sábado, 31 de janeiro de 2009

As Metas: Reflexões sobre um número...

Tenho ouvido e assistido ao crescendo de um discurso que me preocupa. O discurso empurra os Centros Novas Oportunidades para uma aceleração com vista a cumprir um número. Um número que antes de mais é uma meta política. E é este número preocupa. Sempre fui defensor da existência de metas qualitativas e quantitativas a serem definidas pelos Centros Novas Oportunidades em função do seu contexto, capacidade e objectivos. Sempre entendi, no entanto, a existência de metas nacionais, claro que, relacionados com os financiamentos e demais objectivos da entidade tutelar que são, se forem realistas, compreensíveis e desejáveis. Mas tenho que me colocar do lado oposto do discurso da aceleração para o cumprimento desse objectivo do número mais ou menos mágico que sempre esteve presente, mas que agora, surge em muitas afirmações como um imperativo categórico. Hoje, muitos Centros Novas Oportunidades têm centenas de inscritos. Números muito superiores aos alunos do ensino diurno, regular. No entanto, o número de profissionais para ambos os casos são totalmente diferentes. E o trabalho de RVCC deve ser um trabalho pessoal, individual e contínuo. Não é, humanamente possível pedir mais a estas equipas sem lhes pedir também que facilitem os processos. Ou um, ou outro. O equilíbrio que se fala é sempre uma estratégia que retira qualidade para cumprir o dito número. Diz-se: “Sem perder a qualidade, organizem novas estratégias para uma resposta mais ajustada ao cumprimento de metas”. Digo, não é possível fazer esse ajustamento sem criar mecanismos que “cortam” partes ou momentos muitas vezes essenciais nos processos.
Creio que é extremamente importante que se entenda que, para muitos adultos, (muitos chegam a pedir para estar ou ficar mais tempo em processo) o reconhecimento das suas competências é o início de um regresso à aprendizagem e qualificação efectiva. E o trabalho permanente, contínuo e continuado que é necessário fazer pelas equipas não pode ter um prazo definido igualmente para todos os adultos, sem considerar os ritmos individuais e os objectivos pessoais.
Este texto é uma tomada de posição. É claro para mim que o resultado do sucesso da Iniciativa Novas Oportunidades não passa por “certificar” 1 milhão de portugueses, mas sim, iniciar um processo de efectiva qualificação e orientação para a aprendizagem ao longo da vida consolidada no maior número possível de adultos que passam pelo processo de RVC. Muito mais difícil, mas um processo que pode, de facto, mudar alguma coisa…

Júris, Sessões de Trabalho e Histórias de Vida.

Uma das importantes mudanças que ocorrem hoje em muitos dos adultos que terminam o seu processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências é marcado por expressões como: “Agora vamos sentir falta dos “trabalhos” do RVCC” ou “Ficou cá dentro uma vontade de aprender mais coisas”. Há quem considere que estas afirmações lidas por quem está relacionado com o processo de RVC são puro romantismo. Mas não são. Nos últimos tempos tenho tido o privilégio de acompanhar vários centros e em todos eles esse movimento de reforço da aprendizagem é uma realidade. No final de uma sessão de júri, depois de tudo acabado e na parte informal que se segue ouvi um adulto dizer que já se tinha inscrito, mesmo antes de terminar o seu processo, num curso sobre Organização do Trabalho num Instituto Superior. Vale a pena quando assim é. E é por isso que vale a pena todo o trabalho que tem sido feito por muitas equipas.

Fui participar no primeiro júri com o Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas da Pampilhosa. Esta equipa tinha-me convidado a acompanhar este júri no ano passado e considerei importante o trabalho de (re)estruturação que estava/está a ser feito com vista à qualidade e credibilidade do processo. Sem uma sessão de júri para o nível básico, considero que o trabalho da equipa foi muito positivo. Quer pela qualidade das apresentações, quer pela relação humana e estruturante da valorização da aprendizagem ao longo da vida que regista como muito positiva. Esta foi uma sessão onde se destacaram histórias de vida muito interessantes do ponto de vista do entendimento do que é a identidade de uma comunidade. Tenho referido isto várias vezes, mas as potencialidades de investigação e registos sociológicos e etnográficos são imensos se fossem pensados, estruturados e trabalhados em conjunto com centro que fazem um trabalho consistente, como é o caso.
As minhas visitas para sessão de júri ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Pombal são sempre momentos de (re)encontro com uma equipa que considero de excelente qualidade. Há, em cada sessão, um crescimento contínuo no trabalho feito. Não posso deixar de destacar, neste momento, o trabalho de excepção que a Dra. Patrícia Amado tem feito neste centro, como profissional de RVC, embora neste momento já não tenha estas funções. Os adultos fizeram apresentações muito interessantes e revelaram, mais uma vez, as imensas potencialidades que se encontram nos e.portefólios para a aprendizagem e consolidação de competências adquiridas ao longo da vida.

Estive presente, também, numa sessão de trabalho com a equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Estas sessões de trabalho revelam-se fundamentais para o estabelecimento de confiança entre a equipa e o Avaliador Externo. São também fundamentais na consolidação de práticas, metodologias e preparação de júris. Encontrei uma equipa mais do que preparada para os desafios que o futuro reserva!

E o regresso, para uma sessão de júri, ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Quero destacar aqui o trabalho que esta equipa consegue hoje fazer ao nível do RVCC Básico. As sessões de júri revelam-se momentos de partilha e aprendizagem, assim como, espaços de demonstração de competências para cada um dos adultos. Esta preparação revela-se um elemento a destacar na qualidade global do trabalho realizado pela equipa. Mas não posso deixar de destacar que, nesta sessão, estiveram presentes para validação os pais de uma das profissionais RVC. Respeitando eticamente o trabalho, foi outra profissional que acompanhou o seu processo. Já não é a primeira vez que assisto a um momento como este. Mas é de destacar a importância e reconhecimento que estes momentos têm na vida de quem os vive e do próprio Centro Novas Oportunidades enquanto entidade. Os meus parabéns pelo trabalho realizado ao Carlos e Graça Tavares, assim como a todos os adultos que neste dia fizerem excelentes apresentações.

Por último, uma sessão de júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho já referido várias vezes que considero que, neste momento, este centro faz um trabalho de excelência pelo humanismo que revela no trabalho com os adultos. Esta sessão foi marcada por vários momentos de diálogo com os adultos que revelaram histórias de vida muito ricas e muito bem exploradas pela equipa. De ouvir falar Mirandês, a falar-se de livros e trocarem-se ideias sobre como explorar as novas tecnologias da informação e comunicação, o resultado final foi uma tarde de uma excelente aprendizagem para todos os presentes. Reitero os meus parabéns a toda a equipa pelo trabalho feito, assim como, a todos os adultos pela conclusão desta etapa do seu percurso de qualificação.

Com o correr do tempo vou, cada vez mais, dando valor ao tanto que aprendo com todos os adultos em cada sessão de júri. A todos eles o meu obrigado por partilharem as suas competências e as suas histórias de vida, tão ricas e, por vezes, tão marcantes que me ajudam, também, a crescer como profissional e como pessoa. Obrigado e parabéns.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Workshop A História Devida

Um dos programas que sigo com algum interesse é a História Devida da Antena 1. Aqui fica uma iniciativa que julgo muito interessante:

«História Devida regressa agora em formato de workshop. Este pretende, ao longo de quatro sessões assentes nos conceitos de autobiografia, biografia, memorialismo e auto-representação, dar ferramentas úteis para a escrita de temas que percorrem as experiências de muitos de nós.

Formadora | Inês Fonseca Santos
Horários | Segundas-feiras, 19:30-22:00h.
Datas | Fevereiro: 2, 9, 16. Março: 2
Local | Sala de Formação do Hotel Amazónia
Candidaturas | 12 a 25 de Janeiro
Vagas | 15
Valor do workshop: 150.00€
Documentos necessários | Ficha de candidatura; fotocópia do BI; texto original sobre tema livre, com o limite máximo de 1 página A4.
Contacto | formacao@producoesficticias.pt ou pf-formacao.blogs.sapo.pt»
Fonte: Blog do programa História Devida.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Perguntas e Respostas: Competências.

«O que é uma competência?
É a capacidade de:
- mobilizar adequadamente diversos conhecimentos prévios
- seleccionar e integrar esses conhecimentos perante uma determinada questão ou problema.
- é o objectivo último de vários objectivos que para ela contribuem.
-é um processo construído, que, em princípio, não se perde.

Como se faz a aproximação, por competências, ao acto de ensinar?
- abordar os saberes como recursos a mobilizar;
- diversificar os meios de ensino;
- adoptar uma planificação flexível das actividades lectivas;
- orientar as experiências lectivas para o problem-based e project-based learning;
- promover a articulação entre saberes ministrados no âmbito das diferentes disciplinas;
- fomentar a avaliação formativa.

Mas, afinal, em que é que se traduz, concretamente, uma competência?
- Na capacidade construída;
- Na autonomia individual em relação ao uso do saber;
- No próprio saber (porque não há competências sem saberes), o conhecimento faz parte da nossa estrutura de compreender e agir (é por aí que nos tornamos competentes)

Então, sendo assim, a competência não é construída ao lado do conhecimento!
- A competência adquire-se com o conhecimento, mas implica a capacidade de mobilização inteligente para compreender e apreciar:
· Ser cientificamente competente implica ter estudado os conhecimentos implicados nas disciplinas científicas, mas de forma articulada com a análise da realidade e com as novas situações.
· Situar Beethoven no plano do conhecimento musical significa mais do que saber a biografia do compositor e o nome das suas obras, ou, até, a técnica de as reproduzir exige a incorporação de ganhos (competência) na capacidade de entender esse saber, de fruir dele e de partilhá-lo social culturalmente com outros.»
Fonte: Competências.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Novas Tendências: Conectivismo...

“Um dos factores mais persuasivos é o encolhimento da duração do conhecimento para metade. A “meia-duração do conhecimento” é o tempo de duração desde que se obtém o conhecimento até que ele se torne obsoleto. Metade do que é conhecido hoje não era conhecido há 10 anos atrás. A quantidade de conhecimento no mundo dobrou nos últimos 10 anos e está dobrando a cada 18 meses, de acordo com a Sociedade Americana para Treinamento e Desenvolvimento (ASTD). Para combater o encolhimento para a metade da duração do conhecimento, as organizações tem sido forçadas a desenvolver métodos para disseminar a instrução.

Algumas tendências importantes na aprendizagem:

• Muitos aprendizes vão se mover por uma variedade de áreas diferentes, possivelmente sem relação uma com as outras, durante o curso de suas vidas.
A aprendizagem informal é um aspecto significativo de nossa experiência de aprendizagem. A educação formal não mais cobre a maioria de nossa aprendizagem. A aprendizagem agora, ocorre de várias maneiras – através de comunidades de prática, redes pessoais e através da conclusão de tarefas relacionadas ao trabalho.
A aprendizagem é um processo contínuo, durando por toda a vida. Aprendizagem e actividades relacionadas ao trabalho não são separadas. Em muitas situações, são as mesmas.
• A tecnologia está alterando (reestruturando) os nossos cérebros. As ferramentas que usamos definem e moldam nosso modo de pensar.
• A organização e o indivíduo são ambos organismos que aprendem. O aumento da atenção à gestão do conhecimento ressalta a necessidade de uma teoria que tente explicar a ligação entre a aprendizagem individual e organizacional.
• Muitos dos processos anteriormente tratados pelas teorias de aprendizagem (especialmente no processamento cognitivo de informações) agora podem ser descarregados para, ou suportados pela tecnologia.
• Saber como e saber o que está sendo suplementado pelo saber onde (o conhecimento de onde encontrar o conhecimento que se necessita).»
Fonte: Conectivismo - Uma Teoria de Aprendizagem para a Idade Digital

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os Percursos de Formação: Objectivo de Qualificação

Se pensarmos o texto e esquema apresentados em baixo, podemos pensar em cada instante como desenhar percursos de formação (EFA) ou processos de qualificação (RVC) tendo em conta o que pode ser melhor para cada um dos adultos que integram os Centros Novas Oportunidades. O exercício de "desenhar" percursos ou "gerir" a formação é um processo que envolve planificação, ponderação e adequação. Urge, cada vez mais, pensar nesses elementos como estruturantes no processo de desenvolvimento de novos conhecimento e novas competências em cada um dos adultos.

«O processo de gestão da formação parte das necessidades das organizações e dos colaboradores para responderem aos requisitos do trabalho, do negócio e do mercado, devendo-se de seguida equacionar as formas como a organização responde a essas necessidades através de acções de formação, concebendo-se um plano global de formação. Aí, planeia-se as acções em termos de conteúdos formativos, identifica-se as modalidades formativas mais adequadas, escolhe-se as formas de execução mais adequadas e orçamenta-se as acções e o plano global. Após a construção do plano, o mesmo deve ser executado, devendo ser desenvolvidos modelos e formas de acompanhamento das acções, dos formadores e dos formandos; deve ainda avaliar-se os resultados das acções e dos planos em diferentes momentos temporais."
Fonte: Concepção e Gestão da Formação




segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Concurso: "Projectos com Futuro"

«A Agência Nacional para a Qualificação, IP, lança o Concurso "Projectos com Futuro" , destinado a seleccionar projectos para participação no Fórum Qualificação 2009 - Escolhas com Futuro, cuja realização está prevista para os dias 7, 8 e 9 de Maio, na Exposalão, na Batalha.
Este Fórum é organizado pela ANQ, IP, em colaboração com as Direcções Regionais de Educação e o Instituto do Emprego e Formação Profissional, IP, e tem como objectivos promover e valorizar as ofertas educativas e formativas de dupla certificação de jovens de nível 3, através da mostra de actividades e da divulgação das boas práticas desenvolvidas em escolas, centros de formação profissional e outras entidades formadoras.
O concurso está aberto por um prazo de trinta dias seguidos, contados a partir de 22 de Janeiro de 2009.
Quaisquer informações complementares poderão ser obtidas através do endereço: projectos.forum@anq.gov.pt»
Fonte: ANQ

O papel do Técnico de Diagnóstico e Encaminhamento

domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma Reflexão e um Desafio.

O meu desejo, no início deste texto, é que o mesmo sirva de alerta, por isso vou tentar ser directo e sintético.

Tenho acompanhado vários Centros Novas Oportunidades, de Norte a Sul do país, públicos e privados, em escolas, centros de formação e outros. Tenho também acompanhado equipas dos Cursos de Educação e Formação de Adultos. Encontro sempre, na maioria, um conjunto de pessoas de um elevado profissionalismo, com muita dedicação e com o desejo de fazer sempre melhor. Vejo, também, que o caminho se fez, até aqui, caminhando. A ANQ (com um ano e pouco de vida) veio trazer uma gestão de todo um “mundo” de entidades, projectos e até um Catálogo Nacional de Qualificações. E o caminho foi-se fazendo entre dúvidas, respostas a dúvidas, orientações e metodologias que, em teoria respondem aos desafios e na prática têm sido respondidas com o ajuste da realidade e a adequação necessária a essa mesma realidade. Penso que, as mudanças e alterações que foram e serão introduzidas, muitas vezes contradizendo outras já emanadas não podem ser vistas como erros, mas como aprendizagens entre o que da realidade da implementação emerge e dos objectivos gerais e estratégicos se anseia. Por aqui, nada a dizer…

No entanto, há uma reflexão para melhoria e alerta que desejava fazer: A Educação e Formação de Adultos, com a implementação do processo de RVC e cursos EFA são áreas de trabalho muito exigentes. Exigem tempo, humildade, partilha. E é sobre este três factores que quero deixar uma palavra.

Sobre o tempo. Muitos profissionais e formadores consideram que o trabalho, quer no processo RVC, quer nos cursos EFA pode ser feito no tempo laboral que é destinado sem mais qualquer gasto de tempo suplementar. É preciso alertar que tal não é possível. A Educação e Formação de Adulto não é um momento. É um processo. E como tal exige muito mais do que preparar actividades, formação ou ensinar. Exige tempo de atenção, de escuta, de observação. Exige tempo para estar disponível. Exige tempo para transferir conhecimentos e mobilizar competências. É um processo contínuo e continuado. Quem pensar o contrário nunca entenderá a Educação de Adultos.

Sobre a humildade. A Iniciativa Novas Oportunidades têm o mérito de ter trazido muitas pessoas de regresso à escola. Mas há um reencontro a fazer para além deste regresso. É o reencontro com a aprendizagem e com a gestão da qualificação pessoal. Muitos formadores tiveram uma vida inteira de ensino e agora são transportados para um projecto onde se valoriza a história de vida e conhecimentos adquiridos pelos adultos que importa “desocultar”. É, em primeiro lugar e à primeira vista, uma inversão de tudo o que havia sido pedido até aqui a estes profissionais. Mas não é. Tudo depende de um só factor. Que se comece por desconstruir, dentro de cada um, a ideia que a detenção do saber está só do lado de quem tem o papel de ser orientador dos saberes. Que se comece por entender que, neste processo, a mundividência de quem é formador ou profissional não tem necessariamente de ser a de quem vem à procura de regressar à escola. O mesmo se passa com os profissionais RVC ou mediadores EFA. E deixo uma frase para reflexão que sintetiza o que desejo dizer: «É órfão, não és? E achas que eu posso saber como foi a tua vida só porque li Oliver Twist?»

Sobre a partilha. Estamos, por formação, todos habituados a trabalhar individualmente para objectivos pessoais e profissionais. As escolas e centros/entidades estão também habituados a tal. É preciso mudar esse paradigma. Quer a nível pessoal, quer a nível institucional. É por um centro certificar 200 ou 300 pessoas que é bom? É por um formador sentir que deu “uma boa aula” que o adulto/formando aprendeu? É por uma profissional pensar que chegou até ao adulto que o seu trabalho está completo? Ou será o inverso? Porque uma dezena ou centena de adultos continuaram a sua formação após o processo RVC ou curso EFA? Porque o adulto/formando, com o que aprendeu melhorou o seu desempenho e vem contar isso em sala ou contexto de formação? Ou porque um adulto falou sobre o que aprendeu com a vida de forma aberta e tomou consciência do valor dessa aprendizagem ao longo da sua vida? E não será melhor, numa região, a escola, os centros de formação e entidades privadas qualificarem as pessoas para as ajudar a enfrentar os problemas profissionais, sociais ou da comunidade do que procurar actuar sozinha na sua vã glória ou vã cobiça?

Ficam estas reflexões. E fica um desafio…
Será que vamos, todos (escola, entidades, centros de formação, professores, formadores, profissionais…) perder mais esta oportunidade de mudar as coisas?... Será que a tentação de cumprir números só por os cumprir irá vencer a ainda mais necessária apropriação e consciencialização do valor e importância da qualificação, para cada um dos adultos ,como forma de vencer os desafios actuais? Ficam as questões para reflexão.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Júris e uma apresentação...

Emerge do movimento de procura dos Centros Novas Oportunidades uma necessidade destas equipas ponderarem muito concretamente qual o objectivo que têm como Centro. Muitos “correm” para o cumprimento das metas sem pensar no caminho a fazer e na perda que representa para tantos adultos esta “nova oportunidade” de criarem, (re)fazerem ou (re)começarem um novo caminho na sua qualificação. Urge pensar que certificar não é qualificar. Urge ponderar que o número de metas cumpridas não representa um bom trabalho! Mas existem casos onde esse trabalho de fundo é realizado e a mudança na vida de cada um dos adultos é notada, clara e perceptível nas sessões de júri.

Estive presente num júri parcial, em Condeixa, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora. Mais uma vez encontrei neste centro uma equipa dedicada a criar uma via de qualificação para os adultos. No júri esteve presente uma das mediadoras do curso EFA, a decorrer na escola. Esta prática resulta numa primeira abordagem ao desenho do projecto formativo para os adultos. É uma boa-prática que reflecte um trabalho contínuo e continuado para a qualidade do processo de RVC e de qualificação.

Estive também presente, mais uma vez, numa sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho referido aqui, várias vezes, a qualidade do trabalho desenvolvido neste centro. Há um trabalho efectivo de equipa e uma empatia presente em cada adulto que é acolhido pela equipa como um desafio. Tenho que destacar aqui a capacidade e profissionalismo que a Dra. Isabel Campos que tem conseguido, com todas as vicissitudes da gestão de um Centro Novas Oportunidades, manter uma linha de rumo de qualidade, rigor e humanismo que distingue o trabalho desta equipa e deste centro pela sua intervenção junto de cada um dos adultos inscritos.

Fui também convidado para estar presente na sessão de Júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Pombal. Mais uma vez o trabalho deste Centro se destaca pela aprendizagem associada ao processo de RVC. A utilização dos e.Portefólios é uma estratégia que potencia um grau de mobilização de competência que reflecte um processo de acesso ao conhecimento e ao desenvolvimento de capacidades que, apoiado por uma equipa dedicada e competente, se transforma numa imensa mais-valia para cada um dos candidatos.

Por último, por convite do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária D. Inês de Castro, estive presente no I Encontro de CNO do Oeste. Foi um momento de reflexão e debate que, neste momento, resultou como um ponto de partida para a criação de uma rede entre os 13 centros daquela região. Penso que, como em qualquer região, esta visão estratégica de trabalho em colaboração e cooperação, a ser implementa e consolidado, é uma estratégia de sucesso. Quero deixar uma palavra de parabéns à equipa pela organização, humanismo e profissionalismo como receberam, assim como, pela forma como todo o evento decorreu. Este foi também um encontro com amigos que é sempre bom rever: A equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Maximinos (Braga) que cada vez me desperta mais a curiosidade para uma futura visita pelo dinamismo e inovação que demonstram ter e com a Dra. Mafalda Branco do Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião.

Deixo a apresentação que realizei sobre «Aprendizagem Informal», assim como o excerto de um filme que apresentei como ilustrativo da diferença entre Conhecimento e Experiência.


Do filme: O Bom Rebelde

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Um testemunho de um Adulto.

Recebi recentemente um testemunho que partilho aqui, pela sua ilustração do que é o processo de RVC e o trabalho feito por muitos Centros Novas Oportunidades. Fica o testemunho de Paulo Pereira. Obrigado pela partilha.

«Em Abril de 2007, tive conhecimento do programa Novas Oportunidades na comunicação social, através da campanha televisiva. Assim, tive a curiosidade de saber se estaria abrangido. Seguidamente, pesquisei na internet alguma informação através da página das Novas Oportunidades. Foi assim que tomei conhecimento do Centro de Novas Oportunidades de Cacilhas, situado na Escola secundária Cacilhas-Tejo.
No dia 11 de Abril de 2007, dia do meu aniversário, desloquei-me a casa da minha tia que vive na Quinta da Alegria, em Almada, precisamente, junto da referida escola, onde obtive informações sobre o processo.
No CNO-Cacilhas fui informado que o programa era destinado a quem não tinha completado o ensino obrigatório e o ensino secundário. Foi então que expus a minha situação – ter o 10º ano de escolaridade e pretender concluir o 12º ano. Após compilar todos os documentos necessários ao processo (certificados de habilitações, diplomas de cursos frequentados,...), procedi à respectiva inscrição no Centro. Tomei ainda conhecimento que o processo de nível secundário onde me estava a inscrever não ia começar de imediato, uma vez que o Centro aguardava instruções da Direcção Geral de Formação Vocacional (actual Agência Nacional para a Qualificação). Entretanto, logo me informaram que iria haver formação, em Outubro de 2007, para a equipa do CNO responsável pelo processo de reconhecimento de competências de nível secundário. Seguiram-se dias de ansiedade, pois, nesse momento, estava motivado para começar....
O tempo foi passando e fui obtendo informações sobre o início de um processo que eu tanto desejava encetar.
No entanto, o CNO, no sentido de me orientar para a elaboração da minha autobiografia, foi-me dando algumas indicações para eu dar início à mesma, tais como: reflectir sobre o meu percurso pessoal, profissional, escolar e de formação, entre outros.
Confesso que, sempre considerei que a minha formação profissional e a frequência universitária eram suficientes para obter o 12º ano. Mas, ao expor a minha situação na Secretaria do Ministério da Educação, foi-me dito que, apesar de ter frequência universitária, teria de me submeter ao processo RVCC para obter o 12º ano.
Foi então que compreendi que tinha um longo caminho a percorrer, desde o início até ao fim do processo.
No início de 2008 contactei novamente o Centro e fui informado que estava para breve o início do processo de nível secundário (Fevereiro/Março). Fui alertando para o facto de a nova equipa ter iniciado funções em Setembro de 2007 e estar a organizar/(re)adequar procedimentos.
Finalmente, tal como o prometido, em Março de 2008, iniciei o processo de RVCC. Numa reunião foi apresentado aos candidatos o Referencial de Competências Chave (das três áreas de competências) e dadas orientações precisas para a elaboração da autobiografia, documento central do processo. Foram também dadas indicações relativas ao preenchimento das Fichas de Identificação de Situações de Vida de Cultura, Língua e Comunicação (CLC), Sociedade, Tecnologia e Ciência (STC) e Cidadania e Profissionalidade (CP), de forma a indiciarem competências a integrar no portefólio.
Inicialmente fiquei um pouco confuso dada a complexidade do referencial de competências chave – pelo vocabulário utilizado (núcleo gerador, evidências, domínios, etc). Mas, com o desenrolar dos dias, as minhas dúvidas foram sendo esclarecidas pelos profissionais do Centro e, após algum tempo, entreguei as referidas fichas já preenchidas, necessitando, contudo, de alguns esclarecimentos que prontamente me deram.
De referir que ao mesmo tempo que estava a pensar no preenchimento das fichas ia reflectindo sobre o que colocar na minha autobiografia – relembrava todas as minhas experiências de vida, o que fui realizando ao longo da vida... E foi muito enriquecedor!
Contudo, o meu trabalho foi sendo reajustado. A referida autobiografia, aos poucos, foi sendo alterada, reformulada, de acordo com as indicações pertinentes dos profissionais do CNO.
Fui adicionando experiências de vida que há muito estavam adormecidas no tempo. Este processo fez-me recuar ao meu passado. Fui lembrar-me do tempo de escola, dos amigos, da minha família, dos colegas de trabalho, da minha auto-formação, como pessoa responsável que sou, entre outras coisas. Considero este processo como uma viagem ao passado, para qualquer adulto que pretende ver a sua experiência de vida reconhecida em competências formais e informais.
Ainda no que diz respeito à autobiografia e, por sugestão da equipa do CNO, evidenciei as competências de Cidadania e Profissionalidade (CP) na mesma. A minha experiência de vida ajudou-me a chegar até este processo do qual me orgulho muito porque a minha vida estava incompleta sem a obtenção do ensino secundário. Mesmo tendo frequência universitária, sabia que era injusto não ter uma equivalência ao 12º ano porque tinha o 1º ano do curso de Direito completo e cadeiras do 2º e 3º anos feitas. A lei não confere qualquer equivalência a quem não tem o ensino secundário, mesmo tendo feito o Exame Extraordinário de Avaliação de Capacidade (exame ad-hoc) e feito umas cadeiras do curso de Direito.
Para além da autobiografia e das competências de CP, também as outras competências de Sociedade, Tecnologia e Ciência e de Comunicação, Língua e Cultura, vieram ao de cima, de uma forma gradual. Com a ajuda da equipa do CNO fui construindo a minha história de vida, com recurso à memória e com bastante reflexão sobre os meus actos. Houve muitas horas de trabalho em frente do computador: pesquisa, selecção de acontecimentos, reflexão e paciência durante o processo. Para mim, foi uma experiência que jamais pensaria um dia vir a ter. Reconheço que o processo é a derradeira oportunidade para qualquer adulto que, por diversos motivos, teve de interromper a sua vida escolar, sem a completar. Agarrei este processo com o máximo de empenho possível para ver o meu sonho realizado: ter o 12º ano de escolaridade. Tudo o que ficou escrito neste processo é praticamente “o livro” da minha história de vida que nunca pensei escrever um dia!

E não queria terminar a minha reflexão sem agradecer reconhecidamente à equipa fantástica do CNO que me apoiou no decurso do processo: aos Formadores e aos Profissionais de RVCC. Apreciei bastante a forma como me motivaram durante os meses que estiveram a orientar o meu processo para que fosse possível realizar o meu sonho.»

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A formação como processo biográfico

«Considerar a estrutura temporal dos processos de aprendizagem nas biografias individuais remete à questão fundamental da forma pela qual a formação pode ser compreendida como processo relativamente autónomo diante das trajectórias da vida e dos currículos. A formação não é redutível às suas únicas formas organizadas e institucionalizadas. Ela engloba todo o complexo de experiências vividas quotidianamente, de episódios de transição e de crise. Na dimensão vivida, a aprendizagem está, assim, sempre ligada ao contexto de uma biografia concreta. Por outro lado, é também a condição ou o instrumento de mediação no qual as construções biográficas, como formas reflexivas da experiência, podem se desenvolver e se transformar. Sem biografia, não há aprendizagem; sem aprendizagem, não há biografia:

a) Aprendizagem implícita, reflexão e saber pré-reflexivo: muitos dos processo de aprendizagem se desenvolvem de forma "implícita" e toma a forma de esquemas de experiência e de acção, sem que eles sejam a cada vez reflectidos de forma explícita. Conceitos como aprendizagem implícita, aprendizagem esporádica salientam esse aspecto, mas não informam nada sobre a complexidade desse fenómeno na dialéctica do ajustamento ao mundo e da formação de si. Mediante os processos de aprendizagem implícita que se desenvolvem desde o início da vida tanto no interior como no exterior das instituições, não são apenas os elementos singulares da experiência que são assimilados como componentes do mundo social, é também o próprio "sistema de assimilação" que se desenvolve. Trata-se aqui da formação de estruturas super-ordenadas e geradoras da acção e do saber que, segundo as opções teóricas, podem ser interpretadas como estruturas de aquisição e de desenvolvimento das "disposições de aprendizagem" (Field, 2000), estruturas cognitivas no sentido de Piaget, "sistema emocional de orientação" (Mader, 1997), formação de habitus (Bourdieu, 1987) ou construção do sistema de referências de si e do mundo (Marotzki, 1990). O conjunto desses processos, segundo os quais se constrói a experiência, forma a "reserva de saberes biográficos" de uma pessoa (Alheit, 1993; Alheit; Hoernig, 1989) que, como uma paisagem, se constitui por diferentes camadas e regiões dispostas em patamares próximos ou distantes e que se transforma de tempos em tempos (precisamente por meio da aprendizagem). Nos nossos comportamentos quotidianos (e também nas situações explícitas de aprendizagem [Dewe, 1999]), quando nos concentramos de forma explícita sobre um "problema" – que representa apenas uma ínfima parte de nosso saber, de nossa experiência, de nossa acção –, nós recuperamos, ao mesmo tempo, uma grande parte de nosso saber (e de nosso não-saber) de maneira espontânea e não deliberada. Nós nos deslocamos de algum modo na paisagem de nosso saber biográfico, sem pensar de maneira consciente em cada um dos passos que fazemos em cada curva ou em cada indicação do caminho. Muitas vezes só invocamos elementos de nosso "plano de fundo" do saber biográfico quando damos um passo em falso, ao chegarmos a uma encruzilhada ou ao sentirmos que o chão se abre sob nossos pés. Temos, em princípio, a possibilidade de disponibilizarmos uma grande parte desse saber pré-reflexivo, de trabalhar de maneira explícita e, eventualmente, de transformar as estruturas da paisagem inteira. Tais processos reflexivos podem ser interpretados como momentos da formação de si (Alheit, 1993).

b) Dimensão da socialidade da aprendizagem biográfica: os processos reflexivos de aprendizagem não se desenvolvem, no entanto, apenas internamente ao indivíduo, mas dependem da comunicação e da interacção com os outros, ou seja, da relação com um contexto social. A aprendizagem biográfica está ligada aos mundos-da-vida, os quais sob certas condições podem ser igualmente analisados como "ambientes" ou "meios" de aprendizagem. As noções de aprendizagem experiencial, aprendizagem no mundo-da-vida ou aprendizagem contextual dão conta desse aspecto do Lifelong Learning, conforme neles se vinculam a atenção conferida à associação e à configuração dos ambientes de aprendizagem (Dohmen, 1998). Pode-se, aliás, observar aqui duas tendências que devem ser avaliadas de maneira crítica a partir da análise biográfica dos processos de formação: por um lado uma interpretação "antiinstitucional" da aprendizagem ao longo da vida (Gieseke, 1997; Nuissi, 1997) que não considera que a biografia (e, portanto, a aprendizagem biográfica) e as instituições estejam ligadas entre si (ver, por exemplo, o estudo de Seitter, 1999) e, por outro lado, uma concepção tecnológica segundo a qual se poderia "fabricar", com quaisquer peças, ambientes de aprendizagem, que esquece que os "universos de aprendizagem" estão inscritos nos mundos-da-vida que se desenvolveram historicamente e que são o resultado de uma "produção" biográfica interactiva: esses universos de aprendizagem são associados a espaços sociais determinados, eles revelam processos que podem ser acompanhados pedagogicamente, eles não podem ser fabricados ou comandados artificialmente.

c) Individualidade e significação pessoal da aprendizagem biográfica: se a aprendizagem biográfica está estruturada nas interacções sociais, ela obedece, entretanto, a uma "lógica individual" que é o produto de uma estrutura biográfica particular da experiência adquirida. A estrutura biográfica não determina directamente o processo de aprendizagem, pois é uma estrutura aberta que deve integrar novas experiências em relação com o mundo, os outros e si mesmo. Contudo, ela contribui essencialmente para fixar as modalidades segundo as quais se formam as novas experiências e que "se incorporam" nos processos de aprendizagem biográfica (Alheit; Dausien, 2000a). Os conceitos actuais de aprendizagem auto-organizada, autodefinida, autodirigida ou autodiretiva (Straka, 1997; Dohmen, 1998; Action concertée de formation continue, 1998) devem aqui ser objecto de um exame crítico (Report 39, 1997; Hoffmann; von Rein, 1998). Eles supõem, muitas vezes, um aprendente autónomo, que tem a maestria reflexiva e estratégica de seu próprio processo de formação. Esse modelo de aprendente não considera a estratificação complexa da reflexividade biográfica. Os processos de formação biográfica têm seu próprio princípio de determinação, eles possibilitam experiências inesperadas e transformações surpreendentes que, muitas vezes, não foram previstas pelo próprio aprendente e só podem ser "compreendidas" posteriormente, mas que têm, entretanto, sua "direcção" própria. Aqui os termos de "movimento de pesquisa" e de "orientação difusa para um objectivo" são mais apropriados do que o modelo cibernético de um "piloto automático" que se refere mais uma vez a condições institucionalizadas (por exemplo, de aquisição de saber). De um ponto de vista teórico, é no quadro conceitual da formação (Bildung), mais do que no de aprendizagem, que poderá se desenvolver uma compreensão biográfica da "autodeterminação". No nível das práticas de formação (inclusive das institucionais), para favorecer a elaboração biográfica dos processos de aprendizagem, é tão importante gerir os espaços de reflexão e de comunicação e mensurar os "possíveis" quanto desenvolver "instrumentos de pilotagem individuais".
Fonte e uma leitura interessante: Processo de formação e aprendizagens ao longo da vida de Peter Alheit; Bettina Dausien.

Porque não explorar em Cidadania?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Dois Eventos: ePortefólios e RVC - 2009

Basta clicar nas imagens para saber mais informações.

RAC 2009, Paris 19-20 Janeiro


iLearning Forum 2009, Paris 19-20 Janeiro 2009

RVCC: Desafios de Qualificação Superior

«(...) É bom considerar que, na "sociedade de conhecimento" em que vivemos, aquele princípio tem de ser sempre complementado por um outro, também essencial: todas as competências são sempre insuficientes e podem, por isso, ser melhoradas. Se queremos afirmar a educação ao longo da vida, há que ser bem claros neste ponto: reconhecemos e validamos competências que são sempre incompletas, no quadro de processos que pretendem sempre promover as oportunidades educativas para os adultos. É uma preocupação que ganha particular relevo num país que, no que diz respeito às qualificações escolares, apresenta uma forte fractura geracional: apesar de alguns problemas persistentes, apresentamos já indicadores estatísticos relativos à participação escolar dos jovens que estão acima da média dos países da OCDE; mas mantemos um indicador geral de educação e qualificação para o conjunto da população que, de acordo com a OCDE, está muito distante ainda do apresentado pelos nossos parceiros europeus. Os instrumentos de educação e formação de adultos que construirmos têm que considerar que as baixas qualificações, com esta dissonância entre gerações, são o nosso principal problema para garantir não só a sustentabilidade do sistema de emprego mas mesmo, de um modo mais abrangente, do próprio sistema de cidadania.»

domingo, 18 de janeiro de 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

Encontros, sessões de trabalho e júris...

Hoje existe um movimento de “regresso à escola” que não pode ser olhado de lado ou descurado. Visito várias dezenas de escola e as equipas dizem-me que já não dispõem de salas à noite para a oferta de formação que existe. Há mesmo escolas onde o número de alunos no horário pós-laboral ultrapassa, em muito, o número de alunos durante o dia. Este é o resultado de um movimento em torno da procura de qualificação que os gestores escolares não podem perder, quer pela sua função, quer pela gestão da escola como entidade.

E esta semana estive presente num encontro promovido pelo Agrupamento de Escolas de Maceira. Foi com muito agrado que aceitei o convite para ser orador, em conjunto com João Paulo Videira e Luís Alcoforado, para falar dos novos desafios da educação e formação de adultos. Foi um momento de reflexão onde se debateram as principais questões ligadas ao processo de RVC e cursos EFA, assim como, se colocaram várias questões importantes sobre o projecto de qualificação dos adultos que retomam o seu percurso escolar neste momento. Reitero os parabéns à organização e o meu agradecimento pelo convite.

Estive também presente numa sessão de trabalho com a equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho. Estes encontros com as equipas em contexto de trabalho são muito interessantes, do ponto de vista, em que consigo aferir práticas, dúvidas, receios ou factores de inovação no trabalho realizado. Penso que a equipa está a consolidar um conjunto de orientações e reflexões práticas que conseguiu operar nos últimos meses. Parabéns pelo trabalho realizado.

Fui, também, conhecer a equipa do Centro Novas Oportunidades da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz. Sendo um centro recente foram já conseguidos um conjunto de objectivos muito positivos, destacando a mobilização e reconhecimento do centro no seu meio privilegiado das empresas e entidades. Destaco também a organização e capacidade técnica e humana da equipa que junta experiência e juventude.

Por último, um Júri no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Tenho referido aqui o humanismo que a equipa coloca na realização dos processos de RVC e o acompanhamento que dão aos adultos em processo. A Dra. Marília que acompanhou os adultos orientou a sessão de júri demonstrando um trabalho consolidado de toda uma equipa dedicada à promoção de um trabalho de qualidade. Tenho que destacar as apresentações e a dedicação dos adultos na realização do processo de RVC de nível básico e os meus sinceros e sentidos parabéns para cada um dos sete que terminaram o seu processo nesse dia. Destaco, também, a presença de alguns elementos do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia que assistiram a este momento em partilha e observação.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Feira de Emprego e Formação de Lisboa

«A 14ª edição da Feira de Emprego e Formação de Lisboa realiza-se nos dias 14 e 15 de Fevereiro de 2009, no Hotel VIP Zurique, correspondendo a uma organização da JobFair - a empresa responsável pelas anteriores edições deste evento.
Esta feira tem entrada gratuita e está aberta ao público desde as 12 até às 19 horas.
A Feira de Emprego e Formação de Lisboa disponibiliza aos visitantes diversas iniciativas ligadas ao emprego, à formação, à gestão da carreira, à requalificação profissional e à avaliação curricular.
Esta iniciativa tem como destinatários todos os que procuram ingressar em estágios, part-times, full-times, primeiro emprego, assim como os que pretendem mudar de emprego ou realizar formação.
Em 2009, a JobFair promove ainda a Feira dos MBA's, Mestrados, Doutoramentos e Pós-Graduações, em Março (a realizar em Lisboa) e em Abril (desta vez na cidade do Porto). Ainda em 2009 está previsto o lançamento, pela mesma empresa, do "Guia do Emprego". Esta publicação é considerada pela editora uma ferramenta útil e prática para todos os que pretendam informações detalhadas sobre os departamentos de recursos humanos das principais empresas empregadoras em Portugal.»