sábado, 12 de julho de 2008

Júris, um imprevisto e a multiplicidade...

Nestes últimos dias tive a confirmação do imenso universo de multiplicidade que é a resposta da Iniciativa Novas Oportunidades na Educação e Formação de Adultos. Falam na ausência de uma maior sistematização e instrumentos dos Referenciais. Se tivessem frente a frente com os adultos que estive esta semana em contextos tão diferente diriam que os Referenciais e os Instrumentos existentes são ainda, demasiado rigidos...

Começo por recordar a minha presença no encontro/formação que o CNO da Escola Secundária de Sever do Vouga realizou no passado dia 7. Teve lugar na Escola Profissional de Aveiro e teve uma excelente adesão. Faço uma análise positiva de dois factores que considero importantes: o facto deste Centro Novas Oportunidades ter mostrado como realiza o processo RVC e como dá resposta às necessidades neste contexto, assim como, a partilha de informação que foi realizada. Por essa ousadia, inovação e qualidade de desafiar o impossível, o CNO e principalmente a sua equipa estão de parabéns. Reservo, como sempre o fiz, algum receio que, nesta fase de consolidação de práticas, a formação de CNO para CNO pode ser útil se, principalmente realizada com o objectivo de criar uma rede de partilha localizada, assim como, para o debate e interacção e não para a transferência de práticas. Parece-me ainda cedo para isso.

E mais uma sessão de júri. Talvez uma das mais interessantes sessões de júri a que assisti nos últimos meses. Teve lugar no CNO da Escola Secundária da Mealhada. Vou resumir, porque não poderia descrever aqui tudo o que retirei destes júris... Assisti ao regresso de 5 adultos que haviam realizado o processo para o nível B2, para completar o nível B3. Assisti a uma adulta que na sua apresentação se lembrou de recordar a passagem pelo programa da manhã da RTP após um curso de formação que realizou e brindou o final da sua apresentação com um divinal bolo de Noz. Encontrei uma adulta com um espirito de empreendorismo raro. De ser dona de um restaurante a estar a ultimar um projecto de Hotel para idoso na Cúria, projecto esse que me fascinou pela visão empresarial e decisão/gestão de risco que a adulta demonstrou. Recordo ainda um adulta que, de tão nervosa quase não conseguiu realizar a sua apresentação. Penso sempre, no imenso respeito que nós, avaliadores, equipas e coordenação, devemos ter com estes adultos. A sessão de júri, que muitas vezes para nós é mais uma entre várias na agenda, é para cada um destes adultos o seu momento. Um momento único. Respeito sempre isso. Para mim, aquele momento é sempre tão importante como para o adulto que tenho à minha frente. É a minha forma de respeitar aquela história de vida, aquela pessoa, aquelas aprendizagens e valorizar tudo isso no processo RVC. Por último, destaco uma adulta, ucraniana. Com o equivalente ao Ensino Secundário, mais o ensino superior profissional. Na Ucrânia era responsavel pela montagem de equipamento electrico em submarinos... Foi, sem dúvida uma das adultas que não esquecerei. Pela sua vontade de integração. Pela sua dedicação. Principalmente pela partilha de conhecimentos que realizou. Quero deixar aqui uma palavra à equipa que conseguiu um trabalho excelente. E uma palavra à Dra. Joana que realizou o seu primeiro júri. Parabéns. O desafio da qualidade foi, por vocês, vencido.

Mais um Júri no CNO da Escola Secundária de Pombal. O meu trabalho com este CNO tem sido, por um lado de deixar algumas das ideias que considero relevantes neste processo de RVC e por outro receber ensinamentos de «boas práticas» que registo sempre que vou assistir a uma sesssão de júri. Neste caso, a sessão de júri foi para o nível B3. A Dra. Isabel Moio levou a júri 6 adultos. Registo uma das coisas mais dificeis de fazer neste processo. Ao longo do tempo, a qualidade do trabalho realizado foi constante. Ao consultar os Dossiers/Portefólios registo sempre um ou outro ponto de inovação. Resgisto também uma consolidação das práticas. E neste júri, destaco a imagem (com pose para a fotografia) que partilho. Um dos adultos realizou uma apresentação centrada na sua história de vida e mostrou-nos, fazendo-nos regressar no tempo, na evolução do telefone como meio de comunicação. As competências que desenvolveu ao longo da sua vida ficaram claras e patentes na sua intervenção. Mais uma vez, parabéns, sinceros a toda a equipa.

Depois um imprevisto...

Mas tudo resolvido a tempo de estar presente na I Sessão de Júri de Nível Secundário do CNO de Almodôvar. Deste júri farei destaque amanhã.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

RVC: Vale a pena recordar o esquema...

Creio que, pelo que tenho visto e ouvido em alguns CNO, nos e-mails que me chegam e em algumas formações, vale a pena recordar o seguinte:

quarta-feira, 9 de julho de 2008

As TIC: Imigrantes e Nativos

Encontrei nas minhas pesquisas um slide interessante que gostaria de partilhar. É um excelente instrumento de reflexão e poderá ser, também, um instrumento de posicionamento e diagnóstico da nossa situação enquanto utilizadores, face às TIC. Fazer o teste no final é um exercício muito interessante!


terça-feira, 8 de julho de 2008

Abordagem de Língua Estrangeira: CLIL.

«A abordagem CLIL (Contents and Languages Integrated Learning), que permite aos estudantes aprenderem uma determinada matéria numa língua estrangeira, poderá ser um importante contributo para alcaçar os objectivos da União em matéria de aprendizagem de línguas. Combinando o estudo duma disciplina com o estudo de uma língua, a CLIL permite aos estudantes a descoberta de um vocabulário diferente e de aspectos linguísticos na sua área de especialização. Esta abordagem pode proporcionar-lhes oportunidades efectivas para aplicarem imediatamente as suas novas competências linguísticas, uma vez que abre novas possibilidades linguísticas a um vasto leque de aprendentes, particularmente àqueles que sentiram dificuldades com o ensino formal de línguas na educação geral. Esta abordagem proporciona-lhes uma exposição à língua, um aspecto que pode ser importante em contextos profissionais.»
Fonte: Aqui.
Mais informação ao clicar na imagem.

Newsletter Tempus IV

«A Newsletter Tempus IV – Junho 2008 pretende demonstrar de que modo as Instituições de Ensino Superior (IES) têm uma importância estratégica fundamental na dimensão cultural, social e económica das sociedades.

Tendo em conta o 1º Convite à Apresentação de Propostas (Abril 2008), a Agência Nacional solicitou às IES Portuguesas candidatas, como coordenadoras ou parceiras de projectos, que dessem a conhecer as principais motivações que estiveram na base das respectivas candidaturas ao Programa Tempus.

Em Portugal, o Programa Tempus IV está integrado na Agência Nacional para a Gestão do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida (Ponto de Contacto Nacional).»

Fonte: PROALV


segunda-feira, 7 de julho de 2008

Um excelente recurso para reflexão...

Estava à procura de algo sobre Economia para um formador de um curso EFA e encontrei esta apresentação que achei excelente. Fica a partilha de um bom recurso para exploração.



Legendas em Português do Brasil.

domingo, 6 de julho de 2008

A relação: Processo RVCC e Cursos EFA.

A implementação do Processo RVCC e nível Secundário vem trazer um desafio de articulação entre este processo e o percurso de formação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos. Esta articulação não é necessária. É fundamental. Sem ela a qualificação de muitos adultos ficará comprometida na sua qualidade e na sua validade. Deixamos uma apresentação que dá umas linhas de orientação de como, onde e por que meios essa interacção se pode estabelecer. Está disponivel, como todas as outras, para partilha. Fica também aqui a apresentação em torno do PPQ/PDP para relembrar a importância destes recursos.



sábado, 5 de julho de 2008

Reuniões, PAT's e um Júri...

Muitas vezes tenho referido que o trabalho de Avaliador Externo não passa só por realizar as sessões de júri. O Avaliador Externo deve também auxiliar a equipa do CNO sempre que a sua presença e intervenção é útil e contextualizada. O exemplo desta realidade foram as últimas actividades que levei a cabo...

A semana começou com uma reunião com a equipa do CNO do Agrupamento de Escolas de Ansião. Como disse no meu espaço do Twitter, uma adulta está quase preparada para ir a júri para a conclusão do processo RVCC Secundário. A equipa tem os "medos" normais e iguais em todos os CNO que trabalham com seriedade, rigor e qualidade, de estar ou não a cumprir as orientações para a implementação deste processo. No entanto, a competência de todas as profissionais, formadoras e do coordenador são uma pedra fundamental para a efectiva qualificação dos adultos que passam por este CNO. O Portefólio que consultei é o exemplo dessa qualidade. Já estou a pensar em convidar a adulta a publicar o seu trabalho.

Depois, Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Arganil. Mais uma reunião com a equipa. Desta vez, como as restantes equipas, as dúvidas são várias. Centram-se muitas vezes no nível de exigência, na forma de como reconhecer uma evidência, na estrutura dos PRA e também, na organização das sessões de júri para o RVCC Secundário. Trouxe para ler 4 Portefólios que irão a júri em breve. Sempre disse que uma das principais mais-valias no processo de Avaliação Externa se centrava na relação estabelecida entre o Avaliador e as Equipas. Neste caso a confiança é plena. O CNO da Escola Secundária de Arganil tem uma das equipas mais dedicadas que conheço e como tal, poucas dúvidas me restam, no bom trabalho que está feito. Acima de tudo quem ganha são os adultos.

Mais uma reunião me esperava num outro dia. No CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Foram-me entregues 3 portefólios para analisar e estive em reunião toda a manhã com a equipa. Uma das dúvidas mais importantes e que é sempre colocada ou surge nestas reuniões é muito simples mas complicada para as equipas. Qual a diferença entre o adulto terminar com 40/50/60/70/80... créditos? Tenho dito várias vezes que as equipas têm que procurar informação fora dos círculos normais. Ou então, estão a pedir reflexividade, actualização e aquisição de informação sem terem eles próprios essa atitude.
Importa pensar os créditos como uma classificação. Não como notas mas como posicionamento do adultos pós processo em comparação. Isto é...
a) Para os Cursos de Especialização Tecnológica, muitas universidades e politécnicos já pensam e usam os créditos como sistema de classificação dos adultos.
b) Para efeitos profissionais esse mesmo número de créditos, associados ao CNQ é diferenciador e será ainda mais com a disseminação da certificação profissional.
c) Comparativamente, e com a potencial abertura transversal da utilização de do sistema de crédito no ensino dito formal, quer superior, quer secundário, os adultos que terminam o processo RVCC Secundário serão colocados, comparativamente, em posição de classificação face a estes modelos formais de ensino...
É preciso ter isto em conta na decisão de terminar o processo, que pelo adulto, quer pelas equipas.

Depois, o Professor Francisco Rodrigues, convidou-me para estar presente nas PAT (Provas de Aptidão Tecnológica) do Curso Profissional de Multimédia da Escola Secundário Reynaldo dos Santos. Fora da minha função de Avaliador Externo fui. Como amigo e como interessando nestas coisas da formação e da Multimédia e encontrei duas coisas: um projecto de curso muito dinâmico, bem estruturado, interessante e de uma elevada qualidade e alunos "digital natives" que estão muitos passos à frente na sua formação. Deixo o exemplo do Flávio Santos, com 18 anos, que criou um portefólio digital e tem um blog pessoal... É uma geração voltada para o imediato/interacção e solução de problemas, dotada de uma capacidade técnica muito elevada e de capacidade tecnológica muito forte. Parabéns ao professor Rui e Francisco e aos alunos pelas excelentes provas realizadas que tive a honra de acompanhar.

E por fim, um júri... Sim que também é essa a função do Avaliador Externo. Foi no CNO do Agrupamento de Escolas do Fundão. Senti aqui o que representa a mudança provocada pela alteração nas equipas. Senti aqui, no sentido humano do coordenador o desafio que se avizinha com a reformulação das equipas. Senti também aqui que a estratégia que tenho usado de convidar sempre outros CNO a estarem presentes nas sessões de júri de validação é uma boa prática para desmitificar ideias pré-concebidas. Tenho sempre convidado CNO para estarem presentes em sessões de júri uns dos outros. É preciso quebrar medos, "olhares por cima do ombro" e demais visões que separem em vez de unir todos num mesmo objectivo. Assim, o CNO da Escola Secundária Campos Melo, com alguns elementos da sua equipa estiveram presentes.
Tenho que destacar uma coisa que me fez muito bem assistir. O "Grupo 83", composto por vários adultos, revelou, em sessão de júri, uma das coisas que tenho dito que está a ser mal feita e perdida pelos CNO. O chamado balanço de competências contextual ou o registo de evidências de criação de pontos comuns estrategicamente orientados para uma "inteligência colectiva". Os adultos interagiram com os profissionais e formadores mas também entre si partilharam e "ganharam" competências. Isto deve estar presente nos seus dossiers/portefólios. Tenho que destacar este grupo, assim como, o excelente trabalho da Dra. Adelina Clemente na construção de um trabalho sólido, de qualidade e rigor e acima de tudo, de credibilidade. Parabéns. Ficam imagens dos dossiers/portefólios apresentados.




quarta-feira, 2 de julho de 2008

Gestão do Conhecimento: Para quando nos CNO?

Sempre acreditei que existe uma mais-valia nas entidades que usam processo de Gestão do Conhecimento como forma de auto-análise e de gestão do capital intelectual. Numa altura de mudanças (muito complicadas) nos CNO é importante preservar esse capital intelectual e o conhecimento produzido enquanto entidades. O modelo de Gestão de Conhecimento é uma boa estratégia. Fica o conceito e um modelo.
Gestão do Conhecimento:
«A gestão do conhecimento pode ser definida como a abordagem facilitadora e sistemática para aumentar o valor e a acessibilidade ao "capital do conhecimento" da organização, tendo em vista qualificar melhor os actores sociais, induzir e disseminar a inovação e assegurar o desenvolvimento das organizações. O conhecimento está naturalmente enraizado na experiência humana e nos contextos sociais, e geri-lo bem significa prestar atenção às pessoas (ou à pessoa), às culturas, às estruturas organizacionais e às tecnologias do ponto de vista da sua partilha e uso.»

Portefólio Digital? Uma boa escolha?

Conceito:

«Os portefólios electrónicos em contexto educacional são portefólios que possibilitam que a colecção dos materiais coleccionados (artefactos) inclua quer documentos em formato texto quer documentos em formato gráfico, vídeo, áudio (Barrett, 2000:3) e inclusive hipermédia. Estes portefólios respeitam a filosofia subjacente ao conceito educacional de portefólio, considerando a vertente reflexiva do aluno quando selecciona os materiais para o seu portefólio. No caso dos portefólios de aprendizagem e de avaliação das aprendizagens dos alunos, os portefólios permitem que os alunos, à medida que constroem a sua colecção, tenham a oportunidade em analisarem o seu trabalho e de porem em prática, com a ajuda do feedback fornecido pelo professor, as suas capacidades de auto-avaliação e de auto-regulação, tornando-se estudantes mais autónomos e responsáveis quer pela sua aprendizagem quer pela sua avaliação.»
Fonte: Ana Paula Alves

«Porquê um portefólio digital?

Maior facilidade de criação de um portefólio multimédia com integração de imagem estática, animada ou vídeo, texto e som
• Permitir a adopção de uma estrutura hipermédia na organização da informação com recurso a hiperligações internas, entre diferentes documentos ou mensagens do portefólio, ou externas para recursos disponíveis na web.
• Não menos relevante é o facto de algum do software que pode servir de suporte à elaboração de portefólios digitais permitir a colocação de comentários e contributos que incentivam a uma construção crítica e colaborativa do portefólio.»
Fonte: Portefólios digitais: revisitando os princípios e renovando as práticas.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Balanço de Competências (Contextuais): Conceitos.

A minha dúvida começa a surgir... Quando iremos encontrar análise de competências contextuais nos portefólios reflexivos de aprendizagem, por exemplo, quando os adultos fazem a análise da sua intervenção e "passagem" pelo processo RVCC ou formação complementar/UFCD/EFA? Seria uma excelente prática... Talvez o começo da verdadeira avaliação à chamada "Inteligência Colectiva"...

«As competências contextuais são compostas pelos saberes, dinâmicas e predisposições das pessoas, das organizações e da interacção entre elas. Parece óbvio que, tal como a competência técnica do indivíduo para a realização de uma determinada tarefa resulta da sua história e experiência pessoal, também as competências contextuais são matizadas pela evolução da própria zona e, nessa medida, por um conjunto de vários factos históricos. Da mesma forma que o indivíduo desenvolve competências como resposta a determinada situação ou desafio, também uma zona as desenvolve. A competência contextual implica um ter e um saber e essencialmente uma dinâmica colectiva verificada através das competências dos indivíduos e das estruturas de relacionamento estabelecidas.

As competências contextuais não se resumem à soma de todas as competências individuais, ou seja, não se trata do somatório das competências dos indivíduos, das empresas e de todas as outras entidades que fazem parte de um determinado contexto. Mais do que isso, as competências contextuais referem-se ao modo como estas competências se articulam e combinam e ao que resulta dessa combinação. Trata-se então do conjunto das competências individuais de todos os envolvidos mais a interacção e as dinâmicas estabelecidas entre os envolvidos e a estrutura das mesmas.»
Fonte: Guião de Aplicação do Balanço de Competências Contextual

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O que estou a fazer?

Agora, para além da informação referente aos júris em que estou presente, podem saber o que ando a fazer no âmbito da minha actividade como avaliador externo. Essa informação ficará disponível no fim da barra do lado direito aqui no blog ou pode ser consultado na minha página do Twitter aqui. Esta ferramenta é ainda, potencialmente, uma grande mais-valia para as equipas dos CNO, por exemplo, para a organização e gestão da comunicação quando existem deslocações.

Vi no Twitter da Mafalda Branco que andava a ver como isto funcionava... Fica aqui uma ajuda:

CNO Destaque - Mês de Julho

Durante o mês de Julho estará em destaque, neste blog, o CNO da Escola Secundária Campos Melo, na Covilhã. Embora não tenha ainda trabalhado directamente com este CNO como avaliador externo, fui convido pela coordenadora Dra. Maria Rosa Macedo para ir visitar a escola e o CNO, assim como, reunir com a equipa.
Fiquei, sinceramente, bem impressionado com o que vi. Desde a sólida e qualificada equipa técnico-pedagógica, à forma como a articulação entre os referenciais de competências estavam a ser implementados. Lembro-me de ter retido na memória uns "separadores" (vou chamar-lhes "orientadores") para os adultos, no seu portefólio, terem uma ideia da sua evolução e localização nas actividades de exploração realizadas e a realizar em consonância com as aprendizagens realizada ao longo da vida. Espero, em breve, dar notícias de alguns júris realizados e partilhar algumas práticas observadas.

domingo, 29 de junho de 2008

As 200.000 visitas...

O Blog RVCC/NO ultrapassou as 200.000 visitas. Não sou pessoa de metas, nem número, nem coisas que tais e quem me conhece sabe que tenho aversão a papeis e burocracias, assim como, registos e demais coisas mensuráveis. Mas este número, do ter ultrapassado as 200.000 visitas representa uma partilha de reflexões, preocupações, procura de informação e, acima de tudo, pessoas que visitam este espaço regularmente. A todos os meu profundo obrigado.

Espero que, nas próximas 200.000 a partilha possa ser um dos pontos fortes deste espaço. O meu desejo começa com o lançamento do 1.º Concurso do Blog RVCC/NO que decorre até 31 de Julho e que, relembramos, se encontra aberto a todos para a participação. Basta ir até aqui conhecer as regras.


Sociedade do Conhecimento? Ou não?


"Como vimos, segundo a teoria histórico-cultural, o indivíduo se constitui enquanto tal não somente devido aos processos de maturação orgânica, mas, principalmente, através de suas interacções sociais, a partir das trocas estabelecidas com seus semelhantes. As funções psíquicas humanas estão intimamente vinculadas ao aprendizado, à apropriação (por intermédio da linguagem) do legado cultural de seu grupo. ... O paradigma esboçado sugere, assim, um redimensionamento do valor das interacções sociais (entre os alunos e o professor e entre as crianças) no contexto escolar. Essas passam a ser entendidas como condição necessária para a produção de conhecimentos por parte dos alunos, particularmente aquelas que permitam o diálogo, a cooperação e troca de informações mútuas, o confronto de pontos de vistas divergentes e que implicam na divisão de tarefas onde cada um tem uma responsabilidade que, somadas, resultarão no alcance de um objetivo comum. Cabe, portanto, ao professor não somente permitir que elas ocorram, como também promovê-las no quotidiano das salas de aula. "

Fonte:
Uso educativo do wiki: um estudo de caso na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.

sábado, 28 de junho de 2008

Júri e um Encontro: Respostas para a Qualificação.

E mais uma viagem, desta vez até ao CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré para mais um júri de validação para o RVCC de Nível Básico.
Duas sessões de 5 adultos que trabalhavam na área da cerâmica e que, na sua apresentação final apresentaram algumas ideias e práticas do seu contexto de trabalho resultaram num diálogo e troca de argumentos centrados na qualificação e nos desafios de futuro. Cada vez mais, e como é o caso do CNO da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré os Centros Novas Oportunidades tornam-se portas abertas para o delinear de estratégias de futura numa mentalização da importância da aprendizagem ao longo da vida como estratégia pessoal de melhoria e sustentabilidade do próprio posto de trabalho. Falando-se como se tem falado na questão da inadequação do trabalhador aos desafios do mercado, sem dúvida, a qualificação passa pela orientação dos adultos após processo. Este é um elemento que este CNO tem em conta e pela boa relação que estabelece com os adultos permite a efectiva consciencialização para o futuro. Parabéns por isso.

E como esta semana não acompanhei mais júris, deixo aqui umas ideias da minha presença no encontro na Escola Secundária D. Inês de Castro em Alcobaça para o encontro que já referi aqui. A Dra. Anabela Luís, coordenadora do CNO, pelo seu dinamismo e competência, organizou um encontro para um grupo pequeno de formadores e elementos de CNO, (creio que no total estariam entre 25 a 30 pessoas eo onde conheci o Paulo e a Isabel do CNO da Escola Maximinus em Braga) e que contou com a presença da Dra. Maria do Carmo Gomes (ANQ) e da Dra. Mafalda Branco (CNO do Agrupamento de Escolas de Ansião). Mais dirigido para os cursos EFA e centrado no Balanço de Competências este tipo de formação, em grupos mais pequenos e com troca de ideias e práticas, resulta numa mais-valia de interacção que os grandes eventos locais ou nacionais não conseguem atingir. Referiu-se a importância do referencial visto não como um programa ou currículo mas na sua visão transversal e holística das competências a desenvolver ou adquiridas pelos adultos/formandos ao longo da vida e testou-se a metodologia promovida pela Dra. Mafalda Branco do seu, já famoso, baú.
Uma das coisas mais interessantes deste encontro foi a apresentação do logótipo do CNO da Escola Secundária de Alcobaça. Este símbolo é a prova que a colaboração e a cooperação resultam numa estratégia de mobilização de competências de vários elementos. Fica aqui a imagem do CNO que, a meu ver, consegue captar duas coisas: A essencia da dinâmica da coordenação do CNO no objectivo de inovação e qualidade e a capacidade de mudança e originalidade necessárias a este desafio que agora começa para esta escola e para a equipa que abraçou este projecto. Boa sorte e parabéns pelo trabalho já desenvolvido.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Desafio: Qualificar

Hoje deixo a última reflexão desta semana em que olhei para a Iniciativa Novas Oportunidades e elaborei algumas considerações, em jeito de desafio, sendo que, pelas reacções que me chegaram por e-mail, algumas foram do agrado de alguns, outras nem tanto. Mas assim é a liberdade de opinião e de expressão e a riqueza de confrontar a nossa visão com a de tantos para a melhoria de um projecto que todos reconhecemos como inovador.

A minha última questão/reflexão centra-se na palavra "Qualificar". Publicamente já tenho dito que este é o desafio em que estamos envolvidos e não sei até que ponto o estamos a ganhar.
Passo a explicar. Ouvia ontem, no encontro em Alcobaça, a Dra. Maria do Carmo Gomes ( e onde conheci o Paulo e a Isabel do CNO da Escola Maximinus de Braga), cujas ideias e visões partilho, lançar a provocação à audiência de retirar a palavra "certificação" do contexto de implementação das estratégias de RVC. Esta provocação não é mais do que aquilo que tenho como um dos maiores desafios da Iniciativa Novas Oportunidades na sua globalidade. Dos jovens aos adultos. O problema não se centra na certificação. Centra-se na qualificação. E esse é o maior dos desafios. De que vale aumentar a escolarização certificada da população se não se qualifica efectivamente essa mesma população para os desafios do futuro em termos profissionais e escolares?
Tenho defendido a ideia, e já o fiz quando publiquei neste espaço umas ideias para o Plano de Desenvolvimento Pessoal que a qualificação não é um momento. Um momento é a certificação. A qualificação é um processo de consciencialização da aprendizagem ao longo da vida e da formação/melhoria/desenvolvimento pessoal e profissional. E é esse desafio que os CNO podem estar a perder. Ou melhor, é esse desafio que Portugal pode estar a perder. Ouvi, também no encontro o que já referi várias vezes aos CNO com que colaboro. Um profissional ou melhor, uma equipa que não vá duas ou três vezes por dia tirar dúvidas ao Catálogo Nacional de Qualificações sobre o melhor e o correcto percurso de qualificação e competências para um adulto em processo RVC não está no bom caminho. A qualificação exige um processo de informação, adequação e desafio constante de informação, orientação e competência. É neste espírito e neste principio que os CNO devem trabalhar. Não para o da certificação. Se o estão ou estiveram a fazer lançaram para mercado social e profissional um conjunto de adultos que ao terem uma segunda oportunidade de regressar à escola levaram desta, ao sair, uma resposta incompleta.

Fica então a minha provocação: Porque não olham os CNO para o trabalho realizado e questionam o seguinte: Estamos a certificar ou qualificar? A resposta, neste caso, é a essência da qualidade atingida.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Curso de Formação: Avaliação e Validação de Competências.

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Sever do Vouga em colaboração com a Escola Profissional de Aveiro encontra-se a realizar um curso de formação que divulgamos:

Read this document on Scribd: Curso RVCC

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Desafios: As Equipas dos CNO.

Como escrevi na passada segunda-feira, esta semana estou a levantar algumas questões em torno dos pontos de melhoria possível e desafios à qualidade na implementação do processo RVCC e da Iniciativa Novas Oportunidades.

Quero agradecer aos 327 participantes que já responderam ao inquérito que ontem deixei neste espaço. Espero em breve ter muito mais respostas e elaborar um documento que depois publicarei no final da semana com os resultados.

Hoje a minha análise centra-se nas equipas dos Centros Novas Oportunidades. Ao longo dos últimos anos tenho acompanhado vários CNO e tenho-me deparado com várias constatações de facto que ainda não tinha partilhado aqui.
Uma das questões que torna evidente é (e claro na realidade dos vários CNO que conheço), e ao contrário do que se tem ideia, a estabilidade das equipas. Principalmente ao nível dos profissionais. Estabilidade, digo, tempo de relação da pessoa com a entidade e nada mais. A verdade é que os CNO tem uma tendência para formar as equipas criando um espírito muito próprio. Isso leva tempo, investimento e acima de tudo dedicação. Poucas são as alterações nas equipas, ao nível dos profissionais RVCC que acompanhei. Muitos(as) são os mesmos, nos mesmos CNO de há 4/5 anos para cá. Mas esta relação contrasta com uma certa indefinição na relação laboral (até aqui com recibos verdes e agora com contrato) e nos difíceis horários de trabalho. O trabalho nocturno, diário e de acompanhamento é extenuante para todos os recursos humanos dos CNO. Não há momentos. Há um contínuo permanente de respostas a dar, de orientações a realizar e de decisões a tomar. Isto não se aplica só aos profissionais RVCC mas a toda a equipa. Da coordenação aos formadores. As dificuldades de uma gestão financeira e humana, assim como, da gestão do tempo são situações difíceis de superar.
Mas a verdade é que, ao longo do tempo, os CNO deixaram de existir. Parece estranha a afirmação mas não é. Hoje, na maioria dos casos, os CNO são equipas de profissionais muito qualificados e preparados para os desafios emergentes da inclusão na escola da Educação e Formação de Adultos e não meras organizações formalmente instituídas.
Sempre o disse publicamente que o primeiro acto de respeito da minha parte é sempre para com os coordenadores, profissionais e formadores que fazem os CNO. Aqui fica esse reconhecimento público de respeito, de reconhecimento e de parabéns pelo imenso esforço e dedicação nestes últimos anos.

Agora os desafios. Não são poucos.

1. Quanto aos profissionais: A estabilidade contratual parece ser uma realidade atingível, veremos se as mudanças de equipas que permite não alteram a lógica para que foi criada. Penso que acima de tudo é necessário credibilizar a função. Por um lado, a meu ver, é essencial implementar um processo de certificação profissional (já criado) para formação inicial e contínua. Por outro é preciso criar uma forma de articulação de práticas, a meu ver, centrada na formação inter-pares. O reconhecimento social passa pela afirmação pessoal da função exercida e isso só pode acontecer com a auto-conciencia da mesma.

2. A gestão de recursos humanos nos CNO tem que se tornar mais "empresarial". No bom sentido, claro. A verdade é que o adulto é o centro do processo e a resposta a este deve ser rápida, ajustada e orientada. Mas não podemos esquecer a necessidade de articulação entre a vida profissional e familiar dos coordenadores, profissionais e formadores para o fazer. A flexibilidade de horários em presença, o trabalho de orientação no local, a formação complementar, as orientações por plataformas de criação de portefólios digitais e todos os instrumentos que permitam essa flexibilização devem ser implementados e usados como forma de valorizar a vida pessoal e profissional de todos e a resposta necessária do CNO como um e não como soma das partes.

3. A formação em contexto. Penso que os CNO esperam muito pela formação "oficial" da ANQ e outros e existem «boas práticas» que podem ser partilhadas. A criação de pequenos encontros, com o espírito workshop, funcionam muito melhor que os grandes encontros locais.
Depois existe uma necessidade de informação. A formação é necessária, mas mais necessária, em muitos casos, é a informação. Uma das realidades com que me confronto como Avaliador Externo é ir a uma sessão de júri, perguntar no final como vai continuar os estudos e a resposta ser: RVCC. A razão é simples. Falta de informação da equipa sobre ofertas, falta dessas mesmas ofertas e muitas vezes, falta de conhecimento sobre o enquadramento da certificação profissional necessária. O papel do técnico superior minora este facto mas toda a equipa deve articular-se para a qualificação do adulto em torno de um objectivo de continuação dos estudos académicos ou resposta mais profissional. Para isso é urgente e necessária a partilha de informação.

Aqui ficam mais algumas reflexões e desafios. Novamente e principalmente para os CNO com que trabalho e onde a palavra "facilistismo" morreu à nascença todo o meu reconhecimento profissional e pessoal pelo excelente trabalho realizado até à data e a minha palavra de que tem sido uma honra trabalhar com todos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Inquérito: Desafios do Processo RVCC.

Com o objectivo de realizar uma avaliação cujos resultados serão divulgados neste blog pedimos a todos os que nos visitam para preencherem o questionário que apresentamos. Este é totalmente anónimo e confidencial.