domingo, 4 de janeiro de 2009

Auto-Avaliação no Balanço de Competências

"O reconhecimento pessoal - de competências - (“por si” e/ou “para si”) inscreve-se numa lógica formativa, de auto-avaliação, de tomada de consciência e apropriação pessoal dos saberes. Esta tomada de consciência pode permitir um melhor posicionamento e progressão da pessoa, tanto no sistema escolar/formação, como no mundo profissional, como ainda na sociedade em geral. A partir da explicitação e da identificação das potencialidades e das intencionalidades da pessoa, permite a elaboração de projectos (pessoais, educativos, profissionais), e contribui para a (re)construção das identidades – como defendemos, o resultado do reconhecimento toca profundamente na dimensão identitária do adulto. A lógica formativa (de processo) procura valorizar a riqueza do potencial detido pela pessoa, e orientá-la de forma a progredir a partir dos recursos de que dispõe. Pode constituir-se como um motor desencadeador de uma dinâmica pessoal de autoformação, de auto-valorização, de autoconfiança, e de desejo de desenvolvimento/construção permanente, sempre inacabado."

Aprendizagem Colaborativa: Uma estratégia?

Tenho reparado na procura de partilha de recursos no âmbito do processo de RVC. Entendo que o processo de relação dos Centros Novas Oportunidades (dos Técnicos aos Formadores) passa por promover uma cultura de Aprendizagem Colaborativa. A resposta de apoio aumenta a sua eficiência se estas práticas tiverem uma implementação planificada em função dos objectivos estratégicos para cada percurso de qualificação. Deixo algumas noções fundamentais:

«A aprendizagem colaborativa é a relação num grupo de estudantes que exige interdependência positiva (um sentido de se afundar ou evoluir em conjunto), responsabilidade mútua (cada um de nós tem de contribuir e aprender), competências emocionais e relacionais (comunicação, negociação, confiança, liderança, tomada de decisão, e resolução de conflitos), interacção cara-a-cara, e meta-cognição (reflectindo sobre o desempenho da equipa e como este pode ser melhorado).»
Fonte: FCT/UL

Algumas vantagens da Aprendizagem Colaborativa:
  • "desenvolve e compartilha um objetivo comum;
  • compartilha sua compreensão do problema: questões; insights e soluções;
  • responde aos, e trabalha para compreender os questionamentos, insights e soluções dos outros."
Fonte: Guia de Estudos e Estratégia.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Cursos, Financiamentos e a Gestão das Escolas...

Duas notícias surgiram hoje nos meios de comunicação social que merecem reflexão. Deixo dois excertos do Público e TSF:

«A "instabilidade do financiamento" das oito escolas tecnológicas do país põe em risco a sua sobrevivência, apesar de terem taxas de empregabilidade dos alunos superiores a 80 por cento, afirma o responsável pela Escola de Tecnologia e Gestão Industrial.(...) "O financiamento agora é aparentemente único e as escolas têm que ver os seus cursos inscritos no Catálogo Nacional de Qualificações", explicou o responsável, "e isso ainda não aconteceu, porque a Agência Nacional para a Qualificação", entidade responsável pelas admissões, "não consegue dar resposta aos múltiplos pedidos" de instituições candidatas a cursos de especialização tecnológica (CET).»

«A Agência Nacional para a Qualificação garantiu que não há atrasos na inscrição de cursos e que as escolas têm de se adaptar às novas regras. Os responsáveis de uma escola tecnológica estão preocupados por ainda não terem recebido uma resposta e temem não ter acesso a subsídios. (...) O presidente da Agência Nacional para a Qualificação assegurou que não existem atrasos nos pedidos de inscrição de cursos, como afirmam os responsável de uma escola tecnológica do Porto, e que à luz das novas regras os critérios de avaliação para financiamento são agora diferentes. «É um problema de regra do Programa Operacional do Potencial Humano (POPH), do instrumento principal da União Europeia para apoiar o desenvolvimento do ensino e da educação em Portugal. As escolas sabem bem que têm de cumprir com essas regras. Não há escolas acima das regras gerais», concluiu.»

Vale a pena lembrar dois elementos que são fundamentais nesta discussão: O Financiamento e modelo de gestão do mesmo (que muitas vezes revela fragilidades nos tempos de resposta) pelo POPH, que também afecta os Centros Novas Oportunidades, assim como, a existência de um instrumento nacional a que é necessário reportar que é o Catálogo Nacional de Qualificações. Não podemos deixar de indicar aqui que até para as UFCD's (Formações Modulares) a estrutura já se encontra definida.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A pergunta: Porquê?

Queria (re)começar 2009 neste blog com a pergunta para a qual ainda ninguém se lembrou bem de pensar uma resposta completamente fundamentada. E a pergunta é simples: Porque razão 600.000 (actualmente) pessoas se inscreveram na Iniciativa Novas Oportunidades – Adultos?

A resposta de muitos e quase imediata é: É uma forma rápida e fácil de concluir um nível de escolaridade. E será só por isso?

Vou apresentar 2 potenciais pontos para uma resposta que falta ainda obter e que são lugares comuns:

1. Completar em 4 a 6 meses a equivalência ao Ensino Básico (9.º ano) ou entre 10 a 16 meses a equivalência ao Ensino Secundário (12.º ano) é uma das respostas mais óbvias para esta mobilização de pessoas. Mas vejamos os números reais:

(Certificados 2007-2008)
O referido número de inscritos (600.000) não se compara com o número de certificados. Principalmente quando falamos do nível Secundário. Muitas vezes oiço e recebo informações que a ideia inicial de quem se inscreve choca com a exigência de um processo que os Centros Novas Oportunidades querem com qualidade, rigor e exigência. Mas para aqueles candidatos que aprenderam com a vida, ganharam competências e conhecimentos não podemos dizer que é rápido. Podemos dizer que é justo que não tenham que passar pelo mesmo tempo que aqueles que completam uma aprendizagem inicial no ensino regular desde que o processo de RVC seja feito com a referida exigência que por esta vida credibilize o processo em si mesmo e valorize essa aprendizagem ao longo da vida com vista a uma potencial e desejada qualificação durante e após o reconhecimento de competências.

2. Muitos dirão que é devido a uma campanha de publicidade em torno da marca “Novas Oportunidades” que resultou nessa procura e que não corresponde a uma efectiva mobilização social. É verdade que a Iniciativa Novas Oportunidades têm uma imagem nos meios de comunicação social constantemente presente. Mas será que, como qualquer outro produto, quando a maioria das pessoas explora o conteúdo do mesmo e não encontra qualidade no mesmo o continua a procurar? Não existirá, como muitos adultos referem, uma justiça social no reconhecimento de competências ganhas pela experiência de vida que, por motivos vários não foram ganhas na escola mas na aprendizagem não formal ou informal do contexto pessoal, profissional ou social e que a escola tem o dever de reconhecer por não ter dado opções válidas ao longo dos últimos anos que permitisse esse “regresso à escola”?

Retirando agora os lugares comuns e olhando mais aprofundadamente temos que ir mais longe na resposta e ficam 4 ideias complementares:

1. O mercado de trabalho, as promoções laborais, as regras de contratação, a exigência da inovação, a melhoria no desempenho são um factor fundamental na procura da obtenção de uma equivalência a um nível de escolaridade, muitas vezes interrompido pela necessidade de ingressar nesse mesmo mercado de trabalho que agora exige mais, assim como, se torna fundamental para o acesso a acções de formação que exigem, para ingresso, um determinado nível de habilitações.

2. A fácil conciliação entre o Trabalho e a Escola. O uso destes dois termos em linguagem mais simplificada é de propósito. Falamos do Trabalho e da Escola. A maioria de quem procura o reconhecimento das suas competências por via das “Novas Oportunidades” tem uma actividade profissional que ocupa a maioria do tempo útil de um dia. Para muitos existe ainda outro elemento: a Família. O modelo de um trabalho/estudo/reflexão mais autónomo é uma das potencialidades mais importantes deste modelo.

3. A característica de ser um processo individual, único e personalizável(zado). O reconhecimento de competências é um processo feito à medida de cada um dos adultos. Este respeito pela história de vida de cada um surge, muitas vezes, como elemento determinante para a (re)valorização pessoal. Hoje, numa expressão que já ouvi e da qual partilhei o nascimento estamos perante Centros Novas Oportunidades que fazem “Alta Costura” para muitos “clientes”. Esta metáfora serve para descrever uma visão fundamental de toda a valorização dos conhecimentos, aptidões, capacidades e competências adquiridas ao longo da vida que devem resultar numa resposta à medida dos objectivos de cada um dos adultos. Aqui é de reconhecer o bom trabalho que as equipas dedicadas têm realizado. Um dos segredos desta mobilização resulta essencialmente da capacidade de muitas equipas neste apoio pessoal aos adultos em processo.

4. O reconhecimento do mercado de emprego e das empresas. Durante algum tempo houve um afastamento do mercado de emprego e das empresas do movimento de procura da Iniciativa Novas Oportunidades. Hoje e principalmente com o anúncio público de inúmeras parcerias com grandes grupos empresariais chega a informação desse mesmo reconhecimento da qualificação como estratégia de muitos dos agentes empregadores em Portugal. Este é também já um factor de mobilização para muitos candidatos.

Como este post já vai longo e irei retomar esta questão em breve termino por aqui por agora. Mas antes de terminar queria deixar dois factores que podem deitar por terra este movimento de mobilização:

1. Que os processos de reconhecimento de competências não sejam estruturados em função de um objectivo de qualificação que se desenrole com vista à consciencialização das competências adquiridas e a adquirir no decurso e após o processo conclusão de certificação.

2. Que os portefólios não sejam construídos com objectivos claros e negociados entre a estrutura orientadora do processo e a história de vida do adulto, assim como, da procura de resposta aos objectivos referidos no ponto anterior. Deste triângulo resulta um projecto de qualificação útil, objectivo, credível e de valorização pessoal e consciente da importância da aprendizagem ao longo da vida no futuro a curto, médio e longo prazo para cada um dos adultos.

Ao longo dos próximos meses regressarei a estas questões e outras que destas emergem. Para todos, renovados votos de um bom ano de 2009!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Boas Festas!

Desejo, sinceramente, um Santo Natal e um 2009 cheio de sucessos e "novas oportunidades" pessoais e profissionais:

A todos os directores, coordenadores, técnicos, profissionais, formadores dos Centros Novas Oportunidades;

A todos os adultos, alunos e amigos;

E a todos os leitores deste blog!



Regresso com novas actualizações a este espaço na primeira semana de 2009.

Desejos para 2009: 10 ideias e uma vontade.

Estive a pensar qual iria ser o meu penúltimo post neste blog até ao regresso em 2009. E fiz uma lista de desejos, transformados em 10 ideias e uma vontade.

Eis a lista de desejos para a Iniciativa Novas Oportunidades (Vertente RVC - Adultos) para 2009 que deixo aqui em linhas muito simples:

1. Que se repense a forma como as metas são definidas e que estas possam ser definidas pelos Centros Novas Oportunidades em função da sua situação geográfica, capacidade de organização em conciliação com os objectivos nacionais.

2. Qua se repense e reforçe a formação das equipas técnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades, assim como, das equipas dos Cursos de Educação e Formação de Adultos.

3. Que se criem e realizem auditorias e sessões de acompanhamento aos Centros Novas Oportunidades com objectivos de informação, verificação e orientação das actividades que criem uma orientação nacional quanto às linhas fundamentais e globais do projecto.

4. Que se criem, entre os Centros Novas Oportunidades, verdadeiras redes de cooperação e colaboração a nível regional e local.

5. Que as equipas técnico-pedagógicas promovam efectivos processos de reconhecimento de competências e formação com base na história de vida dos adultos com rigor, qualidade e com um modelo integrado de qualificação pós-processo.

6. Que seja criada uma plataforma de cooperação e colaboração on-line para partilha, entre equipas dos Centros Novas Oportunidades de «boas práticas» e partilha de recursos.

7. Que seja ministrada formação e criados procedimentos de actuação para os Avaliadores Externos por forma a valorizar o conceito de promoção de credibilidade e articulação entre estes e as equipas técnico-pedagógicas.

8. Qua a Agência Nacional para a Qualificação promova uma efectiva monitorização dos Centros Novas Oportunidades, assim como, promova a reflexão, articulação e mobilização de estratégias para a consolidação da Iniciativa Novas Oportunidades dentro e fora do sistema educativo em Portugal.

9. Que se promova e revele os resultados da Avaliação Externa com o objectivo de promover uma reflexão formativa para a Iniciativa Novas Oportunidades e se necessário se reformule práticas, procedimentos e recursos.

10. Que o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências se afirme como estratégia valorizada para abrir portas de qualificação aos milhares de adultos que "regressaram à escola" e à valorização da aprendizagem como melhoria das competências pessoais e profissionais de todos e de cada um destes "novos alunos" que a Escola tem que saber acolher e (re)qualificar.

Por último uma vontade. A vontade de ver, em 2009, cada um dos adultos que terminaram o processo de RVC continuarem o seu processo de formação por via da frequência de novas acções de formação e da aposta no conhecimento como via para a sua valorização pessoal e profissional.

Os últimos júris e sessões de trabalho de 2008...

Para terminar 2008 deixo os últimos momentos de partilha entre júris e sessões de trabalho.

Uma visita a um Centro Novas Oportunidades no qual me sinto um profundo e sincero investimento na qualificação dos adultos foi o que fiz na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Há, na equipa, acima de tudo, um respeito pelas pessoas que "regressam à escola" e são, por todos os elementos da equipa, apoiados no processo de reconhecimento das suas competências, assim como, na aposta de uma qualificação/formação num futuro próximo. Reitero a ideia que já referi que este centro tem feito um trabalho de excelência. Parabéns à equipa e aos adultos!

Outro júri, o primeiro júri do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa. Tenho tido a sorte de acompanhar a dedicação, o profissionalismo e a procura de uma resposta de qualidade das equipas técnico-pedagógicas no que diz respeito à implementação do processo de RVC de nível secundário. Para além de uma boa apresentação feita pela adulta em júri, a equipa demonstrou que, mais uma vez, a exigência e o rigor não podem estar ausentes do processo de reconhecimento de competências pois estes são, para muitos adultos, uma forma de valorização e credibilização da sua certificação. Parabéns à Fátima que completou o seu processo e à equipa pelo trabalho realizado.

Uma sessão de trabalho levou-me ao Agrupamento de Escolas de Maceira. Desta vez a sessão de trabalho não foi com a equipa do Centro Novas Oportunidades, embora tenha estado presentes o seu coordenador e o director. Foi com a equipa do Curso de Educação e Formação de Adultos, de Nível Secundário. Gosto muito destas sessões de trabalho pois estou em contacto com pessoas que dedicam o seu profissionalismo, dedicação e neste caso, o próprio tempo pessoal, para trocar ideias, procurar melhorar práticas e promover soluções de formação à medida dos formandos. Tenho que deixar uma palavra a toda a equipa pela forma sempre cordial, amiga e simpática como sou sempre recebido nesta escola.

Por último, a primeira sessão de júri de Nível Secundário do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Tenho acompanhado o trabalho deste centro nos últimos tempos e novamente refiro o que encontro sempre: o rigor, o desejo de estar a fazer bem e com qualidade. O Joaquim, adulto proposto para certificação total de nível secundário realizou uma excelente abordagem ao seu portefólio e às suas competências, assim como, um excelente conhecimento do que se deseja com o processo de RVC. Este trabalho só foi possível pelo bom acompanhamento que teve de uma equipa dedicada como o é a deste centro. Ao adulto, sinceros parabéns, assim como à equipa de coordenação, profissionais e formadores.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Competência ou Competências?

A utilização de um conceito deve ter sempre associado o seu fundamento teórico. Cada vez mais a banalização do conceito de "Competência" pode, de facto, ganhar essa facilidade de aplicação e afastamento da sua verdadeira definição. Deixo as diferentes, mas complementares, visões e definições.

«No dizer de Isambert-Jamati (1997) existe um maremoto semântico na definição de Competência. E esse polimorfismo causa confusão no termo competência abordando significâncias diferentes no âmbito da educação atrelada a saberes e conhecimentos e no âmbito do trabalho mais direccionada à qualificação.

No campo da educação entende-se por Competência o que Perrenoud (2001) estabelece o conceito de “a capacidade de articular um conjunto de esquemas, situando-se, portanto, além dos conhecimentos, permitindo mobilizar os conhecimentos na situação, no momento certo e com discernimento”.

Nos diversos conceitos de competências sempre estarão elencados a possibilidade da mobilização da acção. Lê Boterf afirma que competência são saberes mobilizáveis na acção, o que corrobora com este conceito também Jean-Marie De Ketele.

O Berbard Rey (2004) divide as competências em destreza cognitiva e comportamental. Philippe Meirieu (1996) comenta que competência é aprender fazendo, o que não se sabe fazer. A competência quando valoriza-se a situação de aprendizagem passa a ser uma aquisição incorporada.»
Fonte: Aqui.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um Documento Fundamental

Existe um documento da Organização Internacional do Trabalho, de 2007, que é fundamental para as linhas de rumo dos grandes desafios de promover efectivos ganhos de competências. Esse documento tem como título: Empregabilidade: educação, desenvolvimento de competências e tecnologia. Foca essencialmente três linhas de rumo de partilho e considero vitais:

O desafio da adaptação dos sistemas de educação e de formação:

"Parte do problema da empregabilidade dos jovens é a relevância do conhecimento adquirido, das competências e das qualificações académicas e formativas face às actuais oportunidades do mercado de trabalho".

Parcerias público-privado na melhoria das ofertas de educação e de formação:

"As políticas e os sistemas nacionais de educação e de formação enfrentam cada vez mais o desafio de se adaptarem constantemente às exigências de mercados e sectores competitivos, assim como às necessidades de aprendizagem dos indivíduos. Os sistemas de educação e de formação centrados na escola, pela sua natureza, parecem ter uma capacidade limitada para desenvolver as competências mais específicas relacionadas com o trabalho e, desse modo, a aprendizagem no local de trabalho e a formação nas empresas passaram a ser indispensáveis."

Empregabilidade e desenvolvimento de competências na economia informal e nas comunidades:

"Uma estratégia para melhorar a economia informal não pode assentar exclusivamente no recurso a diplomados dos sistemas de formação formal que aplicam as suas competências em pequenas empresas da economia informal. O ponto fulcral do desenvolvimento de competências na economia informal situa-se, por conseguinte, no incremento das competências das mulheres e dos homens que trabalham na economia informal e na identificação de formas de reconhecimento formal das suas competências."

Fonte: Aqui.

A importância do Conhecimento

De tempos a tempos volto aqui à luta da importância do Conhecimento como elemento fundamental da evidência de uma Competência. Creio que não podemos pensar nenhum destes factores isoladamente. Há uma depedência de necessidade entre ambos.

«As informações constituem a base do conhecimento, mas a aquisição deste implica, antes de mais, o desencadear de uma série de operações intelectuais, que colocam em relação os novos dados com as informações armazenadas previamente pelo indivíduo. O conhecimento adquire-se, pois, quando as diversas informações se interrelacionam mutuamente, criando uma rede de significações que se interiorizam. Na actualidade, uma das perturbações provocadas pelos media é o facto de que o homem moderno crê ter acesso à significação dos acontecimentos, simplesmente porque recebeu informação sobre aqueles.”
(Gispert Pellicer, 1997:88) Lido aqui.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Conhecimento Prévio como Solução

«Conhecimento prévio. Essa é a chave para quem trabalha com Educação de Adultos (EFA). Reconhecer os alunos como iguais, portadores de cultura e de saberes, é o primeiro passo para o sucesso. Afinal, estes estão a voltar à escola na procura da educação que o mercado de trabalho exige. Muitas vezes chegam cansados, depois de um dia de trabalho, com pouco tempo para dedicar aos estudos, mas cheios de histórias e vivências, ou seja, com um conhecimento prévio bem diferente (porque muito maior) do que as crianças.»

Fonte: «Eles têm muito a ensinar»; Nova Escola

Avaliar Competências

"(...) A avaliação de competências não é, pois, um processo em si mesmo distinto da avaliação em geral. A dificuldade que agora se torna mais visível resulta do facto de, na avaliação escolar, haver um conjunto de procedimentos sobretudo “classificativos” instalados na cultura, que deixam muito na sombra a efectiva avaliação com todo o trabalho de exigência, regulação permanente e articulação de procedimentos que ela exige. A visibilidade das competências no discurso curricular e no campo das políticas internacionais de educação e de trabalho não irá permitir, a médio prazo, que o modelo de funcionamento da escola se mantenha nas suas rotinas antiquíssimas e poderosas, que tendemos a olhar como “naturais”.(...) Avaliar competências vai obrigar a focar a avaliação naquilo que o nosso ensino conseguiu ou não. Como sempre se deveria ter feito... Não se avalia uma competência listando perguntas ou pedindo exercícios mais ou menos mecânicos que, supostamente, nos indicam se o aluno “sabe a matéria”. O esforço começa, como já referimos, na adequada clarificação dos objectivos em termos da(s) competência(s) pretendida(s), e no desenvolvimento do trabalho das aulas de modo a orientar nesse sentido. Não se abandona nenhum conteúdo, mas têm todos de ser sempre repensados face ao que pretendemos que se faça com eles e através deles. Assim, aquilo que constitui objecto de ensino e de avaliação num currículo orientado para competências, não se organiza em função de sequências temáticas, mas em função da competência pretendida. (...) Em que reside a especificidade? Não na especial dificuldade de conceber situações de avaliação deste tipo - o que até pode ser muito simples - mas em focar a actividade (quer de ensino, quer de avaliação) na construção de meios para verificação de como é que o aprendente “se mexe” face ao que se pretendia que ficasse apto a saber fazer, relacionar, usar, mobilizar… Isso implica pensar os porquês e para quês de cada actividade, ou de cada elemento de avaliação, em função da concretização da competência pretendida com exemplos da sua utilização eficaz. Implica perguntarmo-nos: O que é que ele/ela vai demonstrar ao fazer isto que estou a pedir? De que outras formas pode ser também demonstrada esta mesma competência nesta tarefa? E outras tarefas, que não sejam perguntas?(…) Não se trata, pois, de uma complexidade maior, mas de uma análise mais fina e permanente do que fazemos e para quê - Que pretendo eu que os meus alunos aprendam, de que quero que fiquem capazes, ao organizar este trabalho, esta tarefa? E como é que este instrumento ou tarefa de avaliação me pode mostrar que ficaram realmente capazes? (…) Implica, sim, romper com uma lógica de anos, que nos leva a conceber aulas como momentos organizados em função de “percorrer” um conteúdo (vulgo, dar uma matéria…) que daí a uns tempos se perguntará num exercício, teste ou a dita ficha de avaliação (será que avalia mesmo?…) para, em vez de “dar aulas” nos tornarmos “construtores de aulas”, enquanto tempos e espaços de pensar sobre, de compreender realidades, de transformar as informações em conhecimento consistente, de ampliar o conhecimento com que se começou, de realizar tarefas exigentes que, ao envolverem novos conteúdos, ensinem e “obriguem” a pensar, a compreender, a usar... "

Maria do Céu Roldão (2003)
Gestão do Currículo e Avaliação de Competências
As questões dos professores
Ed. Presença

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Profissões Regulamentadas: Quais são?

Tenho por hábito referir no final das sessões de júri que existe, muitas vezes, para o exercício de uma profissão uma necessidade dos candidatos procurarem formas de obter as chamadas "Carteiras Profissionais". Fica aqui um local de apoio e de consulta fundamental para os Técnicos de Diagnóstico e Encaminhamento.

«Pode aceder aqui à base de dados das profissões cujo exercício, em Portugal, se encontra regulado por títulos profissionais obrigatórios (Licença, Carteira Profissional, Cédula Profissional ou outro) que garantem a posse das competências necessárias. Nesta base de dados apenas se incluem as profissões regulamentadas que se encontram integradas em Directivas Comunitárias de Reconhecimento das Qualificações Profissionais.»
Fonte: IEFP

domingo, 14 de dezembro de 2008

Capacidade e Competência: São a mesma coisa?

Muitas vezes há uma facilidade de confundir uma capacidade com uma competência. Aqui ficam algumas pistas para a sua diferenciação.

« As COMPETÊNCIAS TÉCNICAS estão relacionadas a INTELIGÊNCIA INTELECTUAL (QI), ou seja, a quantidade de conhecimento formal e académico que o indivíduo conseguiu adquirir (domínio de idiomas, formação académica, domínio de metodologias de trabalho, etc.).

Já as COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS dizem respeito a INTELIGÊNCIA EMOCIONAL (QE), ou seja, o nível de equilíbrio e adequação com o indivíduo interage com o meio em que está inserido. São exemplos de competências comportamentais habilidades como a flexibilidade, criatividade, organização, comunicação, foco em resultados, ousadia, planeamento, administração do tempo, etc.

As COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS tem sido preocupação recente do mercado de trabalho e da educação/formação, que a não muito tempo atrás observava apenas a habilidade técnica do profissional e estudante, mas hoje este quadro mudou e muitos trabalhadores e estudantes, considerados exímios tecnicamente estão sendo desligados das suas organizações e escolas/contextos de aprendizagem em função da falta de COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS.»
Adaptado: Fonte aqui.

Capacidades2
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sábado, 13 de dezembro de 2008

Júris, Sessões de Trabalho e tudo o mais...

No final de mais um ano tenho que deixar uma palavra às equipas técnico-pedagógicas que tenho a honra de conhecer e de colaborar com todas as pessoas que as compõem. Hoje existe uma escola dentro da escola. Existem Centros Novas Oportunidades com mais inscritos que os alunos do ensino regular. E equipas que trabalham continuamente. Com um esforço, dedicação e qualidade que tem que ser referidos, destacados, valorizados e reconhecidos. Fica uma palavra pública para todos os técnicos, profissionais, formadores e coordenadores que têm feito o melhor que sabem e que podem com um profissionalismo admirável. Tem sido uma honra pessoal e profissional trabalhar com cada um destes elementos e com cada uma destas equipas. Um merecido obrigado e um sincero reconhecimento: Parabéns!

A visita ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré foi, nestes últimos júris, um encontro com um projecto consolidado, de qualidade e de uma capacidade de resposta aos adultos que procuram uma resposta para a sua qualificação que visam a credibilidade da Iniciativa Novas Oportunidades. Disse presencialmente à equipa técnico-pedagógica, que existe uma melhoria sustentada do seu trabalho, considerando a dedicação que os profissionais, formadores e coordenação tem tido, ao longo destes últimos tempos, que os coloca como centro de referência e excelência na capacidade de conciliação entre o humanismo que determina este centro e a qualidade do trabalho realizado. Fica o meu reconhecimento pessoal e profissional pelo trabalho realizado. Sinceramente, parabéns!

Estive numa sessão de trabalho com a equipa técnico-pedagógica no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Mealhada. Estas sessões servem, muitas vezes, para eu, enquanto Avaliador Externo, poder ir acompanhando a evolução da actividade dos centros com que colaboro, assim como, responder a algumas questões práticas que possam resultar na credibilização do processo de RVC. Encontrei, como já é hábito neste centro, uma equipa preocupada com a qualidade do seu trabalho. Deixo uma palavra de incentivo para referir que estão no caminho certo e o resultado da dedicação que encontrei terá o respectivo reconhecimento social e na efectiva qualificação dos adultos que se inscreveram neste Centro Novas Oportunidades.

Estive também numa sessão de trabalho no Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas da Pampilhosa. Uma equipa jovem e determinada em fazer um bom trabalho determina a característica deste Centro Novas Oportunidades. A troca de ideias que realizo nestes momento de trabalho conjunto servem muitas vezes para entender as dificuldades que as equipas têm na implementação de algumas das directivas produzidas. Creio que, pelo dinamismo que encontrei na equipa, a superação das dificuldades de operacionalização serão, sem grande dificuldade, superadas pela equipa tendo como objectivo a qualidade, o rigor e a valorização do processo de RVC.

E mais um júri no Centro Novas Oportunidades do Agrupamento de Escolas de Ansião. O trabalho realizado pela Dra. Cláudia Branco, enquanto profissional RVC, e das restantes formadoras, levou à conclusão, com sucesso e valorização pessoal e profissional de mais um adulto. Penso que este centro desenvolve, neste momento, um trabalho de efectiva qualificação de cada um dos adultos que procura uma solução para o recomeço do seu processo de formação e educação. Parabéns ao candidato e à equipa!

Um júri levou-me ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda. Tenho que destacar duas coisas que registei e quero divulgar neste espaço. Uma adulta, Vera Gomes, fez uma viagem de Espanha para Portugal para realizar o seu júri final. Havia no olhar e na força que revelou na sua apresentação uma curiosidade e luta constante para saber mais. Curiosamente revelou que se tinha inscrito na biblioteca no local onde residia para ler e assim aprender melhor a falar espanhol. Sirva este exemplo de força e valorização do processo de RVC e de aprendizagem para aqueles que colocam o tempo ou a distância como impossibilidade para a conclusão dos seus processos de qualificação. Com força de vontade tudo se consegue como nos provou, a todos, a Vera Gomes. Parabéns sinceros! E quero também destacar o trabalho realizado por alguns elementos da equipa na melhoria contínua do processo. Foi muito positivo ouvir alguns adultos, no final da sua sessão de júri, falarem já do que desejam fazer no momento pós-processo de RVC, quer pela formação profissional, quer pela via do regresso à aprendizagem formal.

Aprendizagem e Competências...

Será que é incompatível falar-se de aprendizagens e competências num contexto/processo de RVC?
«Os resultados do estudo realizado permitem dizer que o desenvolvimento de uma competência específica não é um mero produto de processos e formas de aprendizagem particulares. Tal qual o processo de aprendizagem, o de desenvolvimento de competências é dinâmico e complexo e, ambos estão totalmente inter-relacionados. A complexidade da combinação de diferentes ambientes e formas de aprendizagem, contexto e possibilidades permitem em maior ou menor grau o desenvolvimento de competências ao indivíduo. Tentar uma separação para compreendê-los isolada e separadamente seria, no mínimo, imprudente.
O contexto é uma complexa trama de referências (intercâmbio de informações, ideias, entre outros) que, em longo prazo, pode auxiliar a configurar o saber dos indivíduos e, em igual tempo, determinar uma arquitectura social para este saber. Compreendido deste modo, o contexto onde ocorre a aprendizagem pode ou não criar equilíbrio dinâmico entre o saber/teoria e saber-fazer/prática. É através desta estreita interdependência ou co-produção de conhecimento teórico-prático que as competências podem ser desenvolvidas. Aprender significa desenvolver competências por envolvimento num processo contínuo de aprendizagem. Como tal, a aprendizagem não é apenas reprodução, mas também reformulação e renovação do conhecimento e das competências.»


Fonte: Aqui.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

+ 23: Uma análise inicial...

Tenho manifestado neste espaço a minha reserva sobre o processo de acesso ao Ensino Superior por via do designado: "+23 anos".

Ficam aqui algumas das razões pelas quais a minha opinião ainda não mudou...


«É um dos fenómenos em alta em Portugal, embora esteja ainda por determinar se deste “boom” estatístico resultará uma história de sucesso: entre 2004 e 2007, o número de estudantes adultos que se inscreveu no 1.º ano do ensino superior registou um aumento superior a 2000 por cento. (...) (Estes alunos...) Fogem da Matemática, privilegiam os cursos de Direito e de Psicologia, a sua taxa de transição de ano está aí dentro da média, mas eles quase não se encontram nas faculdades que, segundo o Ministério do Ensino Superior, garantem melhor empregabilidade, e quando estão naufragam.

No Instituto Superior de Engenharia de Lisboa a taxa de transição pouco ultrapassou os 20 por cento (em 90 transitaram 19). Na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa estavam inscritos, no ano passado, 6585 estudantes. Destes, 12 entraram ao abrigo do regime "maiores de 23". Nenhum deles passou de ano.»
Fonte: Público

Futurália: de 10 a 13 de Dezembro

Já se encontram disponíveis aqui e aqui as actividades da Futurália 2008.

Clique na imagem para consultar a newsletter.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CNO Destaque do Mês de Dezembro: E.S. Marques Castilho

Durante o mês de Dezembro estará neste blog em destaque o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Marques Castilho em Águeda.
Por contacto do coordenador fui convidado para colaborar com a equipa como Avaliador Externo. O trabalho teve o seu início recentemente mas quero destacar a vontade e capacidade de orientar os objectivos deste Centro Novas Oportunidades para a qualidade, o rigor, a credibilidade e a valorização do processo de Reconhecimento e Validação de Competências que todos os elementos da equipa técnico-pedagógica demonstraram desde o primeiro momento. Em breve haverá novidades sobre as actividades deste centros, assim como, alguma reflexão em torno do processo desenvolvido pela equipa.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Comenius Regio: Candidaturas abertas.

A nova acção Comenius Regio, do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, foi lançada pela Comissão Europeia no âmbito da promoção da cooperação no ensino.

Com um orçamento anual de 16 milhões de euros, as parcerias Comenius Regio apoiarão a cooperação entre autoridades locais e regionais, estabelecimentos de ensino e outras entidades educativas na Europa.
As parcerias Comenius Regio podem incluir uma vasta gama de acções, como intercâmbios entre pessoal escolar, acções de formação conjuntas para professores, aprendizagem interpares ou visitas de estudo. Podem igualmente incluir várias outras actividades nas regiões envolvidas, por exemplo, avaliações, experiências com novas abordagens educativas ou campanhas de sensibilização.
O prazo para se candidatar aos subsídios é 20 de Fevereiro de 2009. As candidaturas devem ser apresentadas pelas autoridades escolares locais ou regionais. Os candidatos bem sucedidos serão seleccionados no Verão de 2009 e as acções podem começar a partir de Agosto de 2009. Os subsídios apoiarão as parcerias durante dois anos. O financiamento contribuirá para os custos das deslocações entre as regiões parceiras e das actividades dos projectos.
A Comissão espera financiar cerca de 500 regiões através da acção Comenius Regio.

Mais informações: PROALV