sábado, 28 de fevereiro de 2009

Encontro EFA - NS: Gafanha da Nazaré

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré vai organizar, no próximo dia 4 de Março, um encontro de trabalho e formação no âmbito das actividades de Educação e Formação de Adultos, numa articulação entre equipas de Cursos EFA e RVCC. Fica, em baixo, o programa do encontro e informações para inscrições.




Júris, visitas e qualificação.

Coloquei neste blog, outro dia, um esquema que relacionava o tempo com a aprendizagem. Considero que o trabalho realizado nos Centros Novas Oportunidades deve ter em conta esta equação. E que essa equação deve transformar-se num princípio. Que o trabalho de RVC leva o tempo que cada adulto tem como necessário para o auto-reconhecimento das suas competências.

Estive presente numa sessão de júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Nacional de Bombeiros. Dois adultos apresentaram-se para conclusão do seu processo de RVCC de nível secundário. No decurso de uma sessão individual, com mais ou menos uma hora de debate, troca de ideias e análise do processo vi o trabalho de qualidade que realizaram com uma equipa que dedicou o seu melhor a um processo orientado para a história de vida de cada um destes adultos e para que estes vissem as suas competências reconhecidas num processo que valorizou a experiência e aprendizagem do Sr. Joaquim Seco e o Sr. Ilídio Lopes. À equipa e aos adultos parabéns pelo trabalho realizado.

Fui também acompanhar a sessão de júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Houve uma melhoria contínua entre as sessões de júri de nível secundário neste centro. De facto, uma das melhores características da equipa é a sua contínua procura por melhorar o trabalho realizado com os adultos e para os adultos. Este espírito presente em cada elemento, assim como, uma equipa dedicada ao trabalho com o objectivo da qualidade fizeram com que os dois adultos, ambos trabalhadores da Sociedade Águas do Luso, fizessem apresentações bem estruturadas e concluíssem o seu processo com sucesso e orgulho. Parabéns aos adultos e à equipa.

Por último, o regresso ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Mais uma vez tenho que destacar a qualidade humana da equipa e o apoio dado aos adultos em processo. E quero destacar estes dois pontos com um exemplo. Um dos adultos fez a sua apresentação final no local de trabalho, neste caso, no Porto de Aveiro. A opção foi tomada pela equipa como forma de potenciar as suas competências que, em sala, não seriam evidentes da forma como o foram na visita que organizou para todos os elementos da equipa e para mim, enquanto Avaliador Externo. Estas decisões, muitas vezes simples de tomar, evidenciam um respeito e valorização dos adultos que é de destacar. Parabéns a todos os que terminaram neste dia o seu processo e à equipa pelo trabalho realizado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O que se pede e como se pede.

Uma das questões que me colocam muitas vezes sobre as orientações a dar aos adultos está ligada à forma e ao tempo. Aqui ficam umas pistas de resposta:

«Carroll explicou que a qualidade da instrução depende da clareza com que são comunicadas as exigências da tarefa, de as tarefas serem apresentadas adequadamente, do modo como as tarefas subordinadas têm uma sequência e um ritmo de aplicação adequados, e da forma como são tidas em conta as características e as necessidades dos alunos. O seu modelo também sugere que a perseverança não é só um traço individual do aluno, mas que pode ser alterado pelo professor e pela qualidade da instrução. Por outras palavras, os alunos podem ser motivados para perseverarem durante mais tempo.



Um dos problemas mais difíceis encarados pelos professores é o de saber quanto tempo é «necessário». Como mostra o esquema, isso depende do conhecimento das capacidades e aptidões dos alunos, assim como da tarefa particular de aprendizagem. Como o modelo de Carroll torna óbvio, o uso que o professor faz do tempo não é tão simplista quanto alguns pensam que é.»
Fonte: aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Steve Jobs e a Aprendizagem

Um dos melhores vídeos sobre aprendizagens, competências e o trabalho consistente de as unir por via da História de Vida é este discurso de Steve Jobs (Steven Paul Jobs, mais conhecido como Steve Jobs é um empresário americano co-fundador das empresas de informática Apple Inc, da NeXT e do estúdio Pixar.).

Parte 1:


Parte 2:




(Legendas em Português do Brasil)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Cognição situada e saber prático contextualizado

Tenho sempre para ler, por semana, uma dezena de Portefólios Reflexivos de Aprendizagens de adultos que estão em fase de conclusão do processo de RVC. Nestas leituras tenho reparado na, cada vez maior, situação individualizada do reconhecimento de competências e o afastamento de uma linha muito rica de desenvolvimento de uma análise do saber e cognição situada. Tão importante é a experiência pessoal como o contexto em que esta se desenvolve. Deixo uma ideia fundamental e que pode enriquecer muito o trabalho realizado pelas equipas com os adultos se for pensada de forma estrutural no desenvolvimento dos PRA:

«Um pressuposto que orienta nossos estudos actuais é o carácter “situado” da cognição, ou seja, a ligação indissociável entre o produto de uma actividade, a cultura e o contexto no interior da qual ela se exerce. Desse ponto de vista, a aquisição dos conhecimentos, a aquisição dos saberes, não pode ser considerada exclusivamente como um fenómeno mental e individual, mas como um fenómeno constituído de relações no interior de contextos precisos (Chaiklin e Lave, 1993, Wenger, 1990). Este ângulo de análise considera que a aquisição de saberes, o pensamento e o conhecimento são relações entre as pessoas enquadradas numa actividade no e com um mundo social e culturalmente estruturado (Lave, 1991). Em síntese, o contexto não deve ser visto como um recipiente vazio dentro do qual se inseriria o agir humano, mas como um conteúdo a partir do qual o agir humano tomaria forma. Trata-se de abordar a cultura e o contexto como conteúdos do agir humano e não como continentes desse.»
Fonte: aqui.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carnaval

Votos de um alegre e divertido Carnaval a todos.

Júris, qualificações e desafios...

Há uma palavra constantemente referida no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades: Qualificação. Fala-se em qualificar e em qualificações. Talvez o mais importante seja entender o processo de RVC como essa “porta aberta” para essa qualificação, para o efectivo desenvolvimento de competências, para a consciencialização da importância da formação e da aprendizagem ao longo da vida. É esse o grande desafio deste projecto e de cada um dos elementos das equipas dos Centros Novas Oportunidades perante os adultos em processo.

Estive presente em dois júris no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Já referi e destaquei várias vezes o trabalho que visa a credibilização do processo de RVC que a equipa deste centro leva a cabo. A juntar a esta credibilização, este centro, desenvolve uma preparação para as sessões de júri onde se destaca a própria sessão como um momento de transferência de algumas experiências pessoais entre os adultos, quer ao nível da história de vida, quer ao nível de competências pessoais ou profissionais. Parabéns à equipa pela valorização deste momento no processo, assim como, à dedicação que colocam na sua organizaç
ão.

Estive também presente numa sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho referido a importância do trabalho realizado pela equipa deste centro no contexto de valorização do processo de RVC no seio da comunidade e estrutura social onde se integra. Quero, neste pequeno texto, referir ainda a utilização de um conjunto de instrumentos que valorizam o processo em si mesmo. A articulação entre os formadores e a existência em dossier/PRA de um conjunto de registo das competências e instrumentos de apoio ao processo facilitam uma leitura da forma como este foi construído e dos caminhos traçados até ao resultado final. Deixo, por isso, os meus sinceros parabéns à equipa.

Por último, estive presente também na sessão de júri organizada pelo Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião. Quatro adultas apresentaram o trabalho realizado em processo de RVC, mas, acima de tudo, a conquista que foi a realização de um processo feito com dedicação, rigor, exigência e efectiva valorização do trabalho realizado. Sem dúvida que, como foi dito em nesta sessão, o trabalho quando é realizado com qualidade permite que cada uma das pessoas que passa pelo processo de RVC possa dizer e ter um imenso orgulho no seu Portefólio pois este é, na sua essência, a valorização das aprendizagem realizadas ao longo de toda uma vida. Parabéns à equipa pelo trabalho de rigor que realizaram e pela forma humana e atenta como acompanharam estas adultas.

E a última palavra é sempre para os/as adultos/as. Os meus sinceros e sentidos parabéns pelo trabalho realizado e pelo valor que este processo e cada um dos momentos que ele criou tem e terá nas vossas vidas. Parabéns!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caracteristicas das Competências

«A competência é por natureza contextualizada (situada), corresponde a um relacionamento entre um indivíduo, uma equipa, ou uma organização e os eventos e práticas no seu ambiente. Outra característica é que ela não é mensurável. O que se consegue ver são as actividades que uma pessoa é capaz ou não de realizar e os artefactos desenvolvidos a partir das mesmas. A sua definição deve ser determinada pelos envolvidos regularmente com o exercício dessa competência, isto é, por uma comunidade de prática, virtual ou não.»
Fonte: aqui

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Que competência: Qualificação e Futuro

Uma das principais questões em que tenho reflectido nos últimos tempos está relacionada com a potencialidade de orientação dos adultos no e após o processo de RVC para um efectivo desenvolvimento de novas competências, nomeadamente, ao nível da literacia da (sociedade da) informação. Partilho uma reflexão que li recentemente:

«Devido ao facto de vivermos numa sociedade da informação, que se começou a falar de um novo tipo de analfabetismo afectando a população que, apesar do aumento das taxas e dos anos de escolarização, evidencia incapacidades de domínio da leitura, da escrita e do cálculo, vendo por isso, diminuída a sua capacidade de participação na vida social. Este novo “analfabetismo”, dito funcional, teria a ver com aprendizagens insuficientes, mal sedimentadas e pouco utilizadas na vida.

Entende-se por literacia como a capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação escrita contida em vários materiais impressos, de modo a atingir os seus objectivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos e potencialidades e a participar activamente na sociedade. A definição de literacia vai para além da mera compreensão e descodificação de textos, para incluir um conjunto de capacidades de processamento de informação que os adultos usam na resolução de tarefas associadas com o trabalho, a vida pessoal e os contextos sociais.

Falar de literacia implica:

  • O perfil de literacia de uma população não é algo que possa ser considerado constante, ou seja, que possa ser extrapolado a partir de uma medida temporalmente localizada;
  • O perfil de literacia de uma população não é algo que possa ser deduzido a partir, simplesmente, dos níveis de escolaridade formal atingidos;
  • A literacia não pode ser encarada como algo que se obtém num determinado momento e que é válido para todo o sempre;
  • A literacia não é algo estático, isto é, as competências das pessoas sofrem evolução (positiva ou negativa) das capacidades individuais;
  • Os níveis de literacia têm de ser vistos no quadro dos níveis de exigência das sociedades num determinado momento e, nessa medida, avaliadas as capacidades de uso para o desempenho de funções sociais diversificadas;
  • A literacia consiste num conjunto de competências que se vão aperfeiçoando ao longo do tempo e através da experiência adquirida em pesquisa, selecção e avaliação da informação.»
Fonte: Literacia Informação

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Pegada Ecológica: Explorar

Fui levado, por um adulto em processo de RVC Secundário, a explorar sobre a pegada ecológica. Vale a pena responder às questões e descobrir qual é a nossa marca no planeta.

«A Pegada Ecológica não é uma medida exacta e sim uma estimativa. Ela mostra-nos até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos.»

Visitar o site, aqui.

Fazer o teste, aqui:




O Conhecimento e as Competências: Articulação

Estava ontem a ler um Portefólio Reflexivo de Aprendizagens, de um processo de RVC de nível secundário e lembrei-me dos «Sete saberes necessários à educação do futuro» de Edgar Morin. Um deles está bem expresso e muitas vezes é evidente nos PRA e no trabalho que as equipas, enquanto equipa, transferem para o apoio dado ao adulto na construção do seu PRA. Ainda há, em muitos casos, muito pouca articulação entre as áreas.

«O segundo buraco negro é que não ensinamos as condições de um conhecimento pertinente, isto é, de um conhecimento que não mutila o seu objecto. Nós seguimos, em primeiro lugar, um mundo formado pelo ensino disciplinar. É evidente que as disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. O que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto. É necessário dizer que não é a quantidade de informações, nem a sofisticação em Matemática que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto.»
Fonte: Edgar Morin

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Abordagens Autobiográficas: Síntese

«A história de vida não pode ter um sentido, mas sim vários – na concepção de Pierre Bordieu - o relato não corresponde necessariamente ao real, a vida não é uma história. O que importa é o sentido que o sujeito dá a esse real, de forma que o momento de análise posterior dê conta do indivíduo como social.»
Fonte: Aqui.


Aprendizagem Contínua


«Se eu tivesse de reduzir toda a psicologia educacional a um único princípio, diria isto: o factor singular mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que ele sabe e baseie nisso os seus ensinamentos.» David Ausubel
Fonte: Aqui.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Formação Complementar: Planificar

Uma das principais necessidades que tenho detectado como fonte de dúvidas junto das equipas tem sido como planificar ou estruturar a formação complementar em contexto de processo de RVC. Deixo uma apresentação e um documento que podem ajudar a estruturar essa intervenção, muitas vezes realizado de forma informal e pouco estruturada em função de objectivos concretos e definidos para uma valorização do processo de RVC.

A Metodologia/Estratégia:



Um Modelo de Registo:

Plano Individual de Formação Complementar

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Júris, processos e reconhecimento.

Uma das mais importantes conquistas dos Centros Novas Oportunidades é a sua mobilização dos adultos para um “regresso à escola” que pode ser, do ponto de vista pessoal, um efectivo regresso a um processo de educação e formação que se retoma para um futuro onde a aprendizagem ao longo da vida passe a ser uma constante. Para isso é preciso que cada equipa tenha consciência da mudança que gerou nos adultos que pelas suas mãos vão passando.

Fui convidado para estar presente como Avaliador Externo na primeira sessão de júri do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Maceira. É para mim sempre muito curioso assistir a este momento numa equipa recente e dedicada como a que encontrei em Maceira. Por um lado é um primeiro momento de análise do trabalho realizado. Por outro, resulta de vários meses de articulação, construção de uma equipa de trabalho e de trabalho efectivo dos adultos, profissionais e formadores. Deixo os meus sinceros parabéns aos adultos que terminaram o processo de nível básico e votos que a equipa encontre nesta primeira sessão de júri um momento de reflexão para consolidação de boas práticas e de melhoria de alguns pontos a desenvolver.

Estive também presente numa sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa. Quatro adultos apresentaram-se a júri para validação do nível secundário. Tenho que destacar o trabalho e o cuidado de preparação dos PRA, assim como, da própria sessão de júri que as profissionais deste centro desenvolveram. É sem dúvida um trabalho de rigor e de reconhecimento que é desenvolvido por este centro. Devo destacar o conjunto de apresentações com temáticas muito interessantes que se revelaram um momento de aprendizagem entre todos os presentes. Parabéns a cada um dos adultos e à equipa pelo trabalho realizado.

Regressei ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Já tenho falado muitas vezes deste centro destacando vários factores positivos. Quero hoje deixar uma palavra para os formadores. Tenho tido, nos últimos júris, o privilégio de acompanhar a equipa em momentos mais informais, quer com os adultos, quer apenas com a equipa. Quero destacar a forma como os formadores conseguem estabelecer uma boa relação com os adultos no percurso da sua intervenção. Por tal facto, os meus sinceros parabéns a todos e votos que essa relação humana e profissional com os adultos nunca se venha a perder. Penso que o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré pode evoluir no sentido de criar estratégias de inovação para o processo, pois, a sua capacidade de intervenção está consolidado e sustentada nos princípios de rigor, transparência e reconhecimento. Parabéns aos adultos que terminaram, nesse dia, o seu processo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Uma visita a fazer...

Vale a pena a visita à exposição sobre Darwin presente na Fundação Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, assim como, do site de apoio à mesma que pode ser visitado aqui.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sessões de Desenho de Percurso e Orient(acção)

A orientação sobre a validação de aprendizagens formais destaca duas coisas a ter em conta e que podem não ser muito claras numa primeira leitura.

1. Que existem diferentes públicos e como tal, diferentes percursos e abordagem ao processo de RVCC, respeitando os vários tipos de aprendizagem, assim como, as competências do adulto. Esta é uma nota positiva a destacar. Se por um lado, muitas vezes se refere a uniformidade dos processos como modelo de rigor (que não o é), também muitas vezes se esquece que os adultos têm, de facto, condições de acesso diferente e devem “receber” do Centro Novas Oportunidades, orientações diversificadas em função das aprendizagens de base.

2. Que deve existir um momento formal de “validação” pela equipa. Aquilo a que chamarei “sessões de desenho de percurso e orient(acção).” Estas sessões formais, que esta orientação exige e destaca, serve para a equipa (profissionais e formadores), mediante as condições comprovadas de acesso, desenhar um percurso e estratégias/metodologias à medida de cada situação (e conformidade com a aprendizagem formal, não formal e informal analisada a cada um dos adultos). É fundamental que esta sessão tenha como objectivos a diferenciação de percursos de trabalho em processo de RVC, assim como, de metodologias e abordagens a realizar. No fundo, criar orient(acções) para a equipa abordar o processo com o adulto em função dos seus adquiridos. Esta visão potencia o trabalho orientado em função das condições de entrada do adulto no processo, assim como, dos seus objectivos para este, tal como os seus objectivos para o futuro. 

É fundamental que se olhe para a orientação para a validação de aprendizagens formais como uma forma, para alguns casos, de alguns adultos, verem valorizado a aprendizagem formal que realizaram. É, no entanto, necessária essa reflexão, prudência e articulação no desenho dos percursos para e com os adultos pela equipa, não caindo numa potencial gestão administrativa do processo e implementando com rigor as metodologias de RVC caso a caso em função desse “desenho de percurso” pessoal.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A questão da Qualidade.

Existe no discurso em torno da questão da Iniciativa Novas Oportunidades uma palavra de flutua em quase todos os momentos: Qualidade.

«Um personagem de Moby Dick, a magnífica obra-prima de Herman Melville, diz com orgulho: "Não me agradam os trabalhos que não sejam bem-acabados, limpos, precisos, como devem ser; algo que comece regularmente do princípio, que ao meio esteja na metade e, no fim, esteja concluído". Essa é a definição mais lúcida do conceito de qualidade.

Para manter uma alta qualidade, é necessária a acção conjunta de muitos factores. É requerida a criatividade, que, por sua vez, é uma síntese mágica da imaginação para produzir ideias e da força de realizá-las. É preciso ter uma dimensão global para ser reconhecido no mundo todo, sem abrir mão de conservar a dimensão local. É necessário unir a ética com a estética para dar alegria e segurança. Exige uma boa relação com o tempo para evocar o passado e antecipar o futuro. Enfim, para conseguir que os produtos de nosso trabalho e a experiência de nossa vida sejam "de qualidade" é necessário ter a coragem de nos renovar continuamente. Como disse Gilberto Freyre: "Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro, nem nas ideias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental". Fonte: Aqui.

Ao acompanhar vários Centros Novas Oportunidades tenho tido a sorte de encontrar equipas que não falam de qualidade. Não falam porque a praticam. Penso, que na maioria dos casos, este discurso não era necessário. O dicurso necessário passa agora pela exigência, rigor e principalmente pelo reconhecimento. Abordarei estes 3 conceitos num texto próprio, em breve. Como desafio fica a imagem que acompanha este texto e que ilustra o que desejo explicar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Emprego: Informação Organizada

A visita ao site da Iniciativa Emprego 2009 vale, principalmente, pela organização da informação. Uma ajuda em tempos em que a informação é necessária neste campo.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A nova Orientação: Análise de Risco...

Ao consultar o documento «Orientação técnica para os Centros Novas Oportunidades: validação de aprendizagens formais» devo dizer que a minha primeira abordagem foi de alguma dúvida. Vou, como sempre o faço, nos próximos tempos observar com atenção como, no terreno serão acolhidas e principalmente, implementadas, algumas ideias desta orientação. E vou deixar aqui as minhas dúvidas com base no texto.

1. Cito:
«Torna-se, de facto, indispensável clarificar junto da rede de Centros Novas Oportunidades quais as estratégias que permitam, em articulação com as metodologias definidas para os processos de RVCC, valorizar de forma adequada os percursos formais de aprendizagem já concluídos com aproveitamento

Reflexão: Embora não tendo nada contra esta diferenciação, por exemplo, para quem tem apenas uma ou duas disciplinas do 9.º ano por fazer e não tem qualquer disciplina do Ensino Básico, parece-me que carece de alguma clarificação que a actuação em contexto prático do "terreno" vai trazer. Penso que estamos perante um processo de RVCC. E ou o pensamos na sua essência como tal ou teremos alguma dificuldade prática nesta articulação entre dois sistemas que na sua essência são distintos.

2. Cito:
«Após a recolha e análise de toda a documentação, deve ser realizada uma reunião da equipa técnico-pedagógica onde serão discutidos os casos nestas situações e cujo principal objectivo é validar as Unidades de Competência /Competências que foram efectivamente adquiridas por via das aprendizagens formais realizadas com aproveitamento desde que devidamente comprovadas no âmbito do processo de RVCC através da apresentação de certificados.»

Reflexão: O processo de RVCC tem por base uma abordagem interdependente e interligada dos saberes: Formais, Não-Formais e Informais. E tem na sua essência uma mais-valia de auto-valorização e consciencialização da importância dos princípios base da Aprendizagem ao Longo da Vida. Temo que esta reunião possa tornar-se demasiado centrada em análise técnicas e burocráticas e pouco virada para um trabalho contínuo e continuado para essa mesma abordagem auto-reflexiva. Penso que é fundamental o reforço da perspectiva apontada no mesmo documento com essência na criação do «planeamento individual da continuação dos processos de RVCC orientado face às validações realizadas, de duração variável, e em função do percurso formal de aprendizagem que cada candidato possui, garantindo de qualquer modo todos os pressupostos metodológicos contidos nos documentos orientadores produzidos pela ANQ e demais legislação enquadradora.» Se esta estratégia for bem aplicada e de forma sólida é possível manter a qualidade do processo em si mesmo, assim como a sua essência. Se não, temo que seja apenas uma formalidade.

Numa análise teórica são estes os pontos de reflexão que terei em conta na análise que farei em contexto. Espero que o trabalho a realizar pelas equipas tenha em conta a efectiva promoção desta orientação tendo como base os princípios de essência do processo de RVCC, mais do que, uma visão técnica de "equivalência" entre dois sistemas.