terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Em França é assim...

Em 8 Títulos e 62 Artigos, a recente Lei n.º 2009-1437, de 24 de Novembro (relativa à orientação e formação profissional ao longo da vida, publicada no “Journal Officiel” de 25 de Novembro passado) representa uma nova etapa do processo de reforma do sistema francês de formação profissional contínua. Relança, nomeadamente, o Direito Individual à Formação (DIF), prevendo a sua sustentabilidade, e traz novas alterações ao plano de formação.

Esta Lei:
  • desenvolve o “balanço de etapa profissional”;
  • desenvolve a “entrevista a meio da carreira”;
  • desenvolve o “passaporte orientação e formação”;
  • dá resposta à necessidade de assegurar os itinerários com a criação de um Fundo paritário exclusivo (destinado aos desempregados e trabalhadores menos qualificados);
  • faz surgir os “contratos de plano regionais”.

Esta Lei retomou um número importante de disposições do Acordo Nacional Interprofissional de 7 de Janeiro de 2009 “sobre o desenvolvimento da formação profissional ao longo da vida, a profissionalização e a sustentabilidade dos itinerários profissionais”.

...e em Portugal?

Fonte: aqui

Para saber mais...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um projecto a nascer...

Na sessão pública de apresentação do livro "Um Milhão de Oportunidades", o Dr. Luís Capucha, presidente da Agência Nacional para a Qualificação, lançou um desafio aos adultos presentes: a criação de uma Associação para que o espírito da aprendizagem ao longo da vida se prolongasse para além do processo que haviam frequentado. José Augusto Oliveira, um dos presentes, agarrou o desafio e tem vindo a encetar esforços no sentido de conseguir avançar com a sua concretização. No entanto, são precisos mais colaboradores e apoios, por isso pedimos-lhe que divulgasse neste espaço essa iniciativa, que esperamos venha a ganhar forma e possa no futuro contribuir para a promoção da educação de adultos em Portugal.

"Um dos objectivos principais da Associação Nacional dos Antigos Alunos da Iniciativa Novas Oportunidadedes é divulgar e promover a afirmação dos direitos dos adultos à educação e à aprendizaagem ao longo da vida.
A Iniciativa Novas Oportunidades, ao longo destes anos, entre outros méritos, tem conseguido desenvolver na população activa portuguesa uma nova postura, levando-a à procura de mais e melhores qualificações escolares, e para a qual pretendemos dar o nosso contributo para a sua prossecução.
Dar seguimento a estes anseios, mesmo depois de os adultos obterem a Certificação de Nível Secundário, é outro dos motes pelo qual nos queremos guiar, seja através de cursos técnicos de Nível IV, Licenciaturas, Estágios, etc..
Para tal, é indispensável e é nosso propósito envolver os diversos organismos públicos e privados inseridos no âmbito das políticas da educação, autarquias e empresas, tornando-os parceiros privilegiados para que, juntos, possamos consolidar o campo da educação de adultos em Portugal.
Para a concretização objectiva da criação da associação acima indicada, é necessário constituir um grupo de pessoas que se mostre disponível para abraçar esta tarefa e, numa fase posterior, solicitar às várias entidades-parceiros envolvidos, os necessários apoios institucionais e financeiros para arrancar com os nossos projectos e iniciativas. Daí ser muito importante a divulgação deste propósito por todos os meios possíveis e que desde já agradeço.
Eu darei o meu contributo, sempre que me for possível para tal fim.
Podem contactar-me para o email: jalooliveira@gmail.com ou Telm. 917426357."

José Augusto L. Oliveira

sábado, 16 de janeiro de 2010

A des/re/construção do PRA (I)

Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro. Não acredito que eu exista por detrás de mim. Alberto Caeiro

António escreveu para mim e eu li. Houve, naquela partilha, uma imediata descoberta de António e uma consequente descoberta de mim. Eu vi-me retratada no olhar que lhe lançava e ele viu-se, ali, também, porque me via olhar para ele. Entre nós os dois, um duplo espelho. Um dos espelhos tinha principalmente uma imagem reflectida, a do seu rosto. No outro espelho, o reflexo era mais complexo: estávamos os dois em equilíbrio instável e, entre nós, distinguia-se claramente um livro imponente. Nesta triangulação relacional, impunha-se, majestoso, o processo de reconhecimento, objecto de construção e desconstrução da imagem reflectida na minha mente, perscrutando competências em evidência na narrativa discursiva do António. Olhei para o primeiro espelho e vi a imagem do seu rosto, sorridente e triste, de quem tinha uma vida para contar mas se detinha na narrativa auto-biográfica que lhe fora pedida. Estava sorridente, porque António gostava da vida, dos afectos e da descoberta. Tinha tido um percurso invulgar, recheado de viagens ilusórias e de miragens reais; ainda andava à procura do amor, que nunca lhe tinha chegado. Quase insaciável, António bebia amores como quem vivia no deserto. (CONTINUA)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mobilidade & Cooperação: dois eixos de actuação

«Mobilidade e cooperação europeia são os eixos em torno dos quais se estruturam as principais actividades desenvolvidas pela Agência Nacional para a Gestão do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, entidade responsável pela gestão dos financiamentos comunitários em matéria de educação e formação profissional. O Programa Aprendizagem ao Longo da Vida decorre de uma Decisão do Parlamento Europeu (Decisão 1720/2006/CE) e surge como um instrumento financeiro ao serviço dos 31 países participantes (27 Estados Membros, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Turquia) com vista à melhoria da qualidade e à criação de condições para o desenvolvimento da dimensão europeia dos respectivos sistemas de educação e de formação profissional.
(...)
Com os objectivos de responder ao desafio que o envelhecimento da população europeia representa e de contribuir para oferecer percursos que visem a melhoria dos conhecimentos e competências dos adultos, o programa sectorial Grundtvig pretende igualmente concorrer para a melhoria da qualidade e para o reforço da dimensão europeia da educação de adultos, dirigindo-se às necessidades de ensino e de aprendizagem dos intervenientes em todas as formas de educação de adultos, quer esta seja formal, não formal ou informal.»

No ano de 2008 foram introduzidas novas acções no Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, sendo de destacar as duas das novas acções introduzidas ao nível do programa sectorial Grundtvig:

Projectos de Voluntariado Sénior Grundtvig – parcerias bilaterais entre duas instituições de educação de adultos provenientes de países diferentes que se propõem receber um financiamento comunitário para enviar e acolher entre dois a seis voluntários, com uma idade mínima de 50 anos, durante um determinado período de tempo (3 a 8 semanas). As instituições portuguesas interessadas em participar num Projecto de Voluntariado Sénior poderão encontrar potenciais instituições parceiras aqui.

Workshops Grundtvig – acção que tem por objectivo a criação de experiências intensivas de aprendizagem (entre 5 e 10 dias) numa área de interesse comum, destinando-se a aprendentes adultos provenientes de diferentes países. Pode organizar um Workshop qualquer instituição de educação para adultos que se proponha acolher entre 10 e 20 aprendentes adultos de diferentes países e que pretenda promover um momento de aprendizagem formal, não formal ou informal numa determinada área temática. Os aprendentes portugueses que desejem participar em Workshops que se realizem no estrangeiro podem consultar o Catálogo com os Workshops disponíveis.

Para saber mais sobre...
... a fonte deste
artigo
... o
Programa Sectorial Grundtvig

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

E hoje, ainda será assim?...

"Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal-dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante - formação do carácter e desenvolvimento da inteligência -, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, os informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque."

Agostinho da Silva, in Glossas

E là fora, como se faz? O desafio da diferença

Em busca do tempo perdido, andei virtualmente na terra de Proust, a ver se encontrava outras formas de proceder. Encontrei um curso intensivo de preparação para a sessão de Júri, com a duração de dois dias, a pagar, durante os quais o candidato é "iniciado" aos princípios da "Reconnaissance des acquis et de l'expérience". O objectivo principal destes dois dias é o de ajudar o candidato a constituir um dossier que será apresentado perante o Júri , graças à recolha de documentos comprovativos de formação e de experiência profissional pertinentes.
O que me chamou mais a atenção foi o facto de começarem pela explicação do que é uma sessão de Júri , do que deve conter o dossier, o que escolher e como redigir. Parece-me bem mais eficaz que a já tradicional Explicitação de Referencial adoptada pela grande maioria dos nossos Centros Novas Oportunidades, que nos tem trazido tanta hesitação por parte dos candidatos, levando por vezes à sua desistência, quantas vezes encapotada de suspensão, pela complexidade revelada na abordagem, sobretudo quando se trata do Processo de Nível Secundário. No final destes dois dias intensivos, é suposto o candidato levar consigo um dossier praticamente pronto.
Pondo de parte outros aspectos bem discutíveis, parece-me pertinente olharmos para este exemplo como um desafio: e se estivéssemos a complicar? e a exigir demais? E se pudéssemos simplificar a vida aos candidatos que procuram os Centros Novas Oportunidades?

domingo, 10 de janeiro de 2010

E agora?

De vez em quando gosto de recuperar os meus livros de Filosofia do 10.º e 11.º anos de escolaridade. Acordá-los das estantes. Abrir cada um deles novamente. Por vezes, também eles têm saudades de se sentirem acarinhados e úteis.
E, com esse gesto, solta-se sempre um pouco da magia que senti quando aprendi aquilo que corresponde a uma gota de água de um imenso oceano que é a Filosofia.
Ao percorrer as páginas, revi e recordei uma das imagens sobre a qual, na altura, tive de elaborar textos reflexivos. Era esta:

De certa forma, considero que pode relacionar-se com o Processo de RVCC (ou outra via educativa/formativa). E porquê?
Seguindo a sequência das imagens:
  1. Numa fase inicial, as ideias parecem estar todas enroladas... “Por onde começo?”, pensarão muitos adultos/candidatos.
  2. Uma mistura de sentimentos desponta: ansiedade, (des)ânimo, persistência, cansaço, entusiasmo...
  3. Chega um momento em que as ideias começam a clarear. Os conceitos, as palavras, as reflexões começam a fazer sentido. A filosofia do Processo de RVCC (ou de outro percurso educativo e/ou formativo) é apreendida e compreendida e serve de bússola às reflexões (que assumem um rumo e uma direcção mais definidos, concretos, com sentido e consentidas).
  4. E agora?! Resolvidos os problemas, terminado o Processo, ultrapassada a Sessão de Júri... E agora? O que fazer? Parar?!
Somos seres em devir. Insatisfeitos. Por isso, tentamos sempre encontrar respostas e saciar a curiosidade. Resolver problemas, subir degraus, descobrir mais, saber mais... Depois de um 9.º ano ou de um 12.º ano, não se deve parar.
Esse será mais um passo do início de uma longa caminhada, que se deseja profícua e promissora.
E, numa sociedade que tanto sensibiliza e alerta para a necessidade de (auto)formação, qualquer passo deve ser dado sempre no sentido do investimento numa aprendizagem contínua.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Formação e integração social

O jornal Público traz na sua edição de hoje uma reportagem sobre as pessoas que se encontram a receber o Rendimento Social de Inserção e que estão inseridas em programas de formação. Com o título "Aprender pode ajudar, mas não faz milagres", esta é uma reportagem que retrata o dia-a-dia que muitos de nós conhecemos, com os seus aspectos positivos e negativos. Apesar de todos os constrangimentos, a integração em programas de formação é, muitas vezes, uma das formas mais eficazes de combate à exclusão social. Realço, no entanto, algumas passagens que são, igualmente, alertas relativamente ao actual sistema de educação/ formação de adultos.

«Na opinião do sociólogo Eduardo Vítor Rodrigues, "é preciso diversificar a formação e orientar os formandos a partir de um diagnóstico bem feito". De outro modo, o país fica-se pela "formação de plástico, estandardizada, desfasada. Há modas. Primeiro era contabilidade. Depois, informática. Agora, ajudante de lar".»

«(...) Eduardo Vítor Rodrigues lembra que "a formação é formidável enquanto instrumento de capacitação" e fomento de auto-estima. Recusa, porém, ilusões: "A pessoa até pode fazer formação em várias áreas. Se o mercado estiver repulsivo, como agora está, não consegue entrar".
O país tinha uma economia muito baseada em mão-de-obra intensiva, barata, desqualificada. No decurso de um violento processo de desindustrialização, apanhou a crise económica e financeira internacional. "Passou-se de uma fase em que não se acreditava na formação para uma fase em que se acha que a formação resolve tudo. Não resolve".»

In Público, 9 de Janeiro

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

2010 Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social

Este será um ano especial. Aquele em que agir faz falta e é possível.
Há valores de Cidadania que são transversais às diversas entidades e instituições que desempenham funções no âmbito da Educação e Formação de Adultos.
No site da Comissão Europeia, encontramos alguns nos quais nos revemos e que recomendamos:

"...Não há nenhuma solução milagrosa para acabar com a pobreza e com a exclusão social mas uma coisa é certa: não podemos vencer esta batalha sem si. É tempo de renovarmos o nosso compromisso para com a solidariedade, justiça social e maior inclusão. Chegou o momento do Ano Europeu Contra a Pobreza e a Exclusão Social.

Um valor fundamental da União Europeia é a solidariedade, particularmente importante em tempos de crise. A palavra “União” diz tudo – enfrentamos juntos a crise económica e é esta solidariedade que nos protege a todos.

Aqui ficam algumas das coisas que iremos fazer juntos:

  • Encorajar a participação e o compromisso político de todos os segmentos da sociedade para participarem na luta contra a pobreza e a exclusão social, desde o nível europeu ao nível local, no sector público e no privado;
  • Motivar todos os cidadãos europeus a participarem na luta contra a pobreza e a exclusão social;
  • Dar voz às preocupações e necessidades de todos quanto atravessam situações de pobreza e de exclusão social;
  • Dar a mão a organizações da sociedade civil e a ONG na área da luta contra a pobreza e a exclusão social;
  • Ajudar a derrubar os estereótipos e a estigmatização da pobreza e da exclusão social;
  • Fomentar uma sociedade que garanta a qualidade de vida, o bem-estar social e a igualdade de oportunidades para todos;
  • Reforçar a solidariedade entre gerações e garantir o desenvolvimento sustentável. ..."
Chegou a sua vez: pode dar-nos ideias, sugestões ou opiniões. Divulgue situações que conhece perto de si...

EU 2020: uma nova estratégia para a Europa

Os cidadãos europeus podem participar, até 15 de Janeiro, na consulta pública que visa preparar o lançamento “EU 2020”, uma nova e renovada estratégia para a Europa que deverá lançar as linhas de acção que substituirão as acordadas com a Estratégia de Lisboa.

Aqui, é possível aceder aos documentos da consulta pública desta nova estratégia que visa uma perspectiva mais animadora para o futuro da economia da União Europeia, assente em três grandes objectivos:
  • criar valor com base no conhecimento;
  • capacitar as pessoas em sociedades inclusivas;
  • criar uma economia competitiva, interligada e mais verde.

Após o período de consulta pública, caberá à nova Comissão apresentar uma proposta mais pormenorizada desta estratégia ao Conselho Europeu da Primavera. Nessa altura, deverão ser confirmadas as prioridades de acção a seguir pelos Estados-Membros, em substituição das que entraram em vigor, em 2005, no quadro da Estratégia de Lisboa.

Fonte: aqui

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Educação não-formal quebra rotinas

«Motivar para a educação quem abandona a escola precocemente é um dos maiores desafios para a educação de adultos. Um estudo recente mostra que a educação de adultos não-formal criou, na Dinamarca, contextos educativos capazes de quebrar as rotinas sociais, graças a abordagens pedagógicas especiais.

“Inscrevi-me porque estava com uma depressão. Nunca realmente me adaptei a lado nenhum. De facto, na maior parte do tempo, ficava na cama e não fazia nada. A certa altura, ouvi falar deste lugar. E pensei: OK, se não for tudo à volta de leituras, pode ser fixe. E, pela primeira vez na vida, tive a experiência de ser compreendido e aceite tal como sou. Havia uma atmosfera fantástica. Agora, estou a avançar. É verdade, vou receber no Verão um certificado de nível secundário superior”.

São as palavras de um participante num dos 5 cursos de educação de adultos não-formal que foram objecto do referido estudo.
Neste trabalho, Steen Elsborg e Steen Høyrup, da Escola de Educação Dinamarquesa, Universidade de Aarhus, aplicaram aos cinco casos um quadro teórico de aprendizagem.

À margem:
Várias instituições de educação de adultos não-formal organizam cursos destinados aos que abandonaram a escola sem qualquer sucesso e a outros cidadãos que se alhearam do ensino formal. Nas palavras destes autores, são pessoas que se encontram “à margem da sociedade de conhecimento”.

De acordo com o estudo, estes tipos de cursos têm o potencial de exercer um impacto essencial sobre os participantes:
- Elevação de auto-estima, auto-conhecimento e auto-confiança
- Motivação para criar um novo conteúdo de vida
- Abertura a novos desafios
- Desejo de desenvolver novas competências.»

Para ler mais.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

2010 e Global Report on adult learning and education


2010 está aí e, com ele, começam novos desafios. A todos os que, de alguma forma estão envolvidos na Educação de Adultos, desejamos que o Novo Ano seja propiciador de sucesso e realizações.

"O Global report on adult learning and education é o primeiro relatório internacional sobre o reconhecimento da educação e formação para o desenvolvimento sustentável das nações, tendo sido produzido peloInstitute for Lifelong Learning da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Este documento foi elaborado a partir dos mais de 150 relatórios nacionais e dos cinco relatórios regionais preparatórios, produzidos para 6ª Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA VI), tendo como objectivo proporcionar uma visão geral das tendências da educação de adultos, assim como identificar os principais desafios, passando a ser utilizado como documento referência." (in Newsletter da ANQ)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Boas Festas!


Desejamos a todos um Natal muito feliz!
E que 2010 seja repleto de sucessos pessoais e profissionais!

NATAL CHIQUE

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.


Vitorino Nemésio

domingo, 20 de dezembro de 2009

O novo "visual" do CEDEFOP

O CEDEFOP apresenta o seu novo Portal, com uma renovada apresentação de conteúdos e ao nível do grafismo. O novo portal destina-se principalmente a apoiar as necessidades dos decisores políticos, mas também visa atender às necessidades de investigadores e profissionais das áreas da educação e formação profissional.
O objectivo desta mudança é de proporcionar um acesso mais fácil a informações sobre a educação e formação profissional na Europa, bem como aos próprios trabalhos desenvolvidos pelo CEDEFOP. A organização da informação encontra-se organizada em 4 grandes temas:
  1. Identificar as necessidades em competências;
  2. Compreender as qualificações;
  3. Analisar as políticas;
  4. Desenvolver a aprendizagem ao longo da vida.
O novo Portal proporciona, ainda, a possibilidade de subscrever on-line a newsletter, que é gratuita, descarregar as publicações do CEDEFOP, procurar a Biblioteca e explorar estatísticas e indicadores do CEDEFOP.

Boas pesquisas e consultas... AQUI!


Fonte: aqui

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"Desafios para 2010"

Para reflectirmos sobre o que tem sido a importância da intervenção dos Centros Novas Oportunidades e os desafios que temos que enfrentar no futuro, com a certeza que a aprendizagem ao longo da vida é, hoje e cada vez mais, uma realidade, fica a intervenção da Dr.ª Maria do Carmo Gomes, Vice-Presidente da Agência Nacional para a Qualificação, no 3.º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aprendizagem ao longo da vida: inquérito à educação e formação de adultos – 2007

“O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou recentemente, num livro de cerca de 200 páginas (ISSN 1647-1946), os resultados do Inquérito à EFA, com o objectivo principal de caracterizar a população portuguesa entre os 18 e 64 anos, na sua relação com a participação em actividades de aprendizagem.Tendo por base as vertentes abordadas no Inquérito – participação dos adultos em actividades de educação e aprendizagem nos domínios formal, não formal e informal – os resultados do IEFA estruturam-se em 3 grandes domínios:
  1. caracterização dos indivíduos face à aprendizagem;
  2. impactos que a mesma tem na sua vida;
  3. transmissão intergeracional da educação.

Em 2007, 30,9% das pessoas com idade entre os 18 e os 64 anos participaram em, pelo menos, uma actividade de aprendizagem ao longo da vida, ou seja, desenvolveram alguma actividade de educação formal (12,0%) ou não formal (23,1%). No mesmo período, 40,8% realizaram alguma actividade de aprendizagem informal.Os resultados mostram, em geral, uma elevada participação nos diferentes tipos de educação, formação e aprendizagem dos indivíduos mais jovens, estudantes e activos, mais escolarizados, com competências no domínio das línguas e em TIC, leitores de livros e de jornais.

Na educação não formal e na aprendizagem informal, ainda que a participação seja mais expressiva nas pessoas com idade até aos 34 anos, observa-se uma distribuição menos diferenciada entre os vários grupos etários do que na educação formal. É o nível de escolaridade que se revela determinante na participação em educação, formação e aprendizagem. A evidência estatística de que os indivíduos com níveis de escolaridade mais altos apresentam proporções de participação acima da média é confirmada pela análise dos modelos de probabilidade de participação estimados.

Em 2007, aproximadamente metade da população com idade entre os 18 e os 64 anos – 48,2% - não participou em qualquer actividade de aprendizagem (48,8% homens e 47,7% mulheres). Não participaram 23,7% dos jovens entre 18 e 24 anos e 69,8% das pessoas entre 55 e 64 anos.

A educação permite aceder a profissões e a empresas com melhores remunerações. Por outro lado, quanto maior a escolaridade dos pais, maior será a escolaridade dos filhos. Confirma-se a hipótese de existir transmissão intergeracional da educação, no sentido de uma forte associação entre a educação dos pais e a dos filhos."

Fonte: aqui

Pode consultar aqui a publicação, na íntegra.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O caminho faz-se com o esforço de todos!

As críticas recentemente proferidas à Iniciativa Novas Oportunidades não são novidade. Já várias individualidades do nosso país se dirigiram a este programa no mesmo tom que o fez Medina Carreira, mas não deixa de ser triste que o façam, sobretudo desrespeitando o trabalho de milhares de técnicos que encaram o seu papel num Centro Novas Oportunidades como uma verdadeira missão, abdicando muitas vezes da sua vida pessoal, para desempenhar a sua actividade com a maior qualidade possível, não esquecendo, por outro lado, os objectivos a cumprir, para que o nosso país possa efectivamente sair da cauda da Europa no que diz respeito à qualificação da população activa.
É ainda mais triste que, desconhecendo totalmente o processo de reconhecimento de competências e todo o sistema nacional de qualificações, não haja um respeito pelos adultos que voltam à escola, muitos passados 30 ou 40 anos, sabendo todos nós com que dificuldades, mas empenhando-se em mudar novamente o rumo da sua vida, agarrando a oportunidade de prosseguirem os seus estudos e de continuarem a investir na sua qualificação escolar e profissional. Estes adultos têm direito a ver reconhecidas as suas competências, adquiridas pelas mais diversas vias, ao longo de toda uma vida, quase sempre de sacrifício e de dedicação ao país, nos mais variados postos de trabalho. São estas pessoas que todos os dias fazem verdadeiramente com que Portugal evolua, com o esforço e o suor do seu trabalho, tantas vezes indevidamente remunerado para a responsabilidade que possuem. Não podemos continuar a ter uma perspectiva elitista da aprendizagem. Não se aprende apenas por via formal, na escola ou na universidade. Certamente que a maior parte dos adultos que acompanhamos nos Centros Novas Oportunidades dariam uma grande lição de vida à maior parte dos comentadores que teimam em criticar este sistema sem o conhecerem na realidade! Pessoas que, mesmo vivendo tempos tão difíceis como os que actualmente vivem, com ordenados em atraso, desempregadas ou com excesso de trabalho, com vidas familiares muitas vezes pesadas, mesmo assim querem estudar, aprender, saber mais, ter um computador, descobrir a Internet, coisas simples para muitos de nós, mas que para estas pessoas podem fazer toda a diferença no rumo da sua vida e da dos seus filhos.
É verdade que todos os sistemas necessitam de uma avaliação rigorosa tendo em vista a melhoria contínua das suas práticas. Não há modelos perfeitos. Todos somos seres humanos, todos cometemos erros, em todas as nossas actividades profissionais. É verdade que precisamos ainda todos de fazer um longo caminho no que diz respeito à qualidade deste sistema, mas é também verdade que todos o estamos a fazer. Tenho tido a oportunidade de estar presente como formadora em diversos encontros/acções de formação de equipas pedagógicas de Centros Novas Oportunidades, e em todos encontrei profissionais com vontade de fazer mais e melhor pela educação de adultos em Portugal, tendo consciência das suas limitações e constrangimentos, criticando, é certo, mas sempre apontando soluções, sugestões de melhoria, boas práticas. Penso que só desta forma, construtiva, com o contributo de todos (incluindo dos que passam estas mensagens para a opinião pública...) se pode efectivamente melhorar a educação em Portugal.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conectivismo- Aprendizagem na Era Digital

Entretanto, os métodos vão evoluindo e transformam-se, tentando harmonizar a aprendizagem ao jeito dos aprendentes, enquadrando estratégias e recursos.
Passámos pelas teorias cognitivistas, behaviouristas e construtivistas, para agora nos centrarmos numa visão diferente da Aprendizagem. George Siemens convida-nos a reflectir sobre uma abordagem inovadora e ousada, a do Conectivismo. Aqui o "saber como" e o "saber o quê" deram lugar ao "saber onde".

Para saber mais: aqui

Um vídeo para explicar melhor: :)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A arte de ensinar e de aprender

Reunir consenso acerca do significado de “ensinar” nem sempre é simples, uma vez que envolve diversos valores (por exemplo: educacionais, morais, cívicos e políticos). Porém, a literatura sugere algumas teorias que têm merecido algum consenso. Desta forma, os trabalhos de Nathaniel Gage, John Goodlad, Elliot Eisner e de Linda Darling-Hammond contribuem para discernir quatro concepções sobre o ensino:
  • Ensino como Trabalho – visão racionalista e burocrática do processo de ensino, que parte do princípio que as boas práticas podem ser definidas e especificadas de forma concreta, sendo apenas necessária a sua replicação pelos professores para que se alcancem os resultados que se desejam
  • Ensino como Ofício – há um conjunto de regras, procedimentos e técnicas, mais ou menos sofisticadas, que podem ser aprendidas e desenvolvidas pelos professores (ensinar implicará, segundo esta concepção, a utilização e aplicação adequada de regras e técnicas prescritas pelas autoridades)
  • Ensino como Profissão – pressupõe-se que os professores possuem um sólido conjunto de conhecimentos teóricos que, aliado ao domínio de um alargado espectro de saberes-fazer, lhes permite uma atitude crítica e fundamentada sobre o currículo, o ensino e a aprendizagem e sobre as suas próprias acções pedagógicas
  • Ensino como Arte – esta concepção reside muito na natureza imprevisível, não convencional e inovadora das acções de ensino e de aprendizagem. As práticas estão claramente orientadas para cada pessoa e não são estandardizadas e, por isso, o ensino é dificilmente orientado por regras ou por orientações precisas e algorítmicas
«Ensinar segundo as duas primeiras concepções tenderá a remeter os professores para o papel de meros executantes passivos, burocráticos, tecnicistas e funcionalistas do currículo. Ou seja, os professores dizem o currículo em vez de permanentemente o reinventarem e reconstruírem com os seus pares e com os seus alunos.
Se, por outro lado, o processo de ensinar for encarado como uma profissão ou como uma arte, estaremos perante profissionais que se assumem como intelectuais, como investigadores das suas próprias práticas, capazes de reflectir sobre o que fazem e de participar activamente no desenvolvimento do currículo.
Assim, ensinar é questionar, partilhar e criar. É imaginar. É pensar o currículo como oportunidade única para que os alunos mergulhem a fundo nessa inesgotável fonte de inspiração que é a vida nas suas múltiplas dimensões. Ensinar implica seleccionar tarefas que desafiem as capacidades e a inteligência dos alunos. Para que possam compreender a vida. Para que lhe possam atribuir significado. Para que usufruam da liberdade que o conhecimento proporciona.»

Se, como se costuma dizer, “na vida todos somos professores e alunos porque ensinamos o nosso exemplo e aprendemos com o exemplo dos outros”, também no Processo de RVCC podemos deparar-nos com essa realidade. Também nesse contexto se conhecem muitos “professores” que trabalham, que assumem todos os dias um compromisso com um determinado ofício, que exercem uma profissão e que são artistas. Adultos que aprendem e ensinam conhecimentos práticos no seu exercício profissional. Que cumprem um determinado conjunto de regras, procedimentos e técnicas definidos por hierarquias; e que os transmitem a outros colegas, como se da passagem de um testemunho se tratasse – por isso, são professores. Que possuem conhecimentos que servem de suporte basilar às suas acções – o tal espectro que constitui o saber-fazer (ou seja, as competências e a “arte” de mobilizar e transferir conhecimentos, aplicando-os na prática em contextos diferentes daquele em que foram adquiridos). Que mobilizam saberes e capacidades e são artistas porque se adaptam a imprevistos, a mudanças pessoais, sociais e profissionais; porque se (re)ajustam.

Portanto, «ensinar é um processo complexo e exigente de mobilização sistemática e propositada de uma diversidade de saberes dos professores. É importante. Para que se possa conhecer e compreender e ser mais livre e mais feliz.»

Fonte: aqui

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Voltar a estudar... continuar a aprender"

Como já vem sendo hábito, a Agência Nacional para a Qualificação está a organizar o 3.º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades, que se realizará no próximo dia 14, no Centro de Congressos de Lisboa. O Encontro deste ano tem como tema "Voltar a estudar... continuar a aprender" e pretende ser novamente um verdadeiro ponto de encontro para as equipas técnico-pedagógicas dos cerca de 500 CNO, para os avaliadores externos e para outros especialistas e interessados na Educação de Adultos.
O programa ainda não está disponível, mas há já alguma informação sobre a estrutura do Encontro:

"Este encontro assume-se como um espaço de discussão e de reflexão, constituído por três partes, tendo subjacente a intervenção dos Centros Novas Oportunidades na concretização das políticas de educação e formação sustentada nos objectivos e metas da Iniciativa Novas Oportunidades.
Na primeira parte é partilhada informação sobre alguns estudos de âmbito nacional e internacional em curso, centrados nas competências para a vida e na promoção da literacia familiar.
Na segunda parte deste encontro, é dado destaque, através de um único painel, às questões em torno da intervenção nos Centros Novas Oportunidades, através de comunicações a proferir por representantes de Centros Novas Oportunidades assegurados por entidades de diferentes tipologias. Desta forma, serão partilhadas algumas metodologias adoptadas localmente para resposta a questões concretas, tais como a constituição de uma rede local de educação e formação em Vila Nova de Famalicão; a adopção, pelos Centros Novas Oportunidades pertencentes ao Instituto do Emprego e Formação Profissional, de uma metodologia de "espera activa" ao dispor dos formandos inscritos para um percurso de qualificação; e a criação de redes promotoras de aprendizagem ao longo da vida, mediante a valorização das certificações parciais, desenvolvidas pelo Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária com 3.º ciclo do Ensino Básico de Caldas das Taipas.
Deste painel fará ainda parte uma intervenção através da qual será focado o papel central dos avaliadores externos no cumprimento da missão dos Centros Novas Oportunidades e na certificação das aprendizagens adquiridas em diversos contextos (formais, não formais e informais, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida).
Na terceira e última parte, Maria do Carmo Gomes, Vice-Presidente da ANQ, trará à discussão o balanço do trabalho efectuado pelos Centros Novas Oportunidades ao longo de 2009, assim como os novos desafios para 2010."

Inscrições e mais informações: aqui.