sábado, 13 de fevereiro de 2010

Vidas e Máscaras


Por que razão alguns dos habitantes do planeta Terra reservam alguns dos dias do ano para festejar A VIDA de uma forma tão animada? Será que existe uma outra forma de olhar para a condição humana, sem ser através de lentes sérias e objectivas? Poderá, neste mesmo mundo, haver lugar para a fantasia, o riso, a boa disposição e e o divertimento? Em que medida a imaginação e a criatividade se podem aliar ao bom gosto para fruir em descontracção, eliminando estereótipos e lugares comuns? E afinal, porquê recorrer à MÁSCARA para que o sangue carnavalesco possa fluir pelas veias e artérias dos festejos? Não estaremos todos a ver a vida ao contrário? Camille Saint-Saëns teve a percepção musical do prazer de viver e presenteou-nos com uma magnífica obra cujo excerto (divertidamente ilustrado pela Disney Fantasia), aqui em baixo, vos deixo, para, à minha maneira, colocar outra MÁSCARA sobre a VIDA.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma questão de valores...

Retomei as minhas incursões aos tais livros de Filosofia que tornam mais fértil o campo do(s) saber(es). Desta vez, para me cruzar de novo com uma imagem que, aliando o humor ao contexto, poderá ser objecto de reflexão:
E, ao deambular por aí... encontrei o texto que, aqui, se encontra alojado.
Uma vez que todos os valores se encontram referidos a um sujeito e este é constituído por sensibilidade e espírito, podem classificar-se em duas categorias fundamentais:
  • valores sensíveis, que se referem ao homem enquanto simples ser da Natureza (valores relacionados com algo agradável ou que transmite prazer, valores vitais e valores de utilidade);
  • valores espirituais, que se caracterizam tanto pela imaterialidade que acompanha a sua perdurabilidade, como pela sua absoluta e incondicional validade (valores lógicos, valores éticos, valores estéticos e valores religiosos).

Todos os contextos em que nos inserimos estão imbuídos de valores. Incluindo a escola, enquanto espaço de socialização. Quando olhamos para a sociedade de hoje e para a de outrora... para a escola de hoje e para a escola de há alguns anos atrás... Terá mudado algo, efectivamente? O que mudou? Ou não mudou? Estaremos a atravessar uma mudança de paradigmas? Por vezes ouço e leio palavras de adultos em Processo de RVCC que referem, ao reflectirem sobre o seu percurso escolar, que “hoje não é como antigamente... os valores não são os mesmos...”. Mas referimo-nos a quê, em concreto?

E, hoje em dia, quando a escola se assume como um espaço onde muitas pessoas encontram uma "nova oportunidade", qual o valor com que esta instituição se veste?

Podendo os valores ser classificados em diferentes “categorias”, estarão a conhecer prioridades diferentes, fruto da acção, da atitude e dos objectivos do Homem? Ou seja, todos os valores existem, no fundo, mas num traço contínuo diferente? Afinal, que contornos pretende o Homem, efectivamente, imprimir na Sociedade da Informação e do Conhecimento (aquela em que vivemos e nos enquadramos)?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Concurso "Grande Será o Nosso Futuro"

O Programa Operacional de Potencial Humano (POPH) lançou um concurso dirigido a todos os que concluíram o 12.º ano de escolaridade, através de percursos escolares assentes numa estrutura técnica e prática da aprendizagem, como é o caso dos Cursos do Sistema de Aprendizagem, Cursos Profissionais, dos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e dos Cursos de Educação e Formação de Adultos.
O desafio é responder à pergunta "O que construí na minha vida após a conclusão do 12.º ano?". Para isso, basta inspirar-se, pensar em si, no que já conseguiu alcançar, nos projectos para o futuro, no que sente ao ter vencido mais uma etapa... enfim, "o céu é o limite"!
Para concorrer, basta enviar enviar, até 28 de Fevereiro, para o endereço de e-mail grandefuturo@poph.qren.pt, o seu depoimento (que não deve ter mais de 5 mil caracteres) e algumas fotografias que simbolizem o que de bom ofereceu à sociedade onde vive. A inscrição é gratuita.
A inovação, a criatividade e a qualidade da escrita serão alguns dos critérios de avaliação dos trabalhos, bem como a qualidade da trajectória escolar e profissional de cada aluno.
Ao vencedor será atribuído um voucher de estudo no valor de 3.500 €, enquanto que o segundo prémio será no valor de 2.000€. Contudo, todos os concorrentes terão direito a uma t-shirt como prémio de participação.

Mais informações e regulamento do concurso: POPH

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A des/re/construção do PRA (V)

(CONTINUAÇÃO)
Não se pode ensinar coisa alguma a alguém;
pode-se apenas auxiliá-la a descobrir por si mesmo (Galileu)
Percebo, no que me escreves, que a tua profissão te apaixona e que nela encontras respostas para muitas interrogações existenciais. Trata-se de uma coincidência, António, porque o mesmo se passa comigo e deixa-me dizer-te, em jeito de desabafo (sei que não o devia fazer, mas não resisto, em nome da relação de confiança que entretanto se estabeleceu entre nós), deixa-me dizer-te que pensei que este meu trabalho fosse demasiado administrativo- não é disso que te queixas, também, António?- mas descobri que, apesar de tudo, qualquer coisa acontece com as pessoas, que a transformação é possível e que estamos a contribuir para um mundo melhor.

Quando passo à abordagem da tua narrativa, sinto-me por vezes como um pirata nos mares dos pensamentos e tenho receio de encontrar no teu barco alguma arca de ansiedades, de receios ou de vergonhas. Mas não é essa a minha área, nem nunca será. Sou salteadora de competências perdidas, ocultas ou esquecidas. Espero que compreendas que estou aqui com uma função sagrada, para te mostrar o caminho do templo de Apolo, em Delfos, onde está escrita a máxima: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo".

Anabela dos Santos Luís - Alcobaça, Novembro. 2009


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Think 2010

Porque vale a pena, por momentos, parar para pensar
e pensar para mudar...

... este é um espaço de apresentação do Ciclo de Workshops para professores que será dinamizado durante uma semana e tem como objectivo a dinamização de momentos de formação assentes numa perspectiva não-formal e informal para partilha, colaboração e transferências de ideias, conversas e "saberes".

Assim, este Ciclo de Workshops visa mobilizar estratégias de valorização da aprendizagem não formal e informação numa perspectiva de inovação, qualidade e excelência.

Vale a pena visitar este espaço, participar, aprender,
pensar e mudar!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Formação à distância

Foi celebrado hoje, no Salão Nobre da Universidade Aberta, um protocolo entre a Universidade Aberta e a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ).
Este protocolo tem como objectivo a realização, por parte da Universidade Aberta, de Cursos de Qualificação de Estudantes Universitários dirigidos a todos os cidadãos que pretendam prosseguir estudos de nível superior, bem como a concepção de acções de Formação de Formadores à Distância dirigidas a técnicos que desempenhem funções no âmbito do Sistema Nacional de Qualificações.
Os Cursos de Qualificação de Estudantes Universitários possibilitam a obtenção de créditos no âmbito do Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS), para efeitos de prosseguimento de estudos de nível superior, consolidando, desta forma, conhecimentos técnicos específicos nas áreas a que estes cursos respeitam.
As acções de Formação de Formadores à Distância permitem aos operadores do Sistema Nacional de Qualificações a aquisição de competências na utilização de ferramentas de e-learning.
De entre as responsabilidades previstas no protocolo, caberá à ANQ a divulgação destes cursos junto dos Centros Novas Oportunidades e dos restantes operadores do Sistema Nacional de Qualificações; acompanhar a concepção destas formações e identificar as áreas de qualificação a privilegiar na definição dos currículos e modelo de organização das mesmas; bem como financiar as acções destinadas aos operadores do Sistema Nacional de Qualificações.

Fonte: ANQ

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A des/re/construção do PRA (IV)


(CONTINUAÇÃO) Nós, para os outros, apenas criamos pontos de partida (Simone de Beauvoir)
Vai, acredita e escreve mais ainda, que eu gosto de te ler. Mostra-me essas tuas competências científicas, linguísticas ou de cidadania, nos teus contextos de existência privada, profissional, institucional e macro-estrutural. As palavras transportam frutos insuspeitos, como as plantas. Vê o que podemos encontrar se seguirmos a vida de uma semente. Estarei ao teu lado para fazer de tutor, para te limpar de folhas secas e ajudar o teu renovo. Por vezes, também me sinto insegura. Não sei se tenho o direito de intervir, de te mostrar caminhos e direcções ou de te impedir de continuar. Quem sou eu para te pôr em causa? Quem sou eu para te dizer: não vás por aí? para questionar as tuas escolhas? Alguns pensadores que às vezes consulto dizem que é suposto deixar-me contagiar pelo efeito Pigmalião, sabes, o escultor que ao apaixonar-se pela obra criada, lhe deu vida. É suposto despertar em ti o que tens de melhor para dar, estimulando o teu lado mais positivo e desocultando competências cujos indícios me vais revelando, aqui e ali. E então, acreditar em ti, no que tu tens para dar. Dizem que é este o segredo. Sabes, António , as minhas inferências a teu respeito levaram-me a criar expectativas especiais, mesmo que, na maior parte das vezes eu não tivesse disso consciência, nem tu. E bem vou tentando não me deixar influenciar pelas imagens que vou construindo a teu respeito, mas nem sempre consigo, porque sou feita da mesma matéria de que és feito também. (CONTINUA)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Manual para facilitadores em Educação Não Formal

O objectivo do Conselho da Europa sobre políticas de juventude consiste em proporcionar aos jovens iguais oportunidades e experiências, que lhes permitam desenvolver os conhecimentos, aptidões e competências para desempenhar um papel activo em todos os espaços da sociedade.

O programa de actividades visa associar os jovens (através de organizações governamentais e não governamentais de juventude) às metas e prioridades da política da juventude do Conselho da Europa. Os participantes nas acções de educação e formação são os multiplicadores que, dentro das suas organizações de juventude ou instituições, estão envolvidos na formação de outros jovens e/ou na concepção de actividades e programas que põem em prática os valores, normas e objectivos que presidem à política da juventude do Conselho da Europa.
A qualidade destas actividades depende das competências e do talento dos facilitadores destes processos educacionais, muitos dos quais são voluntários de organizações de juventude na comunidade. O Manual foi desenvolvido com o fim de os apoiar nesse papel (especialmente quando fazem parte das equipas pedagógicas das sessões de estudo no Centro Europeu da Juventude) e fornece informações essenciais e dicas práticas para todos os que estão envolvidos em equipas de planeamento e desenvolvimento de actividades interculturais de educação não-formal. Este Manual é parte integrante dos esforços do Conselho da Europa para o sector juventude, para apoiar e desenvolver a qualidade das actividades de educação não formal na Europa e, com isso, pretende contribuir para aumentar o reconhecimento deste sector da educação.

Fonte: aqui

sábado, 30 de janeiro de 2010

Encontro Rede CNO Centro

O Modelo de Auto-Avaliação CAF (Common Assessment Framework) está a ser implementado nos Centros Novas Oportunidades desde Maio de 2009. No entanto, os Centros que iniciaram a sua actividade em 2008 apenas vão implementá-lo este ano. Por isso mesmo, o tema escolhido pelo Centro Novas Oportunidades da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF) não podia ser mais oportuno para todos os que se reuniram em mais um Encontro da Rede CNO Centro, naquela cidade. Depois da apresentação do Prof. Rodrigo Queiroz e Melo, da Universidade Católica, e da partilha de alguns Centros que já implementaram o CAF, que desmistificaram um pouco a complexidade do processo, bem como apresentaram algumas estratégias para superar as dificuldades com que se depararam, as conclusões acabaram por ser positivas. Entre elas, destacamos:

- A perspectiva do modelo de auto-avaliação como um referencial de competências-chave, o que leva as equipas a olharem-se ao espelho e a fazerem o seu próprio balanço de competências, tal como é pedido aos candidatos em processo RVCC;

- A importância da sistematização de algumas práticas e a sua consequente melhoria contínua;

- A necessidade de as equipas serem humildes na sua própria avaliação e também realistas na elaboração do seu plano de acções de melhoria;

- A urgência da partilha de práticas e da sua possível melhoria, para que as equipas aprendam umas com as outras como podem alcançar a excelência nos diferentes crtérios avaliados.

Neste espírito, deixamos para partilha uma das apresentações (curiosamente todas foram extremamente semelhantes) e o excelente vídeo apresentado pela equipa do Centro Novas Oportunidades do NERGA.

A todos, mais uma vez, agradeço e louvo a forma como decorreu este Encontro, certamente enriquecedor para todos os que nele puderam participar. Esperamos que outras redes de Centros surjam e sigam o exemplo desta!




quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A des/re/construção do PRA (III)

(CONTINUAÇÃO) Quando te conheci,António, foi preciso desconstruir-me primeiro dessas minhas classificações. É que a minha função também passa por ser imparcial. Já tentaste ser imparcial? Ou então ser tão imparcial que passas a tomar o partido do outro? Agora fiz-te sorrir? ainda bem, pois convém que entre nós se estabeleça uma relação de confiança, de cumplicidade, para capitalizarmos benefícios, tempo e resultados. Até porque o processo pressupõe autonomização e um esforço de construção de ti-mesmo, que pode ser lento e doloroso. Vai ser preciso colocar cada outro no seu lugar- e isso inclui-me a mim - para que possas ocupar o teu, na desconstrução e reconstrução da tua identidade. Haverá sempre intersubjectividade, mesmo quando julgas que não há. Aliás, quando escrevemos, fazêmo-lo sempre para alguém. Já pensaste nisto António? Quando te revelas inseguro e me perguntas se está bem, quando elaboras o discurso em hesitações e escolhas, reconsiderando percursos escolares incompletos ou projectos profissionais associados a expectativas de formação, quando escreves à procura de respostas, diriges sempre a tua escrita a alguém. As diferentes versões das narrativas que me entregas são interpretações habitadas por mim... Entrei na tua casa das recordações, no teu baú de escolhas e vivências e vou tentando dar-lhes um brilho novo, orientando os raios do sol em direcção aos espelhos de que falava ainda agora, os espelhos do referencial, para, assim, conseguir realçar a pertinência e relevância dessas escolhas e vivências no teu processo de reconhecimento. Espero, desta forma, poder contribuir para desfazer em ti aquele agrume residual em relação à vida, à escola, à aprendizagem e à esperança no futuro. Espero, assim, neste meu papel de Oceânide, contagiar-te com o fogo dos deuses e despertar em ti o Prometeu adormecido, sedento de conhecimento e de arte. (CONTINUA)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Aprendizagem informal e utilização das TIC nas PME

Vários especialistas vão debater, no dia 27 de Janeiro, no Centro de Congressos de Lisboa, a importância da aprendizagem informal e a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Pequenas e Médias Empresas (PME).
Moderado por Roberto Carneiro, este debate constituirá o primeiro painel de um seminário que trará a Lisboa nomes como André Richier (Direcção Geral de Empresas da União Europeia) e Maruja Gutierres (Direcção Geral de Educação e Cultura, também da União Europeia).
O segundo painel deste seminário retoma o tema do Creative Learning Innovation Marketplace, através da apresentação do story telling deste evento e do lançamento do livro de conclusões do mesmo.

Fonte: aqui

sábado, 23 de janeiro de 2010

Experiência = Aprendizagem?...

"A experiência apresenta um potencial formativo mas não é por si só formativa. A experiência tanto pode potenciar a formação, como funcionar como um obstáculo ao desenvolvimento de outras experiências. Através da interpretação do vivido é possível compreender se as experiências resultaram em aprendizagens, ou se pelo contrário, não passaram de vivências, sem que se tenha concretizado o seu potencial formativo. Perceber se se realizaram aprendizagens não conscientes ou se a experiência não resultou em aprendizagem, torna-se uma tarefa bastante difícil e morosa, quer para o adulto, quer para as equipas responsáveis pelo reconhecimento e validação de adquiridos.
A experiência é indissociável dos elementos cognitivos e emotivos, o que se reflecte no processo de reconhecimento de adquiridos. A emoção faz parte da essência da experiência. A experiência é constituída por acontecimentos, aos quais a pessoa atribui um valor positivo ou negativo. O sentido atribuído à experiência é fortemente marcado pelas emoções que lhe estão associadas e pelo valor que a pessoa lhe atribui, o que tem uma enorme influência na (re)elaboração da experiência. A realização do processo de reconhecimento de adquiridos, ao centrar-se numa reflexão e análise sobre a experiência e os adquiridos experienciais, envolve processos emotivos que, por vezes, podem ser difíceis de gerir pelo adulto e pela equipa técnica. A (re)elaboração da experiência está inevitavelmente associada ao sentido positivo e negativo dos acontecimentos marcantes, por isso as emoções são uma presença constante e influenciam todo o processo. As emoções e sentimentos são elementos incorporados nos processos de formação experiencial, o que reforça a importância das práticas de reconhecimento e validação de adquiridos se orientarem numa perspectiva humanista, de valorização e respeito pelo adulto, e confirma a importância do processo de acompanhamento do adulto."

Carmen Cavaco. (2009). Reconhecimento e Validação de Adquiridos. Aprender ao Longo da Vida, 11, pp. 44-47.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A des/re/construção do PRA (II)

(CONTINUAÇÃO)

A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos (Marcel Proust)

Os teus amores não me interessam, António... E vou esquecer-me dos meus porque também não são relevantes para ti. Fala-me do que aprendeste, de como queres que a sociedade te veja. Fala-me do que fizeste e do que ficou por fazer. Diz-me por onde andaste e o que aprendeste com as tuas escolhas.
Olha para ti neste espelho - chama-se referencial, sabias? não te parece que as tuas vivências podem levar a uma reflexão profunda? Claro que sim. Com esta metodologia podes identificar, reconhecer e valorizar saberes, competências, atitudes e comportamentos que foste adquirindo em contextos de vida e de trabalho e que não se materializaram ainda num certificado oficial.
Vais ver que tens tanto para partilhar, António, que nem imaginavas que assim poderia ser. És muito maior do que tu. E muito maior do que eu alguma vez conseguirei ver.
Olha António, eu não te vou dizer o que escrever, porque te respeito, embora vontade não me falte, às vezes, de te sussurrar modelos, ideias, sugestões, daquelas que se encaixam tão bem no teu perfil, aquele que já me chegou, bem definido e delineado, porque foste acolhido e encaminhado com o carinho requerido. Não, não te estou a falar dos teus atributos físicos, não é desse perfil que se trata, embora esse teu ar sereno faça ressoar em mim uma ou outra corda sensível aos teus olhos castanhos de encantos tamanhos. Não. Quando falo de perfil refiro-me à imagem aproximada de quem és ou podes ser, de como actuas ou podes vir a actuar. Sabes, aquela impressão com que ficamos quando conhecemos alguém e com a qual, mesmo sem querer, estabelecemos logo uma distribuição interna pelos vários sectores das nossas configurações classificativas.
Inquietação e desconforto: é o que vais sentir aqui e ali, nessa des/re/construção do teu Portefólio reflexivo de aprendizagens, quando te aperceberes que o conhecimento está num permanente estado de porvir. Mas essa mesma abordagem de descoberta tem procedimentos heurísticos que conferem um novo valor às tuas experiências de vida, atribuindo-lhes dimensões e valores individuais e sociais. Não desesperes, António: este espelho parece ainda tão baço quando olhas para ele, mas com a minha ajuda, o reflexo tornar-se-à cada vez mais nítido e preciso, prometo.
(CONTINUA)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Em França é assim...

Em 8 Títulos e 62 Artigos, a recente Lei n.º 2009-1437, de 24 de Novembro (relativa à orientação e formação profissional ao longo da vida, publicada no “Journal Officiel” de 25 de Novembro passado) representa uma nova etapa do processo de reforma do sistema francês de formação profissional contínua. Relança, nomeadamente, o Direito Individual à Formação (DIF), prevendo a sua sustentabilidade, e traz novas alterações ao plano de formação.

Esta Lei:
  • desenvolve o “balanço de etapa profissional”;
  • desenvolve a “entrevista a meio da carreira”;
  • desenvolve o “passaporte orientação e formação”;
  • dá resposta à necessidade de assegurar os itinerários com a criação de um Fundo paritário exclusivo (destinado aos desempregados e trabalhadores menos qualificados);
  • faz surgir os “contratos de plano regionais”.

Esta Lei retomou um número importante de disposições do Acordo Nacional Interprofissional de 7 de Janeiro de 2009 “sobre o desenvolvimento da formação profissional ao longo da vida, a profissionalização e a sustentabilidade dos itinerários profissionais”.

...e em Portugal?

Fonte: aqui

Para saber mais...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um projecto a nascer...

Na sessão pública de apresentação do livro "Um Milhão de Oportunidades", o Dr. Luís Capucha, presidente da Agência Nacional para a Qualificação, lançou um desafio aos adultos presentes: a criação de uma Associação para que o espírito da aprendizagem ao longo da vida se prolongasse para além do processo que haviam frequentado. José Augusto Oliveira, um dos presentes, agarrou o desafio e tem vindo a encetar esforços no sentido de conseguir avançar com a sua concretização. No entanto, são precisos mais colaboradores e apoios, por isso pedimos-lhe que divulgasse neste espaço essa iniciativa, que esperamos venha a ganhar forma e possa no futuro contribuir para a promoção da educação de adultos em Portugal.

"Um dos objectivos principais da Associação Nacional dos Antigos Alunos da Iniciativa Novas Oportunidadedes é divulgar e promover a afirmação dos direitos dos adultos à educação e à aprendizaagem ao longo da vida.
A Iniciativa Novas Oportunidades, ao longo destes anos, entre outros méritos, tem conseguido desenvolver na população activa portuguesa uma nova postura, levando-a à procura de mais e melhores qualificações escolares, e para a qual pretendemos dar o nosso contributo para a sua prossecução.
Dar seguimento a estes anseios, mesmo depois de os adultos obterem a Certificação de Nível Secundário, é outro dos motes pelo qual nos queremos guiar, seja através de cursos técnicos de Nível IV, Licenciaturas, Estágios, etc..
Para tal, é indispensável e é nosso propósito envolver os diversos organismos públicos e privados inseridos no âmbito das políticas da educação, autarquias e empresas, tornando-os parceiros privilegiados para que, juntos, possamos consolidar o campo da educação de adultos em Portugal.
Para a concretização objectiva da criação da associação acima indicada, é necessário constituir um grupo de pessoas que se mostre disponível para abraçar esta tarefa e, numa fase posterior, solicitar às várias entidades-parceiros envolvidos, os necessários apoios institucionais e financeiros para arrancar com os nossos projectos e iniciativas. Daí ser muito importante a divulgação deste propósito por todos os meios possíveis e que desde já agradeço.
Eu darei o meu contributo, sempre que me for possível para tal fim.
Podem contactar-me para o email: jalooliveira@gmail.com ou Telm. 917426357."

José Augusto L. Oliveira

sábado, 16 de janeiro de 2010

A des/re/construção do PRA (I)

Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro. Não acredito que eu exista por detrás de mim. Alberto Caeiro

António escreveu para mim e eu li. Houve, naquela partilha, uma imediata descoberta de António e uma consequente descoberta de mim. Eu vi-me retratada no olhar que lhe lançava e ele viu-se, ali, também, porque me via olhar para ele. Entre nós os dois, um duplo espelho. Um dos espelhos tinha principalmente uma imagem reflectida, a do seu rosto. No outro espelho, o reflexo era mais complexo: estávamos os dois em equilíbrio instável e, entre nós, distinguia-se claramente um livro imponente. Nesta triangulação relacional, impunha-se, majestoso, o processo de reconhecimento, objecto de construção e desconstrução da imagem reflectida na minha mente, perscrutando competências em evidência na narrativa discursiva do António. Olhei para o primeiro espelho e vi a imagem do seu rosto, sorridente e triste, de quem tinha uma vida para contar mas se detinha na narrativa auto-biográfica que lhe fora pedida. Estava sorridente, porque António gostava da vida, dos afectos e da descoberta. Tinha tido um percurso invulgar, recheado de viagens ilusórias e de miragens reais; ainda andava à procura do amor, que nunca lhe tinha chegado. Quase insaciável, António bebia amores como quem vivia no deserto. (CONTINUA)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mobilidade & Cooperação: dois eixos de actuação

«Mobilidade e cooperação europeia são os eixos em torno dos quais se estruturam as principais actividades desenvolvidas pela Agência Nacional para a Gestão do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, entidade responsável pela gestão dos financiamentos comunitários em matéria de educação e formação profissional. O Programa Aprendizagem ao Longo da Vida decorre de uma Decisão do Parlamento Europeu (Decisão 1720/2006/CE) e surge como um instrumento financeiro ao serviço dos 31 países participantes (27 Estados Membros, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Turquia) com vista à melhoria da qualidade e à criação de condições para o desenvolvimento da dimensão europeia dos respectivos sistemas de educação e de formação profissional.
(...)
Com os objectivos de responder ao desafio que o envelhecimento da população europeia representa e de contribuir para oferecer percursos que visem a melhoria dos conhecimentos e competências dos adultos, o programa sectorial Grundtvig pretende igualmente concorrer para a melhoria da qualidade e para o reforço da dimensão europeia da educação de adultos, dirigindo-se às necessidades de ensino e de aprendizagem dos intervenientes em todas as formas de educação de adultos, quer esta seja formal, não formal ou informal.»

No ano de 2008 foram introduzidas novas acções no Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, sendo de destacar as duas das novas acções introduzidas ao nível do programa sectorial Grundtvig:

Projectos de Voluntariado Sénior Grundtvig – parcerias bilaterais entre duas instituições de educação de adultos provenientes de países diferentes que se propõem receber um financiamento comunitário para enviar e acolher entre dois a seis voluntários, com uma idade mínima de 50 anos, durante um determinado período de tempo (3 a 8 semanas). As instituições portuguesas interessadas em participar num Projecto de Voluntariado Sénior poderão encontrar potenciais instituições parceiras aqui.

Workshops Grundtvig – acção que tem por objectivo a criação de experiências intensivas de aprendizagem (entre 5 e 10 dias) numa área de interesse comum, destinando-se a aprendentes adultos provenientes de diferentes países. Pode organizar um Workshop qualquer instituição de educação para adultos que se proponha acolher entre 10 e 20 aprendentes adultos de diferentes países e que pretenda promover um momento de aprendizagem formal, não formal ou informal numa determinada área temática. Os aprendentes portugueses que desejem participar em Workshops que se realizem no estrangeiro podem consultar o Catálogo com os Workshops disponíveis.

Para saber mais sobre...
... a fonte deste
artigo
... o
Programa Sectorial Grundtvig

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

E hoje, ainda será assim?...

"Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal-dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante - formação do carácter e desenvolvimento da inteligência -, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, os informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque."

Agostinho da Silva, in Glossas

E là fora, como se faz? O desafio da diferença

Em busca do tempo perdido, andei virtualmente na terra de Proust, a ver se encontrava outras formas de proceder. Encontrei um curso intensivo de preparação para a sessão de Júri, com a duração de dois dias, a pagar, durante os quais o candidato é "iniciado" aos princípios da "Reconnaissance des acquis et de l'expérience". O objectivo principal destes dois dias é o de ajudar o candidato a constituir um dossier que será apresentado perante o Júri , graças à recolha de documentos comprovativos de formação e de experiência profissional pertinentes.
O que me chamou mais a atenção foi o facto de começarem pela explicação do que é uma sessão de Júri , do que deve conter o dossier, o que escolher e como redigir. Parece-me bem mais eficaz que a já tradicional Explicitação de Referencial adoptada pela grande maioria dos nossos Centros Novas Oportunidades, que nos tem trazido tanta hesitação por parte dos candidatos, levando por vezes à sua desistência, quantas vezes encapotada de suspensão, pela complexidade revelada na abordagem, sobretudo quando se trata do Processo de Nível Secundário. No final destes dois dias intensivos, é suposto o candidato levar consigo um dossier praticamente pronto.
Pondo de parte outros aspectos bem discutíveis, parece-me pertinente olharmos para este exemplo como um desafio: e se estivéssemos a complicar? e a exigir demais? E se pudéssemos simplificar a vida aos candidatos que procuram os Centros Novas Oportunidades?

domingo, 10 de janeiro de 2010

E agora?

De vez em quando gosto de recuperar os meus livros de Filosofia do 10.º e 11.º anos de escolaridade. Acordá-los das estantes. Abrir cada um deles novamente. Por vezes, também eles têm saudades de se sentirem acarinhados e úteis.
E, com esse gesto, solta-se sempre um pouco da magia que senti quando aprendi aquilo que corresponde a uma gota de água de um imenso oceano que é a Filosofia.
Ao percorrer as páginas, revi e recordei uma das imagens sobre a qual, na altura, tive de elaborar textos reflexivos. Era esta:

De certa forma, considero que pode relacionar-se com o Processo de RVCC (ou outra via educativa/formativa). E porquê?
Seguindo a sequência das imagens:
  1. Numa fase inicial, as ideias parecem estar todas enroladas... “Por onde começo?”, pensarão muitos adultos/candidatos.
  2. Uma mistura de sentimentos desponta: ansiedade, (des)ânimo, persistência, cansaço, entusiasmo...
  3. Chega um momento em que as ideias começam a clarear. Os conceitos, as palavras, as reflexões começam a fazer sentido. A filosofia do Processo de RVCC (ou de outro percurso educativo e/ou formativo) é apreendida e compreendida e serve de bússola às reflexões (que assumem um rumo e uma direcção mais definidos, concretos, com sentido e consentidas).
  4. E agora?! Resolvidos os problemas, terminado o Processo, ultrapassada a Sessão de Júri... E agora? O que fazer? Parar?!
Somos seres em devir. Insatisfeitos. Por isso, tentamos sempre encontrar respostas e saciar a curiosidade. Resolver problemas, subir degraus, descobrir mais, saber mais... Depois de um 9.º ano ou de um 12.º ano, não se deve parar.
Esse será mais um passo do início de uma longa caminhada, que se deseja profícua e promissora.
E, numa sociedade que tanto sensibiliza e alerta para a necessidade de (auto)formação, qualquer passo deve ser dado sempre no sentido do investimento numa aprendizagem contínua.