sábado, 10 de maio de 2008

Sessões de Júri - Aprender com a vida.

Começo a ilustração dos últimos júris de validação em que estive presente por lembrar um parte de um dossier pessoal de uma adulta candidata à equivalência do Ensino Básico (9.º Ano), no CNO da Escola Secundária de Arganil e que escreveu o seguinte sobre os seus tempos de escola: “O que não gostava era do Inverno, eu vivia a três quilómetros de distância da escola, tinha que ir a pé porque os meus pais não tinham possibilidades de me comprar uma bicicleta. (…) Também não gostava quando nós, os alunos, perguntávamos certas coisas uns aos outros e a professora reparava e punha-nos de castigo, virados para a parede, de joelhos em cima de grãos de milho. (…) De manhã, quando a professora não dava um beijo ao marido, nós já sabíamos que nesse dia ia haver reguadas com força. Foram dias muito difíceis."

A equipa do CNO da Escola Secundária de Arganil faz um excelente trabalho na motivação, reforço da auto-estima e aprendizagem para que muitos adultos que frequentam este CNO possam retomar as suas vidas ligadas à escola, muitas vezes quebradas pelas condições económicas e sociais de uma época.

Outro Júri de Validação em que estive presente teve lugar no CNO da Escola Secundária Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz. A melhoria contínua do trabalho das técnicas RVCC, assim como, a aposta na melhoria da qualidade dos dossier’s pessoais dos adultos em processo são hoje uma realidade que se evidencia na própria resposta dos adultos face aos objectivos individuais para estes estabelecidos. Por engano meu nas horas, cheguei a este CNO, adiantado para a hora marcada. Estive a consultar os dossier’s, assim como, a conversar com um dos adultos propostos a júri. O Sr. João Paulo Dias tinha um interesse fora do comum. Recolheu, ao longo dos últimos anos, várias centenas de fósseis. Havia já, inclusivamente, exposto alguns em eventos. Tem tido uma luta para criar um núcleo museológico nas Alhadas. Há, a realizar este processo de RVCC, pessoas com interesses tão vastos e motivações tão distintas que é ai que reside a sua efectiva riqueza.

Mais um júri de validação, e desta vez, no CNO da Escola Secundária de Pombal. A Dra. Margarida Fonseca orientou os adultos e, como já referi aqui, a qualidade do trabalho deste CNO é excelente. Cada adulto realizou uma apresentação oral de certa de 10 minutos, seguida de uma apresentação prática ou apresentação em powerpoint onde falavam das suas actividades profissionais, destacando as competências a evidenciar neste processo. Fica abaixo uma dessas apresentações que pedi para divulgar. Não somente pela estrutura, mas essencialmente pela reflexão que a todos os presentes permitiu em discussão com a adulta. Os nossos parabéns a todos aqueles que trabalham com os idosos e procuram melhorar as suas qualificações, sendo que o processo RVCC, abre portas para novas formações e este é um dos pontos fortes do CNO da Escola Secundária de Pombal, ao realizar um acompanhamento e orientação pós-processo bem estruturado.

Por último, regresso ao CNO da Escola Secundária de Arganil. Mais um júri de validação e à minha espera mais uma citação que não posso deixar de partilhar aqui. Um adulto, cuja sua profissão estava ligada à construção civil, escreveu o seguinte: “Este processo RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) foi para mim sinónimo de outro RVCC: R de Reviver e Recordar a minha vida; V de Vencer mais uma etapa; C de Conhecimento e C de Capacidades que vi reconhecidas ao elaborar o meu dossier”. Fica talvez a proposta de mudança de nomenclatura…

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O português para falantes de outras línguas...

Grosso, Maria José, Ana Tavares e Marina Tavares (2008). O Português para falantes de outras línguas: o utilizador elementar no país de acolhimento. Lisboa: DGIDC/ME.

O documento "O Português para falantes de outras línguas - o utilizador elementar no pais de acolhimento" foi produzido no âmbito de uma parceria institucional entre a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, a Agência Nacional para a Qualificação, I.P. e o Instituto de Emprego e Formação Profissional, I.P..
Este referencial de formação destina-se a adultos aprendentes, recém-chegados a Portugal que, por diversos motivos, querem ou necessitam de desenvolver eficazmente competências em Língua Portuguesa que viabilizem a sua integração social e profissional.
O perfil linguístico-comunicativo de saída deste referencial corresponde ao nível A2 do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas.»
Fonte: ANQ

Fica um dos documentos, o restante pode ser consultado no espaço de publicações da ANQ.

Read this doc on Scribd: PT para estran

Sobre as Reuniões...

Tenho recebido alguns contactos de CNO's para saber da minha disponibilidade para realizar reuniões para apoio, esclarecimento de dúvidas e/ou acompanhamento.
Sempre considerei que para se ser Avaliador Externo se deve, efectivamente, avaliar, mas também, acompanhar os CNO, apoiando sempre que possível e com conhecimento, o seu trabalho. De acordo com a legislação em vigor e carta de qualidade para os CNO publicada pela ANQ cito três pontos que julgo fundamentais:

a) «Interpretar a correlação entre o referencial de competências chave e as evidências documentadas no dossier pessoal;

b) Regular o processo RVCC durante o funcionamento do júri de validação, assegurando a conformidade entre os princípios orientadores, as normas e procedimentos estabelecidos e os critérios definidos pelo júri de validação;

c)
A preparação da sessão de certificação implica que haja um trabalho conjunto, por parte da equipa do Centro Novas Oportunidades e do avaliador, de análise e avaliação do PRA de cada adulto proposto a júri.»

Assim, reitero que estou disponível para apoiar no que for preciso a quem me solicita apoio. No entanto, caso não seja Avaliador Externo do CNO, só o farei dando conhecimento aos colegas com os quais o CNO colabora. Penso que a ética é fundamental neste momento para credibilizar o processo. Fica o esclarecimento.

A Avaliação da Iniciativa Novas Oportunidades

«A presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), Clara Correia, e a vice-reitora da Universidade Católica, Maria Luísa Leal de Faria, assinaram (...) um protocolo para a avaliação externa do Programa Novas Oportunidades, em cerimónia que contou com a participação da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e do ministro do Trabalho e da Segurança Social, José Vieira da Silva.

O coordenador do projecto, Roberto Carneiro, apresentou na ocasião o trabalho futuro a uma assistência que contava com os secretários de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, e do Emprego e da Formação Profissional, Fernando Medina.

Como afirmou, o exercício de avaliação externa, desenhado na intersecção de duas dimensões estratégicas - a qualificação como condição sine qua non do desenvolvimento e a modernização da política pública -, comporta dois eixos fundamentais de análise.

O primeiro eixo de avaliação sistémica está orientado para a produção, tratamento e análise de indicadores de cumprimento dos objectivos estratégicos do Programa Novas Oportunidades e do funcionamento dos Centros Novas Oportunidades no quadro das políticas e dos objectivos genéricos do Programa, da sua procura real e potencial e do seu impacto sobre os percursos sociais e profissionais dos activos que a eles recorrem.

O segundo eixo compreende a monitorização e auto-avaliação de toda a rede de implementação do Programa, equipada no sentido de fornecer informação detalhada sobre o desempenho e grau de maturidade organizacional dos Centros Novas Oportunidades e de todo o sistema.

Num e noutro eixo haverá que distinguir, sistematicamente, duas dimensões: a dos produtos e a dos resultados da política pública. Importará em última análise, avaliar os impactos que surgem como uma combinação dos produtos e dos resultados, ambos vistos sob o prisma das representações sociais da mudança desejada e da mudança efectivamente obtida.

Roberto Carneiro pormenorizou ainda as dimensões de cada eixo.

Assim, o primeiro desdobra-se em:

- Análise teórico-documental do Programa Novas Oportunidades como acção de política pública educativa;

- Focus groups e entrevistas em profundidade, realizadas no início, a meio e no termo da avaliação;

- Inquéritos nacionais à população activa com habilitação inferior ao 12.º ano e à procura potencial;

- Inquéritos à procura geral nos Centros Novas Oportunidades e nas diversas etapas do processo;

- Observações periódicas de painel de adultos certificados;

- Estudos de casos de Centros Novas Oportunidades;

- Estudos de imagens do Programa Novas Oportunidades em órgãos de comunicação social de referência.

Já o segundo eixo, referente à monitorização e auto-avaliação da rede de Centros Novas Oportunidades comporta duas dimensões principais: a adequação do SIGO [ver http://www.min-edu.pt/np3/832.html] às necessidades de avaliação e a auto-avaliação.

Em suma, disse, trata-se de um exercício de avaliação de largo fôlego que se estenderá pelo período temporal indispensável para se obter resultados consistentes e confiáveis.

Prevê-se assim que o projecto dure cerca de três anos e meio, com uma intensa actividade de trabalho de campo para recolha de processamento de dados indispensáveis à análise de cada vertente substantiva do programa.»

Fonte: ME

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Percursos Formativos

A DREN, através do site, INFOEFA, divulga alguns recursos que podem ser pontos de partida para o trabalho das equipas e de mediação. Aqui fica um exemplo.

«As grelhas propostas neste documento constituem-se como sugestão ou suporte ao trabalho de construção curricular de EFA NS que deve ser desenvolvido pelas Equipas Pedagógicas. Incluem o DESENHO GLOBAL, a desagregação de cada TEMA DE VIDA em QUESTÕES GERADORAS e as ACTIVIDADES INTEGRADORAS que lhes dão corpo.»


quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Plano Nacional de Leitura e o RVCC/EFA

«O Plano Nacional de Leitura visa os seguintes objectivos:
  • Promover a leitura, assumindo-a como factor de desenvolvimento individual e de progresso nacional
  • Criar um ambiente social favorável à leitura
  • Inventariar e valorizar práticas pedagógicas e outras actividades que estimulem o prazer de ler entre crianças, jovens e adultos
  • Criar instrumentos que permitam definir metas cada vez mais precisas para o desenvolvimento da leitura
  • Enriquecer as competências dos actores sociais, desenvolvendo a acção de professores e de mediadores de leitura, formais e informais
  • Consolidar e ampliar o papel da Rede de Bibliotecas Públicas e da Rede de Bibliotecas Escolares no desenvolvimento de hábitos de leitura
  • Atingir resultados gradualmente mais favoráveis em estudos nacionais e internacionais de avaliação de literacia.»
É ainda possível aceder a projectos, por exemplo, o diário de leitura que pode ser um excelente recurso para PRA na evidência de alguns saberes fundamentais. Pode ainda ser um fonte de pesquisa para a escolhas de obras por objectivos/tipologias que pode ser visitado e testado aqui.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Exemplo de Trabalho em LE - Secundário

O trabalho em língua estrangeira pode tomar várias formas... eis o exemplo de uma delas:
- Um formando (EFA), usando um vídeo do Youtube, traduziu a narração e colocou as legendas nesse mesmo vídeo disponibilizando-o depois na internet. Um excelente trabalho que revela competências claras. Fica o recurso usado para colocar as legendas aqui.


Outro exemplo simples é a leitura de poemas ou pequenos textos criando áudio-livros. Ficam duas ideias práticas.

Um excelente recurso é também este blog:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Congresso Internacional de Inovação Social

Os objectivos deste Congresso são:

- Mostrar o que é a inovação social, onde e como acontece.
- Inspirar os actuais e potenciais agentes de mudança.
- Acelerar a inovação social, em Portugal e no mundo.

Áreas temáticas abrangidas:

- Inovação social, educação e emprego.
- Inovação social, saúde e qualidade de vida.
- Inovação social, comunidades e participação democrática.

Para aceder à brochura informativa do Congresso, clicar aqui

Para mais informações, consulte o site http://www.nextrev-lisbon.org/
Fonte: IGFSE

domingo, 4 de maio de 2008

Uma viagem de exploração.

Muitas questões que me são colocadas via e-mail estão relacionadas essencialmente com as estratégias para demonstração de competências (RVCC) ou de formas de exploração em formação (EFA) do Núcleo Gerador: Urbanidade. Aqui fica um excelente recurso que pode levar os adultos/formandos a uma reflexão crítica sobre o que é hoje uma cidade e qual o seu impacto no meio ambiente. Este recurso permite uma "viagem" virtual a vários locais... Vale a pena explorar. Fica o exemplo que escolhi.

sábado, 3 de maio de 2008

CNO Destaque do Mês de Maio.

Durante o Mês de Maio estará em destaque, neste blog, o CNO do Agrupamento de Escolas de Ansião. Esta prática que, nos últimos 12 meses tenho desenvolvido serve, não só para dar a conhecer a existência do CNO mas essencialmente para destacar algumas «boas práticas» que possam ser exemplo para outros. Acompanhando este destaque neste espaço, desenvolvo um conjunto de esforços para mobilização da comunicação social e outros meios de dar a conhecer o trabalho dos CNO com que colaboro.
O CNO do Agrupamento de Escolas de Ansião destaca-se pela juventude da sua equipa, mas acima de tudo, pelo espírito que o envolve. Sempre que me desloco a este centro para reuniões oiço falar em rigor, credibilidade, qualidade e resultados concretos para a vida dos adultos que procuram este CNO. Sei que o trabalho que irão desenvolver, nomeadamente para o processo RVCC de nível Secundário será de efectiva qualidade. Só assim se pode credibilizar o processo RVCC. Deixo em referência a curiosa explicação que me foi enviada por um dos elementos da equipa deste CNO para explicar o logótipo. Cito: «A ideia de puzzle está sempre ligada à nossa equipa, daí ter sido esse o elemento escolhido para o logótipo. Gostamos de pensar no RVCC como um puzzle que cada adulto vai (re)construindo com base nas suas experiências de vida... Às vezes há peças que andam perdidas, nem sempre todas encaixam e se consegue completar o puzzle, mas quando se consegue é uma sensação de vitória e de orgulho que temos o privilégio de poder partilhar... É isto que nos dá alento e vai fazendo acreditar... que muitos "puzzles" se (re)construirão por esse país fora e farão a diferença no futuro!»
Os meus sinceros parabéns à equipa por este espírito, dedicação e qualidade.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Semana de Júris - Práticas

As últimas sessões de júri que acompanhei trouxeram algumas coisas "novas" que gostaria de partilhar.
Uma sessão decorreu na Escola Secundária da Mealhada, de manhã e de tarde, sendo que, pela primeira vez e com muito gosto da minha parte, foi a júri Cristina Nogueira para a validação de Língua Estrangeira. Tratava-se de uma adulta que não tinha, para o processo de RVCC Básico, validado esta área e que agora regressou para o fazer. Assim, viu validado para o nível B3, a língua francesa e inglesa. Este regresso ao processo foi, por mim e por toda a equipa do CNO da Escola Secundária da Mealhada, visto com grande satisfação. Só um trabalho de acompanhamento pessoal, dedicado e com qualidade como verifico neste CNO e com esta equipa leva a que os adultos após processo não se desliguem novamente da escola e a esta regressem em tão curto espaço de tempo.
Outro júri decorreu na Escola Secundária de Pombal. O CNO da Escola Secundária de Pombal tem, nas sessões de júri que organiza, um dos seus vários pontos fortes. Quer pela dinâmica, quer pelo modelo, quer pela forma como os adultos demonstram, no espaço de 30 minutos cada, um conjunto transversal de competências que vão da sua História de Vida a uma actividade que dominam e onde evidenciam competências presentes nos seus dossier. Com a natural e excelente relação com o Profissional Alvim a sessão decorreu de forma a cumprir as expectativas sempre elevada que tenho em relação a este CNO. Os meus parabéns pelo trabalho realizado.
Um júri também a referir foi o que teve lugar em Cascais, no IETC. O CNO do Instituto de Educação Tecnológica de Cascais foi um dos CNO que me surpreendeu pela positiva. O trabalho realizado actualmente resulta de uma evolução contínua com vista à qualidade e que tem, na equipa de técnicos, formadores e coordenação o seu pilar essencial. Curioso que acompanhei, pela primeira vez, uma nova profissional RVCC, a Dra. Sónia Caetano, a quem dou os parabéns pela simpatia e pelo profissionalismo. Ao longo do tempo tenho acompanhado muitos(as) destes(as) profissionais e a integração neste processo tem uma marca comum a todos: o seu desejo de rigor, qualidade e inovação. Os meus parabéns ao CNO pela melhoria conseguida e pelo acompanhamento que dão aos adultos em processo neste momento.
Mas nem só de Júris se faz o trabalho de um Avaliador Externo. As reuniões de acompanhamento às equipa, principalmente que estão a desenvolver trabalho para o RVCC Secundário tem sido muito importante para mim, no que diz respeito à troca de informações e conhecimento directo do "terreno", assim como, para a partilha de ideias, projectos e visões de como implementar
com qualidade o processo RVCC. Assim, realizei no CNO do Agrupamento de Escolas de Ansião mais uma dessas reuniões a fim de trocar ideias sobre os PRA, a construção e organização do processo RVC. Fico sempre contente quando as palavras que oiço são: Rigor, Qualidade, Aprendizagem, Formação. Este foi o caso. Parabéns à equipa pelo esforço, profissionalismo e acompanhamento realizados na implementação do processo.

TTnet Portugal - Training of Trainers Network

«Criada pelo CEDEFOP em 1998, a rede Training of Trainers Network - TTnet Europa - define-se como um espaço comunitário de comunicação, de cooperação e de peritagem em matéria de Formação de Formadores e de Professores, um espaço orientado para a inovação e visando satisfazer necessidades reais.

Esta rede comunitária pressupõe a criação e a dinamização de redes nacionais e apoia-se na organização de actividades de interesse comum para os participantes, visando estimular a permuta de informações e a partilha de experiências entre eles.

Visa, também, proporcionar a divulgação e a incorporação dos resultados da investigação na área da Educação e Formação, decorrentes dos trabalhos desenvolvidos em Universidades e em outros centros científicos, nacionais e internacionais.

A TTnet Portugal é, assim, a Rede Nacional destinada ao desenvolvimento pessoal e profissional dos Formadores e Professores portugueses.

Para participar, entre no site da TTnet Portugal: www.ttnetportugal.pt

Exemplo

A Exemplo é uma base de dados sobre Formação Profissional de suporte à gestão do conhecimento no Espaço Europeu - uma rede de cooperação para partilhar experiências e fomentar a inovação. Foi criada em 2000, no âmbito da Associação Europeia para a Formação Profissional.

Constitui-se como um instrumento essencial para a interacção entre os diferentes actores dos Sistemas de Formação dos diversos países europeus, permitindo a partilha de boas práticas entre eles.

Os interessados podem participar nesta rede de comunicação:

  • inserindo dados relativos a boas práticas de Formação
  • consultando os casos que já foram disponibilizados por outros que também aceitaram cooperar activamente na Exemplo, numa perspectiva de melhoria da qualidade da Formação Profissional, ao nível europeu.
Para participar, entre no site da Associação Europeia de Formação Profissional»: Exemplo
Fonte: IEFP

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Aprendendo a Aprender

Cinco etapas a pensar que descobri aqui
  • «Ignora. Neste estágio encontramo-nos no estágio da ignorância. Não sabemos o que não sabemos. Uma frase atribuída ao filósofo Sócrates retrata bem esta fase: “Só sei que nada sei”. É comum que nesta fase haja uma (natural) ansiedade pela informação.
  • A par. Este estágio é importante pois sabemos o quanto não sabemos. Podemos até enumerar e listar os itens do que queremos conhecer, pois agora estamos a par (cientes) do universo de informações existentes sobre um determinado assunto. Despertamos intimamente o tamanho dos nossos objectivos: aquilo que podemos aprender.
  • Confusão. Neste momento já sabemos o que podemos aprender. No entanto, como (normalmente) temos uma quantidade enorme de assuntos para desvendar, iniciamos o estágio da confusão. O que aprender primeiro? Como definir o que é mais importante? Para que lado devo seguir? Devo ser um especialista ou um generalista? Tenho pouco tempo, devo me dedicar a que assunto? É neste estágio que geralmente inicia-se a fase da auto-sabotagem. Diante deste turbilhão de perguntas, causado pela confusão, a fase de auto-sabotagem é uma tendência inevitável seguida das seguintes frases: “Isso não é pra mim”; “Não vai dar certo”; “Está muito difícil aprender”; etc.
  • Conhecimento. Sem enveredar pelo campo (e definição) da filosofia, podemos definir o conhecimento como a relação que é estabelecida entre o sujeito que conhece ou deseja conhecer e o objecto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. Uma definição interessante que encontrei no Wiki sobre conhecimento diz que: “O conhecimento distingue-se da mera informação porque está associado a uma intencionalidade”. É neste estágio que estão presentes a apreensão de qualquer “coisa” por meio do pensamento; e a capacidade de tornar presente ao pensamento “aquilo” que se apreendeu.
  • Sabedoria. Neste último estágio vamos recorrer sim a definição associada a filosofia. Segundo os gregos sabedoria (sophia) define o saber como conhecimento simultaneamente teórico e prático. E neste nível de conhecimento (as vezes inconsciente), quando detemos de sabedoria sobre algo, não sabemos mais o quanto sabemos. Ainda que o tempo passe, vamos ter o completo domínio sobre aquele assunto.

A paciência e, sobretudo, a persistência devem estar sempre presentes no processo da aprendizagem. A definição destes estágios tem como objectivo enquadrar - no tempo e na quantidade de informações apreendidas - a angústia natural em não saber, o deslumbramento da descoberta, a desorientação perturbadora, o conhecimento adquirido e por fim o saber conquistado.»

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Avaliação, o RVCC e os EFA...

No espaço de debate foram várias vezes colocadas questões relacionadas com o tipo de certificado emitido para o RVCC de nível secundário. Aqui ficam algumas respostas:

«A equipa pedagógica deve criar/definir um sistema de avaliação uniforme (critérios, grelhas, nomenclatura específica - Bom, Suficiente, etc.) ou devem ser criados critérios "à medida" para cada Área de Competências-Chave?
A equipa pedagógica deve criar/definir um sistema de avaliação uniforme para todas as Unidades de Competência.

Como se avaliam as UC/UFCD?
Na componente de formação de base de cursos EFA de nível secundário - habilitação escolar é obrigatória a validação de 2 competências por cada UC. Na componente de formação de base de cursos EFA de nível secundário e nível 3 de formação é obrigatória a validação de 4 competências por cada UC. Na componente de formação tecnológica de cursos EFA de nível secundário e nível 3 de formação é obrigatório ter aproveitamento em todas as UFCD da componente tecnológica

A avaliação final é quantitativa, podendo os alunos ingressar no ensino superior, ou é traduzida no número de competências que o adulto adquiriu e isso depois terá uma equivalência para o acesso?
A avaliação final é de carácter qualitativo. Os adultos que concluírem o ensino básico ou o ensino secundário através de cursos EFA que pretendam prosseguir estudos estão sujeitos aos respectivos requisitos de acesso das diferentes modalidades.»
Fonte: ANQ

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um recurso para Cidadania.

Um excelente recurso para Cidadania (Básico e Secundário) é uma visita ao site do Centro de Informação Europeia Jacques Delors.

"O universo Internet do Centro de Informação Europeia Jacques Delors está organizado em canais específicos - "Informação", "Formação", "Cidadania", "Institucional" - compostos de secções e respectivos conteúdos. Engloba ainda uma biblioteca em linha em cooperação com Direcção Geral dos Assuntos Europeus (DGAE) e o sítio "Aprender Europa", vocacionado para a comunidade escolar."

Fica uma apresentação retirada deste site e que partilhamos aqui:




domingo, 27 de abril de 2008

Uma Estratégia Pós- RVCC/EFA

«PINTO, Helena Rebelo, Isabel Ferreira do Vale, Maria da Conceição Soares, Etelvina Cristovão Morais (2008). Instrumentos de apoio à construção de um projecto vocacional nos Centros Novas Oportunidades. Lisboa: ANQ.

Considerando que os Centros Novas Oportunidades são espaços privilegiados para a execução de uma perspectiva de orientação ao longo da vida, o Instituto de Orientação Profissional, a pedido da Agência Nacional para a Qualificação, produziu um documento intitulado "Instrumentos de apoio à construção de um projecto vocacional nos Centros Novas Oportunidades".
Esta publicação integra um conjunto de instrumentos que permitem aos profissionais dos Centros Novas Oportunidades trabalhar com os adultos, numa fase posterior ao processo de RVCC, o seu desenvolvimento vocacional. Em concreto, estes instrumentos podem ser úteis na fase respeitante à elaboração do Plano de Desenvolvimento Pessoal de cada adulto, permitindo definir caminhos que tornem mais significativa a qualificação adquirida através do processo desenvolvido no Centro Novas Oportunidades, numa lógica de consolidação da aprendizagem ao longo da vida.
Nesta perspectiva, o documento apresenta três módulos. O primeiro relaciona-se com o conhecimento que o adulto tem de si próprio; o segundo com a forma como se relaciona com os outros e, por fim, o terceiro com a aprendizagem ao longo da vida e a construção de um projecto vocacional.» Fonte: ANQ

Disponível aqui:

Read this doc on Scribd: Pós RVCC

Modalidades de Formação - Guia

Ao visitar a nova organização da página do IEFP encontrei uma lista completa de modalidades de formação que aqui registo:

Vale a pena uma consulta para quem procura soluções para a sua certificação ou conclusão de estudos.

sábado, 26 de abril de 2008

Reuniões de Acompanhamento


Uma das práticas que tenho levado a cabo nos últimos anos tem sido a de realizar, com alguma regularidade, reuniões com as equipas dos CNO que acompanho, quer para cumprimento das directivas da ANQ sobre o processo RVCC, quer para, de uma forma simples e mais directa, poder apoiar, tirar dúvidas e/ou orientar os técnicos, formadores e coordenadores na implementação/gestão do processo RVCC.

Assim foi por um amável convite que descobri uma equipa de gente jovem e com aquele olhar brilhante e inteligente que quer, com qualidade, realizar um trabalho sério, capaz e de resposta concreta ao problema da qualificação e certificação dos adultos que os procuram. Estou a falar da equipa técnica do CNO do Agrupamento de Escolas de Ansião.

Com muito gosto aceitei o convite para acompanhar os grupos de RVCC Secundário que estão em processo e com maior gosto ainda para dar algum apoio a esta equipa que me pareceu capaz de implementar um projecto de muita qualidade, rigor, inovação e qualificação efectiva. Para todos os elementos da equipa, os meus parabéns pelo trabalho já desenvolvido e espero que, em breve, a qualidade do trabalho que iremos realizar possa resultar em sucesso pessoal e profissional para os adultos que terminam uma etapa da sua escolaridade, assim como, o sentimento de um dever bem cumprido por todos os elementos do CNO.

Três Questões - RVCC/EFA

«Qual a diferença entre o diagnóstico num processo de RVC, realizado num Centro Novas Oportunidades, e o Diagnóstico prévio, realizado no âmbito de um curso EFA?
O diagnóstico de um processo de RVC só pode ser realizado num Centro Novas Oportunidades e não numa entidade formadora promotora de cursos EFA. Não há qualquer semelhança entre o processo de RVC realizado num Centro Novas Oportunidades e o diagnóstico prévio realizado num Curso EFA. Tratam-se de procedimentos totalmente distintos, nas suas finalidades, metodologias e resultados.
O diagnóstico realizado num Centro Novas Oportunidades é orientado para o encaminhamento do adulto (RVCC, formações modulares, Cursos EFA, .) e é realizado pelo técnico superior responsável pela condução das etapas de diagnóstico/triagem e encaminhamento. Quando o adulto tem condições para integrar um processo um processo RVCC (tendo em conta, por exemplo, a experiência de vida, a idade, a experiencia profissional, etc) deve ser encaminhado para um Centro Novas Oportunidades.
O diagnóstico prévio realizado por uma entidade formadora, no âmbito de um curso EFA, é orientado para o posicionamento do adulto na oferta EFA que lhe fôr mais adequada (nível de formação, componente de certificação, etc.) e é desenvolvido pelo mediador, em colaboração com a restante equipa pedagógica do curso. Neste diagnóstico, é definido se o adulto deverá iniciar um percurso EFA de dupla certificação, EFA escolar ou componente tecnológica de um EFA (neste último caso, desde que o adulto apresente à entidade formadora/escola um diploma de conclusão do ensino básico ou do ensino secundário) ou se, pelo contrário, tem condições para ser encaminhado para um Centro Novas Oportunidades (tendo em conta, por exemplo, a experiência de vida, a idade, a experiência profissional, etc).

Quando acaba o trabalho da equipa técnico pedagógica do Centro Novas Oportunidades e começa o trabalho da equipa técnico-pedagógico do curso EFA - NS?
A equipa de um Centro Novas Oportunidades é uma equipa técnico-pedagógica e não uma equipa formativa, e o seu trabalho termina quando o adulto acaba o processo de RVC, com um total de créditos inferior a 44, distribuidos por todas as Unidades de Competência do Referencial de nível secundário, ou quando não consegue a validação de todas as Unidades de Competência do Referencial de nível básico (e as 50 horas de formação complementar não são suficientes para adquirir a certificação), necessitando assim de encaminhamento para UFCD integradas em Cursos EFA de nível secundário.
Os Centros Novas Oportunidades certificam as competências validadas no processo de RVCC e identificam a formação necessária para a obtenção da qualificação pretendida.
O trabalho da equipa pedagógica do curso EFA inicia-se quando o adulto chega, vindo do Centro Novas Oportunidades com um Plano Pessoal de Qualificação onde são identificadas as UC em falta, ou quando o adulto inicia um curso EFA sem ter passado por um processo de RVCC.

Uma escola que não tenha um Centro Novas Oportunidades, mas que esteja situada numa localidade onde exista um Centro Novas Oportunidades, deve preferencialmente avançar com o diagnóstico prévio, com vista ao posicionamento no curso EFA ou deve encaminhar os adultos que estejam em condições de fazer um processo RVC para o Centro Novas Oportunidades da localidade?
No diagnóstico prévio, é definido se o adulto deverá iniciar um percurso EFA completo, escolar ou componente tecnológica de um EFA (desde que o adulto apresente à entidade formadora/escola um diploma de conclusão do ensino básico ou do ensino secundário) ou se, pelo contrário, tem condições para ser encaminhado para um Centro Novas Oportunidades (tendo em conta, por exemplo, a experiência de vida, a idade, a experiência profissional, etc). Todos os adultos que têm condições para integrar um processo RVCC devem ser encaminhados para os Centros Novas Oportunidades.
Os adultos que se enquadrem nas condições previstas do DL nº 357 de 29 de Outubro de 2007 sobre a conclusão do secundário, devem ser encaminhados para Centros Novas Oportunidades (caso tenham condições para integrar um processo de RVCC) ou para estabelecimentos públicos, privados ou cooperativos com oferta de ensino secundário ou Centros Novas Oportunidades inseridos em estabelecimentos públicos, privados ou cooperativos que disponham de ensino secundário.
Este diagnóstico realizado pela entidade formadora é fundamental para definir o local onde cada adulto irá desenvolver o seu percurso de qualificação.»
Fonte: ANQ.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A Escola em Abril

«Meu pensamento
partiu no vento
podem prendê-lo
matá-lo não!»

Canta Adriano Correia de Oliveira

Um aluno com 14/15 anos pára diante de um cartaz com um fundo vermelho e umas letras a negro. «25 de Abril, Sempre!». Pára para ver se entende que turma terá desenhado aquele cartaz. Vê que é uma exposição. Sala 23. Passa, sem parar, para o pateio onde se fala do jogo de Futsal que irá ter lugar no pavilhão de ginástica lá mais para o fim do dia.

Quando passava pelo cartaz, do lado oposto, um grupo de professores colavam mais cartazes sobre o Dia da Liberdade. Entre fita cola, papel e algum jeito para nivelar o cartaz, falava-se de como era no tempo em que não se podia falar, naquela mesma escola, sobre a Liberdade.

Estes dois mundos não se cruzaram na escola. O aluno foi à exposição porque tinha que ir. Os professores queriam ver nos olhos dos alunos a força, o gosto, o anseio de saber mais que outrora tiveram.

Eu, com a distância que me permite estar só de passagem naquele corredor, penso comigo que a escola de hoje esqueceu Abril. Não o dia. A essência.

Dirá o leitor que hoje a escola é livre. Que hoje, na escola, já não se ensina o pensamento único. Que já não se transmite o culto e a imagem de um Estado que queria ser Novo. De um líder que queria ser eterno. Dir-me-á o leitor, que a escola de hoje é democrática. Que todos têm acesso à escola e nela podem entrar. Dir-me-á que hoje, as condições materiais são muito melhores. Que hoje, as sala de aula estão cheias de tecnologia e de democracia no acesso à leitura, ao conhecimento, ao saber, à aprendizagem.

È aqui, caro(a) leitor(a) que digo que a escola esqueceu Abril. É agora que elevo a minha palavra, como Adriano Correia de Oliveira, que cito, e falo do pensamento.

O aluno que passa pelo cartaz e não o entende. A visita à exposição que não o motiva, tudo parte, essencialmente, da falta da maior liberdade de todas. O Entendimento. Para entender o mundo é preciso saber. É preciso estudar. É preciso aprender. É preciso pensar.

A escola hoje esqueceu esse Abril. Aquele que queria o pensamento livre, rico, pleno, completo. Aquele que queria uma escola democrática mas onde o conhecimento fosse rei e senhor como cantava Ary dos Santos.

É preciso viver Abril na escola. Libertar aqueles que passam sem pensar, sem aprender, sem saber. Só sabendo, só ensinando, só dando conhecimentos a tantos alunos que hoje reconhecem a escola só como lugar de passagem se pode, efectivamente, cumprir a Escola de Abril, libertando o pensamento do carrasco da ignorância.

Publicado pelo autor no Jornal Trevim.