sábado, 18 de abril de 2009

Júris, Rede e Qualidade...

A construção de um projecto assente na qualidade não é um desafio que se ganhe pelas palavras ou objectivos. São as práticas e as mudanças em inovação que consolidam esses mesmos projectos, com tempo, no tempo e na resposta efectiva dada aos problemas de base a que servem de resposta.

Estive presente numa reunião de trabalho para a criação de mais uma rede de Centros Novas Oportunidades. Desta vez foram as equipas dos centros da Escola Secundária de Pombal, Escola Secundária Fernando Namora (Condeixa), Escola Secundária de Figueiró dos Vinhos e Agrupamento de Escolas de Ansião. Esta rede de centros, como a Rede MAPA que junta centros da Mealhada, Pampilhosa, Águeda e Anadia tem como objectivo promover uma resposta integrada e uma forma colaborativa de trabalho com vista à melhoria da capacidade de intervenção e resposta aos adultos que procuram este centros como via para a conclusão do seu processo de qualificação. É sempre muito positivo encontrar abertura para a criação destas redes entre equipas pois, por via das mesmas, o trabalho realizado ganha uma nova dimensão e capacidade de cooperação efectiva. A rede terá a designação de TEIA - Trabalho, Equipa(s), Interacção e Aprendizagem e uma plataforma on-line.

Estive presente num conjunto de sessões de júri a convite do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho (Águeda). Já o referi num comentário anterior mas tenho que destacar ainda mais uma ideia que registei. A equipa técnico-pedagógica, sob a coordenação do Prof. Fernando Leal e agora da Dra. Isabel Simões, conseguiu realizar uma mudança nas práticas, metodologias e uma melhoria muito evidente na qualidade global dos processos. Hoje este centro desenvolve um trabalho de rigor, competência e credibilidade que efectivamente valoriza o processo de RVCC e a qualificação de cada um dos adultos que procura resposta para a sua qualificação. E tenho que destacar a capacidade de adequação aos contextos e ao apoio individual dado aos adultos. As sessões de júri que presidi foram momentos muito interessante e ricos, desde a apresentação do Sr. Alfredo Santos, adulto de 87 anos, inventor acreditado na bolsa nacional de inventores que a todos mostrou que a ideia não é razão para não procurar a escola, à presença de quarto adultos que partilhavam o carro para poupar nas despesas de deslocação e unidas na vontade terminaram o seu processo de certificação do Ensino Básico, aos adultos em itinerância em Belazaima do Chão que nos mostraram as vivências de uma comunidade e localidade, assim como, da dedicação que tinham no seu trabalho no cuidado de idosos. Fica uma palavra pessoal e profissional de reconhecimento por este trabalho de elevada qualidade que registo e ao qual dou os sinceros parabéns.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião. Ao longo dos últimos anos tenho referido várias vezes que a ideia de centrar o processo num registo autobiográfico pode ser limitativo para retirar desses mesmo registo um conjunto valioso de momentos e histórias de vida. Neste caso, a apresentação da adulta que terminou o seu processo de RVCC de nível Secundário, complementou o seu Portefólio com a apresentação desses mesmos registos de aprendizagens, competências e vivências tidas por via das inúmeras viagens que realizou em contextos pessoais e profissionais. Sem dúvida que este tipo de abordagem é muito positivo e registo a sua importância para a valorização do percurso de qualificação e partilha entre todos. Sinceros parabéns à Filomena Valente por nos ter levado a essas histórias que resultaram numa partilha muito interessante.

Estive depois, numa sessão de júri, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Arganil. Tenho que destacar um registo muito curioso. Ao fim de algum tempo vemos, neste processo, acontecimentos ou registos muito curiosos. Um casal de adultos fez a sua apresentação em júri em conjunto. A verdade é que um deles fez o processo, tendo outra via de conclusão possível, apenas para motivar a esposa a terminar. Muitas vezes são estes exemplos que servem para ilustrar o que de melhor tem o ser humano quando deseja algo e cria objectivos para a sua caminhada na relação com a escola e com a aprendizagem. Ficam os meus sinceros parabéns aos adultos que terminaram o processo de RVC neste dia pelas apresentações muito interessantes que realizaram.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho que destacar o trabalho que a Dra. Carina e a Dra. Marília realizaram com os adultos presentes a júri. Estas profissionais RVCC, pela sua dedicação e pela capacidade de adequação que a equipa (incluindo o apoio sempre presente dos formadores) tem realizado conseguiram realizar um trabalho de recuperação dos percursos de qualificação de muitos adultos. Devo também destacar a abertura à partilha que este centro sempre teve, estando presente uma equipa para assistir à sessão do Centro Novas Oportunidades em Albergaria.

Por último, como sempre, deixo uma palavra de parabéns a todos os adultos que terminaram o seu processo. Que esta seja mais uma etapa num percurso de aprendizagem ao longo da vida que agora se (re)inicia.

O Desafio de fazer o Processo de RVCC Secundário

Eis que vou iniciar um desafio que espero que venha a ser importante e interessante para todos. Enviei um pedido de autorização e um desafio à ANQ e a um Centro Novas Oportunidades para me aceitar como adulto que irá passar por todas as etapas que uma qualquer pessoa que deseje concluir o Ensino Secundário terá que passar até concluir o processo de RVCC. Do Diagnóstico à criação de um Portefólio, até à sessão de júri, desejo seguir todos esses passos. Durante o tempo em que estiver em processo irei publicar, diária ou semanalmente, neste blog, os sentimentos, dúvidas, perspectivas e actividades de um adulto em processo de RVCC. Esta experiência terá em conta várias adaptações naturais pelo facto da minha condição pessoal e profissional e função que tenho desenvolvido como Avaliador Externo. No entanto, espero que este “estudo de caso” do lado do adulto, sirva para todos (da tutela aos profissionais e a todos os adultos que frequentam o processo) possam reflectir de forma sustentada e prospectiva sobre a forma como está a ser implementado o processo e como, para cada um dos adultos que frequentam esta via de qualificação, conseguem e se integram neste processo. Estou apenas à espera das respostas das autorizações e decisões para iniciar o meu processo … em breve darei as primeiras notícias…

II Seminário de Educação de Adultos e Intervenção Comunitária

O Departamento de Pedagogia do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho vai realizar no dia 5 de Maio de 2009 o II Seminário de Educação de Adultos e Intervenção Comunitária.

Este evento, de relevante importância para todos aqueles que trabalham na área da educação e da intervenção comunitária, contará com dois momentos principais:

A manhã será dedicada ao tema:
“Educação de Adultos e Intervenção Comunitária: Complexidade em Reflexão”.
Contará com a presença e a dinamização de dois especialistas: Professor Doutor Adérito Gomes Barbosa da Universidade Católica Portuguesa e a Professora Doutora Luíza Cortesão da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto que apresentarão comunicações pertinentes, quer do ponto de vista investigativo e conceptual, quer do ponto de vista das praxis.

A tarde será preenchida com uma mesa redonda subordinada ao tema:
“Intervenção Comunitária: Práticas e Quotidianos”.
Contará com a presença de várias individualidades a desempenhar função na área de educação de adultos e intervenção comunitária em diversas áreas e instituições (educação, intervenção familiar, terceira idade, ambiente, saúde, etc.).

IISeminario

Procura de um/a Formador/a

Com vista ao reforço da sua equipa, o Centro Novas Oportunidades da TecMinho / Universidade do Minho procura, para o exercício de actividade profissional, a tempo inteiro, em Braga, um/a formador/a com habilitação para a docência numa das seguintes áreas:

• Física e Química (código 510)
• Biologia e Geologia (Código 520)

Os interessados devem enviar CV detalhado, até ao próximo dia 19 de Abril de 2009, para o seguinte endereço de correio electrónico: cno@tecminho.uminho.pt

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Alteração: Encontro dia 18 de Abril passa para 8 de Maio!

Pelas condições climatéricas previstas para o dia 18 de Abril, assim como, o desenvolvimento de algumas actividades que seriam canceladas pela mesma razão o encontro "RVCC e Aprendizagem ao Longo da Vida: Desafios Radicais" passará a ter lugar no dia 8 de Maio (Sexta-feira) no mesmo horário e com as mesmas actividades.

Pedimos a todos os que estão interessados em participar, mesmo tendo já sido inscritos para o dia previsto, que voltem a manifestar o seu interesse. As inscrições são feitas por e-mail.





quarta-feira, 15 de abril de 2009

As Competências: Hard e Soft

«A abordagem anglo-saxónica divide as competências em hard e soft. A competência hard inclui os conhecimentos de um indivíduo sobre um domínio em concreto (knowledge) e o saber-fazer que corresponde à demonstração comportamental de um conhecimento (skills). A competência soft integra a percepção que um indivíduo tem do seu «eu» enquanto líder ou membro de um grupo (behaviours), os traços de personalidade que contribuem para um determinado comportamento (traits) e as motivações que correspondem às forças interiores recorrentes e que geram os comportamentos no trabalho (motives). Nesta dicotomia, as competências de tipo hard são fundamentais para que um indivíduo seja tido como competente no seu trabalho, enquanto as competências de tipo soft permitem diferenciar as realizações inter-indivíduos.
Pelo contrário, a abordagem francesa distingue entre os saberes (savoirs) que se traduzem na dimensão teórica das competências (savoir plus), os saber-fazer (savoirs faire) que correspondem às competências de carácter prático e os saber-ser (savoir-être) que integram as competências sociais e comportamentais.
A competência não constitui apenas um potencial, nem uma lista de capacidades, mas também um processo que conduz a um desempenho. Um indivíduo aumenta as suas probabilidades de se tornar competente, consoante as suas capacidades sejam mais ou menos elevadas.
A posse de tal competência não dá garantia directa do seu possuidor ser competente, pois, a competência só pode existir enquadrada num contexto.
Assim, uma condição de definição de competência é a sua relação com o contexto, pois deve fazer parte dos laços entre as qualidades relacionadas com o indivíduo e as propriedades que dependem de uma situação de acção.»
Fonte: Aqui.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Reconhecer as competências adquiridas: O que é?

«As diligências para o reconhecimento das competências adquiridas inscrevem-se no que chamamos actualmente formação experimentada, desenvolvidas essencialmente na formação de adultos e de jovens, porque se parte do princípio que o indivíduo sofre um processo de aprendizagem ao longo do seu percurso de vida pessoal e profissional. O portefólio de competências passa a ser um suporte privilegiado desta “iniciativa” de trabalho sobre a experiência.

Mas a experiência só passa a formação se trabalhada e integrada num determinado nível de compreensão pelo indivíduo. Se a pessoa se mantém numa lógica de resignação ela não pode construir com a sua experiência.

O objectivo destas iniciativas de reconhecimento de competências é permitir às pessoas, a partir de uma abordagem estruturada, reconhecer, não só, as competências adquiridas com as suas experiências social, familiar, profissional, desportiva… mas também, a criação de processos de aquisição de competências através de uma dinâmica própria. Nós trabalhamos particularmente as dinâmicas de aprendizagem.

O reconhecimento das competências é o processo pelo qual uma pessoa vai identificar, estruturar e depois preparar a transferência das aprendizagens, das capacidades e das estratégias adquiridas através da experiência.

É importante sublinhar que o adquirido pela experiência não está depositado ou escondido num canto da experiência bastando levantar o véu para ser descoberto. O reconhecimento do adquirido é um processo de elaboração e de construção de saberes e de conhecimentos adquiridos com a experiência.

Ao nível metodológico, o processo estipula e estimula 3 níveis de desafios:

Um desafio de emergência - Nascimento
Fazer emergir nomeando e elaborando as capacidades, potencialidades, aptidões não conscientes intrincadas na experiência e que não estão registadas, valorizadas. Quer enquanto conteúdo, quer enquanto processo.

Um desafio de estruturação - Conhecimento
Estruturar, nomear, formalizar, as competências adquiridas não registadas, os conhecimentos e organizá-los para que se inscrevam verdadeiramente na dinâmica da pessoa, para que possam ser integrados nomeadamente, em articulação com formações, aprendizagens mais formais, novas responsabilizações ou o desenvolvimento da professionalização.

Um desafio de transferibilidade - Reconhecimento

Preparar ou transferir competências, processos e conhecimentos reconstruídos, reelaborados em novos sectores de actividades, noutros projectos profissionais, sociais ou pessoais (qualificação, reforma, novo emprego, procura de emprego, orientação, criação de actividade, mobilidade profissional ou responsabilidades profissionais, sociais ou políticas…).

Fonte: Aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A não esquecer! Participe!

Alertas e dúvidas...

Este texto é uma chamada de atenção e um alerta. Nos últimos tempos tenho, de forma directa ou indirecta, consultado alguns portefólios, quer do nível Básico, quer do nível Secundário no âmbito das minhas funções como Avaliador Externo. Quer por via de transferências entre centros e consulta dos dossiês neste contexto, quer por consulta a pedido de um ou outro adulto para comparação entre o nível de exigência de diferentes centros, consultei exemplos de trabalho realizado cuja qualidade é muito baixa. O uso exclusivo dos instrumentos de mediação, sem inovação, sem adaptação e o trabalho de formação complementar pensada exclusivamente num modelos escolar, para o nível Básico e a certificação/creditação de competências por evidência de conhecimentos, muitas vezes transcritos de pesquisas realizadas sem enquadramento levam-me a deixar três linhas de reflexão profundas e como alertas sérios:

a) A construção de um dossier pessoal/portefólio para um processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências não deve assentar no princípio de “armazenamento” de documentos ou registos. Deve existir uma lógica organizativa, centrada nas histórias de vida retiradas de uma narrativa auto-reflexiva do percurso de vida do adulto. E os instrumentos de mediação não são “fichas de trabalho” para “preenchimento”. São estratégias e metodologias de trabalho a implementar com o adulto e para reflexão do mesmo com a equipa.

b) A desvalorização da exigência a colocar num processo de RVCC (exigência vista como rigor e não como dificuldade) não deve ser estratégia para promoção de um Centro Novas Oportunidades. Muitas vezes digo que os adultos devem ter orgulho no Portefólio que constroem e devem ter esse orgulho não só a nível pessoal como (podendo como o fazem) a nível da comunidade de relações pessoais, profissionais e sociais.

c) As competências, principalmente ao nível de um reconhecimento de competências para o processo RVC de nível Secundário não se podem centrar em “enxertias” de pesquisas feitas na internet ou por outros meios. Não podem ser realizadas propostas de validação centradas na demonstração de conhecimento que, muitas vezes, nem sequer existem verdadeiramente. As consultas e explorações com apoio podem e devem existir por via de várias formas de trabalho orientado pela equipa, no entanto, do que estamos a falar é de competências. Não podemos esquecer isso sob pena de deixar cair a essência do processo de RVC.

Ficam estas reflexões de quem está atento e observa com preocupação estas realidades que deviam ser monitorizadas.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Santa Páscoa!

A todos os que acompanham este blog, Boa Páscoa e bom descanso!

Reunião e Júri.

A melhoria contínua não é um factor que possa ser observado num momento. É, essencialmente, um processo que decorre naturalmente do tempo, da vontade e da dedicação.

Estive presente numa reunião com a equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda. Tenho que deixar aqui, publicamente, uma palavra de parabéns à equipa. Pela dedicação e credibilização do processo de RVC esta equipa conseguiu uma melhoria efectiva e claramente visível perante a forma e o resultado do trabalho de RVC com adultos para o nível básico. É de louvar essa atitude de crescimento da equipa e perante o processo que, desta forma, ganha um excelente contributo para o seu reconhecimento social.

Estive também presente numa Sessão de Júri do Centro Novas Oportunidades da EPADRV. Sendo que as viagens por vários lugares me fazem descobrir lugares, as sessões de júri, fazem-me conhecer pessoas e realidades sociais. Quero destacar a integração muito positiva que esta entidade tem no terreno onde se encontra, assim como, o reconhecimento da escola no seu contexto social. Sendo um centro recente o trabalho de consolidação de práticas ainda agora começou, no entanto, existe uma boa base de partida para um trabalho de qualidade. Parabéns aos adultos que terminaram o seu processo neste dia e à equipa pelo trabalho realizado.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Inteligência Emocial e Competências

«Níveis da Inteligência Emocional:

1. Auto-conhecimento emocional – Auto consciência: conhecimento que o ser humano tem de si próprio, de seus sentimentos ou intuição. Esta competência é fundamental para que o homem tenha confiança em si (autoconfiança) e conheça os seus pontos fortes e fracos;

2. Controle emocional – Capacidade de gerir os sentimentos: é importante saber lidar com os sentimentos. A pessoa que sabe controlar os seus próprios sentimentos dá-se bem em qualquer ambiente ou em qualquer acto que realize.

3. Auto motivação – Ter vontade de realizar, optimismo: Pôr as emoções ao serviço de uma meta. A pessoa optimista consegue realizar tudo o que planear pois tem consciência que todos os problemas são contornáveis e resolúveis.

4. Reconhecer emoções nos outros – Empatia: saber se colocar no lugar do outro. Perceber o outro. Captar o sentimento do outro. A calma é fundamental para que isso aconteça. Os problemas devem ser resolvidos através do diálogo sincero. As explosões emocionais devem ser evitadas para que não prejudiquem o relacionamento com os outros.

5. Habilidade em relacionamentos inter-pessoais – Aptidão social: a capacidade que a pessoa deve ter para lidar com as emoções do grupo. A arte dos relacionamentos deve-se, em grande parte a saber lidar com as emoções do outro. Saber trabalhar em grupo é fundamental no mundo actual.»
Fonte: aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Auto-Formação: A Competência-Chave do Século XXI

«O desfase permanente entre educação e trabalho que de maneira inevitável gera o modelo anterior de detecção e tratamento das necessidades formativas, incrementado hoje pelo ritmo em que se produzem as mudanças tecnológicas e a facilidade para aplicar a todos os componentes do processo produtivo essas tecnologias de forma que a dessincronização entre formação e trabalho faz-se visível já nos mesmos inícios da vida laboral de um trabalhador, convida a pensar num novo modelo de diagnóstico das exigência formativas, um novo tipo de distintivos, características, qualificações do trabalhador, mais de acordo com a nova natureza dos processos de produção e, sobretudo, formas diferentes de aquisição e fomento dessas características. Três problemas ou objectivos à formação do nosso tempo – necessidades formativas, modo de diagnosticá-las e maneira de adquiri-las e certificá-las – que lentamente estão a conduzir a um novo modelo de formação; vamos por partes.

a) Modos de geração e aquisição de competências: mais além do inventário.
a.1) Um enfoque inter-relacional como matriz geradora de competências.
a.2) Modos de aquisição e desenvolvimento de competências:

Algumas características dessas competências, por exemplo, o predomínio da componente informativa numa sociedade que assim se tipifica, pode gerar a impressão que o cenário ou a forma mais idónea de aquisição e fomento dessas capacidades e habilidades é individual, quando é precisamente o contrário: são formas sociais de ensino, aprendizagem e acção as que facilitam a aquisição e desenvolvimento dessas competências no indivíduo. Este tipo de conteúdos, se assim se pode chamar, é mais facilmente assimilado pelo sujeito quando a tarefa se realiza em grupo e, sobretudo, quando a tarefa realizada em grupo exige da colaboração e cooperação de todos os membros do grupo; é como se neste nível de competências fosse primordial o princípio pedagógico geral de que a aprendizagem é um processo que se desenvolve no indivíduo mas que exige “a presença” dos outros; perante os modelos de formação e de trabalho predominantemente individualistas e isolados, o enfoque das competências exige inevitavelmente a consideração do outro, de o outro e dos outros.»

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Modelo Relatório Final: RVCC de Nível Básico

A equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul adaptou e utiliza um modelo (tendo por base um documento elaborado pela equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré) de relatório final para o processo de RVCC - Nível Básico - que considero muito útil partilhar neste espaço pois, um dos mais relevantes aspectos na documentação relativa a este tipo de processos é a forma como a informação é organizada e a forma como pode ser um elemento determinante na comunicação entre equipas (RVCC/EFA).

domingo, 5 de abril de 2009

Três pontos de reflexão: RVCC e CNO.

Ao longo dos últimos 3 meses, os primeiros deste ano, tenho observado algumas situações relativamente aos Centros Novas Oportunidades e ao trabalho realizado no âmbito do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências que me levantam questões. Deixo aqui três dessas questões.

a) Uma das questões que emerge dos três primeiros meses deste ano está relacionada com a estabilidade das equipas nos Centros Novas Oportunidades integrados em escolas públicas. Com a proximidade do fim do ano lectivo a incerteza da continuação nas actuais funções e para alguns a certeza de cessação dessas mesmas funções deixa um problema grave à estabilidade do trabalho realizado. Por um lado existe a necessidade de consolidar o trabalho realizado até ao momento, por outro, na necessidade de implementar metodologias de transferência de conhecimentos e práticas que foram construídas ao longo do tempo. Penso que urge, às entidades tutelares responsáveis, ponderar modelos de futuro para a particular realidade destes elementos das equipas no que diz respeito à contratação, assim como, às equipas nesta fase, para a construção de um modelo de partilha e consolidação dos métodos de trabalho de forma a transformar esses conhecimentos, recursos e práticas em estratégias transferíveis para outros elementos ou novas integrações de elementos nas equipas.

b) A questão das metas tem sido transversal a toda a implementação do processo de RVC e da estruturação da Iniciativa Novas Oportunidades – vertente Adultos. No entanto, se queremos efectivamente regular o processo por via de metas relativas à qualificação devemos alargar os campos de análise e procurar enquadrar essas metas na realidade regionais, assim como, nos diferentes percursos de qualificação (RVCC, EFA, Modulares) disponíveis em cada Centro Novas Oportunidades. Por muito que o discurso caminhe para a orientação dos adultos para vias de qualificação alternativas ao processo de RVC, a verdade é que a existência de metas focadas neste processo e nesta via limita efectivamente esse caminho de diversidade. Por outro lado, quer a aposta na publicidade, como na forma como a mensagem se transmite publicamente tem sido dirigida para o que os adultos (publico-alvo desta iniciativa) chamam do “Curso das Novas Oportunidades”, ou seja, o processo de RVCC. A aposta na Educação e Formação de Adultos deve ser tão mais eficaz quanto mais ricos são os percursos diferenciados para o fazer.

c) Existe ainda uma ténue aposta nas redes entre Centros Novas Oportunidades. Aqui reside muito do problema quando se fala no reconhecimento social do processo de RVC ou da Iniciativa Novas Oportunidades – vertente Adultos. A resposta individual dos centros resulta muitas vezes numa estratégia isolada, incapaz de dar uma reposta efectiva à procura de qualificação ( e não só) de muitos adultos. Tenho, por experiência própria observada no terreno, que é muito mais fácil atingir números com qualidade e reconhecimento social pelos adultos e comunidades locais, quando o trabalho é feito em redes de cooperação e não isoladamente. Por isso, deixo uma apresentação que pode ajudar os Centros Novas Oportunidades na criação de redes de trabalho colaborativo essenciais para a qualidade e valorização do processo de RVC.

sábado, 4 de abril de 2009

Registos, Júris e Equipas...

Ao ler os Portefólios de muitos adultos registo que, reconhecer competências, deve ser um exercício de reconhecimento social do valor da vida enquanto caminhada para a aprendizagem individual e colectiva de cada um dos adultos que se encontram a procurar terminar um nível de qualificação. Esse reconhecimento social é tão relevante como o próprio processo de RVC em si mesmo.

Uma conversa com a equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Inês de Castro levou-me a conhecer um pouco mais as actividades que esta equipa tem vindo a desenvolver. Tenho a destacar a equipa de formadores que, pela sua experiência, tem uma abordagem ao processo de RVC muito positiva e centrada na qualidade. Destaco o crescimento necessário e consolidação de práticas a realizar que, com a qualidade dos elementos da equipa, será conseguida se sustentada em processo de consolidação sistematizada das práticas implementadas.

Tenho também a destacar o trabalho realizado pela equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. O trabalho de adequação de uma equipa a um desafio, como o que este centro aceitou com uma parceria com uma empresa, a Socertima, resultou num desafio muito positivo. Um desafio para uma equipa recentemente formada que tem crescido na sua capacidade de adaptação, adequação e apropriação do espírito do processo de RVC. Para eles vai o meu reconhecimento de um trabalho cada vez mais interessante e de qualidade.

Estive presente num júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho, sobre os júris em contexto/local de trabalho dos adultos sempre o receio que se colem a um modelo muito centrado num processo de reconhecimento de competências profissionais. No entanto, a visita ao Porto de Aveiro, que realizei para um júri resultou numa mostra de competências em contexto que tornaram a leitura de algumas evidências muito mais clara, quer para mim enquanto Avaliador Externo, quer para a equipa de formadores. Parabéns aos adultos e à equipa pelo trabalho realizado.

Por convite da equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul, centro que no Mês de Abril estará em destaque neste blog, estive presente na primeira sessão de júri deste centro. Tenho a destacar a forma como o trabalho realizado pela equipa resultou numa valorização pessoal efectiva dos adultos e o reconhecimento social do processo de RVC no contexto de retorno à aprendizagem e qualificação para muitos adultos. Quando assim é o resultado do trabalho, que neste caso é de qualidade e rigor, torna-se evidente e capaz de promover mudança de várias pessoas face à aprendizagem, formação e formação ao longo da vida. Parabéns aos adultos e à equipa pelo trabalho realizado.

Estive ainda, no final do Encontro sobre o processo de RVCC organizado pelo Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Foi muito agradável rever equipas que fazem parte da minha rede de trabalho, assim como, de amizade. Pelo que me foi dado a entender este encontro foi muito positivo pela troca de práticas entre centros e pela transferência de experiências entre equipas.

Reitero os parabéns às equipas pelo trabalho realizado e principalmente a todos os adultos que terminaram os seus processos. Parabéns!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fórum Qualificação 2009

«A Agência Nacional para a Qualificação, em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional e as Direcções Regionais de Educação, vai organizar o Fórum Qualificação 2009: Escolhas com Futuro, nos dias 7, 8 e 9 de Maio, na Exposalão, na Batalha. Trata-se da segunda edição desde evento, depois do sucesso que constituiu a realização do primeiro Fórum, em Junho de 2008, no Centro de Congressos de Lisboa. Esta iniciativa, aberta ao público em geral, terá como destinatários privilegiados os jovens que se encontrem a concluir o 3º ciclo do ensino básico (9º ano de escolaridade) ou que estejam no início do ensino secundário e pretendam repensar o seu trajecto escolar ou formativo. 
Este evento terá o formato de uma "vila das profissões", onde decorrerá uma mostra de projectos, trabalhos e actividades desenvolvidos pelos alunos e/ou formandos das escolas e centros de formação profissional, com mais de cem stands e espaços apropriados a actividades de animação. Nesta vila, cada praça corresponde a uma grande área de educação/formação, assinalada pela cor e por sinalética, existindo ainda espaços de descanso e um jogo: a Roda das Profissões. Através de actividades lúdicas, os jovens visitantes vão poder associar formações a profissões e conhecer as competências e os saberes inerentes a cem saídas profissionais. 
Tal como sucedeu na edição de 2008, cada stand representará um curso e as respectivas saídas profissionais, através de actividades práticas. Esta mostra será assegurada por mais de cem entidades, representando modalidades formativas de dupla certificação para jovens (cursos profissionais, cursos de aprendizagem e cursos de educação e formação).
O Fórum Qualificação 2009: Escolhas com Futuro assume como objectivos principais divulgar a diversidade de cursos contemplados pelas diferentes modalidades de educação e formação; promover as ofertas profissionalizantes junto dos jovens que concluíram o 9º ano de escolaridade, das comunidades educativas e formativas e do tecido empresarial e socioeconómico; valorizar socialmente as formações e as certificações adquiridas pelos jovens no âmbito dos cursos profissionalizantes; evidenciar as vantagens das aprendizagens centradas no desenvolvimento de competências em detrimento de aprendizagens focadas na transmissão de conteúdos; disseminar as vantagens obtidas com os cursos que conferem dupla certificação (escolar e profissional), incentivando à procura das vias profissionalizantes e, ainda, despertar o interesse das entidades empregadoras pelas vantagens resultantes da contratação de jovens que concluíram percursos profissionalizantes.
A selecção das entidades participantes foi feita com base nos projectos apurados num concurso lançado em Janeiro passado, intitulado "Projectos com Futuro", e ainda de alguns convites que as entidades organizadoras decidiram efectuar, colmatando lacunas em aberto.
O Fórum Qualificação 2009 estará aberto durante os três dias, entre as 10h00 às 18h00, no Pavilhão 3 da Exposalão, na Batalha, esperando-se que a mostra reúna aproximadamente quinze mil visitantes, oriundos de todo o país.»

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sobre o Encontro de dia 18 de Abril: Góis

Devido a um conjunto de e.mails que recebi a pedir esclarecimentos sobre o encontro "RVCC e Aprendizagem ao Longo da Vida: Desafios Radicais" que terá lugar no dia 18 de Abril em Góis deixo um conjunto de informações em resposta:

O encontro esteve incialmente ligado aos Centros Novas Oportunidades com que trabalho directamente. Devido ao número de pedidos e ao número limite de inscrições são considerados ainda inscrições de Centros Novas Oportunidades que manifestem o seu interesse em participar.

Para participar, todos os Centros Novas Oportunidades devem enviar-me um e.mail com o nome completo, função e contacto dos elementos das equipas que irão estar presentes (principalmente devido ao registo no seguro que é obrigatório). A data até à qual o podem fazer é ao dia 3 de Abril.

O dia consistirá no seguinte:
– Multiactividade em Góis com slide, rapel, btt, tirolesa, canoagem e tiro com arco – Horário das actividades das 10-12h30 e 15h-17h30. O grupo será dividido em 6 sub-grupos e vão trocando pelas actividades. Cada sub-grupo faz 3 actividades de manhã e outras 3 actividades à tarde. Não é obrigatório que todos façam as actividades e estão previstos locais apenas para descanso ou caminhadas ligeiras para aqueles que o desejarem. Almoço 12h30-15h. O valor da inscrição será entre os 15 e os 25 euros pagos após inscrição em data a indicar.

Neste encontro, de forma informal serão discutidas práticas, mobilizadas estratégias de consolidação das equipas, trocado experiências e criadas redes de colaboração entre Centros Novas Oportunidades.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia Internacional de Histórias de Vida: Divulgação

Por convite da Dra. Filomena Sousa estou a colaborar na organização do Dia Internacional de Histórias de Vida, projecto que acho muito interessante e importante para a valorização da aprendizagem ao longo da vida na sociedade portuguesa actual e futura.

Nos próximos dias irei contactar todos os Centros Novas Oportunidades com que colaboro directamente para identificarem adultos e histórias de vida para serem partilhadas neste projecto.

Este projecto, consolidado por práticas de trabalho anteriormente desenvolvidas pela Cooperativa MemóriaMédia revela-se de uma actualidade fundamental para a valorização da História de Vida como metodologia de trabalho no campo da Educação, mas também, como movimento social de valorização da aprendizagem em contextos diversos a reconhecer por todos.

Assim a causa defendida define-se como:

Todas as pessoas têm um papel na sua comunidade, ouvir as suas histórias é uma forma de promover a integração pessoal e social, é uma forma de promover a identidade e memória colectiva.

O objectivo da campanha:
  • Criar uma rede (movimento) nacional de voluntariado que sensibilize o país para a importância da partilha de histórias de vida
  • Contribuir para que a história de cada pessoa seja valorizada pela sociedade.
As acções:
  • Programação, nos dias 15, 16 e 17 de Maio, de eventos que abordem a temática das Histórias de Vida;
  • Encontros com uma, duas ou mais pessoas que partilhem histórias da sua vida - encontros organizados em todo o país por entidades públicas, privadas, colectivas e individuais - municípios, bibliotecas, associações, escolas, universidades, particulares e outras entidades).