
Fonte: Aqui.
Este espaço destina-se a um lugar de troca de informação, recursos e debate para os profissionais da Educação e Formação de Adultos.

«No contexto educativo e.portefólio é uma selecção digital de trabalhos produzidos pelos alunos/formandos que apresentam evidências da aprendizagem. A sua organização permite acompanhar o progresso e o desempenho do seu autor através do registo dos êxitos e das dificuldades encontradas ao longo de um período de tempo determinado para a sua elaboração. O arquivo dos resultados da aprendizagem, reflexões e testemunhos mais significativos é realizado online. Este facto possibilita a partilha de conhecimento entre comunidades e favorece a recolha de feedback de colegas e professores. (...)
Nos últimos tempos tenho assistido atentamente à lógica com que muitos Centros Novas Oportunidades estão apoiar os adultos na construção dos seus Portefólios. Falo aqui essenciamente do nível Secundário. E vou deixar duas ou três linhas de reflexão em torno do processo como um todo.
Ao longo dos últimos anos tenho acompanhado a implementação da Iniciativa Novas Oportunidades de norte a sul do pais. Tenho acompanhado, na função de Avaliador Externo, vários Centros Novas Oportunidades com os quais colaboro na realização de Júris de Validação. Falo por isso com a experiência que o tempo e a oportunidade me têm dado para olhar, como observador externo, sobre o que tenho visto. E quero destacar desde já que, dos vários (e já são bastantes) CNO que acompanhei ao longo destes anos, tenho uma ou duas experiências negativas que reportei a quem de direito e muitas positivas. Encontro, geralmente, equipas dedicadas, capazes e determinadas a fazer um trabalho de rigor e qualidade. Sem dúvida que só posso destacar esse profissionalismo que encontrei e encontro e não o tal facilitismo que se ouve ainda falar.
Tendo tido contacto profissional com a Escola Secundária Inês de Castro em Alcobaça esperei sempre que a abertura de um Centro Novas Oportunidades fosse um caso a seguir directamente. Assim o tem sido. Destaco as boas práticas que um CNO recente tem já implementadas. Começo pela existência de um recente blog do Centro Novas Oportunidades. Tendo já reparado que este espaço tem vários autores, espero que o possam também abrir aos adultos que frequentam o CNO, tornando-o num espaço de referência. Existe ainda uma rede social, interna, para troca de informações e práticas de trabalho que está a tornar-se numa estratégia de partilha entre todos os elementos da equipa muito rico e potenciador de boas práticas internas.
Durante o mês de Novembro estará em destaque neste blog o Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora em Condeixa. Visitei recentemente este CNO por convite da sua coordenadora, a professora Alice Santos, tendo encontrado uma equipa muito profissional e preocupada em construir um projecto assente no profissionalismo e credibilidade. Sei que a preocupação com o rigor e a qualidade são o leme desta equipa e que o trabalho realizado irá reflectir um concreto processo de qualificação para todos os adultos que frequentem este CNO. Fica aqui uma palavra de incentivo para a continuação de bom trabalho e o reconhecimento pelo que conseguiram até aqui.
O CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré realizou mais um júri para a conclusão do processo de RVCC, nível Secundário. Mas este júri teve uma experiência particular. Um dos adultos, o Sr. Nelson Silva, convidou a equipa a visitar o seu local de trabalho, na fábrica da Vista Alegre e lá realizar o seu júri. Tenho sempre a ideia do necessário distanciamento entre um processo de RVCC escolar e do processo de RVCC profissional e como tal o receio da confusão entre ambos é sempre dificil quando os júris decorrem neste contexto. Foi aqui que a equipa do CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, mais uma vez, surpreendou pela positiva. A qualidade dos portefólios e da organização das apresentações finais foram muito positivas e a qualidade do processo foi, mais uma vez, credibilizado. Os meus sinceros parabéns a todos os adultos que concluiram o seu processo nesse dia e uma palavra especial à Dra. Helena Silva e Dr. João Henriques pelo excelente trabalho que estão a desenvolver.
3 de Maceira. Um dos novos Centros Novas Oportunidades que abriam as portas e procuram iniciar um trabalho de qualidade e sustentado em boas práticas. A sessão de trabalho com a equipa resultou numa excelente troca de ideias e na evidência do profissionalismo e rigor que esta escola quer dar ao reconhecimento do processo RVCC como estratégia de qualificação. Deixo os meus sinceros votos de bom trabalho e força para os desafios do arranque do trabalho que sei, pelo que vi, será de elevada qualidade e inovação.
Outra visita à equipa do CNO da Escola Secundária de Arganil. Tenho em excelente consideração profissional o trabalho desenvolvido por este CNO no que concerne à implementação do processo RVCC em regiões onde este processo aparece como única solução para muitos daqueles que procuram a sua qualificação e apenas têm esta via para "regresso à escola". A carência de soluções alternativas ao processo RVCC tem sido ganho pela intervenção desta equipa e pela qualidade dos profissionais que a integram.
o Centro Novas Oportunidades para uma sessão de trabalho com a equipa. Destaco as questões que me foram colocadas que revelam um interesse na criação de uma articulação na equipa que permita uma resposta de qualidade para os adultos que procuram o processo RVCC ou qualquer outra via de melhoria da sua qualificação. As dúvidas que muitas vezes me são colocadas nestas sessões de trabalho são geralmente idênticas. Acima de tudo revelam, como se verificou neste caso, o desejo de qualidade, rigor e adequação entre as necessidades e a procura de uma resposta concreta e coerente para os adultos. Deixo uma palavra de reconhecimento pelo trabalho que esta equipa já fez e votos de sucesso para o futuro.
Já, neste espaço, fiz destaque do investimento que a Martifer fez na criação de um Centro Novas Oportunidades. Destaco agora o exemplo da Sonae. Quando associado a planos de formação internos a valorização do processo de certificação e qualificação pode resultar numa efectiva mais-valia profissional e pessoal para os trabalhadores.
Uma das equipas que tenho em melhor consideração pela dedicação profissional e trabalho realizado nos últimos anos é a do CNO da Escola Secundária de Arganil. E hoje, curiosamente, recebi um e-mail de informação sobre um tema que colocaram em destaque no blog do referido centro. Obrigado pela informação. Cito:
O Centro Novas Oportunidades de Almodôvar sediado na escola sede do Agrupamento Vertical de Escolas de Almodôvar, Escola EB 2,3/S Dr João de Brito Camacho vai organizar no próximo dia 14 de Novembro (Sexta-Feira ) a primeira conferencia intitulada "A Formação de Adultos e o Desenvolvimento Local".
De tempos a tempos, gosto de relembrar o que li:
«Actualmente, a aprendizagem experiencial é provavelmente um dos conceitos mais significativos em educação e formação de adultos e, simultaneamente, um dos mais problemáticos. A sua importância advém das suas potencialidades em se constituir como um processo de construção do conhecimento. O termo é frequentemente utilizado tanto para referir o processo de construção de significados que é deduzido das experiências de vida que são tratadas nas aprendizagens formais, como o que é realizado através do acesso a conhecimentos teóricos que as mesmas situações de formação proporcionam.
Tenho assistido a vários júris de validação em áreas do "interior" do país. É, sem dúvida nesse espaço que o "regresso" à escola é encarado como solução ou esperança e ao mesmo tempo, onde as soluções originais nascem como forma de promover uma efectiva mudança de expectativas. Relembro um texto que li:Com base neste quadro geral da situação, pode sustentar-se que a educação de adultos constitui, sem dúvida, uma aposta educativa estratégica, numa óptica de promoção do desenvolvimento das zonas rurais do interior, com duas condições. A primeira é a de orientar a política de educação de adultos no sentido de a articular com a educação das crianças e dos jovens, contribuindo para pôr de pé políticas educativas integradas, numa perspectiva de educação permanente.
A segunda condição é a de encarar, numa perspectiva larga, a tarefa da alfabetização, articulando-a com a construção de uma consciência cívica e com a dinâmica de processos de desenvolvimento local. É na medida em que a educação de adultos possa permitir às pessoas um acréscimo de lucidez para «ler o mundo» que se criam as condições para a emergência da cultura de desenvolvimento a que atrás nos referimos.»
Fonte: Educação e perspectivas de desenvolvimento do «Interior»; Rui Canário
Sempre fui um observador um pouco crítico no que diz respeito ao acesso especial criado pelo processo "+ 23 anos" ao Ensino Superior... Hoje saiu a notícia no Jornal de Notícias que destaco aqui:
«O número de alunos maiores de 23 anos no Superior cresceu 20 vezes em três anos, tendo passado de 551, em 2004/05, para 11.773 em 2007-08. Um parecer do Conselho Nacional de Educação alerta para os perigos. (...)
"Note-se, ainda, que a percentagem destes novos alunos varia com o tipo de instituição, em regra na razão inversa da capacidade de captação de alunos tradicionais. Pode, portanto, dizer-se que esta política teve um assinalável êxito quantitativo faltando, porém, estudos que permitam fazer uma análise detalhada do comportamento das instituições, nomeadamente quanto ao rigor dos critérios de admissão e ao nível de sucesso ou insucesso destes alunos", lê-se no parecer elaborado pelos professores Alberto Amaral e Jorge Carvalhal, a pedido da Assembleia da República. (...)
O parecer do CNE refere ainda a urgência da criação de um Quadro Nacional de Referência de Qualificações (NQF). Trata-se, basicamente, de dizer quais são as competências esperadas de um licenciado em determinada área. Sérgio Machado dos Santos, reitor honorário da Universidade do Minho e avaliador de instituições de Ensino Superior, lembra que a ex-ministra Maria da Graça Carvalho encetou, em 2004, um trabalho nesse sentido, mas que rapidamente foi abandonado. Em 2005, foi a vez de Pedro Lourtie se demitir da coordenação da Comissão de Acompanhamento do Processo de Bolonha. Cada instituição passou a estabelecer os seus próprios referenciais. Ou seja, não há homogeneidade entre o que é suposto serem as competências de um engenheiro civil formado no Minho ou no Porto. "A Medicina será talvez a excepção", refere Machado dos Santos.»
Já tinha trocado algumas palavras com a equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Fernando Namora, em Condeixa-a-Nova, mas desta vez por contacto directo a troca de ideias e sessão de trabalho revelou-se uma agradável surpresa. Numa altura em que se ouve falar tanto em metas e número, encontrei uma equipa que me falou de qualidade, rigor e valorização do processo e das pessoas que o frequentam. Verdade seja dita que, nos vários (e já são muitos CNO) que acompanho, nunca ouvi falar de metas antes de ouvir falar de qualidade. O trabalho desenvolvido por este CNO vai nessa linha, sendo, pelo que constatei, uma trabalho de efectiva qualificação dos adultos em processo.
ualidade e com a resposta que estava a dar aos adultos que procuram o projecto Novas Oportunidades. Uma resposta que se quer de rigor e que, muitas vezes, devido à forma como a mensagem passa de um projecto que nem sempre é claro na sua organização e funcionamento, leva a uma luta constante das equipas em tudo fazerem para credibilizar o mesmo projecto junto dos seus utilizadores. Gostei dos objectivos traçados pela coordenação e do espírito que encontrei.
um contacto do CNO do Agrupamento de Escolas da Pampilhosa. O encontro serviu para apresentação da forma como desenvolvo as minhas funções de Avaliador Externo e, ao mesmo tempo, para trocar ideias e esclarecer umas dúvidas com os elementos da equipa. Fui informado que se tratava de uma equipa nova que desejava consolidar o projecto. Destaco, como uma estratégia fundamental essa ideia de consolidação de um projecto quando este representa, de facto, uma mais-valia para a escola e para o meio envolvente. Tal me pareceu o caso deste CNO e o objectivo desta equipa.