"A experiência, as experiências de vida de um indivíduo são formadoras na medida em que, a priori ou a posteriori, é possível explicitar o que foi aprendido (iniciar, integrar, subordinar), em termos de capacidade, de saber-fazer, de saber pensar e de saber situar-se. O ponto de referência dos adquiridos experienciais redimensiona o lugar e a importância dos percursos educativos certificados na formação do aprendente, ao valorizar um conjunto de actividades, de situações, de relações, de acontecimentos como contextos formadores. Assim, os tradicionais curriculum vitae, que pretendiam fornecer indicações úteis para a determinaão dos percursos, dos contextos e dos níveis de formação, revelaram-se de uma extrema pobreza.Este espaço destina-se a um lugar de troca de informação, recursos e debate para os profissionais da Educação e Formação de Adultos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Para reflectir...
"A experiência, as experiências de vida de um indivíduo são formadoras na medida em que, a priori ou a posteriori, é possível explicitar o que foi aprendido (iniciar, integrar, subordinar), em termos de capacidade, de saber-fazer, de saber pensar e de saber situar-se. O ponto de referência dos adquiridos experienciais redimensiona o lugar e a importância dos percursos educativos certificados na formação do aprendente, ao valorizar um conjunto de actividades, de situações, de relações, de acontecimentos como contextos formadores. Assim, os tradicionais curriculum vitae, que pretendiam fornecer indicações úteis para a determinaão dos percursos, dos contextos e dos níveis de formação, revelaram-se de uma extrema pobreza.terça-feira, 29 de setembro de 2009
Literacia Familiar?

O objectivo deste estudo, coordenado por Lucília Salgado, consiste em analisar se as condições de sucesso escolar das crianças do 1.º ciclo são influenciadas pelo facto de os seus pais desenvolverem processos de reconhecimento, validação e certificação de competências nos Centros Novas Oportunidades... mais: aqui
domingo, 27 de setembro de 2009
Teoria da Flexibilidade Cognitiva
A Teoria da Flexibilidade Cognitiva surgiu na década de 80 e filia-se em pressupostos construtivistas. Desta forma, não tem como preocupação a mera aquisição de conhecimentos, mas, sobretudo, a flexibilidade na mobilização dos mesmos.
«Foi ao constatar que os alunos tinham dificuldade em transferir conhecimentos para novas situações, que se caracterizavam por conhecimentos complexos e pouco-estruturados que os pressupostos desta teoria surgiram (Spiro et al., 1987; Spiro et al., 1988; Feltovich et al., 1989; Spiro e Jehng, 1990). Spiro e os seus colaboradores argumentam que se se pretende que os alunos usem flexivelmente o conhecimento, ele deve ser ensinado de uma forma flexível. Deste modo, deve-se permitir que o aluno aceda várias vezes à mesma informação mas com finalidades diversas, perspectivando, assim, a mesma informação através de diferentes ângulos, o que lhe vai possibilitar obter uma visão multifacetada do assunto e uma compreensão profunda», como neste documento é desenvolvido.
Tal como no filme “O Clube dos Poetas Mortos”, por vezes é interessante observar a mesma realidade de pontos diferentes; nesse momento, o cenário parece ser diferente. E enriquecemo-nos.
Sendo a competência algo que:
- se refere exclusivamente à pessoa (é a pessoa que é competente, que tem competência para...);
- é indissociável da acção (relaciona-se com o saber-fazer, ou seja, implica mobilizar conhecimentos e informações e aplicá-los na acção, em situações diferentes daquelas em que foram adquiridos);
- implica assumir responsabilidades;
- implica um reconhecimento social (os outros reconhecem que uma determinada pessoa é competente para...).
Então, também a competência permite a cada pessoa posicionar-se em ângulos diferentes e, flexivelmente, analisar de diferentes prismas realidades similares, munindo-se com novas habilidades e destrezas. E, assim, mobilizando e transferindo conhecimentos e saberes, o ser humano (auto)constrói-se e (re)adapta-se continuamente, integrando nas suas estruturas cognitivas condutas que lhe permitem responder aos desafios com os quais se depara no seu dia-a-dia.
sábado, 26 de setembro de 2009
Formação Contínua para Docentes no CNO
Fonte: ANQ.
Sem dúvida, uma necessidade há muito sentida pelos docentes. Esperam-se novidades para breve!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Outonalidades
Amanhã, dia 25 de Setembro, entre as 17:00 e as 19:00 horas, o Centro Novas Oportunidades D. Inês de Castro de Alcobaça organiza um evento inserido na valência "Arte de Viver".quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Criatividade & Inovação: 4 Encontros
O Instituto da Segurança Social, I.P., no âmbito do Ano Europeu da Criatividade e Inovação, promove um Ciclo de 4 Encontros Temáticos sob a designação de Encontros Temáticos do CRC do ISS, IP − «Criatividade e Inovação: Imaginar-Criar-Inovar» que têm como objectivos: Para a dinamização deste Ciclo de Encontros foram convidados como oradores individualidades do meio académico que têm desenvolvido trabalho científico no âmbito desta temática:
- Encontro 1 – Criatividade, Inovação e Sociedade do Conhecimento
Data: 08 de Outubro
Profª. Doutora Isabel Salavisa (ISCTE) e Prof. Doutor Reginaldo de Almeida (UAL) - Encontro 2 – Criatividade, Inovação e Modernização Administrativa
Data: 22 de Outubro
Prof. Doutor João Bilhim (ISCSP-UTL) e Prof. José Fernando Orvalho da Silva (ISCSP-UTL) - Encontro 3 — Criatividade, Inovação e Diversidade Cultural
Data: 05 de Novembro
Profª. Doutora Maria Lucinda Fonseca (CEG-UL) e Profª. Doutora Maria Manuela Costa Malheiro (UNIV-AB) - Encontro 4 – Criatividade, Inovação e Desenvolvimento Sustentável
Data: 19 de Novembro
Prof. Doutor João Farinha (FCT-UNL) e Prof. Doutor João Lutas Craveiro (FCSH-UNL)
Para mais informações: aqui
Educação como responsabilidade
Para além do vídeo, o discurso pode ser lido aqui.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O sucesso dos outros também é o meu?
Ora, se faço parte de um grupo, o sucesso do meu grupo é o meu sucesso também.
domingo, 20 de setembro de 2009
Cidade Educadora: a valorização do "local"
Não vivemos isolados. Estabelecemos relações com o “que” e “quem” nos rodeia. Estamos em constante interacção. Somos seres em devir.« (...) constituindo realidades incontornáveis do nosso universo social, as cidades são também e sobretudo centros privilegiados de oportunidades (...). Cidades educadoras são, assim, todas as que assumem coerente e consequentemente – através de um programa sistemático e intencionalmente dirigido de acção formadora – o imenso potencial que o seu património culturalmente construído lhes proporciona, transformando-o, deste modo, em capital educativo», como neste texto é referido.
“Cidade” e “educação” relacionam-se, dando lugar à “cidade educadora”. Esta relação, por sua vez, pode traduzir-se em diferentes concepções (Jaume Trilla):
- cidade como meio educativo envolvente (aprender na cidade) – a cidade integra uma série de locais e actividades que, de forma intencional ou casual, a provêem de formação (o meio incorpora educação formal, não formal e informal). Assim, o desenho de políticas de intervenção educativa na cidade pressupõe que cada instituição ou programa não seja um sistema fechado e isolado (podem constituir-se oportunidades educativas na cidade espaços tão diversos como bibliotecas, museus, teatros, exposições, monumentos, etc.).
- cidade como agente educativo (aprender da cidade) – a cidade, enquanto educadora informal, pode ter uma acção positiva (através da sua cultura e civismo) ou negativa (quando é geradora de agressividade, marginalização e sentimentos de indiferença).
- cidade como conteúdo educativo (aprender a cidade) – da cidade aprendem-se, informalmente, muitas coisas que são úteis para a vida quotidiana (por exemplo: utilização de transportes públicos, localização de estabelecimentos, etc.).
sábado, 19 de setembro de 2009
Enaltecer as vidas...
Ficam algumas imagens de uma tarde especial, cujos principais actores foram os adultos, os principais rostos desta Iniciativa.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Novas Oportunidades a Ler+
Um desafio para os Centros Novas Oportunidades, lançado pela parceria PNL/ANQ/RBE
Dos responsáveis pelo Plano Nacional de Leitura, recebemos recentemente a seguinte comunicação:
"No quadro do trabalho que tem vindo a desenvolver, o Plano Nacional de Leitura (PNL) está a promover, em parceria com a Agência Nacional para a Qualificação, I.P. (ANQ) e de forma articulada com a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), um novo projecto designado Novas Oportunidades a Ler+.
Pretende-se consolidar o trabalho que tem vindo a ser feito pelos Centros de Novas Oportunidades com os formandos adultos que os frequentam, para que estes aprofundem o seu gosto pela leitura e desenvolvam o prazer de ler.
Os Centros são, pois, convidados a, no decurso do processo de RVCC, explorarem os momentos e as actividades mais convenientes para a promoção de hábitos de leitura. Este processo pode ser feito de diversas formas e em diversos contextos, desde a fase de diagnóstico ao processo de construção dos Portefólios de competências, passando pela formação complementar (quando esta se justifica)."
Uma oportunidade a não perder!
Para saber+
Para ler+
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Seminário Aprendizagem ao Longo da Vida

Tendo como premissas basilares estas ideias, o Centro de Formação Profissional para o Sector da Cristalaria (CRISFORM), da Marinha Grande, promove no dia 22 de Setembro, nas suas instalações, o Seminário Aprendizagem ao Longo da Vida.
Este evento é dirigido principalmente a técnicos e formadores dos Centros Novas Oportunidades e tem como objectivos:
- partilhar e disseminar a informação e o conhecimento;
- contribuir para a melhoria de competências técnicas, criando sinergias de actuação entre Centros Novas Oportunidades.
Neste sentido, abordar-se-ão temáticas como:
- as fases de acolhimento, diagnóstico e encaminhamento de candidatos à qualificação;
- a igualdade de género;
- o módulo aprender com autonomia;
- a literacia dos adultos.
Poderá obter mais informações sobre este evento no site do CRISFORM.
Fonte: aqui
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Problematizar o futuro

segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Compasso de espera...

domingo, 13 de setembro de 2009
I Fórum de Educação e Juventude

Estes três verbos conjugam-se, assim, no sentido de atribuir visibilidade a um evento cujo objectivo consiste em “contribuir para a afirmação da qualificação e da inovação enquanto pilares fundamentais para o desenvolvimento da sociedade”.
sábado, 12 de setembro de 2009
Seminário "COME"
"Os Seminários de Contacto são organizados por Agências Nacionais Europeias com o objectivo de reunir vários tipos de organizações que partilhem objectivos, grupos-alvo e ambições numa área específica comum e são um instrumento privilegiado para a promoção de parcerias entre instituições que desejam iniciar actividades de cooperação europeia no âmbito de qualquer um dos Programas Sectoriais do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida.
Nestes seminários participam instituições dos diferentes países participantes no Programa e espera-se que a sua participação desencadeie a criação de novas parcerias e a apresentação de candidaturas aos diferentes Programas Sectoriais."
Uma excelente oportunidade de trabalho em parceria e de desenvolvimento de novos projectos!
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Passado, presente... e Futuro?
A Educação de Adultos desenvolveu-se, na Europa Ocidental, sobretudo a partir do último quartel do século XIX, processo que se acentuou a partir da II Guerra Mundial, após o surgimento da UNESCO (Belchior, 1990).Recuperar a harmonia a nível planetário era uma preocupação nuclear e em torno da qual gravitavam os esforços. Os princípios da, então, Educação de Adultos, norteavam-se pela procura de um estado de equilíbrio perdido.
A educação, segundo uma visão tradicional, divide-se em diferentes sectores, em função da idade dos alunos e do nível de escolaridade (Jarvis, 2001), sendo o professor a figura que lhes transmite informações. A Educação de Adultos ficou, durante muito tempo, do outro lado deste enquadramento institucional (ibidem).
Durante as décadas de 60 e 70, foi encarada como compensatória, pois tinha como destinatários adultos que não tiveram a possibilidade de aprender no tempo adequado.
Mas, porque se revelava fundamental acompanhar as rápidas mudanças do conhecimento (Jarvis, 2001), a Educação de Adultos sentiu necessidade de se adaptar às novas exigências, tendo-se transformado numa educação continuada; portanto, ao longo da vida.
A adesão de Portugal à CEE, em 1985, e a consequente abertura de fronteiras, colocou o nosso país em contacto directo com grande parte da Europa, deixando transparecer uma noção concreta do seu atraso relativamente aos restantes países; assim, as duas últimas décadas do século XX foram passadas a tentar diminuir essa distância (Oliveira, 2005).
Isso prova que a questão dos números não é recente. Somos feitos de números. Somos comparados com os números dos outros países. Vivemos de números. Contudo, somos Seres Humanos! Pessoas!
Após a 5.ª Conferência Internacional da UNESCO (subordinada ao tema “Educação das pessoas adultas e os desafios do século XXI”), Portugal também se mobilizou no sentido de definir políticas de actuação prática. Foi criado o Grupo de Missão para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos que estaria na origem da conceptualização de uma nova estratégia de educação e formação de adultos assente em competências-chave e num dispositivo de reconhecimento, validação e certificação de competências adquiridas ao longo da vida (Cabete, 2006). Este Grupo seria, ainda, o embrião da ANEFA. Estavam a começar a definir-se, em Portugal, os contornos do Sistema Nacional de RVCC. Uma realidade já conhecida e consolidada noutros países europeus.
Fomos um povo pioneiro e cheio de brio na época dos Descobrimentos; agora, com mais frequência limitamo-nos a descobrir e a implementar o que os outros já descobriram e implementaram... Será que o atraso de Portugal se limita apenas aos números? Ou passa também pelas ideias e pelos ideais?
Relativamente ao papel da Universidade, já em 1988 Gomes afirmava e questionava: é legítimo e imperioso pensar que as Universidades (dos 12 parceiros) terão que melhorar para estarem à altura do “Ideal Europeu”... mas “que tempo ou que tempos iremos nós viver daqui a dez anos, daqui a vinte ou trinta anos?”. E, já nessa altura, considerava que a Universidade do futuro deveria continuar a assumir três grandes objectivos:
- transmissão do saber;
- investigação científica;
- serviço à Comunidade.
“Mas terá de realizar esses objectivos de uma «maneira» diferente do que o tem feito até agora. Qual será essa «maneira»? Não o sabemos, pois se o soubéssemos, já o faríamos no presente” (Gomes, 1988).
Passaram 20 anos... O que foi feito e construído desde então? A que mudanças efectivas assistimos? A teoria já não é suficiente; é um alicerce, um pilar, mas não rege, por si só, a realidade. A prática, ao longo destes anos, foi causa e consequência de rupturas de paradigmas.
Que mudanças reais pretendemos nós operar agora e daqui em diante??
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
I Encontro de saberes, oportunidades e lazer

quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Relatório da OCDE: melhorias na educação em Portugal
Estas características da mudança social e económica contemporânea encontram-se interligadas e encerram dois objectivos igualmente importantes para a aprendizagem ao longo da vida:
b) fomentar a empregabilidade.
Neste cenário, a educação, no seu sentido lato, é uma chave fundamental para aprender e compreender melhor a forma como dar resposta aos desafios que vão surgindo.
A OCDE, tendo como alguns dos seus objectivos centrais apoiar o crescimento económico, desenvolver o emprego e elevar o nível de vida, centra parte das suas actividades em torno das questões educativas e, neste âmbito, “divulgou a edição de 2009 da publicação Education at a Glance, na qual confirma a existência de mais alunos e de melhores resultados escolares em Portugal no ano lectivo de 2006/2007, período de referência do relatório”, como aqui é referido.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Ler e escrever: um direito fundamental
Assinala-se hoje o Dia Mundial da Alfabetização, promovido pela UNESCO, que, aliás, contempla uma década (2003-2012) de investimento no combate ao analfabetismo, que está bem longe de ser conseguido. Estima-se que cerca de 700 milhões de adultos em todo o mundo mão saibam ler nem escrever, sendo que desses cerca de 500 milhões são mulheres.Em Portugal, a taxa de analfabetismo ainda ronda os 9%, de acordo com os Censos de 2001, o que representa cerca de 1 milhão de pessoas. Para o presidente da Associação O Direito a Aprender, Rui Seguro, "estes números ainda estão muito longe do ideal. Nos países nórdicos é um escândalo quando se encontra uma pessoa analfabeta. Já em Portugal menospreza-se essa realidade. Estamos a falar de quase um milhão de pessoas", refere.
Num país que investe actualmente na formação de base da população adulta, a verdade é que muitas pessoas continuam sem ter acesso àquele que é um direito fundamental de qualquer ser humano: aprender a ler e a escrever. É verdade que esta taxa tão elevada se deve ao envelhecimento da população, mas quem trabalha com adultos, sobretudo em zonas do Interior, sabe que esta não é uma realidade exclusiva dos mais velhos. Não é uma raridade encontrar vários casos de adultos, na casa dos 40 anos, logo em idade activa, que são analfabetos. Não estou a traçar um quadro negro, é a verdade dos meios rurais e desfavorecidos, onde muitas vezes a sobrevivência e a necessidade se sobrepõem àquilo a que se considera como básico e fundamental para a maioria de nós: a Escola.
Como profissional da Educação de Adultos, mas sobretudo como cidadã, interrogo-me muitas vezes sobre a (des)igualdade no acesso à formação/educação. Como sabemos, os adultos que pretenderem frequentar um Curso de Alfabetização, não têm qualquer apoio para o fazerem. Falo, por exemplo, de subsídio de alimentação e de transporte, como acontece actualmente, para os restantes adultos, na formação financiada. Sabemos também que estes adultos têm imensas dificuldades de transporte, por razões várias e, por experiência própria, nem sempre se consegue apoio por parte de outras entidades (como os Municípios) na resolução deste problema. Um dos principais motivos é "serem poucas pessoas, num período de contenção de despesas". E eu pergunto: essas pessoas, mesmo sendo poucas (5, 10, 15, 20...), não têm direito a saber assinar o seu nome quando querem passar um cheque ou até fazer uma inscrição num Centro Novas Oportunidades?... Urge pensar, encontrar e implementar estratégias efectivas no combate ao analfabetismo no nosso país. Não basta criar os Cursos de Alfabetização, é preciso criar condições para que sejam frequentados. É preciso haver, verdadeira e urgentemente, uma igualdade de oportunidades no acesso à educação.Deixo, para reflexão, alguns versos do maior poeta popular português, que mal sabia ler e escrever, mas que nos deixou aquela que era a sua maior riqueza: a sabedoria de vida... Os seus versos continuam tão actuais como se fossem escritos hoje.
Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses não sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário...
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.
Ao primeiro homem sabido,
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído?...
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso:
— Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem,
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso!
António Aleixo, in "Este Livro que vos Deixo, Vol. II"
Mafalda Branco
Profissional RVCC