A avaliação externa do eixo adultos da Iniciativa Novas Oportunidades resulta de um protocolo firmado no dia 14 de Abril de 2008, entre a Agência Nacional para a Qualificação, I.P. (ANQ) e a Universidade Católica Portuguesa (UCP), e incide sobre dois eixos fundamentais das actuais políticas de educação e formação de adultos.
O primeiro eixo está orientado para a produção, tratamento e análise de indicadores de cumprimento dos objectivos estratégicos do Eixo «Adultos» da Iniciativa Novas Oportunidades e do funcionamento dos Centros Novas Oportunidades, no quadro das políticas e dos objectivos desta mesma Iniciativa, da sua real e potencial procura e do seu impacto sobre os percursos sociais e profissionais dos activos que a ela recorrem.
O segundo eixo compreende a monitorização e a auto-avaliação da rede de implementação da Iniciativa e procura fornecer informação sobre o desempenho e grau de maturidade organizacional dos Centros Novas Oportunidades e de todo o sistema de qualificação de adultos.
Os trabalhos da Avaliação Externa do Eixo «Adultos» da Iniciativa Novas Oportunidades realizados no ano de 2010 centraram-se em:
- Inquéritos de Qualidade e Satisfação à procura real nos Centros Novas Oportunidades e nas diversas etapas do processo;
- Estudo de Impactos da Iniciativa;
- Estudo de Motivação para aderir à Iniciativa;
- Estudos de caso de Centros Novas Oportunidades e Inquérito de Balanço de Competências;
- Estudos de percepções de qualidade de serviço e de satisfação:
- Auto-avaliação de Centros Novas Oportunidades/Adequação do Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa (SIGO) às necessidades de avaliação.

Fonte: Aqui
Para saber mais:

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Competências Ecológicas

O tempo não se circunscreve ao “hoje” e, embora seja um importante factor promotor da mudança, não é suficiente reflectir sobre o “ontem”. Não se vive, também, apenas com os sentidos colocados no “amanhã”... Encontramo-nos “aqui”, numa conta derramada do colar do tempo em que é tão necessário parar para pensar como pensar para mudar - agir! -, em prol de uma cidadania activa e consciente.

A nova publicação do CEDEFOP agrega relatórios sobre a evolução observada em seis Estados-Membros da União Europeia e demonstra que para atingir uma economia de baixo carbono, é necessário inventar novas maneiras de produzir bens e serviços. Para incentivar a inovação e melhorar as infra-estruturas, são necessárias “competências verdes" ou "ecológicas”.
Os postos de trabalho que correspondem aos objectivos de uma economia de baixo carbono tornaram-se num pilar das políticas para o crescimento sustentável e inclusivo. Por outro lado, as empresas, para criarem esses empregos, precisam de apoios públicos, que devem assumir a forma, não apenas de regulação ambiental e estratégias energéticas sustentáveis, mas também de promoção do direito à educação e à formação.

O relatório síntese europeu do CEDEFOP sobre as competências para empregos verdes reúne as conclusões dos relatórios nacionais de países como:
  • Dinamarca
  • Estónia
  • França
  • Alemanha
  • Espanha
  • Reino Unido.
Os estudos de caso mostram que a integração das questões do desenvolvimento sustentável nas qualificações existentes é muito mais eficaz do que a criação de novas e específicas qualificações.

Fonte: aqui

sábado, 16 de outubro de 2010

Relatório da OCDE: Portugal 2010

No Relatório "OECD Economic Surveys: Portugal 2010", lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, é destacada a importância da formação vocacional enquanto instrumento essencial de diversificação do ensino secundário e da educação de adultos em Portugal, nomeadamente com a Iniciativa Novas Oportunidades.
De acordo com este relatório, "os programas de educação e formação profissional têm sido implementados com resultados encorajadores", sendo também focados os progressos alcançados junto do público adulto.
A este respeito é, por exemplo, referenciado que "desde 2007, mais de um milhão de candidatos se envolveu no eixo adultos, através dos Centros Novas Oportunidades, 63% dos quais se encontram empregados e 33% desempregados. Trata-se de uma experiência única a este nível". Como complemento do que foi alcançado com estas estratégias, a OCDE recomenda a Portugal o reforço das parcerias que tem vindo a estabelecer, envolvendo centros de formação profissional, parceiros sociais, municípios e autarquias e empresas. Portugal deverá ainda apostar na flexibilização da aprendizagem, criando soluções em part-time ou a distância que sejam compatíveis com o dia-a-dia da vida adulta.
No que respeita à educação, o relatório debruça-se ainda sobre a necessidade de Portugal apetrechar os docentes com instrumentos que lhes permitam melhorar as suas competências e os seus métodos de ensino...
Fonte: aqui
Para saber mais: aqui

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Educação como acesso à democracia

Na passada 2.ª feira, decorreu a conferência “Questões-Chave da Educação", organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), na Universidade do Algarve, em Faro. O ciclo de conferências promovido por esta fundação visa:
  • fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais;
  • contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica;
  • proporcionar o debate entre especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.
Nesta conferência, Fernando Savater explicou que a educação cívica “não se refere à instrução básica ou à mera preparação para realizar tarefas laborais em qualquer campo, por mais que seja essencial a aquisição de tais conhecimentos e aptidões”, mas está relacionada com o sistema democrático.
A “ignorância” que o filósofo teme é “a incapacidade de expressar exigências sociais inteligíveis para a comunidade ou entender as exigências formuladas por outros”.
Fernando Savater frisa que o grande problema da democracia é “a predominância generalizada da maré de ignorância” e a educação cívica é única melhor forma de a combater.
“Nas nossas sociedades pluralistas, a questão da educação cívica está directamente ligada ao tema da tolerância. Não há educação cívica que não fomente a tolerância democrática”. Por isso, sublinha que “devemos educar para prevenir tanto o fanatismo como o relativismo”.
Savater considera que o “fanático é aquele que não suporta viver com os que pensam de forma diferente por medo de descobrir que também ele não está seguro daquilo em que diz acreditar”.
Fonte: aqui

Desde o Ensino Básico ao Processo de RVCC (que ilustram duas vias tão diferentes de acesso e progresso no caminho formativo e entre as quais tantas outras se incorporam), a Formação Cívica e a Cidadania (e Empregabilidade... e Profissionalidade...) marcam a sua presença no dia-a-dia. O desenvolvimento de valores como o respeito mútuo, regras de convivência, tolerância e solidariedade conduz a uma participação mais efectiva e iluminada na vida da comunidade. Assim, criam-se laços mais fortes numa rede social da qual dependemos e que depende de cada um.
Entre a “ignorância” temida por Fernando Savater e a “libertação” veiculada por Paulo Freire pode sinalizar-se um ponto de quiasma. Também este reconhecido educador e filósofo visava a elucidação e conscientização de todas as pessoas (sobretudo, das provenientes de classes oprimidas), pois apenas esse caminho poderia levá-las à libertação e ao delinear de uma igualdade e cidadania planetária.
E este, no fundo, passa também por ser um dos objectivos do Processo de RVCC – um processo de...
...descoberta!
...libertação!
...conscientização!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Sessão de Júri ou o olhar dos OUTROS


Ontem, houve mais uma sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades que coordeno e, tal como em tantos outros Centros Novas Oportunidades por esse país fora, recebemos imenso por parte dos candidatos que nos presenteiam com aprendizagens várias, decorrentes de suas diversas experiências de vida.
Foi uma Sessão de Júri diferente, porque a apresentação final foi efectuada em grupo: tratava-se de pessoas que, no seu dia a dia, trabalham na mesma empresa, uma empresa de cerâmica. Ali, à nossa frente, mostraram um caminho de criação, desde a concepção do objecto, passando pela escolha do barro, cuja consistência é medida com um aparelho chamado "penetrómetro" (as coisas que se aprendem nas Sessões de Júri!), todo o trabalho na cadeia de produção, até ao produto final, embalado e etiquetado.
Foi uma alegoria (embora concreta) do trabalho em equipa que é, afinal, o grande segredo do funcionamento da vida.
Se quisermos, encontramos equipas em todos os sectores de existência e descobrimos facilmente que dependemos todos uns dos outros, que dependemos da qualidade e da dedicação de todos os que nos rodeiam. Aliás, dependemos tanto dos outros que passamos facilmente para o recurso ao locus externo (primeiro procuramos no outro a solução), antes de nos centrarmos na nossa responsabilidade perante os percalços da vida e da actividade que desenvolvemos.
Mas quando existe harmonia, quando os elementos de uma equipa se juntam sinergeticamente para um resultado comum, então pode-se obter algo que é bem mais que a simples soma das partes...Basta lembrar que juntando Hidrogénio e Oxigénio de uma determinada maneira, se obtém água. Que trabalho de Equipa perfeito, este, que permite equilíbrio e transporta vida!
O processo RVCC pressupõe um trabalho de equipa, também, cuja composição ultrapassa muito os muros dos Centros Novas Oportunidades onde ele se realiza. O candidato precisa do trabalho de equipa do seu pequeno mundo familiar para se poder ausentar de casa, enquanto dedica tempo à construção do Portefólio Reflexivo de Aprendizagens, por exemplo. A Profissional de Reconhecimento e Validação de Competências, já necessitou do trabalho efectuado pela Técnica de Diagnóstico, que já dependeu da Técnica Administrativa, mas vai ainda ser preciso articular com os formadores.... e cada um destes elementos tem o seu pequeno mundo familiar e social que precisa de garantir que esteja articulado e harmonioso.
Sim, fazemos todos parte de uma grande família com múltiplas articulações, temos objectivos por vezes comuns, por vezes diferentes, assim como são diferentes as funções de um pé de trigo ou as de uma orquídea. Todos temos histórias múltiplas nas histórias das nossas vidas...Mas temos uma faceta comum: precisamos de OUTROS.
Na Sessão de Júri, é por intermédio do olhar dos OUTROS que as competências são reconhecidas, validadas e certificadas. E aqui, passa-se para um patamar diferente: do pequeno núcleo familiar ou profissional, acontece o salto para o reconhecimento social e, last but not the least a certificação concede o reconhecimento nacional e internacional. Cada um dos candidatos é olhado e reconhecido como uma peça harmoniosa de uma equipa maior....