domingo, 12 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Júris, Encontros e Diplomas...

O orgulho de um trabalho bem feito e de um caminho desenhado em função das necessidades de conhecimento por parte dos adultos é tão importante como o cumprimentos das regras e normas que definem um projecto. Os fins e os meios, na Educação e Formação de Adultos são fundamentais pilares na consolidação de uma imagem sustentada e credível de um projecto.

Estive presente, a convite da equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda, numa sessão de júri para o nível básico. Quero destacar, neste momento, o que referi presencialmente à equipa ao consultar e trocar algumas ideias sobre os portefólios dos adultos. Tenho que louvar publicamente o caminho feito por todos os elementos da equipa deste centro. Hoje o trabalho realizado é sólido, de rigor e qualidade, de inovação e credibilidade que valoriza o processo, assim como, os que por ele passam nesta escola. Os meus sinceros e sentidos parabéns pela vontade de mudar e pela brilhante e imensa dedicação com que o fizeram.

Estive depois presente numa sessão de júri na Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos de Figueiró dos Vinhos, numa itinerância da equipa do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião. Tenho também a destacar o bom trabalho realizado pela Dra. Cláudia e Dra. Susana, no acompanhamento e preparação da sessão de júri. Destaco um momento muito significativo por no decurso da apresentação de uma adulta, ter sido apresentado e discutido o manual da 1.ª Classe do tempo do Estado Novo. Sem dúvida que as apresentações feitas, pela sua diversidade e curiosidade trouxeram a todos um reflexão pertinente e ilustrativa. Parabéns pelo trabalho realizado.

Estive ainda, a convite do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernão de Magalhães, em Chaves, numa sessão plenária para equipas de RVCC e EFA. Em primeiro lugar tenho que destacar o imenso prazer que tive em (re)descobrir a cidade de Chaves. Quer pelo acolhimento, quer pela simpatia, fiquei encantado. Embora não acompanhe este centro como Avaliador Externo, logo aceitei o convite para estar presente para conhecer o seu trabalho. A sessão plenária foi muito interessante, quer no seu modelo, quer na qualidade e pertinência das intervenções. Tenho que destacar a qualidade e actualidade da intervenção da Dra. Olívia Santos Silva da DREN e da qual retive uma visão muito interessante da perspectiva de dar “vez e voz” a cada um dos adultos (quer por via de frequência de um curso EFA, quer por via do Reconhecimento de Competências) através da consolidação de um modelo de escola integradora. Para além desta visão pertinente e cada vez mais importante de destacar, tenho a referir que encontrei uma equipa que mostrou um profissionalismo, dedicação e competência muito positiva. Com uma coordenação presente e atenta, assim como, profissionais e formadores muito dedicados, tenho a certeza que o trabalho feito por este centro reproduzirá o desejado e necessário reconhecimento social que se torna urgente.
A entrega dos cerca de trezentos e cinquenta certificados mostrou a vitalidade e dinâmica deste movimento em torno do processo de RVCC, sendo de destacar as intervenções de alguns adultos que mostraram o quanto é válido um modelo de reconhecimento de competências adquiridas pela vida e ao longo da vida no contexto escolar actual. Os meus sinceros parabéns à equipa por este momento tão interessante e a todos os presentes pela partilha de ideias e de reflexões que são, neste momento, fundamentais para (re)pensar a oferta para adultos na escolas públicas e privadas, assim como, a valorização social das mesmas no seu contexto local, regional e nacional.

A minha palavra final vai, como sempre, para os adultos que terminaram os seus percursos de certificação nas sessões de júri em que estive presente. Parabéns e que esta seja a porta de entrada de novas aprendizagem ao longo da vida.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Relembrar as Linhas de Rumo: Aprendizagem ao Longo da Vida.

«Componentes de uma estratégia em prol da aprendizagem ao longo da vida:

Os Conselhos Europeus que se sucederam desde o de Santa Maria da Feira realçaram a necessidade de pôr em prática estratégias coerentes e globais de aprendizagem ao longo da vida.

A Comunicação de 2001 define os módulos constitutivos das estratégias supracitadas para apoiar os esforços dos Estados-Membros e dos demais intervenientes. A transformação dos sistemas tradicionais é a primeira etapa a ultrapassar para permitir a todos o acesso às ofertas de aprendizagem ao longo da vida. São identificadas outras componentes dadaa a necessidade de:

  • Criar parcerias a todos os níveis da administração pública (nacional, regional e local) mas também entre os prestadores de serviços educativos (escolas, universidades, etc.) e a sociedade civil em sentido lato (empresas, parceiros sociais, associações locais, etc.).
  • Identificar as necessidades do formando e do mercado de trabalho no contexto da sociedade do conhecimento (incluindo, por exemplo, as novas tecnologias da informação).
  • Mobilizar os recursos adequados fomentando um aumento dos investimentos públicos e privados bem como novos modelos de investimento.
  • Tornar as oportunidades de aprendizagem mais acessíveis, nomeadamente multiplicando os centros locais de aprendizagem nos locais de trabalho e facilitando a aprendizagem no local de trabalho. Impõem-se esforços específicos em prol das pessoas particularmente susceptíveis de exclusão, nomeadamente deficientes, minorias e elementos do meio rural.
  • Fomentar uma cultura da aprendizagem para motivar os aprendentes (potenciais), aumentar os níveis de participação e demonstrar a todos que é indispensável aprender em qualquer idade.
  • Instaurar mecanismos de avaliação e controlo da qualidade. Até ao início de 2003, a Comissão lançará um prémio destinado às empresas que investem na aprendizagem ao longo da vida, a fim de recompensar e divulgar as boas práticas neste domínio.
  • Acções prioritárias de uma estratégia em prol da aprendizagem ao longo da vida

Tal como o sublinha a Comunicação, para realizar a Europa da aprendizagem ao longo da vida, é indispensável:

  • Valorizar a educação e a formação. Isto significa valorizar os diplomas e certificados formais, a aprendizagem não formal e informal, a fim de que possam ser reconhecidos todos os tipos de aprendizagem. Estão incluídas a melhoria da transparência e a coerência dos sistemas nacionais de aprendizagem, a elaboração até 2003 de um mecanismo transnacional de cumulação das qualificações, a definição até ao final de 2002 de um sistema comum de apresentação das qualificações (inspirado no curriculum vitae europeu) e a criação e a adopção voluntárias de diplomas e certificados de formação europeia.
  • Reforçar os serviços de informação, orientação e consultoria a nível europeu. A Comissão lançará em 2002 um portal internet sobre as oportunidades de aprendizagem a nível europeu bem como um fórum europeu de orientação destinado a promover os intercâmbios de informação.
  • Investir mais tempo e dinheiro na educação e na formação. A Comissão convida o Banco Europeu de Investimento a apoiar a aprendizagem de preferência na criação de centros locais de formação; pede ao Fundo Europeu de Investimento que apoie o capital de risco neste domínio; sugere aos Estados-Membros que recorram mais ao Fundo Social Europeu e compromete-se a apresentar um balanço dos incentivos fiscais previstos pelos Estados-Membros.
  • Aproximar os aprendentes das ofertas de educação e de formação, o que se consegue criando centros locais de aquisição de conhecimentos e fomentando a aprendizagem no local de trabalho.
  • Pôr as competências de base ao alcance de todos.
  • Apoiar a investigação em pedagogias inovadoras para professores, formadores e mediadores, tendo ao mesmo tempo em conta o papel crescente das tecnologias da informação e da comunicação.»
Fonte: aqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Três conclusões: Avaliação da Iniciativa Novas Oportunidades

«“As pessoas que estão certificadas sentem que não houve grandes avanços na carreira, na remuneração, nas oportunidades de emprego, como porventura teriam legítima esperança de ter antes de terem feito a certificação” (...)

Como exemplo de novas competências adquiridas, é referido o acesso à Internet: 67 por cento dos que se inscreveram nas Novas Oportunidades utilizam este meio contra 27 por cento dos que nas mesmas condições de escolaridade optaram por não prosseguir os estudos. O número de pessoas que recorre à Internet para pesquisar informações é também três vezes superior nos que foram certificados pelas Novas Oportunidades. (...)

“Há várias pessoas que começam por querer apenas o 9º ano e que acabam por querer ir mais longe e completar o 12º ano”, contou, muitas vezes para acompanharem os filhos. Recorde-se que a média de idades dos frequentadores do programa é de cerca de 40 anos.»

Em resposta a uma questão...

Li, recentemente aqui, uma questão que penso é comum (ainda e infelizmente) a muita gente. Foi por isso que pedi a dois profissionais de RVCC e a um adulto que fizessem uma reflexão para poder dar uma resposta à questão que é colocada. Obrigado à equipa do Centro Novas Oportunidades da Gafanha da Nazaré pela disponibilidade na resposta ao meu pedido.

A visão dos Profissionais de RVCC:

«O Processo RVC – Reconhecimento e Validação de Competências – consiste num modelo que, na sua génese, tem por fim criar uma justa equivalência entre aquilo que foram as aprendizagens formais, informais ou não formais e um determinado grau de escolaridade (Básico ou Secundário) de um indivíduo em idade adulta. Partindo do pressuposto que existe uma franja da população portuguesa que abandonou precocemente a escola, por motivos vários, e que foi adquirindo ao longo da vida competências, experiências (profissionais, pessoais e de cidadania) e conhecimentos que nunca viram reconhecidos, este processo constitui a forma de valorizar e validar tais aprendizagens.
Não se tratando de um curso ou de um processo escolar, tal como comummente o concebemos, o Processo RVC resulta da reflexão de cada adulto acerca das suas aprendizagens, orientada por uma equipa de técnicos e formadores, com vista à abordagem, em registo escrito, de um conjunto de critérios pré-definidos num Referencial de Competências-Chave, correspondente a cada nível (Básico ou Secundário). Como este processo tem um cariz individual, nem todos os candidatos a certificação têm perfil para uma equivalência ao nível pretendido, devendo ser orientados para outros percursos formativos complementares. Esta situação verifica-se sobretudo no Nível Secundário, onde os adultos em processo poderão ser encaminhados para outras ofertas formativas, obtendo em RVC uma certificação parcial.
Enquanto técnicos de RVC, consideramos que para os adultos, este processo é crucial, visto que resulta num aumento significativo da sua valorização pessoal e num re-investimento na formação, que anteriormente lhes estava vedada. Acresce ainda o facto de cada PRA (Portefólio Reflexivo de Aprendizagens) ser o testemunho de vivências singulares e conhecimentos empíricos – alguns perdidos no tempo – que por este meio se preservam.»

João Henriques e Helena Silva


A visão de um adulto certificado para o nível Secundário:

«Pediram-me para falar sobre minha experiência no processo RVCC, portanto aqui vai.
Devido à minha actividade profissional, sinto necessidade de me manter em permanente formação, pois o sector da manutenção e construção de máquinas apresenta constantes inovações, desde novos materiais até métodos de produção mais eficazes e novos processos de controlo, o que me obriga a uma actualização constante. No entanto, depois de todas estas formações e experiência adquirida faltava-me algo que atestasse os meus conhecimentos e me permitisse continuar. Por isso, assim que ouvi falar no processo RVCC não hesitei, procurei o centro cujo método de trabalho melhor se adaptasse à minha disponibilidade, inscrevi-me e assim iniciei o processo.
Durante o processo tive momentos de sucesso mas também alguns de desânimo, principalmente no princípio, quando me debati com a dificuldade de compreender o que era pedido no referencial. Mesmo quando o compreendia, sentia dificuldades em o adaptar às minhas experiências. No entanto, quando estas dificuldades surgiam, contava sempre com a ajuda dos técnicos que, com toda a paciência, me ajudavam a ultrapassá-las.
O processo não foi fácil, nem eu queria que o fosse, pois quanto mais difícil mais valorizado seria. Agora com o 12º ano é como se tivesse desaparecido um obstáculo do meu caminho, proporcionando-me um futuro com mais oportunidades. Uma destas oportunidades foi a de me inscrever num CET de Electricidade e Automação Industrial, que tanta falta me fazia. Neste CET, já percorri quase um terço do caminho e o que me falta de conhecimentos académicos sobra-me na experiência de vida, o que me permite, com muita dedicação, ir terminando os módulos com notas razoáveis.
Com a finalização deste CET consigo garantir a posição na empresa onde trabalho, pois ela está num processo de certificação e com isso surge a necessidade de cada sector ser liderado por uma pessoa com formação adequada e certificada.
Nunca é demais relembrar que para mim se não fosse o processo RVCC nada disto era possível.»

Lino Neves

Seminário: Avaliação da Iniciativa Novas Oportunidades

Terá lugar no dia 10 de Julho um seminário que, pela qualidade dos oradores e pela pertinência da temática, deve ser acompanhado. Aqui fica o programa:

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Organização Aprendente: Ideias para os CNO

«Este modelo simples pretende permitir às pequenas organizações e equipas tirar partido das vantagens da aprendizagem organizacional. Em particular a capacidade de inovar é crucial no desenvolvimento local; pois, sendo uma das correntes do desenvolvimento alternativo, não existem respostas pré-concebidas aos problemas. O empenho da equipa é outras das vantagens da aprendizagem organizacional; (...) uma organização aprendente reconhece-se pelo entusiasmo dos seus colaboradores.»
Fonte: aqui

terça-feira, 7 de julho de 2009

Roteiro Metodológico: Sessões de Júri - Apresentação

É hoje apresentado "A sessão de júri de certificação: momentos, actores, instrumentos - Roteiro Metodológico". Tendo tido participação na sua autoria não posso deixar de referi que espero que este documento seja visto por todos como um recurso com exigência, rigor e valorização para o processo de RVCC. Não é, de todo, uma abordagem fácil de implementar, no entanto, pela prática registo a sua utilidade, pertinência e coerência no reforço do reconhecimento social do processo de RVCC. Aqui fica o documento:
Roteiro

segunda-feira, 6 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Afastamento de Funções: Reflexão final.

Tenho, nos últimos anos, dedicado uma parte da minha vida profissional à função de Avaliador Externo no âmbito dos Processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. É agora chegada a altura de me afastar, definitivamente, desta função. Assim, no dia 31 de Julho de 2009, como já comuniquei às entidades competentes, cessarei o trabalho neste âmbito. Para além de o fazer “no terreno” também o farei relativamente a este espaço. Mas quero deixar uma reflexão e balanço neste pequeno texto.

Foram vários anos em que vi “morrer” a ANEFA, “nascer” a DGFV, “morrer” a DGFV, “nascer” a ANQ (entidades tutelares), em que vi nascer os processos de RVCC em Centros RVCC, agora “Novas Oportunidades”. Em que acompanhei as primeiras dúvidas, medos, desejos e reflexões. Em que fiz os primeiros júris (e recordo o primeiro em Águeda, como se fosse hoje), assim como, vi crescer a rede de Centros Novas Oportunidades e com eles a disseminação do processo. Vi serem implementados os cursos EFA de nível Básico e vivi a experiência piloto dos cursos EFA de Nível Secundário. Foram anos, vários, que tentei dar o meu contributo para a qualidade e, acima de tudo, o reconhecimento social do processo de RVCC. Em que procurei estar sempre disponível para apoiar as equipas e com elas trabalhar. Anos em que ouvi milhares de adultos mostrarem as suas competências adquiridas pela vida, com a vida e no superar das dificuldades, alegrias ou na realização de projectos pessoais, sociais ou profissionais. Com eles aprendi muito. Estarei sempre, eternamente grato, pelo que aprendi com cada uma das pessoas que conheci. Quanto às equipas dos centros fica uma palavra de profundo agradecimento pelo que me permitiram conhecer, pela colaboração e pela dedicação que nunca poderá ser esquecida pela imensa mostra de profissionalismo que representa. Com cada equipa aprendi muito. O meu obrigado:

à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Sever do Vouga (pela ambição);
à equipa do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião (pela competência);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Básica João Brito Camacho, Almodôvar (pela integração);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Arganil (pela abertura);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária João Franco, Fundão (pela amizade);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré (pelo humanismo);
à equipa do Centro Novas Oportunidades do Instituto Educativo e Tecnológico de Cascais (pela determinação);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Joaquim de Carvalho, Figueira da Foz (pela valorização);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Nacional de Bombeiros, Lousã (pelo companheirismo);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada, (pela dedicação);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Campos Melo, Covilhã (pelo profissionalismo):
à equipa do Centro Novas Oportunidades do NERGA (pela coerência);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Pombal (pela inovação);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, Águeda (pela evolução);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia (pela juventude);
à equipa do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas da Pampilhosa (pela determinação);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Alves Redol, Vila Franca de Xira (pela capacidade);
à equipa do Centro Novas Oportunidades do IEFP de Aveiro (pelo acolhimento);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Maximinos (pelo sonho);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Associação Fernão Mendes Pinto (pela formação);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Inês de Castro, Alcobaça (pela partilha);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (pela integração);
à equipa do Centro Novas Oportunidades do Ministério da Educação (pela determinação);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Tecnológica e Profissional de Pombal (pela vontade);
à equipa do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Maceira (pela transversalidade);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, Condeixa (pela qualidade);
à equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul (pela valorização);
e a todas as equipas de todos os centros com que colaborei ou troquei centenas de e-mails, telefonemas e realizei reuniões, pela dedicação. O meu obrigado.

Quero ainda referir e deixar o meu reconhecimento à Agência Nacional para a Qualificação (ANQ). Se por ser a entidade tutelar do processo temos sempre a ideia que é sua a responsabilidade, para o bom e para o mau, a verdade é que encontrei sempre um feedback relevante e importante para o meu trabalho. Tenho que agradecer particularmente à Dra. Maria do Carmo Gomes, Dra. Francisca Simões, Dra. Dora Santos e Dra. Cristina Milagre, de quem testemunhei uma dedicação impar e um profissionalismo sem igual na defesa das ideias, projectos e efectiva mudança para a Educação e Formação de Adultos em Portugal.

Por fim, aos adultos. A cada um deles. Obrigado pelo que aprendi. Simplesmente isto. Obrigado pelo tanto que aprendi com cada uma das pessoas que conheci.

Quanto a este espaço, o Blog RVCC/NO, irei nos próximos dias convidar três a quatro pessoas, que trabalhando no terreno, espero que estejam disponíveis para o continuar, num espírito de colaboração e trabalho em conjunto, sendo que, de tempos a tempos regressarei aqui para deixar algumas reflexões uma vez que não abandonarei o olhar atento sobre esta realidade nem tão pouco a minha relação profissional com a Educação e Formação de Adultos. Até ao final do presente mês irei manter a actualização diária do mesmo, como sempre.

A todos o meu obrigado por esta parte da minha vida e o meu voto sentido de desejo de sucesso para o futuro!

sábado, 4 de julho de 2009

A escola da "vida"...

Júris, encontros e reflexões...

Se o caminho se faz caminhando, o desafio de qualidade e do reconhecimento social do processo de RVCC faz-se pela dedicação constante daqueles que, nos Centros Novas Oportunidades, dão o seu melhor em cada momento procurando soluções para cada um dos adultos que procuram vias para a conclusão de um percurso de qualificação.

Estive presente numa reunião de preparação para um júri de nível Secundário com a equipa do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Maceira. Numa primeira abordagem ao processo a troca de ideias e reflexões conjuntas entre a equipa e o Avaliador Externo é fundamental para a articulação entre todos, assim como, a aprendizagem conjunta. Quero dar os parabéns à equipa pela abertura, assim como, pela análise realizada, pela qualidade do trabalho que se revela um bom ponto de partida para a uma melhoria contínua.

Estive também presente, em dias diferentes, em sessões de júri de nível Secundário e de Nível Básico, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Embora com um volume de trabalho sempre crescente, tenho que destacar o profissionalismo e dedicação do Dr. João, Dra. Helena, Dra. Marília e Dra. Carina, profissionais de RVCC, assim como à equipa de formadores que conseguiram um trabalho de elevada qualidade sem nunca esquecerem a humanidade e a informalidade positiva que lhes é característica e que marca, muito qualitativamente, a diferença.

A convite da equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia, estive presente numa sessão de júri para o nível básico. Gostava de destacar aqui o facto de nesta sessão ter estado presente um ilustre participante, o Sr. Manuel, que do alto da sua idade muito respeitável, deu a todos uma lição da importância da aprendizagem ao longo da vida. Este senhor, utente de uma das instituições onde uma das adultas trabalhava, idoso no corpo mas não no espírito, deixou uma mensagem importante para todos, sobre o valor dos saberes aprendidos na e com a escola.

Estive ainda presente numa sessão de júri a convite do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa. Quero destacar a consolidação e qualidade do projecto que a equipa deste centro tem vindo a desenvolver. Fica uma palavra de sinceros parabéns à Dra. Alice, coordenadora, à Dra. Maria João e Dra. Vânia e a todos os formadores pelo trabalho de excelência que desenvolvem neste momento com todos os adultos, integrando um projecto assente na valorização do processo de RVCC com vista à qualificação efectiva dos adultos no e após o processo.

Por fim, estive presente no encontro na ETP Sicó para acompanhamento e monitorização de Centros Novas Oportunidades promovido pela Direcção Regional de Educação do Centro. Registei e consolidei algumas ideias. A primeira é a necessidade de desmistificar os prazos de realização do processo. Outra, passa pela urgente mudança de discurso entre os centros com vista à efectiva possibilidade de trabalho em rede, processo esse que ainda está longe de ser conseguido. Deixo a apresentação em formato de PowerPoint que realizei (é de mais fácil visionamento se feito o download).

Por fim, para cada um dos adultos que terminaram o processo de RVCC nestas sessões de júri, os meus sinceros e sentidos parabéns, com votos de que esta certificação seja uma porta aberta para a qualificação e melhoria quer a nível pessoal, quer a nível profissional! Parabéns!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O que é o modelo CAF?

Para se entender o que está a ser pedido aos Centros Novas Oportunidades para a implementação na sua auto-avaliação, fica uma breve apresentação do que é o modelo CAF «Common Assessment Framework».


«O modelo CAF é representado por uma estrutura de nove critérios de avaliação distintos, que identificam os aspectos a ter em conta numa qualquer análise organizacional. Cada um destes critérios fornece uma lista de itens de avaliação específicos, que identificam as questões mais importantes a considerar quando se avalia uma organização com base nesse critério.

Como mostra a figura, o modelo CAF de auto-avaliação identifica um conjunto de nove critérios que constituem os principais aspectos a considerar em qualquer análise organizacional. Cada um dos nove critérios contempla uma lista de sub-critérios. Neste texto vamos restringir-nos aos nove critérios principais e a uma breve definição dos mesmos.

1. Liderança. Neste critério procura-se identificar a forma como os líderes e gestores desenvolvem e facilitam a concretização da missão e da visão de uma organização do sector público; a forma como desenvolvem os valores necessários para o sucesso a longo prazo e os implementam através de acções e comportamentos apropriados; e a forma como se envolvem pessoalmente para garantir que é desenvolvido e implementado o sistema de gestão da organização.

2. Planeamento e estratégia. Avalia a forma como a organização implementa a sua missão e visão através de uma estratégia clara orientada para os stakeholders (grupos de interesse), apoiada em políticas, planos, objectivos, alvos e processos relevantes.

3. Gestão de recursos humanos. Este terceiro critério avalia a forma como a organização gere, desenvolve e liberta o conhecimento e o potencial das suas pessoas a nível individual, das equipas e da organização como um todo; bem como a forma como planeia essas actividades de modo a apoiar a sua política, estratégia e a actividade eficiente dos recursos humanos.

4. Parcerias e recursos. O quarto critério identifica a forma como a organização planeia e gere as suas parcerias e os recursos internos para apoiar a sua política e estratégia, bem como a actividade eficiente dos seus processos.

5. Gestão de processos e da mudança. Aborda-se aqui a forma como a organização gere, melhora e desenvolve os seus processos para inovar e apoiar a sua política e estratégia, além de satisfazer completamente e gerar cada vez mais valor para os seus clientes e outros stakeholders.

6. Resultados orientados aos cidadãos/clientes. Quais os resultados que a organização está a alcançar relativamente à satisfação dos seus clientes internos e externos?

7. Resultados das pessoas. Este critério avalia os resultados que a organização está a alcançar relativamente à satisfação das suas pessoas.

8. Resultados sociais. O que está a ser alcançado pela organização no sentido de satisfazer as necessidades e as expectativas da comunidade local, nacional e internacional? Isto inclui a percepção da abordagem da organização face à qualidade de vida, ao ambiente, e à preservação dos recursos globais, bem como as medidas internas de eficiência. Também inclui as relações da organização com as autoridades e os organismos que afectam e regulam o seu negócio.

9. Resultados chave de desempenho. Neste critério avalia-se aquilo que a organização está a alcançar relativamente ao seu mandato e aos objectivos especificados, bem como em relação à satisfação das necessidades e expectativas de todos aqueles que têm interesses financeiros ou outros na organização.»
Fonte: UE.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Uma tertúlia em volta dos Livros.


Clique aqui para saber mais.

A questão e o processo da Qualidade

Ainda sobre o modelo de auto-avaliação dos Centros Novas Oportunidades, para ajuda às equipas, aqui fica um modelo, associado aos sistemas de qualidade, que pode ajudar na reflexão sobre as metodologias/procedimentos a implementar.

«Tradicionalmente as organizações preocupavam-se em satisfazer as necessidades e exigências dos utilizadores dos seus produtos e serviços, pelo que a qualidade era centrada apenas nas suas especificações técnicas. Actualmente, aceita-se que a qualidade deve ser também uma característica dos sistemas organizacionais envolvidos na concepção e realização dos produtos e serviços. O sistema de qualidade (Conjunto da estrutura organizacional, das responsabilidades, dos procedimentos, dos processos e dos recursos para implementar a gestão da qualidade, responsável pela gestão da qualidade na procura dessa característica, envolve fortemente o sistema de informação da organização. (...)

Aspectos que influenciam a qualidade, onde se pode salientar:
• Disponibilidade de informação.
• Adequação dos outros recursos (não informacionais).
• Qualidade dos procedimentos de planeamento.
• Qualidade dos mecanismos de integração da informação no processo de planeamento.
• Eficiência na utilização de recursos.
• Qualidade dos mecanismos de implementação.»

Fonte: aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Roteiro Metodológico: Sessões de Júri

«A Agência Nacional para a Qualificação, I.P. (ANQ) apresenta, no dia 7 de Julho, pelas 14h45, na Fundação Calouste Gulbenkian - Auditório 2, em Lisboa, a publicação "A sessão de júri de certificação: momentos, actores, instrumentos - roteiro metodológico".
De acordo com o programa, este evento será aberto por Maria do Carmo Gomes, Vice-Presidente da ANQ.
Seguir-se-á uma intervenção de enquadramento e de apresentação da publicação da autoria de Maria Francisca Simões (Directora do Departamento de Coordenação e Gestão da Rede de Centros Novas Oportunidades da ANQ).
A título de comentário, Artur Dagge, avaliador externo, desenvolverá o tema "A identidade e o papel do avaliador externo nos processos de RVCC".
O encerramento estará a cargo de Luís Capucha, Presidente da ANQ.
Esta sessão tem como destinatários prioritários os membros das equipas técnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades e avaliadores externos.
A publicação "A sessão de júri de certificação: momentos, actores, instrumentos - roteiro metodológico" tem como objectivo contribuir para o reforço da qualidade e rigor técnico da etapa de certificação, nomeadamente da realização da sessão de júri de certificação dos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências.»
Fonte: ANQ.

A questão dos Júris Parciais: um desafio.

Tenho assistido a um debate emergente sobre a dificuldade de aceitação das certificações parciais. Há, de facto, um trabalho urgente a ser realizado.

Se por um lado as equipas fazem sempre um acto de reflexão ao pensarem que ainda podiam fazer algo mais para apoiar os adultos na tentativa de uma certificação total, a verdade é que, a dedicação que colocam no seu trabalho leva, muitas vezes, a que esse apoio vá muito além do que lhes é pedido e já reflicta esse verdadeiro e constante apoio dado aos candidatos.

Por outro lado, a não compreensão por parte dos adultos face à proposta de uma validação parcial assenta, muitas das vezes, numa premissa completamente errada. A ideia é simples e precisa ser desconstruída. È a concepção simples de que, ir para uma certificação parcial, é sinónimo de não ter competências ou “falhar” novamente. Se uma equipa de um Centro Novas Oportunidades reflectir com o adulto acerca das inúmeras hipóteses de percursos de qualificação que existem neste momento e estas forem pensadas em função do tempo, da oportunidade e da pertinência para o adulto, a consolidação da ideia de vários percursos para um mesmo fim pode ganhar força e minimizar o conceito inicial que muitos adultos produzem e que já referimos.

Reforçamos ainda a ideia de que urge consolidar as redes de cooperação entre Centros Novas Oportunidades. Com a criação de clusters que o processo de implementação da auto-avaliação dos centros está a promover, estes devem ver neste factor uma oportunidade para co-relação entre si. A verdade é que os adultos ainda jogam com o conceito “é mais fácil naquele centro” mas a verdade é que, se existir uma rede de cooperação entre centros por proximidade (geográfica ou de interesse) este factor é diminuído no seu efeito junto do público-alvo.

Fica mais uma reflexão.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Histórias de Vida. O resultado de um trabalho.

Apresentamos aqui o primeiro olhar sobre as Histórias de Vida que centenas de pessoas partilharam no Dia Internacional das Histórias de Vida.

«Uma história de vida, um registo:

Todas as pessoas têm um papel na comunidade. Ouvir as suas histórias é uma forma de promover a integração pessoal e social, é uma forma de promover a identidade e a memória.
Exibem-se agora alguns dos muitos vídeos enviados pelas Bibliotecas e Centros Novas Oportunidades. Registos realizados no âmbito das Comemorações do Dia Internacional de Histórias de Vidas, 16 de Maio de 2009. Durante o mês de Julho, todos os dias, ficarão disponíveis mais vídeos. Se o seu vídeo ainda não está on-line fique atento e consulte o site durante as próximas semanas.
O projecto Memóriamedia recebeu perto de duas centenas de vídeos. Agradecemos a todas as entidades participantes e a todos os cidadãos que partilharam connosco as suas histórias.
Histórias disponíveis aqui

O CAF e a Avaliação

No momento em que os Centros Novas Oportunidades tentam implementar um modelo de auto-avaliação que necessita de uma adequação estratégica, deixamos um documento interessante para análise e que pode ajudar em alguns pontos fundamentais.
Avaliação Formação

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Será que a Experiência, chega?

«Sendo todos os princípios do nosso entendimento apenas aplicáveis a objectos da experiência possível, toma-se evidente que todo raciocínio racional, que se aplica às coisas situadas fora das condições da experiência, ao invés de alcançar a verdade, apenas deve necessariamente chegar a uma aparência e a uma ilusão.
Mas o que caracteriza tal ilusão é que ela é inevitável (…) a tal ponto que, mesmo quando já nos apercebemos da sua falsidade, nos não podemos libertar dela. (...) De facto, o campo da experiência nunca nos satisfaz. (...) A nossa razão, para se satisfazer, deve, pois, necessariamente, tentar ultrapassar os limites da experiência e, por consequência, persuadir-se infalivelmente de que por esse caminho alcançará a extensão e a integralidade dos seus conhecimentos, coisa que ela não pode encontrar no campo dos fenómenos. Mas esta persuasão é uma ilusão completa: estando totalmente para além dos limites da nossa experiência sensível todos os conceitos e princípios do entendimento, e não podendo então ser aplicados a qualquer objecto, a razão ilude-se a si mesma quando atribui um valor objectivo a máximas completamente subjectivas, que, na realidade, apenas admite para sua própria satisfação.
(...) Todos os nossos raciocínios que pretendem sair do campo da experiência são ilusórios e infundamentados. (...) Não só a ideia de um ser supremo, mas até os conceitos de realidade, de substância, de causalidade, os de necessidade na existência, perdem toda significação e não são mais do que vãos nomes de conceitos, sem qualquer conteúdo, quando ousamos sair com eles do domínio das coisas sensíveis. (...) Quando nos não limitamos já a aplicar a nossa razão a objectos da experiência e tentamos alargá-la para além dos limites dessa experiência, resultam daí proposições dialécticas que a experiência não pode nem contraditar nem confirmar e cada uma das quais não só é isenta por si mesma de contradição, mas também encontra na natureza da razão condições que a tornam necessária; infelizmente, a asserção contrária não assenta em razões menos boas e menos necessárias. (...) Tais asserções capciosas dão origem a uma arena dialéctica onde a vitória será do partido que mantenha a ofensiva e onde aquele que for levado à defensiva terá de sucumbir.

Emmanuel Kant, in 'Crítica da Razão Pura'