sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Testemunhos — Trajectos de Qualificação


«Testemunhos — Trajectos de Qualificação é um projecto desencadeado e produzido pelo IEFP em que, ao longo de mais de um ano, envolveu dez autores — da fotografia, ao documentário e à escrita — que desenvolveram trabalhos tomando como referência o tema da qualificação, na dupla dimensão escolar e profissional. Procurou-se, deste modo, potenciar uma representação actualizada e empiricamente sensível sobre o quotidiano de pessoas e perfis sócio-profissionais, sobre contextos de formação e sobre condições sociais e ambientes laborais em que o desafio da qualificação tem vindo a adquirir especial oportunidade e relevância pública.

Esta exposição engloba três componentes fundamentais: um documentário, Nacional 206, realizado por Catarina Alves Costa, sobre uma fábrica de têxteis situada no Vale do Ave. Seguem-se as fotografias de Patrícia Almeida feitas em cinco centros de formação, maioritariamente localizados nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Por fim, surge o conjunto de sete séries de fotografias e de escritos sobre o quotidiano de sete pessoas que têm em comum o facto de frequentarem ou de terem frequentado programas de formação profissional. Os sete fotógrafos são: Augusto Brázio, António Júlio Duarte, Sandra Rocha, André Cepeda, Pedro Letria, Augusto Alves da Silva e João Serra. Os textos são da autoria de Kathleen Gomes.

Deste modo, por entre imagens e palavras, Testemunhos — Trajectos de Qualificação propõe uma incursão sobre experiências reais nos domínios do trabalho e da formação, mas também sobre modos e percursos de vida que inevitavelmente nos faz pensar sobre a relação entre trajectos educativos e trajectos profissionais. Esta é, como sabemos, uma reflexão cada vez mais presente e necessária, também porque abrange uma significativa maioria da população portuguesa. Contudo, mais do que descrever e procurar respostas esta exposição pretende sobretudo delimitar um contexto susceptível de mobilizar a nossa consciência individual e colectiva para uma temática que atravessa diferentes aspectos do domínio privado e público e que nos remete, inevitavelmente, para os dilemas e os desafios de um país em mudança.»
Fonte: Aqui.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Dia Internacional de Histórias de Vida

Para quem não deu por isso a 16 de Maio de 2008 foi criada uma rede. Esta rede assentava na criação de um projecto do Dia Internacional de Histórias de Vida. Uma iniciativa da Rede Internacional de Museus da Pessoa que representa um movimento a seguir. Fica a página do encontro sempre actualizada.


Implementação de Portefólios Digitais

«No contexto educativo e.portefólio é uma selecção digital de trabalhos produzidos pelos alunos/formandos que apresentam evidências da aprendizagem. A sua organização permite acompanhar o progresso e o desempenho do seu autor através do registo dos êxitos e das dificuldades encontradas ao longo de um período de tempo determinado para a sua elaboração. O arquivo dos resultados da aprendizagem, reflexões e testemunhos mais significativos é realizado online. Este facto possibilita a partilha de conhecimento entre comunidades e favorece a recolha de feedback de colegas e professores. (...)
Em termos de avaliação, esta colecção refinada de conteúdos privilegia a avaliação formativa, o formando é um participante activo na avaliação, durante o processo de construção deve reflectir sobre os documentos seleccionados e desvendar as razões das suas opções. A reflexão deve permitir a tomada de consciência sobre pontos fortes e fraquezas relativamente ao processo de aprendizagem e aos progressos verificados.»
Fonte: Aqui.

Existe um estudo baseado numa tese de mestrado muito interessante que pode ser consultado aqui: DigitalPortfólio

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Trabalhos? Desafios? As minhas dúvidas...

Nos últimos tempos tenho assistido atentamente à lógica com que muitos Centros Novas Oportunidades estão apoiar os adultos na construção dos seus Portefólios. Falo aqui essenciamente do nível Secundário. E vou deixar duas ou três linhas de reflexão em torno do processo como um todo.

Sou um observador do que, no espaço da internet se vai passando sobre as Novas Oportunidades e o processo RVCC em particular. Vejo diariamente surgirem espaços, mensagens em blogs, comentários em redes sociais e ajudas entre várias pessoas ligadas ao processo RVCC. Mas há uma coisa que me tem deixado preocupado. São as "dicas". Ou os "trabalhos". Ou os "desafios". Ou as "propostas de actividades". Tudo isto para um processo que se chama de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competência.

A minha primeira reflexão vai no sentido de questionar esta lógica de "propostas de trabalho" que passam por analisar um vídeo sobre um tema ou fazer isto ou aquilo como análise de factos, acontecimentos ou reflexões. Estamos a falar de Reconhecimento. Não estamos a falar de Formação. Não são os profissionais e formadores que devem "criar" essas competências. Que essa lógica possa ser adoptada num curso de Educação e Formação de Adultos é sem dúvida uma estratégia válida. Mas não o é para o RVCC. Muito menos para adultos/candidatos que estão a procurar ver reconhecido o que aprenderam ao longo da vida ao nível da equivalência de um nível Secundário.

O resultado são Portefólios onde abundam "trabalhos" sobre Reciclagem, Direito do Trabalho, Tecnologias e mais uns quantos temas iguais em todos os adultos/candidatos que, muitas vezes, não possuem essas competências e por esta via as equipas reconhecem uma coisa que não existia mas que se torna evidente por estratégia errada e que desvirtua a lógica interna de um processo que se baseia em conhecimentos, capacidades e aptidões adquiridas.

Dir-me-ão que as pressões das metas e mais uns quantos argumento se tornam válidos para implementar estratégias como esta. Não, não se tornam. Desvirtuam o próprio processo que na sua essência é válido. A ideia que ainda se mantém de que o adulto/candidato é senhor das decisões no seu percurso de qualificação ajuda ainda mais neste processo de confusão do que é uma metodologia com mérito. As equipas têm que tomar decisões. Não digo que não usem todas as estratégias para apoiar os adultos quando estes estão em processo. Passando pela formação complementar às UFCD's/Modulares (que já são enxertos no meio deste processo) todas as estratégias devem ser usadas. Mas há que afirmar abertamente que o processo RVCC não é para todos. Não faz sentido para todas as 500.000 pessoas que recorreram às Novas Oportunidades para regressar à escola.

Estamos numa fase de olhar para esta Iniciativa que tem o mérito fundamental de ter feito regressar a tantos candidatos o desejo de ver melhorada a sua qualificação e explicar que para se conseguir essa certificação há pressupostos a cumprir. A existência de um perfil de competências inicial é um deles. A experiência, o conhecimento e mérito são outros. E a experiência, o conhecimento e o mérito são também objectivos. Do candidato e do processo RVCC em si mesmo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O Processo RVCC: Pela experiência.

Nas minhas leituras recentes das pesquisas na internet encontrei este relato que agora destaco:

«O Referencial de Competências Chave para a Educação e Formação de Adultos é o documento fundamental que orienta o trabalho de reconhecimento, validação e certificação desenvolvido pelos profissionais, pelos formadores e pelo adulto num Centro de RVCC. O referencial orienta o trabalho de reconhecimento e validação das competências dos adultos, a partir das suas histórias de vida, experiências, formações, auto-aprendizagens. Neste domínio a equipa de RVCC constituída pelos profissionais e formadores têm um papel muito importante pois irão apoiar o adulto durante o processo de RVCC, na compreensão e interpretação dos referenciais. “É essencial que o formador e formandos trabalhem em conjunto, o que só poderá acontecer quando for ultrapassada a diferença entre o formador que ensina e o formando que aprende. Mais do que ensinar, o formador-animador é alguém que ajuda os adultos a aprender” (Ferreira, 2007). Destaco a importância do profissional dos CRVCC pois são eles que irão acompanhar o adulto ao longo de todo o processo, desde a altura da entrevista inicial. Este deverá ter formação adequada para trabalhar com adultos, deverá adequar as metodologias e instrumentos de forma a desocultar as competências, deverá também manter uma certa cumplicidade com o adulto pois o relacionamento entre ambos é factor capital para se elaborar o portfólio/dossier (documento onde constam todos os trabalhos do adulto e em que estão mencionadas todas as evidências consoante o referencial). Posteriormente, este documento irá ser avaliado pelo júri de validação. Aqui faço uma referência à educação que Paulo Freire defende como sendo uma educação horizontal, onde existe uma partilha e onde o diálogo é uma “arma” muito importante para o processo de conscientização dos adultos, Freire enaltece o diálogo onde existe uma relação horizontal de A com B, (sendo esta a forma adequada de relacionamento entre os profissionais/formadores e os adultos) contrariamente a muitas escolas em que a educação é feita na vertical, onde os professores são os que depositam os seus saberes tidos como verdades absolutas, sem que possa existir uma troca, uma opinião critica. Temos que ter em conta que não podemos usar os mesmos métodos de ensino que utilizamos para educar as crianças, uma vez que os adultos possuem já uma experiência de vida, não esquecendo nunca que também eles são portadores de conhecimentos, tendo muito para nos ensinar.»

Fonte: Blog - Vivendo e Aprendendo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Avisos e Reflexões...

Ao longo dos últimos anos tenho acompanhado a implementação da Iniciativa Novas Oportunidades de norte a sul do pais. Tenho acompanhado, na função de Avaliador Externo, vários Centros Novas Oportunidades com os quais colaboro na realização de Júris de Validação. Falo por isso com a experiência que o tempo e a oportunidade me têm dado para olhar, como observador externo, sobre o que tenho visto. E quero destacar desde já que, dos vários (e já são bastantes) CNO que acompanhei ao longo destes anos, tenho uma ou duas experiências negativas que reportei a quem de direito e muitas positivas. Encontro, geralmente, equipas dedicadas, capazes e determinadas a fazer um trabalho de rigor e qualidade. Sem dúvida que só posso destacar esse profissionalismo que encontrei e encontro e não o tal facilitismo que se ouve ainda falar.
Mas chegou a altura de fazer um conjunto de "avisos à navegação"em jeito de carta aberta a todos (desde as equipas tecnico-pedagógicas à Agência Nacional para a Qualificação). E vou fazer esse conjunto de 4 avisos em jeito de síntese para reflexão de todos.

1. Tenho acompanhado a implementação do processo RVCC (e falo aqui principalmente ao nível do Secundário) e noto um movimento que me desagrada profundamente. Falo da emergência de empresas privadas, muitas designadas de "empresas de formação" e/ou centros de explicação que fazem uma oferta dos já chamados de "cursos de RVCC" onde por uma quantia, já algumas vezes significativa, apoio (elaboram) os portefólios e propostas de actividades. Creio que é altura de todos denunciarmos estas situações. Os CNO não podem aceitar processos que sigam esta lógica e os avaliadores externos têm que denunciar quando detectam estas práticas. Uma coisa é um adulto ter um apoio de um familiar, de um amigo ou de alguém pontualmente para o apoiar na elaboração das actividades propostas. Outra é não ser ele a fazer o seu portefólio e os CNO deixarem passar esta situação...

2. Oiço, muitas vezes, os profissionais RVCC falar que os adultos copiam muitas pesquisas que fazem na Internet e colocam no seus Portefólios. Condenando esta prática tenho reparado em situações piores. Consultei recentemente Portefólios que vão contendo parte de outros Portefólios que são cedidos por adultos que os colocam ou disponibilizam para consulta. É aqui que deixo uma palavra para os gestores e moderadores de espaços on-line (redes sociais e blogues) para alertarem para o risco dessa prática de cópia. Como sempre o faço neste blog ou por e-mail, quando me pedem exemplos de PRA's ou coisa parecida digo que o processo é único e individual e como tal não há exemplos a seguir. E se quiserem ver um exemplo devem ir ao CNO onde estão inscritos e pedir para consultar ou ter acesso caso o permitam.

3. Sendo de valorizar o facto de as equipas tecnico-pedagógicas estarem agora contratadas formalmente, e digo isto principalmente para os técnicos e profissionais, há ainda, principalmente nos CNO de entidades privadas, mas também públicas, algumas dificuldades da gestão dos financiamentos que promovem, muitas vezes, situações pessoais complicadas para os elementos das equipas. É altura de alertar para alguns destes casos principalmente para que as entidades financiadores possam libertar as verbas necessárias e temporalmente adequadas às necessidades de gestão que os coordenadores e CNO necessitam para a sua sobrevivência diária.

4. Há um défice de formação. Não é inexistência. É um défice de resposta da formação às necessidades dos CNO. E destaco aqui duas realidades concretas. A criação dos Técnicos de Diagnóstico e Acompanhamento vem trazer consigo uma necessidade de actualização constante destes profissionais no seu enquadramento funcional na articulação com a equipa, assim como, na sua função principal de dar resposta aos adultos. Por outro lado, as equipas técnico pedagógicas dos CNO têm dúvidas (e tenho feito inúmeras sessões de trabalho com estas equipas no terreno) muito concretas. Dúvidas de organização, funcionamento e prática. Não são dúvidas sobre enquadramento téorico ou reflexão. Creio que a formação ministrada pelas Faculdades ao nível destes objectivos não tiveram sucesso. Tenho, inúmeras vezes referido que as entidades competentes deviam ministrar formação aos Avaliadores Externos, por exemplo, para estes poderem ser um apoio directo das equipas no terreno. Outra solução passa pela potencial reformulação da formação como está a ser ministrada. Centrar-se na procura de resposta a questões concretas das equipas por workshops temáticas partindo de situações-problema por estes CNO previamente identificados.

Estas dúvidas, reflexões e avisos não tiram todo o mérito de regulação, organização e o esforço pessoal que cada um dos elementos das equipas e da ANQ têm feito para elevar a credibilidade da Iniciativa Novas Oportunidades. No terreno tenho registado sempre essa credibilidade e não o contrário. Estes avisos são só para serem um ponto de partida ao combate que é preciso travar para que, aqueles pequenos e menores (em número e valor) casos possam, de uma vez por todas, acabar.

A dinâmica de um CNO...

Tendo tido contacto profissional com a Escola Secundária Inês de Castro em Alcobaça esperei sempre que a abertura de um Centro Novas Oportunidades fosse um caso a seguir directamente. Assim o tem sido. Destaco as boas práticas que um CNO recente tem já implementadas. Começo pela existência de um recente blog do Centro Novas Oportunidades. Tendo já reparado que este espaço tem vários autores, espero que o possam também abrir aos adultos que frequentam o CNO, tornando-o num espaço de referência. Existe ainda uma rede social, interna, para troca de informações e práticas de trabalho que está a tornar-se numa estratégia de partilha entre todos os elementos da equipa muito rico e potenciador de boas práticas internas.
Por último, quero partilhar aqui uma apresentação criada pelo formador Nuno Duarte que pode ajudar muitos dos formadores de TIC/B3 que visitam este blog no processo de descodificação do referêncial de competências.

sábado, 1 de novembro de 2008

CNO Destaque do Mês de Novembro: ES Fernando Namora, Condeixa

Durante o mês de Novembro estará em destaque neste blog o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora em Condeixa. Visitei recentemente este CNO por convite da sua coordenadora, a professora Alice Santos, tendo encontrado uma equipa muito profissional e preocupada em construir um projecto assente no profissionalismo e credibilidade. Sei que a preocupação com o rigor e a qualidade são o leme desta equipa e que o trabalho realizado irá reflectir um concreto processo de qualificação para todos os adultos que frequentem este CNO. Fica aqui uma palavra de incentivo para a continuação de bom trabalho e o reconhecimento pelo que conseguiram até aqui.

A família e as relações sociais/profissionais.

A Andreia deixou no espaço de debate aberto um recurso que pode ser muito interessante para a construção das redes de relações sociais, profissionais e pessoais.




Júri, encontros e reuniões...

Partilho, mais uma vez, os encontros que tive nos últimos tempos com equipas dos Centros Novas Oportunidades. Mais uma vez destaco a qualidade humana e profissional de todos os elementos das equipas que conheci. E deixo a minha palavra de reconhecimento pelo profissionalismo e dedicação que em todas elas encontrei.

O CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré realizou mais um júri para a conclusão do processo de RVCC, nível Secundário. Mas este júri teve uma experiência particular. Um dos adultos, o Sr. Nelson Silva, convidou a equipa a visitar o seu local de trabalho, na fábrica da Vista Alegre e lá realizar o seu júri. Tenho sempre a ideia do necessário distanciamento entre um processo de RVCC escolar e do processo de RVCC profissional e como tal o receio da confusão entre ambos é sempre dificil quando os júris decorrem neste contexto. Foi aqui que a equipa do CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, mais uma vez, surpreendou pela positiva. A qualidade dos portefólios e da organização das apresentações finais foram muito positivas e a qualidade do processo foi, mais uma vez, credibilizado. Os meus sinceros parabéns a todos os adultos que concluiram o seu processo nesse dia e uma palavra especial à Dra. Helena Silva e Dr. João Henriques pelo excelente trabalho que estão a desenvolver.

Segue-se depois o primeiro contacto com a equipa do CNO da Escola Básica 2, 3 de Maceira. Um dos novos Centros Novas Oportunidades que abriam as portas e procuram iniciar um trabalho de qualidade e sustentado em boas práticas. A sessão de trabalho com a equipa resultou numa excelente troca de ideias e na evidência do profissionalismo e rigor que esta escola quer dar ao reconhecimento do processo RVCC como estratégia de qualificação. Deixo os meus sinceros votos de bom trabalho e força para os desafios do arranque do trabalho que sei, pelo que vi, será de elevada qualidade e inovação.

Outra visita à equipa do CNO da Escola Secundária de Arganil. Tenho em excelente consideração profissional o trabalho desenvolvido por este CNO no que concerne à implementação do processo RVCC em regiões onde este processo aparece como única solução para muitos daqueles que procuram a sua qualificação e apenas têm esta via para "regresso à escola". A carência de soluções alternativas ao processo RVCC tem sido ganho pela intervenção desta equipa e pela qualidade dos profissionais que a integram.

E regressei à Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda, ao Centro Novas Oportunidades para uma sessão de trabalho com a equipa. Destaco as questões que me foram colocadas que revelam um interesse na criação de uma articulação na equipa que permita uma resposta de qualidade para os adultos que procuram o processo RVCC ou qualquer outra via de melhoria da sua qualificação. As dúvidas que muitas vezes me são colocadas nestas sessões de trabalho são geralmente idênticas. Acima de tudo revelam, como se verificou neste caso, o desejo de qualidade, rigor e adequação entre as necessidades e a procura de uma resposta concreta e coerente para os adultos. Deixo uma palavra de reconhecimento pelo trabalho que esta equipa já fez e votos de sucesso para o futuro.

E por fim, já um convite mais ou menos "antigo" de visita ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Anadia. Já tinha consultado a página on-line deste CNO e reparei numa frase que se destaca no texto sobre a missão do CNO: "O importante é aquilo que as pessoas podem fazer com aquilo que sabem". Foi, sem dúvida, esse espírito que encontrei na equipa. O desejo de não cair na tentação do facilitismo e trabalhar com rigor e profissionalismo. As dúvidas sobre as tomadas de decisão são, nesta fase, muito importantes. E creio que as decisões tomadas por este CNO vão no sentido de credibilizar o processo e a sua implementação. Foi também muito curioso reencontrar pessoas a quem tinha perdido o rasto. Desejo à equipa um bom trabalho, que sei que o vão conseguir, pela excelente dinâmica que encontrei já implementada.

Volto às palavras iniciais. Há neste momento, nas escolas que conheço, um conjunto de pessoas que integram as equipas técnico-pedagógicas dos Centros Novas Oportunidades, que se dedicam com todo o seu profissionalismo a este processo. Para eles, o meu reconhecimento e o meu agradecimento pelo tanto que partilham comigo e que aprendo com cada um deles. Parabéns. Parabéns também, a todos os adultos que, ao terminarem uma fase da sua qualificação o fazem já com vista de novos desafios.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A rede de Centros para RVCC Profissional.

Tenho recebido um conjunto de e-mail's de Técnicos a solicitar informação de quais os centros para reconhecimento de competências profissionais (RVCC PRO). Aqui fica a listagem.

O Investimento e a Qualificação: O Exemplo Sonae

Já, neste espaço, fiz destaque do investimento que a Martifer fez na criação de um Centro Novas Oportunidades. Destaco agora o exemplo da Sonae. Quando associado a planos de formação internos a valorização do processo de certificação e qualificação pode resultar numa efectiva mais-valia profissional e pessoal para os trabalhadores.

«A Sonae Distribuição investiu 1,25 milhões de euros na criação de um Centro Novas Oportunidades (CNO), em Gaia, que se propõe formar 3.000 colaboradores da empresa até 2010, anunciou o presidente.

De acordo com Nuno Jordão, que falava durante a inauguração do novo CNO, a adesão dos trabalhadores do Modelo/Continente à iniciativa "ultrapassou as melhores expectativas", da empresa.

Segundo referiu, a forte adesão ao programa levou já à criação de uma "grande" lista de espera e está a acelerar a inauguração dos 17 pólos do CNO a criar na região do Grande Porto, 8 dos quais estão já operacionais.

A nível nacional, Nuno Jordão diz serem potencialmente abrangidos pelo programa Novas Oportunidades 19 mil dos 32 mil colaboradores da Sonae Distribuição, sendo intenção da empresa criar condições, em vários hipermercados do país, para ministrar a formação aos interessados.

O CNO de Gaia será, contudo, o único centro a criar na sequência do protocolo celebrado em Julho com a Agência Nacional para a Qualificação e o Instituto do Emprego e Formação Profissional, no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades, sendo a sua execução acompanhada por uma comissão constituída por representantes de cada entidade signatária.»

Fonte: RTP

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uma dica interessante...

Uma das equipas que tenho em melhor consideração pela dedicação profissional e trabalho realizado nos últimos anos é a do CNO da Escola Secundária de Arganil. E hoje, curiosamente, recebi um e-mail de informação sobre um tema que colocaram em destaque no blog do referido centro. Obrigado pela informação. Cito:

«Foi realizado um trabalho de investigação intitulado (Re)descobrir a matemática em mim: O percurso de dois adultos num Centro Novas Oportunidades, realizado por Óscar Fernandes & Margarida César da Universidade de Lisboa, Departamento de Educação & Centro de Investigação em Educação da Faculdade de Ciências, que julgo ser de bastante interesse para todos os que estão de algum modo comprometidos na sua actividade com os Processos de RVCC. O documento pode ser visto aqui.»

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Formação de Adultos e o Desenvolvimento Local

O Centro Novas Oportunidades de Almodôvar sediado na escola sede do Agrupamento Vertical de Escolas de Almodôvar, Escola EB 2,3/S Dr João de Brito Camacho vai organizar no próximo dia 14 de Novembro (Sexta-Feira ) a primeira conferencia intitulada "A Formação de Adultos e o Desenvolvimento Local".

Sendo Almodôvar um concelho do Baixo Alentejo, situado a sul do distrito de Beja, entre a planície alentejana e a serra algarvia económica e socialmente desfavorecido e com um tecido empresarial debilitado, o carácter rural e a interioridade que caracterizam Almodôvar, bem como a dispersão geográfica, o isolamento dos aglomerados populacionais e a fraca densidade populacional, aliados ao elevado escalão etário da maioria dos munícipes, conduziram a um nível cultural e de escolarização bastante reduzidos.

Assim, consideramos que seria bastante importante após dois anos de trabalho no terreno dar ênfase à formação de adultos aliada ao desenvolvimento local.

Para tal contamos com a sua presença de varias entidades uma vez que Educação e Formação de Adultos é deveras importante para a região do Alentejo e o Desenvolvimento Local.

O programa provisório é o seguinte:

10.00 – Sessão de Abertura – Director do Centro Novas Oportunidades Almodôvar.
10.30 – "A Importância da Educação de Adultos"
- Dr Fernando Medina - Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional
– Dra Carmo Gomes Vice-presidente da ANQ

11.00 – Intervalo para Café.
11.30 – Painel – "A Qualificação, Desenvolvimento e Futuro"
- Vários Oradores
12.30 – Debate

13.00 – Almoço (livre)

14.30 – Sessão de Abertura
15.00 – "Viver com Formação"
- Vários Oradores
15.30 - Painel - "A Qualificação como Modelo Sustentado"
- Vários Oradores

16.30 – Intervalo para Café.
17.00 – Entrega diplomas Nível Secundário.
17.30 – Sessão de Enceramento

Contamos desde já com a presença da Vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, O Presidente do Conselho de Administração da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja, bem como o Gestor de Formação da EPOS (Empresa Portuguesa de Obras Subterrâneas) Dr Maximino Santos e ainda o Director regional da Educação Doutor José Verdasca.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Saberes, competência e aprendizagem...

De tempos a tempos, gosto de relembrar o que li:

"A verdadeira aprendizagem pressupõe, assim, não uma transferência simples de conhecimentos, mas a criação de possibilidades para que se produza e construa, apreendendo o que é mais significativo.
Tal, remete para experiências e práticas de sentido ao longo da vida dos aprendentes, que adquirem necessariamente um significado temporal e espacialmente diversificado, de acordo com a singularidade de cada história de vida, envolvendo uma aprendizagem projectiva e, também, diferentes tempos de aprendizagem (Freire, 2004).
Esta abordagem ganha ainda mais sentido no desenho de um Referencial para a educação e formação de adultos que tem como base, ponto de partida e de chegada o projecto de formação de um adulto, enquanto processo de aprendizagem que inclui "...um esforço deliberado, para obter ou perfazer uma competência (....) premissas de uma nova etapa na carreira adulta" (Tough, 1971:1).

Não se pode, contudo, deixar de ter presente que estes três conceitos - saberes, competências e aprendizagens - se interligam nos processos de reconhecimento, validação e certificação, onde se destaca como mais importante o carácter central do conceito de competências-chave. A par do desenvolvimento das competências básicas de literacia entendidas como a capacidade de processar informação escrita na vida quotidiana através da leitura, da escrita e do cálculo (Benavente e outros, 1996) as competências-chave são hoje consideradas um elemento essencial das chamadas sociedades da informação, do conhecimento e/ou em rede (Castells, 2002; Cardoso e outros, 2005). Trata-se de competências enraizadas em saberes adquiridos e aprendizagens desenvolvidas ao longo da vida, quer em contextos formais quer informais ou não-formais, cuja natureza permite a sua evidencicação através de processos de reconhecimento, validação e certificação desenvolvidos em contextos próprios e por técnicos especializados."

In: Referencial de Competências-Chave - Secundário

Aprendizagem Experimental

«Actualmente, a aprendizagem experiencial é provavelmente um dos conceitos mais significativos em educação e formação de adultos e, simultaneamente, um dos mais problemáticos. A sua importância advém das suas potencialidades em se constituir como um processo de construção do conhecimento. O termo é frequentemente utilizado tanto para referir o processo de construção de significados que é deduzido das experiências de vida que são tratadas nas aprendizagens formais, como o que é realizado através do acesso a conhecimentos teóricos que as mesmas situações de formação proporcionam.
Quando é trazido para o campo de acção do formador, o conceito de aprendizagem experiencial tem sido utilizado para designar tudo: desde as actividades realizadas no espaço de formação e que implicam acção, passando pelas tarefas que utilizam processos de reflexão, como, ainda, as situações que, organizadas a partir de processos formativos, apropriam experiências retiradas do contexto comunitário e possuem uma dimensão de intervenção nessa mesma comunidade. Ou seja, o conceito de aprendizagem experiencial engloba todos os procedimentos formativos que, de alguma forma, solicitem o mundo experiencial do formando.»

Fonte: Educação de adultos : vida no currículo e currículo na vida. – (Perpectivas e reflexões ; 1)

domingo, 26 de outubro de 2008

E quando não estamos em meio Urbano?

Tenho assistido a vários júris de validação em áreas do "interior" do país. É, sem dúvida nesse espaço que o "regresso" à escola é encarado como solução ou esperança e ao mesmo tempo, onde as soluções originais nascem como forma de promover uma efectiva mudança de expectativas. Relembro um texto que li:

«As perspectivas de desenvolvimento do «interior», pensadas a partir do centro, equivalem, frequentemente, a encarar as zonas rurais como «desertos» de ideias, de realizações, de projectos, de instituições. Uma atitude mais atenta permite, no entanto, desmentir este preconceito. Nos vários domínios da vida social, económica, cultural e, nomeadamente no campo educativo, as zonas rurais do interior constituem reservatórios de criatividade, onde múltiplas experiências, extremamente interessantes, podem ter um papel prospectivo fundamental. (...)

Com base neste quadro geral da situação, pode sustentar-se que a educação de adultos constitui, sem dúvida, uma aposta educativa estratégica, numa óptica de promoção do desenvolvimento das zonas rurais do interior, com duas condições. A primeira é a de orientar a política de educação de adultos no sentido de a articular com a educação das crianças e dos jovens, contribuindo para pôr de pé políticas educativas integradas, numa perspectiva de educação permanente.

A segunda condição é a de encarar, numa perspectiva larga, a tarefa da alfabetização, articulando-a com a construção de uma consciência cívica e com a dinâmica de processos de desenvolvimento local. É na medida em que a educação de adultos possa permitir às pessoas um acréscimo de lucidez para «ler o mundo» que se criam as condições para a emergência da cultura de desenvolvimento a que atrás nos referimos.»

Fonte: Educação e perspectivas de desenvolvimento do «Interior»; Rui Canário

Maiores de 23: Acesso Aumenta...

Sempre fui um observador um pouco crítico no que diz respeito ao acesso especial criado pelo processo "+ 23 anos" ao Ensino Superior... Hoje saiu a notícia no Jornal de Notícias que destaco aqui:

«O número de alunos maiores de 23 anos no Superior cresceu 20 vezes em três anos, tendo passado de 551, em 2004/05, para 11.773 em 2007-08. Um parecer do Conselho Nacional de Educação alerta para os perigos. (...)

"Note-se, ainda, que a percentagem destes novos alunos varia com o tipo de instituição, em regra na razão inversa da capacidade de captação de alunos tradicionais. Pode, portanto, dizer-se que esta política teve um assinalável êxito quantitativo faltando, porém, estudos que permitam fazer uma análise detalhada do comportamento das instituições, nomeadamente quanto ao rigor dos critérios de admissão e ao nível de sucesso ou insucesso destes alunos", lê-se no parecer elaborado pelos professores Alberto Amaral e Jorge Carvalhal, a pedido da Assembleia da República. (...)

O parecer do CNE refere ainda a urgência da criação de um Quadro Nacional de Referência de Qualificações (NQF). Trata-se, basicamente, de dizer quais são as competências esperadas de um licenciado em determinada área. Sérgio Machado dos Santos, reitor honorário da Universidade do Minho e avaliador de instituições de Ensino Superior, lembra que a ex-ministra Maria da Graça Carvalho encetou, em 2004, um trabalho nesse sentido, mas que rapidamente foi abandonado. Em 2005, foi a vez de Pedro Lourtie se demitir da coordenação da Comissão de Acompanhamento do Processo de Bolonha. Cada instituição passou a estabelecer os seus próprios referenciais. Ou seja, não há homogeneidade entre o que é suposto serem as competências de um engenheiro civil formado no Minho ou no Porto. "A Medicina será talvez a excepção", refere Machado dos Santos.»


Ler o artigo aqui.


sábado, 25 de outubro de 2008

Blog: Para os Adultos, Formandos e Alunos?

Tenho assistido a vários Centros Novas Oportunidades que apostam na criação de blogues ou redes sociais para a divulgação dos seus projectos e iniciativas. Quero, no entanto, destacar hoje um exemplo diferente e que, na minha perspectiva, pode e é, sem dúvida, uma boa prática tão importante como a da existência desses espaços mais institucionais. Falo dos blogues ou páginas onde os adultos, formandos ou alunos são os autores. Deixo um desses espaços em destaque.



Novos desfios, uma formação e troca de ideias...

Como já vem sendo hábito deixo aqui um relato de algum do trabalho que tenho feito nos últimos tempos no âmbito do meu apoio aos Centros Novas Oportunidades.

Começo por destacar o contacto que tive com três CNO que não conhecia e que, tendo entrado em contacto comigo, tive o prazer de visitar e conhecer.

Já tinha trocado algumas palavras com a equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa-a-Nova, mas desta vez por contacto directo a troca de ideias e sessão de trabalho revelou-se uma agradável surpresa. Numa altura em que se ouve falar tanto em metas e número, encontrei uma equipa que me falou de qualidade, rigor e valorização do processo e das pessoas que o frequentam. Verdade seja dita que, nos vários (e já são muitos CNO) que acompanho, nunca ouvi falar de metas antes de ouvir falar de qualidade. O trabalho desenvolvido por este CNO vai nessa linha, sendo, pelo que constatei, uma trabalho de efectiva qualificação dos adultos em processo.

Outro contacto que tive foi com o elementos da equipa do CNO da Escola Secundária Marques Castilho, em Águeda. Voltei a encontrar uma equipa preocupada com a qualidade e com a resposta que estava a dar aos adultos que procuram o projecto Novas Oportunidades. Uma resposta que se quer de rigor e que, muitas vezes, devido à forma como a mensagem passa de um projecto que nem sempre é claro na sua organização e funcionamento, leva a uma luta constante das equipas em tudo fazerem para credibilizar o mesmo projecto junto dos seus utilizadores. Gostei dos objectivos traçados pela coordenação e do espírito que encontrei.

E mais um contacto do CNO do Agrupamento de Escolas da Pampilhosa. O encontro serviu para apresentação da forma como desenvolvo as minhas funções de Avaliador Externo e, ao mesmo tempo, para trocar ideias e esclarecer umas dúvidas com os elementos da equipa. Fui informado que se tratava de uma equipa nova que desejava consolidar o projecto. Destaco, como uma estratégia fundamental essa ideia de consolidação de um projecto quando este representa, de facto, uma mais-valia para a escola e para o meio envolvente. Tal me pareceu o caso deste CNO e o objectivo desta equipa.


Destaco, ainda, o Júri de Validação que realizei no CNO da Escola Secundária da Mealhada. De tempos a tempos somos surpreendidos por um grupo de pessoas, que no seu colectivo, nos lembra o que de melhor o processo RVCC nos tem para oferecer. Numa sessão muito interessante foi feita uma viagem entre aprendizagens de todos os adultos presentes em júri, de uma forma muito bem preparada pela equipa (como já vem sendo hábito e uma boa prática a destacar no trabalho levado a cabo por este CNO), onde houve uma efectiva transferência de aprendizagens entre todos. Foi uma manhã muito interessante e que, tão cedo não esquecerei. Parabéns aos adultos e à equipa.

Por último, uma sessão de trabalho para uma equipa dos Cursos EFA - Básico e Secundário. Desta vez, no Agrupamento de Escolas Fernão Pó, no Bombarral. Destaco aqui a forma como a equipa demonstrou abordar o trabalho em contexto de formação mobilizando estratégias de motivação, valorização e adequação dos objectivos às metodologias de trabalho com os formandos.

Não posso terminar sem uma pequena reflexão em torno da ideia que, ou por estar em contacto com CNO que são exemplos do que deve ser a implementação do processo de RVCC, ou por outro qualquer outro factor que não consigo entender, não encontrei ainda, nenhuma equipa que vá pelo caminho do facilitismo, nem que não aposte na qualidade como factor fundamental de toda a intervenção na Iniciativa Novas Oportunidades. Dificuldades, dúvidas, anseios? Todas as equipas o demonstram. Mas em todas elas destaca-se a qualidade dos recursos humanos, o investimento de horas, trabalho e muita dedicação que tenho que destacar aqui. A todos eles o meu reconhecimento profissional e pessoal.