sábado, 16 de outubro de 2010

Relatório da OCDE: Portugal 2010

No Relatório "OECD Economic Surveys: Portugal 2010", lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, é destacada a importância da formação vocacional enquanto instrumento essencial de diversificação do ensino secundário e da educação de adultos em Portugal, nomeadamente com a Iniciativa Novas Oportunidades.
De acordo com este relatório, "os programas de educação e formação profissional têm sido implementados com resultados encorajadores", sendo também focados os progressos alcançados junto do público adulto.
A este respeito é, por exemplo, referenciado que "desde 2007, mais de um milhão de candidatos se envolveu no eixo adultos, através dos Centros Novas Oportunidades, 63% dos quais se encontram empregados e 33% desempregados. Trata-se de uma experiência única a este nível". Como complemento do que foi alcançado com estas estratégias, a OCDE recomenda a Portugal o reforço das parcerias que tem vindo a estabelecer, envolvendo centros de formação profissional, parceiros sociais, municípios e autarquias e empresas. Portugal deverá ainda apostar na flexibilização da aprendizagem, criando soluções em part-time ou a distância que sejam compatíveis com o dia-a-dia da vida adulta.
No que respeita à educação, o relatório debruça-se ainda sobre a necessidade de Portugal apetrechar os docentes com instrumentos que lhes permitam melhorar as suas competências e os seus métodos de ensino...
Fonte: aqui
Para saber mais: aqui

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Educação como acesso à democracia

Na passada 2.ª feira, decorreu a conferência “Questões-Chave da Educação", organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), na Universidade do Algarve, em Faro. O ciclo de conferências promovido por esta fundação visa:
  • fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais;
  • contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica;
  • proporcionar o debate entre especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.
Nesta conferência, Fernando Savater explicou que a educação cívica “não se refere à instrução básica ou à mera preparação para realizar tarefas laborais em qualquer campo, por mais que seja essencial a aquisição de tais conhecimentos e aptidões”, mas está relacionada com o sistema democrático.
A “ignorância” que o filósofo teme é “a incapacidade de expressar exigências sociais inteligíveis para a comunidade ou entender as exigências formuladas por outros”.
Fernando Savater frisa que o grande problema da democracia é “a predominância generalizada da maré de ignorância” e a educação cívica é única melhor forma de a combater.
“Nas nossas sociedades pluralistas, a questão da educação cívica está directamente ligada ao tema da tolerância. Não há educação cívica que não fomente a tolerância democrática”. Por isso, sublinha que “devemos educar para prevenir tanto o fanatismo como o relativismo”.
Savater considera que o “fanático é aquele que não suporta viver com os que pensam de forma diferente por medo de descobrir que também ele não está seguro daquilo em que diz acreditar”.
Fonte: aqui

Desde o Ensino Básico ao Processo de RVCC (que ilustram duas vias tão diferentes de acesso e progresso no caminho formativo e entre as quais tantas outras se incorporam), a Formação Cívica e a Cidadania (e Empregabilidade... e Profissionalidade...) marcam a sua presença no dia-a-dia. O desenvolvimento de valores como o respeito mútuo, regras de convivência, tolerância e solidariedade conduz a uma participação mais efectiva e iluminada na vida da comunidade. Assim, criam-se laços mais fortes numa rede social da qual dependemos e que depende de cada um.
Entre a “ignorância” temida por Fernando Savater e a “libertação” veiculada por Paulo Freire pode sinalizar-se um ponto de quiasma. Também este reconhecido educador e filósofo visava a elucidação e conscientização de todas as pessoas (sobretudo, das provenientes de classes oprimidas), pois apenas esse caminho poderia levá-las à libertação e ao delinear de uma igualdade e cidadania planetária.
E este, no fundo, passa também por ser um dos objectivos do Processo de RVCC – um processo de...
...descoberta!
...libertação!
...conscientização!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Sessão de Júri ou o olhar dos OUTROS


Ontem, houve mais uma sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades que coordeno e, tal como em tantos outros Centros Novas Oportunidades por esse país fora, recebemos imenso por parte dos candidatos que nos presenteiam com aprendizagens várias, decorrentes de suas diversas experiências de vida.
Foi uma Sessão de Júri diferente, porque a apresentação final foi efectuada em grupo: tratava-se de pessoas que, no seu dia a dia, trabalham na mesma empresa, uma empresa de cerâmica. Ali, à nossa frente, mostraram um caminho de criação, desde a concepção do objecto, passando pela escolha do barro, cuja consistência é medida com um aparelho chamado "penetrómetro" (as coisas que se aprendem nas Sessões de Júri!), todo o trabalho na cadeia de produção, até ao produto final, embalado e etiquetado.
Foi uma alegoria (embora concreta) do trabalho em equipa que é, afinal, o grande segredo do funcionamento da vida.
Se quisermos, encontramos equipas em todos os sectores de existência e descobrimos facilmente que dependemos todos uns dos outros, que dependemos da qualidade e da dedicação de todos os que nos rodeiam. Aliás, dependemos tanto dos outros que passamos facilmente para o recurso ao locus externo (primeiro procuramos no outro a solução), antes de nos centrarmos na nossa responsabilidade perante os percalços da vida e da actividade que desenvolvemos.
Mas quando existe harmonia, quando os elementos de uma equipa se juntam sinergeticamente para um resultado comum, então pode-se obter algo que é bem mais que a simples soma das partes...Basta lembrar que juntando Hidrogénio e Oxigénio de uma determinada maneira, se obtém água. Que trabalho de Equipa perfeito, este, que permite equilíbrio e transporta vida!
O processo RVCC pressupõe um trabalho de equipa, também, cuja composição ultrapassa muito os muros dos Centros Novas Oportunidades onde ele se realiza. O candidato precisa do trabalho de equipa do seu pequeno mundo familiar para se poder ausentar de casa, enquanto dedica tempo à construção do Portefólio Reflexivo de Aprendizagens, por exemplo. A Profissional de Reconhecimento e Validação de Competências, já necessitou do trabalho efectuado pela Técnica de Diagnóstico, que já dependeu da Técnica Administrativa, mas vai ainda ser preciso articular com os formadores.... e cada um destes elementos tem o seu pequeno mundo familiar e social que precisa de garantir que esteja articulado e harmonioso.
Sim, fazemos todos parte de uma grande família com múltiplas articulações, temos objectivos por vezes comuns, por vezes diferentes, assim como são diferentes as funções de um pé de trigo ou as de uma orquídea. Todos temos histórias múltiplas nas histórias das nossas vidas...Mas temos uma faceta comum: precisamos de OUTROS.
Na Sessão de Júri, é por intermédio do olhar dos OUTROS que as competências são reconhecidas, validadas e certificadas. E aqui, passa-se para um patamar diferente: do pequeno núcleo familiar ou profissional, acontece o salto para o reconhecimento social e, last but not the least a certificação concede o reconhecimento nacional e internacional. Cada um dos candidatos é olhado e reconhecido como uma peça harmoniosa de uma equipa maior....

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Ciência da Vida

“O artista traça os pormenores quase como se tacteasse, e cada linha que acrescenta, reforça o retrato, mas nunca o torna definitivo. Aceitamos isto como o método do artista. Porém, a física actual mostrou-nos que este é também o único método de conhecimento. Não existe conhecimento absoluto e aqueles que o reivindicam, quer sejam cientistas ou dogmáticos abrem as portas à tragédia.”Jacob Bronowski

E para aprender com prazer e sentir paixão de aprender é necessário (re)aprender a observar. Pode parecer banal, mas... quanto se absorve de um simples acto de observação, desde que nos levantamos até que nos deitamos (e multiplicado por todos os dias em que esses dois actos se somam)? E não observamos apenas com o olhar. Observamos com os 5 sentidos. Toca-se, experimenta-se, sente-se... articulam-se ideias e sensações e, assim, aprende-se!
No dia-a-dia devemos misturar, diria equitativamente, uma pitada da abordagem empiricista (para a qual a realidade existe e apenas se pode observar o que essa realidade reflecte em si) e uma pitada da abordagem intelectualista (que refere que a realidade em si não existe, pois o que existe é uma construção social e pessoal da mesma e, assim, o que observamos reflecte diferentes perspectivas, todas aceitáveis). Dissolvendo um pouco de ambas as vertentes, confeccionar-se-ia uma terceira conduta: neo-iluminista. Esta, resultando da “fusão” das anteriores... aceita a existência da realidade, mas também aceita os processos sensoriais (captação da realidade) e de interpretação (desses mesmos dados) de cada pessoa.
Meu pai mostrou-me de forma nítida a diferença que há entre o que sabemos e o que lhe chamamos (…). Estávamos a brincar no campo, um dos miúdos disse-me: «Vês aquele pássaro naquele trigal? Sabes como se chama?». Respondi-lhe: «Não faço a menor ideia». Obtive então como resposta: «É um tordo-de-papocastanho. Afinal, o teu pai não te ensina assim tanta ciência.» Sorri, porque o meu pai já me tinha esclarecido de que o nome de um pássaro não nos ensina grande coisa acerca dele. «Vês ali aquele pássaro?», dissera-me uma vez. É um tordo-de-papo-castanho, mas na Alemanha chama-se halzenplugel e na China é designado por chung ling; mesmo que saibas todos os nomes que lhe dão, continuas a saber muito pouco sobre ele. Enfim, saberás alguma coisa acerca das pessoas e do modo como designam o pássaro.» E continuou: «Ora, o tordo canta e ensina os filhos a voar. Voa muitos quilómetros durante o Verão e ninguém sabe como se orienta». E continuava assim por diante (…). O que é importante disto tudo é que o resultado das observações, mesmo que eu fosse incapaz de obter qualquer conclusão definitiva, é um verdadeiro tesouro, um resultado maravilhoso (…).
Richard Feynman
Conferência realizada em 1966 na 14ª Convenção Anual da National Science Teacher Association
(In Feynman, R. (1991). Uma tarde com o Sr. Feynman. Lisboa: Gradiva, 15-37)
No fundo... existem tantas interpretações como cabeças!


Portanto, “a ciência não ensina nada: é a experiência que nos ensina qualquer coisa (Feynman, 1966). Tactear o “mundo” que nos rodeia transmite-nos ensinamentos, lições, aprendizagens. Permite aumentar a amplitude dos conhecimentos e cultivá-los para que sejam efectivamente frutíferos. E a experiência ensina-nos se os sentidos estiverem programados para observar o dia e a noite, a luz e a escuridão, o cheiro e o sabor, os obstáculos e os desafios. E, assim, cada dia é uma página de um livro enriquecido e enriquecedor. A História de Vida de cada pessoa – o seu olhar, a sua observação, os seus sentidos e a sua reflexão.

domingo, 26 de setembro de 2010

Paixão de aprender

Salvador Dali: Pessoa na Janela

Charles Baudelaire in Les Fleurs du Mal

Um dia perguntaram-me de que é que eu mais gostava. Houve um silêncio dentro de mim. Gostava de muita coisa e, em simultâneo, parecia que não gostava de nada, verdadeiramente.
A liberdade, o mar, o abismo estonteante do devir eram traves mestras do meu ser, como o são para qualquer outro, não se distinguindo propriamente de forma suficientemente peculiar para que as pudesse identificar como caracteristicamente minhas.
Foi como quando perguntam a uma criança "E quando fores grande, o que queres ser?" E a criança fica com aquele ar embaraçado, porque não conhece a base de dados das coisas que se pode ser quando se é grande... Ou então quer ser tanta coisa que não consegue escolher. A pergunta parece-lhe apontar para uma resposta fechada, concreta, e logo previsível, mas, para a criança, a resposta pode estar muito para além do seu horizonte conceptual.
Aquilo de que se gosta mais é uma questão muito semelhante. No entanto, há pessoas que sabem muito bem responder a esta pergunta e, geralmente, são bem sucedidas. O José Mourinho, por exemplo, é óbvio que tem paixão por aquilo que faz. E é bem sucedido. Salvador Dali tinha uma paixão pela extravagância que, artisticamente, persiste na nossa memória. Mozart gostava tanto da música que ainda hoje nos enfeitiça com a sua Flauta Mágica... Coco Chanel encantou-se e encantou-nos criando e inovando no mundo da Moda, entre tantos outros…


Desafio-vos a descobrir, bem lá no fundo de que é que mais gostam. Se tivessem que abdicar de tudo na vida, o que restaria? Se pudessem escolher uma nova vida, se não tivessem compromissos, nem relações ou contratos, se pudessem fazer ou ser o que quisessem, só porque sim, o que seria? Sim, qual é, de facto, a vossa paixão ou talento? Lá, no fundo, de que é que mais gostam?

Confesso que não soube logo o que responder. E fiquei a pensar muito tempo no assunto e só quando parei de pensar, houve uma ideia que me saltou à memória, num movimento parecido com o de uma bola que é empurrada para o fundo do mar e, quando já nos esquecemos dela, subitamente regressa à superfície. Abriu-se como um bolinho da sorte e assim “lembrei-me” que aquilo de que mais gostava era de aprender. Não era só aprender, era aprender com prazer, era paixão de aprender.

Penso que tenho sorte. Parece-me, também, que nos falta descobrir como devolver esta paixão de aprender, tão frequente nas crianças, a quem nos aparece, em adulto, com motivações extrínsecas: ascensão na carreira, arranjar um emprego, a sociedade insiste, a família e os amigos dizem que é melhor… Trata-se de um desafio difícil, estimular motivações intrínsecas, mas é por uma causa nobre….Long Life Learning.
P.S (=“Post Scriptum”, por via das dúvidasJ): Parabéns à Agência Nacional para a Qualificação pelo rumo da nova Campanha Publicitária: "Juntos vamos qualificar Portugal"

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

“European Adult Education”... novo look!

Um serviço cuja sede é na Alemanha, cabendo a sua coordenação à Associação Federal Católica e a gestão à Akademie Klausenhof, apresenta-se agora com um novo look aos olhares mais curiosos que até lá façam uma incursão...
Aqui, encontra-se uma fonte da qual se vêem brotar informações sobre a temática da Educação de Adultos, saciando a sede de quem procura nesta água uma forma de complemento de conhecimentos.

Este sítio europeu da Internet, exclusivamente dedicado à Educação de Adultos, tem agora uma nova imagem, tornando-o mais atraente. Contudo, o essencial permanece: cerca de 25 correspondentes de quase todos os países europeus enviam regularmente relatos sobre...
  • desenvolvimentos
  • projectos novos
  • práticas em curso nos vários domínios da Educação de Adultos.
Fonte: aqui

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Personalized learning

A arte estimula a criatividade, abrindo outras perspectivas, nomeadamente, aos que dificilmente caminham com palavras, vírgulas e pontos ou números.

Hoje, aprende-se de muitas formas diferentes, tanto que se fala em inteligências múltiplas(visuais, auditivas, tacteis, emocionais, ambientais, artísticas, etc.)

É cada vez mais difícil distinguir a linha ténue que separa a Arte da Realidade, porque a subjectividade e a emoção na informação, subjacente às escolhas estilísticas de quem selecciona o que nos quer transmitir, transforma cada comunicação no objecto da sua própria arte, do seu próprio estílo, no seu expressing style.

Por outro lado, as nossas pesquisas e escolhas,as nossas redes de aprendizagem, as nossas benchmarks ou referências (para não termos que reinventar a roda), as técnicas e recursos utilizados vão estabelecendo o nosso learning style.
Nas escolas tradicionais, o livro, o quadro negro e o professor eram os principais transmissores do conhecimento. Este método ainda continua a ser o mais utilizado, na formação de adultos(O quadro mudou de cor, agora é branco). Note-se que pode ser óptimo para aqueles cuja apetência para aprender se sacia com uma postura passiva e receptiva, recorrendo à visão, à audição e à escrita como ferramentas de memória. Mas então e aqueles que traduzem o mundo de outra forma? Os que se concentram melhor em ambientes informais, sozinhos ou em grupo e cuja apetência para a aprendizagem depende de factores tão diversos como estratégias de processamento sequencial ou simultâneo, modalidades sensoriais, necessidades de ordem física (mobilidade, imobilidade, comer ou jejuar) ou da sua necessidade em interpretar o mundo com outra linguagem, pintar, dançar, esculpir ou cantar?

E de que aprendizagem falamos nós afinal? Contar mais? escrever mais? mais do mesmo? Que tipo de formadores somos nós? Na Educação e Formação de Adultos, por exemplo, temos em conta os princípios de Andragogia, centrados no processo de aprendizagem e na abordagem da pessoa? Ou aplicamos as técnicas que aplicaram connosco [porque se trata do último modelo que tivemos]? É que não basta compreender uma mudança de paradigma: é também preciso integrar os conceitos e depois aplicá-los, de facto, em acção. A nossa função não consiste apenas em formar gente que repita informação sem pensar, mas sim fomentar o pensamento multifocal, multiangular e criativo.

O que ensinamos hoje continua a tranquilizar os nossos dogmas, alheia-nos do desassossego virtual do presente e criopreserva-nos em sarcófagos anacrónicos, candidatos à desintegração quando ficarem em contacto com os ambientes digitais do futuro, esses, já virados para o creative learning.

Sir Ken Robinson, ilustre investigador britânico, armado cavaleiro pelas suas ideias sobre criatividade, educação e arte, considerado pela Time Magazine, Fortune e CNN como uma das Principal Voices no assunto, diz-nos que as escolas matam a criatividade e que é necessária uma revolução do Ensino. A maior parte das pessoas que saem das escolas não sabe que competências latentes pode desenvolver, porque a educação está estandardizada. Sir Ken Robinson propõe que se criem condições para deixar florescer talentos naturais, permitindo que se desenvolva uma cultura de felicidade, em torno do que se faz com paixão, com gosto: personalized learning.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Fim de um ciclo


É com alguma tristeza que anuncio hoje o fim da minha participação neste espaço, embora o faça por opção. Durante alguns anos dediquei-me de alma e coração à Educação de Adultos, a projectos em que acreditei e nos quais depositei a minha confiança, mas chegou a hora de fechar um capítulo. Foram muitas horas de estudo, de trabalho, de contacto com pessoas que me ensinaram muito sobre a vida e me fizeram uma pessoa melhor e mais conciente das minhas responsabilidades enquanto profissional e enquanto cidadã. É minha vontade continuar ligada à educação, quer seja aqui ou em qualquer outra parte do mundo em que sinta que possa ser útil, e acredito que o conseguirei fazer. Apenas se fecha aqui um ciclo.

Queria agradecer publicamente a todos os que trabalharam comigo ao longo deste período, aos que me ensinaram tanto, àqueles com quem pude partilhar um pouco da minha experiência e da minha paixão pela educação, e, muito especialmente, às duas pessoas que têm partilhado comigo este espaço e esta aventura. Estou certa que o continuarão fazer, da mesma forma profissional e apaixonada como sempre fizeram!

Por fim, mas o mais importante em toda esta experiência, quero agradecer aos adultos com quem trabalhei e que tanto, mas tanto me deram, aos que conheci "à distância" através deste e de outros espaços informais de partilha e de aprendizagem, e a todos os que têm a coragem de agarrar uma nova oportunidade, mesmo em momentos de crise como a que atravessamos. Eles são, para mim, os verdadeiros heróis e aqueles a quem, humildemente, presto mais uma vez a minha homenagem.

Obrigada a todos e até sempre!

Mafalda Branco

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Aprender: dor ou prazer?


Jacques Rozier, realizador francês, numa curta metragem de 1955, "Rentrée des Classes" ilustrou magistralmente o prazer de faltar às aulas, um conceito tão fácil de aceitar que ninguém o contesta!
No nosso imaginário colectivo, a vida fora da sala de aula continua, naturalmente, mais apetecível do que dentro dela.
Paradoxalmente, a aprendizagem ficou, portanto, ao longo dos tempos, associada à noção de contrariedade, esforço, trabalho e dor. Por que motivos estranhos se entendeu que a aprendizagem "pura e dura" seria mais eficaz do que aquela que acontece quando está ou foi associada a memórias prazerosas? Porquê associar a dor ao conhecimento? Porquê transformar o estudo num castigo e num dever e acoplar a noção de culpa a quem não segue este preceito?
Augusto Cury, eminente psiquiatra brasileiro, na sua obra "O Código da Inteligência", refere que "A dor anula a busca da excelência nos seus mais diversos aspectos".

Cientistas conceituados como o nosso António Damásio estabelecem relações entre os conceitos de emoção e da neurobiologia e referem que as nossas células mudam com a aprendizagem, guiadas pela emoção. Aliando o prazer estético e a aprendizagem, António Damásio apontou a arte como uma forma de encontrar estímulos capazes de desencadear "um estado neurofisiológico de grande coerência e harmonia".


Hoje, felizmente, estamos a redescobrir que o prazer proporciona bem-estar, equilíbrio e saúde.
Não vos estou a falar do prazer imediato, da impaciente e insaciável sede dos sentidos. Não se trata da busca pela satisfação egocêntrica dos bens e prazeres consumistas e materiais imediatos ou transitórios.Não.
Refiro-me ao prazer refinado do reencontro com o belo, que nos enleva e eleva, paulatinamente, em cada sussurro de alento; gradativamente, em cada movimento harmónico; profundamente em cada inspiração da essência fractal do Noûs que permeia a vida, desde a origem do cosmos, como nos propôs Anaxágoras, o filósofo grego.

Podemos começar por olhar para o mundo com um olhar diferente. E mostrar aos nossos formandos que esse olhar é fundamental para que fiquem despertos para um novo mundo. Podemos começar por motivar para a aprendizagem, para a descoberta da beleza e das potencialidades que existem em nós. Era disto que falavam Jacques Bergier e Louis Pauwels com o seu "Despertar dos Mágicos". Os mágicos somos nós, formadores e formandos, todos claramente aprendizes.
Trata-se de uma clara mudança de paradigma, à qual convém sermos capazes de nos adaptar. Vai ser preciso re-aprender a aprender. Nesta nova linha de pensamento, seremos todos, de novo, aprendizes de aprendentes.
Mens sana in corpore sano complementa-se agora com mens sapiens in anima laeta, aliando o conceito de inteligência ao de felicidade.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Recomeço...

Porque a vida é um ciclo, Setembro marca o fecho de um e o início de outro. Provavelmente, não para todos nem em simultâneo – mas para muitos. Assiste-se ao retorno: mais um ano lectivo, cumprimento de horários, (re)assumir funções...
O repouso do corpo e da mente durante os quentes meses de Verão abre-se agora num novo ciclo. Numa nova fase. Num novo caminhar – no fundo, cada dia é novo; por isso, cada caminhar é novo também.
E, assim, reabrimos as páginas deste nosso “livro”, vendo na partilha o húmus que favorece o seu fortalecer dia após dia e nas ramificações de cada virar de página os frutos desse alimento.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ponto e vírgula


Chegou o tempo da pontuação: vírgulas, reticências e outras exclamações marcam uma pausa merecida no nosso discurso bloguista até Setembro.. Até lá, enquanto o sol se põe, ponto de referência a Oeste, para não perdermos o Norte, o seu reflexo na água marca a vírgula das nossas aventuras: ponto e vírgula nas nossas publicações... Boas férias!!!!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Desculpem qualquer coisinha....

Imagem: Excalibur by Arbebuk in deviantart.com

Hoje, no final de mais um dia de intenso trabalho - 12 horas - percebo que é imperioso deixar, neste espaço, um desabafo que ficará à minha inteira responsabilidade.

Lancei-me nesta aventura de corpo e alma e a alma foi ficando maior, à medida que na jovem equipa do Centro Novas Oportunidades (que tenho o privilégio de coordenar), inventávamos máquinas voadoras e viagens ao centro da terra para dar resposta ao que nos tínhamos proposto realizar. Tivemos o privilégio de trabalhar com fadas e duendes, aprendemos a realizar fórmulas mágicas, lançámos o traçado de muitas viagens iniciáticas e sentimos que, em nós todos, candidatos e equipa, acontecia um processo alquímico: havia, nesta demanda, a descoberta de um pedaço da nossa Pedra Filosofal. Entrar na floresta dos druidas implicou aceitar uma estranha e arrepiante neblina inicial, velo de práticas intuitivamente ocultas, mas caminhando seguros em direcção ao objectivo, avançámos sem medos, para receber, da mãos da Dama do Lago, a nossa Excalibur, em troca do compromisso de respeitarmos e defendermos princípios consagrados no Sagrada Floresta dos Carnutos. Jurámos e cumprimos. Ou julgávamos que cumpríamos. O nosso reflexo no Lago era frequentemente reforçado pelo reflexo de grandes espelhos estrategicamente espalhados pela floresta. Um reflexo brilhante que salientava aspectos reais, porque de espelhos mágicos falamos, porque a verdade cromática sobressaía no olhar de quem connosco se cruzava e havia partilha e a alma crescia... Não. Não estou a confundir com o ego. Estou mesmo a falar de Alma , filha de Anima e de Noüs, inefável divindade presente em cada ser vivo, recolhida sob uma casca protectora para lidar com as difíceis aparências vivenciadas em cavernas diárias de jogos de sombras...
Folclore, ilusões e utopias, mitos ou elucubrações, diriam alguns, todavia nômenos de uma verdade intangível e intemporal absoluta, no caldeirão de Merlim, transformavam-se, de facto, em fenómenos observáveis, vividos com a força da nossa percepção do Mundo, tal como ele nos aparece.
As pedras e pedregulhos foram repouso e suporte para alcançar uma visão maior: fizemos com que se transformassem em dólmenes e cromeleques, alinhados com constelações, numa rede global primitiva, antepassada de mágicas teias virtuais.
Na floresta dos Carnutos, ouve-se nitidamente a linguagem dos pássaros, apenas perceptível quando o sol está a despontar, como um manto de música a cobrir a suave textura de folhas e bolotas caídas de azinheiras, carvalhos e sobreiros, residEntes resistEntes ainda adormecidos, à espera que a sua voz também se faça ouvir.
Aprendemos ali a Sonhar de olhos abertos. Comíamos pérolas de maná, que nos chegavam, como combinado no Tratado da Távola, com regularidade suficiente para não sentirmos o temível jejum.
Mas naquele dia, algo mudou, o Entes murmuravam notícias aterradoras de algoritmos surgidos do Outro lado dos Espelhos, esferas de fogo anchimalgénicas perdidas em fractais meteóricos, em rota de colisão eminente com a floresta. Nem fraqueza nem oportunidade. Uma clara ameaça. As pérolas de maná. Ou melhor: o seu racionamento. Ou pior: a devolução de pérolas que nunca tínhamos chegado a receber. Quase um dízimo...
Em perfeito jejum, de olhos bem abertos, como Blimunda Sete-Luas, vimos entranhas e vísceras viscosas, por debaixo do velo epidérmico luminoso que cortinava as entradas da floresta, realidade anatómica insuportável até para a vista iniciada de Cavaleiros protectores do Graal...

Sim, é de dinheiros que estou a falar. O dinheiro é como a energia do sol: precisamos dela para que a floresta viva. Excalibur foi forjada a partir do metal nobre que nos alimenta a alma. O dinheiro é a seiva que nos alimenta o corpo.

Na floresta abriram-se poços sem fundos, desalinhados de Rosas e Ventos, com nove níveis de profundidade visíveis e outros tantos invisíveis. Surgiram lendas de druidas, inebriados em divinas comédias, que nunca mais foram vistos, depois de se debruçarem à beira de tais abismos.
Seria o fim da floresta, se nada fosse feito. Morte lenta ou imediata, a crónica já se anunciava, em concertos de insuportáveis vuvuzelas.
Mas se não morremos, podemos ficar mais fortes e, ainda, conhecer as fraquezas e ameaças para as quais descobrimos novas fórmulas de eficácia e varinhas de melhoria...

Algo está mal no reino do Rei Artur? Aqui não se consegue tapar o sol, nem sequer com as peneiras de quem distribui pérolas. Vamos então, com o olhar protegido por lentes abrunhosas, fazer "o que ainda não foi feito"...

Chegou a hora de Despertar os Mágicos, de aplicarmos à realidade a construção da Utopia sonhada. É preciso conhecer as vísceras para as manter de boa saúde. As pérolas de maná são necessárias porque sustentam a estrutura de bronze da nossa lâmpada aladínica, atómica e anatomicamente.
Não cremos que a cegueira nos sirva mas queremos ver melhor para melhor servir o sonho de contribuir para a construção de um Portugal Melhor.

Por favor, deixem-nos trabalhar...
Anabela dos Santos Luís

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Selo de Empresas Qualificantes

O Selo de Empresas Qualificantes consiste numa distinção atribuída pelos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação às empresas e outras entidades que desenvolvam actividades associadas à qualificação dos seus trabalhadores através das modalidades integradas no Sistema Nacional de Qualificações ou que participem, através de outras intervenções, no esforço de qualificação da população portuguesa.
As empresas e outras entidades empregadoras de direito privado que pretendam candidatar-se ao Selo de Empresas Qualificantes podem fazê-lo a partir do dia 19 de Julho, preenchendo um formulário que será disponibilizado na página da Agência Nacional para a Qualificação e as entidades que vierem a ser seleccionadas para efeitos de obtenção do referido selo integrarão a Rede de Empresas Qualificantes.
Fonte: ANQ

sábado, 3 de julho de 2010

Acesso para o Sucesso

A recessão, que começou em 2008, aumentou a procura de aconselhamento de carreira e aconselhamento para quem procura emprego, em toda a Europa. Aqueles que perderam os seus postos de trabalho devem à orientação e aconselhamento, em muitos casos, a transição para um novo sector ou a actualização das suas competências.

A publicação “Acesso para o sucesso – linhas de orientação para uma melhor aprendizagem e trabalho ao longo da vida na Europa” sintetiza as principais questões apresentadas na revisão da política de orientação do CEDEFOP (que é co-produtor desta obra) com a rede de política europeia para a orientação ao longo da vida (European lifelong guidance policy network (ELGPN).

Assim, esta publicação faz um balanço sobre a forma como as orientação de políticas e sistemas, bem como a prática de orientação e aconselhamento ao longo da vida, estão a desenvolver-se em toda a União Europeia.

Fonte: aqui

Pretende ler a publicação? Para tal, poderá aceder aqui!

sábado, 26 de junho de 2010

Pensar a educação...

Tive recentemente a oportunidade de participar numa Missão Aventura Solidária, com a AMI, numa das zonas mais pobres do Senegal. Entre o projecto em que estivemos envolvidos e o contacto com a comunidade, visitámos duas escolas, a de Kaba e a de Parba. Esta última foi a que mais me impressionou. A escola não era mais que 5 palhotas, deitadas pelo vento, com umas mesas lá dentro e um quadro preto pendurado em paus. Sentar-me numa destas "salas" de aula foi uma experiência emotiva e transformadora. Queixamo-nos de tanto quando há tanta gente no mundo sem as mínimas condições para trabalhar, quando há meninos e meninas que aprendem sentados no chão, entre o pó, sem material escolar do mais básico que existe, como um caderno e um lápis.



E ali, naquele sítio onde tudo parecia impossível, havia uma coisa que aqui pergunto onde anda... respeito. À entrada na sala, todos os meninos se levantavam sem uma única palavra da professora. À saída, ordeiramente, cada fila de alunos aguardava a sua vez. Na entrega de material escolar à comunidade, não houve uma única criança que ousasse tocar em nada, apesar de também nada ter e a tentação poder ser muita (pelo menos no nosso entender). Os olhitos brilhavam a olhar os lápis de cor, as canetas, os cadernos, mas ninguém tocou em nada com um dedo que fosse e não foi preciso alertá-los para que o fizessem. E havia sorrisos. Muitos. Orgulho em andar na escola, em aprender. Orgulho em mostrar as palavras que iam desenhando nos cadernitos sujos e gastos. Ali, naquilo a que vulgarmente chamamos "fim do mundo", encontrei eu o princípio. Os princípios, a essência do ser humano. Aquilo que nós aqui, apesar de todas as condições que possamos ter, perdemos.
Há tanto, tanto para fazer por esse mundo para que a educação seja, efectivamente um direito de todos, principalmente das crianças! Porque só com a educação pode haver desenvolvimento, mudança, transformação.

sábado, 19 de junho de 2010

Avaliação de Competências em França...

Nem sempre é fácil fazer uma reflexão sobre as nossas competências e os nossos centros de interesse. Contudo, é um trabalho necessário para se procurar um emprego ou para evoluir. Essa reflexão é igualmente indispensável quando se pretende elaborar um portfólio ou apresentar-se melhor durante uma entrevista.
  • Quais são as nossas principais competências chave?
  • Quais são as nossas fraquezas?
  • O que podemos destacar num portfólio de competências ou num e-portfólio?
  • Em que áreas devemos investir mais?
Foi para ajudar a responder a estas perguntas que uma equipa de formadores e de psicólogos do GRETA (GRoupement d'ETAblissements publics d'enseignement) de Velay, em França, concebeu, com o apoio do Fundo Social Europeu, um instrumento de diagnóstico das competências chave, no âmbito do Quadro Europeu de Referência, onde se definem as oito seguintes:
  1. Comunicação em língua materna
  2. Comunicação em línguas estrangeiras
  3. Competência matemática e competências de base em ciências e tecnologias
  4. Competência informática
  5. Aprender a aprender
  6. Competências sociais e cívicas
  7. Espírito de iniciativa e de empreendimento
  8. Sensibilidade e expressão culturais
Eis um instrumento que poderia, e deveria, ser traduzido e ajustado para a situação portuguesa; certamente, com grandes benefícios para os adultos, sobretudo os potenciais candidatos a Cursos EFA e Centros Novas Oportunidades ou os que frequentam já estas modalidades de Educação/Formação.

Para s@ber mais... aqui!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

C’NÓS NO FUTURO


C’NÓS NO FUTURO - Encontro de Profissionais e de Formadores de RVCC

Com o intuito de consolidar e de melhorar o trabalho desenvolvido nos diversos Centros Novas Oportunidades, tem lugar, no dia 2 de Julho, o "C’Nós no Futuro – Encontro de Profissionais e de Formadores de RVCC".

"Realizar-se-á no dia 2 de Julho pelas 9h na Escola Secundária de Silves e pretende criar novas pontes para um futuro de partilha de boas práticas e de promoção da qualidade dos processos de trabalho. Assim, da parte da manhã, duas conferências sobre Balanço de Competências e Educação de Adultos e, da parte da tarde, sessões de trabalho/discussão em pequenos grupos."
Fonte: ANQ

Para saber mais: aqui

sexta-feira, 11 de junho de 2010

1.ª Feira “Almada Multicultural Anima Integração”

Com o objectivo de dar a conhecer, interagir, partilhar e reconhecer a multiplicidade de vivências e mundividências em torno de temáticas da língua, cultura e cidadania portuguesas, será realizada, entre os dias 25 e 27 de Junho, no Museu Municipal da Cidade, em Almada, a 1.ª Feira “Almada Multicultural Anima Integração” (AMAI).
Sendo levada a cabo pelo Centro de Formação de Escolas do Concelho de Almada – AlmadaForma, no âmbito do projecto Língua, Cultura e Cidadania – Almada Referencial do Ensino do Português (AIReP), a AMAI pretende também reconhecer e valorizar o património multicultural da cidade, centrando-se nas dinâmicas criadas entre as escolas e a comunidade local, numa perspectiva de educação e formação ao longo da vida.
Para o efeito, o evento irá integrar conferências, debates e espectáculos ilustrativos do modo como a língua e a sua utilização estão relacionadas com a inserção social e a cidadania.

Fonte: Novas Oportunidades

Para saber mais sobre o Projecto...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Learning styles...



Estilos para melhorar o ensino e a aprendizagem em contextos diversos são explorados na Universidade de Aveiro.

"Entre os dias 28 e 30 Junho de 2010, a Universidade de Aveiro recebe a 15ª Conferência Internacional da European Learning Styles Information Network(ELSIN). Ao longo dos três dias, especialistas vão explorar estilos para melhorar o ensino e a aprendizagem em contextos diversos...."

A ELSIN 2010 é uma conferência anual que proporciona a investigadores e especialistas, em formato de fórum, a oportunidade de trocar ideias, conhecimentos e preocupações referentes a estilos, abordagens e estratégias de aprendizagem. Um dos pontos fortes da Elsin é a sua interdisciplinaridade, que atrai participantes de um vasto leque de domínios científicos e contextos profissionais.


A seguir de perto...



quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Arte de ser Professor (da e na Vida)

Precisamente porque há dias em que nada surge, por vezes é necessário "sair" e absorver de uma espera activa uma necessária frescura sadia e sentir as ondas da vida em aroma e energia.

“Não sabemos dizer se a profissão de professor é a mais antiga do mundo. Dizem ser outra. Mas a verdade é que, desde que o mundo é mundo e o homem se viu como humano, ensinar e aprender é a base da vida".

Também não é nova a premissa: “na vida todos somos professores e alunos porque ensinamos o nosso exemplo e aprendemos com o exemplo dos outros”. É a lei da (auto)construção. Do ser em devir que é o Homem.

E é assim que a maior riqueza não reside nem se restringe aos bens materiais. Está, sobretudo, na capacidade de questionar, de cismar. E o maior prazer está, então, “onde outros só vêem tédio”.

Se todos somos professores e alunos, quais são os nossos recantos e fontes de prazer que nos fazem ensinar e aprender?