sábado, 6 de fevereiro de 2010

A des/re/construção do PRA (V)

(CONTINUAÇÃO)
Não se pode ensinar coisa alguma a alguém;
pode-se apenas auxiliá-la a descobrir por si mesmo (Galileu)
Percebo, no que me escreves, que a tua profissão te apaixona e que nela encontras respostas para muitas interrogações existenciais. Trata-se de uma coincidência, António, porque o mesmo se passa comigo e deixa-me dizer-te, em jeito de desabafo (sei que não o devia fazer, mas não resisto, em nome da relação de confiança que entretanto se estabeleceu entre nós), deixa-me dizer-te que pensei que este meu trabalho fosse demasiado administrativo- não é disso que te queixas, também, António?- mas descobri que, apesar de tudo, qualquer coisa acontece com as pessoas, que a transformação é possível e que estamos a contribuir para um mundo melhor.

Quando passo à abordagem da tua narrativa, sinto-me por vezes como um pirata nos mares dos pensamentos e tenho receio de encontrar no teu barco alguma arca de ansiedades, de receios ou de vergonhas. Mas não é essa a minha área, nem nunca será. Sou salteadora de competências perdidas, ocultas ou esquecidas. Espero que compreendas que estou aqui com uma função sagrada, para te mostrar o caminho do templo de Apolo, em Delfos, onde está escrita a máxima: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo".

Anabela dos Santos Luís - Alcobaça, Novembro. 2009


1 comentário:

Margot disse...

Gostei. Muito. Por vezes, deixamos (deixo) que desencanto aconteça. Mas isso é apenas porque nos (me) esquecemos de ver as pessoas por detrás dos PRA... Disse-o há muito tempo - quando a palavra desencanto não tinha ainda entrada no meu dicionário - que a afectividade deve ter sempre um lugar supremo em tudo o que fazemos. Sobretudo quando nos envolvemos em funções sagradas como esta. Obrigada!