Este espaço destina-se a um lugar de troca de informação, recursos e debate para os profissionais da Educação e Formação de Adultos.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
Competência Individual

«A competência do indivíduo não é um estado, não se reduz a um conhecimento ou know how específico. Le Boterf (1995) situa a competência numa encruzilhada, com três eixos formados pela pessoa (sua biografia, socialização), pela sua formação educacional e pela sua experiência profissional. A competência é o conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais nutridas a montante pela aprendizagem e formação e a jusante pelo sistema de avaliações. Segundo ainda este autor: competência é um saber agir responsável e que é reconhecido pelos outros. Implica saber como mobilizar, integrar e transferir os conhecimentos, recursos e habilidades, num contexto profissional determinado. A competência individual encontra seus limites, mas não sua negação no nível dos saberes alcançados pela sociedade, ou pela profissão do indivíduo, numa época determinada. As competências são sempre contextualizadas. Os conhecimentos e o know how não adquirem status de competência a não ser que sejam comunicados e utilizados. A rede de conhecimento em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e gere a competência.»
Fonte: aqui.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
CNO Destaque do Mês de Junho

Durante o mês de Junho estará em destaque neste blog o Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião. Tenho seguido com atenção o trabalho desenvolvido por esta equipa e tenho a destacar a qualidade conseguida com um projecto que integra o humanismo, o rigor e a aprendizagem em contexto do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Fica, para visita, o endereço do blog do centro aqui.
Conferência "O Estado e a Educação (1759-2009)"

A Secretaria-Geral do Ministério da Educação vai organizar a conferência internacional "O Estado e a Educação (1759-2009)", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, nos próximos dias 4 e 5 de Junho de 2009. As inscrições são gratuitas e obrigatórias, podendo ser efectuadas até ao próximo dia 1 de Junho.
Entre os conferencistas encontram-se António Nóvoa, da Universidade de Lisboa; António Dias Figueiredo, da Universidade de Coimbra; António Pinto Ribeiro, da Fundação Calouste Gulbenkian; João Barroso, da Universidade de Lisboa; Marcelo Caruso, da Universidade Humboldt, Berlim; Martin Lawn, da Universidade de Edimburgo; Sérgio Niza, do Instituto Superior de Psicologia Aplicada; Thomas S. Popkewitz, da Universidade de Wisconsin-Madison, Estados Unidos da América, e, ainda, os arquitectos Vítor Mestre e Sofia Aleixo.
Para inscrições clicar aqui.
Aprender a aprender e as competências-chave.

«O Relatório para a UNESCO da Comissão Europeia "Educação: um Tesouro a Descobrir" (1996), acentuou a importância dos quatro pilares da educação ao longo da vida: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos para a compreensão do mundo; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver em comum, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as actividades humanas e, finalmente, aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes".
É neste contexto que ganha acuidade a aquisição e o desenvolvimento de competências de vida ou competências-chave que permitam às pessoas compreender e participar na sociedade do conhecimento, mobilizando através delas o saber, o ser e o saber resolver os problemas com que o mundo actual em mudança as confronta constantemente. O conceito de competência-chave ultrapassa assim, o seu sentido tecnicista original, adquirindo uma orientação mais construtivista e ecológica que aponta para a capacidade de agir e reagir de forma apropriada perante situações mais ou menos complexas, através da mobilização e combinação de conhecimentos, atitudes e procedimentos pessoais, num contexto determinado, significativo e informado por valores.»
Fonte: Formação ao longo da vida e aprender a aprender, Luísa Alonso
domingo, 31 de maio de 2009
Guia Metodológico para o Acesso das Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências
«O Guia Metodológico para o Acesso das Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências - Nível Básico constitui-se como um instrumento que identifica os princípios operativos e metodológicos inerentes à operacionalização dos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências de nível básico para pessoas com deficiências e incapacidades.»
Fonte: ANQ
Guia Apoio RVCC
sábado, 30 de maio de 2009
A Arte de Ensinar

Fora, um pouco do espírito/temática deste blog (ou não) deixo uma reflexão.
"Nos últimos tempos a comunicação social divulgou um registo de uma conversa de uma professora com os seus alunos. Numa sala, uma voz em jeito de grito e uma ou duas frases ditas em tom autoritário e desajeitado (na forma, conteúdo e razão) deixavam uma ideia controversa sobre o que se havia passado. Falou-se de falar em Educação Sexual, de desrespeito, da ausência de moderação na linguagem e de muito mais coisas que qualquer pessoa diz sobre um discurso proferido daquela forma. Pior ainda a atitude programada de quem gravou a aula sem autorização recriando o pior, do que já nos esquecemos, de tempo de um estado mais "novo" do que este...
Não me compete, neste espaço, julgar o que se passou. Muito menos tecer qualquer comentário sobre o conteúdo, forma ou razão da dita conversa com os alunos. Mas quero deixar uma reflexão.
Falamos, nós professores, no respeito pela função que exercemos. Falamos muitas vezes na autoridade que falta. Reitero um pensamento que me acompanha quando entre e saio dos portões de uma escola ou de qualquer local onde o saber deve ocupar lugar. Eu sou professor em todos os momentos, mesmo quando não estou a dar uma aula, mesmo que aqueles não sejam os meus alunos, nem aquela a minha escola ou o meu local de trabalho. Quantos de nós, olhámos para os nossos professores, mestres, aqueles que nos ensinaram, como exemplos a seguir? E ao olhar, não olhávamos só para o momento em que nos estavam a ensinar entre quatro paredes. Olhávamos para cada instante e cada situação. Cada justiça ou injustiça. Julgávamos cada palavra ou atitude.
Ser professor é um exercício de cidadania activa. De ensino pelo exemplo nas atitudes, nos gestos e nos modos.
Não é por via de uma legislação, de um estatuto ou de uma regulamentação que se dá exemplos. É por via dos actos, diários, do contacto diário com os alunos, na forma como com eles comunicamos, na forma como transferimos o que somos e o que eles podem ser que conseguimos esse respeito que tanto desejamos.
Para além deste ensino pelo exemplo, há que valorizar outro respeito tanto ou mais importante. Falo do respeito dos alunos e dos professores pela aprendizagem. Anos e anos a fio a balança andou por um lado ou pelo outro. Pendendo para o lado da autoridade sem fundamento do professor. Pendendo, como está agora, para o lado do aluno sem razão lógica. Resta recentrar a balança naquilo que foi esquecido: a aprendizagem. E com a procura de ganhar esse respeito pela aprendizagem, pelo conhecimento e pelo saber podemos ganhar, de novo, a escola como lugar de excelência para o futuro."
Do autor do blog, a publicar.
Júris, descobertas e motivações...
Uma sessão de júri é um momento único para todos os elementos que a compõem. A verdade é que o trabalho desenvolvido durante o processo é apresentado numa sessão que se converte, muitas vezes, num processo de orientação aos adultos para além da certificação obtida. Este é um dos desafios mais importantes para a equipa, o Avaliador Externo e para cada um dos adultos: fazer da escola e da aprendizagem uma presença contínua ao longo da vida.

Estive presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Tenho a destacar a motivação com que os adultos apresentam, em sessão de júri, algumas das competências que demonstram e relatam nos seus portefólios. Tendo sido uma sessão de júri para certificação de nível Básico, a conversa em torno dos caminhos a seguir para dar continuidade à qualificação de cada um dos adultos é fundamental. Esse trabalho, feito em conjunto e em prolongamento do trabalho realizado pela equipa é uma mais-valia para o ganho de consciência da importância daquele momento que represente, primeiramente, um regresso à escola e a futuras aprendizagens. Parabéns à equipa pela preparação dos adultos para a sessão de júri, com ideias simples mas originais que demonstram e ilustram as competências dos adultos.
Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Uma sessão de júri para certificação de adultos que terminavam o seu processo de RVCC para o nível básico resultou numa experiência muito interessante de reflexão conjunta sobre o que é hoje a escola e como as aprendizagens ao longo da vida são complementares aos conhecimentos adquiridos de forma mais formal. Encontrei, por mérito de uma equipa dedicada e profissional, um brilho especial no olhar de cada um dos adultos com o desejo de continuarem o seu processo de qualificação, o que, no fundo é a essência deste processo e a razão de ser do mesmo. Parabéns à equipa pelo humanismo e dedicação colocados na preparação da sessão de júri e na valorização dada a este momento.

Por último, estive presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda. Tenho a destacar uma adulta e um problema. A verdade é que, uma adulta referiu o seu imenso desejo de fazer o 12.º ano com um percurso de aprendizagem, similar ao que os alunos do regime escolar contínuo, diurno e regular, seguem. Falámos, como é claro, nos módulos. Acontece que a escolas já não os ministra. O objectivo bem definido de fazer o 12.º ano, tirar o curso de Direito e ser Juíza foi uma das abordagens mais interessantes que registei. A verdade é que é tão importante a vontade de regressar à escola como aquela apresentada de ter objectivos concretos a médio prazo. Ficam também os meus parabéns à equipa pelo trabalho realizado de dedicação individual a cada situação e no apoio dados aos adultos no seu processo.
E por fim, os meus sinceros parabéns aos adultos que terminam o seu processo de RVCC. Que este seja um passo, mais um, na consolidação de uma consciência efectiva da importância da qualificação e da aprendizagem ao longo da vida e que novos caminhos sejam, em breve, caminhados.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A "brincar" com as Histórias de Vida.
«Brincavam à apanhada e ao que a fantasia quisesse. Brincavam com pedras, com caricas, com frutos, com bichos e, como diria Miguel Torga, “instintivamente como um bicho”.
À beira de mais um Dia Mundial da Criança, a TSF pede boleia às memórias de mais velhos. Alguns lembram “uma infância pobretana”, outros recordam carros miniatura e louça faz-de-conta. Nestes dias em que muito do divertimento das crianças passa por consolas e computadores, longe da rua, as brincadeiras antigas contam histórias de tempos rijos, tempos felizes, com todo o tempo do mundo que era a rua.
"Quando a Rua Era Para Brincar" é uma grande reportagem de Fernando Alves com sonoplastia de Mésicles Helin.»
Fonte: TSF
Vale a pena ouvir aqui.
Sobre os Avaliadores Externos…

Um ponto inicial: A valorização do trabalho dos Avaliadores Externos passa pelo seu conhecimento do processo de RVCC, assim como, das orientações, instrumentos e práticas do trabalho que os centros desenvolvem. Mais do que representar uma função de avaliação final de um processo estes elementos devem ser representantes de boas-práticas, de reconhecimento do trabalho realizado e de efectiva promoção do reconhecimento social.
A questão: Se por um lado o número de Avaliadores Externos, por região e por disponibilidade individual é reduzido (questão que será colmatada com a desejada publicação da nova lista de avaliadores) a verdade é que mais do que o alargamento do número destes profissionais, urge requalificar o trabalho, por estes, realizado. O trabalho de reconhecimento do processo e destes percursos de qualificação resulta da seriedade do trabalho realizado por cada um e de todos no seu conjunto.
A proposta: É urgente promover formação para os Avaliadores Externos. No entanto não será este factor que determinará a melhoria do desempenho da função. O conhecimento do trabalho realizado pelos centros, em reuniões de trabalho conjunto, o questionamento sobre os métodos de trabalho, as práticas, as dificuldades, as melhorias e boas práticas, num trabalho com os centros (e não para os centros), assim como, uma promoção de uma relação (sendo o avaliador muitas vezes uma ponte entre equipas) potencia uma efectiva prática de trabalho que resulta numa valorização e consolidação do reconhecimento das equipas no trabalho deste elemento externo, assim como, dos adultos na valorização do momento que representa para cada um deles a sessão de júri.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Sobre a Aprendizagem e as Competências…
Um ponto inicial: O contexto nacional e o contexto educacional dos últimos 40/50 anos em Portugal resultam numa análise que (feita pela realidade de ouvir milhares de adultos falarem das suas histórias de vida e nestas no afastamento da escola e de outras formas de aprendizagem mais ou menos consolidada) representa uma necessidade de efectiva aprendizagem. Do domínio da Língua Materna às Tecnologias da Informação e Comunicação a necessidade (e mais, o desejo) dos adultos (re)adquirirem alguns conhecimentos fundamentais é evidente.
A questão: Do diagnóstico à intervenção dos profissionais RVCC, passando pelos formadores e Avaliadores Externos, o discurso inicial de que “O processo de RVCC não é para aprender é para reconhecer competências”, resulta num discurso que se transforma na visão dos adultos em algo como: “só tive pena de não ter tido mais aulas de TIC ou de Português…” ou em algo como “o que gostei mais foi das aulas/formação porque aprendi coisas novas”. É evidente que esta vontade de aprendizagens, associado ao desenvolvimento de novas competências é muitas vezes, esquecido. A mensagem, tantas vezes divulgado do "reconhecimento" em vez de "ensino" não encontrou na realidade social, em muitos contextos, a coerência lógica onde nasceu e a necessidade integrada onde se enquadra.
A proposta: Se repensadas as metas, as práticas e os percursos, tendo em conta o perfil, necessidades efectivas e disponibilidade do adulto, a valorização dos Cursos EFA surge como uma mais-valia para muitos adultos. Se não por esta via, a frequência de UFCD/Formação Modular ou outras formas de formação são urgentes e necessárias associar ao processo de RVCC para um tipo de público a quem, de facto, ao processo de reconhecimento de competências temos que associar um percurso de aprendizagem efectiva. O reconhecimento desta necessidade e a implentação de uma resposta coerente (muitas vezes em parceria entre entidades para ofertas formativas) pode resultar um efectivo ganho de conhecimentos e desenvolvimento de saberes para os adultos que, de facto, podem redesenhar a questão da qualificação numa determinada localidade/contexto.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Sobre a Auto-Avaliação dos CNO…

Um ponto inicial: Tenho como princípio que não existe boa auto-avaliação de uma organização se esta não se definir como uma organização capaz de mobilizar práticas de aprendizagem e desenvolvimento próprios, assim como, de criar uma identidade individual fruto das competências individuais dos seus recursos humanos, assim como, do conhecimento colectivo. Não sou, nem nunca fui, da ideia que qualquer pessoa é insubstituível pois cada um dos recursos humanos numa organização tem capacidades, aptidões e competências única que foram, com todos os outros, uma unidade viva e aprendente, única na sua essência e significado.
Uma questão: Se por um lado a introdução dos conceitos de clusters, redes, auto-avaliação e monitorização são muito positivas, existe uma questão por resolver e que se torna a base e sucesso dessa mesma implementação/consolidação destes conceitos que se desejam práticas. Um Centro Novas Oportunidades, como qualquer outra entidade pode ser identificado com uma organização em constante mutação. No entanto, para se implementar um modelo sério e rigoroso de auto-avaliação há um trabalho imediatamente anterior que é necessário realizar. Falo da implementação/criação de uma identidade própria (identidade essa resultante do Saber/Conhecimento conjunto); da consolidação de modelos e métodos de trabalho e da identificação com objectivos de melhoria contínua e de aprendizagem do próprio centro enquanto organismo detentor de alguma autonomia que provem do contexto de actuação local e social. Sem esta base de trabalho o modelo de auto-avaliação resultará numa recolha de dados predefinidos em função, não de um modelo de monitorização para a melhoria/observação mas para a identificação quantitativa de práticas que não representam a entidade nem os seus recursos humanos.
A proposta: Se a criação de redes/clusters “artificais” pode resultar a médio prazo na transferência de algumas práticas, a verdade é que, a promoção de uma estratégia aberta, mobilizadora por entendimentos e integrações por motivação, localização geográfica, afinidades tipificadas promovidas por via de encontros de essência local e mais informais resultaria numa mais-valia muito mais relevante para o contexto situacional das redes a formar. Por outro lado, a necessidade de uma consultoria em contexto, para implementação concreta de práticas de gestão do conhecimento, mobilização de um modelo de organização aprendente e de consolidação de um modelo e identidade funcionariam muito melhor do que a implementação de uma auto-avaliação que, embora tendo a capacidade de se adequar aos centros não tem a capacidade, sem orientação, de mobilizar a implementação das restantes práticas e processos tão ou mais necessários.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Sobre o Processo de RVCC…

Um ponto inicial: Tenho que destacar a extraordinária capacidade de transformação dos paradigmas e dos métodos de trabalho que as equipas de formadores, profissionais e coordenadores fizeram. A maioria das equipas é constituída por professores e outros agentes ligados à educação que foram “formados” para um modelo completamente diferente de “ensino-aprendizagem”. Esta capacidade de transformação foi evidente e é hoje uma realidade no uso da terminologia a associada ao processo de RVCC que é dominado por muitos e reforçado por outros.
A questão: Hoje o conceito de “processo” passou a “curso”. E hoje, o conceito de “RVCC” passou a “Novas Oportunidades”. Hoje, os adultos terminam “O curso das Novas Oportunidades”. Tenho referido publicamente e em vários contexto que esta ideia não é positiva. Nem positiva nem adequada. A verdade é que as “Novas Oportunidades” têm que ser encaradas como uma estratégia e não como uma marca. Hoje, nas escolas, os jovens completam um percurso de um CEF, um Curso Profissional ou qualquer outra via integrada nas “Novas Oportunidades” mas identificam claramente o percurso de qualificação que frequentaram. O mesmo não se passa nos adultos. A diferenciação Processo RVCC/Cursos EFA não se consegue fazer. Se associarmos a esta ideia que estão a ser, lentamente, apagados do processo de RVCC conceitos e metodologias como o auto-reconhecimento de competências, o balanço de competências, a aprendizagem partilhada e outros, ganhamos a noção do afastamento de uma metodologia para entrarmos na urgente definição de uma nova metodologia de trabalho. A verdade é que, muitas vezes, principalmente no processo de RVCC de nível Secundário os adultos “trabalham e deformam” a sua história de vida para atingir créditos em função do referencial de competências-chave… esta é uma prática nascente do “afastamento” de um modelo metodológico inicial.
A proposta: Existem aqui dois caminhos possíveis. Ou as equipas defendem a essência de um processo de reconhecimento de competências assente num balanço de competências e na operacionalização de uma metodologia de base ou redesenham este processo (tomando algumas práticas como base) e reforçam a componente de certificação em função de um perfil que o referencial de competências-chave representa. Em qualquer um dos casos, sendo que no segundo caminho a necessidade de criar documentação/regulamentação/métodos de trabalho são fundamentais, a verdade é que urge retomar o rigor da linguagem e dar a conhecer aos adultos e por inerência à comunidade social, escolar e profissional as diferentes vias e percursos dentro das “Novas Oportunidades”, vertente adultos.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Sobre as Equipas...

Um ponto inicial: Tenho um profundo respeito pelo trabalho, dedicação e profissionalismo que encontro nas equipas dos Centros Novas Oportunidades com que colaboro. Tenho ainda que reconhecer que foi pela capacidade de dedicação e de aprendizagem/reflexão que as equipas hoje conseguem levar a cabo uma trabalho de qualidade com os adultos.
A questão: Trabalhei nos últimos anos com diferentes centros em diferentes entidades. De escolas públicas a entidades privadas. Tenho que referir que um dos pontos em que divergem estas duas realidades passa pela estabilidade das equipas. Estabilidade e número de recursos humanos em função do número de candidatos. É destes dois factores que nasce a minha primeira reflexão. Com o aproximar do final do ano lectivo nas escolas públicas, a potencial alteração nas equipas vai deitar a perder um ano (ou mais) de trabalho de construção de uma equipa, de conhecimento partilhado, de construção de um espírito de intervenção e de uma relação com os adultos. Assisti recentemente numa sessão de júri a uma referência que, no espaço de um ano e pouco, um adulto tinha sido acompanhado por três formadores diferentes na mesma área. A diferença entre uma equipa em constante mutação e uma equipa estável está, principalmente, na consolidação das práticas e da capacidade de interacção e colaboração entre os seus elementos. Por outro lado, fala-se no alargamento da rede de Centros Novas Oportunidades e não tanto no reforço das equipas, principalmente ao nível dos profissionais de RVCC. Este número, em alguns centros, se reforçado, daria uma muito mais célere resposta aos candidatos.
As propostas: Se a mudança nas equipas das escolas públicas é inevitável pelo modelo de contratação associado ao concurso de professores, podem as equipas preparar o trabalho que as espera em Setembro/Outubro. Para isso devem planear acções de acolhimento e formação internas, promover a implementação de um modelo de gestão do conhecimento e auto-regulação e, sempre que possível, articular a capacidade prospectiva das alterações com o desenrolar do trabalho com os adultos. Considero que mais do que falar (como se está a tentar neste momento) na implementação de um processo de auto-avaliação dos centros, se devia ter pensado e implementado uma estratégia de construção do modelo do CNO como organização aprendente, muito mais útil neste contexto do que a auto-avaliação que podia resultar deste processo de olhar para os centro e das suas necessidades que a avaliação como modelo de regulação. No que concerne ao reforço das equipas, o período de co-financiamento em curso, assim como as orientações para a formação das equipas pode ainda ser pensada, autonomizando realidades e tendo em conta os diferentes factores e contextos.
5 dias, 5 reflexões…

Durante os próximos 5 dias, a cada dia, irei publicar um pequeno texto problematizando uma questão que julgo fundamental para o reconhecimento social do processo de RVCC, assim como, deixarei uma proposta de actuação. Seria muito interessante que os leitores, seguidores e amigos deste blog fossem deixando comentários para enriquecer as ideias deixadas que são, no fundo, pontos de início para uma discussão, que se espera, mais alargada.
domingo, 24 de maio de 2009
Curso de Formação: Construção e Avaliação - PRA
O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul, promove, no dia 12 de Junho, uma acção de formação sobre a construção e avaliação de um Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. Para mais informações e inscrições clique aqui.
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Um Guia Importante: Sessão de Lançamento
No próximo dia 26, em Coimbra, será lançado o Guia Metodológico para o Acesso das Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao Processo RVCC - Nível Básico. Este é, sem dúvida, um passo importante para a promoção da igualdade e integração social. Deixamos o programa do lançamento.
Programa (2)
sábado, 23 de maio de 2009
Júris e Histórias de Vida...
Há, nas Histórias de Vida dos candidatos em processo de RVCC uma representação social de uma época, de um país, de vivências e acima de tudo, de uma forma de ver a escola e a aprendizagem. Hoje, por ter ouvido um conjunto de experiências e relatos de vida significativos vou centrar a minha reflexão nas imagens e representações que me enriqueceram.

Uma das minhas reflexões em torno do acto de certificação associado ao processo de RVCC centrava-se (e centra-se) no “modelo” de candidato que o referencial de competências-chave, para o nível secundário, tem na sua essência. De facto, este documento, na sua génese teve e na sua aplicação tem, um modelo social e significativo do que socialmente pode ser representativo de um cidadão actual numa sociedade como a vemos na contemporaneidade. E sempre pensei que seria impossível um candidato atingir a certificação com as 88 competências. No entanto, e como sempre, a realidade tem forma de nos mostrar que o que julgamos impossível é, de facto, possível. Tive a honra de estar presente numa sessão de júri, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa. A proposta de créditos que me foi enviada, junto com o Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA), relatório final e Plano de Desenvolvimento Pessoal transformaram-se numa evidência para mim que o trabalho desenvolvido pela equipa (da profissional às formadoras) era sério, consistente e rigoroso. O trabalho de análise do PRA, pedido de fundamentação de alguns crédito da minha parte para os formadores, assim como, uma troca de ideias com a profissional que acompanhou o adulto resultaram numa verificação efectiva do excelente trabalho feito. Mas, o trabalho do Avaliador Externo é sempre “a seco”, isto é, sem conhecer o adulto pessoalmente. Foi com essa expectativa que ia para esta sessão. Conhecer os adultos (4 adultos terminaram o processo nesse dia) e em particular o Sr. José Carlos Reis. Tenho, pela equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora uma consideração e imagem muito positiva. Como sempre, a sessão decorreu com o elevado profissionalismo e reconhecimento que é devido nestes momentos. Foi ao conhecer e assistir à apresentação do Sr. José Carlos Reis que vi que um adulto, pela sua experiência e aprendizagem de vida, pode, de facto, ser certificado nas 88 competências existentes no referencial de competências-chave. Mas quero destacar que, esse trabalho (do PRA à apresentação final) são fruto também, da qualidade e dedicação de uma equipa. Sem estes factores combinados tal não seria possível. Parabéns aos adultos certificados neste dia, em particular ao adulto referido e também à equipa que os acompanhou pela excelência do trabalho realizado.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Nacional de Bombeiros. Cinco candidatos apresentaram as reflexões finais sobre o processo de RVCC, nível secundário e apoiados por uma equipa com experiência e capacidade de mobilização dos saberes com os adultos, terminaram o seu processo. Tenho a destacar que uma das apresentações finais foi feita no local de trabalho do adulto. Curiosamente tenho já visitado vários locais em vários contextos que pensei, nunca na minha vida, vir a conhecer. Esta foi uma experiencia muito interessante. A sessão de júri teve lugar numa locomotiva da CP, na ligação entre Coimbra e Serpins, mais propriamente na estação ferroviária de Serpins. A explicação da história de vida do adulto, assim como, a demonstração de algumas competências do contexto profissional resultaram num momento de aprendizagens para todos, assim como, numa reflexão e reconhecimento social do processo pela disseminação que este exemplo tem para outros futuros candidatos.

Estive ainda presente numa sessão de júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Um grupo de candidatos da empresa Socertima terminaram o seu processo de RVCC de nível básico. A necessidade de obterem a equivalência ao 3.º Ciclo do Ensino Básico (9.º ano) para futura e obrigatória certificação profissional tem trazido muitos adultos ao processo de RVCC. É de destacar quando uma empresa tem essa consciência social e apoia os seus trabalhadores nesse processo. Mas quero destacar o relato e histórias de vida que foram partilhadas nessa sessão. Deste a participação em dezenas de concertos de música por um adulto, às histórias orgulhosas de um bombeiro voluntário, ao relato de uma época e da forma de viver superando obstáculos de um contexto de vida, a verdade é que a partilha dessas vivências, saberes e experiências resultaram numa sessão muito rica e muito interessante. Obrigado e parabéns a todos os adultos que terminaram neste dia uma etapa das suas vidas que, como os próprios o referiram, nunca pensaram poder vir a conseguir.

E por fim, estive presente para sessões de júri, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Quero destacar aqui a história de duas candidatas. Duas irmãs. Na casa dos 30 anos. Duas mulheres de força, garra e determinação. Duas mulheres de olhar curioso e de vontade de viver inesquecível. Por via de uma vida com condições muito difíceis a escola foi posta de lado. Não por vontade, mas por necessidade. Naquele dia cumpriram uma etapa. Ouvir os relatos de uma história de vida dura e sofrida, com um sorriso no rosto e uma determinação de aprender mais, falando em formação e no desejo de continuar “os estudos” foi sem dúvida uma das mais importantes lições que foram deixadas neste dia. Tenho que destacar a capacidade que a equipa técnico-pedagógica tem de humanizar o trabalho realizado e apoiar os adultos no seu percurso. Parabéns a todos os adultos e à equipa pelo trabalho realizado.
Termino com uma reflexão que não é minha. Ouvi-a numa destas sessões. Dizia um adulto, o Sr. Horácio, que o deixar a escola foi motivado pela necessidade de ir trabalhar para ajudar os pais e que hoje via os “miúdos” deixarem a escola para ganharem para os gastos próprios. E deixo esta reflexão em com os sinceros parabéns a todos os adultos que terminaram nestas sessões o seu processo. Tenham orgulho em ter concluído esta etapa e que ela seja também o cumprir de um sonho.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Uma publicação de interesse.

A Literacia dos Adultos: Competências-Chave na Sociedade do Conhecimento, de Patrícia Ávila
«No plano das representações, avançam-se alguns dados preocupantes. A maior parte dos inquiridos não equaciona as suas competências como um limite às possibilidades de progressão na carreira, e, para além disso, cerca de 70% dos portugueses localizados no nível mais baixo de literacia, afirmam estar satisfeitos com as suas capacidades de leitura e escrita. Assim, reporta-se uma fraca consciencialização da população portuguesa face aos seus baixos níveis de literacia (realidade por si só desanimadora), que se associa a fracas disposições para a aquisição de novas competências.
Uma medida que visa colmatar este défice de competências passa pela formação e educação da população adulta. No contexto nacional essa modalidade de ensino tem uma expressão muito reduzida, e a que existe tende a reproduzir as disparidades aqui encontradas. Entre os adultos que frequentam este tipo de iniciativas, não são os menos escolarizados, ou posicionados nos níveis de literacias mais baixos, que predominam.
Na tentativa de explicar o perfil nacional encontrado, na maioria desprovido competências de literacia satisfatórias, avançam-se algumas pistas que extravasam aquelas que a sociologia tradicionalmente mobiliza:
“Meios familiares de origem extremamente carenciados de habilitações literárias, insuficiente expansão do sistema de ensino, modos de vida quotidiana pobres em práticas de literacia e tecido económico e profissional muito pouco qualificado e mesmo desqualificante quanto a competências de leitura, escrita e cálculo, são alguns dos factores que convergem na produção dos fracos níveis de literacia encontrados entre a população adulta portuguesa” (p. 232).»
Fonte: Aqui.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Uma Universidade Global
University of the People , é este o nome do projecto, que ja conta com a participação de 200 alunos de 52 países. Um projecto da Organização das Nações Unidas.
Clique aqui para visitar a página.

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