domingo, 20 de setembro de 2009

Cidade Educadora: a valorização do "local"

Não vivemos isolados. Estabelecemos relações com o “que” e “quem” nos rodeia. Estamos em constante interacção. Somos seres em devir.
« (...) constituindo realidades incontornáveis do nosso universo social, as cidades são também e sobretudo centros privilegiados de oportunidades (...). Cidades educadoras são, assim, todas as que assumem coerente e consequentemente – através de um programa sistemático e intencionalmente dirigido de acção formadora – o imenso potencial que o seu património culturalmente construído lhes proporciona, transformando-o, deste modo, em capital educativo», como neste texto é referido.

“Cidade” e “educação” relacionam-se, dando lugar à “cidade educadora”. Esta relação, por sua vez, pode traduzir-se em diferentes concepções (Jaume Trilla):

  • cidade como meio educativo envolvente (aprender na cidade) – a cidade integra uma série de locais e actividades que, de forma intencional ou casual, a provêem de formação (o meio incorpora educação formal, não formal e informal). Assim, o desenho de políticas de intervenção educativa na cidade pressupõe que cada instituição ou programa não seja um sistema fechado e isolado (podem constituir-se oportunidades educativas na cidade espaços tão diversos como bibliotecas, museus, teatros, exposições, monumentos, etc.).
  • cidade como agente educativo (aprender da cidade) – a cidade, enquanto educadora informal, pode ter uma acção positiva (através da sua cultura e civismo) ou negativa (quando é geradora de agressividade, marginalização e sentimentos de indiferença).
  • cidade como conteúdo educativo (aprender a cidade) – da cidade aprendem-se, informalmente, muitas coisas que são úteis para a vida quotidiana (por exemplo: utilização de transportes públicos, localização de estabelecimentos, etc.).
Regista-se, assim, uma enorme possibilidade de aprender para além da educação formal. Na realidade, uma possibilidade de utilizar os recursos da cidade com fins educativos.

“O problema não é estarmos envolvidos; é não nos envolvermos”. Será que estamos realmente envolvidos e usufruímos da riqueza, dos bens e dos serviços que a nossa “cidade” coloca ao nosso dispor?

sábado, 19 de setembro de 2009

Enaltecer as vidas...

"É um livro que, mais do que contar histórias, enobrece o valor das vidas", foi assim que Inácio Canto e Castro definiu o livro apresentado hoje, no Museu do Oriente, que reúne 70 testemunhos de adultos abrangidos pela Iniciativa Novas Oportunidades e que é reprsentativo dos cerca de 950000 portugueses que se encontram a frequentar os mais diversos processos de aprendizagem. 1 Milhão de Novas Oportunidades pretende enaltecer o esforço, a dedicação e o empenho de todos os que decidiram agarrar uma nova oportunidade de investir na aprendizagem ao longo da vida. É um livro que, nas palavras de Maria do Carmo Gomes, Vice-Presidente da Agência Nacional para a Qualificação, representa a "diversidade dos percursos de vida e de qualificação que existe na base de um autêntico movimento social".
Um dos momentos mais emotivos da tarde foi o testemunho do autor do livro, visivelmente feliz com o seu resultado e com toda a experiência, que lhe permitiu conhecer histórias de vida que certamente marcaram também a sua. Os testemunhos de três dos adultos retratados neste projecto envolveram todos os presentes e tiveram como ponto comum dois aspectos: acreditar em si próprios e o esforço que os seus processos de aprendizagem lhes exigiu. Dos três testemunhos, realço sobretudo o de Luís Manuel Oliveira que, com simplicidade, nos deixou a todos comovidos com a força da sua mensagem: "a distância entre o possível e o impossível depende, unicamente, da nossa determinação".
Para terminar, o Presidente da ANQ, Luís Capucha, lançou um desafio aos adultos, o de criarem uma associação de antigos formandos da Iniciativa Novas Oportunidades, cujo principal objectivo seria a promoção da aprendizagem ao longo da vida. Fica lançado o repto, espera-se a concretização!

Ficam algumas imagens de uma tarde especial, cujos principais actores foram os adultos, os principais rostos desta Iniciativa.


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Novas Oportunidades a Ler+

Um desafio para os Centros Novas Oportunidades, lançado pela parceria PNL/ANQ/RBE

Dos responsáveis pelo Plano Nacional de Leitura, recebemos recentemente a seguinte comunicação:

"No quadro do trabalho que tem vindo a desenvolver, o Plano Nacional de Leitura (PNL) está a promover, em parceria com a Agência Nacional para a Qualificação, I.P. (ANQ) e de forma articulada com a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), um novo projecto designado Novas Oportunidades a Ler+.

Pretende-se consolidar o trabalho que tem vindo a ser feito pelos Centros de Novas Oportunidades com os formandos adultos que os frequentam, para que estes aprofundem o seu gosto pela leitura e desenvolvam o prazer de ler.

Os Centros são, pois, convidados a, no decurso do processo de RVCC, explorarem os momentos e as actividades mais convenientes para a promoção de hábitos de leitura. Este processo pode ser feito de diversas formas e em diversos contextos, desde a fase de diagnóstico ao processo de construção dos Portefólios de competências, passando pela formação complementar (quando esta se justifica)."

Uma oportunidade a não perder!

Para saber+

Para ler+

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Seminário Aprendizagem ao Longo da Vida


A Aprendizagem ao Longo da Vida não é apenas uma componente da educação e da formação. É mais do que isso. Como tal, deve tornar-se um dos princípios orientadores e uma força motriz da participação de cada cidadão, num contínuo de aprendizagens, na sociedade na qual se encontram inseridos.

Tendo como premissas basilares estas ideias, o Centro de Formação Profissional para o Sector da Cristalaria (CRISFORM), da Marinha Grande, promove no dia 22 de Setembro, nas suas instalações, o Seminário Aprendizagem ao Longo da Vida.

Este evento é dirigido principalmente a técnicos e formadores dos Centros Novas Oportunidades e tem como objectivos:
- partilhar e disseminar a informação e o conhecimento;
- contribuir para a melhoria de competências técnicas, criando sinergias de actuação entre Centros Novas Oportunidades.

Neste sentido, abordar-se-ão temáticas como:
- as fases de acolhimento, diagnóstico e encaminhamento de candidatos à qualificação;
- a igualdade de género;
- o módulo aprender com autonomia;
- a literacia dos adultos.

Poderá obter mais informações sobre este evento no site do CRISFORM.

Fonte: aqui

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Problematizar o futuro

"As políticas e as práticas de educação e formação que nos são, actualmente, propostas procuram induzir processos de conformidade social relativamente a um presente que é o resultado de um fatalismo e a um futuro que se antecipa como inexorável. Esta perspectiva da educação, presente na «aprendizagem ao longo da vida», está nos antípodas de uma concepção de educação permanente, encarada como o trabalho que cada um realiza sobre si próprio, na construção de si, de uma visão e de uma intervenção no mundo, o que implica admitir que o mundo social, como construção humana, pode ser compreendido e objecto de uma acção transformadora. Nas palavras de Paulo Freire, isto implica percepcionar o futuro não como algo de inexorável, mas sim como algo de problemático. O papel central da educação e da formação consiste, então, em ajudar a problematizar o futuro. Ora o pensamento educativo que suporta a «aprendizagem ao longo da vida» propõe-nos justamente o contrário, ou seja, uma «desproblematização do futuro», o que corresponde a «uma ruptura com a natureza humana, social e historicamente constituindo-se. O futuro não nos faz. Nós é que nos refazemos na luta para fazê-lo» (Freire, 2000, p.56). Como não se cansou de repetir Freire, ao longo de toda a sua obra, não há projecto educativo que não esteja associado a um projecto social e político."


Canário, R. (2001). Adultos - da escolarização à educação. Revista Portuguesa de Pedagogia, 35, 1, pp. 85-99.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Compasso de espera...



Estamos a viver uma época estranha.


Aproxima-se o Outono (os ingleses dizem: "Fall") e com ele, inevitavelmente, alterações na atmosfera e no ambiente que nos circunda. É uma estação que aprecio, devido ao meu gosto cro-maatico (Maat era, no Egipto, a deusa da Verdade), com as folhas a tapetar o chão, numa morte enigmática e magnífica, a preparar-se para um novo ciclo de existência. Neste princípio do fim outonal, há um não sei quê de aperfeiçoamento que nos desembaraça do que não podia continuar a existir. Algumas árvores parecem claramente expressar o alívio de se verem sem os apêndices decrépitos e ganham algum alento; outras parecem chorar, regando raizes com as folhas secas, como se de lágrimas de pétalas se tratasse, desesperando por ver partir partes de si, em quebra violenta de equilíbrio. No entanto, sabem que o acontecimento é apenas uma parte de um processo cíclico de evolução e crescimento. É nesse estado que nos encontramos também quando há alterações no ambiente social que nos circunda.


Algumas das Equipas Técnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades ainda se encontram em fase de ocaso, contrariando a desejável e ecológica rentabilização da formação e experiência destes formadores... Há escolas que estão a ver edifícios a ruir porque vão entrar em obras... Outras organizações esperam, num bater cardíaco compassado, por resultados eleitorais...


Podemos, entretanto, aproveitar o intervalo do movimento para nos aproximarmos do essencial. No silêncio ínfimo que se faz ouvir entre a sístole e a diástole, existe um ponto universal de convergência, de onde surgem as ideias geniais. A vida é maior que um compasso de espera.


domingo, 13 de setembro de 2009

I Fórum de Educação e Juventude


“Pensar, Qualificar, Inovar” é o tema do I Fórum de Educação e Juventude que decorrerá entre os dias 17 e 19 de Setembro, no Parque de Exposições de Aveiro.

Estes três verbos conjugam-se, assim, no sentido de atribuir visibilidade a um evento cujo objectivo consiste em “contribuir para a afirmação da qualificação e da inovação enquanto pilares fundamentais para o desenvolvimento da sociedade”.
Fonte: aqui
Mais informações: Câmara Municipal de Aveiro

sábado, 12 de setembro de 2009

Seminário "COME"

Decorrerá em Lisboa, entre os dias 4 a 7 de Novembro, um Seminário de Contacto Erasmus e Leonardo da Vinci, intitulado COME - Constructing Opportunities between Market and Education, organizado pela Agência Nacional para a Gestão do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida.

"Os Seminários de Contacto são organizados por Agências Nacionais Europeias com o objectivo de reunir vários tipos de organizações que partilhem objectivos, grupos-alvo e ambições numa área específica comum e são um instrumento privilegiado para a promoção de parcerias entre instituições que desejam iniciar actividades de cooperação europeia no âmbito de qualquer um dos Programas Sectoriais do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida.

Nestes seminários participam instituições dos diferentes países participantes no Programa e espera-se que a sua participação desencadeie a criação de novas parcerias e a apresentação de candidaturas aos diferentes Programas Sectoriais."
Pode encontrar mais informações sobre este e outros projectos no site da Agência.

Uma excelente oportunidade de trabalho em parceria e de desenvolvimento de novos projectos!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Passado, presente... e Futuro?

A Educação de Adultos desenvolveu-se, na Europa Ocidental, sobretudo a partir do último quartel do século XIX, processo que se acentuou a partir da II Guerra Mundial, após o surgimento da UNESCO (Belchior, 1990).
Recuperar a harmonia a nível planetário era uma preocupação nuclear e em torno da qual gravitavam os esforços. Os princípios da, então, Educação de Adultos, norteavam-se pela procura de um estado de equilíbrio perdido.
A educação, segundo uma visão tradicional, divide-se em diferentes sectores, em função da idade dos alunos e do nível de escolaridade (Jarvis, 2001), sendo o professor a figura que lhes transmite informações. A Educação de Adultos ficou, durante muito tempo, do outro lado deste enquadramento institucional (ibidem).
Durante as décadas de 60 e 70, foi encarada como compensatória, pois tinha como destinatários adultos que não tiveram a possibilidade de aprender no tempo adequado.
Mas, porque se revelava fundamental acompanhar as rápidas mudanças do conhecimento (Jarvis, 2001), a Educação de Adultos sentiu necessidade de se adaptar às novas exigências, tendo-se transformado numa educação continuada; portanto, ao longo da vida.

A adesão de Portugal à CEE, em 1985, e a consequente abertura de fronteiras, colocou o nosso país em contacto directo com grande parte da Europa, deixando transparecer uma noção concreta do seu atraso relativamente aos restantes países; assim, as duas últimas décadas do século XX foram passadas a tentar diminuir essa distância (Oliveira, 2005).
Isso prova que a questão dos números não é recente. Somos feitos de números. Somos comparados com os números dos outros países. Vivemos de números. Contudo, somos Seres Humanos! Pessoas!

Após a 5.ª Conferência Internacional da UNESCO (subordinada ao tema “Educação das pessoas adultas e os desafios do século XXI”), Portugal também se mobilizou no sentido de definir políticas de actuação prática. Foi criado o Grupo de Missão para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos que estaria na origem da conceptualização de uma nova estratégia de educação e formação de adultos assente em competências-chave e num dispositivo de reconhecimento, validação e certificação de competências adquiridas ao longo da vida (Cabete, 2006). Este Grupo seria, ainda, o embrião da ANEFA. Estavam a começar a definir-se, em Portugal, os contornos do Sistema Nacional de RVCC. Uma realidade já conhecida e consolidada noutros países europeus.
Fomos um povo pioneiro e cheio de brio na época dos Descobrimentos; agora, com mais frequência limitamo-nos a descobrir e a implementar o que os outros já descobriram e implementaram... Será que o atraso de Portugal se limita apenas aos números? Ou passa também pelas ideias e pelos ideais?

Relativamente ao papel da Universidade, já em 1988 Gomes afirmava e questionava: é legítimo e imperioso pensar que as Universidades (dos 12 parceiros) terão que melhorar para estarem à altura do “Ideal Europeu”... mas “que tempo ou que tempos iremos nós viver daqui a dez anos, daqui a vinte ou trinta anos?”. E, já nessa altura, considerava que a Universidade do futuro deveria continuar a assumir três grandes objectivos:
- transmissão do saber;
- investigação científica;
- serviço à Comunidade.
“Mas terá de realizar esses objectivos de uma «maneira» diferente do que o tem feito até agora. Qual será essa «maneira»? Não o sabemos, pois se o soubéssemos, já o faríamos no presente” (Gomes, 1988).

Passaram 20 anos... O que foi feito e construído desde então? A que mudanças efectivas assistimos? A teoria já não é suficiente; é um alicerce, um pilar, mas não rege, por si só, a realidade. A prática, ao longo destes anos, foi causa e consequência de rupturas de paradigmas.
Que mudanças reais pretendemos nós operar agora e daqui em diante??

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

I Encontro de saberes, oportunidades e lazer

Em destaque está o Centro Novas Oportunidades do Agrupamento Vertical de Escolas de Cinfães que organiza amanhã e sábado o I Encontro de saberes, oportunidades e lazer nas instalações da Escola básica dos 2.º e 3.º ciclos de Cinfães.O objectivo desta iniciativa é dar a conhecer a função do Centro Novas Oportunidades e proporcionar à comunidade local oportunidades de qualificação. Fonte
Queremos saudar o empenho dos organizadores e desejar que a concretização traga momentos de criatividade e de inspiração para todos os participantes.


O programa assim o promete.




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Relatório da OCDE: melhorias na educação em Portugal

Actualmente, vive-se num mundo político e social complexo. Por isso, mais do que nunca, as pessoas planeiam as suas próprias vidas e espera-se que contribuam activamente para a sociedade e aprendam a viver positivamente em contextos cuja diversidade cultural, étnica e linguística está, hoje em dia, bem patente.
Estas características da mudança social e económica contemporânea encontram-se interligadas e encerram dois objectivos igualmente importantes para a aprendizagem ao longo da vida:
a) promover a cidadania activa;
b) fomentar a empregabilidade.

Neste cenário, a educação, no seu sentido lato, é uma chave fundamental para aprender e compreender melhor a forma como dar resposta aos desafios que vão surgindo.

A OCDE, tendo como alguns dos seus objectivos centrais apoiar o crescimento económico, desenvolver o emprego e elevar o nível de vida, centra parte das suas actividades em torno das questões educativas e, neste âmbito, “divulgou a edição de 2009 da publicação Education at a Glance, na qual confirma a existência de mais alunos e de melhores resultados escolares em Portugal no ano lectivo de 2006/2007, período de referência do relatório”, como aqui é referido.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ler e escrever: um direito fundamental

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Alfabetização, promovido pela UNESCO, que, aliás, contempla uma década (2003-2012) de investimento no combate ao analfabetismo, que está bem longe de ser conseguido. Estima-se que cerca de 700 milhões de adultos em todo o mundo mão saibam ler nem escrever, sendo que desses cerca de 500 milhões são mulheres.
Em Portugal, a taxa de analfabetismo ainda ronda os 9%, de acordo com os Censos de 2001, o que representa cerca de 1 milhão de pessoas. Para o presidente da Associação O Direito a Aprender, Rui Seguro, "estes números ainda estão muito longe do ideal. Nos países nórdicos é um escândalo quando se encontra uma pessoa analfabeta. Já em Portugal menospreza-se essa realidade. Estamos a falar de quase um milhão de pessoas", refere.

Num país que investe actualmente na formação de base da população adulta, a verdade é que muitas pessoas continuam sem ter acesso àquele que é um direito fundamental de qualquer ser humano: aprender a ler e a escrever. É verdade que esta taxa tão elevada se deve ao envelhecimento da população, mas quem trabalha com adultos, sobretudo em zonas do Interior, sabe que esta não é uma realidade exclusiva dos mais velhos. Não é uma raridade encontrar vários casos de adultos, na casa dos 40 anos, logo em idade activa, que são analfabetos. Não estou a traçar um quadro negro, é a verdade dos meios rurais e desfavorecidos, onde muitas vezes a sobrevivência e a necessidade se sobrepõem àquilo a que se considera como básico e fundamental para a maioria de nós: a Escola.

Como profissional da Educação de Adultos, mas sobretudo como cidadã, interrogo-me muitas vezes sobre a (des)igualdade no acesso à formação/educação. Como sabemos, os adultos que pretenderem frequentar um Curso de Alfabetização, não têm qualquer apoio para o fazerem. Falo, por exemplo, de subsídio de alimentação e de transporte, como acontece actualmente, para os restantes adultos, na formação financiada. Sabemos também que estes adultos têm imensas dificuldades de transporte, por razões várias e, por experiência própria, nem sempre se consegue apoio por parte de outras entidades (como os Municípios) na resolução deste problema. Um dos principais motivos é "serem poucas pessoas, num período de contenção de despesas". E eu pergunto: essas pessoas, mesmo sendo poucas (5, 10, 15, 20...), não têm direito a saber assinar o seu nome quando querem passar um cheque ou até fazer uma inscrição num Centro Novas Oportunidades?... Urge pensar, encontrar e implementar estratégias efectivas no combate ao analfabetismo no nosso país. Não basta criar os Cursos de Alfabetização, é preciso criar condições para que sejam frequentados. É preciso haver, verdadeira e urgentemente, uma igualdade de oportunidades no acesso à educação.

Deixo, para reflexão, alguns versos do maior poeta popular português, que mal sabia ler e escrever, mas que nos deixou aquela que era a sua maior riqueza: a sabedoria de vida... Os seus versos continuam tão actuais como se fossem escritos hoje.

Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses não sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário...
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.

Ao primeiro homem sabido,
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído?...
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso:
— Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem,
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso!


António Aleixo, in "Este Livro que vos Deixo, Vol. II"

Mafalda Branco
Profissional RVCC

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dia Internacional da Alfabetização


"A 8 de Setembro comemora-se o Dia Internacional da Alfabetização, uma efeméride que, mais uma vez, nos relembra os dados disponibilizados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).De acordo com o relatório Global de Controlo sobre Educação da UNESCO, estima-se que haja no mundo 781 milhões de adultos analfabetos. Destes, cerca de 520 milhões são mulheres. A somar a estes dados, aproximadamente 103 milhões de crianças não têm acesso à escola e, consequentemente, não aprendem a ler, escrever e contar..." Mais...

Ainda neste quadro, aproveitamos para saudar a parceria estabelecida entre o Plano Nacional de Leitura e a Agência Nacional para a Qualificação, com o projecto Novas Oportunidades a Ler+, que visa apoiar o desenvolvimento do gosto pela leitura junto do público dos Centros de Novas Oportunidades. A informação detalhada sobre o projecto poderá ser consultada no sítio PNL, a partir do dia 11 de Setembro. Os Centro que pretendam participar podem fazer o seu registo, no mesmo endereço electrónico, a partir de dia 15 do mês corrente.

domingo, 6 de setembro de 2009

Leitura interessante

"A Nova Ordem Educacional, Espaço Europeu de Educação e Aprendizagem ao Longo da Vida"

«Alguns campos específicos de reflexão são propostos por Fátima Antunes, para se questionar e nos questionarmos sobre o papel que a Aprendizagem ao Longo da Vida, através dos seus diversos eixos de intervenção, desempenha na construção de um novo modelo de sociedade e de economia (...).
Desses campos saliento quatro:

(i) o Processo de Bolonha ou a obrigatoriedade de submissão dos actores nacionais a decisões supranacionais de Estado-em-rede;

(ii) as relações educação-trabalho, a centralidade que lhes é atribuída na formação do capital humano e social e o debate em torno do movimento das competências;

(iii) o processo de definição do Regime Jurídico da Habilitação profissional para a Docência e a sua relação como Método Aberto de Coordenação, o Programa Educação e Formação 2010 e os Processos de Bolonha e Copenhaga;

(iv) os sentidos da Aprendizagem ao Longo da Vida na UE e em Portugal e as suas relações com a construção do Espaço Europeu de Educação.

(...) a leitura desta obra constitui um excelente instrumento de reflexão crítica sobre muitos dos movimentos a que assistimos hoje, no interior dos sistemas de educação e formação, sendo que “...este é um tempo de transição em que se afirmam, negoceiam e digladiam processos, projectos e percursos de construção de uma nova ordem educacional mundial e novos modelos educativos mundiais de que a educação/aprendizagem ao longo da vida é um dos eixos e pode revelar-se um analisador e um catalisador de horizontes prováveis e possíveis em negociação.”»

Fonte: aqui

sábado, 5 de setembro de 2009

Fundamental

O Quadro Nacional de Qualificações define a estrutura de níveis de qualificação, tendo como referência os princípios do Quadro Europeu de Qualificações, no que diz respeito à descrição das qualificações nacionais em termos de resultados de aprendizagem, de acordo com os descritores associados a cada nível de qualificação.

Tem ainda como objectivo integrar os subsistemas nacionais de qualificação e melhorar o acesso, a progressão e a qualidade das qualificações em relação ao mercado de trabalho e à sociedade civil.

Fonte: IEFP


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Provocação ou desafio?


Há já algum tempo que tenho vindo a propôr que se agrupem as ofertas cada vez mais diversificadas em Agrupamentos de Formação, encontrando, nesta sugestão, mais do que apenas algumas vantagens. Ontem, tive ocasião de o referir à Senhora Ministra da Educação e percebi ter havido uma reacção favorável à ideia. Fica agora aqui o desafio para o debate, adiantando que soube da existência de alguns auto-proto-agrupamentos, com resultados interessantes.


"Constituição de Agrupamentos de CNOs

Para um mesmo território ou zona de influência de vários Centros Novas Oportunidades, poderia ser constituído um Agrupamento de CNOs, que teria como Metas as metas conjuntas dos CNOs que o constituíssem. Para além da óbvia vantagem numérica, outras se apresentam claramente: a gestão de inscritos, as transferências de candidatos e encaminhamentos para formação. As itinerâncias seriam naturalmente e espontaneamente agilizadas. Por outro lado, enquanto na actual conjuntura, a ANQ tem uma relação contratual directa com cada um dos Centros Novas Oportunidades (brevemente 500!), passaria a relacionar-se directamente com os referidos Agrupamentos, diminuindo drasticamente o esforço anual de acompanhamento. Desta forma, a estrutura nova assim criada também permitiria uma monitorização interna e consequente aferição da qualidade de trabalho dos diversos CNOs agrupados, com a eficácia que caracteriza a descentralização dos observadores. Fica a sugestão... " in Relatório de Actividades 2008 do CNO D. Inês de Castro de Alcobaça

Anabela dos Santos Luís, Coordenadora do CNO D. Inês de Castro de Alcobaça

Entrega de Diplomas na Casa da Música no Porto


A Agência Nacional Para a Qualificação, I.P. convida para a cerimónia de entrega de diplomas que terá lugar, no dia 5 de Setembro, pelas 11h00, na sala 2 daCasa da Música, no Porto, no âmbito de protocolos estabelecidos com empresas, ao abrigo da IniciativaNovas Oportunidades.


"Esta cerimónia, que envolverá membros do governo e representantes de empresas de todo o país, constituirá o momento final dos percursos formativos destes colaboradores mobilizados para a qualificação pelas empresas onde trabalham, na sequência de protocolos de cooperação estabelecidos no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades."

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Reflectindo sobre a mudança...



A Europa encontra-se a atravessar uma profunda reorganização numa paisagem em constante movimento – na Sociedade do Conhecimento, a expressão “globalização” aglutina as mudanças e transformações que ocorrem.
Um dos efeitos deste fenómeno consiste no aumento do nível educativo mínimo necessário para garantir a inclusão social e laboral, necessidade esta que se encontra relacionada com as qualificações. Este cenário, por sua vez, torna as sociedades mais competitivas.



«Os ventos impiedosos da globalização não pouparão para sempre a mais poderosa força global: a da aprendizagem»

Dale, R. (2006). «Reconfigurações»: da ambiguidade de um conceito, in Magalhães, A. et al.. «Reconfigurações» - Educação, Estado e Cultura numa época de globalização (1.ª ed.). Porto: Profedições, pp. 35-49.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Competências na Europa

"O nível de qualificações e competências está a subir por toda a Europa, especialmente entre as pessoas mais jovens, e ainda mais no que respeita às mulheres. Contudo, as desigualdades referentes aos níveis de educação mantêm-se entre os Estados Membros. Eis algumas das conclusões do primeiro trabalho de previsão feito à escala europeia – “Future Skill Supply in Europe: Medium-Term Forecast up to 2020” (A oferta futura de competências na Europa: previsões a médio prazo até 2020), publicada em Junho pelo CEDEFOP.
São pontos-chave da presente publicação:

- Prevê-se um aumento substancial do número de adultos na população activa com um nível elevado de educação (ISCED 5 e 6): mais de 20 milhões para a U.E. a 25 (sem a Bulgária e a Roménia), o equivalente a um acréscimo de 40% entre 2007 e 2020. Esperam-se os maiores aumentos em Portugal e na Polónia, com um crescimento médio anual de 5% durante este período. Contudo, a Dinamarca possuirá a maior proporção de pessoas altamente qualificadas dentro da população activa.

- O número de adultos com um nível médio de qualificações (ISCED 3 e 4), disponíveis para trabalhar, também deverá subir neste período. Na Europa, foram muitas as pessoas que obtiveram qualificações a este nível através de programas de vertente profissional. Um acréscimo de mais de 6 milhões de pessoas irá representar uma média anual de crescimento de quase 0,5%. As maiores subidas deverão ocorrer em Espanha e Portugal, com cerca de 4%, dois países que ainda apresentam proporções relativamente baixas da população activa com qualificações de nível médio. A República Checa continuará a ser o país com a proporção mais elevada de população activa com uma educação-formação de nível médio.

- Quase todos os países da U.E. vão assistir a uma contracção, dentro da sua população activa, de pessoas com um baixo nível de qualificações (até ao secundário: ISCED 0 a 2). No total, menos 17 milhões de adultos nesta categoria estarão disponíveis para trabalhar em 2020. Apesar de uma queda significativa, Portugal será ainda o país com a proporção mais elevada de pessoas com baixas qualificações na população activa."
Fonte: aqui
Para consultar o documento: CEDEFOP

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Novo ano, novo look... Novas Oportunidades num único portal


As Novas Oportunidades estão de parabéns com o seu new look no mesmo endereço electrónico.

Os cinco actuais separadores permitem uma navegação mais ágil e mais rápida. O visual é dinâmico e estimula a interacção, sugerida pelo espaço/forum disponibilizado.

Da Newsletter Novas Oportunidades:

"Obter informação sobre a Iniciativa Novas Oportunidades na internet passou a ser mais fácil, pois toda a informação associada a esta Iniciativa está agora concentrada num único portal.

Mantendo o endereço institucional já conhecido (http://www.novasoportunidades.gov.pt/), este portal apresenta, no topo, cinco separadores que remetem directamente para as principais páginas de internet que disponibilizam informação respeitante à Iniciativa Novas Oportunidades, nomeadamente o sítio da Agência Nacional para a Qualificação, a página web do Catálogo Nacional de Qualificações (instrumento de gestão estratégica das qualificações de nível não superior que conferem dupla certificação), página criada para gerir a bolsa nacional de avaliadores externos dos Centros Novas Oportunidades (elementos fundamentais nos júris de certificação dos processos de RVCC), o sítio que permite aceder ao Guia de Acesso ao Secundário e ao Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa (SIGO) e o sítio construído para a partilha de experiências e testemunhos de formandos que participam ou que concluíram processos formativos ao abrigo da Iniciativa Novas Oportunidades e que integra também um módulo de pesquisa da rede de Centros Novas Oportunidades existentes no país."