quinta-feira, 9 de julho de 2009

Em resposta a uma questão...

Li, recentemente aqui, uma questão que penso é comum (ainda e infelizmente) a muita gente. Foi por isso que pedi a dois profissionais de RVCC e a um adulto que fizessem uma reflexão para poder dar uma resposta à questão que é colocada. Obrigado à equipa do Centro Novas Oportunidades da Gafanha da Nazaré pela disponibilidade na resposta ao meu pedido.

A visão dos Profissionais de RVCC:

«O Processo RVC – Reconhecimento e Validação de Competências – consiste num modelo que, na sua génese, tem por fim criar uma justa equivalência entre aquilo que foram as aprendizagens formais, informais ou não formais e um determinado grau de escolaridade (Básico ou Secundário) de um indivíduo em idade adulta. Partindo do pressuposto que existe uma franja da população portuguesa que abandonou precocemente a escola, por motivos vários, e que foi adquirindo ao longo da vida competências, experiências (profissionais, pessoais e de cidadania) e conhecimentos que nunca viram reconhecidos, este processo constitui a forma de valorizar e validar tais aprendizagens.
Não se tratando de um curso ou de um processo escolar, tal como comummente o concebemos, o Processo RVC resulta da reflexão de cada adulto acerca das suas aprendizagens, orientada por uma equipa de técnicos e formadores, com vista à abordagem, em registo escrito, de um conjunto de critérios pré-definidos num Referencial de Competências-Chave, correspondente a cada nível (Básico ou Secundário). Como este processo tem um cariz individual, nem todos os candidatos a certificação têm perfil para uma equivalência ao nível pretendido, devendo ser orientados para outros percursos formativos complementares. Esta situação verifica-se sobretudo no Nível Secundário, onde os adultos em processo poderão ser encaminhados para outras ofertas formativas, obtendo em RVC uma certificação parcial.
Enquanto técnicos de RVC, consideramos que para os adultos, este processo é crucial, visto que resulta num aumento significativo da sua valorização pessoal e num re-investimento na formação, que anteriormente lhes estava vedada. Acresce ainda o facto de cada PRA (Portefólio Reflexivo de Aprendizagens) ser o testemunho de vivências singulares e conhecimentos empíricos – alguns perdidos no tempo – que por este meio se preservam.»

João Henriques e Helena Silva


A visão de um adulto certificado para o nível Secundário:

«Pediram-me para falar sobre minha experiência no processo RVCC, portanto aqui vai.
Devido à minha actividade profissional, sinto necessidade de me manter em permanente formação, pois o sector da manutenção e construção de máquinas apresenta constantes inovações, desde novos materiais até métodos de produção mais eficazes e novos processos de controlo, o que me obriga a uma actualização constante. No entanto, depois de todas estas formações e experiência adquirida faltava-me algo que atestasse os meus conhecimentos e me permitisse continuar. Por isso, assim que ouvi falar no processo RVCC não hesitei, procurei o centro cujo método de trabalho melhor se adaptasse à minha disponibilidade, inscrevi-me e assim iniciei o processo.
Durante o processo tive momentos de sucesso mas também alguns de desânimo, principalmente no princípio, quando me debati com a dificuldade de compreender o que era pedido no referencial. Mesmo quando o compreendia, sentia dificuldades em o adaptar às minhas experiências. No entanto, quando estas dificuldades surgiam, contava sempre com a ajuda dos técnicos que, com toda a paciência, me ajudavam a ultrapassá-las.
O processo não foi fácil, nem eu queria que o fosse, pois quanto mais difícil mais valorizado seria. Agora com o 12º ano é como se tivesse desaparecido um obstáculo do meu caminho, proporcionando-me um futuro com mais oportunidades. Uma destas oportunidades foi a de me inscrever num CET de Electricidade e Automação Industrial, que tanta falta me fazia. Neste CET, já percorri quase um terço do caminho e o que me falta de conhecimentos académicos sobra-me na experiência de vida, o que me permite, com muita dedicação, ir terminando os módulos com notas razoáveis.
Com a finalização deste CET consigo garantir a posição na empresa onde trabalho, pois ela está num processo de certificação e com isso surge a necessidade de cada sector ser liderado por uma pessoa com formação adequada e certificada.
Nunca é demais relembrar que para mim se não fosse o processo RVCC nada disto era possível.»

Lino Neves

2 comentários:

Paula disse...

quero apenas deixar um comentário, fico triste, que se vá embora, não o conheço, mas já ouvi falar muito de si, dr. João Lima, estava-me a preparar para ir a juri consigo, pelo conhecimento que tenho em relação à sua exigencia como avaliador, era para mim um desafio, não tive oportunidade, lamento

JL disse...

Cara Paula,

Também tenho pena. No entanto sei que terá uma sessão à sua altura e à altura da qualidade e reconhecimento que sei que este processo terá para si.

Desejo-lhe tudo de bom e muita sorte!
João Lima