Tendo em vista o prosseguimento dos trabalhados que têm vindo a ser realizados no sentido de fazer do 12.º ano de escolaridade o patamar mínimo de qualificação dos portugueses, foi determinado, através do Despacho n.º 17658/2010, de 25 de Novembro que os cidadãos desempregados inscritos nos Centros de Emprego que:
não sejam detentores do 12.º ano de escolaridade
não estejam a frequentar uma modalidade de qualificação no âmbito do Sistema Nacional de Qualificações
e cujo perfil de empregabilidade se afigure pouco adequado às ofertas de emprego existentes
...devem ser encaminhados para um Centro Novas Oportunidades a fim de frequentarem um percurso formativo que lhes permita obter aquele nível de escolaridade. Assim, ao Instituto do Emprego e Formação Profissional caberá:
definir as prioridades de intervenção e a convocatória de todos os desempregados com o intuito de lhes prestar os esclarecimentos necessários acerca das diversas modalidades de qualificação existentes no Sistema Nacional de Qualificações;
reformular o Plano Pessoal de Emprego de cada desempregado;
proceder ao encaminhamento destes para um Centro Novas Oportunidades.
A Agência Nacional para a Qualificação ficará encarregue de proceder à inscrição e encaminhamento dos desempregados para as vias formativas mais adequadas às características daqueles e de fornecer aos Centros de Emprego todos os dados indispensáveis ao cumprimento dos Planos Pessoais de Emprego.
Em 2010, Lisboa, com orgulho, dá as boas vindas à 2ª edição do Euroskillls e às centenas de concorrentes, peritos e jurados, em representação de 31 países e de 50 saídas profissionais.
Oportunidade para demonstrar, testar, comprovar e melhorar metodologias de trabalho e de formação; para aprofundar parcerias e reforçar padrões comuns no espaço europeu.
Oportunidade para o encontro entre os principais actores da formação profissional: responsáveis e decisores políticos, parceiros sociais, peritos, formadores e professores, empresas e escolas.
Oportunidade para uma demonstração ao vivo das profissões, promovendo a excelência e o reconhecimento dos melhores formandos e formadores.
SKILLA e SKILLO são as duas mascotes. Elas configuram as competições do EuroSkills Lisboa 2010. Porque a sua versatilidade lhes dá a capacidade de poderem representar todas as profissões.
Foi na cidade berço que ontem, dia 30 de Novembro de 2010, se juntaram elementos de diversas equipas técnico-pedagógicas de Centros disseminados pelo país. “Cada viagem é uma experiência”. E foi com estas palavras de Roberto Carneiro que, após a sessão de abertura, se procedeu à “ordem de trabalhos”. Num contínuo esforço e investimento, sob um céu cinzento e choroso, foram muitos os quilómetros percorridos por muitos para, também sob o espectro de luz espelhado em Arco-íris, (re)encontrar colegas (unidos pelo propósito de consolidar a Educação Permanente e Formação de Adultos, cristalizando-a em pressupostos sólidos) e...
...fazer um ponto de situação relativamente aos resultados e evidências da Iniciativa Novas Oportunidades e dos Estudos de Avaliação Externa
...partilhar boas práticas de Centros Novas Oportunidades, fundamento da importância do trabalho em rede
...reflectir sobre o novo ciclo da Iniciativa Novas Oportunidades, rumo a 2015
Liderança, inovação, conhecimento, invenção, astúcia, visão e confiança foram as palavras sinalizadas como essenciais para fazer emergir qualquer projecto ou dar continuidade, de forma sólida e confiante, a outros que já existam. Assim acontece com os Centros. Nesta Sociedade da Informação e do Conhecimento que nos alberga enquanto cidadãos e aprendentes, vemo-nos perante um novo desafio: “das Novas Oportunidades às Novas Necessidades”, como foi referido. Assim, a INO (Iniciativa Novas Oportunidades) será prefixo e motor de:
INOvação social
INOvação cultural
INOvação económica
Rumo...? Life Long Learning! E, neste contexto, Luís Capucha, Presidente da ANQ, apresentou o esboço do que será o Novo Ciclo desta Iniciativa, referindo as metas e os objectivos estratégicos a alcançar no período compreendido entre 2011 e 2015. Desta forma, foi enfatizada a importância/necessidade de (entre outros aspectos) consolidar e alargar a oferta destinada a jovens e desenvolver novas e mais oportunidades de acesso a Aprendizagem ao Longo da Vida. Com esta estratégia renovada pretender-se-á, então:
Sustentar o que já existe
Mobilizar novos públicos para a importância capital do aumento de qualificações
Mas, em termos práticos e operacionais, creio que (ainda) pode ser colocada a questão: o que acontecerá, efectivamente, aos Centros e aos recursos humanos afectos aos mesmos? De forma a dar visibilidade e estrutura a esta nova dinâmica organizacional e funcional, será necessário extrair um pouco de cada cor do espectro do Arco-íris de modo a colorir cada passo... rumo a (2011 e...) 2015.
"O 4.º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades terá lugar, no dia 30 de Novembro, no Pavilhão Multiusos, em Guimarães.
Este encontro, levado a cabo pela Agência Nacional para a Qualificação, através dos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, irá focar-se no que tem sido a Iniciativa Novas Oportunidades e no trajecto que a mesma seguirá. Desta forma, o encontro integrará um primeiro momento de apresentação pública dos resultados e evidências dos estudos de avaliação externa do eixo adultos desta Iniciativa.
A segunda parte do encontro visa revelar e divulgar boas práticas desenvolvidas em Centros Novas Oportunidades."
Consciente da importância do desenvolvimento profissional no contexto da actual sociedade (caracterizada pela constante mudança, complexidade e dinamismo), a European Association for Practitioner Research on Improving Learning in Education and Professional Practice (EAPRIL), promove, entre 24 e 26 de Novembro, em Lisboa, uma conferência dedicada ao tema "Os desafios da formação profissional multidisciplinar".
Esta conferência...
...tem como destinatários:
investigadores
formadores
consultores na área da educação/formação
profissionais de gestão e desenvolvimento de organizações
formadores de formadores
professores
especialistas de recursos humanos e académicos que actuam no campo da formação profissional
...tem como objectivo promover o debate em torno do desenvolvimento de práticas de educação e formação em contextos empresariais, educativos e de formação, incluindo a aprendizagem em contexto de trabalho.
...assumir-se-á também como um espaço de discussão e partilha de ideias, colocando em cima da mesa temas como:
"Competências profissionais dos professores: perspectivas e problemas em tempo de redefinição da aprendizagem e escolaridade"
"Como se instala a curiosidade?"
"Aulas sem paredes/fronteiras"
"O que é a formação profissional? Contribuição de um ponto de vista educativo".
A Agência Nacional para a Qualificação, a DRELVT e o IEFP estão a promover Encontros de Reflexão sobre a realidade territorial da implementação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos.
Hoje, aconteceu na Escola Secundária D. Inês de Castro e reuniu "à mesma mesa" realidades diferentes de entidades formadoras diversas, da NUT III Oeste. Nestes Encontros, quando a reflexão acontece, como foi o caso, há sempre lugar a descobertas. Falámos de públicos tão diversos quanto o são adultos em situação de desemprego, jovens adultos à procura de uma alternativa para concluir o ensino secundário ou candidatos de motivação heterogénea, inseridos em turmas onde a formação é, por vezes, homogeneizada demais...
Fica aqui uma das apresentações (infelizmente desconfigurada no carregamento para o Universo Virtual) em jeito de ponto de partida para outras reflexões possíveis.
Fica também o desafio para espreitar o trabalho desenvolvido por alguns dos formandos EFA, plasmado aqui.
Foi recentemente lançado o anúncio geral a candidaturas para 2011 referente ao Programa “Aprendizagem ao longo da Vida”, como aqui é referido.
Desta forma, tanto os cidadãos como as organizações nos domínios da educação escolar ou superior, da formação profissional e da educação de adultos podem submeter candidaturas às diversas e numerosas medidas apoiadas por este programa. Aqui, incluem-se, entre outros, os seguintes programas:
Comenius;
Erasmus;
Leaonardo da Vinci;
Grundtvig.
Toda a informação necessária para concretizar uma candidatura ao Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, e em especial as prioridades deste anúncio para 2001 e o Guia do Programa, estão disponíveis aqui, onde poderá seleccionar a Língua Portuguesa.
Há alguns dias atrás, soubemos que um dos Avaliadores Externos, com quem costumávamos trabalhar, tinha ido para o Afeganistão, numa missão oficial do Exercito, chefiando uma equipa de formadores. Embora se trate de uma missão de Paz e, portanto, de nobre causa, sentimos, de imediato, o perigo que a viagem podia conter em si, por se tratar de uma zona em constante convulsão.
Quem passa pela experiência do Processo de Reconhecimento de Competências sabe que se estabelece uma relação muito especial entre os elementos da Equipa, os Adultos e todos os outros participantes, especificamente os Avaliadores Externos. De facto, poder participar no reconhecimento social de alguém, com o carácter ritualístico que a Sessão de Júri lhe confere, envolve os seus participantes numa cumplicidade homeostática, com efeitos que perduram, quer no domínio individual quer na vertente social e cultural, pilares da dimensão humana. É óbvio que nos sentimos implicados ao saber que um dos nossos Amigos ia partir, mas com os meios de comunicação que estão à nossa disposição no século XXI, o longe torna-se perto, num instante. E assim aconteceu, ontem... Uma mensagem directa no "chat" do Gmail aparecia: "Tão longe e tão perto, já viu, amiga?" Tão longe no espaço, do Afeganistão até Portugal; tão perto no tempo, graças à comunicação instantânea que a Internet proporciona; tão longe nas vivências, tão perto na relação humana. E a reflexão sugere que o longe se torna perto e que a distância não conta quando a amizade transcende o espaço e o tempo. Também com os candidatos certificados, enviados para missões fora do Centro Novas Oportunidades, acontece esta ligação que convida a alimentar as relações que se estabelecem, numa perspectiva de mundo global em construção, onde a Amizade aparece como sentimento regulador e fortalecedor de redes sociais cada vez mais poderosas... Estaremos a assistir à emergência de um novo poder? Outra visão da realidade? Será que estamos prestes a deixar transbordar os sentimentos do virtual para a realidade? Haverá aqui algo prestes a acordar?
Num fim-de-semana que, além de mais extenso do que o habitual, nos “ofereceu” a hora que nos “roubou” há uns meses atrás, vale a pena aproveitar alguns minutos dessa hora para reflectir sobre os 7 Saberes que Edgar Morin definiu como essenciais à Educação do Futuro:
erro e ilusão (não afastar o erro do processo de aprendizagem, mas sim integrá-lo nesse processo, para que o conhecimento avance);
o conhecimento pertinente (juntar as mais variadas áreas de conhecimento, contra a fragmentação);
ensinar a condição humana (não somos um algo só – somos indivíduos culturais, psíquicos, físicos, míticos, biológicos, etc.);
identidade terrena (a Terra é um pequeno planeta que precisa ser sustentado);
enfrentar as incertezas (a ciência deve trabalhar com a ideia de que existem coisas incertas);
ensinar a compreensão (a comunicação humana deve basear-se na compreensão, pelo que esta deve existir entre departamentos de uma escola, entre alunos e professores, etc.);
ética do género humano (não desejar para os outros aquilo que não queremos para nós).
Assim, numa sociedade (da informação e do conhecimento) cada vez mais fluida e exigente (exige competências, flexibilidade e elasticidade de pensamento e uma sábia gestão do tempo, entre muitos outros requisitos que fazem do Ser Humano um verdadeiro Ser em Devir), estes 7 Saberes vestem-se de significado não apenas a pensar num “amanhã” a médio ou longo prazo, mas também num “amanhã” a curto prazo porque tudo deve estar integrado...
...para permitir mudança de pensamento!
...para que se transforme a concepção fragmentada e dividida do mundo, que impede a visão total da realidade!
A avaliação externa do eixo adultos da Iniciativa Novas Oportunidades resulta de um protocolo firmado no dia 14 de Abril de 2008, entre a Agência Nacional para a Qualificação, I.P. (ANQ) e a Universidade Católica Portuguesa (UCP), e incide sobre dois eixos fundamentais das actuais políticas de educação e formação de adultos.
O primeiro eixo está orientado para a produção, tratamento e análise de indicadores de cumprimento dos objectivos estratégicos do Eixo «Adultos» da Iniciativa Novas Oportunidades e do funcionamento dos Centros Novas Oportunidades, no quadro das políticas e dos objectivos desta mesma Iniciativa, da sua real e potencial procura e do seu impacto sobre os percursos sociais e profissionais dos activos que a ela recorrem.
O segundo eixo compreende a monitorização e a auto-avaliação da rede de implementação da Iniciativa e procura fornecer informação sobre o desempenho e grau de maturidade organizacional dos Centros Novas Oportunidades e de todo o sistema de qualificação de adultos.
Os trabalhos da Avaliação Externa do Eixo «Adultos» da Iniciativa Novas Oportunidades realizados no ano de 2010 centraram-se em:
- Inquéritos de Qualidade e Satisfação à procura real nos Centros Novas Oportunidades e nas diversas etapas do processo;
- Estudo de Impactos da Iniciativa;
- Estudo de Motivação para aderir à Iniciativa;
- Estudos de caso de Centros Novas Oportunidades e Inquérito de Balanço de Competências;
- Estudos de percepções de qualidade de serviço e de satisfação:
- Auto-avaliação de Centros Novas Oportunidades/Adequação do Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa (SIGO) às necessidades de avaliação.
O tempo não se circunscreve ao “hoje” e, embora seja um importante factor promotor da mudança, não é suficiente reflectir sobre o “ontem”. Não se vive, também, apenas com os sentidos colocados no “amanhã”... Encontramo-nos “aqui”, numa conta derramada do colar do tempo em que é tão necessário parar para pensar como pensar para mudar - agir! -, em prol de uma cidadania activa e consciente.
A nova publicação do CEDEFOP agrega relatórios sobre a evolução observada em seis Estados-Membros da União Europeia e demonstra que para atingir uma economia de baixo carbono, é necessário inventar novas maneiras de produzir bens e serviços. Para incentivar a inovação e melhorar as infra-estruturas, são necessárias “competências verdes" ou "ecológicas”.
Os postos de trabalho que correspondem aos objectivos de uma economia de baixo carbono tornaram-se num pilar das políticas para o crescimento sustentável e inclusivo. Por outro lado, as empresas, para criarem esses empregos, precisam de apoios públicos, que devem assumir a forma, não apenas de regulação ambiental e estratégias energéticas sustentáveis, mas também de promoção do direito à educação e à formação.
O relatório síntese europeu do CEDEFOP sobre as competências para empregos verdes reúne as conclusões dos relatórios nacionais de países como:
Dinamarca
Estónia
França
Alemanha
Espanha
Reino Unido.
Os estudos de caso mostram que a integração das questões do desenvolvimento sustentável nas qualificações existentes é muito mais eficaz do que a criação de novas e específicas qualificações.
No Relatório "OECD Economic Surveys: Portugal 2010", lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, é destacada a importância da formação vocacional enquanto instrumento essencial de diversificação do ensino secundário e da educação de adultos em Portugal, nomeadamente com a Iniciativa Novas Oportunidades.
De acordo com este relatório, "os programas de educação e formação profissional têm sido implementados com resultados encorajadores", sendo também focados os progressos alcançados junto do público adulto.
A este respeito é, por exemplo, referenciado que "desde 2007, mais de um milhão de candidatos se envolveu no eixo adultos, através dos Centros Novas Oportunidades, 63% dos quais se encontram empregados e 33% desempregados. Trata-se de uma experiência única a este nível". Como complemento do que foi alcançado com estas estratégias, a OCDE recomenda a Portugal o reforço das parcerias que tem vindo a estabelecer, envolvendo centros de formação profissional, parceiros sociais, municípios e autarquias e empresas. Portugal deverá ainda apostar na flexibilização da aprendizagem, criando soluções em part-time ou a distância que sejam compatíveis com o dia-a-dia da vida adulta.
No que respeita à educação, o relatório debruça-se ainda sobre a necessidade de Portugal apetrechar os docentes com instrumentos que lhes permitam melhorar as suas competências e os seus métodos de ensino...
Na passada 2.ª feira, decorreu a conferência “Questões-Chave da Educação", organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos(FFMS), na Universidade do Algarve, em Faro. O ciclo de conferências promovido por esta fundação visa:
fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais;
contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica;
proporcionar o debate entre especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.
Nesta conferência, Fernando Savater explicou que a educação cívica “não se refere à instrução básica ou à mera preparação para realizar tarefas laborais em qualquer campo, por mais que seja essencial a aquisição de tais conhecimentos e aptidões”, mas está relacionada com o sistema democrático. A “ignorância” que o filósofo teme é “a incapacidade de expressar exigências sociais inteligíveis para a comunidade ou entender as exigências formuladas por outros”. Fernando Savater frisa que o grande problema da democracia é “a predominância generalizada da maré de ignorância” e a educação cívica é única melhor forma de a combater. “Nas nossas sociedades pluralistas, a questão da educação cívica está directamente ligada ao tema da tolerância. Não há educação cívica que não fomente a tolerância democrática”. Por isso, sublinha que “devemos educar para prevenir tanto o fanatismo como o relativismo”. Savater considera que o “fanático é aquele que não suporta viver com os que pensam de forma diferente por medo de descobrir que também ele não está seguro daquilo em que diz acreditar”.
Desde o Ensino Básico ao Processo de RVCC (que ilustram duas vias tão diferentes de acesso e progresso no caminho formativo e entre as quais tantas outras se incorporam), a Formação Cívica e a Cidadania (e Empregabilidade... e Profissionalidade...) marcam a sua presença no dia-a-dia. O desenvolvimento de valores como o respeito mútuo, regras de convivência, tolerância e solidariedade conduz a uma participação mais efectiva e iluminada na vida da comunidade. Assim, criam-se laços mais fortes numa rede social da qual dependemos e que depende de cada um. Entre a “ignorância” temida por Fernando Savater e a “libertação” veiculada por Paulo Freirepode sinalizar-se um ponto de quiasma. Também este reconhecido educador e filósofo visava a elucidação e conscientização de todas as pessoas (sobretudo, das provenientes de classes oprimidas), pois apenas esse caminho poderia levá-las à libertação e ao delinear de uma igualdade e cidadania planetária.
E este, no fundo, passa também por ser um dos objectivos do Processo de RVCC – um processo de... ...descoberta! ...libertação! ...conscientização!
Ontem, houve mais uma sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades que coordeno e, tal como em tantos outros Centros Novas Oportunidades por esse país fora, recebemos imenso por parte dos candidatos que nos presenteiam com aprendizagens várias, decorrentes de suas diversas experiências de vida.
Foi uma Sessão de Júri diferente, porque a apresentação final foi efectuada em grupo: tratava-se de pessoas que, no seu dia a dia, trabalham na mesma empresa, uma empresa de cerâmica. Ali, à nossa frente, mostraram um caminho de criação, desde a concepção do objecto, passando pela escolha do barro, cuja consistência é medida com um aparelho chamado "penetrómetro" (as coisas que se aprendem nas Sessões de Júri!), todo o trabalho na cadeia de produção, até ao produto final, embalado e etiquetado.
Foi uma alegoria (embora concreta) do trabalho em equipa que é, afinal, o grande segredo do funcionamento da vida.
Se quisermos, encontramos equipas em todos os sectores de existência e descobrimos facilmente que dependemos todos uns dos outros, que dependemos da qualidade e da dedicação de todos os que nos rodeiam. Aliás, dependemos tanto dos outros que passamos facilmente para o recurso ao locus externo (primeiro procuramos no outro a solução), antes de nos centrarmos na nossa responsabilidade perante os percalços da vida e da actividade que desenvolvemos.
Mas quando existe harmonia, quando os elementos de uma equipa se juntam sinergeticamente para um resultado comum, então pode-se obter algo que é bem mais que a simples soma das partes...Basta lembrar que juntando Hidrogénio e Oxigénio de uma determinada maneira, se obtém água. Que trabalho de Equipa perfeito, este, que permite equilíbrio e transporta vida!
O processo RVCC pressupõe um trabalho de equipa, também, cuja composição ultrapassa muito os muros dos Centros Novas Oportunidades onde ele se realiza. O candidato precisa do trabalho de equipa do seu pequeno mundo familiar para se poder ausentar de casa, enquanto dedica tempo à construção do Portefólio Reflexivo de Aprendizagens, por exemplo. A Profissional de Reconhecimento e Validação de Competências, já necessitou do trabalho efectuado pela Técnica de Diagnóstico, que já dependeu da Técnica Administrativa, mas vai ainda ser preciso articular com os formadores.... e cada um destes elementos tem o seu pequeno mundo familiar e social que precisa de garantir que esteja articulado e harmonioso.
Sim, fazemos todos parte de uma grande família com múltiplas articulações, temos objectivos por vezes comuns, por vezes diferentes, assim como são diferentes as funções de um pé de trigo ou as de uma orquídea. Todos temos histórias múltiplas nas histórias das nossas vidas...Mas temos uma faceta comum: precisamos de OUTROS.
Na Sessão de Júri, é por intermédio do olhar dos OUTROS que as competências são reconhecidas, validadas e certificadas. E aqui, passa-se para um patamar diferente: do pequeno núcleo familiar ou profissional, acontece o salto para o reconhecimento social e, last but not the least a certificação concede o reconhecimento nacional e internacional. Cada um dos candidatos é olhado e reconhecido como uma peça harmoniosa de uma equipa maior....
“O artista traça os pormenores quase como se tacteasse, e cada linha que acrescenta, reforça o retrato, mas nunca o torna definitivo. Aceitamos isto como o método do artista. Porém, a física actual mostrou-nos que este é também o único método de conhecimento. Não existe conhecimento absoluto e aqueles que o reivindicam, quer sejam cientistas ou dogmáticos abrem as portas à tragédia.”Jacob Bronowski
E para aprender com prazer e sentir paixão de aprender é necessário (re)aprender a observar. Pode parecer banal, mas... quanto se absorve de um simples acto de observação, desde que nos levantamos até que nos deitamos (e multiplicado por todos os dias em que esses dois actos se somam)? E não observamos apenas com o olhar. Observamos com os 5 sentidos. Toca-se, experimenta-se, sente-se... articulam-se ideias e sensações e, assim, aprende-se!
No dia-a-dia devemos misturar, diria equitativamente, uma pitada da abordagem empiricista (para a qual a realidade existe e apenas se pode observar o que essa realidade reflecte em si) e uma pitada da abordagem intelectualista (que refere que a realidade em si não existe, pois o que existe é uma construção social e pessoal da mesma e, assim, o que observamos reflecte diferentes perspectivas, todas aceitáveis). Dissolvendo um pouco de ambas as vertentes, confeccionar-se-ia uma terceira conduta: neo-iluminista. Esta, resultando da “fusão” das anteriores... aceita a existência da realidade, mas também aceita os processos sensoriais (captação da realidade) e de interpretação (desses mesmos dados) de cada pessoa.
Meu pai mostrou-me de forma nítida a diferença que há entre o que sabemos e o que lhe chamamos (…). Estávamos a brincar no campo, um dos miúdos disse-me: «Vês aquele pássaro naquele trigal? Sabes como se chama?». Respondi-lhe: «Não faço a menor ideia». Obtive então como resposta: «É um tordo-de-papocastanho. Afinal, o teu pai não te ensina assim tanta ciência.» Sorri, porque o meu pai já me tinha esclarecido de que o nome de um pássaro não nos ensina grande coisa acerca dele. «Vês ali aquele pássaro?», dissera-me uma vez. É um tordo-de-papo-castanho, mas na Alemanha chama-se halzenplugel e na China é designado por chung ling; mesmo que saibas todos os nomes que lhe dão, continuas a saber muito pouco sobre ele. Enfim, saberás alguma coisa acerca das pessoas e do modo como designam o pássaro.» E continuou: «Ora, o tordo canta e ensina os filhos a voar. Voa muitos quilómetros durante o Verão e ninguém sabe como se orienta». E continuava assim por diante (…). O que é importante disto tudo é que o resultado das observações, mesmo que eu fosse incapaz de obter qualquer conclusão definitiva, é um verdadeiro tesouro, um resultado maravilhoso (…).
Richard Feynman Conferência realizada em 1966 na 14ª Convenção Anual da National Science Teacher Association (In Feynman, R. (1991). Uma tarde com o Sr. Feynman. Lisboa: Gradiva, 15-37)
No fundo... existem tantas interpretações como cabeças!
Portanto, “a ciência não ensina nada: é a experiência que nos ensina qualquer coisa (Feynman, 1966). Tactear o “mundo” que nos rodeia transmite-nos ensinamentos, lições, aprendizagens. Permite aumentar a amplitude dos conhecimentos e cultivá-los para que sejam efectivamente frutíferos. E a experiência ensina-nos se os sentidos estiverem programados para observar o dia e a noite, a luz e a escuridão, o cheiro e o sabor, os obstáculos e os desafios. E, assim, cada dia é uma página de um livro enriquecido e enriquecedor. A História de Vida de cada pessoa – o seu olhar, a sua observação, os seus sentidos e a sua reflexão.
Um dia perguntaram-me de que é que eu mais gostava. Houve um silêncio dentro de mim. Gostava de muita coisa e, em simultâneo, parecia que não gostava de nada, verdadeiramente.
A liberdade, o mar, o abismo estonteante do devir eram traves mestras do meu ser, como o são para qualquer outro, não se distinguindo propriamente de forma suficientemente peculiar para que as pudesse identificar como caracteristicamente minhas.
Foi como quando perguntam a uma criança "E quando fores grande, o que queres ser?" E a criança fica com aquele ar embaraçado, porque não conhece a base de dados das coisas que se pode ser quando se é grande... Ou então quer ser tanta coisa que não consegue escolher. A pergunta parece-lhe apontar para uma resposta fechada, concreta, e logo previsível, mas, para a criança, a resposta pode estar muito para além do seu horizonte conceptual.
Aquilo de que se gosta mais é uma questão muito semelhante. No entanto, há pessoas que sabem muito bem responder a esta pergunta e, geralmente, são bem sucedidas. O José Mourinho, por exemplo, é óbvio que tem paixão por aquilo que faz. E é bem sucedido. Salvador Dali tinha uma paixão pela extravagância que, artisticamente, persiste na nossa memória. Mozart gostava tanto da música que ainda hoje nos enfeitiça com a sua Flauta Mágica... Coco Chanel encantou-se e encantou-nos criando e inovando no mundo da Moda, entre tantos outros…
Desafio-vos a descobrir, bem lá no fundo de que é que mais gostam. Se tivessem que abdicar de tudo na vida, o que restaria? Se pudessem escolher uma nova vida, se não tivessem compromissos, nem relações ou contratos, se pudessem fazer ou ser o que quisessem, só porque sim, o que seria? Sim, qual é, de facto, a vossa paixão ou talento? Lá, no fundo, de que é que mais gostam?
Confesso que não soube logo o que responder. E fiquei a pensar muito tempo no assunto e só quando parei de pensar, houve uma ideia que me saltou à memória, num movimento parecido com o de uma bola que é empurrada para o fundo do mar e, quando já nos esquecemos dela, subitamente regressa à superfície. Abriu-se como um bolinho da sorte e assim “lembrei-me” que aquilo de que mais gostava era de aprender. Não era só aprender, era aprender com prazer, era paixão de aprender.
Penso que tenho sorte. Parece-me, também, que nos falta descobrir como devolver esta paixão de aprender, tão frequente nas crianças, a quem nos aparece, em adulto, com motivações extrínsecas: ascensão na carreira, arranjar um emprego, a sociedade insiste, a família e os amigos dizem que é melhor… Trata-se de um desafio difícil, estimular motivações intrínsecas, mas é por uma causa nobre….Long Life Learning.
P.S (=“Post Scriptum”, por via das dúvidasJ): Parabéns à Agência Nacional para a Qualificação pelo rumo da nova Campanha Publicitária:"Juntos vamos qualificar Portugal"
Um serviço cuja sede é na Alemanha, cabendo a sua coordenação à Associação Federal Católica e a gestão à Akademie Klausenhof, apresenta-se agora com um novo look aos olhares mais curiosos que até lá façam uma incursão...
Aqui, encontra-se uma fonte da qual se vêem brotar informações sobre a temática da Educação de Adultos, saciando a sede de quem procura nesta água uma forma de complemento de conhecimentos.
Este sítio europeu da Internet, exclusivamente dedicado à Educação de Adultos, tem agora uma nova imagem, tornando-o mais atraente. Contudo, o essencial permanece: cerca de 25 correspondentes de quase todos os países europeus enviam regularmente relatos sobre...
desenvolvimentos
projectos novos
práticas em curso nos vários domínios da Educação de Adultos.
A arte estimula a criatividade, abrindo outras perspectivas, nomeadamente, aos que dificilmente caminham com palavras, vírgulas e pontos ou números.
Hoje, aprende-se de muitas formas diferentes, tanto que se fala em inteligências múltiplas(visuais, auditivas, tacteis, emocionais, ambientais, artísticas, etc.)
É cada vez mais difícil distinguir a linha ténue que separa a Arte da Realidade, porque a subjectividade e a emoção na informação, subjacente às escolhas estilísticas de quem selecciona o que nos quer transmitir, transforma cada comunicação no objecto da sua própria arte, do seu próprio estílo, no seu expressing style.
Por outro lado, as nossas pesquisas e escolhas,as nossas redes de aprendizagem, as nossas benchmarks ou referências (para não termos que reinventar a roda), as técnicas e recursos utilizados vão estabelecendo o nossolearning style. Nas escolas tradicionais, o livro, o quadro negro e o professor eram os principais transmissores do conhecimento. Este método ainda continua a ser o mais utilizado, na formação de adultos(O quadro mudou de cor, agora é branco). Note-se que pode ser óptimo para aqueles cuja apetência para aprender se sacia com uma postura passiva e receptiva, recorrendo à visão, à audição e à escrita como ferramentas de memória. Mas então e aqueles que traduzem o mundo de outra forma? Os que se concentram melhor em ambientes informais, sozinhos ou em grupo e cuja apetência para a aprendizagem depende de factores tão diversos como estratégias de processamento sequencial ou simultâneo, modalidades sensoriais, necessidades de ordem física (mobilidade, imobilidade, comer ou jejuar) ou da sua necessidade em interpretar o mundo com outra linguagem, pintar, dançar, esculpir ou cantar?
E de que aprendizagem falamos nós afinal? Contar mais? escrever mais? mais do mesmo? Que tipo de formadores somos nós? Na Educação e Formação de Adultos, por exemplo, temos em conta os princípios de Andragogia, centrados no processo de aprendizagem e na abordagem da pessoa? Ou aplicamos as técnicas que aplicaram connosco [porque se trata do último modelo que tivemos]? É que não basta compreender uma mudança de paradigma: é também preciso integrar os conceitos e depois aplicá-los, de facto, em acção. A nossa função não consiste apenas em formar gente que repita informação sem pensar, mas sim fomentar o pensamento multifocal, multiangular e criativo.
O que ensinamos hoje continua a tranquilizar os nossos dogmas, alheia-nos do desassossego virtual do presente e criopreserva-nos em sarcófagos anacrónicos, candidatos à desintegração quando ficarem em contacto com os ambientes digitais do futuro, esses, já virados para o creative learning.
Sir Ken Robinson, ilustre investigador britânico, armado cavaleiro pelas suas ideias sobre criatividade, educação e arte, considerado pela Time Magazine, Fortune e CNN como uma das Principal Voices no assunto, diz-nos que as escolas matam a criatividade e que é necessária uma revolução do Ensino. A maior parte das pessoas que saem das escolas não sabe que competências latentes pode desenvolver, porque a educação está estandardizada. Sir Ken Robinson propõe que se criem condições para deixar florescer talentos naturais, permitindo que se desenvolva uma cultura de felicidade, em torno do que se faz com paixão, com gosto: personalized learning.
É com alguma tristeza que anuncio hoje o fim da minha participação neste espaço, embora o faça por opção. Durante alguns anos dediquei-me de alma e coração à Educação de Adultos, a projectos em que acreditei e nos quais depositei a minha confiança, mas chegou a hora de fechar um capítulo. Foram muitas horas de estudo, de trabalho, de contacto com pessoas que me ensinaram muito sobre a vida e me fizeram uma pessoa melhor e mais conciente das minhas responsabilidades enquanto profissional e enquanto cidadã. É minha vontade continuar ligada à educação, quer seja aqui ou em qualquer outra parte do mundo em que sinta que possa ser útil, e acredito que o conseguirei fazer. Apenas se fecha aqui um ciclo.
Queria agradecer publicamente a todos os que trabalharam comigo ao longo deste período, aos que me ensinaram tanto, àqueles com quem pude partilhar um pouco da minha experiência e da minha paixão pela educação, e, muito especialmente, às duas pessoas que têm partilhado comigo este espaço e esta aventura. Estou certa que o continuarão fazer, da mesma forma profissional e apaixonada como sempre fizeram!
Por fim, mas o mais importante em toda esta experiência, quero agradecer aos adultos com quem trabalhei e que tanto, mas tanto me deram, aos que conheci "à distância" através deste e de outros espaços informais de partilha e de aprendizagem, e a todos os que têm a coragem de agarrar uma nova oportunidade, mesmo em momentos de crise como a que atravessamos. Eles são, para mim, os verdadeiros heróis e aqueles a quem, humildemente, presto mais uma vez a minha homenagem.
Jacques Rozier, realizador francês, numa curta metragem de 1955, "Rentrée des Classes" ilustrou magistralmente o prazer de faltar às aulas, um conceito tão fácil de aceitar que ninguém o contesta!
No nosso imaginário colectivo, a vida fora da sala de aula continua, naturalmente, mais apetecível do que dentro dela.
Paradoxalmente, a aprendizagem ficou, portanto, ao longo dos tempos, associada à noção de contrariedade, esforço, trabalho e dor. Por que motivos estranhos se entendeu que a aprendizagem "pura e dura" seria mais eficaz do que aquela que acontece quando está ou foi associada a memórias prazerosas? Porquê associar a dor ao conhecimento? Porquê transformar o estudo num castigo e num dever e acoplar a noção de culpa a quem não segue este preceito?
Augusto Cury, eminente psiquiatra brasileiro, na sua obra "O Código da Inteligência", refere que "A dor anula a busca da excelência nos seus mais diversos aspectos".
Cientistas conceituados como o nosso António Damásio estabelecem relações entre os conceitos de emoção e da neurobiologia e referem que as nossas célulasmudam com a aprendizagem, guiadas pela emoção. Aliando o prazer estético e a aprendizagem, António Damásio apontou a arte como uma forma de encontrar estímulos capazes de desencadear "um estado neurofisiológico de grande coerência e harmonia".
Hoje, felizmente, estamos a redescobrir que o prazer proporciona bem-estar, equilíbrio e saúde.
Não vos estou a falar do prazer imediato, da impaciente e insaciável sede dos sentidos. Não se trata da busca pela satisfação egocêntrica dos bens e prazeres consumistas e materiais imediatos ou transitórios.Não.
Refiro-me ao prazer refinado do reencontro com o belo, que nos enleva e eleva, paulatinamente, em cada sussurro de alento; gradativamente, em cada movimento harmónico; profundamente em cada inspiração da essência fractal do Noûs que permeia a vida, desde a origem do cosmos, como nos propôs Anaxágoras, o filósofo grego.
Podemos começar por olhar para o mundo com um olhar diferente. E mostrar aos nossos formandos que esse olhar é fundamental para que fiquem despertos para um novo mundo. Podemos começar por motivar para a aprendizagem, para a descoberta da beleza e das potencialidades que existem em nós. Era disto que falavam Jacques Bergier e Louis Pauwels com o seu "Despertar dos Mágicos". Os mágicos somos nós, formadores e formandos, todos claramente aprendizes.
Trata-se de uma clara mudança de paradigma, à qual convém sermos capazes de nos adaptar. Vai ser preciso re-aprender a aprender. Nesta nova linha de pensamento, seremos todos, de novo, aprendizes de aprendentes.
Mens sana in corpore sano complementa-se agora com mens sapiens in anima laeta, aliando o conceito de inteligência ao de felicidade.