sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fórum Qualificação 2009

«A Agência Nacional para a Qualificação, em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional e as Direcções Regionais de Educação, vai organizar o Fórum Qualificação 2009: Escolhas com Futuro, nos dias 7, 8 e 9 de Maio, na Exposalão, na Batalha. Trata-se da segunda edição desde evento, depois do sucesso que constituiu a realização do primeiro Fórum, em Junho de 2008, no Centro de Congressos de Lisboa. Esta iniciativa, aberta ao público em geral, terá como destinatários privilegiados os jovens que se encontrem a concluir o 3º ciclo do ensino básico (9º ano de escolaridade) ou que estejam no início do ensino secundário e pretendam repensar o seu trajecto escolar ou formativo. 
Este evento terá o formato de uma "vila das profissões", onde decorrerá uma mostra de projectos, trabalhos e actividades desenvolvidos pelos alunos e/ou formandos das escolas e centros de formação profissional, com mais de cem stands e espaços apropriados a actividades de animação. Nesta vila, cada praça corresponde a uma grande área de educação/formação, assinalada pela cor e por sinalética, existindo ainda espaços de descanso e um jogo: a Roda das Profissões. Através de actividades lúdicas, os jovens visitantes vão poder associar formações a profissões e conhecer as competências e os saberes inerentes a cem saídas profissionais. 
Tal como sucedeu na edição de 2008, cada stand representará um curso e as respectivas saídas profissionais, através de actividades práticas. Esta mostra será assegurada por mais de cem entidades, representando modalidades formativas de dupla certificação para jovens (cursos profissionais, cursos de aprendizagem e cursos de educação e formação).
O Fórum Qualificação 2009: Escolhas com Futuro assume como objectivos principais divulgar a diversidade de cursos contemplados pelas diferentes modalidades de educação e formação; promover as ofertas profissionalizantes junto dos jovens que concluíram o 9º ano de escolaridade, das comunidades educativas e formativas e do tecido empresarial e socioeconómico; valorizar socialmente as formações e as certificações adquiridas pelos jovens no âmbito dos cursos profissionalizantes; evidenciar as vantagens das aprendizagens centradas no desenvolvimento de competências em detrimento de aprendizagens focadas na transmissão de conteúdos; disseminar as vantagens obtidas com os cursos que conferem dupla certificação (escolar e profissional), incentivando à procura das vias profissionalizantes e, ainda, despertar o interesse das entidades empregadoras pelas vantagens resultantes da contratação de jovens que concluíram percursos profissionalizantes.
A selecção das entidades participantes foi feita com base nos projectos apurados num concurso lançado em Janeiro passado, intitulado "Projectos com Futuro", e ainda de alguns convites que as entidades organizadoras decidiram efectuar, colmatando lacunas em aberto.
O Fórum Qualificação 2009 estará aberto durante os três dias, entre as 10h00 às 18h00, no Pavilhão 3 da Exposalão, na Batalha, esperando-se que a mostra reúna aproximadamente quinze mil visitantes, oriundos de todo o país.»

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sobre o Encontro de dia 18 de Abril: Góis

Devido a um conjunto de e.mails que recebi a pedir esclarecimentos sobre o encontro "RVCC e Aprendizagem ao Longo da Vida: Desafios Radicais" que terá lugar no dia 18 de Abril em Góis deixo um conjunto de informações em resposta:

O encontro esteve incialmente ligado aos Centros Novas Oportunidades com que trabalho directamente. Devido ao número de pedidos e ao número limite de inscrições são considerados ainda inscrições de Centros Novas Oportunidades que manifestem o seu interesse em participar.

Para participar, todos os Centros Novas Oportunidades devem enviar-me um e.mail com o nome completo, função e contacto dos elementos das equipas que irão estar presentes (principalmente devido ao registo no seguro que é obrigatório). A data até à qual o podem fazer é ao dia 3 de Abril.

O dia consistirá no seguinte:
– Multiactividade em Góis com slide, rapel, btt, tirolesa, canoagem e tiro com arco – Horário das actividades das 10-12h30 e 15h-17h30. O grupo será dividido em 6 sub-grupos e vão trocando pelas actividades. Cada sub-grupo faz 3 actividades de manhã e outras 3 actividades à tarde. Não é obrigatório que todos façam as actividades e estão previstos locais apenas para descanso ou caminhadas ligeiras para aqueles que o desejarem. Almoço 12h30-15h. O valor da inscrição será entre os 15 e os 25 euros pagos após inscrição em data a indicar.

Neste encontro, de forma informal serão discutidas práticas, mobilizadas estratégias de consolidação das equipas, trocado experiências e criadas redes de colaboração entre Centros Novas Oportunidades.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia Internacional de Histórias de Vida: Divulgação

Por convite da Dra. Filomena Sousa estou a colaborar na organização do Dia Internacional de Histórias de Vida, projecto que acho muito interessante e importante para a valorização da aprendizagem ao longo da vida na sociedade portuguesa actual e futura.

Nos próximos dias irei contactar todos os Centros Novas Oportunidades com que colaboro directamente para identificarem adultos e histórias de vida para serem partilhadas neste projecto.

Este projecto, consolidado por práticas de trabalho anteriormente desenvolvidas pela Cooperativa MemóriaMédia revela-se de uma actualidade fundamental para a valorização da História de Vida como metodologia de trabalho no campo da Educação, mas também, como movimento social de valorização da aprendizagem em contextos diversos a reconhecer por todos.

Assim a causa defendida define-se como:

Todas as pessoas têm um papel na sua comunidade, ouvir as suas histórias é uma forma de promover a integração pessoal e social, é uma forma de promover a identidade e memória colectiva.

O objectivo da campanha:
  • Criar uma rede (movimento) nacional de voluntariado que sensibilize o país para a importância da partilha de histórias de vida
  • Contribuir para que a história de cada pessoa seja valorizada pela sociedade.
As acções:
  • Programação, nos dias 15, 16 e 17 de Maio, de eventos que abordem a temática das Histórias de Vida;
  • Encontros com uma, duas ou mais pessoas que partilhem histórias da sua vida - encontros organizados em todo o país por entidades públicas, privadas, colectivas e individuais - municípios, bibliotecas, associações, escolas, universidades, particulares e outras entidades).

terça-feira, 31 de março de 2009

Conhecimento: Dinamizar a Consolidação nos CNO

Existe, cada vez mais, uma necessidade dos Centros Novas Oportunidades consolidarem práticas e organizarem o conhecimento produzido pelos diferentes elementos da equipa, assim como, da transferência de práticas entre Centros e entre elementos das equipas. Seria bom ter em conta algumas ideias como:

« O Conhecimento apresenta características como:
• O conhecimento é "divulgável" e auto-reproduz-se (isto é, expande-se à medida que é utilizado);
• O conhecimento é passível de substituição (novos conhecimentos, que elevam a produção e a produtividade, podem induzir ao abandono de antigos paradigmas);
• O conhecimento é transportável (pode ser transmitido para qualquer lugar do mundo na velocidade da luz); e
• O conhecimento é "compartilhável" (sem prejuízos àquele que desenvolveu um conhecimento, o mesmo pode ser transferido para outras pessoas).

Processos estratégicos devem ser mapeados e trabalhados do ponto de vista da gestão do conhecimento; também as competências, devem ser mapeadas, e determinados os gaps de capacitação a serem providos. A memória organizacional deve ser registrada e documentada, além de estar sujeita a mecanismos de recuperação e socialização (bancos de dados, sistemas de gestão electrónica de documentos, mecanismos de busca e indexação); uma ontologia (descrição dos objectos do sistema, com atributos e relações) deve ser estabelecida, já que o conhecimento, como visto anteriormente, tem também o seu lado objectivo. Heurísticas, algoritmos e procedimentos precisam interligar os objectos, na forma de relacionamentos. Finalmente, devem ser estabelecidos indicadores de desempenho estratégicos, como forma de se medir a eficácia do sistema.»
Fonte: aqui.

segunda-feira, 30 de março de 2009

As vantagens do processo de RVCC.

Nas minhas visitas entre páginas dos Centros Novas Oportunidades, encontrei uma boa definição para as vantagens no ingresso e conclusão de um percurso de RVC.

  • Possibilitar a conclusão do ensino secundário, sem ter de voltar ao ponto da formação académica em que ficou;
  • aumentar o nível de qualificação;
  • melhorar a sua situação profissional;
  • facilitar a sua progressão na carreira;
  • dispor de mais saídas profissionais;
  • permitir o prosseguimento dos estudos de nível superior;
  • incentivar o interesse pela formação ao longo da vida;
  • favorecer a auto-estima, a auto-confiança e a autonomia;
  • proporcionar uma maior valorização pessoal;
  • promover o seu estatuto social.
Fonte: aqui.

Gestão do Conhecimento: Dinâmicas Locais

domingo, 29 de março de 2009

Mais um encontro? Dia 18 de Abril

O desafio foi-me lançado pelo coordenador do CNO da Escola Secundária da Anadia. Chegou sob a forma de uma pergunta: "porque não juntas os CNO com quem trabalhas e fazes um encontro?". Eis a minha resposta.

Durante este fim-de-semana enviei para todos os Centros Novas Oportunidades com que colaboro um convite para um "encontro". Por estar um pouco cansado do modelo de encontros com conferências e palestras, o desafio é outro.

No próximo dia 18 de Abril, entre as 9.30 horas e as 18.00 horas, os Centros Novas Oportunidades que aceitarem o desafio que enviei no convite irão reunir-se em Góis para um dia de partilha, troca de ideias e ainda: uma multiactividade com slide, rapel, btt, tirolesa, canoagem e tiro com arco. Para os menos aventureiros haverá espaço para uma caminhada ou simplesmente um espaço para admirar a paisagem e aproveitar o ar da serra. No intervalo um almoço para provar a gastronomia da região. As inscrições decorrem até dia 3 de Abril, via e-mail.

No entanto este encontro tem objectivos claros. Desde o team-building, ao conhecimento de práticas entre equipas e reflexão conjunta sobre a Educação e Formação de Adultos. Este encontro, sendo ao ar livre, conta com todos para ser um momento único de partilha e aprendizagem informal.

sábado, 28 de março de 2009

Encontro e Júri.

Falar hoje em Educação e Formação de Adultos é referir este movimento actual de transformação das aprendizagens ao longo da vida em processos de reconhecimento da Escola como local de integração e redescoberta de percursos de qualificação.

Por convite do Director do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado (Joane – Vila Nova de Famalicão) estive presente como moderador no Encontro “Desafios da Aprendizagem ao longo da Vida: Consolidar e (Trans) Formar para o Futuro”. Foi um encontro interessante pelas apresentações realizadas pelos oradores, mas também, pelas indicações deixadas. De referir a interessante reflexão em torno do presente e futuro da Iniciativa Novas Oportunidades e resultados da Avaliação Externa em curso, realizada pela Dra. Maria do Carmo Gomes (ANQ) ao destacar a mudança que o processo tem nos adultos que frequentam o percurso de RVC e que são de registar no desenvolvimento de competências transversais em todas as áreas. Destaco também a apresentação feita pelo Prof. Eugénio Peixoto sobre o processo de acesso ao Ensino Superior “+ de 23 anos”. A experiência da Universidade do Minho neste campo é de um trabalho de qualidade com resultados muito positivos. Estiveram também na mesa que tive a honra de moderar a Dra. Olívia Santos Silva e o Prof. Luís Alcoforado, que realizaram apresentações sobre Educação e Formação ao Longo da Vida. Tenho que destacar o que referi, no final do evento, que este foi dos primeiros encontros em que não ouvi falar na luta pela qualidade. Para mim este é um ponto muito positivo. Indica que o trabalho realizado pelos CNO é hoje um dado consolidado na qualidade como objectivo central. Gostei de lançar a ideia que agora é necessário recentrar o discurso, preocupação e estratégia no reconhecimento social do processo. Um desafio de futuro composto por muitas batalhas a travar num tempo próximo. Foi também, muito positivo encontrar pessoas que, pela distância, só consigo (re)encontrar nestes momentos.

Estive também numa Sessão de Júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Queria destacar a presença da equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de São Pedro do Sul, que acompanhou o dia de trabalho. Tenho que referi a abertura que a equipa do CNO da E.S. da Gafanha da Nazaré tem demonstrado na partilha de conhecimentos, práticas e recursos com outros CNO. É sempre muito positivo verificar esta abertura. Quero ainda destacar um momento de apresentação de um dos adultos que terminava o seu processo de RVC Secundário e que teve a presença do profissional RVC que o acompanhou no início do processo e que se deslocou para assistir. É de referi que observei também o regresso de adultos que já tinham terminado o seu processo e que se deslocam ao centro quer para (re)visitar a equipa, quer para procurar informação complementar para a sua qualificação. Este espírito revela um trabalho de elevada qualidade, dedicado aos adultos e à qualificação, muito para além do que é pedido a cada um dos elementos da equipa.

Deixo, como sempre, os meus sinceros parabéns aos adultos que terminaram o seu processo de RVC e que, com a vontade de regressar ao percurso de aprendizagem, procuram agora novos caminho de qualificação. Parabéns!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nova Campanha: Novas Oportunidades

A ANQ lançou uma nova campanha de publicidade sobre a Iniciativa Novas Oportunidades, vertente adultos. O relato da Vanessa Fernandes está bem conseguido e a imagem da meta e objectivo pessoal da qualificação é uma ideia inteligente e bem estruturada. Se o papel da adesão está conseguido, o papel do esclarecimento e aposta no reconhecimento social do processo de RVC e das ofertas de formação para Adultos está ainda a começar e tem que ser uma aposta a curto prazo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Relato: Profissional RVC

Tenho, por hábito, de tempos a tempos, colocar neste espaço relatos de adultos que terminam o seu processo de RVC. Hoje decidi colocar um relato de uma profissional, principalmente pelo seu conteúdo. Aqui fica:

"Hoje tive uma experiência marcante, para juntar a tantas outras que vou vivendo nos percursos da vida. Hoje bateu-me à porta um senhor. Estava muito sujo, de barba por fazer, primeiro pensei (no pensamento estúpido que vamos formando na rotina dos dias...) que se tivesse enganado. Mas não, era mesmo para o Centro, percebi-o assim que se sentou e me disse, com um olhar vivo e brilhante, que há muito tempo que ouvia um anúncio na rádio por "causa de se voltar à escola". O mesmo olhar que reconheço sempre em quem tem curiosidade, em quem quer aprender, sempre mais e mais, contra o fatalismo da idade ou das convenções sociais. O senhor não tem quaisquer habilitações, não sabe ler nem escrever, apenas assinar o nome numa escrita rudimentar, que fez questão de me mostrar no novíssimo Cartão do Cidadão. Pegámos nesse mesmo cartão para tentar ver o que sabia o senhor afinal. Soletrou com orgulho: P-O-R-T-U-G-A-L. Não sabe juntar as letras, por isso, apesar de as soletrar, não sabia que ali estava escrito o nome do seu país. Fiquei esmagada. Não por ser a primeira vez que contactava com uma pessoa analfabeta ou por achar que não existem (há quem diga por aí que o analfabetismo em portugal é "residual..."). Felizmente vivo no mundo real, real demais. No mundo em que há um senhor de 68 anos que me diz: "tem-me feito mais falta ler e escrever do que o pão". No mundo em que no ano passado, recentemente, não foi autorizado um curso de alfabetização para 9 (N-O-V-E) pessoas. Porque eram só N-O-V-E. Não hei-de descansar enquanto essas nove pessoas, mais o senhor Artur, mais outras que estejam "perdidas" noutras instituições tenham a OPORTUNIDADE de ter o direito fundamental de aprender a ler e a escrever. Quando lhe disse que, neste momento, não tinha resposta para lhe dar, o senhor chorou e disse "nós é que precisávamos! tem-me feito tanta falta! eu não pude mesmo estudar, com 4 anos já andava a criar cabras". Este é o Portugal real, fora dos gabinetes onde se decide a certificação e/ou a qualificação. Deixei-me estar com o senhor Artur, sem olhar para o relógio, sem pensar em sistemas informáticos que tentam controlar o nosso tempo. E naquele momento ouvi aventuras vividas em França, em Espanha, e a dureza da vida que o afastou da escola, que agora procura, com 68 anos, disposto a ir "para onde for" para aprender a ler e a escrever. "Vai aprender", respondi-lhe.»
Fonte: aqui.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Experiência e Aprendizagem: Igual?

«Os princípios de base nos quais se suportam as práticas de reconhecimento e de validação encontram-se em coerência com a perspectiva da aprendizagem experiencial dos adultos, ao valorizarem as aprendizagens resultantes de uma diversidade de contextos e de situações e ao lhes atribuírem legitimidade. No entanto, experiência e aprendizagem não são sinónimos; não são as experiências que são reconhecidas e validadas, mas sim as aprendizagens e as competências que resultam de um processo de aprendizagem experiencial; como evidenciámos, a experiência é a base e a condição para a aprendizagem, e, para que seja formadora, ela tem de ser reflectida, reconstruída, conscientizada. O resultado deste processo é a elaboração de novos saberes, de novas representações, contribuindo para a transformação identitária da pessoa e da sua relação com o mundo. O saber resulta do confronto e da transformação da experiência
Fonte: Aprendizagem de adultos: contextos e processos de desenvolvimento e reconhecimento de competências, Ana Luísa Pires.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Encontro RVCC: 3 de Abril - Gafanha da Nazaré

No dia 3 de Abril de 2009, terá lugar o encontro RVCC - Troca de Experiências. Fica, em formato de consulta, o programa do evento. Para inscrições e informações consultar o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré.

Encontro RVCC[1] Encontro RVCC

Mudança na Realidade: Reflexão.

«Numa sociedade baseada no conhecimento, os indivíduos devem continuar a actualizar e a melhora as suas competências e qualificações e recorrer a um leque de contextos de aprendizagem tão vasto quanto possível. (…)
As lacunas (ainda) a colmatar resultam frequentemente de uma visão por demais limitada às exigências da empregabilidade ou de uma tónica exclusivamente colocada na recuperação daqueles que escaparam por entre as malhas do ensino inicial. Estes elementos justificam-se, mas não constituem em si mesmos uma estratégia de aprendizagem ao longo da vida que seja verdadeiramente integrada, coerente e acessível a todos.»
Fonte: Relatório intercalar conjunto do Conselho e da Comissão Europeia (2004)

Com a Iniciativa Novas Oportunidades num momento e ano de desenvolvimento acelerado, penso que este aviso, como outros realizados no âmbito das análises que têm sido feita pelos países da União Europeia são de ponderar. Não estaremos a centrar a resposta dada pelos Centros Novas Oportunidades exclusivamente “na recuperação daqueles que escaparam por entre as malhas do ensino inicial”? Sei que alguns irão comentar que a criação do Catálogo Nacional de Qualificação responde a essa questão. Mas eu refiro-me à questão do reconhecimento social do processo e não à articulação escola-trabalho. As parcerias entre escolas e empresas, a articulação com elementos, organizações e entidades externas, a capacidade de prospectivar e consciencializar para caminhos de qualificação são estratégias fundamentais para o valor estrutural do processo. São precisas políticas nacionais para responder ao movimento da Iniciativa Novas Oportunidades como um todo. Como uma efectiva alteração do modelo social e pessoal. Tenho a destacar que li, recentemente, um comentário que me deixou preocupado. Dizia uma adulta que tinha acabado o processo de RVC de nível Secundário que se sentia profundamente desiludida pois, apesar de ter feito um trabalho de qualidade no processo e após o mesmo, a sua situação face ao emprego (neste caso, desemprego) permanecia. Sabemos que o momento que o mercado de emprego não favorece a resolução desta situação. No entanto, o que dizer a tantos adultos que querem obter formação ou desenvolver competências depois de terminarem um determinado grau de certificação escolar e que não encontram na lei (e principalmente nas atitudes e apoios) uma possibilidade de resposta para essa mesma vontade? Penso que está na altura de pensar a nível transversal e global. É preciso que esta Iniciativa possa mudar, de facto, a forma como todos olhamos para a aprendizagem ao longo da vida. Que não seja só essa recuperação de percursos escolares ou de qualificação profissional mas, antes de tudo o resto, uma oportunidade para mudarmos a forma como o conhecimento, os saberes, a informação e formação tomam parte integrante, estruturante e efectiva na melhoria do desempenho de cada um dos adultos não só no momento actual como ao longo de um futuro incerto e imprevisível. Urge pois, pensar uma política integrada de resposta à qualificação e valorização pessoal e profissional e não nos limitarmos às conquistas (de valorizar) que foram atingidas. É altura de pensar a longo prazo. Consolidar um projecto é tão importante como o implementar e regular. Se no terreno os Centros Novas Oportunidades começam a pensar em redes de colaboração, precisamos agora, de alertar para a necessidade de políticas articuladas para a integração desta nova realidade que resulte numa efectiva valorização da aprendizagem ao longo da vida. Fica mais uma reflexão.

domingo, 22 de março de 2009

Aprendizagens: Significativa vs Mecânica

«Novak (1980) salienta que a aprendizagem significativa apresenta quatro grandes vantagens sobre a aprendizagem por memorização ou mecânica:

• Os conhecimentos adquiridos significativamente ficam retidos por um período maior de tempo.
• As informações assimiladas resultam num aumento da diferenciação das ideias que serviram de âncoras, aumentando, assim, a capacidade de uma maior facilitação da subsequente aprendizagem de materiais relacionados.
• As informações que não são recordadas (são esquecidas), após ter ocorrido a assimilação, ainda deixam um efeito residual no conceito assimilado e, na verdade, em todo o quadro de conceitos relacionados.
• As informações apreendidas significativamente podem ser aplicadas numa enorme variedade de novos problemas e contextos.»

Fonte: aqui.


sábado, 21 de março de 2009

Júris, Aprendizagens e Processos

Falar de trabalho colaborativo entre Centros Novas oportunidades, quer numa região, quer na troca de recursos e práticas a nível local é falar de qualidade. Quando essa articulação se transforma numa realidade entre diferentes agentes, como empresas ou organizações, falamos de uma efectiva transformação e reconhecimento do processo de RVC.

Estive presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades do IETC. Fazia já algum tempo que não acompanhava este centro. Penso que, por se situar numa zona geográfica diferente das que tenho acompanhado senti a diferença no que concerne ao trabalho realizado. Penso que, cabe aos Centros Novas Oportunidades, criar modelos de trabalho enquadrando-se no público-alvo que “servem” e com isso dar uma resposta de qualidade. Penso que a equipa que encontrei, dedicada e competente, deve criar mecanismos de melhoria do processo em função do público-alvo e dos seus objectivos. O desafio é grande mas a capacidade também.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Três adultos apresentaram o resultado do seu trabalho para certificação de nível Secundário. Tenho que destacar aqui uma situação que registei. Um adulto, com competências evidentes para o processo de RVC, devido a uma auto-estima e receio de “arriscar” mostrou um conjunto de trabalho (obras de pintura) que revelavam a sua imensa capacidade de interpretar o mundo e o que o rodeava. Um excelente trabalho realizado com uma equipa de qualidade.

Estive presente em mais uma sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Pombal. Também, três adultos, apresentaram o seu trabalho. Devo registar aqui que nesta sessão uma adulta que tinha já realizado o processo de RVC Básico se apresentou, um ano e pouco depois, para certificação do nível Secundário. Refiro, muitas vezes aos adultos que o processo de RVC Secundário nem sempre é o melhor caminho após a realização do processo de nível Básico. Não era este o caso pois a adulta revelou uma dedicação, um conjunto de competências e uma vontade de aprender que a levaram até a nova sessão de júri. Destaco também a qualidade das apresentações dos dois adultos que realizaram um bom trabalho.

Uma sessão de júri levou-me ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Um conjunto de adulto muito interessante apresentou o seu trabalho para certificação do Nível Básico. Tenho que destacar uma apresentação. A do Sr. Joaquim Ramos e Silva. Se a essência do processo RVC é o reconhecimento de competências adquiridas ao longo da vida o Sr. Joaquim Ramos e Silva personificava essa essência quer pela sua história de vida, quer pela forma como articula as aprendizagens em contexto com competências e reflexões pessoais. Os meus sinceros parabéns aos adultos e ao trabalho realizado pela equipa.

Um regresso levou-me a uma sessão de júri ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Arganil. Também já há algum tempo que não acompanhava esta equipa e este centro. A júri apresentaram-se três adultos para o nível Secundário. Tenho que destacar a qualidade, e acima de tudo, a autenticidade dos Portefólios que foram apresentados. Uma equipa que consolidou um trabalho de exigência centrado nessa autenticidade está no caminho de um reconhecimento do processo a nível local e da comunidade. Parabéns aos adultos pelo trabalho que apresentaram e à equipa pelo modelo de trabalho que conseguiram construir.

Por último, uma visita ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Tenho que destacar o dinamismo e a capacidade de trabalho da equipa que, nesta sessão de júri, apresentou o resultado de uma parceria entre o Centro Novas Oportunidades e uma empresa de construção civil, a Socértima, que resultou num trabalho de valorização da aprendizagem ao longo da vida de vários trabalhadores da empresa, assim como, de vários adultos que concluíram a equivalência ao nível básico. Estas parcerias abrem as portas para a qualificação e certificação profissional para muitos trabalhadores e é de valorizar o apoio dado pela empresa a esses mesmos trabalhadores que viram novas portas abrirem-se na sua caminhada para a aprendizagem ao longo da vida.

A todos os adultos e às equipas, o meu reconhecimento pessoal e profissional pela dedicação e trabalho realizado. Sinceros parabéns a todos!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Um recursos: Plano de Desenvolvimento Pessoal

Seguindo um conjunto de passos este recurso cria um Plano de Desenvolvimento Pessoal. Visite clicando na imagem.


quarta-feira, 18 de março de 2009

Competências: É possível formar?

«As competências manifestadas por essas acções não são, em si, conhecimentos; estas utilizam, integram ou mobilizam tais conhecimentos. Uma competência nunca é a implementação racional pura e simples de conhecimentos, de modelos de acção, de procedimentos. Formar em competências não pode levar a dar as costas à assimilação de conhecimentos, pois a apropriação de numerosos conhecimentos não permite sua mobilização em situações de acção. A construção de competências, pois, é inseparável da formação de esquemas de mobilização dos conhecimentos com discernimento, em tempo real, ao serviço de uma acção eficaz. Os esquemas constroem-se ao sabor de uma formação, de experiências renovadas, ao mesmo tempo redundantes e estruturantes, formação essa, tanto mais eficaz quando associado a uma postura reflexiva.
Fala-se, às vezes, em competências apenas para insistir na necessidade de expressar os objectivos de um ensino em termos de condutas ou práticas observáveis; ou seja, retoma-se a tradição da pedagogia do domínio ou das diversas formas de pedagogia por objectivos. A assimilação de uma competência a um simples objectivo de aprendizagem confunde as coisas e sugere, erradamente, que cada aquisição escolar verificável é uma competência, quando na verdade a pedagogia por objectivos é perfeitamente compatível com um ensino centrado exclusivamente nos conhecimentos.»
Fonte: aqui.

terça-feira, 17 de março de 2009

Dossiê/Portefólio: Do papel ao Digital


Fonte e mais informação pode ser consultada aqui: CONSTRUÇÃO DE UM E-PORTEFÓLIO

segunda-feira, 16 de março de 2009

O que é um Portefólio?

Importa sublinhar, antes do mais, que um Portefólio não é um mero repositório de trabalhos "organizados" numa pasta de arquivo ou numa caixa.
O Portefólio é uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos, reflexões, narrativas produzidos por um adulto, ao longo de um dado período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada e pormenorizada quanto possível das diferentes componentes do seu desenvolvimento e das suas competências.
Na medida em que o Portefólio é um instrumento de avaliação, pode dizer-se que se trata de um conjunto de elementos, acompanhados de indicações e de comentários estruturados, escolhidos pelo adulto, com a finalidade de demonstrar a evidência e o desenvolvimento das competências. Ou seja, este instrumento permite ao adulto identificar os elementos significativos relativamente a progressão das suas aprendizagens ao longo da vida. Desta forma, este instrumento pode ser entendido como o reflexo do percurso do adulto, ao mesmo tempo que permite aos elementos das equipas dos Centros Novas Oportunidades ajustar as suas intervenções de forma adequada.

Antes do adulto fazer a recolha dos documentos, deve ser informado dos critérios de sucesso e objectivos (podendo criar uma planificação pessoal do PRA) que se espera encontrar no seu portefólio e da reflexão que ai deve incluir. Os critérios podem ser, por exemplo, sobre:
- a apresentação visual/gráfica dos documentos;
- a qualidade da língua/do discurso;
- a organização do portefólio;
- a pertinência dos documentos incluídos.
O Portefólio não é elaborado só para o Adulto. Ele é um instrumento comum entre o Adulto e a Equipa, por isso, deve permitir respostas concretas e saber:
- Situar-se facilmente?
- Perceber porque é que os documentos escolhidos são pertinentes?
- Tem reflexões? De que natureza? Em que medida estão ajustadas às orientações da Equipa? E à História de Vida?

Adaptados dos conceitos encontrados aqui.

Criar uma metodologia: EFA

Vou dedicar algumas reflexões e deixar algumas ideias de fundamento para a teoria que estou a desenvolver para o trabalho na Educação e Formação de Adultos. A ideia de uma teoria/metodologia designada de "Connecting the Dots" (Ligar os pontos) no que concerne à Educação e Formação de Adultos exige alguma reflexão de fundamentação inicial.

Durante alguns anos e acompanhando muitos processos de RVC, vi muitas vezes representações da história de vida, promovidas inicialmente em dinâmicas individuais, que representavam o tempo e a vida como uma linha. Ou como um gráfico. Mas e se o tempo não for linear? E se não passar de uma sequência de acontecimentos a que nós, por uma lógica personalizada, procuramos dar sentido. Lembro-me das leituras das obras de Stephen W. Hawking. Ora, tomemos então como lógico que cada um de nós, com as aprendizagens da vida, nos centramos em momentos que são, para nós, claros, objectivos, emocionalmente válidos e lógicos do ponto de vista das aprendizagens.

Tomemos ainda como ideia de base que, as aprendizagens pela experiência são realizadas num contexto concreto que promove uma competência de actuação nesse mesmo contexto que pode, ou não, ser transferível para outros contextos. Tomemos ainda como base a ideia que muitos destes adultos são, por via do regresso à escola, incluídos num novo contexto: o digital.

Desenho então, com base nestes dois fundamentos uma linha de desenvolvimento para a Educação e Formação de Adultos, tendo por base a teoria "Connecting the Dots".

Tendo por base os princípios fundamentais de um processo de Reconhecimento de Competências, o primeiro passo é “descobrir”, com o adulto, os seus marcos de aprendizagem. Este processo exige tempo, dedicação, humildade e uma imensa capacidade de observação por parte do técnico que acompanhará o adulto nessa “viagem”. Só existe, para esta fase, o caminho da entrevista orientada. Destruindo este termo técnico, o técnico e o adulto devem conversar e pensar. Sobre a história de vida do adulto, mas, acima de tudo, sobre os pontos/momentos de aprendizagem que, ao longo da vida se foram estruturando e consolidando como competências.

Aqui o papel do técnico, como do adulto, será registar esses momentos. Não no sentido de serem uma linha de tempo ou uma história de vida. A ideia é mesmo, tomando com imagens um álbum de fotografias, que o adulto construa esse conjunto de registos, independentes ou sequenciais mas de acordo com a sua própria concepção dos mesmos. Há, no entanto um papel fundamental do técnico. Acompanhar o adulto nesse registo de forma a promover uma forma de dissecar essas vivências e descobrir com o adulto os conhecimentos, aptidões e capacidades. No fundo, o que teremos, no final desta fase é uma história de vida que é um mapa. Um mapa que liga pontos entre si, da forma que o adulto os entende como válidos para si e observando em conjunto com o técnico os saberes adquiridos ao longo da vida. Fica, em imagem, o que poderia ser um desses mapas.

Desenhado este momento, cabe ao técnicos, apoiado pelos formadores, fazer uma análise desses marcos. A proposta de construção de um percurso de formação nasce nesse momento. Tal como o mapa inicial construído pelo adulto a equipa fará um segundo mapa ligando pontos que se transformam em potenciais roteiros de aprendizagem.

O momento seguinte é um processo de negociação entre os objectivos do adulto e o roteiro proposto pela equipa. Se pensarmos no actual momento e implementação do processo de RVC nos Centros Novas Oportunidades, teríamos uma etapa de RVC e outra de formação. Ambas obrigatórias. Complementares entre si. Criadas à medida do adulto e em função de objectivos de aprendizagem claros e prospectivos, ligando pontos da história de vida passada e expectativas para o futuro de acordo com as competências a mobilizar/desenvolver.

E ficam mais umas ideias…