sábado, 27 de junho de 2009

Histórias de Vida, Exemplos e o Processo RVCC

Ao analisar o conjunto de histórias de vida que nos últimos anos tenho acompanho, como Avaliador Externo, penso que a vontade de “regresso” à escola, tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, surge inevitavelmente ligado ao processo de RVCC como o cumprimento de uma meta, tantas e tantas vezes, mais pessoal do que social ou profissional.

Tenho por hábito neste dia partilhar as sessões de júri em que estive presente. Hoje farei algo diferente. Partilharei duas reflexões.

O Sr. Manuel foi adulto que frequentou o processo de RVCC do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião. O Sr. Manuel tinha uma história de vida que passava por muitos anos em França, como muitos outros. A sua história foi contada em imagens, com orgulho e com brio. O seu anseio de contar e mostrar o que havia construído, de casas a hospitais, de rotundas a um cachimbo gigante, tudo servia para mostrar o imenso desejo de cumprir o sonho de “não morrer com a 4ª classe”. A sua vontade de aprender mais era um exemplo para muitos outros. O seu “regresso” à escola foi o cumprir de uma meta traçada há muitos anos.

“Vou aqui fazer a apresentação como se fosse para a disciplina que deixei em atraso há 30 anos”. E começou a sua apresentação sobre contabilidade da associação a que fazia parte como tesoureiro. O adulto que frequentou o processo de RVCC no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada, só queria essa oportunidade. A de concluir aquela apresentação como se fosse para as disciplinas de Contabilidade, Matemática e Francês que ficaram por fazer no Curso Geral de Administração e Comércio que havia abandonado naquela mesma escola há muitos anos atrás.

Não podia deixar de partilhar estas histórias, deixando uma palavra de reconhecimento às equipas pelo trabalho que fazem na recuperação destes caminhos interrompidos, assim como, a cada um dos adultos que termina o seu processo de RVCC. Parabéns a todos!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A inteligância e a criatividade...

Gardner considera que existem 7 tipos de "inteligências":

1. Inteligência Linguística - aptidão verbal
2. Inteligência Lógico-Matemática - aptidão para raciocinar;
3. Inteligência Espacial - aptidão para reconhecer e desenhar relações espaciais;
4. Inteligência Musical - aptidão para tocar instrumentos, cantar;
5. Inteligência Corporal-Cinestésica - aptidão para controlar movimentos de forma harmoniosa;
6. Inteligência Interpessoal - aptidão para compreender e responder adequadamente aos outros;
7. Inteligência Intrapessoal - aptidão para se compreender a si próprio.

A Criatividade apresenta três aspectos fundamentais:

• Fluidez - conduz o criador a propor um grande número de soluções onde a maior parte dos indivíduos só encontra algumas;

• Flexibilidade - qualidade que permite passar facilmente de uma categoria de coisas, ou de um aspecto de um problema, a outra, em vez de se limitar apenas a um ponto de vista.

• Originalidade - constitui a característica por excelência da criatividade no sentido em que a obra criada resulta da síntese de uma nova combinação de ideias.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O que é o 'coaching'?

«O coaching corresponde a uma buzzword recente no domínio da liderança. A sua prática, no entanto, é antiga. Corresponde a actuações do líder norteadas por um valor supremo: ajudar os outros a trilharem o seu próprio caminho de autodesenvolvimento. Estamos, portanto, perante um entendimento da liderança baseado numa relação "adulto-adulto". Já não é ao líder que compete descobrir o que é melhor para os subordinados - isso é algo que compete a cada um deles. Cabe-lhe ajudar cada colaborador a descobrir a forma de expressar melhor os seus talentos. Dois significados do termo coaching ajudam a compreender a sua aplicação ao mundo das organizações: por um lado, coach é o treinador, aquele que ajuda os seus pupilos a desenvolverem as suas capacidades. Por outro, é um meio de transporte, o que explica o processo de autodesenvolvimento como uma viagem de descoberta e melhoria.
O coaching pode ser tomado como um processo que visa fomentar no colaborador o conhecimento de si mesmo e impulsionar o desejo de melhorar ao longo do tempo, bem como a orientação necessária para que a mudança se produza.
Trata-se, portanto, de uma filosofia de liderança que assenta na ideia de que o desenvolvimento e a aquisição de competências são processos contínuos e da responsabilidade de todos, e não apenas episódios limitados no tempo e espoletados pela hierarquia. A lógica do coaching tende pois a ser privilegiada nas organizações genuinamente aprendentes, nas quais a responsabilidade pelo desenvolvimento é pessoal, embora apoiada e enquadrada pela organização.
Como actua, na prática, um coach na relação com o seu colaborador? Múltiplas acções podem ser consideradas:

- Ajuda-o a aprender - mais do que ensina; ajuda-o a descortinar as áreas em que o seu potencial de desenvolvimento é maior; ajuda-o a desenvolver a sua inteligência emocional; ajuda-o a fazer opções, a descortinar e a definir as suas metas; ajuda-o a analisar os erros, as suas raízes e os modos de ultrapassá-los; coloca-se ao serviço - não controla; faculta-lhe as pistas que lhe permitam superar-se a si próprio; faculta-lhe guias de actuação, informações e pistas que lhe permitam optar e decidir; faz-lhe crítica construtiva, fornece-lhe feedback; gera-lhe orgulho nas realizações e reconhece-lhe o mérito; impele-o a aproveitar todo o seu potencial; inspira confiança, monitoriza o seu desempenho, motiva-o, não lhe impõe soluções, não julga, reconhece a independência e a autonomia do colaborador; é competente e empenhado; é prudente; respeita-o e é sincero na relação; transmite-lhe desafios concretizáveis, assim como sentimentos de segurança; revela abertura de espírito; e é paciente - mas sem perder o norte na proactividade.

Em suma, o coaching refere-se a uma categoria de comportamentos assentes num claro conjunto de valores, nomeadamente: autodesenvolvimento, respeito, autonomia. A sua popularidade "explode", não por acaso, num momento em que os elevados níveis de educação dos profissionais tornam desaconselhados os modelos tradicionais de chefia, nos quais um mandava e outro obedecia. O coaching é, nesta perspectiva, mais um sintoma da grande mudança em curso no mundo das empresas que têm no conhecimento o seu recurso principal: organizações complexas com pessoas simples vão dando lugar a organizações simples com pessoas complexas - e capazes de apostar no seu próprio desenvolvimento, com o apoio da organização onde trabalham, para bem do seu emprego actual e da sua empregabilidade futura.»
Fonte: aqui.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O processo RVCC: Relembrar.

«O processo de RVCC organiza-se em três eixos de intervenção:

- O Reconhecimento, que consiste no processo de identificação pessoal de competências previamente adquiridas pelo adulto. Assente na metodologia das histórias de vida, este processo, de alguma complexidade, exige o acompanhamento por parte dos profissionais do Centro, que ajudam, cada adulto a descobrir o que aprendeu em todos os tempos e situações de vida. A reconstrução do percurso pessoal e profissional possibilita a descrição e nomeação de saberes adquiridos, de modo a haver uma apropriação consciente e reconhecimento pessoal das competências mobilizadas na acção quotidiana. Através desta abordagem biográfica cada adulto toma consciência que nas múltiplas tarefas desempenhadas e responsabilidades assumidas, realizou aprendizagens, mobilizou saberes e recursos, produzindo competências. Este processo é, igualmente, consubstanciado num conjunto de actividades que permitem ao adulto fazer o seu balanço de competências, construindo um dossier pessoal que contém todas as evidências documentadas das competências de que o adulto é portador.

- A Validação, que se consubstancia num conjunto de actividades que visam apoiar o adulto no processo de avaliação das suas competências, relativamente às quatro àreas de competência-chave e aos níveis de certificação escolar, de acordo com o definido no Referencial atrás referido. Este processo culmina com a actuação do júri de validação que analisa e avalia o dossier pessoal do adulto, recorrendo sempre que necessário ao pedido de demonstração de competências menos bem documentadas.

- A Certificação, que confirma as competências adquiridas, reconhecidas e validadas com a emissão oficial de uma carteira Pessoal de Competências e do Certificado obtido.»
Fonte: aqui.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma ideia, vontade e um prémio...

No passado dia 18 um grupo de 7 adultos RVCC NS do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Maceira submeteram os respectivos protótipos Fornos Solares à apreciação técnica do Centro Ciência Viva de Bragança, na categoria Senior. Recolheram o 1.º prémio e o prémio eficiência. Este desafio surgiu de um dos temas "Conversas ambientais", dinamizada pelo Gonçalo Lagarto (Quercus - Ourém) e foi agarrado pela profissional RVCC para promover a articulação com os temas da Ciência. Estes adultos organizaram-se autonomamente e pagaram do próprio bolso a deslocação.

Os critérios analisados foram a Criatividade e Design; a Portabilidade e a Eficiência. A Eficiência testou:
· Pré-aquecimento – 50’
· Medição de temperatura água (25 ml, ao fim de 1:00)
· Cozedura de maçã (após 1:00)

Ficam os parabéns pela ideia, participação e prémio! Sem dúvida um excelente resultado para uma iniciativa que promoverá, certamente, a motivação de todos.

A identidade narrativa e o problema da identidade pessoal

«Em primeiro lugar, as ficções narrativas permanecem variações imaginárias em torno de um invariante, a condição corporal que se pressupõe constituir a mediação inultrapassável entre si próprio e o mundo. As personagens do teatro e do romance são entidades semelhantes a nós, agindo, sofrendo, pensando e morrendo. Dito de outra forma, as variações imaginativas no campo literário têm como horizonte incontornável a condição terrestre. Não nos esquecemos do que Nietzsche, Husserl e Heidegger disseram sobre o tema da terra, compreendida não como planeta, mas como nome mítico do nosso ser no mundo. Porque é que é assim? Porque as ficções são imitações - por mais errantes ou aberrantes que se queira - da acção, isto é, do que conhecemos já como acção e interacção num ambiente físico e social. Por comparação, os puzzling‑cases de Parfit são variações imaginativas que fazem aparecer como contingente a própria invariante de uma hermenêutica da existência. E qual é o instrumento deste contorno? A tecnologia; não a tecnologia efectiva, mas o sonho da tecnologia. As variações imaginativas das narrativas de ficção dirigem‑se sobre a relação variável entre ipseidade e mesmidade, as variações imaginativas da ficção científica referem‑se a uma única mesmidade, a mesmidade desta coisa, desta entidade manipulável, o cérebro. Uma análise impessoal da identidade aparece, assim, dependente de um sonho tecnológico no qual o cérebro foi assumido como o equivalente substituível da pessoa. O verdadeiro enigma é, então, de saber se nós somos capazes de conceber variações tais como a corporeidade, - como nós a conhecemos, a saboreamos ou a sofremos, - enquanto variável, uma variável contingente, sem que se tenha de transpor as nossas experiências terrestres para a própria descrição do caso em questão. Pela minha parte, pergunto‑me se não estamos a violar algo que é mais do que uma regra, que uma lei, ou ainda que um estado de coisas, mas que é a condição existencial sob a qual existem regras, leis, factos. Esta violação pode ser a razão última que faz com que essas experiências não sejam somente irrealizáveis, mas se o fossem deveriam ser interditas.»

segunda-feira, 22 de junho de 2009

1.º Encontro Radical CNO do NERGA

Foi-me pedida a divulgação e tenho todo o gosto em partilhar o convite:

«No dia 18 de Julho, irá realizar-se, o "1.º Encontro Informal RVCC: Desafios Radicais" no Parque Urbano do Rio Diz na Guarda. Este evento informal, promovido pelo Centro Novas Oportunidades do NERGA, desenvolvido com o conhecimento da ANQ, envolverá um conjunto de actividades de troca de experiências, organizadas de forma informal, entre adultos que frequentaram, ou se encontrem a frequentar o Processo de RVCC, Avaliadores Externos e diferentes Centros Novas Oportunidades que estarão presentes.


O Encontro consistirá no seguinte:
-Multiactividade à beira rio no Parque Urbano do Rio Diz com slide, escalada, paintball, entre outros – Horário das actividades das 10-12h30 e 15h-17h30. Estão previstos locais apenas para descanso ou caminhadas ligeiras para aqueles que o desejarem. O Almoço será às 12h30-15h00.
Para poderem participar, todos os elementos das equipas dos Centros Novas Oportunidades devem enviar a ficha de inscrição devidamente preenchida para o seguinte email: crvcc.nerga@nerga.pt

A data até à qual o podem fazer é ao dia 13 de Julho.
O valor da inscrição será de 15 euros, comportando despesas de almoço, participação nas actividades e direito a uma t-shirt alusiva ao encontro.
Neste encontro, de forma informal serão discutidas práticas, mobilizadas estratégias de consolidação das equipas, trocado experiências e criadas redes de colaboração entre Centros Novas Oportunidades, bem como uma reflexão conjunta sobre a Educação e Formação de Adultos. Este encontro, sendo ao ar livre, conta com todos para ser um momento único de partilha.
Estamos certos que a vossa participação irá valorizar este momento.»

As três questões a pensar…

Quero destacar neste pequeno texto de reflexão, três questões que emergem da implementação, nos últimos anos, da certificação por via do processo de RVCC, ao nível da equivalência do Ensino Secundário. Falo dos efeitos “não previstos” desta certificação em várias co-relações estabelecidas pós processo.

a) Sendo o processo de RVCC assente na validação de competências adquiridas (?) ao longo da vida e estando as entidades do Ensino Superior (algumas já em parceria com entidades de outros sectores) a promover os Cursos de Especialização Tecnológica, não faz qualquer sentido que, um adulto que tenha completado o seu processo de RVCC de nível secundário e apresente o seu certificado para acesso a estes cursos, veja o mesmo ser equiparado à nota de valor 10, sem análise de portefólios ou outros mecanismos de seriação para o acesso. Há que repensar, entre entidades tutelares (ANQ, ME e MCTES) como fazer esta articulação para não criar desníveis injustificáveis.

b) A conclusão de um processo de RVCC de nível secundário permite uma diferenciação em função das competências detidas pelos adultos que pode ser um efectivo factor de valorização pessoal e profissional para os mesmos. Esta diferenciação passa pela creditação em função das competências evidenciadas. No entanto, essa mesma diferenciação não é visível nos certificados/diplomas pelo que, o seu efeito potenciador de reflexão e integração em contexto é perdido.

c) O trabalho feito pelas equipas, na orientação pós processo de certificação do nível secundário, para além do PDP, deve ser seguido de forma a promover uma orientação concreta no apoio aos adultos com vista à sua integração num contexto de formação superior ou profissional. Valorizar as vias abertas para a qualificação neste domínio é fundamental. Pode passar pela organização de “workshops”, “cursos de Verão”, “mostras de ofertas formativas” que complementem esse mesmo apoio.

Ficam três ideias para reflexão.

Festival do Silêncio - A Visitar

Saiba mais, aqui.

domingo, 21 de junho de 2009

Sessão Plenária e Entrega de Diplomas

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernão de Magalhães, irá realizar no dia 11 de Julho, a II Cerimónia de Entrega de Diplomas, com uma sessão plenária que envolve oradores convidados da DREN, ANQ e outros.
Para mais informação e inscrições, consulte aqui.

sábado, 20 de junho de 2009

Reuniões, Sessões de Júri e Competências em Acção

As alterações que um movimento de Educação e Formação de Adultos, como a Iniciativa Novas Oportunidades vem trazer em vários contextos não podia ser previsto. A capacidade de pensar o que se altera na vida de cada uma das pessoas que completa uma via de qualificação e o impacto que esta tem na rede de relações pessoais e profissionais que são estabelecidas nunca é previsível. No entanto, urge que, entre as instituições públicas essa mesma articulação aconteça…

Estive presente numa sessão de monitorização e acompanhamento, promovida pela Direcção Regional de Educação do Centro, na Escola Superior de Educação de Leiria (IPL), por convite, para fazer uma pequena apresentação sobre a visão de um Avaliador Externo no âmbito da implementação da Iniciativa Novas Oportunidades, vertente adultos. Vários Centros Novas Oportunidades estiveram presentes e foi uma manhã muito interessante. Quer do ponto de vista das apresentações realizadas, destacando a visão de dois centros (IPL e Escola Secundária de Pombal) um recentemente criado e outro com alguns anos de implementação. Estes momentos de troca de experiências são fundamentais para a articulação entre práticas e equipas.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho que destacar o trabalho desenvolvido por este centro no apoio e orientação pós processo que é trabalhado com cada um dos adultos com vista à sua qualificação, principalmente no que toca aos adultos em processo de nível básico. Tenho ainda que destacar a capacidade de gestão da informação sobre o percurso dos adultos após concluírem uma via de qualificação que permite uma monitorização efectiva da continuação (ou não) de percursos de formação ou qualificação pelos adultos. Esta é uma mais-valia fundamental para a valorização do processo servindo como exemplo e motivação para a aprendizagem ao longo da vida.

Por organização da Rede MAPA, estive na Escola Secundária da Mealhada, cujo Centro Novas Oportunidades, acolheu a segunda reunião presencial dos Centros que integram esta rede. Foram duas horas e meia de reflexão conjunto com vista à resolução de um problema fundamental e basilar que passa pela alfabetização e certificação de nível B1 de um total de cerca de 160 pessoas que, no seu contexto pessoal, não possuem os conhecimentos básicos de leitura e escrita. Com a presença da Dra. Cristina Milagre, em representação da Agência Nacional para a Qualificação, foi possível iniciar uma abordagem ao problema, assim como, as bases para a solução do mesmo.

Passei pela mostra de “Competências em Acção” que o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa, está a organizar. Sendo que o fiz perto das 21.00 horas, o que encontrei foi uma escola com vida. Quer a equipa, quer os adultos enchiam o hall de entrada da escola, estando presentes 4 adultos que demonstravam as suas competências e talentos, desde a pintura aos arranjos de flores. Tenho que dar os parabéns pela ideia e pela qualidade do trabalho realizado que promove uma efectiva demonstração e reconhecimento social que é fundamental para este processo.



Por último, estive numa sessão de júri, promovida pelo Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda. Este júri teve lugar numa instituição, a Liga dos Amigos de Aguada de Cima. Por um lado tenho que destacar a excelência do trabalho realizado pela equipa do centro que pela dedicação, profissionalismo e mérito conseguiram promover um processo de reconhecimento de competências integrado com a promoção de uma efectiva consciencialização da importância da aprendizagem ao longo da vida. Por outro lado quero destacar e ressalvar uma imagem que registei. Uma das adultas tinha cerca de 30 anos de trabalho nesta instituição que acolhe idosos, crianças e promove um apoio social directo. Nesses 30 anos nunca a “Escola” tinha ido ao seu local de trabalho potenciando a conclusão de um percurso de qualificação escolar. Como ela, várias e vários trabalhadores desta organização terminaram nesse dia a equivalência ao nível básico. Vale a pena pensar nesta mais-valia de flexibilidade do processo que é, sem dúvida, uma das suas vertentes mais fortes. A possibilidade de adaptação e integração em contexto geográfico e profissional.

Por último, e como sempre, os meus sinceros parabéns aos adultos que terminaram o processo de RVCC nestes dias e que esta etapa seja agora seguida de muitas outras que tenham como objectivo uma aprendizagem contínua e continuada ao longo da vida.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A interligação na História de Vida

Ser capaz de ligar pontos sequencialmente na História de Vida é uma das formas de construção lógica de um processo reflexivo. Fica uma ideia:

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Guia: Cursos EFA

«O Guia de Operacionalização de Cursos de Educação e Formação de Adultos surge da necessidade de estabilizar um conjunto de orientações fundamentais para a implementação e desenvolvimento dos Cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA) de nível básico e de nível secundário, algumas já existentes mas dispersas em diversos suportes e outras que urge criar, constituindo-se como um dispositivo de referência para a organização desta oferta formativa.
Assim, destas orientações fazem parte integrante a explicitação dos modos de organização técnico-pedagógica dos diferentes níveis e tipologias dos cursos EFA e a proposta de metodologias de gestão e utilização dos referenciais de formação integrados no Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ), na tentativa de construir uma matriz de referência para a intervenção das equipas de profissionais que asseguram o desenvolvimento desta oferta no terreno.
Desta forma, este Guia tem como objectivos apoiar técnica e pedagogicamente os agentes da formação, em concreto as entidades promotoras e/ou formadoras e as equipas pedagógicas que participam na implementação e desenvolvimento desta oferta formativa.
O Guia estrutura-se em duas Partes:
A Parte 1 foi elaborada para apoiar as entidades que promovem e realizam cursos EFA e pretende explicitar as principais características do modelo de formação, que têm implicações na sua organização e gestão técnicas.
A Parte 2 dirige-se às equipas pedagógicas, a quem cabe a função de operacionalizar metodologias de modo a concretizar o modelo de formação que respeitem os seus pressupostos organizativos e conceptuais.»
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Lembrar a Educação pela Arte para Adultos?

Se (re)pensarmos o movimento de Educação pela Arte (centrando essa aprendizagem não apenas nas crianças mas também nos adultos), podemos, de facto fazer o esforço de o enquadrar no âmbito do Processo de RVCC e da imensa potencialidade que os Centros Novas Oportunidades podem ter neste movimento.

«O conceito de Educação pela Arte foi desenvolvido na segunda metade do século XX, por Herbert Read, numa obra sua intitulada «Education throught art». Embora não represente muito mais que uma transposição para o contexto actual da tese original de Platão. Herbert Read tenta de alguma forma tornar visível o papel das artes na educação, bem como apontar caminhos que levem à sua aplicação às necessidades actuais. Para Herbert Read:
«Toda criança é criança é um artista de qualquer tipo cujas capacidades especiais, mesmo que insignificantes, devem ser encorajadas como contributo para a riqueza infinita da vida em comum».
Para muitos dos seguidores de Platão esta tese era inaplicável, mesmo assim representava o Belo, o Lógico e o Perfeito, embora só compreensível a sua aplicação numa civilização perdida. Só um dos seus seguidores de nome Schiller, considerava como possível a sua aplicação, pois acreditava que a arte deve ser a base da educação (Platão). Enquanto que para Read educar pela Arte é Educar para a Paz (directamente influenciado pelo choque e o terror que viveu logo após à 2ª Guerra Mundial, quando escreve o prefácio de Education Through Art - 1940-42). Para Herbert Read (1943) A expressão é efectivamente um acto libertador das energias em nós contidas, por norma, grandemente desconhecidas para o próprio, energias geralmente desencadeadoras de um processo, o qual afluir para o aperfeiçoamento e desenvoltura harmónica do indivíduo, no que diz respeito à sua própria re-educação ou re-construção. Ou seja esta tese aponta para que não seja apenas aplicada na educação considerada como regular, mas também na reinserção, reeducação e reconstrução das estruturas físicas e psicológicas do indivíduo, num processo de reconciliação da singularidade com a unidade social. A educação deve englobar o processo de individualização e consequentemente o processo de integração.»
Fonte: Educação para a Arte de Levi Leonido Fernandes da Silva

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Uma boa prática.

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa, vai realizar uma semana de demonstração e apresentação de competências em acção, apresentando à comunidade escolar e local uma mostra de trabalhos realizados pelos adultos. Aqui fica o cartaz e os parabéns pela iniciativa. Vale a pena uma visita.
Cartaz

Sobre a Inovação no Adulto

«Rogers e Shoemaker (citados por Hurt, Joseph, & Cook, 1977) conceptualizaram a propensão para inovar como o nível em que o indivíduo é mais rapidamente receptivo à adopção de comportamentos inovadores do seu sistema social. Isso implica, assim, que a propensão para inovar seja uma característica da personalidade e estes autores apresentam dados que indicam que a propensão para inovar é uma característica unidimensional, normalmente distribuída em qualquer população.
West e Farr (1990) definem inovação como uma introdução e aplicação intencional inerente ao desempenho de um papel, grupo ou organização de ideias, processos, produtos ou procedimentos que irão beneficiar significativamente o indivíduo, o grupo, a organização ou a sociedade a um nível mais abrangente. A inovação é, portanto, o processo pelo qual os indivíduos e grupos procuram mudar algum aspecto do seu trabalho ou os produtos resultantes desse trabalho de forma a obterem algum benefício com isso. Alguns desses benefícios traduzem-se no aumento da produtividade, melhores produtos e serviços de melhor qualidade, melhores condições de trabalho e também melhores processos interpessoais. De acordo com os referidos autores, a qualidade de uma inovação pode ser avaliada tendo em conta alguns parâmetros, sendo eles a novidade, a importância e a eficácia.»

terça-feira, 16 de junho de 2009

Educação de Adultos: Reflexão

«A educação deve ser vista como um processo total, que inicia na infância e vai até a fase adulta. O que diferencia a educação da criança e do adulto é sim o saber adquirido pela experiência acumulada trazida pela educação informal. As diferentes modalidades e tipos de educação derivam dos diferentes graus do desenvolvimento fisiológico e psicológico e especialmente depende das possibilidades sociais.
Um adulto não deve ser condenado à condição de iletrado e educar as crianças enquanto seus paiscontinuam analfabetos. A educação de adulto é condição necessária para o avanço do processo educacional, infantil e juvenil dentro da sociedade. Deve-se pensar a educação de adultos uma actividade integrante e não complementar, pois o dever da sociedade é educar na infância.
A questão educacional não pode proceder de forma abstrata, imprecisa, genérica, desvinculada do contexto histórico-social e existencial do educando. Ao pensarmos educação, devemos antes de qualquer coisa compreendê-la a partir da concepção de Homem que devemos formar. O conteúdo dessa educação deve emergir das condições materiais e existenciais das massas populares, e possuía uma visão positiva a respeito das massas populares, concebendo-as como construtoras do processo de desenvolvimento nacional. Existem lacunas ainda na educação pelo facto de que tradicionalmente os programas voltados à educação de adultos muitas vezes os tem tratado como crianças, utilizando materiais didáticos, metodologias e práticas que não condizem com as especificidades desta faixa etária. Nesse sentido, o acto de educar para o desenvolvimento não se reduz à transmissão de conteúdos particulares de conhecimento, nem tão pouco o ensino de determinadas matérias; é muito mais do que isto, pois se trata de preparar o educando para um novo modo de pensar e de sentir a existência em face das condições sociais com que se defronta; é dar-lhe a consciência de sua constante relação com comunidade, país e mundo, e que todo o seu saber deve contribuir para o empenho coletivo de transformação da realidade.»
Fonte: Aqui.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Fases do Balanço de Competências

«A primeira fase - fase preliminar - refere-se à informação do sujeito sobre o balanço de competências, a análise do seu pedido e a formalização de um contrato de intervenção. Esta fase assume particularmente importância tendo em conta as especificidades dos principais alvos de intervenção. Neste sentido, é especialmente relevante o acolhimento individualizado e personalizado, em que se pretende ajudar o sujeito a compreender o que é o balanço de competências e as suas finalidades, promovendo no indivíduo um posicionamento actual acerca do processo que começa a desenvolver. O final desta fase deve culminar na elaboração de um contrato de intervenção que deve permitir reformulações nos desenvolvimentos futuros de todo o processo.

A segunda fase - fase de investigação - compreende a análise do percurso pessoal e profissional do indivíduo e, para atingir este objectivo, poderão ser utilizados questionários de interesses profissionais e outros instrumentos de análise psicológica. Nesta fase torna-se particularmente importante proporcionar meios aos sujeitos para o estabelecimento de relações entre as variáveis mais significativas da sua história, procurando articular interesses, capacidades e valores profissionais. Procurar-se-á também aqui a exploração das competências adquiridas a nível do saber, saber-fazer e saber-ser, procurando que o indivíduo reflicta, tome posição e integre na sua história pessoal as aprendizagens escolares e não escolares, os sucessos e os insucessos. Esta fase culmina com a constituição de uma "carteira de competências", que reúne, de forma ordenada, provas documentais das competências do indivíduo.

Por fim - fase de conclusões - compreende a formalização de um plano de acção (projecto profissional ou outro) e a síntese do balanço de competências. Procura-se avaliar o cumprimento do contrato estabelecido, recapitular todo o processo, promovendo a projecção do sujeito no futuro, tendo por base os elementos relevantes identificados, visando o planear de acções a empreender para mudar a sua vida profissional e pessoal.»
Fonte: aqui.

domingo, 14 de junho de 2009

Regressando ao Balanço de Competências...

«O que é então o balanço de competências? Para compreender esta designação é necessário clarificar os significados das palavras balanço e competência. Desta forma, pode entender-se balanço como um estado de indecisão, em que se analisam os aspectos positivos e negativos de algo, neste caso, da vida pessoal e profissional.

A competência é mais difícil de definir, pois pode entender-se o conceito num sentido mais amplo ou num sentido mais específico. Assim, num sentido mais amplo, a competência pode ser entendida como a capacidade de realizar uma tarefa num determinado contexto e transferir os conhecimentos que lhe estão subjacentes para outros contextos e tarefas. A competência entendida num sentido mais específico é vista como a capacidade de se realizar uma tarefa em particular em condições específicas e pormenorizadas com a exclusão dos conhecimentos e compreensão dos mecanismos que lhe estão associados (Imaginário, 1997).

Posto isto, convém definir o que é um balanço de competências. Assim, tendo em conta o que anteriormente foi referido, poder-se-á afirmar que o balanço de competência é um processo em que se analisam os pontos fortes e pontos fracos de determinadas competências do indivíduo, as quais podem ser gerais ou específicas. O balanço de competências assenta numa atitude voluntária da pessoa e é um processo activo, personalizado e complexo, no qual se articulam as dimensões pessoais e sócio-profissionais. Este processo envolve “profissionais que suscitam a produção de elementos de exploração e análise relacionados com os saberes e as competências adquiridas pelos sujeitos indispensáveis à construção de projectos profissionais. Nesta intervenção tem-se em conta a adaptação e individualização do processo a cada sujeito, além de ser um processo de valorização de si próprio, que visa um melhor futuro profissional e pessoal. Os objectivos estabelecidos ao longo do processo de balanço de competências vão sendo adequados ao indivíduo e à fase do processo. O objectivo último é a construção/elaboração de uma síntese do balanço, formalizando um plano de acção para a concretização dos projectos profissionais do indivíduo alvo do balanço de competências (Castro, 1998).

O balanço de competências “deve permitir analisar as competências profissionais e pessoais, assim como as aptidões e motivações (de um sujeito) a fim de definir um projecto profissional e, quando for caso disso, um projecto de formação.” (Imaginário, 1997).»
Fonte: aqui.